29 de dez. de 2015

Administrar, gerenciar ou gerir? Tire as dúvidas

Nem pesquisem muito para  descobrir qual é a diferença em o que seja administração, gerência e gestão. Embora as informações sejam numerosas não há congruência entre elas. Isso mesmo. 
Não é à toa que os conceitos sejam usados indistintamente. Eu mesmo faço isso e não está errado. Pelo menos o dicionário Aulete - e não é o único - coloca as três definições no mesmo verbete sobre o que seja Administração. O que diz o Aulete? Leiam abaixo:
    http://mokusen.files.wordpress.com/2012/03/crit1.png
  • Ação ou resultado de administrar.
  • Gestão de negócios, atividades, projetos públicos ou particulares.
  • Modo de administrar, de gerir; DIREÇÃO; GERÊNCIA; GOVERNO.
Além desse mix temos os entendimentos que chamarei de  conceitos populares e cujo melhor exemplo colhi no site de perguntas e respostas do Yahoo (clique no link).
Porque é importante se buscar essas diferenças? Principalmente quando nos aventuramos no universo corporativo para exercer funções executivas? Respondo dizendo que os jovens dirigentes que no mais das vezes se julgam "administradores" após a colação de grau vão descobrir, sofrendo, que na verdade são "gerentes" nas categorias de chefes ou supervisores e ainda longe de serem gerentes ou gestores.
Nos níveis mais elevados das disputas no mundo corporativo o "xadrez" é para profissionais e se você não souber o que é no tabuleiro (peão, cavalo, bispo, torre, rei ou rainha) e onde se colocar conforme sua real missão no jogo vai ser rapidamente "comido" pelo adversário.
Acho que o leitor já percebeu aonde quero chegar e por isso mesmo não vou me alongar nessa introdução.
Devo apenas registrar que existe, sim, diferença entre os três conceitos e embora não sendo difícil entendê-los a aplicação corrente na linguagem escrita e falada às vezes confunde os usuários.
Na internet, entre vários que pesquisei (veja no Google), o melhor artigo que encontrei sobre o tema foi esse que transcrevi abaixo. E quero também expressar que concordo com o autor em gênero, numero e grau.
É dentro desse conjunto de compreensão que procuro o meu entendimento. E vou prestar mais atenção ainda. Para quem tenha interesse de caracterizar melhor as diferenças entre o que seja administrar, gerenciar e gerir  recomendo que o leiam e afirmo que vale a pena.



Definição de gestão, administração e gerenciamento
Gestão de projetos, gestão de pessoas, administração de empresas, gerenciamento de recursos… Termos comuns hoje em dia, mas muita gente se confunde e não entende a diferença entre um e outro. Por André Luís Lima de Paula

Frequentemente nos deparamos através da literatura e em nosso cotidiano com os termos administração, gerenciamento e gestão sendo utilizados como sinônimos.
Cada autor tem sua própria definição. Cada colaborador dentro de uma organização normalmente utiliza os termos da forma que herdou. Um diz isto, outro diz aquilo e não se chega a um consenso.
Longe de entrar em discussões filosóficas, para a qual a maioria das pessoas não dispõe de tempo, pretendemos fornecer definições simples e práticas para a utilização dos três termos. Cada um poderá se localizar por si mesmo.
As definições a seguir estão baseadas no livro Moderno Gerenciamento de Projetos do autor Dalton Valeriano (Editora Pearson, 2005).
    http://skoob.s3.amazonaws.com/livros/160125/MODERNO_GERENCIAMENTO_DE_PROJETOS_1300128536P.jpg
  • Administração - Trata dos problemas típicos das empresas, como os recursos financeiros, recursos patrimoniais e recursos (ou talentos) humanos. É a responsável pela criação de um ambiente favorável. Palavras correspondentes: administrar, administrador.
  • Gerenciamento - Trata de níveis específicos da organização, como departamentos ou divisões (marketing, produção etc.) ou projetos. Palavras correspondentes: gerenciar, gerente.
  • Gestão - Trata de níveis especializados tanto no que diz respeito à administração quanto ao gerenciamento. Por exemplo, em projetos, temos a gestão dos custos, gestão da qualidade, gestão dos riscos etc. Palavras correspondentes: gerir, gestor.
Em português, o termo administração parece carregar algo de arcaico e pesado, enquanto que o termo gestão soa como algo moderno e flexível.
Alguns intuem que gestão é algo superior à administração e isto é verdadeiro no sentido que o termo gestão vem sendo utilizado, isto é, por envolver mais técnica, habilidade, engenhosidade. Entretanto, enquanto hierarquia dentro das organizações, a administração permanece acima da gestão.
Vamos exemplificar: quando o pessoal de RH (administração) coloca a folha de pagamento para rodar ou faz a checagem da frequência de seus colaboradores, está fazendo a pura administração, ou seja, atividades simples que não exigem maior aperfeiçoamento.
Mas, quando este mesmo pessoal de RH estabelece planos de carreira baseados em detalhados critérios de avaliação e promoção, quando promovem cursos e treinamentos de acordo com as necessidades específicas da organização e de seus colaboradores, quando entram em uma rede social para acompanhar seu pessoal, está fazendo gestão.
Até mesmo quando resolvem examinar o mapa natal de seus colaboradores para encontrar características interessantes que podem ser confirmadas e utilizadas, temos aí um legítimo trabalho de gestão, gestão de pessoas.
A administração engloba a alta administração. É a responsável pelo destino da organização como um todo. Sem o apoio da alta administração, departamentos e projetos ficam comprometidos.
No contexto de projetos, para resumir e interagir a utilização dos três termos, podemos dizer que:
  • o todo é gerenciado (gerenciamento) enquanto os níveis especializados são geridos (gestão).
Um projeto ocorre quando a administração proporciona um ambiente que permita e, principalmente, apóie sua realização (alinhamento ao planejamento estratégico).
Este artigo foi originalmente publicado no blog no dia 15 de março de 2012. Por ser um dos mais acessados no acervo da Oficina de Gerência resolvi atualiza-lo e republicar.
https://lh6.googleusercontent.com/-bGPiELYwMFs/TkCeDtmLnHI/AAAAAAAAWHM/a0SPBn07eXE/h120/clique%2Baqui%2Be%2Bleia%2Boutro%2Bartigo.bmp

5 de jun. de 2015

As crenças irracionais em nossas vidas (texto em espanhol - Grupo Finsi)


Peço licença aos leitores do Oficina de Gerencia para fazer, com esse post, uma experiência que há muito tempo estou planejando. Trata-se de publicar textos no idioma espanhol sem tradução direta como tenho o hábito de fazer (acesse o link do Grupo Finsi).
A maioria dos textos do Blog Finsi são aqueles que considero entre os melhores, disponíveis na internet, para apresentar com o perfil da Oficina de Gerência; tanto assim que criei uma tag para eles. Ocorre que por ser um site espanhol tenho tido a preocupação de traduzir os posts para o nosso idioma e isso absorve um tempo que ultimamente não tenho como alocar.
A leitura de textos em espanhol tem um grau de dificuldade muito pequeno para mim e - aposto - para a maioria das pessoas que frequentam o blog. Assim sendo sei que estou correndo um risco nessa experiência, mas prefiro assim do que perder a oportunidade de apresentar aos leitores excelentes textos e experiências que são trazidos pelos autores do Blog Finsi. Algumas expressões menos compreensíveis no nosso idioma estão imediatamente traduzidas no texto em espanhol. Em último caso é só copiar o texto em espanhol, entrar no Tradutor Google colar no espaço de tradução e escolher a tradução do espanhol para o portugues. Agradeço as manifestações sobre essa experiência.
 

As crenças limitantes e/ou crenças irracionais são temas dos mais controversos no campo da psicologia e do coaching (clique aqui - se tiver curiosidade - para conhecer um artigo técnico sobre o assunto). 
https://mcconsalter.files.wordpress.com/2014/05/imagem-coaching.jpg?w=275Fiz curso de Personal Coach e sei do poder que as nossas crenças negativas (racionais ou irracionais) exercem sobre nosso potencial de realização. Se são irracionais ou racionais não me atreverei a entrar nessa seara. Todavia que são limitantes para nosso crescimento pessoal não tenho dúvidas em atestar, seja pelas minhas experiências pessoais, seja pelo aprendizado e aplicação prática como coach e líder coach na minha lida profissional como executivo.
No post que lhes trago abaixo (em espanhol, repito) o tema é abordado com muita propriedade pelo renomado consultor espanhol José Luis Bueno Blanco (clique aqui e veja o perfil dele no final do post). Ele trata exatamente das "crenças irracionais" desenvolvidas pelo famoso psicólogo norteamericano  Albert Ellis.
Na verdade o  José Luis Blanco escreveu uma série de posts no Blog Finsi sobre cada uma das chamadas "crenças" de Ellis. Vale a pena ler os posts e vou transcrevê-los aqui dois as dois a cada semana. Quem tiver pressa pode ir direto no blog (o link do autor está disponível ao final do post).
Para contextualizar o conjunto das onze crenças irracionais de Ellis reproduzi o resumo delas (em espanhol, lembro) logo abaixo e em seguinte estão transcritos os dois posts que iniciam a série.

https://ninataboada.files.wordpress.com/2010/05/ryotiras-dificil-jb1.jpg?w=646

Listado de las 11 creencias irracionales de Ellis: 

1.    Necesidad de obediencia – "Es una necesidad extrema para el ser humano adulto el ser amado y aprobado por prácticamente cada persona significativa de la sociedad.

2.    Necesidad de ser competente - "Para considerarse uno mismo (a si mesmo) valioso se debe ser muy competente, suficiente y capaz de lograr cualquier cosa en todos los aspectos posibles". 

3.    Necesidad de demonizar - "Cierta clase de gente es vil, malvada e infame y que deben ser seriamente culpabilizados y castigados por su maldad"

4.    Necesidad de control - "Es tremendo y catastrófico el hecho (o fato) de que las cosas no vayan por el camino que a uno (a pessoa) le gustaría que fuesen". 

5.    Indefension (desamparo) -  "La desgracia humana se origina por causas externas y la gente tiene poca capacidad o ninguna, de controlar sus penas y perturbaciones". 

6.    Necesidad de alarmarse - "Si algo es o puede ser peligroso o temible, se deberá sentir terriblemente inquieto por ello y deberá pensar constantemente en la posibilidad de que esto ocurra". 

7.    Necesidad de evitar responsabilidades - "Es más fácil evitar que afrontar ciertas responsabilidades y dificultades en la vida".

8.    Necesidad de dependencia -  "Se debe depender de los demás y se necesita a alguien más fuerte en quien confiar".

9.    La influencia del pasado - "La historia pasada de uno (da pessoa) es un determinante decisivo de la conducta actual, y que algo que le ocurrió alguna vez y le conmocionó debe seguir afectándole indefinidamente"

10. Preocuparse por los demás "Uno (a pessoa) deberá sentirse muy preocupado por los problemas y las perturbaciones de los demás".

11. Idea de Perfeccionismo - "Invariablemente existe una solución precisa, correcta y perfecta para los problemas humanos, y que si esta solución perfecta no se encuentra sobreviene la catástrofe".
 
http://www.grupofinsi.com/img/fondoTop.jpg
http://www.grupofinsi.com/index.asp

Las creencias irracionales de nuestra vida


Comenzamos una serie de posts que nos ayudarán a enfrentarnos con aquellas ideas irracionales de las que no somos conscientes y que causan nuestras emociones, casi siempre negativas.

Las personas reaccionamos ante casi todo. Ante una situación, una persona, cualquier estímulo puede provocar en nosotros una emoción, positiva, negativa o neutra, y también nos moverá a la acción de una determinada manera.
Podemos pensar, entonces, que nuestras emociones, el balance de las emociones positivas y negativas va a depender de las situaciones con las que nos encontremos en el día a día. Sin embargo, el ser humano, a diferencia de un animal, procesa cada situación, consciente o inconscientemente y la pasa por el tamiz de una serie de ideas y principios, que son las que se encargan de generar la emoción.
Así pues, si tengo que hablar en público (situación) puedo estar nervioso por pensar "lo voy a hacer mal", aunque en realidad, no es ese pensamiento el que nos hace estar nerviosos sino otros del tipo: "debo de hacerlo bien", "si lo hago mal se van a reir de mi y voy a perder mi prestigio", "debo defender mi prestigio por encima de todo", etc. Estas son las ideas que harán que me sienta mal.
Por el contrario, qué diferente sería si en mi interior pensara: "lo voy a hacer mal, pero... no pasa nada, es mi primera vez", "aunque no sea un gran orador, seguro que trasmito las ideas principales", "igual se ríen de mi, si me confundo, pero en cierta manera es verdad que puede resultar gracioso", "cada vez lo haré mejor", "no creo que mi prestigio se vea afectado por mi discurso". Con este discurso, mi emoción será diferente. Seguramente, la sensación de nervios disminuirá y, consecuentemente, mi intervención en público, será mejor, y si no lo es, al menos no voy a sufrir por ello de una manera irracional.
https://sinceridade.files.wordpress.com/2012/03/albert-ellis.jpgEsto es lo que pensaba Albert Ellis, creador de la Terapia Racional Emotiva (RET). Ellis, basándose en el Modelo ABC, explica como las perturbaciones emocionales son generadas causadas por creencias, valoraciones y demandas inflexibles (exigencias absolutistas). Selecciona 11 creencias o ideas irracionales que, instaladas en lo más profundo de nuestro ser, van mediando en nuestro día a día y provocan emociones negativas.
También crea una metodología para combatir estas ideas y, por tanto, hacernos más inteligentes emocionalmente. El modelo de Ellis forma parte de las teorías cognitivos-conductuales de la psicología.
Aunque su modelo se utilizó en la práctica de la psicología clínica, conocerlo y aplicarlo en nuestras vidas nos va a reportar mucho bienestar, un modo diferente de encajar los problemas, las situaciones que nos provocan estrés y, en definitiva, hacernos más felices.
Con este artículo quiero comenzar un serie que dará un repaso a las enseñanzas de Ellis y sus aplicaciones en nuestra vida. En post posteriores pasaré por cada una de las ideas irracionales que Ellis comenta y la forma de detectarlas y atacarlas. Estoy seguro que no te dejará indiferente y te ayudará a mejorar tu vida.

Los 11 mandamientos que nos hacen sufrir 

En este segundo post sobre las ideas irracionales de Ellis, vamos a mostrar el listado completo para, posteriormente, ir comentando una por una.
Lee una por una, intentando comprender su significado, pero no comprobando si en tu interior está instalada la idea irracional.
  1. "Es una necesidad extrema para el ser humano adulto el ser amado y aprobado por prácticamente cada persona significativa de la sociedad".
  2. "Para considerarse uno mismo valioso se debe ser muy competente, suficiente y capaz de lograr cualquier cosa en todos los aspectos posibles". 
  3. "Cierta clase de gente es vil, malvada e infame y que deben ser seriamente culpabilizados y castigados por su maldad". 
  4. "Es tremendo y catastrófico el hecho de que las cosas no vayan por el camino que a uno le gustaría que fuesen".
  5. "La desgracia humana se origina por causas externas y la gente tiene poca capacidad o ninguna, de controlar sus penas y perturbaciones".
  6. "Si algo es o puede ser peligroso o temible, se deberá sentir terriblemente inquieto por ello y deberá pensar constantemente en la posibilidad de que esto ocurra".
  7. "Es más fácil evitar que afrontar ciertas responsabilidades y dificultades en la vida".
  8. "Se debe depender de los demás y se necesita a alguien más fuerte en quien confiar".
  9. "La historia pasada de uno es un determinante decisivo de la conducta actual, y que algo que le ocurrió alguna vez y le conmocionó debe seguir afectándole indefinidamente".
  10. "Uno deberá sentirse muy preocupado por los problemas y las perturbaciones de los demás".
  11. "Invariablemente existe una solución precisa, correcta y perfecta para los problemas humanos, y que si esta solución perfecta no se encuentra sobreviene la catástrofe"
Si una o varias de estas ideas forman parte de nuestro ideario más profundo, seguramente estaremos sufriendo las consecuencias negativas al intentar ponerlas en práctica o cuando no lo consigamos. Son ideas absolutistas y por supuesto irracionales. Si necesitamos tener la aprobación de cada persona, nuestra infelicidad está garantizada.
Ahora bien, leidas así, resultan demasiado evidente. ¿Quíen estará de acuerdo con cada una de estas ideas? Nadie. Si preguntamos a cualquier persona si está de acuerdo con estás ideas nos dirá que no. Son absurdas y ridículas. Sin embargo, y aquí es donde viene el punto importante, estas ideas no son observables a simple vista por la persona. "¡Claro que no tengo que ser aprobado por cada persona de mi entorno!" Sin embargo, evito cualquier situación o comportamiento que defraude a otras personas, aún a consta de mi propio bienestar.
Las ideas irracionales son la base y el sedimento sobre las que hemos construido el resto de ideas y valores. Si fueran leyes, representarían las Constitución. Y tal es su profundidad, que no las percibimos directamente. Solo con un trabajo, casi detectivesco, indagando a través del cuestionamiento de nuestros propios pensamientos, razonamientos y argumentos, vamos a desembocar a una de estas ideas.
Vamos a ir desmenuzando una por una para ver porqué cada idea es irracional, qué alternativas existen para reemplazarlas, cómo se pueden detectar, cómo la sociedad nos las inculca. 

http://www.grupofinsi.com/blog.asp?vcSeccion=1&vcblog=349

Autor - José Luis Bueno Blanco - DAVINCHI, Diseño y Nuevas Tecnologías FINSI- El Grupo FINSI es un grupo empresarial que engloba un equipo humano multidisciplinar orientado a aportar soluciones de forma global en el ámbito de los Recursos Humanos, Formación, e-learning Comunicación y nuevas tecnologías. * Asesor de Tecnología Formativa - EADIC (3 anos 1 mês) * Responsable de Proyectos - CESI IBERIA (4 anos 6 meses) - Consultor, Formador y Responsable de Proyectos.




20 de jan. de 2015

Execução de Marco Archer: algo foi jogado para baixo do tapete.

T
 rago aos leitores da Oficina de Gerência um artigo da BBC Brasil que já está "bombando no Google. Não é um tema habitual do Blog, mas não pude resistir à essa publicação porquanto me chamou a atenção as revelações que a jornalista Kathryn Bonella  - autora do livro "Nevando em Bali" -  e o repórter Renan Antunes de Oliveira (que entrevistou Marco Archer em 2005, numa prisão na Indonésia) apresentaram sobre o perfil do brasileiro executado. O que está no texto é diametralmente oposto à imagem que a cobertura da grande mídia brasileira apresentou de Marco Archer.
Oque me intrigou ao ler essa reportagem e a outra matéria referida (entrevista que poderá ser acessada no link ao final do post) é que mostram um Marco Archer não era exatamente aquele "carioca bon vivant" que foi pego ocasionalmente traficando cocaína quando fazia uma visita turística na Indonésia em busca das famosas ondas de Bali para surfar alegremente. Leiam um trecho da matéria que está ao final do post: 
  • O carioca Marco Archer Cardoso Moreira viveu 17 anos em Ipanema, 25 traficando drogas pelo mundo e 11 em cadeias da Indonésia, até morrer fuzilado, aos 53, neste sábado (17), por sentença da Justiça deste país muçulmano. Durante quatro dias de entrevista em Tangerang, em 2005, ele se abriu para mim: “Sou traficante, traficante e traficante, só traficante”.
    Demonstrou até uma ponta de orgulho: “Nunca tive um emprego diferente na vida”. Contou que tomou “todo tipo de droga que existe”.

 http://outraspalavras.net/wp-content/uploads/2013/05/130504-Fraude.jpg
Por que essa informação não foi apresentada ao público brasileiro que acompanhou - condoído - o drama de Marco Archer, da sua mãe e dos seus amigos? Não tenho respostas para isso, mas me senti enganado, engabelado, iludido. Como eu, muitos outros brasileiros ficaram achando que a pena de morte era muito exagerada para o "simples ato impensado" de um jovem traficante desastrado. Muitos ficaram "com raiva" do presidente indonésio que não atendeu aos apelos humanitários, que lhe foram feitos não só pelo governo brasileiro, mas também pela Holanda que a exemplo do Brasil chamou seu embaixador de volta "para consultas" (A execução incluiu outros cinco condenados pelo mesmo crime: um indonésio e quatro estrangeiros de Vietnã, Nigéria, Holanda e Malauí).
Não me atrevo a comentar essas medidas, pois estão na dimensão das questões diplomáticas e políticas entre essas nações. Pessoalmente acho que o governo brasileiro agiu corretamente - dentro dos rituais da diplomacia - em protestar contra a execução. Como ficaria o presidente de um país que não se manifestasse contra a execução pública de um dos seus cidadãos? Entendo que foi uma atitude política e diplomática legítima e compreensível.
Registro apenas a tensão (claramente manipulada) imposta pela mídia à opinião pública brasileira que suportou vários dias de noticiário maciço das TVs, rádios, sites e jornais, torcendo para que a sorte do "surfista carioca", do instrutor de asa delta (ele era apenas praticante) fosse alterada pela benevolência do presidente indonésio.
Ninguém que se acredite cristão e civilizado é favorável a punir crimes com a morte. A própria ONU se manifestou na direção de que a Indonésia não aplique essa penalidade extrema mesmo fazendo parte de suas leis. Há uma pressão internacional nesse sentido. Por outro lado deve ser dito que o fuzilamento como punição para crimes é apoiado por quase 70% do povo de lá.
Certamente outras formas de punição para crimes tão graves quanto o tráfico de drogas poderiam ser aplicadas aos condenados, mas daí a "vender" que houve exagero na aplicação de uma pena tão pesada a alguém "que não era tão criminoso assim"...
leiam as duas matérias e tirem suas próprias conclusões. A minha eu já a tenho.   

Rodrigo Gularte e Marco Archer
A escritora australiana conheceu Rodrigo Gularte (à esquerda) e Marco Archer no 'corredor da morte' na Indonésia.

Execução abala 'fantasia' de brasileiros no tráfico da Indonésia 
Fernando Duarte Da BBC Brasil em Londres




http://ichef.bbci.co.uk/news/ws/304/amz/worldservice/live/assets/images/2015/01/20/150120132435_bali_kathryn_412x549_snowinginbalibykathrynbonella.jpg
Kathryn Bonella: "Os brasileiros que conheci em Bali tinham um perfil bem diferente de 'mulas' e traficavam para manter um estilo de vida"
 "Nevando em Bali", livro que expõe em detalhes o submundo das drogas na mais famosa ilha do arquipélago que forma a Indonésia, chama a atenção não apenas pela descrição da mistura de crime e hedonismo no paraíso turístico que recebe mais de 2 milhões de visitantes por ano.

http://www.bbc.co.uk/portuguese
Clique e conheça o site
Muitos dos traficantes entrevistados pela escritora e jornalista australiana Kathryn Bonella para o livro eram brasileiros. Entre eles, Marco Archer, que no último sábado se tornou o primeiro brasileiro executado no exterior.
Para Bonella, no entanto, o mais significativo foi o fato de Archer ter sido também o primeiro ocidental a receber a pena de morte na Indonésia.

"Bolha"

Para a australiana, a morte estourou o que ela chama de "bolha da fantasia" para os brasileiros envolvidos com o tráfico no país.
"A morte de Marco foi decididamente o que se pode chamar do fim de uma fase. Sempre se soube que o tráfico na Indonésia é punido com a pena de morte, mas as autoridades indonésias jamais tinham ido até o fim na punição a ocidentais", afirma Bonella, em entrevista à BBC Brasil.
"Ao mesmo tempo que isso não vai acabar com o tráfico em Bali, eu imagino que muitos brasileiros vão pensar duas vezes diante da próxima oportunidade de contrabandear drogas para a Indonésia. Mas duvido que isso vá durar para sempre. Há uma grande demanda por drogas em Bali, é um lugar para onde turistas do mundo inteiro vão para se divertir sem os mesmos limites vistos na maioria dos lugares do mundo."
Para Bonella, a frequência com que encontrou brasileiros envolvidos com o tráfico na Indonésia - de transportadores de droga a ricos intermediários entre os grandes barões - é explicada pelo perfil da maioria dos viajantes do país para o arquipélago.

"Os brasileiros que encontrei tinham basicamente o mesmo perfil. Eram surfistas que viram no tráfico, em especial de cocaína, uma chance de se manter em Bali e viver uma vida de fantasia, pegando ondas, indo a festas e encontrando belas mulheres. A proximidade do Brasil com os mercados produtores de cocaína na América do Sul ajuda no acesso à droga. E, ao contrário dos habitantes de muitos países, os brasileiros viajam normalmente pelo mundo", argumenta Bonella.

http://ichef.bbci.co.uk/news/ws/625/amz/worldservice/live/assets/images/2015/01/20/150120122307_bali_casa_624x351_snowinginbalibykathrynbonella.jpg
"Rafael", um dos traficantes brasileiros mais ativos em Bali, tinha uma mansão que contava com um trampolim para pular do quarto à piscina

Perfil diferenciado

Outro fator que diferencia os traficantes brasileiros que a australiana encontrou na Indonésia é o perfil social.
"Eles eram todos de classe média, com escolaridade e conhecimento razoável de inglês. Entraram no tráfico pela curtição, não por uma necessidade econômica. Queriam viver tendo do bom e do melhor. Bem diferentes das 'mulas' (transportadores de droga), que recebem pouco dinheiro para muito risco. Um dos brasileiros que conheci em Bali podia ganhar uma fortuna com uma viagem bem-sucedida", conta a australiana.
Um dos grandes exemplos foi um carioca conhecido como "Rafael", um surfista que durante anos foi uma das principais engrenagens no tráfico de cocaína em Bali e que não fazia muita questão de esconder seus lucros: dava festas homéricas em sua mansão à beira-mar, onde uma das atrações era um trampolim do qual ele saltava de seu quarto diretamente para a piscina.
Bonella esteve na Indonésia no fim de semana e acompanhou através da mídia e de relatos de contatos a execução de Marco Archer. Embora faça questão de criticar a opção do brasileiro pelo tráfico, a australiana disse ter ficado chocada com o desfecho de um dos personagens mais citados em Nevando em Bali - numa das passagens, Bonella conta que Archer dominava o fornecimento de maconha em Bali e tinha até registrado a marca de um tipo de erva que vendia, a Lemon Juice.

"Visitei Marco na prisão durante a pesquisa para o livro. Sabia o que ele estava fazendo e de maneira nenhuma endosso o tráfico. Mas ele era carismático e até cozinhou na prisão para mim, e parecia ter muitos amigos na Indonésia, pois recebi uma série de mensagens lamentando sua morte. Sou pessoalmente contra a pena capital, em especial a tortura psicológica que foi Marco ter vivido mais de dez anos com a possibilidade de execução pairando sobre sua cabeça."
Numa das visitas, Bonella foi apresentada a Rodrigo Gularte, o outro brasileiro condenado à morte e cuja execução poderá ocorrer ainda este ano. Foi no livro da australiana que veio à tona uma suposta tentativa de suicídio do brasileiro após o anúncio da sentença, em 2005.
"Não pude comprovar, mas me pareceu claro que Rodrigo tinha sido afetado de maneira bem diferente de Marco", disse.

'Mais perigoso'

Surfista na onda
Surfistas brasileiros, segundo Bonella, usaram o tráfico como forma de manter um estilo de vida confortável na Indonésia
 A australiana disse não acreditar que a pressão internacional sofrida pela Indonésia nos últimos dias, inclusive com a retirada dos embaixadores de Brasil e Holanda (que também teve um cidadão executado no fim de semana), poderá mudar o destino do brasileiro e dois australianos também no corredor da morte.
"Não me parece que os protestos vão alterar a política de Joko Widodo (o presidente da Indonésia). Há um forte sentimento antidrogas entre a população local", avalia.
"Os traficantes devem estar assustados, mas o tráfico não vai parar. Há muita demanda, até porque a Indonésia é usada como centro de distribuição das drogas para outros países asiáticos e mesmo a Austrália. Só que agora os envolvidos sabem que a situação ficou ainda mais perigosa", opina Bonella.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/01/quem-era-marco-archer-o-brasileiro-executado-na-indonesia.html#
Matéria: "Quem era Marco Archer?" Clique no banner e leia.