terça-feira, agosto 03, 2021

Assédio Moral e Sexual de Rogério Caboclo (CBF) não é tão raro assim...



Vou abordar, nesse post, as causas que provocaram o comportamento, repulsivo e abjeto, que o Presidente (afastado) da CBF, Rogério Caboclo, pelo longo assédio moral e sexual contra sua subordinada (secretária) durante mais de um ano. 

Para o meu propósito aqui, não interessam os detalhes da denúncia, que estão sobejamente conhecidos nas diversas mídias disponíveis no Brasil e até no exterior pelo escândalo que gerou (clique aqui)

Quero, sim, aproveitar o fato para chamar a atenção sobre a realidade desse tipo de assédio (moral e sexual) ser muito mais comum no mundo corporativo do que parece.

O assédio do presidente da CBF está diretamente ligado à personalidade doentia e ao despreparo das pessoas para exercer determinados tipos de poder. Elas se caracterizam pela personalidade sociopata dos dirigentes máximos das empresas e organizações que dirigem e pela falta de fiscalização e controles independentes de sua gestão e seus atos, tais como Conselhos de Administração,  Conselhos Fiscais,  Diretorias de Compliance,  Comitês de Ética, Auditorias e Controles Internos.

É o caso da Confederação Brasileira de Futebol (CBF); uma entidade que faturou em 2020 um valor próximo a um bilhão de reais. Um presidente da CBF movimenta algo acima de quinhentos milhões de reais por ano (leia aqui). Vamos convir que são valores dignos de grandes organizações no Brasil e em qualquer lugar.

Além disso, um presidente da CBF comanda e coordena os destinos do esporte mais apaixonante e popular no país e no planeta. Um esporte onde a unidade monetária dos negócios se faz na casa dos milhões de dólares.  Convenhamos que é um poder imenso. Um poder, que todos sabem, é fruto de manobras políticas espúrias ao custo de muitos favores - principalmente financeiros, sociais e políticos -  aos seus eleitores e assessores

Se um poder desse porte cai nas mãos dos pequenos déspotas, pessoas com ambição desmedida que chegam a pensar em si próprios como "pequenos deuses" e cultivam comportamentos arrogantes e plenos de vaidades, o resultado, invariavelmente, não será diferente daquele que caracterizou a conduta de Rogério Caboclo com sua funcionária na CBF.

Esses indivíduos têm tipologias e perfis bem característicos.  Se julgam acima das pessoas comuns, acham que os subordinados e dependentes de seu poder devem se curvar às suas vontades, sejam elas quais forem; e que são "privilegiados" pelo simples fato de estarem respirando o mesmo ar que eles. Autênticos “senhores de escravos”.

Conheci vários executivos assim e convivi com alguns deles - em todos os escalões das organizações às quais pertenciam - que podem ser classificados nesse perfil acima descrito; uns mais, outros menos, conforme o grau de importância dos seus círculos de poder.


Um desses executivos, que mais me chamou a atenção, foi o de um dirigente de empresa da Administração Pública, com o qual convivi e que não conseguia se conter quando em presença de mulheres jovens e atraentes sem respeitar se casadas ou não.  Ele próprio com um casamento de muitos anos e filhas adolescentes.

Era um homem de meia idade (em torno de seus 60 anos), de carreira consolidada na sua corporação e profissional bem sucedido. Eram tão doentias e inconsequentes suas maneiras como assediador, que ele próprio não mais conseguia disfarçá-las. 

Tinha eu uma função especial e tive que intervir pessoalmente em várias situações para conter seus assédios, que eram sempre com mulheres que estavam abaixo de sua autoridade (secretárias, assistentes, auxiliares de serviços diversos...). 

A corporação sabia e eram comentados nos corredores que seus assédios existiam e eram conhecidos, quase públicos, sem pudor; eram comentados à boca pequena, mas não eram denunciados por medo seu poder e arbítrio. Até que uma das assediadas, tal como no caso do presidente da CBF, teve coragem e o denunciou à autoridade acima do seu cargo. A partir daí choveram denúncias e ele foi obrigado a pedir sua demissão. 

A mensagem que quero deixar na Oficina de Gerência é para que aqueles jovens que exerçam quaisquer funções de comando, seja de que escalão hierárquico for, para que tenham muita atenção com o que chamo de "pequenos e podres poderes". Eles são tentadores e traiçoeiros. Estão sempre à espreita das personalidades que flertam com as vaidades e com os gestos e atos de orgulho e arrogância. 

Muito poder tende a fazer com que os seus detentores se blindem da sensatez, do bom senso, da  razão, da sabedoria, da lógica, da prudência, da reflexão, do pudor e da cautela. O Rogério Caboclo renunciou a todos esses conceitos ao fazer o que fez com sua subordinada, uma mulher indefesa e dependente de seu arbítrio. Muito triste


O caso do presidente da CBF diz respeito ao despreparo das pessoas para exercer determinados tipos de poder que se caracterizam pelo personalismo do dirigente máximo e pela falta de fiscalização e controles independentes, tais como Conselhos de Administração,  Conselhos Fiscais,  Diretorias de Compliance, Auditorias e Controles Internos.

É o caso da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que é uma entidade que faturou em 2020 um valor próximo a um bilhão de reais. Um presidente da CBF movimenta algo acima de quinhentos milhões de reais por ano (leia aqui). Vamos convir que são valores dignos de grandes organizações no Brasil.

Além disso, um presidente da CBF comanda e coordena os destinos do esporte mais apaixonante e popular no país e no planeta. Um esporte onde a unidade dos negócios se faz na casa dos milhões de dólares.  Convenhamos que é um poder imenso.

Se um poder desse porte cai nas mãos de pequenos déspotas, pessoas com ambição desmedida que chegam a pensar em si próprios como "pequenos deuses" e cultivam comportamentos arrogantes e plenos de vaidades. O resultado, invariavelmente, não será diferente daquele que caracterizou a conduta de Rogério Caboclo com sua funcionária na CBF.

Esses indivíduos têm tipologias bem características.  Se julgam acima das pessoas comuns, acham que os subordinados e dependentes de seu poder devem se curvar às suas vontades, sejam elas quais forem; e que são "privilegiados" pelo simples fato de estarem respirando o mesmo ar que elas.

Tive o desprazer de conhecer vários executivos assim e convivi com alguns deles em todos os escalões das organizações às quais pertenciam - que podem ser classificados nesse perfil acima descrito; uns mais, outros menos, conforme o grau de importância dos seus círculos de poder.

Um desses executivos, que mais me chamou a atenção, foi o de um dirigente de empresa da Administração Pública que não conseguia se conter quando em presença de mulheres jovens e atraentes, sem respeitar se casadas ou não. 

Era ele um homem de meia idade (em torno de seus 60 anos), de carreira consolidada na sua corporação e profissional bem sucedido. Eram tão doentias e até inconsequentes suas maneiras, que ele próprio não mais conseguia disfarçá-las. 

Pessoalmente tive que intervir em várias situações para conter seus assédios, que eram sempre com mulheres que estavam abaixo de sua autoridade (secretárias, assistentes, serviços diversos...). 

Sabia-se de seus assédios existiam, eram comentados à boca pequena, mas não eram denunciados por medo seu arbítrio. Até que em uma das assediadas, tal como no caso do presidente da CBF, teve coragem e o denunciou à autoridade acima do seu cargo. A partir daí choveram denúncias e ele foi obrigado a pedir sua exoneração. 

A mensagem que quero deixar na Oficina de Gerência é para que aqueles jovens que exerçam quaisquer funções de comando, seja de que escalão hierárquico for, para que tenham muita atenção com o que chamo de "pequenos e podres poderes". Eles são tentadores e traiçoeiros. Estão sempre à espreita das personalidades que flertam com as vaidades, com os gestos e atos de orgulho e arrogância. 

Muito poder tende a fazer com que os seus detentores se blindem da sensatez, do bom senso, da  razão, da sabedoria, da lógica, da prudência, da reflexão, do pudor e da cautela. O Rogério Caboclo renunciou a todos esses conceitos ao fazer o que fez com sua subordinada, uma mulher indefesa e dependente de seu arbítrio. Muito triste.

Coloco abaixo um dos muitos vídeos que estão na internet, com o áudio de uma das denúncias apresentadas contra o presidente da CBF. É de causar asco.


Rogério Caboclo sofreu nova denúncia, dessa vez de assédio moral contra o diretor de Tecnologia da Informação (TI) da CBF. Clique aqui para conhecer a notícia.

segunda-feira, agosto 02, 2021

"Antes" ou "Dantes", qual é o certo?


O Blog da Oficina de Gerência traz, mais uma vez, a seção "Dicas de Português" com um novo tema: o uso dos advérbios "Antes" ou "Dantes".  Busquei a informação  no site "Dúvidas de Português" cujo acesso está no link abaixo do seu logotipo.

 A tag  das dicas é uma das mais visitados na Oficina de Gerência, inclusive com o post que é o campeão de visualizações, o "Àtoa", "À-toa" e "Atoa". Qual a diferença entre estas expressões?", que conta com mais de 740 mil visualizações.

Gosto de publicar as "Dicas de Português" no sentido de contribuir com o aprendizado do nosso idioma, principalmente nos requisitos da gramática, construção das frases, adjetivos e verbos.  Escrever bem, ler com clareza e postura são pré-requisitos para a boa formação de um gerente de qualquer nível.

Convido-o, pois, tirar essa dúvida que de vez em quando atormenta quem gosta e precisa ler e escrever.


Clique aqui e conheça a home page 

Antes ou dantes
Flávia Neves
Flávia Neves
Professora de Português

Os advérbios antes e dantes existem na língua portuguesa e estão corretos. Embora o advérbio antes apresente diversos significados, antes e dantes são palavras sinônimas quando indicam um tempo ou momento passado. 

Exemplos:

  • Meu pai antes usava bigode.
  • Meu pai dantes usava bigode.
  • Antes eu ia a pé para o colégio.
  • Dantes eu ia a pé para o colégio.
O advérbio antes indica principalmente algo que aconteceu em tempo ou momento anterior ou em tempo ou momento passado, sendo sinônimo de anteriormente, previamente, precedentemente, primeiramente, antigamente e outrora. Pode indicar também algo que ocorre ou é de preferência (melhor), pelo contrário (ao contrário) ou com tendência para (mais).

Exemplos:

  • Minha irmã saiu de casa antes de mim. (antes = anteriormente)
  • Antes eu conseguia correr 20 km. Agora já não. (antes = antigamente)
  • Antes procurar a resposta do que ser chamado de burro! (antes = melhor)
  • Ela não é injusta, antes é muito humana. (antes = pelo contrário)
  • Você é antes perspicaz do que estudioso. (antes = mais)

Já o advérbio dantes indica apenas algo que aconteceu em tempo ou momento passado, sendo sinônimo de antes apenas nessa acepção. É, assim, sinônimo de antigamente, outrora, anteriormente e noutro tempo.

Exemplos:

  • Dantes eu morava no Rio de Janeiro. (antes = antigamente)
  • Eu acho que eu era mais feliz dantes. (antes = antigamente)
  • Nada voltará a ser como dantes. (antes = antigamente)

 Se tiver interesse em pesquisar  um pouco mais, recomendo dois sites especializados:

terça-feira, julho 27, 2021

Cruzeiro Esporte Clube, de Minas, está moribundo.

 


Outro dia estava eu numa live com amigos e alguém, mineiro, trouxe para a roda de conversa a triste situação do Cruzeiro Esporte Clube, a "Raposa Prateada" de Belo Horizonte. Na verdade ele queria fazer uma gozação (cruel) com outro companheiro - cruzeirense doente - que estava no grupo.

Gozação pra lá, gozação pra cá, chegamos à conclusão triste e óbvia: o grandioso clube da "Raposa Prateada" está morrendo à vista de todos. Me ocorreu, então, especular e escrever um artigo sobre as razões pelas quais um gigante como o Cruzeiro Esporte Clube chegou ao fundo do poço (conheça aqui a coleção completa de títulos do Cruzeiro). Abaixo os títulos internacionais e nacionais.



Com sua imensa legião de torcedores, tradições mil e campeão de tudo que haja disputado, a pergunta é: como uma organização do porte do Cruzeiro (veja aqui o que está na Wikipédia sobre o grande clube mineiro) chegou a este ponto onde se encontra?

Primeiro vejamos a atual realidade do Cruzeiro: vive uma luta desesperada contra o rebaixamento da “série B” para “série C” do futebol brasileiro, o que no seu caso significa o ponto mais baixo que um dos maiores clubes esportivos do Brasil e da América do Sul pode chegar. Será o ápice da humilhação.

Como pode ser isso?

Quem ama o futebol – e não estou falando só dos torcedores cruzeirenses – não consegue entender e não se conforma com o drama da camisa azul celeste de Minas Gerais.

Mas tem explicação. E ela se resume a um conceito que é lugar comum na ciência da administração e da gerência: má administração continuada e sem fiscalização.

Não vou citar os nomes dos dirigentes que podem ser responsabilizados pela debacle. Eles são muitos. Um processo desses não acontece de repente. Má gestão no nível de falência não é resultado de um erro localizado e nem de uma pessoa só. Ao contrário, é um encadeamento de decisões erradas, lapsos, desacertos, corrupções e desvios de objetivos.

O Cruzeiro, se fosse um conglomerado privado já deveria estar pedindo falência ou no mínimo uma recuperação judicial. Resiste porque é uma agremiação esportiva com legislação diferenciada.

O processo do Cruzeiro não é nenhuma novidade no ambiente esportivo. No final dos anos 90, a Associação Portuguesa de Desportos, a tradicional Portuguesa ou “Lusa do Canindé” iniciou sua queda. Se manteve aos trancos e barrancos alternando as últimas posições dos campeonatos e torneios que disputou.

A trajetória descendente da Portuguesa foi contínua, caindo da 1ª divisão para a 2ª, depois para a 3ª e finalmente para a 4ª. Tudo isso em três anos. Clique aqui e conheça essa história na matéria “A queda sem fim da Portuguesa”.

(Posições finais na tabela da Série B do campeonato brasileiro após a 14ª rodada)

O Cruzeiro repete o mesmo drama. Caiu em 2019 para a “Série B” do futebol brasileiro e manteve-se em crise profunda não conseguindo voltar à primeira divisão em 2020. Foi o primeiro clube considerado grande a não voltar  a subir no ano seguinte.

Está disputando em 2021, pela segunda vez a “Série B” (o que era, até então, impensável) e o risco de cair para a “Série C” é muito provável. Após quase metade do campeonato de 20 clubes o Cruzeiro está na zona de rebaixamento com menos de 3,5% de aproveitamento (12 pontos em 52 possíveis). Clique aqui e conheça as chances do Cruzeiro. 

Gosto de usar exemplos de gestão (boas e más) das agremiações esportivas, principalmente no futebol profissional. Eles apresentam, em estado puro e público, tudo de bom e de ruim que acontece nas organizações e suas consequências.

No caso do Cruzeiro isso foi escancarado. Negócios mal feitos, dívidas não pagas, salários cronicamente atrasados, crises entre grupos de interesse, denúncias de corrupção em todas as administrações, nepotismos, exploração política da imagem do clube e mais o que couber nesse mesmo repertório de escândalos e vexames (clique aqui para ter uma ideia dos problemas financeiros do Cruzeiro).

Fica triste constatação que as chances de o clube de sequer permanecer na “Série B” são escassas e se cair para a terceira divisão, a imensa “nação cruzeirense” terá de amargar capítulos ainda mais dolorosos para um soerguimento que hoje parece estar em horizonte muito, muito distante.

Rayssa Leal, a "Fadinha do Skate", brilha em vídeo da Nike. Magnífica homenagem...


 

As Olimpíadas trouxeram para o Brasil, logo nas suas primeiras disputas, um novo motivo para o nosso povo sorrir. Falo da Rayssa Leal, a "Fadinha do Skate". 

Assisti todas as apresentações da Rayssa. Em todas elas, era flagrante a "irresponsabilidade" pré-adolescente da menina de 13 anos, fenômeno só por estar ali disputando uma olimpíada.

Enquanto todos ao seu redor mostravam em suas fisionomias a gravidade do  momento olímpico, a Fadinha não estava nem aí. Brincava, dançava, cantarolava e sorria o tempo inteiro.


Essa postura, em uma atleta olímpica, foi conquistando  a mídia internacional. Outros países, o Japão, por exemplo, também tinham atletas pré-adolescentes, que não capturaram as lentes e a atenção dos jornalistas como a Fadinha.

Tudo culminou com a disputa na final do skate feminino pela Rayssa, após a queda das favoritas Pamela Rosa e Letícia Bufoni. Nessa disputa ela continuou no mesmo diapasão. Nem parecia estar numa final olímpica! 


Veio a medalha de prata e levou o Brasil olímpico ao delírio. Seja porque foi magnifica nas provas, seja porque jogou por terra aquela imagem de preocupação fúnebre que sempre cerca os atletas antes das provas, seja porque a sua explosão de criança tomou as telas. O que vimos foi uma menininha de 13 anos correndo, pulando, sorrindo sem saber ao certo para onde ir e o que fazer. Foi lindo de ver e sentir aquela alegria em estado puro.

Mais que tudo, a torcida viu na Raissa a conquista de uma menina, que ainda brinca com bonecas e bichinhos de pelúcia, transformar a vida real em um sonho digno de um filme de Walt Disney. Um filme mágico de fadas e final feliz.


Muito ainda vamos ver e ouvir sobre a Raissa Leal. Filmes e livros serão escritos sobre ela. A sua conquista, na primeira disputa olímpica do skate, está eternizada. E com 13 anos ainda terá muitas disputas pela frente, inclusive em olimpíadas. 

Ainda terá de carregar a maravilhosa imagem da "Fadinha" por algum tempo, mas na próxima olimpíada e deverá estar lá, em Paris, já terá 17 anos...

Coloco abaixo o vídeo que Nike produziu (com mais de 500.000 visualizações, em três dias) e que emociona por conseguir traduzir, em um minuto e meio, o sentimento que acendeu, nos brasileiros de todas as camadas sociais, aquela luz de alegria e esperança de que os sonhos podem ser, sim, realizados.


quarta-feira, julho 21, 2021

Falsos amigos vêm com o sucesso profissional.


Verdadeira a frase acima, de Benjamim Franklin

Uma carreira de sucesso tem, a par dos êxitos, das conquistas, do respeito e outras tantas coisas prazerosas, vem também acompanhada de outras desagradáveis como inveja, inimizades, fofocas, traições e outras que tais. Fazem parte do "pacote" de quem se aventura na selva corporativa para exercer liderança e o faz com brilho.

Entre esses lances e contingências ofensivas estão o convívio com os falsos amigos e os riscos da boa fé em se confiar demais em "amigos da onça". Quem, nessa condição, não os teve? Quem não foi atraiçoado por aquele "amigo" tão próximo e tão querido? Posso falar (ou escrever) por experiência própria. Fui vítima de alguns (poucos) falsos amigos. Algumas vezes os descobri antes que me causassem prejuízos maiores, mas em uma delas foi uma traição daquelas que doeu na alma. 

Isso mesmo! Depois de intensa fase de raiva e frustração, por uma deslealdade abominável, consegui "levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima". Tempos depois, com bom humor, escrevi, aqui mesmo na Oficina de Gerência, um artigo que foi muito visitado e elogiado pelos leitores e ao qual dei o título de "Gatos Corporativos", conheçam estes "amorosos" bichanos..." (recomendo a leitura).

Antes de continuar vou listar alguns sinônimos de traição que busquei no excelente site "sinônimos.com.br": deslealdade, falsidade, hipocrisia, perfídia, fingimento, intriga, desonestidade, rasteira, prevaricação, inconfidência, emboscada, cilada, farsa, impostura, tocaia... Que coleção hein?

É isso aí! Os falsos amigos fazem jus a todos esse adjetivos. Todos eles são portadores e passíveis de atos e pensamentos que estão nessa "privilegiada" listagem. O pior de tudo é que não há defesa contra o falso amigo, assim como não existe confiança pela metade. Ou se confia em alguém ou não se confia. O meio termo não existe. E quando vem a traição você é sempre surpreendido. Isso é que dói. A quebra da confiança é mesmo "uma punhalada nas costas.

Todavia existem alguns pressupostos para que se conheça, antes do golpe, um potencial falso amigo. É disto que trata o texto que descobri na internet, no site "A mente é maravilhosa" (os links estão abaixo) e o trouxe para ilustrar o presente post. 

O título é sugestivo: "7 tipos de amigos que devemos reconhecer". Particularmente não gosto muito dos textos que chamo de "receitas de bolo", ou sejam, aqueles que apresentam listas com tipos disso ou daquilo para ilustrar os pontos de vistas dos autores. Nesse caso, eu abri uma exceção. Os leitores farão suas avaliações.

Finalizo avisando, cuidado com os falsos amigos. Seja no ambiente profissional (mais comum) ou no social. Eles são (quase) inevitáveis desde que você esteja no topo, brilhando. Recupero a frase do Benjamim Franklin: "O falso amigo e a sombra  só nos acompanham quando o sol brilha".

7 tipos de amigos falsos que devemos reconhecer

7 tipos de amigos falsos que devemos reconhecer


Existem vários tipos de amigos falsos que são como o lado sombrio da lua. No começo nos deslumbram com seus encantamentos e suas amáveis atenções, mas pouco a pouco vamos percebendo esse outro lado, no qual habitam as cavidades de um caráter interesseiro. 


Essa afetividade árida e desolada que, quase sem percebermos, nos rouba o ânimo. São perfis que, sem dúvida, devemos saber identificar o mais rápido possível, principalmente em prol da nossa saúde emocional. Costuma-se dizer que a amizade é o melhor ingrediente da vida. O amor também é, disso não há dúvidas. Mas o que um bom amigo proporciona transcende, às vezes, os vínculos das relações afetivas e familiares. Assim, esse tecido construído à base de cumplicidades, experiências comuns e de uma confiança intensa é o que nos traz uma fonte de energia eterna e, principalmente, qualidade de vida.

  • “Aqueles que se acham bons e serviçais são os mesmo que, por inveja, desejam todos os males a você."  (Lucca Capiotto) 

No entanto, é inevitável não encontrar, de vez em quando, um desses espécimes tão comuns nos nossos contextos sociais, no qual o interesse e o egoísmo se camuflam sob o revestimento da mais brilhante amizade. E nós caímos, é claro que caímos. Porque na nossa inocência natural sempre pensamos que o propósito principal de toda boa amizade é trazer felicidade, apoio e bem-estar.

Até que finalmente acontece. Surgem as decepções, as pequenas mentiras, os desprezos constantes e as mais impressionantes manipulações. Queiramos ou não, estamos perante um desses tipos de amigos falsos que não vimos chegar, mas que devemos deixar ir o mais rápido possível pelo bem da nossa saúde e da nossa dignidade…



Tipos de amigos falsos


1. Tipos de amigos falsos: o alpinista social

Um dos primeiros tipos de amigos falsos que costumamos encontrar bem cedo na nossa vida é o “alpinista social”. Encontramos esses amigos no ensino fundamental, no ensino médio, na universidade e, certamente, nos ambientes de trabalho.

São aquelas pessoas que constroem laços de amizade com um único objetivo: ganhar posições no contexto social. Assim, é comum que na fase escolar essas pessoas busquem uma aproximação com os alunos mais populares ou com aqueles tiram as melhores notas. Mais tarde, no contexto profissional, não vão hesitar em humilhar e manipular em qualquer situação para ganhar posições.


2. O amigo que está nos bons momentos e some nos ruins

A maioria das pessoas vai se lembrar de algum caso desse tipo de falsa amizade. Falamos de pessoas que sempre estão próximas nos dias de tranquilidade e bem-estar, quando fazem parte de qualquer plano, qualquer festa ou qualquer proposta de última hora. No entanto, quando surge algum problema ou alguma situação na qual agradeceríamos seu apoio e interesse, desaparecem como o vento após fechar uma janela…


3. O buscador de erros, aquele que julga

Se existe uma coisa que caracteriza uma amizade saudável é aquele amigo que procura proporcionar bem-estar em todos os momentos. Isso nos faz sentir coisas boas com sua presença, sentir a segurança de que não seremos julgados nem criticados e de que, após algumas horas com essa pessoa, sairemos melhor do que antes.

No entanto, isso não acontece com os amigos falsos. Com eles é comum voltarmos para casa pior do que estávamos antes. Na verdade, um tipo de amizade falsa muito comum é aquela que tem como passatempo buscar erros, chamar a atenção para cada erro que cometemos e julgar um dia sim e no outro também. Esse tipo de dinâmica cria um desgaste emocional significativo.


Pintura de pessoa com pássaros ao lado

4. O amigo que inveja em silêncio ou descaradamente

Você faz tudo certo”, “Essas coisas não acontecem com você como acontecem comigo”, “Você sempre tem muita sorte”… É esse tipo de frase que os amigos falsos que nos invejam dentro do seu ser costumam repetir.

No entanto, a verdade é que eles têm baixa autoestima, o que os leva a esse tipo de interação pouco saudável para ambas as partes.


5. O que quer que as coisas deem certo para você, mas não melhor do que para ele

Essa característica da falsa amizade é tão curiosa quanto comum ao mesmo tempo. Ela se manifesta do seguinte modo: temos pessoas que nos incentivam a superar a nós mesmos, a conquistar as coisas, mas quando isso acontece, longe de se sentirem felizes por nós, elas se afastam ou se mostram incomodadas.

Por trás desse tipo de situação existe, mais uma vez, uma clara baixa autoestima. Essas pessoas sempre se sentirão mais à vontade conosco enquanto estivermos no mesmo patamar, nas mesmas condições. No entanto, qualquer centelha de sucesso ou de superação as coloca em evidência, as afunda na contradição e no desconforto.


6. O rival disfarçado de “melhor amigo”

Se você comprar um celular, não duvide, um dos seus amigos falsos vai querer comprar um muito melhor. Se você começa a fazer academia, cuidado, ele ou ela também vai começar para superar seus progressos. O objetivo: ser melhor do que você em qualquer coisa que você fizer, em qualquer propósito ou em qualquer conquista.

Esses tipos de amigos falsos agem como inimigos, uma sombra perseguidora e vingativa que vai tentar ser melhor que nós em qualquer âmbito da nossa vida.


Pedaços de mulher

O amigo manipulador é aquele tipo discreto, mas implacável que, quase sem percebermos, prende os fios da marionete para nos manipular de acordo com seu desejo durante algum tempo. Ele vai se utilizar do vitimismo às vezes, outras da chantagem emocional e outras da mentira, além de tantas outras estratégias maquiavélicas para nos ter nas palmas das mãos e, assim, conseguir o que deseja em todos os momentos.

Assim, o tempo que vamos permitir esse tipo de ação do manipulador vai depender do afeto que temos em relação a essa pessoa, do fato de se é um amigo de longa data, um amigo de infância com quem já vivemos tantos momentos… Como acabar com esse vínculo emocional que nos acompanhou por tantos anos? Pode ser difícil, mas poucas coisas são tão destrutivas quanto carregar a influência de alguém que, na verdade, não gosta de nós e quer o nosso mal.

Para concluir, como já pudemos perceber, há muitos tipos de amigos falsos: o que critica, o que trai, o que faz fofocas… Poderíamos descrever inúmeros tipos. No entanto, o mais importante de tudo isso é, além de identificar, saber lidar com essas pessoas.

Às vezes, não é preciso recorrer obrigatoriamente à quebra desse laço. Às vezes, basta deixar as coisas claras, colocar limites e, até mesmo, estimular o crescimento pessoal e a autoestima desse amigo para que ele seja capaz de criar relações mais saudáveis.

Se tiver interesse de ler o artigo no site de origem clique aqui

domingo, julho 18, 2021

O que a demissão de Rogério Ceni do Flamengo ensina sobre liderança


No dia da estreia de Rogério Ceni como técnico do Flamengo (11/11/2020), escrevi um post na Oficina de Gerência intitulado "Rogério Ceni será submetido à Fórmula da Liderança".

No artigo eu disse que se Rogério não conseguisse dominar as variáveis da "Formula" (grupo dos jogadores,  situação do clube e ele próprio como líder)  ele não iria demorar muito. A fórmula da liderança é implacável; e não deu outra.  O técnico, ídolo do futebol brasileiro como jogador, foi, como que,  praticamente banido da Gávea.

Por quê? Ficou a pergunta no ar. Na minha avaliação como gestor, Rogério caiu porque não dominou nenhuma das variáveis da fórmula L=f (l, s, g): ele mesmo (líder), o plantel de atletas (grupo) e o ambiente de trabalho (situação). Para mim não foi nenhuma surpresa.

A explicação do Flamengo para a demissão do seu técnico foi  feita através de uma notinha curta e discreta que nem merece ser transcrita aqui porquanto não expressou a verdade dos fatos.  Apenas transmite que ele não foi demitido, foi é “retirado às pressas”.

Rogério saiu do Flamengo com um retrospecto de, em 44 jogos, haver vencido 23, empatado  11 e perdido 10. Nesse breve período conquistou o Brasileirão de 2020, a Supercopa do Brasil 2021 e o Campeonato Carioca de 2021. Ás vésperas da demissão 

Pelo que está aí, não foi por deficiência técnica que o comandante do time foi afastado. O que se sabe é que Rogério foi "detonado" internamente.  Dias antes da sua demissão, em um áudio "vazado", um funcionário de alto escalão administrativo no departamento de futebol do clube, falou cobras e lagartos do Rogério Ceni. Veja abaixo a transcrição de um trecho do áudio: 

[...] "Cara, ele é uma pessoa ruim. Não tem outra definição. É uma pessoa ruim. O cara é perdido, faz m***, critica departamentos. Ele não tem respaldo do pessoal de cima, deixa ele meio perdido aqui. Mas ele está lá há quase um ano já, ele nunca se interessou em sentar-se com o pessoal da análise de desempenho, que são os caras de tática e tal, para ver quais são os processos, o que que faz. Ele nunca se interessou em sentar-se no nosso departamento, virar e falar: "gente, estou precisando de pessoas, de jogadores, de um cara assim, o que vocês têm? Me ajudem"  [...].

Se estiverem interessados em ouvir o áudio inteiro clique aqui . 

Esse foi o estopim da crise. O funcionário foi demitido sumariamente e Rogério, alguns dias depois, de madrugada, em meio a uma campanha de tropeços no Brasileirão e  às imensas reclamações da torcida e de dirigentes do Flamengo. 

Rogério desagradou A todos porque não soube se ajustar ao "ambiente" do clube, o que cá pra nós, é muito, muito complicado para um cara que tem apenas 4 anos de profissão; e trajetória  como técnico, diga-se de passagem, meio tumultuada com demissões no São Paulo e Cruzeiro, apesar do sucesso com o Fortaleza.

Deve ter aprendido que liderança de sucesso não depende apenas de si mesmo.  Foi uma dura lição, mas deve se recuperar porque tem uma base boa e o respaldo (que ajuda muito) de conhecer o meio como grande ídolo que foi do São Paulo

Para completar este comentário, sugiro que leiam o excelente artigo abaixo, que transcrevi do site da revista Exame. Foi o melhor texto que li sobre a demissão do Rogério, analisada à luz dos princípios da liderança e da gestão.  Recomendo que os jovens executivos em princípio de carreira leiam e guardem a boas lições ele evoca.




O que a demissão de Rogério Ceni do Flamengo ensina sobre liderança

Com passagens no comando do próprio São Paulo, Fortaleza e Cruzeiro, Rogério Ceni ainda tem pontos de amadurecimento como líder, na visão de especialista em carreira

Ele foi um sucesso inegável dentro dos campos de futebol, protegendo o gol do time São Paulo. Já na liderança dos times, a excelência de Rogério Ceni não é a mesma. Com cerca de quatro anos de carreira como técnico, o ex-goleiro foi demitido na madrugada deste sábado pelo Flamengo.

Como jogador, ele foi o nome que atuou mais tempo com a camisa do clube paulista, recebeu prêmios de melhor goleiro e estava na seleção brasileira durante a Copa de 2002.

Na madrugada deste sábado, às 2h46, o clube rubro-negro informou que ele estava de fora do comando do time. Informações dos bastidores afirmam que a sexta-feira foi intensa nas reuniões da diretoria rubro-negra, segundo apuração de sites especializados como o Globo Esporte.

Rogério Ceni foi contratado em novembro de 2020 e teve seu contrato encerrado antes de completar um ano. Ele não teria resistido aos resultados ruins do início Brasileirão e ao clima interno ruim.

Com passagens no comando do próprio São Paulo, Fortaleza e Cruzeiro, Rogério Ceni ainda tem pontos de amadurecimento como líder que precisariam acontecer para o sucesso à frente de um time como o Flamengo. Esta é a visão do CEO da consultoria Mappit, Rodrigo Vianna, que também é especialista em carreira e ex-jogador de futebol.

"Essa demissão não aconteceu da noite para o dia. Ela culminou na madrugada, na calada da noite, em virtude de um fato recente que foi o vazamento de um áudio de um profissional da área de gestão da companhia. Como nas empresas, muitos dos processos de saída de CEOs não são da noite para o dia. Fatos foram acontecendo que culminaram numa situação em que não havia mais sustentação da figura do Rogério como líder, mas isso não significa que ele não tinha uma boa relação com os jogadores", explica Rodrigo.

Ao fazer um paralelo com executivos de fora do ramo esportivo, Rodrigo Vianna destaca também que a carreira de Rogerio Ceni como técnico está no início.

"Muitas vezes quando você é diretor de empresa, por exemplo, e tem uma carreira indiscutível, não significa que sendo CEO você vai ter uma carreira tão indiscutível quanto. Isso porque a posição de CEO precisa de aprendizado constante, construção de relação. Não é porque o cara chegou onde chegou que deve achar que pode deixar de aprender", opina. "Quanto mais você cresce, mais importante são as relações e a união das pessoas em prol de um objetivo".

Na visão do especialista em carreira, o papel de um técnico e de um profissional com a posição de um CEO, por exemplo, é de o de reger uma orquestra, criar harmonia entre as posições e fazer alterações quando necessário para corrigir falhas.


Para Rodrigo, a demissão de Ceni provou que não era isso o que vinha acontecendo no Flamengo. Na visão dele, faltou para o ex-goleiro algum amadurecimento e tempo à frente das equipes pelas quais passou antes de abraçar o comando de um time do porte do rubro-negro.

"A gente não pode passar muito rápido por alguns etapas porque senão não nos preparamos. Ele sai do futebol e se torna técnico do São Paulo. Será que naquela época ele já estava preparado para ser técnico? Naquele momento, talvez não. Acho que ele poderia ter passado por outros clubes menores, como ele fez depois, indo para o Fortaleza, onde ele foi muito bem. Ele sai do São Paulo quase demitido, tem um bom resultado no Fortaleza e aí vai para o Cruzeiro".

No caso do clube mineiro, Rodrigo afirma que faltou para o técnico entender que o time estava fraco e acabou sendo demitido pela falta de sintonia com o time. Depois disso, o ex-goleiro volta para o Fortaleza até que surge a oportunidade do Flamengo.

"O Flamengo é um time que vinha muito bem treinado pelo Jorge Jesus. O Rogério chega lá como um cara que eventualmente acha que sabe bastante. Acho que faltou para ele ouvir, para fazer com que o time andasse melhor. Esse é um grande erro que acontece com executivos que chegam a posições de comando também. É preciso envolver envolver as pessoas, fazer as conexões e aí depois tomar as decisões"  (Rodrigo Vianna, CEO da Mappit e especialista em Carreira)

Teria faltado para o técnico, na avaliação de Rodrigo, a capacidade de gerar engajamento em toda a comunidade do clube e senso de pertencimento. Rodrigo ressalta que a falta de comunicação entre o time de gestão e inteligência do Flamengo - responsável por monitorar a performance dos jogadores - foi um dos pontos crucias para a relação ter azedado. Sem uma boa relação entre esse time do clube e o técnico, "não tem como dar certo", na visão de Rodrigo.