3 de dez. de 2019

Os garotos de Charles Dickens


N
avego na Internet e dou de cara com o Obvious (clique no link abaixo) que se apresenta como "O maior site de cultura colaborativa em lingua portuguesa. Tudo sobre cultura, criatividade, artes, letras, design, fotografia, cinema, arquitetura, música, humor, ...". Concordo plenamente. O Obvious é especial. Eu o acompanho há uns 9 anos.
Como disse, deparei-me com um artigo sobre Charles Dickens (também tem link para ele logo abaixo) que me chamou a atenção porque tocou no assunto "crianças". E logo na primeira frase do texto eu já "comprei" a leitura e não me arrependi. O que li?
  • "Dickens levou toda uma sociedade à reflexão por meio de estórias de simples garotos, carentes no sistema, carentes de relações. Com sua literatura, ele não somente abriu caminhos para a crítica social – por meio de seus próprios traumas – como reencontrou sua infância perdida, criando a partir dela muitas outras infâncias com as quais pôde expressar seus medos, segredos e esperanças de garoto.
Conheço de Charles Dickens o que todos os curiosos por cultura conhecem. De livros só li o "Oliver Twist" e vi o filme; mas não estou aqui para falar de Charles Dickens.

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O que me despertou a atenção no texto do Obvious, foi a informação que o autor inglês da era vitoriana (meados do século XIX, de junho de 1837 a janeiro de 1901) contribuiu fortemente para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa despertando e provocando a conscientização da influente sociedade britânica na Europa e no mundo. E isto ultrapassou as fronteiras da Grã-Bretanha e ganhou o mundo também inspirando intensamente as culturas dos países de língua inglesa.
A pergunta que deixo no ar, para reflexão, é porque em nosso país, onde as mais diversas formas de mazelas sociais batem à porta todos os dias, não conseguimos produzir autores, artistas e figuras públicas com a força de um Dickens para desenvolver um processo de "crítica social" principalmente em relação à proteção da infância? 
Falta-nos essa energia, que deveria vir da cultura em geral e da literatura em particular, que consiga - pelo menos - sensibilizar nossa sociedade mais favorecida a prestar atenção ao que está acontecendo com a infância e a juventude do Brasil. Jogamos tudo nas costas dos governos e fingimos que não estamos enxergando os horrores que vemos, ouvimos e lemos nas mídias diuturnamente. 
Convido-os a ler o artigo abaixo, para conhecer o que Charles Dickens fez para modificar comportamentos sociais na sua época.


Clique na figura e conheça o Obvious (vale a curiosidade )

Os Garotos de Charles Dickens

Dickens levou toda uma sociedade à reflexão por meio de estórias de simples garotos, carentes no sistema, carentes de relações. Com sua literatura, ele não somente abriu caminhos para a crítica social – por meio de seus próprios traumas – como reencontrou sua infância perdida, criando a partir dela muitas outras infâncias com as quais pôde expressar seus medos, segredos e esperanças de garoto.

Quão extraordinário e poderoso é o dia em que a infância se vai? O dia em que o menino dá boas-vindas ao homem? Para Charles Dickens esse dia foi tão determinante que o levou a criar grande parte de suas personagens como sendo verdadeiras personificações deste sentimento. E quase toda a sua obra faz referência a essa circunstância que se relaciona com todas as outras variadas conjunturas da juventude dramática do escritor.

Oliver Twist, David Copperfield, Nicholas Nickleby, Philip Pirrip – o que estes personagens de Charles Dickens têm em comum? São jovens que passam por adversidades, sendo obrigados a, precocemente, ir ao encontro dos encargos da difícil e impiedosa vida adulta. Eles são os alteregos de Dickens, uma expressão da personalidade do autor.


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Dickens é considerado, ao mesmo tempo, realista e romântico. Realista porque tratava de fatos da época e da sociedade em que viveu, de maneira incisiva. Teve uma infância violada. Sua família era economicamente estável, o que lhe proporcionou um excelente nível de educação. Mas seu pai perdeu o controle das dívidas e foi preso, obrigando sua família a mudar-se para a periferia de Londres. Coube ao pequeno Charles sustentá-la aos dez anos, trabalhando em uma fábrica de graxa para sapatos. 

Precocemente, Charles Dickens viu sua infância se esvair como névoa para dar lugar às responsabilidades adultas. Mas Dickens também é romântico, pois apesar de ressaltar tantas dificuldades, suas personagens sempre tinham um encontro feliz com o destino que os redimia das maneiras mais improváveis. 

Assim como na própria vida de Dickens aconteceu que, anos após a prisão de seu pai, sua família herdou uma herança – possibilitando o pagamento das dívidas – o que trouxe novamente uma vida financeiramente estável. Porém, a mãe de Charles Dickens recusou-se a tirá-lo do emprego na fábrica. Este fato amputou, definitivamente, a infância do escritor que, anos mais tarde, afirmaria jamais perdoar sua mãe.

Sendo obrigado a trabalhar, Dickens viu de perto uma sociedade inglesa sádica e corrupta, falha em todas as assistências ao trabalho operário. Juntou a isso o sofrimento de sua família, endividada, presa e humilhada por um sistema carcerário injusto. Dickens começa a escrever, criando personagens que passaram por tais situações - personagens jovens, fortes, que falariam em seu lugar. 

Temas como a pobreza, um sistema educacional deficiente, um sistema jurídico corrompido, a falta de auxílio à orfandade de uma Londres arbitrária, com leis débeis, que fechavam os olhos à exploração infantil e às más condições de trabalho, fazem da obra de Dickens uma das mais ácidas em criticar a sociedade da era vitoriana, apoiando-se em sua própria realidade. 

Suas personagens são formas e vozes dessas suas críticas. Dickens revelou-se um inconformista que conquistou o público burguês – o que conseguiu apenas porque foi inteligente e dominou seu ímpeto revolucionário. Sabia que não era função dele incitar um sentimento de frustração, e sim de suas personagens. Foi o caso de sua primeira obra crítica, The Pickwick Papers, e depois de Oliver Twist, Nicholas Nickleby, A Christmas Carol, David Copperfield, Black House ou Great Expectations, entre outros.


Charles Dickens, nascido em 1812, fica atrás apenas de Shakespeare em número de obras reproduzidas, seja para teatro, cinema ou televisão. É considerado por muitos o maior romancista da língua inglesa de todos os tempos. Suas novelas foram marcantes para uma época que não formou apenas opiniões, mas acrescentou à língua palavras e à sociedade formas de pensar o mundo. A delicadeza de sua pena romântica contrastou com a fúria de uma alma inconformada, resultando em uma das obras mais aclamadas da literatura mundial.

 (publicado em artes e ideias por 

29 de nov. de 2019

O Discurso do Cel.Frank Slade na "Baird School" ( Perfume de Mulher).


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Existem livros, filmes e fatos que ficam marcados na vida das pessoas, todos nós, de forma indelével. Não há nada que os faça perder-se em nossas memórias.

Faço essa breve introdução para reapresentar no blog da Oficina de Gerência o famoso discurso do "Coronel Frank Slade" na Baird School .

Todos ou quase todos os que estiverem lendo esse post podem ter assistido e lembrar-se-ão do premiado filme Perfume de Mulher (de 1992) onde Al Pacino ganhou o Oscar (1993) como melhor ator representando o Cel. Frank Slade.

Suponho que a geração nascida a partir dos anos 1998/2000, hoje na faixa dos 20 anos em diante, não tenha tido a oportunidade de assistir aquela obra de arte cinematográfica. É para essa turma que estou voltando a postar esse vídeo para apresentar o trecho do discurso que é uma peça muito repetida em cursos e palestras motivacionais.

Várias passagens do filme ficaram gravadas para a história do cinema e ilustraram centenas de palestras, aulas e reuniões além de inundar os sites de vídeos como YouTube, Daily Motion e Vimeo. Entre elas duas foram os destaques mais evidentes.

Imagem relacionadaA primeira, o tango dançado pelo Cel. Slade (que era um homem cego) em que Al Pacino a transformou em uma das mais emocionantes sequências do cinema; a segunda cena ficou sendo a mais famosa do filme; o discurso que o Cel. Slade fez na Baird School defendendo seu protegido Charlie Simms, vivido pelo ator Chris O'Donnell, que, no filme, estava prestes a sofrer uma enorme injustiça por parte do diretor da escola. texto e a interpretação de Pacino eternizaram a cena e a fizeram um símbolo da defesa pelos direitos dos mais fracos e desprotegidos.

Até hoje, passados tantos anos, ainda me emociono quando assisto o Cel. Slade, exaltado e impregnado da ira dos justos dizer frases como “Pior do que ver corpos mutilados, pernas e braços amputados como assisti nas guerras que participei é ver, aqui numa escola de elite dos EUA, a amputação dos espíritos pela punição a um jovem que se recusa a ser um delator”. Publico novamente este post. Ele vale!  Trago-o agora editado e melhorado. O vídeo é algo para ser guardado nas nossas melhores memorias.

Principalmente para os jovens das gerações acima destacadas, recomendo que o assistam prestando muita atenção nas mensagens que o indignado Cel. Slade verbera em defesa do jovem Charlie, dizendo as verdades que ninguém tivera a coragem de dizer cara a cara ao diretor da escola que planejou uma encenação para  acomodar alunos filhos de ricos doadores da escola, sacrificando outro aluno pobre que se recusava a delatar colegas, que tinham promovido uma confusão no colégio. Tudo muito igual a situações reais que estamos acostumados a ver na vida real.

Chega de conversa. Assistam ao vídeo, ouçam o discurso eterno do Cel. Slade e emocionem-se.




NOTA DE RODAPÉ - Este post foi publicado anteriormente em agosto de 2013.

28 de nov. de 2019

Mulheres em funções de liderança. Saiba porque são poucas.


Compartilho abaixo um artigo do consagrado jornalista Hélio Schwartsman, colunista da Folha de São Paulo que traz à luz um ponto certamente instigante no mundo corporativo, qual seja a pouca presença de mulheres nos postos de liderança no universo das corporações mundiais. Todas as corporações, pequenas, grandes, médias e minúsculas. Todas e em todo o planeta.

O livro (imagem abaixo) do psicólogo Tomas Chamorro-Premuzic cuja tradução, livre, do título é "Por que tantos homens incompetentes se tornam líderes?" traz uma tese que vale a pena conhecer. Confesso que não li o livro, mas confio na análise e comentário do jornalista. 

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Capa do livro citado
O ponto é, porque as mulheres - tão capacitadas quanto os homens quando chegam no mesmo nível de competência - são preteridas de forma tão ostensiva quando as escolhas de lideranças nas organizações são promovidas?


Já li muito sobre o tema e a internet é farta em teses, conjecturas, pressupostos, teorias e prognósticos. Tem de tudo. Todavia é a primeira vez que leio algo que explica e indica o caminho alternativo para corrigir essa tremenda falha que se perpetua sob as vistas lenientes dos líderes (homens) que habitam esse universo.


Gostei do argumento e da proposta que o livro traz e o jornalista analisa. E paro por aqui. Me basta cumprir a missão de provocar os leitores do blog trazendo temas interessantes e provocativos para reflexão de quem se interessar.


Em tempo, no texto há dois links que merecem ser abertos para leitura. Quem ler o artigo vai perceber. Recomendo que os explorem.



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 Mulheres em cargos de Chefia

Pôr mais mulheres em cargos de chefia é provavelmente uma excelente ideia, mas não pelas razões normalmente apontadas. O psicólogo Tomas Chamorro-Premuzic (University College London e Columbia) lança valiosas luzes sobre essa questão em “Why Do So Many Incompetent Men Become Leaders?” (por que tantos homens incompetentes se tornam líderes?). 
O argumento do livro é simples. Há poucas mulheres em posição de poder porque os critérios que usamos para escolher líderes estão errados. Se os corrigirmos, a proporção de mulheres crescerá rapidamente, e as empresas se tornarão melhores. 
A maioria das pessoas não gosta muito de seus chefes diretos. E, segundo o autor, boa parte delas tem razão. Os critérios pelos quais as empresas selecionam suas lideranças são os piores possíveis, levando à promoção indiscriminada de homens com fortes traços de narcisismo e psicopatia, que tornam o ambiente de trabalho tóxico.
O sistema não percebe essa falha porque candidatos narcisistas e psicopatas (categorias em que há notável predomínio masculino) tendem a ser carismáticos e charmosos e saem-se especialmente bem em entrevistas, que são uma das principais ferramentas de recrutamento dos RHs. 
Se só criarmos cotas femininas, sem alterar os critérios, nos limitaremos a promover mulheres com os mesmos problemas das chefias masculinas de hoje. 
Para o autor, tudo o que organizações precisam fazer é ficar longe do tipo de personalidade que vem sendo favorecido até aqui e buscar líderes entre pessoas com alto grau de inteligência emocional (grifo do autor do blog). São as mulheres que se destacam nesse quesito, que comprovadamente promove a cooperação e a produtividade no local de trabalho. 
Chamorro-Premuzic procura fundamentar todas as suas afirmações em trabalhos científicos. Embora o foco do livro sejam as empresas, boa parte das reflexões pode ser estendida para o mundo da política. 

23 de nov. de 2019

Escritório e Orquestra? Tudo a ver.

Uma das minhas metáforas preferidas (apesar de ser um clichê) é comparar a formação de uma equipe à de uma  orquestra, considerando seu treinamento, ensaios, apresentações, tudo; e ao fim, o seu funcionamento perfeito e harmonioso. 

O título deste vídeo é "HP Office Orchestra". É um filme institucional da HP, mas retrata com rara felicidade o sonho do mundo corporativo: ter a equipe perfeita

Este vídeo está no You Tube e em mais uma dúzia de sites do ramo. É divertido, bem elaborado e com uma mensagem direta para nós, habitantes do universo corporativo. É só clicar no play.


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Emocione-se, simples assim...

Adoro Flash Mob (clique no link quem não sabe o que é). 

São incontáveis no YouTube.

Considero uma das mais perfeitas criações da inventividade da sociedade moderna  em termos de iniciativa, criatividade, alegria, leveza e emoção. 

Trago ao blog e vou repetir muitas vezes por aqui, um dos flashes mob que mais me emocionou. E tenho uma coleção deles.

Não é o objetivo, mas se quiserem fazer um link de um flash mob com os princípios de gerencia estejam à vontade. Vocês vão encontrar: liderança, trabalho de equipe, criatividade, vibração, produto de qualidade, organização, coordenação e por ai vai...

Mas não é o meu objetivo hoje. Quero apenas compartilhar esse momento alegre e assistir uma apresentação maravilhosa que infelizmente não vemos com frequência no nosso país.



 


19 de nov. de 2019

Ratocorps... Você conhece muitos deles



Esse famoso texto (abaixo) do consagrado jornalista, consultor e escritor Fábio Steinberg, um clássico na modalidade, foi publicado em 1997 (Uau!). Depois de tanto tempo ainda manteve a atualidade pelo simples fato de que os ratos corporativos existem desde o início dos tempos e continuarão a existir  per omnia saecula saeculorum
Depois que Steinberg escreveu o artigo - ele é o criador da expressão "ratocorp", que foi eternizada no Google - tal o sucesso do artigo - surgiram vários outros utilizando o mesmo conceito e até a mesma terminologia (clique aqui ).
Eu conheci o artigo em 1997 quando exercia função de diretor em uma empresa pública. Desde sempre tive o hábito de colecionar publicações de temas corporativos e distribuí-las entre meus gerentes e colegas de trabalho mais próximos. Aproveitava-os para criar discussões e transmitir mensagens além de receber feedback das equipes. Mantenho esse (bom) hábito por onde passo.
Como disse acima, o artigo é muuuiiito antigo, mas continua tão atual quanto o são eternos os "ratocorps". Em 2012, após "descobri-lo" no meio da minha papelada antiga, resolvi postá-lo a primeira vez na Oficina de Gerência. 
Agora, ao retornar às atividades do blog, após uma temporada ausente, remexi novamente no Bau de Antiguidades da Oficina de Gerência e resolvi republicá-lo após um ligeiro "banho de loja". É um dos mais visitados no blog e muito verdadeiro. Vai continuar ajudando - principalmente - os jovens que se iniciam nos caminhos da selva corporativa e ainda não conhecem as manhas dos ratocorps. 
A verdade é que essas "figuras" são reais nos ambientes de trabalho. Os ratos corporativos fazem parte da paisagem e é forçoso conviver com eles. O serviço público, mas não exclusivamente, é o ambiente propício aonde eles proliferam e se multiplicam. Nas empresas privadas os “ratocorps” não têm muito espaço porque lá a meritocracia prevalece.
Não aconselho que ninguém que seja sério na corporação se aproxime de um ratocorp. Eles têm um forte componente de comportamento sociopata e buscam sempre se aproveitar das pessoas próximos visando o atingimento de seus objetivos ocultos. Aliás, os seus objetivos e metas são sempre ocultos.
Tive algumas experiências vivenciadas. Para ilustrar conto uma delas: tempos atrás, dirigindo a área técnica de um organismo federal tive que, obrigatoriamente, conviver com pelo menos três "ratocorps"; daqueles autênticos. O mais destacado deles, por sinal, fortemente protegido politicamente tinha o carimbo de intocável, ou seja, não podia, melhor, não devia ser demitido ou removido. Fazer o que? Essas coisas existem nas organizações da Administração Pública. Solução: consegui trazê-lo para meu entorno  e neutralizar sua influência sobre o resto do grupo. Mas deu um trabalho enorme! Eu terminei minha missão na organização, mas ele continuou por lá...
É isso aí. Conheçam o artigo que é muito bem escrito. Aviso logo que é longo, mas vale a pena; inclusive copiá-lo para ler regularmente. Como faço habitualmente coloco abaixo dois breves trechos retirados do texto que têm o intuito de motivar a sua leitura.
  • [...] "O ratocorp tem objetivos de longo prazo. Entende que, pela própria dinâmica da operação de uma empresa, ninguém sozinho consegue saber tudo ao mesmo tempo. Por isso, precisa se municiar ao máximo de informações privilegiadas para, quando chegar a hora, exercitar plenamente o poder, mas sempre de forma indireta."[...]
  • [...] "  Chega aos mais importantes cargos de assessoria, sempre em funções bem remuneradas de suporte, mas nunca executivas. Isso porque ele não é bobo de aceitar alguma posição que o exponha à luz do dia. Sempre terá uma resposta adequada, baseada em sua modéstia ou filosofia de vida, para declinar convites inconvenientes e perigosos desse tipo. Afinal, ele detesta desafios e riscos." [...]

Quando postei o artigo em 2012 (pelo seu sucesso) já havia sido publicado pela revista Exame. Já foi retirado dos arquivos da revista na internet, mas preferi deixá-lo com o logotipo original.

Você conhece os ratocorps?

Eles estão em todas as organizações. São simpáticos, sabem agradar às pessoas... Ih, tem um deles roendo uma parte de seu salário bem agora

Autor: Fábio Steinberg* - Revista Exame

Ratos corporativos, ou ratocorps - como a eles poderiam se referir especialistas no assunto -, existem em todas as organizações. São parte inerente do próprio ambiente empresarial, pois nele nascem, crescem e dele se nutrem. Ali historicamente encontram calor, proteção e excelentes condições de desenvolvimento. 

 Bem, mas do que mesmo estamos falando? Não adianta procurar uma explicação na melhor (ou pior) literatura de negócios, pois essa espécie não consta oficialmente de nenhum compêndio. O pior é que, neste exato momento, provavelmente existe um desses seres ao seu lado, sem que você sequer se dê conta. 

Um ratocorp típico é aquele sujeito de inteligência mediana, mas sem chegar a medíocre, que passa na seleção da empresa muito mais pela sua capacidade de repetir chavões e comportamento ambíguo do que pelos seus méritos intelectuais ou criatividade. Ah, sim, geralmente domina o idioma inglês e sabe se portar com discrição - ou seja, fica calado sempre que possível para não dizer bobagem. 

Tímido e assustadiço até ganhar intimidade, suas características físicas peculiares (e principais vantagens competitivas) são os olhos enormes, treinados para tudo observar, e orelhas imensas, com um design perfeito para captar todos os sons e sussurros. A primeira coisa que um ratocorp faz, quando ingressa na empresa, é aprender tudo sobre seus manuais e procedimentos, hábitos e idiossincrasias. Ele sabe que essas serão as futuras armas e ferramentas de trabalho. Intuitivamente, segue com rigor a burocracia e o formalismo, pois assim não corre riscos e garante nunca ser acusado de não cumprir com o seu dever corporativo. 

Enquanto os demais colegas dão sangue e suor à operação, procurando dominar técnicas e colocar em dia o trabalho para o qual foram contratados, o ratocorp gasta energias em coisas bem menos produtivas, mas muito mais efetivas para a sua carreira. Observador atento, dedica-se a descobrir, por exemplo, quem exerce o verdadeiro poder, quais são as agendas ocultas ou os momentos críticos para aparecer à frente dos diretores. Tem a capacidade de ignorar, mas com muita classe, o chefe imediato, pois seu olhar está sempre focado em dois ou, preferencialmente, três níveis hierárquicos acima do seu

PARECE WORKAHOLIC 

Não pense que a voracidade do ratocorp o torna antipático ou mesmo odiado pela maioria dos colegas. Pelo contrário. Ele é geralmente muito charmoso e sabe agradar às pessoas - pois depende disso. Por isso, os seus pares nutrem por ele enorme carinho e admiração, como se fosse um mascote especial. O seu desempenho abaixo da crítica será sempre relevado e jamais visto como má-fé. Afinal, as atitudes que ele vier a adotar estarão sempre ancoradas na funcionalidade, dentro da mais perfeita transparência administrativa. 

Ele parece clonar o comportamento em seu outro colega famoso, o rato Mickey, que, apesar de roedor, é também relações-públicas da Walt Disney e amado pela humanidade há várias gerações. Com o tempo, o ratocorp ganha intimidade com a empresa que o abriga, desde o porteiro até o presidente. Age muito bem nos bastidores, seu verdadeiro hábitat. 
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Depois do expediente, quando se sente mais à vontade, caminha com enorme desenvoltura, embora silenciosamente, por qualquer corredor ou sala da empresa. Fareja quando ainda há gente trabalhando depois da hora, se um escritório está vazio e há quanto tempo.

Sabe aparecer à frente da direção nas horas mais importantes e críticas, transmitindo sempre a imagem de um workaholic. Quando a empresa fecha suas portas e a maioria absoluta dos empregados já está em casa, pode finalmente acessar computadores e escaninhos secretos. 

Muitas vezes, nas suas andanças noturnas ou mesmo feriados, abre gavetas que contêm guloseimas estocadas por alguma gorda e gulosa secretária. Nesses casos, o seu instinto fala mais alto. Não tem remorso e come tudo o que encontra. (Agora você já sabe por que tanta comida some das gavetas da sua empresa fora do expediente.) Mas não julgue precipitadamente que ele é um cleptomaníaco ou um ladrãozinho comum. Roubar alimentos não é o seu core business, mas de certa forma um inocente hobby de quem exerce uma atividade tão solitária. Afinal, ele também precisa se divertir um pouco... 

O ratocorp tem objetivos de longo prazo. Entende que, pela própria dinâmica da operação de uma empresa, ninguém sozinho consegue saber tudo ao mesmo tempo. Por isso, precisa se municiar ao máximo de informações privilegiadas para, quando chegar a hora, exercitar plenamente o poder, mas sempre de forma indireta. 

IMUNE A DEMISSÕES

Cedo ou tarde, a oportunidade de ascensão profissional acaba chegando. O diretor da área decide promovê-lo a gerente, após observar pessoalmente a sua indiscutível lealdade e dedicação à organização - principalmente quando comparadas às dos outros colegas. O desempenho do ratocorp, segundo a percepção do diretor, se traduz em uma inesgotável atividade ("ele está sempre trabalhando"), o profundo conhecimento da empresa ("ele sabe na ponta da língua todos os procedimentos") e o impressionante domínio dos negócios ("ele parece adivinhar as nossas estratégias e planos confidenciais"). A partir desse fato, surge o grande divisor de águas da carreira do ratocorp.

Finalmente, ele é formalmente reconhecido como um de seus representantes oficiais. Mas não espere dele um comportamento profissional digno de seu novo cargo. Seja qual for a missão que receber em sua carreira, sempre vai preferir o papel de conselheiro. Para ele, a melhor camuflagem são atividades de staff, a sua verdadeira vocação, atividades essas de quase impossível avaliação. 

Se algo que ele recomendou der certo, ótimo. Se der errado? Bem, a culpa não foi dele, primeiro porque não era o responsável direto pela execução; depois, porque sua ideia foi muito mal executada. 

O ratocorp é imune a demissões, pois é consenso da empresa que a sua presença é imprescindível. Quando se aposenta, dezenas de anos mais tarde, o faz debaixo de intensos choros e soluços de toda a organização. 

Chega aos mais importantes cargos de assessoria, sempre em funções bem remuneradas de suporte, mas nunca executivas. Isso porque ele não é bobo de aceitar alguma posição que o exponha à luz do dia. Sempre terá uma resposta adequada, baseada em sua modéstia ou filosofia de vida, para declinar convites inconvenientes e perigosos desse tipo. Afinal, ele detesta desafios e riscos. 

Em sua convivência com o Olimpo empresarial, aprende que o exercício do poder é profundamente solitário. Os executivos nunca têm com quem falar de maneira franca, isto é, de igual para igual. 

A subserviência e a bajulação florescem nesse ambiente - e os poderosos são os primeiros a saber disso. Não é raro dirigentes tomarem importantes decisões baseadas apenas na opinião de secretárias, copeiras ou motoristas - que são os seus mais leais e próximos servidores do dia-a-dia. Por isso, os ratocorps representam a saída honrosa e aceita culturalmente pelo sistema para minimizar a angústia do isolamento da corte empresarial. Enfim, um mal necessário. Se não existissem, precisariam ser inventados. 

PACTO DE SILÊNCIO 

Num processo simbiótico, os parasitas privam da intimidade dos organismos que os abrigam. 

Há um momento em que explorado e explorador se confundem e passam a depender um do outro. É a famosa síndrome de Tom e Jerry. Você conhece o desenho animado. O legítimo morador da casa passa o tempo inteiro atrás de um ratinho simpático que explora sem qualquer direito a geladeira e a paciência do gato. Mas se o rato Jerry não existisse, não haveria história, e Tom não seria tão famoso assim... 

Resultado de imagem para ratocorpsPense agora no nosso ratocorp. Coincidência? Dificilmente. E, já que o assunto é mesmo rato, pergunte a qualquer sanitarista de plantão por que todas as cidades do mundo estão infestadas de roedores e ninguém resolve o problema de vez. A resposta, provavelmente, é que há um momento em que colocar veneno demais pode matar, por acidente, outros animais, plantas e até seres humanos. Por isso, os habitantes acabam se acostumando a fazer de conta que não vêem os ratos, desde que estes se limitem a atuar em áreas externas e não invadam as suas residências. 

Nas empresas, há um acordo não- verbal muito parecido. Todos os funcionários sabem quem são e onde estão os sanguessugas do sistema. Mas jamais os denunciam. Primeiro, porque não estão ali para delatar. Segundo, porque a empresa não é mesmo deles. Mas esse pacto sinistro de silêncio tem o seu custo. Os empregados talvez não se deem conta, mas todo fim de mês uma parcela invisível de seus salários é abatida para sustentar colegas ratocorps.
  
As imagens que estão no texto acima não existem no artigo original. Foram colocadas pelo blog Oficina de Gerência exatamente para ilustrá-lo e dar um pouco de leveza na leitura do texto.


Resultado de imagem para fabio steinberg*Fabio Steinberg foi pioneiro, no Brasil, na crítica à vida corporativa. O texto acima, publicado originalmente na revista Exame, é um pequeno clássico da rotina que todos enfrentamos nas empresas em que trabalhamos. Nele, Fabio criou um personagem simplesmente inesquecível: o Ratocorp. Clap, clap, clap. De pé.
Formado em Administração e Jornalismo, é consultor em comunicação empresarial. Em seus 35 anos de carreira profissional, destacam-se 18 anos na IBM Brasil, dez dos quais dedicados à área de relações com a imprensa.
É autor dos livro O Maestro ( Editora C4 / It Books) e Ficções Reais (editora Campus) e colaborou ainda em A Organização Por Trás do Espelho – Reflexos e Reflexões, de Fela Moscovici (José Olympio Editora). 
Escreve com freqüência artigos publicados na imprensa. Foi responsável por uma coluna durante um ano na revista Exame, onde faz eventualmente resenhas de livros de negócios. Além de consultor, Fábio dedica parte do tempo a conferências sobre comunicação e gerenciamento de crises.

18 de nov. de 2019

Você tem talento para construir equipes?










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Esse tema é um dos mais complexos entre aqueles desafiantes para um comandante de projetos que dependa de pessoas. Seja ele um líder  ou um gerente ou simplesmente um chefe. Unir pessoas dos mais diversos perfis e conseguir despertar e materializar o potencial de cada um direcionado para determinado(s) objetivo(s) exige um conjunto de talentos pessoais do líder, que deve associá-los à sua experiência pessoal e profissional, seus conhecimentos técnicos e a uma força motivacional, daquelas capazes de "mover montanhas".

Podem estar certos que não exagero em afirmar que possuir essa competência talvez seja uma das principais qualidades que as corporações buscam e até exigem de seus conjuntos de executivos. Pessoalmente considero um exemplo de puro talento pessoal quando alguém consegue a proeza de conquistar seu objetivo após montar uma  perfeita equipe de trabalho (diria, com certo exagero, que é como se visualizar uma rara obra de arte).

A construção de grupos embora exija menos talentos é o passo antecedente à montagem de uma equipe. Jamais alguém conseguirá montar uma equipe sem passar pelo estágio de um grupo; Na verdade, minha experiência ainda aponta um estágio anterior ao grupo, denominada de bando.

Trago para os leitores um dos melhores artigos existentes  sobre o assunto. Recebi-o de amigos e não consegui localizar nem a origem (site) e nem o autor, mas atesto a qualidade com méritos.

Para quem se interesse pelo tema recomendo fortemente que leia o post completo. É longo, mas acho que não existe texto de qualidade que seja curto; só se for um "resumo" e - cá pra nós - não vejo como ninguém se aprofundar em um assunto ou conteúdo lendo resumos.

Ao final do post ainda ilustrei com um vídeo (animação e muito divertida) do YouTube intitulado "A importância do trabalho em equipe".

Bom proveito.

Grupo ou Equipe? “Um Por Todos e Todos Por Um”


Resultado de imagem para grupo ou equipeTrês lavradores costumavam trabalhavam juntos. Cada um tinha uma função: o primeiro era encarregado de abrir buracos na terra; o segundo jogava as sementes dentro deles; a tarefa do terceiro era ir tapando os buracos que já continham as sementes.
Certo dia, o primeiro e o terceiro lavradores estavam trabalhando. O fazendeiro que passava pelo local viu os dois e perguntou: "Mas o que é que vocês estão fazendo?" Eles responderam: "Estamos plantando sementes". O homem, então, comentou: "Mas que sementes?!! Vocês não repararam que o encarregado de as jogar não veio trabalhar?"
Várias cabeças sempre pensam melhor do que uma. Quando isso não acontece é porque elas não estão trabalhando em time. Trabalhar em grupo é bem diferente de trabalhar em equipe. Equipes são grupos que evoluíram.
Charles Chaplin em Tempos Modernos, de 1936, filme que retrata a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, na famosa cena em que ele apertava parafusos sem parar, trabalhava em grupo ou em equipe? Numa linha de produção, as pessoas trabalham em grupo, mas não em equipe. O trabalho que elas fazem, na verdade, é individual, só que realizado lado a lado. Nesse sistema, cada um se preocupa em fazer seu trabalho ... e só. O trabalho em equipe pressupõe que os membros do time saibam o que os outros estão fazendo e, dependendo do caso, possam até substituir o colega. No grupo é cada um por si. Já a equipe funciona na base do um por todos e todos por um!
Embora grupos e equipes sejam compostos de indivíduos trabalhando em nome de objetivos comuns, os times tendem a desenvolver uma meta coletiva que vai além daquela que a organização determinou para eles.

As formigas sabem das coisas
Quando o assunto é trabalhar em equipe, as formigas dão uma aula de time. Elas vivem numa sociedade organizada e sabem exatamente o que fazer pelo bem comum. Detalhe: não precisam receber ordens para agir. Quando estão em ação, a sincronia entre as formigas é tão perfeita que elas parecem funcionar como células do mesmo corpo. São as provas vivas de que a união tem tudo a ver com a força. Juntas, são capazes de fazer o que não dariam conta de realizar se estivessem sozinhas.
Resultado de imagem para trabalho em equipe das formigasSe fôssemos situar o trabalho em equipe no processo evolutivo profissional, teríamos primeiro o indivíduo; depois, o grupo; e, na ponta, a equipe. A máxima de que duas cabeças pensam melhor do que uma é verdadeira desde os primórdios da humanidade. Além da eficiência, a afetividade que aparece no grupo também precisa ser levada em conta. O ser humano se relaciona com os outros basicamente em dois níveis: no cognitivo e no socioemocional. Nesse sentido, a experiência de trabalhar em grupo é muito rica, pois propicia essas duas vivências. Acontece que um grupo não se torna uma equipe naturalmente, por decurso de prazo. É preciso muito esforço e dedicação.
Um time é um time quando passou do estágio em que busca apenas resultados financeiros. Existe a preocupação real com o bem-estar das pessoas. Em uma equipe deve haver sinergia, e isso é muito mais do que a soma dos esforços individuais. Nas equipes de alto desempenho, que são o modelo ideal, as competências emocionais têm tanta importância quanto os fatores técnicos e cognitivos. Autoconsciência, controle emocional, intuição, empatia, comunicação eficiente e relacionamento sadio entre os membros do grupo - tudo isso entra no rol da competência emocional da equipe.
Os times de alta performance têm seis características básicas:
  1. Limites precisos: Todos sabem quem pertence ou não ao time. Da mesma maneira, a equipe é reconhecida pelos outros como uma unidade organizacional.
  2. Objetivos comuns: As metas dizem respeito à equipe, e todos reconhecem e assumem a responsabilidade por seu cumprimento.
  3. Papéis diferenciados: Cada membro do time deve dar sua contribuição individual à equipe.
  4. Autonomia: A liberdade para realizar o trabalho é uma marca registrada das equipes.
  5. Dependência dos recursos externos: Os membros da equipe sabem que dependem de outras equipes ou indivíduos para conseguir informações, recursos e apoio. Enfim, eles valorizam tudo o que possa ajudá-los a cumprir seus objetivos.
  6. Responsabilidade coletiva: Recompensas e feedbacks são uma constante, principalmente para o time como um todo.
Características Importantes
     Não tenta agradar a todos. Uma característica do trabalho em equipe se refere ao processo de tomar decisões. Decidir em grupo costuma ser mais demorado porque é preciso chegar a um ponto em que todos, ou pelo menos a maioria. No entanto, depois que se chega a uma conclusão, implementar o que foi decidido é mais rápido e fácil do que nos casos em que as decisões vêm de cima para baixo.
A composição da equipe também é um ponto-chave do trabalho coletivo. Quanto mais multifuncionais forem as pessoas, melhor. Especialistas costumam ter uma visão muito situacional. Da mesma forma, não pode haver uma diferença técnica muito grande entre os membros da equipe. Todos têm de estar alinhados no que se refere ao conhecimento. Senão, fica difícil manter a sinergia. Quando isso não acontece, o grupo rejeita naturalmente o indivíduo que não está exercendo suas funções como deveria. É quase como se houvesse um mecanismo autorregulado que também entra em ação quando aparece alguém com o ego inflado. Não adianta insistir: tem gente que simplesmente não tem perfil para trabalhar em equipe, seja porque prefere realizar sua tarefa individualmente, seja porque não gosta nem um pouco da ideia de dividir seu sucesso com os outros.
Resultado de imagem para polemicasAinda assim, é preciso levar em conta a máxima de Nelson Rodrigues "Toda unanimidade é burra". Um pouco de polêmica não faz mal a nenhuma equipe, aliás, ao contrário, pode até melhorar muito o trabalho. Por isso, são bem-vindos os profissionais dotados de senso crítico mais aguçado e até mesmo aqueles que têm certo gosto para a competição. Já pensou no trabalho feito por pessoas que pensam e agem exatamente da mesma maneira? É totalmente previsível. Essa ausência de conflito, aliás, é uma das armadilhas do trabalho em time. Essas armadilhas aparecem naturalmente e devem sempre ser administrada em conjunto, porque não se trata de problemas isolados.
Sem estabelecer pactos de convivência, nada feito! Para isso, o grupo precisa se reunir de tempos em tempos e colocar as cartas na mesa. As condições, expectativas e percepções individuais precisam ser explicitadas e negociadas. Sempre levando em consideração a situação em que o grupo se encontra no momento. Isso engloba metas, divisão de papéis e o relacionamento interpessoal e discutidos junto com o líder.
Como se vê, trabalhar em equipe pode ser muito simples, mas também muito complicado. Depende do ponto de vista.
O líder deve determinar a disposição que as pessoas devem ter para o trabalho e para atingir os resultados. Ele mesmo deve dar mostras de entusiasmo, de que se importa com a equipe, e como pode esperar muito do time e de si mesmo.

Assertividade – A Busca Do Próprio Espaço
Vivemos numa sociedade em que, apesar da crescente violência, as pessoas sentem muita dificuldade de lidar com a agressividade.
Muitas vezes, esta agressividade é confundida com a assertividade, de tal modo que pessoas agressivas se auto intitulam assertivas ou muito francas, ou até ao contrário, algumas pessoas não assumem suas posições de forma simples e autêntica, com receio de serem agressivas.
Por isso o primeiro passo é entender o significado literal da palavra assertividade. Com o auxílio do dicionário Houaiss encontra-se a palavra assertividade como "a qualidade ou condição do que é assertivo. Assertivo: o que faz uma asserção ou afirmação; pessoa que declara algo positivo ou negativo, do qual assume inteiramente a validade; afirmação que é feita com muita segurança, em cujo teor se acredita profundamente”.
Outro passo é sabermos que existem quatro tipos de comportamentos: passivo, agressivo, agressivo/passivo e assertivo. Cada um deles tem vantagens e desvantagens, dependendo do momento em que for manifesto. Um comportamento pode mudar de acordo com o momento e a situação. Em função disto, uma mesma pessoa pode ter os quatro comportamentos, ainda que certamente exista uma tendência maior de se agir de determinada forma em circunstâncias "normais" , ou seja, o indivíduo tende a adotar um determinado estilo como mais frequente.
Resultado de imagem para assertividadeEsta constatação nos confirma a ideia de que podemos mudar um comportamento se percebemos que ele não está valendo a pena, isto é, não satisfaça as nossas necessidades, expectativas e objetivos pessoais. Então, podemos desenvolver a nossa assertividade.
O que nos faria desenvolver a assertividade? Com certeza nada responde melhor a esta pergunta se genericamente, considerarmos os benefícios que o comportamento assertivo pode nos trazer: 
  •   Lidar com os confrontos com mais facilidade e satisfação;
  •   Sentir-se menos estressado;
  •   Adquirir maior confiança;
  •   Agir com mais tato;
  •   Melhorar imagem e credibilidade;
  •  Expressar seu desacordo de modo convincente, mas sem prejudicar o   relacionamento;
  • Resistir às tentativas de manipulação, ameaças, chantagem emocional,  bajulação,  etc.;
  •  Sentir-se melhor; e
  •  Fazer com que os outros também se sintam melhor.  
      Sabemos da importância e temos motivos para sermos assertivos, mas como desenvolver assertividade?
Sem "receitas" prontas ou mágicas, algumas dicas já comprovadas podem ajudar quem está interessado no assunto: 
  •  Mudar o diálogo interior - de negativo para positivo;
  •  Levar em consideração seus direitos e os dos outros; e
  • Desenvolver a autoestima.
         Pense nas diversas situações de sua vida profissional e pessoal em que a sua falta de assertividade prejudicou o resultado que você buscava, impedindo-o, com isso, de sentir-se verdadeiramente realizado com suas conquistas.
Quantas vezes você teve que "engolir" a raiva gerada pelo sentimento de que deveria ter dito algo que não disse naquela determinada hora?
Quantas vezes você se viu "obrigado" a fazer determinadas coisas por não ter tido a coragem de dizer não para o outros.
Os exemplos são inúmeros. O mais importante, no entanto, é refletir sobre o assunto e ser mais assertivo em algumas situações, para não só expandir a inteligência emocional, como também e principalmente desenvolver relações interpessoais mais autênticas, harmoniosas e prazerosas.
Só lembro que não podemos ser assertivos sem sermos empáticos, pois como desenvolver a nossa própria assertividade se não formos capazes de aceitar a assertividade do outro? Se alguém nos fala o que está pensando de forma educada, mas, clara e direta, vamos considerá-lo "egoísta", "malcriado" ou qualquer outro qualificativo que expresse a nossa incompetência em aceitar a assertividade do outro? Pense nisto!

Comunicação Assertiva

Comportamentos de assertividade:
  • Mantém contato visual, mas sem encarar.
  •  Inclina-se em direção ao interlocutor, mas não tão próximo que possa intimidar.
  • Modula a voz e evita falar tão alto que possa parecer ameaçador.
  • Defende seu direito de pensar diferente. E é colaborador e team player.
  • Afirma suas necessidades e opiniões claramente e com confiança. E respeita o direito  do outro fazer o mesmo.
  • Defende seu ponto de vista sem imposição.
  • Positivo e Sorridente.
  • Aberto a diferentes opiniões.
  •  Perdoa os erros dos outros, incluindo os próprios.
  • Apoia, dá força aos “não-perfeitos”.
  • Autêntico, franco, respeitoso.
Pessoas assertivas:
  • Acreditam que elas têm o direito de expressarem suas necessidades e desejos aos     outros.
  • Num conflito ou desacordo, supõem que a outra pessoa também está compromissada a   encontrar uma solução.
  •  Expressam descontentamento ou reivindicação.
  • Tomam a iniciativa para corrigir condições adversas ou persuadir os outros a fazê-lo.
  • Em conflitos, focam a situação e não as pessoas envolvidas.
  • Consideram-se especialistas e consideram e reconhecem outros como o sendo também.
  • Estão acostumados a serem alvos de confiança e de respeito.
  • Tem tempo para aqueles que têm dificuldade em expressar seus sentimentos e os encorajam a se expressarem, mesmo quando há conflito de opiniões.
  • Acreditam que assertividade leva à credibilidade e à confiança.
  • Acreditam que estão sendo coerentes e congruentes com suas palavras, gestos e expressões faciais.
Distinguindo os Diferentes Tipos de Comportamentos

Agressivo
Resultado de imagem para liderança agressiva
  •  não leva em consideração a dignidade e os direitos dos outros.
  • tende a menosprezar ou humilhar os outros.
  • causa constrangimento.
Assertivo
  • expressa necessidades e desejos de uma maneira franca, sincera e adequada à situação.
  • expressa opiniões desagradáveis, mas o faz de maneira não ameaçadora.
  • reconhece que os outros têm pontos fortes, recursos e percepções que diferem das suas.
Passivo
  •       abre mão (abdica) de  seus direitos e responsabilidades.
  •       “convida” os outros a ignorá-lo.
  •        sujeito a ser explorado.


ASSERTIVO
AGRESSIVO
Expressa sentimentos honestamente
Acusa
Aceita responsabilidade por seus atos
Passa para os outros, culpa-os
Age como um negociador
Age como o ditador
Jeito e estilo confiante
Estilo sarcástico, petulante
Voz firme, calorosa, gentil
Voz tensa, alta, estridente
Seu olhar é firme, franco, direto
Olhar fixo, encarado, fulminante
Postura ereta, mas à vontade
Postura rígida e de confronto