Copiado do Twitter de Ricardo Noblat (veja.abril.com.br/blog/noblat/)

24 de mar. de 2020

Impasse tremendo na gestão da crise do Corona Vírus.





Estou começando a observar, no noticiário e nas redes sociais, uma mudança no comportamento do governo e das elites, em conjunto com o setor produtivo, sobre o que está sendo chamado de "travamento" do país.

Várias manifestações desse agrupamento estão defendendo que as medidas protetivas da população contra o Corona Vírus, tipo fechamento de shoppings, restaurantes, academias, cinemas e outras que tais, vai "matar" mais gente do que deixar o Corona "andar livremente" nas aglomerações de pessoas que naturalmente se formarão nos pontos comerciais e nos terminais rodoviários. 

Duro dilema. Ou se deixa o vírus contaminar  (quase) à vontade a população ou se deixa a economia mais livre para se movimentar e garante-se o emprego sob o risco do que uma pandemia dessas causa nas pessoas. O que você, leitor, faria?

Particularmente sou pela quarentena e pelo confinamento das famílias. Alega-se risco de saques e tumultos sociais, mas não há sinalização disso. Não seria um argumento desses que me faria mudar de posição.

Prefiro, se estivesse no poder, "sacrificar" a economia e ver um período de recessão e de desemprego do que ver pessoas morrerem porque lojas e restaurantes precisam ficar abertos e liberados para seus negócios.

É duro para os empresários, principalmente os pequenos, ver seus negócios derreterem literalmente. Todavia trata-se de uma escolha; e escolha de governos. Espera-se que estes mesmos governos,  consigam encontrar soluções criativas para apoiar o sistema produtivo sem deixar a população à mercê do COVID-19.

Não entendo por que os institutos especializados não promoveram pesquisas para perguntar ao povo o que ele deseja.

Há um outro viés que cabe nesse contexto. Nos (ainda) poucos debates sobre o assunto, percebe-se que os "empresários" não apresentam soluções. Jogam tudo no colo do governo. O dono da rede de lojas "Madero" - Junior Durski - tem aparecido como porta voz (veemente) da posição contra o travamento/quarentena. Esse agrupamento ainda está tímido, mas cresce visivelmente. 

Para finalizar, não há percepção de que os grandes empresários que reclamam das medidas restritivas, as grandes marcas - como o próprio Madero, com 8.000 funcionários - procurem, eles próprios ajudar o governo ou mesmo à sociedade de alguma maneira que possam. 

Não tenho observado nenhuma ação direta, efetiva e de grande repercussão, que possa ser apontada como ajuda real para minimizar o impacto do Corona Vírus nas famílias brasileiras, principalmente as menos favorecidas da sorte. E há muito espaço para isso. Muito mesmo. Por que eles não descobrem esses espaços?


Essa discussão começa a tomar corpo e vai pontuar o noticiário daqui a muito pouco tempo. Vamos ver com a sociedade e o governo se comportam.