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27 de abr. de 2013

Mercedes Sosa (La Negra) encanta com Gracias a La Vida

Violeta Parra pode ser considerada a mãe da canção comprometida com a luta dos oprimidos e explorados, tendo sido autora de páginas inapagáveis, como a canção "Volver a los 17", que mereceu uma antológica gravação de Milton Nascimento e Mercedes Sosa. Outra de suas canções, "La Carta", cantada em momentos de enorme comoção revolucionária, nas barricadas e nas ocupações, tem entre os seus versos o que diz "Os famintos pedem pão; chumbo lhes dá a polícia". 
Mas suas canções não apenas são marcadas por versos demolidores contra toda a injustiça social. O lirismo dos versos de canções como "Gracias a la vida" (gravada também por Elis Regina) embalou o ânimo de gerações de revolucionários latino-americanos em momentos em que a vida era questionada nos seus limites mais básicos, assim como a letra comovedora de "Rin de Angelito", quando descreve a morte de um bebê pobre: "No seu bercinho de terra um sino vai te embalar, enquanto a chuva te limpará a carinha na manhã". [texto extraído da Wikipédia na página dedicada a Violeta Parra].
Uma das canções mais famosas da legendária artista chilena - Gracias a La Vida - foi, ainda é e o será por muitos anos ainda um dos maiores sucessos de outra intérprete não menos famosa da música engajada nos movimentos políticos da América do Sul. Falo de Mercedes Sosa, "La Negra". Extraordinária artista argentina que ganhou a cidadania latino-americana pelo seu carisma e seu canto que expressava o sofrimento de todas as minorias oprimidas.
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Confesso sem constrangimento que simplesmente não consigo dominar a emoção ao ouvi-la cantando Gracias a La Vida
Coloquei dois vídeos no post. Ambos com ela cantando a mesma canção em dois períodos de sua vida. O primeiro vídeo foi gravado no melhor momento (1973) de La Negra ao interpretar essa canção que gravou em 1970 e popularizou a arte de Violeta Parra. Ali, como fica claro no vídeo, Mercedes Sosa estava no auge de sua energia e de seu prestígio e ainda longe dos últimos dias quando se apresentava - e cantou até a sua morte - já visivelmente consumida pela enfermidade que a atingiu duramente.  
No segundo vídeo, já no final de sua trajetória, ela canta com Joan Baez. Ainda com a voz firme, mas naturalmente já sentindo o peso da idade e da precária saúde. Coloquei também logo abaixo dos vídeos as letras em espanhol e a tradução em português.
Ouçam e revivam a arte dessa cantante extraordinária que continua - mesmo após sua morte em 2009 - encantando e emocionando a todos com suas memoráveis interpretações.

Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me dio dos luceros,
Que cuando los abro,
Perfecto distingo
Lo negro del blanco,
Y en el alto cielo,
Su fondo estrellado.
Y en las multitudes,
El hombre que amo.

Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido,
Y el abecedario,
Con el las palabras,
Que pienso y declaro,
Madre, amigo, hermano,
Y luz alumbrando,
La ruta del alma,
De que estoy amando.

Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me ha dado la marcha,
De mis pies cansados,
Con ellos anduve,
Ciudades y charcos,
Playas y desiertos,
Montañas y llanos,
Y la casa tuya,
Tu calle y tu patio.

Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me dio el corazón,
Que agita su marco,
Cuando miro el fruto,
Del cerebro humano,
Cuando miro al bueno,
Tan lejos del malo,
Cuando miro el fondo,
De tus ojos claros.

Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me ha dado la risa,
Y me ha dado el llanto,
Así yo distingo,
Dicha de quebranto,
Los dos materiales,
Que forman mi canto,
Y el canto de ustedes,
Que es el mismo canto.
Y el canto de todos,
Que es mi propio canto

Gracias a la vida,
Gracias a la vida.
Gracias a la vida,
Gracias a la vida.


Agradeço à vida que me deu tanto
Me deu dois olhos que quando os abro
Distinguo perfeitamente o preto do branco
E no alto céu seu fundo estrelado
E nas multidões o homem que eu amo

Agradeço à vida que me deu tanto
Me deu o som e o abecedário
Com ele, as palavras que penso e declaro
Mãe, amigo, irmão
E luz iluminando a rota da alma do que estou amando

Agradeço à vida que me deu tanto
Me deu a marcha de meus pés cansados
Com eles andei cidades e charcos
Praias e desertos, montanhas e planícies
E a casa sua, sua rua e seu pátio

Agradeço à vida que me deu tanto
Me deu o coração que agita seu marco
Quando olho o fruto do cérebro humano
Quando olho o bom tão longe do mal
Quando olho o fundo de seus olhos claros

Agradeço à vida que me deu tanto
Me deu o riso e me deu o pranto
Assim eu distinguo fortuna de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto

Agradeço à vida, Agradeço à vida

13 de abr. de 2013

ECA - A legislação que protege os criminosos. Maioridade penal precisa mudar.

http://www.gazetadopovo.com.br/midia/info_menor_infrator_1304treze.jpg

N
ão há nada de novo para dizer sobre o debate a respeito da redução da maioridade penal e suas consequências no ECA. Tudo já dito, falado e escrito. O que estamos vendo agora é uma repetição, um déjà vu
De um lado a sociedade civil, a opinião pública, as famílias brasileiras mobilizando-se para que o Congresso do Brasil se posicione para votar uma PEC que diminua o limite da maioridade penal para os criminosos “protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente”.  O movimento quer que as leis brasileiras protejam as famílias brasileiras e não aos adolescentes criminosos. Quer que sejam retirados do meio social os criminosos com idade acima de 16 anos que estão assolando, matando, roubando, traficando e praticando toda sorte de crimes possíveis e imagináveis sob o manto protetor da legislação. De outro lado estão os que são contra.
 Vou logo dizendo que sou a favor de se prender os criminosos acima de 16 anos! É inimaginável para não dizer irresponsavelmente ingênuo pensar que homens – Homens sim! – entre 16 e 18 anos não sejam responsáveis por seus atos criminosos; que devam ser tratados como crianças que cometeram um inocente “ato infracional” de pequena consequência e depois de três anos estejam purgados de seus crimes e voltem para o meio social transformados magicamente em cidadãos de bem e respeitadores das leis. Em que país e em nome de que estão vivendo as pessoas que se recusam a ver essa realidade?
Acho que desta vez há uma boa possibilidade de se conseguir a mudança da legislação pelo clamor que cresce a cada dia desencadeado pelo frio e brutal assassinato do jovem universitário Victor Hugo Deppman. Acho que essa atrocidade pode ter sido aquela gota d'água que entornou o balde, que soltou o grito da "maioria silenciosa". 
Como sempre e desde sempre a campanha contra a redução da maioridade está “oportunamente” presente e reagindo com todo o poder que tem. Autoridades do Governo Federal, Igreja Católica, Ministério Público, OAB, ONGs dos direitos humanos estão reagindo fortemente contra a redução da maioridade penal com os argumentos costumeiros.
Não se viu ninguém desses defensores do status quo lamentar com sinceridade a morte do jovem Victor Hugo, mostrar-se solidário com a família, protestar contra a frieza do assassino. Ele atirou por puro prazer de matar. Estava absolutamente consciente de que "ainda” era um "menor infrator" e que não poderia ser preso, como de fato não o foi. Sabia que daqui a três anos após passar (novamente, porque é reincidente como criminoso) três anos na "Fundação Casa" de São Paulo vai sair leve e solto para continuar na vida das drogas e crime. Não! Só sabem repetir os mantras de sempre ignorando uma realidade que todos estão vendo acontecer todos os dias e todos os recantos do Brasil. Detalhe para quem não sabe é que o assassino fez dezoito anos no dia seguinte ao crime.
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T
udo está fartamente noticiado. O que se faz necessário é a manifestação da sociedade pressionando democraticamente o congresso. Temo que o assunto vá se politizar - principalmente porque a campanha para as próximas eleições já está em curso -  porquanto o gesto inicial foi do governador de São Paulo que é do partido que faz oposição ao governo. As primeiras manifestações de um lado e do outro estão indicando esse viés. Será uma lastima. 
A esperança é que as famílias brasileiras saiam em protesto pelas ruas ignorando os oportunismos políticos e mostrem àqueles que são contra a alteração da lei que nos regimes democráticos prevalece a vontade da maioria E a maioria quer!  É a vontade da sociedade que os crimes, a insegurança e o medo de ir e vir possam pelo menos diminuir. E se para isso,  assassinos, traficantes e bandidos acima de dezesseis anos tenham que responder à justiça e ir para os presídios, que assim seja.
A título de "recordação" coloco logo abaixo um trecho da matéria feita pela revista Veja em fevereiro de 2007 quando também, naquela oportunidade, a sociedade brasileira se comoveu e clamou por justiça pela morte do menino João Hélio de seis anos pela ação criminosa de menores de idade.
Sabem o que aconteceu com o assassino? Cumpriu três anos de "medida sócio-educativa" na Ilha do Governador, foi solto no dia 10/2/2010 e ainda foi para a Suíça sob a proteção de uma ONG internacional para conseguir "oportunidade de emprego". Isso é a proteção que a lei dá aos criminosos de menor idade ao abrigo do ECA. Aos pais de João Hélio? Nenhum reparo e à sociedade o escárnio da lei.


http://veja.abril.com.br/veja_online_2006/imagens/logo_veja_003366.gifFevereiro de 2007
  Maioridade penal 
 Perguntas & Respostas


A morte do menino João Hélio, de 6 anos, arrastado por um carro depois de um assalto no Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre a redução da maioridade penal no país. Como em outros crimes violentos, menores de idade tiveram papel ativo no brutal crime - mas poderão ficar no máximo 3 anos presos. Saiba quais são os principais argumentos dos defensores e dos críticos da medida - e como a mudança na lei poderia ser realizada.

1. O que é maioridade penal?
2. O que diz a legislação brasileira sobre infrações de quem
não atingiu a maioridade penal?

3. Como é a legislação brasileira em relação a outros países?
4. Quais os argumentos para reduzir a maioridade penal?
5. Quais mudanças são as propostas em relação à maioridade penal?
6. O que dizem os que são contra a redução da maioridade penal?
7. Quem é contra a redução da maioridade penal?
8. Quem se manifestou a favor da redução da maioridade penal?
9. Quais são os trâmites legais para reduzir a maioridade penal?
10. Que propostas sobre maioridade penal serão avaliadas pelo Congresso Nacional?
11. Quando a Câmara dos Deputados votará as propostas de redução de maioridade penal?