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Milan Kundera (Brno, 1 de abril de 1929 – Paris, 11 de julho de 2023) foi um escritor checo, exilado na França, conhecido por seu livro "A Insustentável Leveza do Ser" (1983). Naturalizado francês desde 1981, a sua cidadania checa fora revogada em 1979. Uma nova cidadania checa foi-lhe fornecida em 2019. Porém, Kundera considerava-se um escritor francês e desejava que a sua literatura fosse estudada como literatura francesa e como tal classificada nas livrarias. Sua obra mais conhecida e aclamada é A Insustentável Leveza do Ser, publicada antes da Revolução de Veludo de 1989, quando o regime comunista da Checoslováquia baniu seus livros. {}


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Decálogo do perfeito contista (Horácio Quiroga)

Não é de graça que este texto, curto e direto, do escritor uruguaio Horácio Quiroga, que viveu no final do século 19 - início do século 20 sobrevive aceso e vívido até hoje. Tem ainda uma longa vida.
Sobre a vida do autor, clique na sua imagem e vá à Wikipédia, em espanhol porque em português há pouquíssima informação sobre ele, infelizmente.

Para quem gosta de escrever e de ler - e ai pensei na (nossa) corporação dos bloggers, cada vez mais numerosa - é um verdadeiro mapa do tesouro. Em dez itens, de forma que só os grandes conseguem, Horácio Quiroga resumiu a arte da boa escrita, do texto inteligente, elegante e - principalmente - do respeito pelo leitor. É simplesmente maravilhoso.
Sabem o que fiz, tão logo o conheci? Imprimi (umas três cópias) e depois fiz composições de molduras e os coloquei nos locais onde trabalho no computador. Daqui a pouco, de tanto ler, já estarei com ele não só decorado, mas gravado no subconsciente. Quero transformar o decálogo em um hábito natural.
Muitos de vocês já devem conhecê-lo, mas vale a pena ler de novo. Quem não conhece, bem. Leia e deleite-se. É uma obra prima.
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(clique na imagem e conheça o autor)

Decálogo do perfeito contista

I - Crê em um mestre - Poe, Maupassant, Kipling, Tchecov - como em Deus.

II - Crê que tua arte é um cume inacessível. Não sonhes alcançá-la. Quando puderes fazê-lo, conseguirás sem ao menos perceber.

III - Resiste o quando puderes à imitação, mas imite se a demanda for demasiado forte. Mais que nenhuma outra coisa, o desenvolvimento da personalidade requer muita paciência.

IV - Tem fé cega não em tua capacidade para o triunfo, mas no ardor com que o desejas. Ama tua arte como à tua namorada, de todo o coração.

V - Não comeces a escrever sem saber desde a primeira linha aonde queres chegar. Em um conto bem-feito, as três primeiras linhas têm quase a mesma importância das três últimas.

VI - Se quiseres expressar com exatidão esta circunstância: "Desde o rio soprava o vento frio", não há na língua humana mais palavras que as apontadas para expressá-la. Uma vez dono de tuas palavras, não te preocupes em observar se apresentam consonância ou dissonância entre si.

VII - Não adjetives sem necessidade. Inúteis serão quantos apêndices coloridos aderires a um substantivo fraco. Se encontrares o perfeito, somente ele terá uma cor incomparável. Mas é preciso encontrá-lo.

VIII - Pega teus personagens pela mão e conduza-os firmemente até o fim, sem ver nada além do caminho que traçastes para eles. Não te distraias vendo o que a eles não importa ver. Não abuses do leitor. Um conto é um romance do qual se retirou as aparas. Tenha isso como uma verdade absoluta, ainda que não o seja.

IX - Não escrevas sob domínio da emoção. Deixe-a morrer e evoque-a em seguida. Se fores então capaz de revivê-la tal qual a sentiu, terás alcançado na arte a metade do caminho.

X - Não penses em teus amigos ao escrever, nem na impressão que causará tua história. Escreva como se teu relato não interessasse a mais ninguém senão ao pequeno mundo de teus personagens, dos quais poderias ter sido um. Não há outro modo de dar vida ao conto

HORACIO QUIROGA (1878-1937). Contista uruguaio dos mais influentes no conto moderno. Este decálogo foi publicado em julho de 1927, na revista argentina Babel. No Brasil foi reproduzido num belo livrinho (Horacio Quiroga: decálogo do perfeito contista. São Leopoldo: UNISINOS, 1999), em que dez contistas brasileiros renomados se arriscam a comentar e decifrar as intenções do mestre, entre os quais Charles Kiefer, Hélio Pólvora, Roberto Gomes e Sônia Coutinho. Algumas outras obras de Quiroga por aqui: Anaconda (Rocco, 1987), Contos da selva (UFSC, 1989), Vozes da selva (Mercado Aberto, 1994), Sete contos de horror (Cone Sul, 1997), Contos de amor e de morte (Record, 2001) e A galinha degolada e outros contos (L&PM, 2002).

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PS - Por uma questão ética, informo que copiei o texto do blog Contos Fantásticos de Luiz Fernando Riesemberg, de São Mateus do Sul, Paraná. Este texto está disponível em diversos outros endereços na rede, mas achei que neste blog ele teve um tratamento melhor.
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(clique no logotipo para conhecer o blog cujo último post foi em 23 de outubro de 2006)
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