29 de set. de 2018

Jack Welch, vídeo magnífico sobre o papel do líder verdadeiro

O
ícone Jack Welch dispensa comentários. Normalmente leio e assisto tudo de sua autoria que me caia nas mãos. Curiosamente não conhecia o vídeo abaixo ("What is the role of a leader" - "Qual é a função do líder") que me foi enviado por amigos de grupos no WhatApp. Paixão à primeira vista!
O que mais me tocou foi a clareza de Mister Welch ao ensinar que a principal função do líder é ser o que ele chamou de "Chief Meaning Office". Uma expressão própria que ele mesmo explica no vídeo como sendo a responsabilidade de dar significado do trabalho da equipe deixando todos cientes "de onde estão indo", "por que estão indo pra lá" e mais importante, "o que eles ganham ao ajudar e acompanhar o líder a chegar lá". Em torno desse paradigma Welch desenvolve - em quatro minutos e quarenta e quatro segundos - uma maravilhosa (e verdadeira) teoria de como ser um líder verdadeiro.
Sério... é um dos vídeos mais impactantes que conheço para propor mudanças nas vidas das pessoas que têm a responsabilidade de comandar outras pessoas. De liderar e conduzir tarefas e alcançar objetivos.
Já o vi, desde que tomei conhecimento dele, pelo menos uma dezena de vezes e o que mais me fascinou foi reconhecer partes do meu próprio estilo de liderança nos ensinamentos que Welch cita na sua fala. São coisas comuns, mas que, isoladas, não me chamavam a atenção. Isto por que estão ou foram desenvolvidas ao longo da carreira para fazer parte viva do meu "DNA" de gestor; da minha forma de ser no papel de gestor e líder. 
Tenho certeza de que muitos (talvez a maioria) dos que se disponham a assistir o vídeo também "se encontrem" nas palavras do Jack Welch. Vale a pena conferir...






16 de set. de 2018

Os Estatutos do Homem - Thiago de Mello

Resultado de imagem para ESTatutos do homem thiago de mello

(publicado originalmente no blog em 25/8/2010)

Se alguém quiser discutir feio comigo basta falar mal de Thiago de Mello.
Basta dizer que o meu segundo filho se chama Thiago e além da beleza do nome é também uma homenagem a este poeta extraordinário que a raça brasileira produziu a partir das selvas amazônicas.

Não! Não vou falar Thiago de Mello. Desnecessário.

Trago-lhes tão somente uma de suas poesias mais conhecidas e mais emocionantes. Segundo seus críticos, a mais famosa. Falo de "Os Estatutos do Homem". É o retrato de sua vida, grande parte dedicada a defender o direitos humanos, os direitos dos povos da Amazônia e os direitos de todos os oprimidos. 

Para quem não a conhece e acho que são muitos, principalmente os jovens, será uma emoção. Para aqueles mais velhos que já transitaram  pelos versos sempre vivos e questionadores do poeta será uma alegria poder ouvir a sua voz poderosa dizer "Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida..."

Por favor, não vejam o vídeo, se não estiverem a fim de de admirarem uma das mais belas páginas da poesia brasileira. Deixem para outra hora. Será um desperdício não aproveitar cada momento, cada frase, cada entonação que a interpretação do poeta nos conduz nos quase 6 minutos da apresentação.
Após o vídeo coloquei o texto do poema para quem quiser copia-lo e distribui-lo aos seus filhos e amigos.


Poeta Thiago de Mello, acompanhado do Duo Gismonti, no Circo Voador, Rio de Janeiro, na abertura do Poesia Voa 2.0 | Festival Poesia Direitos Humanos - 10.dez.2006

Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Criado em Santiago do Chile, abril de 1964

7 de set. de 2018

"Felipão é demitido do Chelsea. (Parte II - Não usou a "formula da liderança")".


O que realmente aconteceu com Felipão?.
Não creio que existam dúvidas quanto à competência técnica de Luis Felipe Scolari. É um dos melhores do mundo na sua profissão e não precisa provar mais nada a respeito. Talvez o idioma? Difícil, pois os grandes times europeus são verdadeiras “legiões estrangeiras” onde se falam várias línguas.
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Quem sabe seu “fracasso” tenha sido a falta de adaptação ao modo de vida e à cultura inglesas.? Não! Não foi isto. Ele já está há muitos anos na Europa e na sua profissão não existe esta opção de escolher lugar para trabalhar. A propósito, Felipão já disse que ficará residindo em Londres, logo...
Então, onde está a verdade?
Vou dar um testemunho pessoal (olha só a minha pretensão!). Semanas atrás assisti, integralmente, ao jogo entre o Chelsea (de Felipão) e o Liverpool. O time do Scolari perdeu o jogo (acho que por 2 a 0). Como disse, vi o jogo e - modéstia à parte - não sou um "curioso" como espectador de futebol. Além de ter sido, por oito anos, em Recife, profissional de imprensa (radialista) quando jovem, amo o futebol e acompanho tudo desde antes da copa de 1958.
Posso dizer (e não fui o único a fazê-lo) que os jogadores do Chelsea estavam, dentro de campo, boicotando o trabalho do seu técnico (comandante). Ficou visível durante aquela partida.
Quem conhece comportamento de grupos, sejam de atletas, de empregados corporativos, de seres humanos em geral, sabe perfeitamente quando a insatisfação está presente no espírito coletivo no conjunto. E quem entende, por pouco que seja, de futebol identifica claramente quando um time não está "dando o máximo" dentro de campo; quando está "pisando no freio"... Foi isso que vi no Chelsea naquele jogo. Eu e diversos jornalistas que transmitiram o jogo. Dai em diante, comentei com amigos, a saída de Felipão era questão de tempo. Não deu outra.

Quem errou?.
Certamente que o grupo cometeu o mais ultrajante das traições. A infidelidade coletiva. Não existe deslealdade maior do que essa. Empresas quebram, famílias se desintegram e agremiações se pulverizam quando a deslealdade se manifesta de forma coletiva contra o centro do comando, contra quem está com as rédeas na mão. É como se numa "carruagem os cavalos se recusassem a aceitar os comandos do cocheiro" e se dirigissem para o despenhadeiro.
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Desculpem a metáfora meio grosseira, mas confesso a minha repulsa ao falar do assunto. A propósito, já fui vitimado por essa falsidade corporativa. Todavia, respondendo objetivamente à pergunta sobre "quem errou", não posso deixar de atribuir ao Felipão a maior parcela no preparo desse amargo cálice que ele agora experimenta (caso raro na sua carreira pois não lembro dele ter sido demitido anteriormente).
Mas como, onde e por que Scolari errou?.
As coisas na vida sempre são mais simples do que aparentam. O que vou dizer não é novidade e serve para qualquer profissional com (comprovada) carreira de sucesso que assuma um novo cargo, desafiante, para obter resultados em função de seu histórico e da sua fama. Sugiro que leiam o meu post (A "Fórmula da Liderança").
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Acho (e não posso ir além de um mero "achismo") que Felipão se esqueceu de aplicar a fórmula [L= f (s, g, l)]. Creio que ele manteve a mesma postura que o levou ao êxito no Brasil e em Portugal (onde, aliás, o desgaste já estava em curso). Ou seja, não considerou que duas das variáveis da fórmula, o "g" (grupo) e o "s" (situação), se modificaram. Erradamente não utilizou a mesma "taxa de variação" para a terceira variável, o "l" (líder), ou seja, ele mesmo, seu comportamento, sua estratégia para conquistar um novo grupo em meio a uma nova situação.
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Imaginem o Felipão querer implantar a filosofia da “família Scolari” em um grupo cujo elenco tem jogadores que são, (quase) todos, estrelas nas seleções nacionais de seus países e com nomes e nacionalidades como Petr Cech (tcheco)- Ivanovic (sérvio)- Ashley Cole (inglês) - Franco Di Santo (argentino) - Drogba (costamarfinense) - Ricardo Carvalho (português) - Frank Lampard (inglês) - Ballack (alemão) - Anelka (francês) e Alex (brasileiro). Chega? E vem o “Big Phil” para transformar essa “turma” em uma família? Fala sério!
Líder "antigo" não funciona para situação "nova".
Final da história: o mesmo Felipão, dos êxitos anteriores, não serviria jamais (e não serviu mesmo...) como parâmetro para a nova realidade que enfrentou e ele, aparentemente, não considerou esta perspectiva no planejamento aoassumir o Chelsea. Foi seu erro fatal.
Como não se deparou com um grupo motivado para “jogar com o coração” (tipo seleção nacional) devem ter estranhado o jeitão do novo “coach”. A reação foi fazer o famoso “corpo mole” para provocar a demissão do treinador.
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O grupo – com as exceções de praxe - mostrou-se incrivelmente imaturo e desleal com quem foi contratado para comandá-lo. Os atletas foram, claramente, pouco profissionais. O fracasso do comandante tornou-se inevitável. Ou seja, boicote com todas as letras. Quem vai indicar o grau e a potência deste "fogo amigo" que Scolari enfrentou será o comportamento do grupo diante do próximo treinador. Provavelmente um cara mais adaptável, mais camarada, que não exija muito das estrelas e seja "amigo" do dono do clube.
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.Do lado de cá da fama as coisas acontecem da mesmíssima forma. Já disse acima que ocorreu comigo (e confesso que cometi - embora conscientemente - o mesmo erro de não modificar o "l" da fórmula). Também já vi acontecer este boicote outras tantas vezes. E, por outro lado, assumi funções onde tive que me adaptar à cultura do grupo para consolidar meu comando e minha liderança.
Meus conselhos, para quem enfrentar situação semelhante, são os seguintes:
  1. Avalie se vale à pena modificar-se para conseguir o apoio do grupo. Às vezes o nível estará tão baixo (corrupção, imoralidade e dissolução) que não vale o sacrifício. É melhor pular fora.
  2. Se achar que compensa enfrentar a corporação (partindo do princípio que ela é saudável) então não se movimente com muita agitação no início da sua gestão. Não modifique layouts, mesas e divisórias. E, de preferência, nem a secretária. Adapte-se ao ambiente que encontrar. Você terá muito tempo para cuidar destas “miçangas”...
  3. Nos primeiros dias deixe o ritmo antigo fluir. Seja muito mais um espectador do que um ator. Não se dê a conhecer facilmente, não tenha e nem faça "confidentes". Eles lhe “venderão” aos colegas e depois será difícil desatendê-los.
  4. Estude muito e tudo a respeito da sua nova função. Pergunte muito e queira saber tudo, do tipo quem? Quando? Onde? Por quê? Só depois de haver mapeado a sua nova "selva" arrisque-se a explorá-la mais profundamente.
  5. Surpreenda sempre com suas atitudes e decisões. Não se deixe ser previsível. Seus novos comandados procurarão sempre descobrir um padrão de comportamento em você.
  6. Se o grupo lhe “conceder” o “certificado” de líder, finalmente chegará o momento de colocar sua marca pessoal nas operações do setor. Não perca essa oportunidade. Aja rápido. É uma zona de transição que passa como um bólido à sua frente. É neste ponto que você fará as modificações que julgar necessárias e escolherá seus “colaboradores de confiança”.
  7. Não descuide um só dia de manter a pressão no ponto certo para conseguir a produtividade exigível. Aquela história de “matar um leão por dia” é verdadeira. Se você não “matar o leão de hoje” ele lhe atacará amanhã e já serão dois para matar. Imagine o que ocorrerá quando você não der conta de matar todos os leões que se acumularam nos dias anteriores...
Fico por aqui com uma recomendação importantíssima. Não vá aceitando de cara uma proposta que pareça irrecusável. Analise-a muito bem para avaliar o quanto você terá que modificar-se nas variáveis da fórmula da liderança para alcançar o sucesso que seus contratantes estão esperando de você.
Para colocá-lo nas posições de destaque são muitos os padrinhos, mas depois que você estiver lá dentro da jaula, sozinho com as feras não vai aparecer ninguém para ajudá-lo. Será você e sua circunstância, como disse Ortega e y Gasset.