29 de nov de 2012

Joelmir Beting... tristeza imensa pela sua ausência.


S
ão muito poucos os brasileiros que alcançaram a unanimidade na sociedade onde vivem e trabalham. Poucos, muito poucos mesmo! Joelmir Beting está nesse panteão. 
Sua morte entristece todos aqueles que se acostumaram a vê-lo nas muitas mídias onde irradiou o seu talento único de criar empatia imediata com aqueles que o viam e ouviam. 
Não conheço ninguém que não admirasse Joelmir Beting como figura humana, mesmo vendo-o só pela televisão e conhecendo-o pelas notícias a seu respeito. Uma figura rara nesse meio onde as vaidades e as arrogâncias formam um denominador comum entre suas maiores estrelas.
Joelmir Beting estava entre esses astros de brilho intenso no universo dos grandes jornalistas e comentaristas brasileiros; e operando na faixa áspera do jornalismo macroeconômico. Inventou bordões e frases em profusão onde "o gol de placa"  é a sua obra prima.
Para homenageá-lo acho que o melhor é reproduzir algumas de suas frases mais famosas. O maior respeito que podemos expressar por alguém que nos deixou é dizer que fará muita falta em nosso meio. Assim é com Joelmir Beting.

  • “Quem não deve não tem”.
  • “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense... É simplesmente impossível”.
  • “As Bolsas de Valores, como os aviões, são cem por cento seguras: todo avião que sobe, desce”.
  • “Temos seis calendários no mundo de hoje: o calendário gregoriano ou cristão, o calendário judaico, o calendário islâmico, o calendário japonês, o calendário chinês e o calendário brasileiro”.
  • “Se não podemos melhorar o que causa a febre, pelo menos temos de melhorar a qualidade do termômetro”.
  • “A natureza não se defende; ela se vinga”.
  • “Metade da humanidade passa fome. A outra metade faz regime”.
  • “Em economia, é fácil explicar o passado. Mais fácil ainda é predizer o futuro. Difícil é entender o presente”.
  • “Não há soluções políticas para problemas econômicos”.
  • “Você só consegue explicar aquilo que entendeu”.
  • “Modernizar não é sofisticar. Modernizar é simplificar”.
  • “Quando os preços sobem é inflação; quando descem é promoção”.
  • “A gestão da economia tem apenas dois problemas: quando as políticas fracassam e quando as medidas funcionam”.
  • “A verdade é que o Brasil teima em não fazer 70% do que deveria fazer, nem 50% do que já poderia ter feito. O tal de neoliberalismo nada tem a ver com isso”.
  • “No Brasil, fomos dopados pela cultura da abundância, irmã siamesa da cultura da ineficiência, da acomodação e da tolerância; responsável pelo nosso atávico desperdício de terra, de água, de mata, de energia, de sossego e de gente”.
  • “É melhor uma Ford na Bahia do que na Argentina. As isenções fiscais referem-se a impostos futuros que não existiriam sem a fábrica funcionando”.
  • “PT é, de fato, um partido interessante. Começou com presos políticos e vai terminar com políticos presos”.

27 de nov de 2012

Teste (não só) para Executivos - Conheça suas qualidades.

http://www.animatedgif.net/bulletsballs/balrouge_e0.gif

Lá fui eu novamente explorar o meu baú de coisas antigas para trazer ao blog um pouco da experiência pessoal passada ao longo da minha extensa jornada. Remexi e "achei" esse "Teste Confidencial Para Executivos" que ganhei de presente de um amigo que trabalhava na empresa de consultoria que o produziu. Como já faz muitos anos acho que não estarei "praticando" nada antiético ao reproduzi-lo aqui na Oficina de Gerência até porque "cortei" o logotipo da empresa na imagem.
Para trazer o teste ao blog tive que transformá-lo em imagens (quatro folhas) que dispus em sequencia natural. É só segui-las à medida que for respondendo. Sugiro que imprima as imagens para melhor trabalhar.
Na verdade o teste é um conjunto de quatro subtestes para avaliar qualidades e características consideradas importantes para os chamados executivos "top". As instruções para respondê-lo estão logo no início. As questões referem-se a quem esteja respondendo. Algo como atenção, liderança de grupo, atitude crítica, ambição... Ao final (sugiro que não leia antes de terminá-lo) estão as instruções sobre como interpretar as respostas.
Sugiro que respondam ao teste. Ele é muito pessoal e como o título diz é confidencial; não é nenhuma dessas pegadinhas que aparecem a toda hora na internet (inclusive não está na internet). No mínimo cada um que se der ao trabalho de respondê-lo terá oportunidade de refletir um pouco sobre uma série de questões que vivenciamos no dia-a-dia, mas não nos damos conta do que representam em nossas personalidades.
Alguns exemplos das questões:
  • Faz as coisas à sua maneira apesar dos outros
  • Não é meticuloso como poderia ser
  • Aproxima-se rapidamente dos outros
  • Julga as pessoas abaixo de si
Que tal? Eu fiz esse teste em vários momentos da minha vida profissional e o apliquei algumas vezes em colaboradores que eu desejava promover (só me utilizava das notas finais, pois o teste é muito pessoal). Posso dizer que ele tem uma ótima aproximação com a verdade daqueles que o respondem com total sinceridade e isenção. Boa sorte.

http://www.animatedgif.net/bulletsballs/balrouge_e0.gif
http://3.bp.blogspot.com/_sbMOl8tpOlE/SYhNupBiGUI/AAAAAAAAAaI/2dx4LhRxJg8/s400/testeQF.jpg





http://www.graphicsgrotto.com/animatedgifs/borders/dividers/images/agbdmisc12.gif

24 de nov de 2012

Empregados Aparentes (Trabajadores figurantes).(Grupo Finsi)

Continuo a experiência que estou levando a cabo no blog e este é o terceiro post do excelente "Nuestro Blog" (Clique aqui para saber mais sobre ele) que publico em espanhol. 
No artigo abaixo, cujo título é "Trabajadores Figurantes" (Empregados Figurantes) a autora apresenta sua crítica acerca de uma pesquisa norteamericana onde vários executivos consideraram que os melhores empregados eram aqueles que dedicavam-se a ficar nos ambientes de trabalho além dos horários normais de trabalho.

 http://www.portaldostrabalhadores.com.br/upl/ckfinder/images/hora-extra(1).jpg
Como concordo cem por cento com o que ela defende no seu artigo publico-o aqui para a reflexão dos leitores que se interessam pelo tema. 
Coloco abaixo um trecho do artigo já traduzido para despertar o interesse pela sua leitura:
  • [...] "Uma cultura de envolvimento e compromisso do quadro de pessoal de uma empresa baseada apenas nas horas trabalhadas é um vestígio do passado. O que importa de verdade e contribue para o seu crescimento são os resultados e não o tempo que seus empregados gastam em seus postos de trabalho. O que importa mesmo é se conseguir tornar produtivo e rentável o tempo que eles passam em seus postos e não espichar as jornadas para justificar seus esforços com suas meras presenças." [...]  
Vale a pena ler o artigo mesmo em espanhol. Não é difícil ainda mais que nas frases e palavras menos conhecidas eu acrescentei a tradução entre parênteses, por exemplo, "Lo que de verdade importa y contribuye al crecimiento de la empresa son los logros (resultados) y no las horas. Perceberam a tradução de "logros"? Assim eu fiz em todo o texto. 
Podem iniciar a leitura tranquilos, pois a compreensão será de cem por cento, eu asseguro. Além do mais sempre podemos contar com a presteza do tradutor Google  não é mesmo?
Para encerrar essa breve apresentação peço para quem tiver dificuldades na leitura direta em espanhol mande um "alô" pelos comentários do post ou por e-mail (oficinadegerencia.9@gmail.com).


http://www.finsi.com/gestion_web/banner/bannerMail.png

Trabajadores figurantes

(por Nuria Fernandez Lopez)

El mejor trabajador no es el que pasa más horas es su puesto, sino el que (senão o que) consigue sus objetivos en el menor tiempo y con la mayor calidad.

En un estudio publicado en 2010 tres investigadores dirigidos por Kimberly D. Elsbach profesora de la Universidad  de California en Davis, entrevistaron a 39 directivos para conocer su percepciones a cerca de sus empleados, y encontraron (e concluiram) que los trabajadores que acudían a la oficina (se deslocavam para o trabalho) en fin de semana o se quedaban (ou ficavam) hasta última hora, eran percibidas como más comprometidos y dedicados al trabajo.
Algunos de sus comentarios fueron:
  • "Hay  un empleado que asiste a todas las reuniones. Muchas veces no dice nada, pero llega puntual y la gente se da cuenta. Sin duda, se le considera una persona trabajadora y fiable."
  • "Trabajar en fin de semana genera muy buena impresión. Transmite el mensaje de que uno aporta algo a su equipo y de que está haciendo un esfuerzo mayor para que el trabajo salga".
Aunque es (embora seja) un estudio bastante reciente,  valorar a las personas por las horas que pasan no es el modo ni más eficaz ni más eficiente.
Tal vez nos hayamos pasado incluso al polo opuesto (talvez tenhamos que pensar de forma oposta) en donde se mide la eficiencia y efectividad de las personas en base a resultados conseguidos en menor tiempo. De nada ya vale quedarse (de nada adianta permanecer) hasta última hora en la oficina sino se han (sem haver) conseguido los resultados, si no se han alcanzado los objetivos. Hasta es posible que puntúe en contra (É até possivel que se perca pontos de conceito), salir el último y con los deberes sin hacer.  Ya no vale lo de (Já não vale dizer) " me he ido el último y he trabajado el fin de semana", es posible que eso empiece a restar (a subtrair) en lugar de sumar.
Una medida de la implicación y el compromiso (uma cultura de envolvimento e compromisso) basada en las horas es un vestigio del pasado. Lo que de verdad importa y contribuye al crecimiento de la empresa son los logros (resultados) y no las horas. Lo que importa de verdad es conseguir rentabilizar el tiempo que uno (o tempo que o empregado) pasa en sus puestos y no estirar (esticar) las jornadas para justificar con la simple presencia el esfuerzo.
Otra cosa muy distinta es el caso de los empleados que ante picos de trabajo o momentos críticos estiran sus jornadas incluso sin que nadie (ninguém) se lo requiera, ya que el tiempo del que disponen no es suficiente para conseguir los resultados u objetivos que ellos creen deberían haber conseguido.  Aunque (ainda que) a priori pueda parecer lo mismo, nada tiene que ver una situación con la otra. En el caso anterior la permanencia en el puesto nada tiene que ver con los resultados conseguidos se busca sólo la visibilidad y a la menor oportunidad se justifica el compromiso con las horas de permanencia.
En el segundo caso el exceso de  horas es una consecuencia inevitable de la propia responsabilidad con  los resultados.
No digo que no haya situaciones en las que todavía se mire mal al que se va a su hora (julgue mal a quem saia na sua hora), pero (porém) creo que cada vez más se mira peor al que se queda pero sin aportar nada (se considera pior o empregado que fica além do horário sem acrescentar nada)ya que acaba impactando en el trabajo de todos. Lo que es obvio es que todas las empresas quieren  es trabajadores productivos, no figurantes. Existen en la empresa muchos indicadores que permiten valorar el compromiso de una persona con su empresa, hay personas que aunque establecieran (há pessoas que embora tenham estabelecido) su puesto de trabajo como lugar de residencia habitual, jamás aumentarían su compromiso con su empresa. Otras por el contrario aun cuando llegan los últimos y se van los primeros (mesmo quando chegam por último e saiam primeiro) en cada una de sus formas de interacción y relación de puede observar su compromiso y dedicación.
Creo que en este sentido tanto responsables como trabajadores (dirigentes quanto empregados) debemos evolucionar (desenvolver) en este modelo y orientarnos hacia (para) los resultados,  y para mi no hay mejor trabajador que aquel que hace (faz) todo lo posible por cumplir con sus objetivos dentro de su jornada laboral (jornada de trabalho) salvo cosas excepcionales, que como tales habría que tratarlos (como tais devem ser tratadas).
Nuria Fernandez Lopez é a autora do texto acima. Ela é psicóloga na Espanha e trabalha em uma das empresa do Grupo Finsi. Tem uma página no "Nuestro Blog" com dezenas de artigos dentro da mesma temática. Gosto muito do seu estilo de apresentar questões interessantes e complexas no universo do mundo corporativo como as que está nesse post. Recomendo que entrem lá e explorem à vontade. Com certeza vão ganhar muito em conhecimento.

19 de nov de 2012

Ratocorps... Você conhece muitos deles.

A
chei essa imagem ao lado no site do "Logoblogstore" e resolvi utilizá-la para marcar esse post. Foi no fundo do meu baú de artigos corporativos que fui buscar esse texto no  post.
Eu o tinha copiado em 1997 quando exercia função de diretor em uma empresa pública. Desde sempre tive o hábito de colecionar artigos de publicações corporativas e distribuí-las entre meus gerentes e colegas de trabalho mais próximos. Aproveitava-os para criar discussões e transmitir mensagens além de receber feedbacks da equipe.
Esse texto do consagrado jornalista, consultor e escritor Fábio Steinberg foi publicado naquele ano e fez enorme sucesso. Nem imaginei, pelo tempo (15 anos) que o encontrasse na internet, mas mesmo assim fui lá conferir e o localizei no site da revista Exame.
Depois que Steinberg escreveu o artigo - ele é o criador da expressão "ratocorp" - surgiram vários outros utilizando o mesmo conceito e até a mesma terminologia (clique aqui). Acho até que já merecia um registro na Wikipédia.
Como o artigo é muuuiiito antigo, mas continua tão atual quanto são eternos os "ratocorps" nas corporações, imediatamente resolvi postá-lo na Oficina de Gerência. A verdade é que essas "figuras" são reais nos ambientes de trabalho. Fazem parte da paisagem e é forçoso conviver com eles. No serviço público é o ambiente propício aonde eles se proliferam e se multiplicam
A propósito, pouco tempo atrás, dirigindo a área técnica de um organismo federal tive que, obrigatoriamente, conviver com pelo menos três "ratocorps"; daqueles autênticos. O mais destacado deles, por sinal, protegido politicamente era intocável, ou seja, não podia ser demitido. Fazer o que? Consegui trazê-lo para próximo das minhas vistas e neutralizar sua influência sobre o resto do grupo. Mas deu um trabalho enorme!
É isso ai. Conheçam o artigo que é muito bem escrito. Como faço habitualmente coloco abaixo um breve trecho retirado do artigo que tem o intuito de motivar a continuação da leitura.

  • [...] O ratocorp tem objetivos de longo prazo. Entende que, pela própria dinâmica da operação de uma empresa, ninguém sozinho consegue saber tudo ao mesmo tempo. Por isso, precisa se municiar ao máximo de informações privilegiadas para, quando chegar a hora, exercitar plenamente o poder, mas sempre de forma indireta."[...]

Você conhece os ratocorps?

Eles estão em todas as organizações. São simpáticos, sabem agradar às pessoas... Ih, tem um deles roendo uma parte de seu salário bem agora

Autor: Fábio Steinberg* - Revista Exame

Ratos corporativos, ou ratocorps - como a eles poderiam se referir especialistas no assunto -, existem em todas as organizações. São parte inerente do próprio ambiente empresarial, pois nele nascem, crescem e dele se nutrem. Ali historicamente encontram calor, proteção e excelentes condições de desenvolvimento. 
 Bem, mas do que mesmo estamos falando? Não adianta procurar uma explicação na melhor (ou pior) literatura de negócios, pois essa espécie não consta oficialmente de nenhum compêndio. O pior é que, neste exato momento, provavelmente existe um desses seres ao seu lado, sem que você sequer se dê conta. 
Um ratocorp típico é aquele sujeito de inteligência mediana, mas sem chegar a medíocre, que passa na seleção da empresa muito mais pela sua capacidade de repetir chavões e comportamento ambíguo do que pelos seus méritos intelectuais ou criatividade. Ah, sim, geralmente domina o idioma inglês e sabe se portar com discrição - ou seja, fica calado sempre que possível para não dizer bobagem. 
Tímido e assustadiço até ganhar intimidade, suas características físicas peculiares (e principais vantagens competitivas) são os olhos enormes, treinados para tudo observar, e orelhas imensas, com um design perfeito para captar todos os sons e sussurros. A primeira coisa que um ratocorp faz, quando ingressa na empresa, é aprender tudo sobre seus manuais e procedimentos, hábitos e idiossincrasias. Ele sabe que essas serão as futuras armas e ferramentas de trabalho. Intuitivamente, segue com rigor a burocracia e o formalismo, pois assim não corre riscos e garante nunca ser acusado de não cumprir com o seu dever corporativo. 
Enquanto os demais colegas dão sangue e suor à operação, procurando dominar técnicas e colocar em dia o trabalho para o qual foram contratados, o ratocorp gasta energias em coisas bem menos produtivas, mas muito mais efetivas para a sua carreira. Observador atento, dedica-se a descobrir, por exemplo, quem exerce o verdadeiro poder, quais são as agendas ocultas ou os momentos críticos para aparecer à frente dos diretores. Tem a capacidade de ignorar, mas com muita classe, o chefe imediato, pois seu olhar está sempre focado em dois ou, preferencialmente, três níveis hierárquicos acima do seu

PARECE WORKAHOLIC 
Não pense que a voracidade do ratocorp o torna antipático ou mesmo odiado pela maioria dos colegas. Pelo contrário. Ele é geralmente muito charmoso e sabe agradar às pessoas - pois depende disso. Por isso, os seus pares nutrem por ele enorme carinho e admiração, como se fosse um mascote especial. O seu desempenho abaixo da crítica será sempre relevado e jamais visto como má-fé. Afinal, as atitudes que ele vier a adotar estarão sempre ancoradas na funcionalidade, dentro da mais perfeita transparência administrativa. 
Ele parece clonar o comportamento em seu outro colega famoso, o rato Mickey, que, apesar de roedor, é também relações-públicas da Walt Disney e amado pela humanidade há várias gerações. Com o tempo, o ratocorp ganha intimidade com a empresa que o abriga, desde o porteiro até o presidente. Age muito bem nos bastidores, seu verdadeiro hábitat. Depois do expediente, quando se sente mais à vontade, caminha com enorme desenvoltura, embora silenciosamente, por qualquer corredor ou sala da empresa. Fareja quando ainda há gente trabalhando depois da hora, se um escritório está vazio e há quanto tempo
Sabe aparecer à frente da direção nas horas mais importantes e críticas, transmitindo sempre a imagem de um workaholic. Quando a empresa fecha suas portas e a maioria absoluta dos empregados já está em casa, pode finalmente acessar computadores e escaninhos secretos. 
Muitas vezes, nas suas andanças noturnas ou mesmo feriados, abre gavetas que contêm guloseimas estocadas por alguma gorda e gulosa secretária. Nesses casos, o seu instinto fala mais alto. Não tem remorso e come tudo o que encontra. (Agora você já sabe por que tanta comida some das gavetas da sua empresa fora do expediente.) Mas não julgue precipitadamente que ele é um cleptomaníaco ou um ladrãozinho comum. Roubar alimentos não é o seu core business, mas de certa forma um inocente hobby de quem exerce uma atividade tão solitária. Afinal, ele também precisa se divertir um pouco... 
O ratocorp tem objetivos de longo prazo. Entende que, pela própria dinâmica da operação de uma empresa, ninguém sozinho consegue saber tudo ao mesmo tempo. Por isso, precisa se municiar ao máximo de informações privilegiadas para, quando chegar a hora, exercitar plenamente o poder, mas sempre de forma indireta. 

IMUNE A DEMISSÕES
Cedo ou tarde, a oportunidade de ascensão profissional acaba chegando. O diretor da área decide promovê-lo a gerente, após observar pessoalmente a sua indiscutível lealdade e dedicação à organização - principalmente quando comparadas às dos outros colegas. O desempenho do ratocorp, segundo a percepção do diretor, se traduz em uma inesgotável atividade ("ele está sempre trabalhando"), o profundo conhecimento da empresa ("ele sabe na ponta da língua todos os procedimentos") e o impressionante domínio dos negócios ("ele parece adivinhar as nossas estratégias e planos confidenciais"). A partir desse fato, surge o grande divisor de águas da carreira do ratocorp.
Finalmente, ele é formalmente reconhecido como um de seus representantes oficiais. Mas não espere dele um comportamento profissional digno de seu novo cargo. Seja qual for a missão que receber em sua carreira, sempre vai preferir o papel de conselheiro. Para ele, a melhor camuflagem são atividades de staff, a sua verdadeira vocação, atividades essas de quase impossível avaliação. Se algo que ele recomendou der certo, ótimo. Se der errado? Bem, a culpa não foi dele, primeiro porque não era o responsável direto pela execução; depois, porque sua idéia foi muito mal executada. 
O ratocorp é imune a demissões, pois é consenso da empresa que a sua presença é imprescindível. Quando se aposenta, dezenas de anos mais tarde, o faz debaixo de intensos choros e soluços de toda a organização. 
 Chega aos mais importantes cargos de assessoria, sempre em funções bem remuneradas de suporte, mas nunca executivas. Isso porque ele não é bobo de aceitar alguma posição que o exponha à luz do dia. Sempre terá uma resposta adequada, baseada em sua modéstia ou filosofia de vida, para declinar convites inconvenientes e perigosos desse tipo. Afinal, ele detesta desafios e riscos. 
Em sua convivência com o Olimpo empresarial, aprende que o exercício do poder é profundamente solitário. Os executivos nunca têm com quem falar de maneira franca, isto é, de igual para igual. A subserviência e a bajulação florescem nesse ambiente - e os poderosos são os primeiros a saber disso. Não é raro dirigentes tomarem importantes decisões baseadas apenas na opinião de secretárias, copeiras ou motoristas - que são os seus mais leais e próximos servidores do dia-a-dia. Por isso, os ratocorps representam a saída honrosa e aceita culturalmente pelo sistema para minimizar a angústia do isolamento da corte empresarial. Enfim, um mal necessário. Se não existissem, precisariam ser inventados. 

PACTO DE SILÊNCIO 
http://papudimaluco.files.wordpress.com/2010/06/blog_2010_05_ratocorporativo_2.jpg?w=285&h=300
Num processo simbiótico, os parasitas privam da intimidade dos organismos que os abrigam. Há um momento em que explorado e explorador se confundem e passam a depender um do outro. É a famosa síndrome de Tom e Jerry. Você conhece o desenho animado. O legítimo morador da casa passa o tempo inteiro atrás de um ratinho simpático que explora sem qualquer direito a geladeira e a paciência do gato. Mas se o rato Jerry não existisse, não haveria história, e Tom não seria tão famoso assim... 
Pense agora no nosso ratocorp. Coincidência? Dificilmente. E, já que o assunto é mesmo rato, pergunte a qualquer sanitarista de plantão por que todas as cidades do mundo estão infestadas de roedores e ninguém resolve o problema de vez. A resposta, provavelmente, é que há um momento em que colocar veneno demais pode matar, por acidente, outros animais, plantas e até seres humanos. Por isso, os habitantes acabam se acostumando a fazer de conta que não vêem os ratos, desde que estes se limitem a atuar em áreas externas e não invadam as suas residências. 
Nas empresas, há um acordo não- verbal muito parecido. Todos os funcionários sabem quem são e onde estão os sanguessugas do sistema. Mas jamais os denunciam. Primeiro, porque não estão ali para delatar. Segundo, porque a empresa não é mesmo deles. Mas esse pacto sinistro de silêncio tem o seu custo. Os empregados talvez não se dêem conta, mas todo fim de mês uma parcela invisível de seus salários é abatida para sustentar colegas ratocorps.
  
 
As imagens que estão no texto acima não existem no artigo original. Foram colocadas pelo blog Oficina de Gerência exatamente para ilustrá-lo e dar um pouco de leveza na leitura do texto que é um tanto ou quanto longo.

  •  
http://www.steinberg.com.br/imgs/fabio.jpg
Clique na imagem
*Fabio Steinberg foi pioneiro, no Brasil, na crítica à vida corporativa. O texto abaixo, publicado originalmente na revista Exame, é um pequeno clássico da rotina que todos enfrentamos nas empresas em que trabalhamos. Nele, Fabio criou um personagem simplesmente inesquecível: o Ratocorp. Clap, clap, clap. De pé.
Formado em Administração e Jornalismo, é consultor em comunicação empresarial. Em seus 35 anos de carreira profissional, destacam-se 18 anos na IBM Brasil, dez dos quais dedicados à área de relações com a imprensa.

É autor dos livro O Maestro ( Editora C4 / It Books) e Ficções Reais (editora Campus) e colaborou ainda em A Organização Por Trás do Espelho – Reflexos e Reflexões, de Fela Moscovici (José Olympio Editora). Escreve com freqüência artigos publicados na imprensa. Foi responsável por uma coluna durante um ano na revista Exame, onde faz eventualmente resenhas de livros de negócios. Além de consultor, Fábio dedica parte do tempo a conferências sobre comunicação e gerenciamento de crises.


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