6 de dez. de 2019

Dicas sobre malas de viagem.

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Todos os executivos e habitantes do mundo corporativo sabem que "fazer as malas para viajar" é uma arte. E é mesmo! 

Quantos de nós chegamos ao destino dando por falta de peças de roupas ou tendo colocado na mala os vestuários mais incongruentes com o clima e a finalidade da viagem? 
Não são poucas as vezes em que chegando ao destino e abrindo a mala vamos "descobrir" que erramos nas escolhas. Isso já aconteceu comigo e não foi uma vez só! 

Conheço muitos homens cujas mulheres são quem arrumam suas malas. Nestes casos eles já têm a quem "culpar" e normalmente não assumem que o "mico" será pago por eles mesmos. Todavia estes homens não são a maioria dos executivos  que viajam muito ou os viajantes em geral. O grande contingente é aquele formado pelas pessoas que fazem, elas mesmas, as suas malas e cometem seus próprios erros.

Pesquisei bastante na internet e aonde encontrei a melhor matéria escrita sobre o tema foi na revista digital MENSCH (clique) que é um verdadeiro "achado" na internet para os homens que querem manter-se up todate com os assuntos que lhes digam respeito na atualidade. Vale a pena visitar o site.

No texto abaixo as malas estão divididas em três conjuntos com sugestões de como arrumá-las: Inverno, Verão e Trabalho. E, em cada uma dessas partes o texto mostra o que deve ser levado e como arrumar a respectiva mala. 

A propósito, no Google existem milhares de links sobre o tema e obviamente só pesquisei alguns outros além do MENSCH. Recomendo entre esses as dicas que Gloria Kalil passou em um programa da Ana Maria Braga (Mais Você) na TV Globo. Neste caso as dicas são para homens e mulheres em vários tipos de viagem. O link está no final do post e também recomendo. 


http://4.bp.blogspot.com/-mhb10nAyw5k/Tv9C_pv06xI/AAAAAAAAEfA/2imFUfem26s/s1600/MENSCH%2BMARCA%2Bfinal%2B1.jpg
 
 http://3.bp.blogspot.com/-ElMl46XckD8/TwRADTua8nI/AAAAAAAAEjI/_v5XSAjVweY/s640/Servico+MENSCH+malas+01.jpg
Seja de férias ou a trabalho, arrumar as malas é o primeiro item de uma viagem sem stress. Porém para muitos homens, esse ato simples é um verdadeiro drama. Muitos não sabem o que levar, outros colocam coisas desnecessárias ou esquecem outras importantes. Se a tarefa de arrumar as malas para uma saída nas férias é complicado, imagine quando a viagem é de trabalho? Para que você não esqueça nada nem tão pouco leve coisas desnecessárias, reunimos algumas dicas de como fazer a sua mala para férias de inverno e verão e para uma viagem de trabalho.
A primeira e melhor dicas de todas é simples: monte uma mala que você possa carregar sozinho sem grandes esforços. As demais variam de acordo com a época da viagem. Para o professor universitário Adriano Charles Cruz de Natal, RN, certa vez não planejou bem a mala e ficou sem meias. “Saí de Natal-RN em direção Salvador e de lá mais 420 km até Lençóis para Chapada Diamantina. Constatei que só havia levado um par de meias de cor branca. Depois de um dia de trekking, rapel e tirolesa, a pobre vestimenta não seria aproveitada nem com água quente e reza braba. Pior, no outro dia, era domingo e não havia nenhuma feirinha para comprar. A solução foi pedir aos colegas emprestado com a promessa de enviar por SEDEX. Sujeira total!”
Pois bem, outro fator importante é que tipo de roupa lavar para que tipo de viagem você está programando. O ideal é separar camisas e calças que permitam lavagem mais simples que possam ser feitas no próprio hotel. Outra dica é o tipo de mala que você vai usar malas com rodinhas são melhores. Escolha uma mala que lhe permita acomodar as roupas de uma maneira que evite que elas amassem muito. Agora se lembre de personalizar ela com algum objeto, por exemplo, um adesivo, chaveiro ou fita. E não se esqueça de ter uma etiqueta com seu nome e dados pessoais. E por fim, nossa última dica é como arrumar a mala. Pensando nisso organizamos esse guia abaixo de acordo com cada tipo de viagem:
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Essa é uma das malas que exige bastante atenção na hora de fazer porque tudo que vai se por nela é naturalmente pesado, por isso, exagerar nesse momento é correr o risco de pagar excesso de bagagem no check-in. Outra coisa que vale lembrar: no inverno a tendência é suar menos, portanto é possível usar a mesma roupa mais de uma vez sem precisar lavar. Hotéis na Europa, Canadá e EUA, por exemplo, têm aquecedores nos quartos que podem ser usados para ajudar a secar pequenas peças.
O QUE LEVAR: 
01 a 02 pares de Jeans (para viagem de até 15 dias);
01 a 02 cardigãs em tom neutro. É uma peça coringa perfeita para sobreposições;
02 a 04 camisetas estilo T-shirt para usar sobre camisas de manga comprida variando os looks. A dica são 2 lisas e 2 listradas, podendo ser de gola V e tradicional;
01 Cinto tressê: neutro e estiloso.
01 peça de tricô pesado para os dias mais frios
02 a 03 cachecóis de lã para proteger o pescoço e dar um diferencial no visual;
01 Jaqueta pesada é ideal para usar por cima do combo tricô leve + t-shirt básica + cachecol.
01 par de botas para os pés ficarem quentinhos e protegidos. Cores neutras são as mais indicadas
01 óculos de sol, afinal inverno também tem claridade;
01 blazer para um passeio mais chique;
01 par de calça de tecido grosso e de cor para ter uma opção diferente do jeans;
01 par de tênis de couro para variar com a bota;
02 pares de luva;
02 gorros
04 a 06 pares de meias grossas;
02 pares de “mijões”, calça e camisa de tecido fino mas térmico para usar por baixo da roupa como uma segunda pele (é feio, mas protege)
- Pelo menos 06 pares de cuecas.
- Artigos de higiene pessoal e medicamentos básicos para dor de cabeça, estômago e curativos.




O verão costuma ser quente em qualquer lado do hemisfério então roupas leves são as preferidas independente do seu destino nas férias. Como é uma época de temperaturas altas e muito calor, o suor excessivo acaba sendo companheiro constante, isso implica que ou você leva muita roupa ou se prepara para lavar, porque repetir camisas não vai ser possível sem passar com elas pela lavadora antes. Um item indispensável para a estação do sol é o protetor solar, verifique com o dermatologista o fator mais indicado para o seu tipo de pele e encha a sua " nécessaire".

O QUE LEVAR: 
- Camisetas (para estabelecer uma quantidade média, pense no uso de 02 por dia);
- Bermudas de tecido leve (pense que poderá repetir 2 vezes sem lavar);
- Bermudas de tecido mais pesado, como sarja (você repete até 3 vezes sem lavar);
- Bermuda jeans (você pode usar até umas 5 vezes sem lavar)
- Sungas (sunga lava fácil e seca fácil, então se forem mais de 7 dias você leva 03, menos 02 são suficientes);
- Cuecas (como as sungas lavam e secam com facilidade então a conta é de metade dos dias de sua viagem);
- Meias – verão é tempo de chinelos e sandálias, mas para algum momento mais arrumado, vale levar uns 02 pares de meias;
- Chinelo / sandália de couro para usar no dia a dia - 01 par de cada é perfeito;
- Tênis – 01 por precaução;
- Calça jeans – pelo mesmo motivo do tênis;
- Camisa pólo – 02, pelo mesmo motivo do tênis e da calça jeans;
- 01 boné e 01 par de óculos escuros porque proteção no verão nunca é demais, certo?
- Artigos de higiene pessoal e medicamentos básicos para dor de cabeça, estômago, curativos e hidratante para rosto e corpo;


Mesmo com duração menor que uma viagem de férias, a mala para uma viagem de trabalho também não é tarefa fácil, afinal o visual precisa estar impecável para as reuniões de negócios que se seguirão ao longo dos dias. Para preparar este tipo de mala sugerimos as dicas da consultora Lilian Riskalla www.lilianriskalla.com.br
Informação é tudo para evitar erros e gafes. Lembre-se que em uma viagem de negócios qualquer deslize pode ser associado com suas habilidades e competências profissionais. Procure saber sobre o local das reuniões, encontros, palestras e demais atividades que você irá participar e principalmente o dress code de cada ocasião, assim será mais fácil planejar a sua bagagem.
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O QUE LEVAR:
03 Camisas e calças semissociais que permitam lavagem mais simples que possam ser feitas no próprio hotel;
01 Terno claro;
01 Par de sapato social;
02 Pares de meias sociais;
01Terno escuro (para eventos noturnos);


Importante: não viaje muito à vontade, pois caso sua mala seja extraviada é com essas roupa que você irá para uma reunião, já pensou? Por precaução viaje com uma calça de malha ou sarja, sapatos semissociais e camisa. Uma outra opção é levar uma roupa mais formal na bagagem de mão.

COMO ARRUMAR: Camada 1 - No fundo da mala, coloque livros, pastas com papéis, catálogos e outros matérias de trabalho porque vão amassar bem menos assim.

Laterais – Encaixe os sapatos acondicionados em saquinhos individuais nas laterais com as solas viradas para a mala. Para evitar que os sapatos se amassem, coloque as meias dentro deles. Na lateral também pode colocar a nécessaire.

Camada 2 - Coloque sobre os sapatos, as peças íntimas abertas: uma cueca para cada dia de viagem e a roupa de dormir (pijamas), além da sunga ou roupa de ginástica, caso você queira manter a forma na academia do hotel.

Camada 3 - Em seguida, coloque as malhas, e as camisetas abertas, dobradas na cintura, também no sentido horizontal. Depois, comece estendendo as calças, deixando as pernas para fora. Vá alternando as posições (perna com cintura, cintura com perna). Gravatas e também ficam esticados em cima.

Camada 4 - As camisas sociais devem ser dobradas como nas lojas. Para economizar espaço, guarde as camisas abotoadas com as mangas para trás e dobre numa linha abaixo da cintura. Dobre as pernas das calças de volta para a mala.

Camada final - Por cima de tudo vão os blazers, casacos e blusões. Ponha paletó e casacos do avesso, com as mangas para dentro

Malas prontas, agora boa viagem! Até por que amanhã teremos nossa primeira matéria de DESTINO. Aguarde! Quem sabe não será seu próximo roteiro de viagem?!

NOTA DE RODAPÉ - Este post foi publicado aqui mesmo no blog em abril de 2013.
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3 de dez. de 2019

Os garotos de Charles Dickens


N
avego na Internet e dou de cara com o Obvious (clique no link abaixo) que se apresenta como "O maior site de cultura colaborativa em lingua portuguesa. Tudo sobre cultura, criatividade, artes, letras, design, fotografia, cinema, arquitetura, música, humor, ...". Concordo plenamente. O Obvious é especial. Eu o acompanho há uns 9 anos.
Como disse, deparei-me com um artigo sobre Charles Dickens (também tem link para ele logo abaixo) que me chamou a atenção porque tocou no assunto "crianças". E logo na primeira frase do texto eu já "comprei" a leitura e não me arrependi. O que li?
  • "Dickens levou toda uma sociedade à reflexão por meio de estórias de simples garotos, carentes no sistema, carentes de relações. Com sua literatura, ele não somente abriu caminhos para a crítica social – por meio de seus próprios traumas – como reencontrou sua infância perdida, criando a partir dela muitas outras infâncias com as quais pôde expressar seus medos, segredos e esperanças de garoto.
Conheço de Charles Dickens o que todos os curiosos por cultura conhecem. De livros só li o "Oliver Twist" e vi o filme; mas não estou aqui para falar de Charles Dickens.

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O que me despertou a atenção no texto do Obvious, foi a informação que o autor inglês da era vitoriana (meados do século XIX, de junho de 1837 a janeiro de 1901) contribuiu fortemente para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa despertando e provocando a conscientização da influente sociedade britânica na Europa e no mundo. E isto ultrapassou as fronteiras da Grã-Bretanha e ganhou o mundo também inspirando intensamente as culturas dos países de língua inglesa.
A pergunta que deixo no ar, para reflexão, é porque em nosso país, onde as mais diversas formas de mazelas sociais batem à porta todos os dias, não conseguimos produzir autores, artistas e figuras públicas com a força de um Dickens para desenvolver um processo de "crítica social" principalmente em relação à proteção da infância? 
Falta-nos essa energia, que deveria vir da cultura em geral e da literatura em particular, que consiga - pelo menos - sensibilizar nossa sociedade mais favorecida a prestar atenção ao que está acontecendo com a infância e a juventude do Brasil. Jogamos tudo nas costas dos governos e fingimos que não estamos enxergando os horrores que vemos, ouvimos e lemos nas mídias diuturnamente. 
Convido-os a ler o artigo abaixo, para conhecer o que Charles Dickens fez para modificar comportamentos sociais na sua época.


Clique na figura e conheça o Obvious (vale a curiosidade )

Os Garotos de Charles Dickens

Dickens levou toda uma sociedade à reflexão por meio de estórias de simples garotos, carentes no sistema, carentes de relações. Com sua literatura, ele não somente abriu caminhos para a crítica social – por meio de seus próprios traumas – como reencontrou sua infância perdida, criando a partir dela muitas outras infâncias com as quais pôde expressar seus medos, segredos e esperanças de garoto.

Quão extraordinário e poderoso é o dia em que a infância se vai? O dia em que o menino dá boas-vindas ao homem? Para Charles Dickens esse dia foi tão determinante que o levou a criar grande parte de suas personagens como sendo verdadeiras personificações deste sentimento. E quase toda a sua obra faz referência a essa circunstância que se relaciona com todas as outras variadas conjunturas da juventude dramática do escritor.

Oliver Twist, David Copperfield, Nicholas Nickleby, Philip Pirrip – o que estes personagens de Charles Dickens têm em comum? São jovens que passam por adversidades, sendo obrigados a, precocemente, ir ao encontro dos encargos da difícil e impiedosa vida adulta. Eles são os alteregos de Dickens, uma expressão da personalidade do autor.


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Dickens é considerado, ao mesmo tempo, realista e romântico. Realista porque tratava de fatos da época e da sociedade em que viveu, de maneira incisiva. Teve uma infância violada. Sua família era economicamente estável, o que lhe proporcionou um excelente nível de educação. Mas seu pai perdeu o controle das dívidas e foi preso, obrigando sua família a mudar-se para a periferia de Londres. Coube ao pequeno Charles sustentá-la aos dez anos, trabalhando em uma fábrica de graxa para sapatos. 

Precocemente, Charles Dickens viu sua infância se esvair como névoa para dar lugar às responsabilidades adultas. Mas Dickens também é romântico, pois apesar de ressaltar tantas dificuldades, suas personagens sempre tinham um encontro feliz com o destino que os redimia das maneiras mais improváveis. 

Assim como na própria vida de Dickens aconteceu que, anos após a prisão de seu pai, sua família herdou uma herança – possibilitando o pagamento das dívidas – o que trouxe novamente uma vida financeiramente estável. Porém, a mãe de Charles Dickens recusou-se a tirá-lo do emprego na fábrica. Este fato amputou, definitivamente, a infância do escritor que, anos mais tarde, afirmaria jamais perdoar sua mãe.

Sendo obrigado a trabalhar, Dickens viu de perto uma sociedade inglesa sádica e corrupta, falha em todas as assistências ao trabalho operário. Juntou a isso o sofrimento de sua família, endividada, presa e humilhada por um sistema carcerário injusto. Dickens começa a escrever, criando personagens que passaram por tais situações - personagens jovens, fortes, que falariam em seu lugar. 

Temas como a pobreza, um sistema educacional deficiente, um sistema jurídico corrompido, a falta de auxílio à orfandade de uma Londres arbitrária, com leis débeis, que fechavam os olhos à exploração infantil e às más condições de trabalho, fazem da obra de Dickens uma das mais ácidas em criticar a sociedade da era vitoriana, apoiando-se em sua própria realidade. 

Suas personagens são formas e vozes dessas suas críticas. Dickens revelou-se um inconformista que conquistou o público burguês – o que conseguiu apenas porque foi inteligente e dominou seu ímpeto revolucionário. Sabia que não era função dele incitar um sentimento de frustração, e sim de suas personagens. Foi o caso de sua primeira obra crítica, The Pickwick Papers, e depois de Oliver Twist, Nicholas Nickleby, A Christmas Carol, David Copperfield, Black House ou Great Expectations, entre outros.


Charles Dickens, nascido em 1812, fica atrás apenas de Shakespeare em número de obras reproduzidas, seja para teatro, cinema ou televisão. É considerado por muitos o maior romancista da língua inglesa de todos os tempos. Suas novelas foram marcantes para uma época que não formou apenas opiniões, mas acrescentou à língua palavras e à sociedade formas de pensar o mundo. A delicadeza de sua pena romântica contrastou com a fúria de uma alma inconformada, resultando em uma das obras mais aclamadas da literatura mundial.

 (publicado em artes e ideias por 

29 de nov. de 2019

O Discurso do Cel.Frank Slade na "Baird School" ( Perfume de Mulher).


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Existem livros, filmes e fatos que ficam marcados na vida das pessoas, todos nós, de forma indelével. Não há nada que os faça perder-se em nossas memórias.

Faço essa breve introdução para reapresentar no blog da Oficina de Gerência o famoso discurso do "Coronel Frank Slade" na Baird School .

Todos ou quase todos os que estiverem lendo esse post podem ter assistido e lembrar-se-ão do premiado filme Perfume de Mulher (de 1992) onde Al Pacino ganhou o Oscar (1993) como melhor ator representando o Cel. Frank Slade.

Suponho que a geração nascida a partir dos anos 1998/2000, hoje na faixa dos 20 anos em diante, não tenha tido a oportunidade de assistir aquela obra de arte cinematográfica. É para essa turma que estou voltando a postar esse vídeo para apresentar o trecho do discurso que é uma peça muito repetida em cursos e palestras motivacionais.

Várias passagens do filme ficaram gravadas para a história do cinema e ilustraram centenas de palestras, aulas e reuniões além de inundar os sites de vídeos como YouTube, Daily Motion e Vimeo. Entre elas duas foram os destaques mais evidentes.

Imagem relacionadaA primeira, o tango dançado pelo Cel. Slade (que era um homem cego) em que Al Pacino a transformou em uma das mais emocionantes sequências do cinema; a segunda cena ficou sendo a mais famosa do filme; o discurso que o Cel. Slade fez na Baird School defendendo seu protegido Charlie Simms, vivido pelo ator Chris O'Donnell, que, no filme, estava prestes a sofrer uma enorme injustiça por parte do diretor da escola. texto e a interpretação de Pacino eternizaram a cena e a fizeram um símbolo da defesa pelos direitos dos mais fracos e desprotegidos.

Até hoje, passados tantos anos, ainda me emociono quando assisto o Cel. Slade, exaltado e impregnado da ira dos justos dizer frases como “Pior do que ver corpos mutilados, pernas e braços amputados como assisti nas guerras que participei é ver, aqui numa escola de elite dos EUA, a amputação dos espíritos pela punição a um jovem que se recusa a ser um delator”. Publico novamente este post. Ele vale!  Trago-o agora editado e melhorado. O vídeo é algo para ser guardado nas nossas melhores memorias.

Principalmente para os jovens das gerações acima destacadas, recomendo que o assistam prestando muita atenção nas mensagens que o indignado Cel. Slade verbera em defesa do jovem Charlie, dizendo as verdades que ninguém tivera a coragem de dizer cara a cara ao diretor da escola que planejou uma encenação para  acomodar alunos filhos de ricos doadores da escola, sacrificando outro aluno pobre que se recusava a delatar colegas, que tinham promovido uma confusão no colégio. Tudo muito igual a situações reais que estamos acostumados a ver na vida real.

Chega de conversa. Assistam ao vídeo, ouçam o discurso eterno do Cel. Slade e emocionem-se.




NOTA DE RODAPÉ - Este post foi publicado anteriormente em agosto de 2013.

28 de nov. de 2019

Mulheres em funções de liderança. Saiba porque são poucas.


Compartilho abaixo um artigo do consagrado jornalista Hélio Schwartsman, colunista da Folha de São Paulo que traz à luz um ponto certamente instigante no mundo corporativo, qual seja a pouca presença de mulheres nos postos de liderança no universo das corporações mundiais. Todas as corporações, pequenas, grandes, médias e minúsculas. Todas e em todo o planeta.

O livro (imagem abaixo) do psicólogo Tomas Chamorro-Premuzic cuja tradução, livre, do título é "Por que tantos homens incompetentes se tornam líderes?" traz uma tese que vale a pena conhecer. Confesso que não li o livro, mas confio na análise e comentário do jornalista. 

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Capa do livro citado
O ponto é, porque as mulheres - tão capacitadas quanto os homens quando chegam no mesmo nível de competência - são preteridas de forma tão ostensiva quando as escolhas de lideranças nas organizações são promovidas?


Já li muito sobre o tema e a internet é farta em teses, conjecturas, pressupostos, teorias e prognósticos. Tem de tudo. Todavia é a primeira vez que leio algo que explica e indica o caminho alternativo para corrigir essa tremenda falha que se perpetua sob as vistas lenientes dos líderes (homens) que habitam esse universo.


Gostei do argumento e da proposta que o livro traz e o jornalista analisa. E paro por aqui. Me basta cumprir a missão de provocar os leitores do blog trazendo temas interessantes e provocativos para reflexão de quem se interessar.


Em tempo, no texto há dois links que merecem ser abertos para leitura. Quem ler o artigo vai perceber. Recomendo que os explorem.



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 Mulheres em cargos de Chefia

Pôr mais mulheres em cargos de chefia é provavelmente uma excelente ideia, mas não pelas razões normalmente apontadas. O psicólogo Tomas Chamorro-Premuzic (University College London e Columbia) lança valiosas luzes sobre essa questão em “Why Do So Many Incompetent Men Become Leaders?” (por que tantos homens incompetentes se tornam líderes?). 
O argumento do livro é simples. Há poucas mulheres em posição de poder porque os critérios que usamos para escolher líderes estão errados. Se os corrigirmos, a proporção de mulheres crescerá rapidamente, e as empresas se tornarão melhores. 
A maioria das pessoas não gosta muito de seus chefes diretos. E, segundo o autor, boa parte delas tem razão. Os critérios pelos quais as empresas selecionam suas lideranças são os piores possíveis, levando à promoção indiscriminada de homens com fortes traços de narcisismo e psicopatia, que tornam o ambiente de trabalho tóxico.
O sistema não percebe essa falha porque candidatos narcisistas e psicopatas (categorias em que há notável predomínio masculino) tendem a ser carismáticos e charmosos e saem-se especialmente bem em entrevistas, que são uma das principais ferramentas de recrutamento dos RHs. 
Se só criarmos cotas femininas, sem alterar os critérios, nos limitaremos a promover mulheres com os mesmos problemas das chefias masculinas de hoje. 
Para o autor, tudo o que organizações precisam fazer é ficar longe do tipo de personalidade que vem sendo favorecido até aqui e buscar líderes entre pessoas com alto grau de inteligência emocional (grifo do autor do blog). São as mulheres que se destacam nesse quesito, que comprovadamente promove a cooperação e a produtividade no local de trabalho. 
Chamorro-Premuzic procura fundamentar todas as suas afirmações em trabalhos científicos. Embora o foco do livro sejam as empresas, boa parte das reflexões pode ser estendida para o mundo da política. 

23 de nov. de 2019

Escritório e Orquestra? Tudo a ver.

Uma das minhas metáforas preferidas (apesar de ser um clichê) é comparar a formação de uma equipe à de uma  orquestra, considerando seu treinamento, ensaios, apresentações, tudo; e ao fim, o seu funcionamento perfeito e harmonioso. 

O título deste vídeo é "HP Office Orchestra". É um filme institucional da HP, mas retrata com rara felicidade o sonho do mundo corporativo: ter a equipe perfeita

Este vídeo está no You Tube e em mais uma dúzia de sites do ramo. É divertido, bem elaborado e com uma mensagem direta para nós, habitantes do universo corporativo. É só clicar no play.


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Emocione-se, simples assim...

Adoro Flash Mob (clique no link quem não sabe o que é). 

São incontáveis no YouTube.

Considero uma das mais perfeitas criações da inventividade da sociedade moderna  em termos de iniciativa, criatividade, alegria, leveza e emoção. 

Trago ao blog e vou repetir muitas vezes por aqui, um dos flashes mob que mais me emocionou. E tenho uma coleção deles.

Não é o objetivo, mas se quiserem fazer um link de um flash mob com os princípios de gerencia estejam à vontade. Vocês vão encontrar: liderança, trabalho de equipe, criatividade, vibração, produto de qualidade, organização, coordenação e por ai vai...

Mas não é o meu objetivo hoje. Quero apenas compartilhar esse momento alegre e assistir uma apresentação maravilhosa que infelizmente não vemos com frequência no nosso país.



 


19 de nov. de 2019

Ratocorps... Você conhece muitos deles



Esse famoso texto (abaixo) do consagrado jornalista, consultor e escritor Fábio Steinberg, um clássico na modalidade, foi publicado em 1997 (Uau!). Depois de tanto tempo ainda manteve a atualidade pelo simples fato de que os ratos corporativos existem desde o início dos tempos e continuarão a existir  per omnia saecula saeculorum
Depois que Steinberg escreveu o artigo - ele é o criador da expressão "ratocorp", que foi eternizada no Google - tal o sucesso do artigo - surgiram vários outros utilizando o mesmo conceito e até a mesma terminologia (clique aqui ).
Eu conheci o artigo em 1997 quando exercia função de diretor em uma empresa pública. Desde sempre tive o hábito de colecionar publicações de temas corporativos e distribuí-las entre meus gerentes e colegas de trabalho mais próximos. Aproveitava-os para criar discussões e transmitir mensagens além de receber feedback das equipes. Mantenho esse (bom) hábito por onde passo.
Como disse acima, o artigo é muuuiiito antigo, mas continua tão atual quanto o são eternos os "ratocorps". Em 2012, após "descobri-lo" no meio da minha papelada antiga, resolvi postá-lo a primeira vez na Oficina de Gerência. 
Agora, ao retornar às atividades do blog, após uma temporada ausente, remexi novamente no Bau de Antiguidades da Oficina de Gerência e resolvi republicá-lo após um ligeiro "banho de loja". É um dos mais visitados no blog e muito verdadeiro. Vai continuar ajudando - principalmente - os jovens que se iniciam nos caminhos da selva corporativa e ainda não conhecem as manhas dos ratocorps. 
A verdade é que essas "figuras" são reais nos ambientes de trabalho. Os ratos corporativos fazem parte da paisagem e é forçoso conviver com eles. O serviço público, mas não exclusivamente, é o ambiente propício aonde eles proliferam e se multiplicam. Nas empresas privadas os “ratocorps” não têm muito espaço porque lá a meritocracia prevalece.
Não aconselho que ninguém que seja sério na corporação se aproxime de um ratocorp. Eles têm um forte componente de comportamento sociopata e buscam sempre se aproveitar das pessoas próximos visando o atingimento de seus objetivos ocultos. Aliás, os seus objetivos e metas são sempre ocultos.
Tive algumas experiências vivenciadas. Para ilustrar conto uma delas: tempos atrás, dirigindo a área técnica de um organismo federal tive que, obrigatoriamente, conviver com pelo menos três "ratocorps"; daqueles autênticos. O mais destacado deles, por sinal, fortemente protegido politicamente tinha o carimbo de intocável, ou seja, não podia, melhor, não devia ser demitido ou removido. Fazer o que? Essas coisas existem nas organizações da Administração Pública. Solução: consegui trazê-lo para meu entorno  e neutralizar sua influência sobre o resto do grupo. Mas deu um trabalho enorme! Eu terminei minha missão na organização, mas ele continuou por lá...
É isso aí. Conheçam o artigo que é muito bem escrito. Aviso logo que é longo, mas vale a pena; inclusive copiá-lo para ler regularmente. Como faço habitualmente coloco abaixo dois breves trechos retirados do texto que têm o intuito de motivar a sua leitura.
  • [...] "O ratocorp tem objetivos de longo prazo. Entende que, pela própria dinâmica da operação de uma empresa, ninguém sozinho consegue saber tudo ao mesmo tempo. Por isso, precisa se municiar ao máximo de informações privilegiadas para, quando chegar a hora, exercitar plenamente o poder, mas sempre de forma indireta."[...]
  • [...] "  Chega aos mais importantes cargos de assessoria, sempre em funções bem remuneradas de suporte, mas nunca executivas. Isso porque ele não é bobo de aceitar alguma posição que o exponha à luz do dia. Sempre terá uma resposta adequada, baseada em sua modéstia ou filosofia de vida, para declinar convites inconvenientes e perigosos desse tipo. Afinal, ele detesta desafios e riscos." [...]

Quando postei o artigo em 2012 (pelo seu sucesso) já havia sido publicado pela revista Exame. Já foi retirado dos arquivos da revista na internet, mas preferi deixá-lo com o logotipo original.

Você conhece os ratocorps?

Eles estão em todas as organizações. São simpáticos, sabem agradar às pessoas... Ih, tem um deles roendo uma parte de seu salário bem agora

Autor: Fábio Steinberg* - Revista Exame

Ratos corporativos, ou ratocorps - como a eles poderiam se referir especialistas no assunto -, existem em todas as organizações. São parte inerente do próprio ambiente empresarial, pois nele nascem, crescem e dele se nutrem. Ali historicamente encontram calor, proteção e excelentes condições de desenvolvimento. 

 Bem, mas do que mesmo estamos falando? Não adianta procurar uma explicação na melhor (ou pior) literatura de negócios, pois essa espécie não consta oficialmente de nenhum compêndio. O pior é que, neste exato momento, provavelmente existe um desses seres ao seu lado, sem que você sequer se dê conta. 

Um ratocorp típico é aquele sujeito de inteligência mediana, mas sem chegar a medíocre, que passa na seleção da empresa muito mais pela sua capacidade de repetir chavões e comportamento ambíguo do que pelos seus méritos intelectuais ou criatividade. Ah, sim, geralmente domina o idioma inglês e sabe se portar com discrição - ou seja, fica calado sempre que possível para não dizer bobagem. 

Tímido e assustadiço até ganhar intimidade, suas características físicas peculiares (e principais vantagens competitivas) são os olhos enormes, treinados para tudo observar, e orelhas imensas, com um design perfeito para captar todos os sons e sussurros. A primeira coisa que um ratocorp faz, quando ingressa na empresa, é aprender tudo sobre seus manuais e procedimentos, hábitos e idiossincrasias. Ele sabe que essas serão as futuras armas e ferramentas de trabalho. Intuitivamente, segue com rigor a burocracia e o formalismo, pois assim não corre riscos e garante nunca ser acusado de não cumprir com o seu dever corporativo. 

Enquanto os demais colegas dão sangue e suor à operação, procurando dominar técnicas e colocar em dia o trabalho para o qual foram contratados, o ratocorp gasta energias em coisas bem menos produtivas, mas muito mais efetivas para a sua carreira. Observador atento, dedica-se a descobrir, por exemplo, quem exerce o verdadeiro poder, quais são as agendas ocultas ou os momentos críticos para aparecer à frente dos diretores. Tem a capacidade de ignorar, mas com muita classe, o chefe imediato, pois seu olhar está sempre focado em dois ou, preferencialmente, três níveis hierárquicos acima do seu

PARECE WORKAHOLIC 

Não pense que a voracidade do ratocorp o torna antipático ou mesmo odiado pela maioria dos colegas. Pelo contrário. Ele é geralmente muito charmoso e sabe agradar às pessoas - pois depende disso. Por isso, os seus pares nutrem por ele enorme carinho e admiração, como se fosse um mascote especial. O seu desempenho abaixo da crítica será sempre relevado e jamais visto como má-fé. Afinal, as atitudes que ele vier a adotar estarão sempre ancoradas na funcionalidade, dentro da mais perfeita transparência administrativa. 

Ele parece clonar o comportamento em seu outro colega famoso, o rato Mickey, que, apesar de roedor, é também relações-públicas da Walt Disney e amado pela humanidade há várias gerações. Com o tempo, o ratocorp ganha intimidade com a empresa que o abriga, desde o porteiro até o presidente. Age muito bem nos bastidores, seu verdadeiro hábitat. 
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Depois do expediente, quando se sente mais à vontade, caminha com enorme desenvoltura, embora silenciosamente, por qualquer corredor ou sala da empresa. Fareja quando ainda há gente trabalhando depois da hora, se um escritório está vazio e há quanto tempo.

Sabe aparecer à frente da direção nas horas mais importantes e críticas, transmitindo sempre a imagem de um workaholic. Quando a empresa fecha suas portas e a maioria absoluta dos empregados já está em casa, pode finalmente acessar computadores e escaninhos secretos. 

Muitas vezes, nas suas andanças noturnas ou mesmo feriados, abre gavetas que contêm guloseimas estocadas por alguma gorda e gulosa secretária. Nesses casos, o seu instinto fala mais alto. Não tem remorso e come tudo o que encontra. (Agora você já sabe por que tanta comida some das gavetas da sua empresa fora do expediente.) Mas não julgue precipitadamente que ele é um cleptomaníaco ou um ladrãozinho comum. Roubar alimentos não é o seu core business, mas de certa forma um inocente hobby de quem exerce uma atividade tão solitária. Afinal, ele também precisa se divertir um pouco... 

O ratocorp tem objetivos de longo prazo. Entende que, pela própria dinâmica da operação de uma empresa, ninguém sozinho consegue saber tudo ao mesmo tempo. Por isso, precisa se municiar ao máximo de informações privilegiadas para, quando chegar a hora, exercitar plenamente o poder, mas sempre de forma indireta. 

IMUNE A DEMISSÕES

Cedo ou tarde, a oportunidade de ascensão profissional acaba chegando. O diretor da área decide promovê-lo a gerente, após observar pessoalmente a sua indiscutível lealdade e dedicação à organização - principalmente quando comparadas às dos outros colegas. O desempenho do ratocorp, segundo a percepção do diretor, se traduz em uma inesgotável atividade ("ele está sempre trabalhando"), o profundo conhecimento da empresa ("ele sabe na ponta da língua todos os procedimentos") e o impressionante domínio dos negócios ("ele parece adivinhar as nossas estratégias e planos confidenciais"). A partir desse fato, surge o grande divisor de águas da carreira do ratocorp.

Finalmente, ele é formalmente reconhecido como um de seus representantes oficiais. Mas não espere dele um comportamento profissional digno de seu novo cargo. Seja qual for a missão que receber em sua carreira, sempre vai preferir o papel de conselheiro. Para ele, a melhor camuflagem são atividades de staff, a sua verdadeira vocação, atividades essas de quase impossível avaliação. 

Se algo que ele recomendou der certo, ótimo. Se der errado? Bem, a culpa não foi dele, primeiro porque não era o responsável direto pela execução; depois, porque sua ideia foi muito mal executada. 

O ratocorp é imune a demissões, pois é consenso da empresa que a sua presença é imprescindível. Quando se aposenta, dezenas de anos mais tarde, o faz debaixo de intensos choros e soluços de toda a organização. 

Chega aos mais importantes cargos de assessoria, sempre em funções bem remuneradas de suporte, mas nunca executivas. Isso porque ele não é bobo de aceitar alguma posição que o exponha à luz do dia. Sempre terá uma resposta adequada, baseada em sua modéstia ou filosofia de vida, para declinar convites inconvenientes e perigosos desse tipo. Afinal, ele detesta desafios e riscos. 

Em sua convivência com o Olimpo empresarial, aprende que o exercício do poder é profundamente solitário. Os executivos nunca têm com quem falar de maneira franca, isto é, de igual para igual. 

A subserviência e a bajulação florescem nesse ambiente - e os poderosos são os primeiros a saber disso. Não é raro dirigentes tomarem importantes decisões baseadas apenas na opinião de secretárias, copeiras ou motoristas - que são os seus mais leais e próximos servidores do dia-a-dia. Por isso, os ratocorps representam a saída honrosa e aceita culturalmente pelo sistema para minimizar a angústia do isolamento da corte empresarial. Enfim, um mal necessário. Se não existissem, precisariam ser inventados. 

PACTO DE SILÊNCIO 

Num processo simbiótico, os parasitas privam da intimidade dos organismos que os abrigam. 

Há um momento em que explorado e explorador se confundem e passam a depender um do outro. É a famosa síndrome de Tom e Jerry. Você conhece o desenho animado. O legítimo morador da casa passa o tempo inteiro atrás de um ratinho simpático que explora sem qualquer direito a geladeira e a paciência do gato. Mas se o rato Jerry não existisse, não haveria história, e Tom não seria tão famoso assim... 

Resultado de imagem para ratocorpsPense agora no nosso ratocorp. Coincidência? Dificilmente. E, já que o assunto é mesmo rato, pergunte a qualquer sanitarista de plantão por que todas as cidades do mundo estão infestadas de roedores e ninguém resolve o problema de vez. A resposta, provavelmente, é que há um momento em que colocar veneno demais pode matar, por acidente, outros animais, plantas e até seres humanos. Por isso, os habitantes acabam se acostumando a fazer de conta que não vêem os ratos, desde que estes se limitem a atuar em áreas externas e não invadam as suas residências. 

Nas empresas, há um acordo não- verbal muito parecido. Todos os funcionários sabem quem são e onde estão os sanguessugas do sistema. Mas jamais os denunciam. Primeiro, porque não estão ali para delatar. Segundo, porque a empresa não é mesmo deles. Mas esse pacto sinistro de silêncio tem o seu custo. Os empregados talvez não se deem conta, mas todo fim de mês uma parcela invisível de seus salários é abatida para sustentar colegas ratocorps.
  
As imagens que estão no texto acima não existem no artigo original. Foram colocadas pelo blog Oficina de Gerência exatamente para ilustrá-lo e dar um pouco de leveza na leitura do texto.


Resultado de imagem para fabio steinberg*Fabio Steinberg foi pioneiro, no Brasil, na crítica à vida corporativa. O texto acima, publicado originalmente na revista Exame, é um pequeno clássico da rotina que todos enfrentamos nas empresas em que trabalhamos. Nele, Fabio criou um personagem simplesmente inesquecível: o Ratocorp. Clap, clap, clap. De pé.
Formado em Administração e Jornalismo, é consultor em comunicação empresarial. Em seus 35 anos de carreira profissional, destacam-se 18 anos na IBM Brasil, dez dos quais dedicados à área de relações com a imprensa.
É autor dos livro O Maestro ( Editora C4 / It Books) e Ficções Reais (editora Campus) e colaborou ainda em A Organização Por Trás do Espelho – Reflexos e Reflexões, de Fela Moscovici (José Olympio Editora). 
Escreve com freqüência artigos publicados na imprensa. Foi responsável por uma coluna durante um ano na revista Exame, onde faz eventualmente resenhas de livros de negócios. Além de consultor, Fábio dedica parte do tempo a conferências sobre comunicação e gerenciamento de crises.