27 de mar de 2013

Como tomamos nossas decisões? São escolhas inconscientes? Não se assuste, mas a resposta é sim.


E
ste é um dos artigos mais interessantes que já traduzi a partir do "Nuestro Blog" (clique no link mais abaixo) do Grupo Finsi (Espanha) já bem conhecido dos leitores da Oficina de Gerência. Recebo - como assinante - os artigos publicados pelos profissionais do Finsi e não canso de ler todos eles pela atualidade, diversidade e qualidade que apresentam.
O autor desse post no Nuestro Blog é um dos seus mais renomados colaboradores. Já publiquei aqui vários outros de seus textos. Falo de José Luis Bueno Blanco (para conhecê-lo clique aqui e também aqui).
O post que ele apresenta um vídeo que, estou certo, vai mexer com a cabeça dos leitores que o assistirem com atenção. O áudio está em espanhol, mas é perfeitamente compreensível.
Trata-se de uma entrevista, mas não é uma simples entrevista. Está bastante ilustrada com exemplos, comentários e "jogos de comportamentos". O neuroeconomista e professor da Universidade de Cambridge Aldo Rustichini (pesquisador focado em neuroeconomia e em particular sobre a base neural da Teoria da Decisão e da base neural da dominação e competição) concede ao famoso intelectual espanhol Eduard Punset.
Neuroeconomia é um conceito moderníssimo ligado à Neurociência e o professor de Cambridge dá uma aula sobre o instigante tema. Ao assistir o vídeo recomendo muita atenção, pois vai exigir sua concentração para não perder o foco dos exercícios que estão propostos para o entendimento da Teoria da Decisão.
Punset e Rustichini são dois homens de inteligências acima do nível comum que transformam a entrevista numa aula de introdução ao fantástico mundo de uma nova ciência. Recomendo fortemente que você não perca a oportunidade de assistir esse vídeo.

Clique no logotipo e visite o blog
José Luis Bueno Blanco

Sabemos que não sabemos o que decidimos.

Aldo Rustichini, neuroeconomista da Universidade de Cambridge, afirma que 90% de nossas decisões são inconscientes e que isso não é motivo para alarme.


Aparentemente, não temos conhecimento de todos os fatores que influenciam nas nossas tomadas de decisão, ou o que é o mesmo, de que todos os esforços para justificar algumas das nossas decisões são possivelmente apenas isso... Esforços.
Veja logo abaixo um vídeo onde o neuroeconomista da da Universidade de Cambridge Aldo Rustichini é entrevistado no programa "Redes" da RTVE da Espanha. Você pode - e recomendo - assistir a entrevista através do vídeo colocado ao final do post.
Se isso se confirmar, a partir de agora poderíamos dizer que "sob a proteção da ciência, não sei por que razão eu fiz isso".  Se for verdade de alguma forma isso nos livra de responsabilidade. Ou não?
Aldo Rustichini
Explicando de outra forma: que todos os esforços que fazemos no sentido de justificar nossos comportamentos, sermos coerentes, não nos sentirmos rejeitados e demonstrarmos ao mundo que temos razões poderosas para fazer o que fizemos  poderia ser substituído, para nos justificarmos,  apenas saber que “90% de nossas decisões são inconscientes, mas isso não é motivo para alarme". É o que afirma o neuroeconomista da Universidade de Cambridge, Aldo Rustichini.
Não obstante, a condição de que não sejam conscientes não quer dizer que não sejam racionais e adaptativas. Contudo eu acredito que o fator emocional na tomada de decisão é maior do que parece. E, em decorrência, tomamos decisões que não são lógicas, embora politicamente corretas, mas que estão totalmente “contaminadas” por alguns dos sete pecados capitais. Depois disso somos levados a “elaborar complexas teorias e sofisticados raciocínios” para convencermos a nós mesmo e ao mundo inteiro o porquê fizemos aquilo.

Aldo Rustichini, neuroeconomista da Universidade de Cambridge



23 de mar de 2013

Tim Maia - Vídeo Raro - Show em 1974 - Maravilha!


V
i esse vídeo no Facebook e fui ao YouTube para conhecê-lo. Após assistir não hesitei em trazê-lo para compartilhar com os leitores no blog. São dez minutos de Tim Maia no seu estado mais puro e desfrutando do enorme sucesso na fase inicial de sua carreira.
Ele ainda não tinha enveredado pelos caminhos tortuosos que o tiraram prematuramente do convívio de seu múltiplo público em 1998. O vídeo é histórico porque mostra o show de Tim na inauguração do Teatro Bandeirante em agosto de 1974 ao lado dos grandes artistas da MPB que se apresentaram naquela noite. A informação do vídeo no YouTube diz o seguinte: 
  • "Uma raridade dessas não pode ficar escondida, então eu tomei a liberdade de repostar este vídeo para que ele fique mais acessível aos fãs, como eu. Certamente essa é a maior raridade do Tim já postada até hoje no Youtube. Trata-se da inauguração do hoje extinto Teatro Bandeirantes em 12/08/1974 com shows, além do Tim, de Chico Buarque, Maria Bethânia, Rita Lee e Elis Regina. Mostra Tim um pouco antes da conversão ao Racionalismo, mas ainda, aparentemente chapado!! Confiram que esse registro.É raríssimo mesmo."
Para aqueles que - como eu - são fãs de Tim Maia o vídeo é uma ótima (e rara) oportunidade de vê-lo inteiro e livre das drogas pesadas que o consumiriam anos depois. Ele estava "limpo", com voz poderosa e animando o show com toda desenvoltura. Muito diferente das apresentações dele nos últimos anos antes de sua morte.  .
Na época do show Tim estava lendo o livro "Universo em Desencanto" - ele se refere a isso no show - que logo depois o levaria a aderir a uma esquisita doutrina chamada "Cultura Racional". Tim Maia apresentar pela primeira vez um dos seus maiores sucessos, "Que beleza" e vincula a canção à sua nova crença, mas isso é outra história.
Chega de conversa! Vamos assistir os dez minutos do mais puro Tim Maia.


16 de mar de 2013

Na selva corporativa fuja das teias das "aranhas"... Não seja um "grilo".

Trago Max Gehringer novamente para o palco do blog. Conto uma historinha sobre dois personagens: O grilo e a Aranha. Primeiramente convido-os a ler a fábula e depois vamos conversar.




O QUE É... HIPOCRISIA?
É representar um papel levando em conta as prioridades pessoais
  •  

Fábula à grega em dois atos.
Personagens: o Gafanhoto Estressado e a Aranha Bem Intencionada.

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Cena um:



O Gafanhoto tenta convencer a Aranha de que um colega de trabalho dos dois, o Camaleão, é um hipócrita de carteirinha.


 - Esse Camaleão é um fingido, Aranha. Sempre mudando de cor conforme a ocasião.


 - Mas essa não seria só a natureza dele, Gafanhoto? Ele não foi criado desse jeito?


 - Nada! Antigamente ele fazia o mesmo que nós, dava duro para levar a vida. Depois, virou esse artista em tempo integral, sempre escondido atrás de disfarces e artimanhas.


- Mas por que ele faria isso?

- Para tirar proveito da situação. Ele fica ali, na moita, com aquela cara inofensiva, mas, na primeira oportunidade, abocanha os descuidados.


 - Puxa, é verdade. E eu, que passo horas tecendo a minha teia, no maior capricho...


 - E eu, que fico pulando de um lado para outro sem parar? É por isso que vivo estressado. Se me distraio, o Camaleão solta a língua e me pega.


 - É mesmo. Se você não me abre os oito olhos, eu nunca teria pensado nisso.


 - Porque você é singela e bem-intencionada. Sabe como chama o que o Camaleão está fazendo? Competição desleal no ambiente de trabalho!

 - Faz sentido. Você é um sábio, Gafanhoto.


 - Obrigado, Aranha. Mas o ponto é que não podemos, nunca, confiar no Camaleão.


 - Será que não haveria um jeito de neutralizá-lo? Bom, para nosso benefício mútuo, eu acho que tenho um plano infalível.


 - Tem?


 - Tenho. Escute...

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Intervalo:


Se os antigos gregos não tivessem inventado as fábulas, a democracia e a filosofia (e, ademais, sacado que a soma do quadrado dos catetos era igual ao quadrado da hipotenusa), ainda assim eles teriam entrado para a história por sua habilidade para criar palavras. Como "hipotenusa". Ou "hipocrisia", termo que significa "abaixo da decisão".

Hipócrita, no teatro grego, era a maneira como o povo se referia ao ator que representava sem nunca tomar decisões sobre o texto. E seu talento estava em convencer a plateia de que ele não era ele mesmo, mas sim aquele personagem ali no palco.

Milênios se passaram e não surgiu palavra melhor para definir os hipócritas modernos, que continuam tão dissimulados quanto seus ancestrais. A diferença é que os hipócritas evoluíram. Agora, eles criam seus próprios diálogos. Por isso, no palco corporativo, a sobrevivência profissional depende da sensibilidade para identificar os personagens que estão contracenando conosco.

O Estressado, que ninguém aprecia muito, pelo menos é sincero ao  manifestar seus sentimentos. O que nem sempre é o caso do colega aparentemente bem-intencionado, em quem depositamos toda confiança e para quem abrimos nosso coração.

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Cena dois:


O Gafanhoto se aproxima para escutar o plano da Aranha. E se enrosca na teia. Imediatamente, ela o pica e começa a embrulhá-lo para o almoço.


 - O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO, ARANHA? NÓS NÃO SOMOS COLEGAS E PARCEIROS?


 - Não leve a mal, meu caro Gafanhoto, mas essa é a lei aqui da selva: boa intenção é uma coisa e prioridade pessoal é outra...



FIM DA FÁBULA
A mensagem da fábula é claríssima. O Gafanhoto confiou em quem não devia e... Ferrou-se. Quem não já passou por situação semelhante? No ambiente de trabalho ou na vida fora do trabalho? Nas atividades sociais talvez? Em qualquer ambiente onde exista uma boa dose de camaradagem e aproximação por interesses comuns temos a tendência de confiar nas pessoas que nos são próximas. Notadamente aquelas que aparentam alguma afinidade conosco. Não é assim?
Conto uma passagem na minha vida profissional. Era diretor de uma empresa pública e na minha ascensão até ocupar essa alta função vieram comigo alguns camaradas que me ajudaram muito e que também foram promovidos em suas carreiras para posições de maior visibilidade, importância e remuneração, claro.
Nessa vida de funções “ad nutum” você pode “cair em desgraça” com seu superior na hierarquia a qualquer momento e começar a ter problemas. Ocorreu comigo e fui demitido (exonerado) sem qualquer prévio aviso após mais de seis anos exercendo funções executivas na empresa. Meus companheiros de jornada – eram técnicos – permaneceram em seus postos sob as ordens do diretor que me substituiu.
Naturalmente continuei a manter contato com eles. Era uma forma "conviver" um pouco com a corporação, saber novidades e de minimizar o golpe inesperado que recebera com a exoneração desrespeitosa e humilhante.
Pois bem, não passado nem um mês me aparecem os "camaradas" pedindo clara e diretamente – sem rodeios – que eu não os procurasse mais, não telefonasse e nem fizesse qualquer contato porque o novo diretor estava com ciúmes e ameaçara veladamente retirar-lhes das funções remuneradas que ocupavam. Foi deprimente. Aranha(s) e grilo tal como está na fábula. Foi um trauma ter vivido esse momento e visto essa atitude de pessoas que eu respeitava muito e com as quais convivera por longos anos. Não gosto nem de lembrar.
Dito isso acho que posso ficar por aqui no comentário. Infelizmente nos ambientes corporativos há uma supremacia da luta pela sobrevivência entre os seus “habitantes”. Existindo ameaça à sobrevivência de alguma espécie na selva corporativa vão prevalecer os instintos animais de autopreservação. E ai vale tudo.
Em casos assim a surpresa fica sempre com o “gafanhoto” que não esperava atitudes desleais e pérfidas de seus presumíveis “amigos do trabalho”. Depois desse episódio aprendi que uma traição será sempre surpreendente e imprevista exceto senão confiarmos em ninguém. Parece ser um exagero, mas lamento dizer que é a verdade.
Aprendi a lição. Dois anos depois voltei a trabalhar com alguns daqueles "camaradas", pois voltei a ocupar a função de diretor na mesma corporação e mais uma vez os ajudei, mas dessa vez eu sabia com quem estava tratando e isso fez toda diferença.
Por isso concluo com uma mensagem simples àqueles leitores que estejam iniciando suas trajetórias profissionais. Aprendam que (infelizmente) ambientes de trabalho são selvas corporativas onde os predadores estão sempre a espreita. Conhecê-los o quanto antes garante uma blindagem que não lhes dará oportunidade de enroscá-lo em suas redes. Principalmente quando a percepção lhe indicar que são hipócritas. Estejam atentos e preparados para escapar de suas teias. Não sejam grilos a cair nas teias das aranhas.

Blogs que me encantam!


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