28 de dez de 2012

Conselhos de Polônio a Laertes em Hamlet de Shakespeare

Hamlet Poster

N
a primeira vez que conheci a história de Hamlet fui seduzido por um pequeno e secundário trecho daquela obra prima. Trata-se da cena três do primeiro ato, cujo subtítulo conhecido é "Polônio aconselha seu filho Laertes". Já o li dezenas de vezes e cada vez me encanta mais. Só a genialidade de Shakespeare seria capaz de eternizar um pequeno texto que estaria perdido no meio de sua obra fosse ele um autor comum.
A cena mostra Polônio (camareiro-mor da corte do Rei Cláudio da Dinamarca, tio e padrasto do príncipe Hamlet) aconselhando seu filho Laertes quando ele está voltando para Paris de onde veio para assistir a coroação do rei Cláudio.
Laertes já está atrasado despedindo-se de sua irmã Ofélia; o navio já espera por ele  no cais quando entra em cena Polônio, seu pai. Ele apressa o filho e enquanto o acompanha rumo ao porto passa a ele os conselhos de um pai amoroso para um filho querido. Poucas vezes leremos algo tão sábio, tão lúdico e verdadeiro em tão poucas palavras.
Este texto, desde quando o li, tornou-se um lema na minha vida e na relação com meus filhos e colaboradores no mundo corporativo. Li e comentei para meus filhos em todas as ocasiões e oportunidades que tive. Com o advento do blog já o havia compartilhado no passado (2007) com os amigos e leitores e após alguns melhoramentos de edição faço-o agora, novamente.  
Espero que além de provocar a curiosidade sobre a magia da obra de William Shakespeare os conselhos de Polônio a Laertes possam servir para orientar muitos jovens que não conhecem, ainda, as coisas dos mundos social e corporativo quando iniciam as suas vidas e carreiras longe dos mantos protetores de seus pais e mestres. 
Logo abaixo, antes do texto de Shakespeare, postei um vídeo com a famosa cena de Polônio e Laertes. O áudio  está em  inglês, mas vai propiciar o clima ideal para a leitura.  Espero que gostem.



Arrows gif file O texto  abaixo é de um Hamlet traduzido pelo grande Millor Fernandes.

Laertes encerra sua despedida da irmã Ofélia...

LAERTES: Não se preocupe comigo.
Mas já me demorei muito. E aí vem meu pai, (Entra Polônio.)
Uma dupla bênção é uma dupla graça.
Feliz por despedir-me duas vezes.


POLÔNIO: Ainda aqui, Laertes! Já devia estar no navio, que diabo!
O vento já sopra na proa de teu barco;
Só esperam por ti. Vai, com a minha bênção, vai!
(Põe a mão na cabeça de Laertes.)
E trata de guardar estes poucos preceitos:

Não dá voz ao que pensares, nem transforma em ação um pensamento tolo.
Sejas amistoso, sim, jamais vulgar.
Os amigos que tenhas, já postos à prova,
Prende-os na tua alma com grampos de aço;
Mas não caleja a mão festejando qualquer galinho implume
Mal saído do ovo. 

Procura não entrar em nenhuma briga;
Mas, entrando, encurrala o medo no inimigo,
Presta ouvido a muitos, tua voz a poucos.
Acolhe a opinião de todos – mas você decide.
Usa roupas tão caras quanto tua bolsa permitir,
Mas nada de extravagâncias – ricas, mas não pomposas.
O hábito revela o homem,
E, na França, as pessoas de poder ou posição
Se mostram distintas e generosas pelas roupas que vestem.
Não empreste nem peça emprestado:
Quem empresta perde o amigo e o dinheiro;
Quem pede emprestado já perdeu o controle de sua economia.
E, sobretudo, isto: sê fiel a ti mesmo.
Jamais serás falso pra ninguém

Adeus. Que minha bênção faça estes conselhos frutificarem em ti.


LAERTES: Com toda a humildade, eu me despeço, pai.


POLÔNIO: Vai – que o tempo foge. Teus criados esperam.




Se estiverem interessados sugiro que cliquem no pequeno banner ao lado para ter acesso ao e-book com a obra completa de Hamlet. Para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de ler uma peça de Shakespeare garanto que vão se apaixonar.


26 de dez de 2012

Existir ou Existirem? Eis a questão!

Lá vamos nós mais uma vez. Aqui estão novas dicas de nossa línguagem escrita. Dessa vez me deparei com o verbo existir no sentido de haver.
Em alguma frase fiquei na dúvida se escrevia "existir" ou "existirem" com o sujeito no plural. Fui pesquisar e achei o que buscava em dois sites: no UOL Educação / Dicas de Português (um post de 2007) e outro verbete no site "Português de Verdade". 
O que aprendi é que o verbo existir nessa condição (sentido de haver) combina com o sujeito, Na prática é assim: se a relação estiver no plural é "existirem" e no singular é "existir". Pelo menos foi isso que eu entendi. 
Por favor, leiam os dois textos e confiram.


Dicas de Português
Por Paulo Ramos
Apesar de existirem discos (ou existir discos?) Reportagem sobre discos rígidos de computadores:
- Apesar de existir discos com maior capacidade, o tamanho é ideal para a maioria dos usuários
Há na língua portuguesa verbos pessoais e impessoais. Os primeiros apresentam um sujeito, que concorda com o verbo. Alguns casos: os criminosos matam; os deputados votam; a sociedade se revolta. Como se vê, há sempre um sujeito.
Ocorre o contrário com os impessoais. Não há sujeito. Os verbos, por isso, ficam sempre no singular (à exceção de "ser", que concorda com o número ao qual se liga).
Essa distinção ajuda a explicar a frase que abre a coluna. "Haver", no sentido de existir, é verbo impessoal e fica no singular. Se fosse usado, o trecho ficaria assim:
- Apesar de haver discos com maior capacidade, o tamanho é ideal para a maioria dos usuários
"Existir", por outro lado, é verbo pessoal e concorda com o sujeito. Existe um disco, existem dois discos:
- Apesar de existirem discos com maior capacidade, o tamanho é ideal para a maioria dos usuários


 
 

Verbo haver no sentido de existir.

1 - Não mudaremos o país se não houver transformações profundas na Educação Básica.
Este haver está no sentido de existir, "se não existirem transformações..."
Poderíamos ficar tentados a flexionar o verbo haver de acordo com transformações, o que seria um erro, pois este é seu objeto direto, e não seu sujeito. Lembrando que sujeito é o elemento que se subordina (se sujeita, daí o nome) ao fato verbal, dando-lhe as flexões de número e de pessoa.
Então se não há sujeito na oração, não há que se falar em flexionar o verbo haver.
Não sei se perceberam, mas quando substituí o verbo haver pelo existir, eu o flexionei de acordo com transformações. Alguém sabe o porquê?
O verbo existir é um verbo intransitivo, ou seja, são verbos que possuem sentido completo, não necessitando de um objeto para complementar seu sentido. A simples oração "Existo." já passa uma informação completa.
Na frase "Não mudaremos o país se não existirem transformações profundas na Educação Básica.", transformações profundas não mais é objeto direto, agora passou a ser sujeito posposto ao verbo, devendo este (verbo) com aquele (sujeito) concordar. As transformações profundas estão sofrendo a ação de existir. E no haver? Neste transformações profundas é seu objeto direto, seu complemento verbal, necessário ao entendimento da mensagem passada pelo verbo haver, que sozinho não passa mensagem alguma.


2013 já chegou! Você já sabe o que fará com ele?


Q
ue beleza! Ano novo já chegou e todo mundo está passando a limpo o ano velho. Adeus 2012. Bom para uns, ruim para outros e mais ou menos para alguns. De qualquer sorte o ano novo sempre é uma grande janela aberta para novas esperanças. É a hora de jogar fora as “ziguiziras”, fazer promessas, planos e renovar energias. É o momento de fazer as novas listas de projetos. Hora de revisar os objetivos alcançados em 2012 e também aqueles que conseguimos atingir. Passar a régua no que ficou para trás e sonhar, planejar, imaginar como será o próximo ano, 2013.  Essa é a magia de todos os anos novos.

T
odavia temos um problema! Quantos sabem fazer o planejamento eficaz do que deseja para cumprir as metas sem medo de ser feliz? Uma prova dessa “incompetência” é que muitos de nós chegamos ao final de ano – como agora, por exemplo - e ao conferirmos nossas listas lá estão eles piscando em vermelho... Os itens dos desejos não cumpridos, dos objetivos não atingidos e dos sonhos não concretizados. Por que será?

É
 o carro que não foi comprado,  os quilos que não emagrecemos, a mudança de emprego que não conseguimos, a viagem que não aconteceu e mais um monte de tópicos que não são mais do que um elenco de pequenas e grandes frustrações de expectativas e desapontamentos. Ah! Mas ai está mais um Ano Novo! E de novo lá vamos fazer nossa "lista de desejos"...

O
 texto abaixo, que copiei do jornal “O Globo”, desde o ano passado foi escrito pela jornalista Isabel Kopschitz e trata exatamente disso. Ensinar como fazer as coisas darem certo para que as metas e escopos projetados transformem-se em realidade.

A
s bases de seu artigo foram entrevistas e conversas com  diversos "coachs" profissionais. Eles são treinados para "encorajar e motivar seus clientes, transmitindo capacidades e técnicas comportamentais, psicológicas e emocionais, fazendo com que aprimorem suas aptidões pessoais e profissionais para obter êxitos nos objetivos previamente estabelecidos".

A
daptando conceitos de coaching e suas ferramentas às expectativas mais comuns dos profissionais a jornalista conseguiu passar uma boa tela onde podem ser vistas as dicas para que cada um faça sua lista de metas profissionais para qualquer ano, inclusive 2013. Vale a leitura. 


 http://www.fantasygif.it/Web%20Design/Linee_divisorie/set55barra.gif


 Especialistas explicam como planejar e cumprir metas profissionais, sem cair nos erros mais comuns

Lista de metas para 2013*
*O título da matéria original refere-se ao ano de 2012, mas eu o adaptei porque como disse antes ela serve para qualquer ano. Preferi fazer a alteração a título de atualização, mas preservei a integridade do texto (leia o original no final do post)

O Globo
Clique e acesse o site
Por Isabel Kopschitz

Publicado:
Muita gente se programa, todo fim de ano, traçando novas metas e objetivos para os 12 meses seguintes. Mas a maioria acaba estabelecendo metas inviáveis para a carreira que, naturalmente, acabam não sendo cumpridas. Para consultores de RH, esse período de festas é ideal para elaborar uma lista de objetivos profissionais para 2012. O primeiro passo, dizem, é planejar. Mas existem vários aspectos aos quais se deve prestar atenção, para que tudo o que foi idealizado não caia no esquecimento.
Segundo Ylana Miller, diretora executiva da Yluminarh Desenvolvimento Profissional, no Rio, os planos para 2012 precisam estar inseridos num projeto maior de carreira:
  •  As decisões táticas de curto e médio prazos devem estar alinhadas às de longo prazo. São essas estratégias que vão te ajudar a trilhar o caminho para o objetivo principal a ser atingido, lá na frente.
http://2.bp.blogspot.com/_EGmuJFgRDPU/SxVZxhgcaBI/AAAAAAAAAYk/4A9-GdyStR8/s1600/alvo.bmpSe a idéia é mudar de emprego, por exemplo, um passo importante é prestar atenção ao envio de currículos para bancos de dados. Ylana alerta que é importante cadastrar o documento apenas em sites de consultorias ou empresas que trabalhem com ética e profissionalismo, para garantir que as informações sobre a vida profissional sejam tratadas com o devido sigilo. Outra questão importante é manter ativas as redes de contatos profissionais, para criar oportunidades de carreira.
  • Para ser lembrado, é importante disseminar sua identidade - diz Ylana. - O final do ano é um bom período para retomar relações que estão defasadas, como ocorre às vezes com antigos colegas, clientes e outros profissionais. Essa época é propícia para expandir os relacionamentos .
Segundo pesquisa realizada pela coach Waleska Farias, cerca de 70% das pessoas que fazem a listinha esquecem suas metas já no primeiro semestre do ano. Para ela, a maioria dos que não têm sucesso no cumprimento das metas comete quatro erros
  1. O primeiro é ter um objetivo sem legitimidade; 
  2. O segundo, ter metas que não são viáveis; 
  3. O terceiro, é a falta de motivação; 
  4. E o quarto, é a perda da crença em si mesmo.
 Ela alerta que o brasileiro não tem hábito de planejar para longo prazo - o que considera um traço cultural.
  • Uma das maiores ‘pedras’ na qual os profissionais tropeçam é a legitimidade dos objetivos. Você só consegue se manter de pé numa carreira quando os objetivos realmente são seus, e não formas de agradar aos outros.
Explica Waleska, -Tive uma cliente que tinha pânico de avião, e precisava viajar no mínimo três vezes por semana. Mas não procurava outro emprego porque seu marido achava o máximo ter uma mulher executiva, que precisava viajar o tempo todo. Ela só se sabotava dentro da empresa, porque na verdade não queria mais estar ali.

Motivação e crença em si mesmo estão interligadas, afirma a coach. A falta de “automotivação”, explica Waleska, acaba fazendo com que muita gente culpe o chefe, o RH da empresa ou qualquer outro agente externo pelo fato de não ter conseguido o que deseja.
"Quando o profissional começa a ‘terceirizar’ suas obrigações, fica ainda mais difícil de chegar aonde quer. O negócio é assumir as responsabilidades pelo que pode fazer para evoluir, e seguir em frente - aconselha. - Mas também não adianta determinar objetivos muito altos e depois ficar desmotivado."
Quem segue nesta linha, diz, acaba perdendo a crença em si mesmo, e fica imobilizado, o que é fatal para que o profissional não consiga avançar na carreira.
É como Shakespeare já disse: as pessoas são o que acreditam ser. Se o próprio profissional não acha que é capaz, ninguém vai conseguir convencê-lo do contrário - ressalta.
Segundo o coach Sandro Pereira, especialista em treinamentos corporativos, ter as metas escritas, em local visível, e lê-las em voz alta com regularidade ajuda a fixar as resoluções na mente e a se motivar para alcançá-las. Pereira explica também que é normal aparecer aquele desânimo nas primeiras semanas, principalmente se a realização do seu sonho for de médio a longo prazos. Nesses casos, ele aconselha que as pessoas tenham paciência consigo mesmas, mas que não desistam:
  • Não se castigue por ter preguiça de continuar investindo sua energia nas metas. Mas nunca deixe que esse sentimento o faça regredir. O êxito nunca virá se não houver total comprometimento.

 Detalhe: As imagens que estão colocadas na matéria não fazem parte do texto original. Foram colocada pelo autor do blog a titulo de ilustração.


24 de dez de 2012

O Natal nas telas dos Grandes Mestres da Pintura Universal

Existem coisas que são eternas. As grandes obras de arte universais, por exemplo, fazem parte dessa coleção.  No ano  de 2010, no dia 25 de dezembro, criei um post que fez muito sucesso. Aproveitei o blog de um educador português  que  selecionou várias telas de mestres da pintura universal com o tema do natal e as publicou.
Esse ano, qual não foi minha surpresa ao constatar que esse mesmo post é um dos mais visitados aqui no blog na ultima semana. Não tive dúvidas em "trazê-lo" de volta aos dias atuais e republicá-lo sem alterações.
Aproveito para desejar um Feliz Natal a todos.
Nestes dias  fiquei imaginando como poderia registrar no meu blog uma homenagem ao chamado "Espírito do Natal" sem recorrer aos clichês e lugares comuns que povoam a maioria dos sites e blogs todos os anos. Tive a idéia de buscar qual foi a maneira como os grandes mestres da pintura universal teriam retratado o natal em suas obras ao longo dos tempos e comecei a pesquisar.
Não é muito comum "descobrir" no Google obras famosas sobre o natal. Pesquisei um bocado, mas não encontrei o que queria. De repente minha sorte mudou! O motivo foi um blog maravilhoso, que encontrei "perdido" no Google enquanto fazia a pesquisa. O seu autor teve a mesma idéia só que um ano antes... Refiro-me ao "Ler Para Crer" (clique no logotipo abaixo e visite-o). 
Seu autor, um português, chama-se Carlos Pinheiro é (ao que pude perceber) um professor - leitor por natureza - que coordena uma Biblioteca Escolar ligada a um conjunto de escolas no interior de Portugal. Lá eles levam a leitura e a cultura muito a sério (que inveja!).
Pois bem, no seu blog ele divulga principalmente livros com leituras recomendadas e tudo que diga respeito às expressões culturais. Uma festa de cultura! Foi que encontrei a série, de 25 posts publicada em 2009, que ele chamou de Natal na Arte. Foi de lá que copiei as pinturas abaixo. Coloquei no meu post as telas que estão assinadas pelos grandes mestres universais como El Greco, Murillo, Caravaggio, Tintoretto, Rubens e outras de pintores menos conhecidos, escolhidas por sua beleza.
É o meu registro de comemoração do Natal na Oficina de Gerencia. Espero que gostem.
http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTC84m4v1EGPA3uDsjLPZvq5peFLDRLcYeLF11hPzCguirMiuWRFQ

http://lerparacrer.files.wordpress.com/2007/10/logoler2.gif
Clique no logotipo e visite o blog
Clique em todas as imagens e será redirecionado à pagina do Google com centenas de telas dos pintores respectivos. Não perca essa oportunidade e maravilhe-se com a arte universal.
  •  
http://4.bp.blogspot.com/_UGuOpW5tJXI/R21X8WdrpiI/AAAAAAAAAFE/MXQyRwVpUZA/s400/Rafael%2B-%2BSagrada%2BFam%C3%ADlia-1518.jpg
Rafael Sanzio – a Sagrada Família – Museu do Louvre, Paris

Sabe aquele botãozinho do "On"/"Off" ? Você sabe usar o seu?



P
http://3.bp.blogspot.com/_qM3u7js14uI/SKGqxyC87FI/AAAAAAAAAPE/-hVEmEvRc6c/s400/ampulheta.jpgáginas e páginas de estudos, pesquisas e livros são escritas todos os anos desde os tempos imemoriais sobre a síndrome dos "workaholics". Em algum momento dos períodos mais badalados da ciência da administração e gerência ser "qualificado" como um "viciado em trabalho" era considerado como mérito no currículo. Eu mesmo conheci um médico que fazia parte da equipe de recrutamento de uma corporação multinacional que tinha a orientação de "descobrir" entre os candidatos aqueles que apresentavam características de ansiedade, perfeccionismo e outras semelhantes àquelas dos trabalhadores compulsivos. A estes era concedido uma espécie de bônus que aumentava suas chances de contratação. Isso foi lá pelos idos de 1975 de acordo com minha memória. Olha o absurdo!
Não diria que atualmente essas coisas ainda aconteçam, mas não ficaria surpreendido se aqui e ali ainda existirem algumas empresas "sobreviventes" e adeptas dessa metodologia. O fato é que ainda existem incontáveis seres humanos que simplesmente não conseguem desligar-se do seu universo de trabalho, mesmo nos finais de semana ou quando tiram férias.
Durante muitos anos da minha trajetória de trabalho fui o que pode ser considerado um perfeito workaholic. Todas as características que identificam uma compulsão eu as possuía. Havia, entretanto um atenuante. Eu era solteiro  e ocupava a função de engenheiro-chefe de obra em uma cidade que não possuía nem energia elétrica. Dá para entender um pouco dessa  obsessão de só pensar em trabalho e mais nada. Além do mais eu adorava estar ali, naquele momento, realizando o que eu sonhara que era chefiar uma grande obra de engenharia.
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Força que impulsiona 
Acho que essa é uma das forças impulsionadoras dos workaholics. Gostar muito do que faz, ter um enorme prazer em realizar suas tarefas a cada dia, desfrutar do sucesso... Sim, acho que uma das causas mais frequentes dessa compulsão é o gosto pelo êxito, pelos resultados alcançados. Na verdade nunca ouvi falar de um workaholic perdedor. Você já ouviu? 
http://4.bp.blogspot.com/_RFj5KnF6sl0/SlJB7vVpD3I/AAAAAAAABnw/9jec7Bkt7gE/s320/Result_of_STRESS_by_CLEMZ.jpgA questão é que com o passar dos tempos a compulsão leva ao stress e às doenças decorrentes. Livrar-se ou controlar este "vício" é hoje uma das maiores preocupações da medicina do trabalho ai incluindo a psicologia, a psiquiatria e todas as "trias" que se puder imaginar. 
Atualmente um trabalhador consciente, esclarecido e informado - seja o operário comum ou o chefão -  não se deixa mais dominar pela dopamina que está por trás de todas essas sensações de prazer que os viciados em trabalho sentem. Até as corporações estão contribuindo para orientar os potenciais workaholics de seus quadros a procurar terapias de ajuda ou  oferecer alternativas para "desligá-los" da empresa nos seus períodos de férias, fins de semana e feriados.
Volto ao meu caso pessoal para encerrar o post. Hoje - e já faz muito tempo - não sou mais um "viciado em trabalho". Minha "cura" se deu a partir do momento em que consegui perceber que o mais importante da vida é o tempo que dedicamos à família, aos amigos e aos afazeres fora do trabalho; hobbies, leituras, passeios... 
Uma das coisas que mais me ajudou foi quando ao ser exonerado da minha primeira grande função de direção percebi que nada daquele dia-a-dia tão estressante, daquele cotidiano de tantas disputas, intrigas e egolatrias tinha valor quando se ficava "desempregado".
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Falso brilho 
As "missões", os sucessos, os "amigos" e colegas, os projetos, os chefes e subordinados, as fofocas do trabalho, os aborrecimentos e as alegrias... Nada disso tem valor quando simplesmente deixamos para trás, de forma definitiva o foco de nossa compulsão pelo trabalho. O valor do trabalho está exatamente no que existe lá, no ambiente corporativo. Fora dali a vida é outra e nada do que venha de lá é valioso do lado de cá, do lado da vida normal.
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/imagens/010115111130-pirita.jpg
Pirita, o "Ouro dos Trouxas"
Acho que é por conta desse processo que a compulsão se instala nos workaholics. Eles não vislumbram que o brilho da vida dedicada exclusivamente ao trabalho é falso. Parece-se com o brilho do que os garimpeiros chamam de “ouro dos tolos”. Perdem aquilo que é mais valioso na vida de qualquer um. Família, filhos, netos, amigos, lazer, hobbies...
Tudo isso me lembra duma velha fábula de um homem muito rico, workaholic, que no leito da morte descobriu não nenhuma lembrança que não fossem os seus negócios, suas empresas, seus concorrentes e sua fortuna. Nada disso o deixou feliz ou lhe compensou a falta do amor que nunca cultivou em toda a sua existência dedicada exclusivamente ao trabalho.
Essa é a verdade incontestável que ao fim e ao cabo das jornadas dos viciados em trabalho aparece com todas as suas tenebrosas cores. E não adianta dizer que o processo é temporário, pois quando se instala em nossas vidas é difícil de extrair. Lembrem-se que está diretamente ligado ao sucesso, ao status profissional, aos melhores ganhos financeiros e à melhoria da (falsa) qualidade de vida. Como largar tudo isso?
O artigo abaixo, que utilizo como ilustrativo do post , é um bom texto para que cada leitor – workaholic ou não – possa refletir sobre tudo isso e identificar para onde está caminhando sua vida.

Profissionais que não desligam

(por Wellington Moreira*) 
A maior parte das pessoas sabe a quantidade de horas diárias que permanece em seu local de trabalho, no entanto você já parou pra  contabilizar o quanto do restante do dia fica pensando nele mesmo distante da empresa?
É que muita gente não termina o expediente quando o expediente termina. Pessoas que têm dificuldades para aproveitarem o tempo disponível ao convívio familiar e ao merecido descanso porque vão para suas casas com a mente focada nos relatórios inacabados e nos e-mails que precisarão responder na manhã seguinte.
http://gestaodeacademia.com.br/SiteImg/capas/292.jpeg

As exigências do mercado de trabalho atual têm consumido o tempo psíquico de muitos profissionais, especialmente daqueles que precisam cumprir prazos exíguos e alcançar metas desafiadoras em seu dia a dia. Ou seja, há uma boa parcela de pessoas que não consegue se desligar do trabalho de jeito nenhum, ainda que estejam operacionalmente longe dele.

Trabalhadores que vivem numa espécie de “prisão psicológica” que influencia as demais esferas da sua existência e os impede de  desfrutarem momentos com a família e amigos ou mesmo de fazerem aquilo que apreciam por causa das preocupações relacionadas com os deveres profissionais. E que erroneamente racionalizam: “Como aproveitar o domingo quando sei que o bicho vai pegar na segunda-feira e ainda não estou pronto?”.

Se esta é a sua história de vida, é bem provável que apresente dois comportamentos: o hábito de procrastinar as coisas e um míope senso de responsabilidade. Aquela velha história de valorizar o trabalho duro, mas também de adiar alguns afazeres para a próxima segunda-feira e então passar o final de semana inteiro preocupado com a tarefa que poderia ter feito antes se tivesse administrado melhor o tempo.

Desligar-se do trabalho fora do expediente é fundamental para conservar uma vida saudável e equilibrada, porém este intento talvez seja incompatível com o seu projeto de carreira. Caso tenha a pretensão de chegar à presidência de uma grande companhia durante os próximos anos, por exemplo, terá de renunciar a uma série de coisas ou não atingirá seus objetivos. Por isto, avalie bem se está  disposto a pagar o preço.

Vários daqueles que chegaram lá têm dúvidas se valeu a pena, mesmo que financeiramente estejam bem. Foi o que apontou uma recente pesquisa da consultora Betania Tanure com mais de mil executivos das maiores companhias do país na qual 75% deles afirmaram estar insatisfeitos com o seu trabalho. Dois dos motivos: 85% dos presidentes e diretores trabalham todos os finais de semana e suas férias não superam, em média,  dez dias.

http://www.corbisimages.com/images/Corbis-42-36528871.jpg?size=67&uid=c7a95dc1-aff6-47ce-980c-1ce06407c566
De forma geral, cada vez mais a divisão entre vida pessoal e profissional vai perdendo sua força e os próprios trabalhadores têm  uma grande parcela de responsabilidade. Quando você aceita que a empresa  aonde atua lhe pague a conta do aparelho celular pessoal e conceda acesso remoto à internet em sua casa, também está permitindo que ela o contate a qualquer hora, mesmo nas mais indesejadas.

Mas, discussões à parte, qual a estratégia para se desligar do trabalho quando estamos distante dele? Parece-me que a mais eficaz é  encontrarmos formas de realização pessoal nas demais dimensões da vida. Se você prestar atenção nas pessoas que se dedicam a uma causa ou investem tempo num hobby verá que elas geralmente não têm este tipo de problema e que, em vários casos, ainda conservam carreiras bem-sucedidas.

Por isto, não se sinta mal quando perceber que ficou o final de semana inteiro sem pensar em trabalho nem tampouco se martirize só porque aproveitou o último feriado prolongado fazendo outras coisas de que gosta. Com um pouco de organização pessoal e ciência daquilo que realmente importa na vida esta pode ser a sua rotina daqui pra frente.

Nota: As imagens que aparecem no artigo acima não estão presentes no texto original. Foram inseridas pelo autor do blog a título de ilustração do texto.

Minha foto*Autor: Wellington Moreira – Palestrante e consultor empresarial nas áreas de Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Carreiras, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é especialista em Comunicação Empresaria. wellington@caputconsultoria.com.br.
Fonte: http://www.caputconsultoria.com.br

Clique e leia o artigo no site de origem
 


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