15 de nov de 2018

Quem é maior? Você ou sua função?


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Você é maior ou menor do que sua função?

(Autor do Texto - Herbert Drummond da Oficina de Gerência )

S
empre tive uma permanente preocupação com as sensações de conforto ou desconforto em relação às funções que ocupei ao longo da carreira. Na maioria das vezes me senti à altura delas e em outras, notadamente no início de minha carreira como executivo, a sensação de desconforto foi a de não estar preparado para enfrentar determinadas situações. Nestes casos claramente faltou-me o lastro - principalmente pelo aspecto subjetivo - para resolver e decidir acima da experiência pessoal vivenciada e do preparo profissional.

No primeiro caso (quem está à altura da função) você está convictamente apto para o exercício do cargo e o maior desafio é alcançar a autorrealização. Até onde você é capaz de ir? Que tipo de projeto criativo você é capaz de desenvolver? Até que ponto pode levar seu time ao sucesso ou insucesso com base na sua liderança?

Quando vivenciamos uma situação dessas, nem sempre estamos conscientes da  realidade que nos cerca. O grau de subjetividade nessa avaliação é muito acentuado. Ocorre menos nas empresas privadas (bem menos) e mais na Administração Pública onde as indicações políticas proliferam e – por comum – não há preocupação em se guardar uma relação entre as competências do cargo e os currículos dos candidatos. 


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Imagine que você, foi designado para uma função importante e a rigor, só conhece a sua futura atividade “por ouvir dizer”, mas aceitou porque ninguém deixa o “cavalo passar selado”. Não é essa é a regra?

Você chega, toma posse dos seus novos “brinquedos” – mesa, computador, telefone, secretária, assessores... – e (infelizmente) vai ter que enfrentar a realidade imediatamente. Ali, do outro lado da porta, estão lhe esperando para a primeira reunião de trabalho. Vai ficar visível, por mais que tente ocultar, que você não está à altura da função e na reunião - infelizmente -  estão seus novos subordinados. Vão lhe testar de todas as maneiras; desde as famosas "cascas de banana" ostensivas até a forma mais sutil possível. Minas explosivas prontas para você pisar nelas. Na verdade não será uma reunião comum, será um julgamento, um teste, um vestibular. Você será o alvo. Uma "via crucis". Sua jornada, a partir dali, será uma sequência de etapas de constrangimentos que não o deixarão em paz até que consiga "chegar no ponto" ou então pedir o boné e ir embora.

Não vou discorrer sobre as possibilidades do que, certamente, ocorrerá numa reunião dessas. Vou, entretanto, dentro da proposta do blog, procurar especular e passar algumas dicas a quem estiver interessado ou (Deus o livre) enfrentar situação parecida.

As Dicas: 

1. Distribua, antes da reunião, uma pauta com os tópicos (poucos) da reunião e faça correr uma lista de presença.arque hora para terminar a reunião e... Termine! Determine alguém para secretariar e faça uma boa ajuda memória com algum tipo de programação com tarefas e com prazos, que você possa cobrar e depois, muita atenção, não procure ninguém, ninguém mesmo para saber o que “acharam de você e da reunião”. A verdade jamais lhe será dita.

2. Coloque nominatas na mesa identificando as pessoas e suas funções no organograma. Busque organizar os lugares de acordo com a hierarquia do setor que você vai dirigir. Coloque-se na cabeceira e à sua direita o subordinado de maior posição, na esquerda o seu staff pessoal e assim por diante. As pessoas gostam de se ver com lugares certos nas mesas de reunião.

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3. Faça com que todos na mesa se apresentem no inicio da reunião e se durante,  você tenha que se dirigir a alguém e não tenha guardado o nome, não se acanhe de perguntar. Isso mostrará que tem humildade e está interessado em conhecer as pessoas.

4. Fale muito pouco e escute tudo com a mais pachorrenta paciência. Um dos erros mais comuns do chefe novato (menor que a função, lembre-se) é querer mostrar que está – ao contrário do que todos sabem – à altura do cargo.

5. Resista à tentação de apresentar na mesa o seu “currículo” e despejar toda a sua “experiência anterior”. Na verdade, os seus novos subordinados já sabem tudo que precisam saber sobre você. O mais aconselhável é surpreender. Como? Ouvindo muito e não assumindo posições ou tomando decisões que serão - por natureza - frágeis e precipitadas. Lembre-se, o setor que passará a comandar estava operando sem você desde a saída do antigo “inquilino”.

6. Use o bom senso para tranquilizar a turma quanto às mudanças que todos estão esperando e jamais lance mão do estilo “coronel” para se comprometer seja com o que for. Não mostre "valentia". É o que todos estão esperando, mas não caia nessa armadilha. Simplesmente não se pronuncie com profundidade sobre nada e se alguns daqueles líderes informais da estrutura se atreverem a perguntar algo nesse nível, saia pela tangente e deixe toda expectativa no ar. Use o mistério a seu favor

7. Oportunize para que apareçam as lideranças formais e informais do seu novo grupo. Principalmente as informais (estes líderes vão procurar testá-lo permanentemente e serão seus futuros aliados ou adversários). Você terá que ter habilidades e lançar mão de alguns "truques" para fazê-los surgir “espontaneamente”.

8. Erro comum que os “chefes menores que a função” cometem nessas ocasiões são as demonstrações do tipo "sou mais eu", e com ostensiva postura de autoridade e "autonomia" em relação aos seus próprios superiores na hierarquia. Muito comum é a pontuação das frases com batidas na mesa seja com as mãos e ou com a caneta. Não faça isso porque as pessoas inteligentes do seu novo grupo vão perceber claramente que você está cometendo uma bravata e será ridicularizado nos corredores. 

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9. Lembre-se daquele antigo ensinamento sobre as reuniões que, inevitavelmente, sempre abrigam as "pessoas que ficam fazendo estrelinhas no papel e os que fazem o papel de estrelas". Para estes tenha paciência, mas não deixem que monopolizem a palavra.

10. Dê oportunidade a todos que estejam na mesa de se expressarem. Quem pedir a palavra e ainda não haja falado deverá ter oportunidade sobre que tenha pedido para falar no mesmo tempo. Seja atento e democrático ao conduzir a sua primeira reunião com seu novo time. Ela irá balizar por muito tempo a primeira boa ou má impressão que sua equipe terá de você.

Exemplos dos tipos de liderança "maiores ou menores que a função" não faltam. É só procurar. Na sua própria empresa, certamente deve ter algum gerente, até mesmo um diretor que claramente não consegue se acertar porque não cabe na função. Pode procurar que vai achar... E isso ocorre em gênero, número e grau e em todas as atividades humanas. 


Por exemplo, um técnico de futebol de grande clube ou seleção (temos muitos...) que não consegue se impor ao grupo calejado dos atletas que ele mesmo selecionou ou um marido que não consegue de ajustar à vida de casado. Ambos os casos vão demonstrar que nenhum dos dois - o técnico e o marido - não estavam à altura da função que lhes foi colocada à frente. Cases é que não faltam.

Este post  foi originalmente publicado em maio de 2012. Resolvi repaginá-lo e publicar novamente pela atualização permanente que encerra. É um mais visitados no blog.


1 de nov de 2018

Telas dos Grandes Mestres da Pintura Universal sobre o tema do Natal

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Existem coisas que são eternas. As grandes obras de arte universais, por exemplo, fazem parte dessa classificação. Tive a ideia de produzir um post com telas de mestres da pintura universal tendo como tema o natal. 

Não é muito comum "descobrir" no Google obras famosas sobre o natal. Pesquisei um bocado, mas não encontrei o que queria. De repente minha sorte mudou! O motivo foi um blog maravilhoso, que encontrei "perdido" no Google enquanto fazia a pesquisa. O seu autor teve a mesma ideia. Refiro-me ao "Ler Para Crer" (clique no logotipo abaixo).

Foi lá que selecionei as belíssimas obras abaixo e que trago aqui para fugir um pouco da temática central da Oficina de Gerência. Afinal, conhecer um pouco da cultura universal  eleva o espírito e compõe a formação de qualquer ser humano, incluindo os que fazem parte do que chamo de "selva corporativa".

Clique em cada uma das imagens para ser redirecionado à pagina do Google com centenas de telas dos pintores respectivos. Não perca essa oportunidade e maravilhe-se com a arte universal.


http://lerparacrer.files.wordpress.com/2007/10/logoler2.gif
Clique no logotipo e visite o blog. Vale a pena passear por ele.

http://4.bp.blogspot.com/_UGuOpW5tJXI/R21X8WdrpiI/AAAAAAAAAFE/MXQyRwVpUZA/s400/Rafael%2B-%2BSagrada%2BFam%C3%ADlia-1518.jpg
Rafael Sanzio – a Sagrada Família – Museu do Louvre, Paris


Este post foi originalmente publicado em dezembro de 2010. Pela qualidade e pelo número de visitantes dei uma repaginada e trago-o de volta atualizado.

21 de out de 2018

Gerentes de Projeto não são "Heróis da Marvel"


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C
omecemos por adotar uma definição para o que seja um Gerente de Projeto. Escolhi, entre muitas, uma que me parecer bem aplicada ao que conheço da minha experiência como gestor, inclusive de projetos, qual seja:

· Gerentes de projetos são agentes de mudanças: eles próprios estabelecem os objetivos de um projeto e usam suas habilidades e competências para inspirar um sentimento de propósito compartilhado dentro da equipe do projeto.”

Nos tempos modernos, onde é comum exigir-se dos profissionais que estão na selva corporativa a especial competência da "Gestão de Projetos", o artigo abaixo está bem colocado. A autora, espanhola, Camino Santiago Mellado (ver link ao final do post) faz um pequeno ensaio sobre os "poderes" que um Gerente de Projeto (Project Manager) deve manejar no decurso de sua missão.

Ao ler sobre esses imaginários "super-homens" que são descritos nas bibliografias sobre os gestores ou gerentes de projetos tem-se a impressão que estamos diante de figuras saídas das páginas dos quadrinhos da Marvel, dos Contos de Grimm ou da famosa Escola de Hogwarts. Seres extraterrestres, tal a gama de habilidades que devem dominar e os poderes que devem exercer enquanto desempenham suas funções como gestores.

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Sempre achei exageradas as listas de competências que são atribuídas pelos autores e palestrantes aos Gerentes de Projetos. Para que se tenha uma ideia, ao colocar o tema (GP) como item de busca no Google chega-se ao número absurdo de 16.800.000, que obviamente fala por si mesmo.

Cada lista que aparece em cada um dos artigos que as trazem - e normalmente são do tipo “receita de bolo” - apresenta alguma "novidade" sobre as outras; umas listam nove competências outras, sete e outras ainda trazem quinze ou vinte “habilidades”. Coisas como: construção de equipes, liderança, visão holística, organização de detalhes... Tão óbvias que chegam a ser risíveis.

Essas listas têm o condão de mexer com a vaidade dos leitores que buscam “se auto-motivarem” nelas; na verdade em todas elas que lhes caiam nas mãos. Nada mais agradável ao ego do que encontrar “coincidências” de habilidades com determinada lista que seja apresentada por um autor ou palestrante, principalmente se for famoso. Esse, creio, seja um dos principais itens de sucesso dessas incontáveis listagens.

Durante meus anos dirigindo organizações e pessoas, elejo apenas duas habilidades ou competências que são suficientes para que alguém seja um bom gestor e possa entrar no clube dos Gerentes de Projetos de sucesso. São elas:

1.   Gostar de gente – significa saber, com interesse e paciência, ouvir as pessoas, desenvolver empatia instantânea, “viver” os problemas daqueles que nos cercam, perceber as angústias de quem convive conosco, no trabalho (principalmente) ou fora dele. Isto não é um dom. É um estágio que o ser humano desenvolve segundo seus valores, sua educação e seus princípios desde a infância.



2.   Gostar de (resolver) problemas – Não é comum alguém admitir que gosta de problemas no trabalho. Direi até que é raro. Pois bem, conheço pessoas (poucas, é verdade) – e me coloco na lista –  que adoram quando estão à volta com problemas. Refiro-me obviamente àqueles que estão desempenhando, mesmo que nos níveis mais iniciais da hierarquia, as funções de (qualquer) gestão. Não é à toa a verdade que se encerra no antigo adágio que ensina: “as melhores oportunidades se escondem nas dobras dos grandes problemas”.

Procurem nos seus entornos e hão de perceber que os líderes ou chefes de maior sucesso são aqueles que têm essas duas habilidades. Gostam de pessoas e as pessoas gostam deles e adoram estar às voltas com problemas e no mais das vezes, os resolvem. Detalhe, os problemas “procuram” essa gente.  Mesmo aqueles lideres bem-sucedidos, com fama de durões, podem ter certeza que estão nessa faixa. Quando vejo jovens executivos em início de carreira expressarem que “não gostam de problemas” ou demonstrarem que não conseguem interagir com “pessoas difíceis”, digo para mim mesmo que não irão longe em suas carreiras. O inverso é verdadeiro.

Assim, o texto que apresento abaixo, a título de ilustração, foi escolhido pela simplicidade e pela listagem que oferece. A autora, ao apresentá-los denota experiência de quem conhece o assunto. Concordo com todos, mas algumas das obviedades ainda estão presentes. Paciência...

De qualquer sorte, mesmo que possam ser os "Heróis da Marvel" que deles se espera, os Gerentes de Projeto, caso não tenham aquelas duas “habilidades” acima descritas podem possuir todas as outras, que não atingirão o sucesso que almejam.


Clique no logotipo e visite a home do Grupo Finsi. Certamente quem o fizer vai adorar. É um site espanhol com artigos maravilhosos sobre temas diversos e atuais. Recomendo a visita.

Gerente de Projeto, uma aproximação.
Mantenha a calma, eu sou um gerente de projeto.



Capitão do navio, maestro, o treinador da equipe, o catalisador ... estas e muitos mais são as principais analogias que encontramos para definir o papel do Gerente de Projeto. Há alguma verdade em todos eles, e ainda assim eles dão uma visão incompleta de suas funções

Para tentar lançar alguma luz sobre o papel controverso e polêmico desempenhado pelo Gerente do Projeto (GP) dentro de uma empresa, vejamos uma série de conceitos e funções que Greg Horine colhidas no livro “Project Management Absolute Beginner´s Guide”. Vamos a eles:

Planejador
O GP deve assegurar-se e garantir que o projeto esteja definido corretamente e buscar que o referido plano seja cumprido ou reformulado de tal forma que o objetivo seja alcançado dentro do prazo e enfrentando as contingências orçamentárias. 

Coordenador 

O GP não se limita a especificar o planejamento, ele também desempenha um papel vital na atribuição e programação de tarefas, bem como definindo a agenda e marcos a curto, médio e longo prazos. Por outro lado, deve ser ele quem determina se cada etapa foi atingida, como a carga de trabalho é distribuída e como ela afetará o orçamento.

O homem-chave (point man).

O GP serve como um ponto de contato para todas as comunicações relativas ao projeto, sejam estas orais ou escritas, formais ou informais. O GP deve ter acesso e ser um participante em todos os processos comunicativos para poder intervir, moderar, orientar ou simplesmente verificar se eles estão se desenvolvendo normalmente.

Intendente

Assegurar-se de que o projeto tenha disponíveis todos os recursos, materiais e instalações necessárias, no momento em que são necessárias.


Facilitador
O GP tem que facilitar o trabalho e levar em conta as expectativas e perspectivas tanto dos clientes quanto dos membros de sua equipe para que todos sejam participantes do projeto em seus respectivos níveis.

Solucionador de Problemas
O GP deve ter uma grande capacidade de análise, uma visão clara dos processos, suas fontes e o conhecimento técnico necessário para entender e avaliar as ações que estão sendo executadas para que a capacidade de responder às contingências que possam surgir, seja imediata.

Para-Raios

Resultado de imagem para gestor de projetosO GP tem que assistir e proteger a sua equipe para que qualquer interferência externa seja atenuada, que as “condições meteorológicas” que cercam os processos – seja borrasca passageira – não perturbem os processos em curso.

Treinador 
O GP escolhe e comunica o papel e a posição que vão desempenhar e ocupar cada um dos componentes da equipe, demonstrando a importância que cada função tem e terá no sucesso final do projeto, encontrando maneiras de motivar cada membro da equipe, enfatizando suas habilidades e fazendo-as melhorar com um feedback individualizado e constante.

Buldogue
Além disso, o GP deve realizar um acompanhamento permanente e contínuo no tempo, para que os compromissos sejam cumpridos, as questões sejam resolvidas e os marcos sejam concluídos.

Bibliotecário
O GP é responsável pelas informações, comunicações e toda a documentação gerada pelo projeto. Agrupá-las, classificá-las, consultá-las e guardá-las é a sua missão.

Resultado de imagem para gestor de projetosAgente de seguros
Continuamente ele tem que trabalhar identificando riscos e oferecendo soluções a esses eventos que podem sobrevir.

Comercial
Para ser envolvido em todos os processos em execução, o GP não só deve saber "vender" os benefícios que o projeto gerou, além disso, não deve perder de vista o fato de que representa em todos os momentos a realização dos objetivos estabelecidos, a excelência da equipe de trabalho e a solvência da empresa.


Camino Santiago Mellado

Camino S. Mellado, foto ao lado, é a autora deste artigo para o Grupo Finsi clique sobre o nome sob a foto para entrar na sua página, no blog do Finsi e conhecer outros artigos de sua lavra.




http://www.grupofinsi.com/blog.asp?vcblog=1204

https://www.projectbuilder.com.br/blog/as-7-habilidades-essenciais-do-gerente-de-projetos/

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7 de out de 2018

Discurso de Tim Minchin na Universidade da Austrália Ocidental (UWA)

Trago novamente ao blog da Oficina de Gerência um texto da autoria da espanhola Núria Fernandez Lopez que é uma das fundadoras do Grupo Finsi. Só para comprovar a minha admiração tenho um marcador do Grupo dentro do Blog com diversos artigos. Só não produzo mais textos da Nuria porque, embora não pareça, dá um trabalho danado fazer a tradução do espanhol para o português.

O artigo abaixo apresenta um texto, que reproduz o discurso feito por Tim Minchin, famoso comediante da Austrália, na cerimônia de formatura da turma de 2013 na Universidade da Austrália Ocidental UWA) onde ele próprio se formou.

Gostei das ideias do palestrante. São... diferentes e inteligentes. Por isso resolvi compartilhá-las com os leitores do Blog. O texto é longo, mas se não tiver a persistência e a vontade é melhor não o ler agora. Deixe para depois ou veja o vídeo com a reprodução legendada do discurso que coloquei ao final do post. Porém, recomendo a leitura também. Vale o tempo.



http://www.grupofinsi.com/index.asp

Discurso de Tim Minchin na Universidade da Austrália Ocidental (UWA)


O famoso discurso de Steve Jobs na Universidade de Stanford é hiperconhecido. No entanto, existem outros discursos não tão populares, mas a partir dos quais você também pode fazer reflexões interessantes. Nós já sabemos que, em matéria de resgate de mensagens, cada um coloca o ponto em seu próprio "i". Particularmente este discurso ainda que apresentado com uma certa acidez coletou ideias bastante aproveitáveis e suscetíveis de algum pensamento sobre isso. O popular comediante Tim Minchin foi convidado a fazer um discurso na cerimônia de formatura da UWA (University of Western Austrália) em 2013.

“... Em tempos mais obscuros eu fiz uma performance dentro de um evento para uma grande empresa que criou e vendeu software para contabilidade. Em uma tentativa, eu suponho, para inspirar seus vendedores a objetivos mais elevados eles haviam pago uma alta quantia para um "orador inspirado" que era praticante de esporte radical e havia perdido um par de membros por congelamento quando foi pego na borda de uma montanha. Foi muito estranho.

Eu acho que os fornecedores de software deveriam ouvir alguém que teve uma carreira longa e bem-sucedida de venda de software, e não um ex-alpinista demasiado otimista. Alguém que tenha vindo de manhã esperando a palestra para aprender mais sobre técnicas para melhorar as vendas terminou voltando para casa preocupado com o fluxo de sangue nos membros, o que não é inspirador; é confuso.

E se a montanha supostamente era um símbolo dos desafios da vida, e a perda de extremidades uma metáfora para o sacrifício, o cara do software não vai entender, certo? Porque ele não tem uma carreira em letras, certo? Pois deveria. As carreiras de letras são incríveis e ajudam a encontrar significado quando não há nenhum.

E lhes asseguro: não há nenhum. Não vá procurá-lo. Buscar significado é como procurar uma rima em um livro de receitas; não vai encontrar e ainda vai “estragar o seu suflê” (se não lhe agradou essa metáfora tampouco lhe irá agradar o restante)

A questão é que eu não sou um conferencista inspirador: Eu nunca perdi um membro ao lado de uma montanha (ou metaforicamente, nem de outra maneira). E que fique claro, eu não estou aqui para dar conselhos sobre sua carreira, porque ... bem, eu nunca tive o que muitos de vocês considerariam um trabalho. Bem, já tive numerosos grupos de pessoas ouvindo o que eu estava dizendo há muitos anos e, sim, isso me fez ter um ego excessivamente inflado.

Então, agora, com a oportuna idade de quase 38 anos, vou lhes oferecer nove lições para a vida (semelhantes, é claro, com nove lições e canções de Natal tradicionais, que tampouco não são muito claras).

Você pode encontrar algo inspirador dessas lições, algo um pouco aborrecido, e definitivamente vão esquecer tudo em uma semana. E eu os advirto: haverá muitas breguices e também aforismos obscuros que começam bem, mas acabam sem qualquer sentido. Então, prestem atenção ou vão acabar se perdendo como um cego batendo palmas numa farmácia tentando achar soro para lentes de contato através do eco.

Vamos lá. Preparados?

1.   Não é obrigatório ter um sonho.

Americanos em shows de talentos sempre falam sobre seus sonhos. Bem, se tem algo que você sempre sonhou com seu coração, vá em frente! Afinal, é algo a fazer com o seu tempo: busque um sonho. E se o seu sonho for grande o suficiente, vai levar a maior parte da sua vida para alcançá-lo, então quando você conseguir e estiver observando o abismo da falta de significado de sua realização, você estará quase morto, por isso não irá se importar.

Eu realmente nunca tive um daqueles sonhos grandes, então eu sou partidário do envolvimento apaixonado em perseguir objetivos de curto prazo. Seja micro-ambicioso. Abaixe a cabeça e trabalhe com orgulho em tudo o que você tem à sua frente; você nunca sabe onde pode isso vai acabar. Tenha em conta que o próximo objetivo que valha a pena perseguir provavelmente aparecerá no campo de visão periférica, que é por onde você deveria ter cuidado com os sonhos de longo prazo: se você olhar muito para a frente, não vai ver essa coisa brilhante com os cantos dos seus olhos.

2.      Não procure a felicidade.

Felicidade é como um orgasmo. Se pensar nela demais ela vai embora.

Mantenha-se ocupado, busque fazer alguém feliz, e você também pode acabar ficando feliz como um efeito colateral. Nós não evoluímos para ficarmos permanentemente felizes; o Homo Erectus contente foi  comido antes de perpetuar seus genes.

3.   Lembre-se: tudo é sorte.

Vocês têm sorte de estar aqui. Vocês foram incalculavelmente afortunados por haver nascido, e incrivelmente sortudos de terem sido criados em uma boa família que os ajudou a ter uma educação e incentivá-los a ir para a universidade.
Ou, se você nasceu em uma família horrível, então má sorte e você tem a minha simpatia, mas ainda assim é afortunado. Afortunado porque você resultou de ter nascido com o DNA que produz o tipo de cérebro, que mesmo sofrendo em um ambiente inapropriado na infância, tomou decisões que levaram você, finalmente, se formar na universidade.

Suponho que eu trabalhei duro para lograr as realizações duvidosas que tenho conseguido, mas eu não criei a parte de mim que me faz trabalhar duro, nem tampouco criei a parte de mim em que comi demasiados hambúrgueres em vez de ir para a aula enquanto eu estava aqui na UWA. Compreender que você não pode, realmente, se atribuir os méritos dos seus êxitos nem tampouco, culpar os outros por seus fracassos, fará com que você seja humilde e mais compassivo. A empatia é algo intuitivo, mas também é algo que você pode trabalhar intelectualmente.

4.   Faça Exercício.

Desculpem, seu filósofos pálidos, flácidos e fumantes graduados em filosofia, que arqueiam as sobrancelhas em uma curva cartesiano enquanto olham para a máfia do movimento humano abrindo seu caminho sinuosos através dos pequenos cones de trânsito de sua existência: você está errado e eles estão certos. Bem, vocês estão meio certos. Você pensa, logo você existe; mas da mesma forma você também corre, logo dorme bem, assim não é esmagado pela mesma angustia existencial. Você não pode ser Kant e também não quer ser.

Faça desporto, faça yoga, levante pesos, corra, seja o que for, mas cuide do seu corpo: você precisará dele. A maioria de vocês viverá quase cem anos, e até mesmo os mais pobres de vocês alcançarão um nível de riqueza com o qual a maioria dos humanos ao longo da história nem poderia ter sonhado. E esta vida longa e luxuosa que você tem pela frente vai deixá-lo deprimido! Mas não se desespere! Existe uma correlação inversa entre depressão e exercício. Faça isso Corram, meus lindos intelectuais, corram.

5.      Seja duro com suas opiniões

Nós devemos pensar criticamente, e não apenas sobre as ideias dos outros. Seja severo com suas crenças; leve-as para a rua e bata-lhes com um taco de basebol. Seja rigoroso intelectualmente; identifique suas tendências, seus preconceitos, seus privilégios, suas preferências. A maioria das discussões sociais perdura porque elas não conseguem reconhecer as nuances; nós tendemos a gerar falsas dicotomias, tentando segurar uma discussão utilizando dois conjuntos completamente diferentes de premissas, como dois tenistas tentando ganhar um jogo dando belas tacadas perfeitamente executadas ... a partir de extremidades opostas de diferentes campos de ténis.

Por certo, já que eu tenho a minha frente graduados em ciências e letras: por favor, não cometam o erro de pensar que letras e ciências são coisas opostas. Essa é uma ideia recente, estúpida e prejudicial. Você não precisa ser anticientífico para criar belas artes, para escrever coisas bonitas. Se você precisar de provas: Twain, Douglas Adams, Vonnegut, McEwan, Sagan, Shakespeare, Dickens ... (para começar).

Você não precisa ser supersticioso para ser um poeta. Você não precisa odiar a tecnologia GM para se importar com a beleza do planeta. Você não precisa reivindicar uma alma para promover a compaixão. A ciência não é um corpo de conhecimento nem um sistema de crenças; é apenas um termo que descreve a aquisição incremental de conhecimento da humanidade através da observação. A ciência é incrível.
As Letras e as ciências precisam trabalhar juntas para melhorar como o conhecimento é transmitido. A ideia de que muitos australianos (incluindo o nosso novo primeiro-ministro e meu primo distante, Nick Minchin) acreditam que a ciência por trás do aquecimento global antropogênico é discutível é um indicador claro da magnitude do nosso fracasso na comunicação. O fato de que 30% das pessoas nesta sala ficaram zangados é ainda mais evidência. O fato de que essa zanga tem mais a ver com a política do que com a ciência é ainda mais desencorajadora

6.   Sejam professores.

Por favor, por favor, por favor: sejam professores. Os professores são as pessoas mais admiráveis ​​e importantes do mundo. Você não tem que fazer isso para sempre, mas se você estiver em dúvida sobre o que fazer, seja um professor incrível, somente quando tiver vinte e poucos anos. Sejam educadores de infância, especialmente se você é um tio; Precisamos de professores do sexo masculino de educação infantil. Mesmo se você não for professor, seja professor: compartilhe suas ideias; não considere sua educação como completa; aproveite o que você aprende e espalhe.

7.  Defina-se pelo que você ama.

Eu me vi fazendo isso recentemente: se alguém me pergunta que tipo de música eu gosto, eu digo "bem, eu não escuto o rádio porque as letras da música pop me incomodam". Ou se alguém me perguntar de que gosto eu digo: "Acho que o óleo de trufa é usado excessivamente e é um pouco desagradável". E eu vejo isso constantemente na Internet: pessoas cuja ideia de pertencer a uma subcultura é odiar o Coldplay, ou futebol, ou feministas, ou o Partido Liberal.

Nós temos a tendência de nos definir em oposição a algo; Como comediante, ganho minha vida com isso. Mas tente expressar também sua paixão pelas coisas de que gosta: seja efusivo e generoso em seu louvor àqueles que admira; envie cartões de agradecimento e aplausos em pé. Seja pro-algo, não apenas anti-alguma coisa.

8.   Respeite as pessoas com menos poder que você.

No passado, tomei decisões importantes sobre as pessoas com quem trabalho (agentes e produtores) com base em como eles tratam garçons nos restaurantes onde nos conhecemos. Eu não me importo se você é o cara mais poderoso do recinto: vou julgá-lo pela maneira como trata aqueles que têm menos poder. Então, ai está.

9. Não tenha pressa

Você não precisa saber o que vai fazer com o resto da sua vida. Eu não estou dizendo que você fique fumando maconha o dia todo, mas também não entrem em pânico. A maioria das pessoas que eu conheço, que tinham certeza do caminho a seguir aos 20 anos agora tem uma crise de meia-idade

Eu disse no começo dessa divagação que a vida não tem sentido. Não foi uma declaração superficial; eu acho que a ideia de procurar significado no conjunto de circunstâncias que coincidentemente existem depois de 13,8 bilhões de anos de eventos sem direção é absurda. Deixe os humanos pensarem que o universo tem um propósito para eles.
Todavia, eu não sou um niilista. Eu não sou nem um cínico. Eu sou, na verdade, bastante romântico. E esta é a minha ideia de romantismo: em breve você estará morto. A vida às vezes parecerá longa e difícil e ... meu Deus! Como é exaustiva. E às vezes você será feliz e às vezes triste. E depois, estarás velho. E depois você estará morto. Há apenas uma coisa sensata a fazer com essa existência vazia, que é preenchê-la.

E na minha opinião (até que eu mude), a melhor maneira de preencher a vida é aprender tudo o que puder sobre todas as coisas que você pode; tenha orgulho de tudo o que você faz; sendo compassivo; compartilhando ideias; correndo sendo entusiasta E também que haja amor, viajar, o vinho, o sexo, a arte, os filhos, doar, escalar montanhas ... mas tudo isso você já sabe...,
É algo incrivelmente excitante esta sua vida, única e sem sentido."


Assista abaixo, o vídeo do discurso do Tim Minchin. É interessante e curioso assistir a performance do palestrante, após a leitura do texto. É diferente...