Esta linda imagem foi copiada no jornal Metro/ Instituto Itaci (faça sua doação em itaci.org.br))

22 de abr. de 2020

O caça e o porta-aviões


http://www.aereo.jor.br/wp-content/uploads/2009/01/f-22-vem-foto-usaf.jpg

É comum, aos profissionais bem sucedidos e vivendo um momento de alta em suas carreiras, receberem propostas de empresas, normalmente concorrentes, à que esteja vinculado. Aconteceu comigo em certa ocasião mais especial (outras ocorreram também, mas não me atraíram). Esta, a que me refiro, pelo contrário era uma proposta daquelas chamadas "irrecusáveis".

Estava no auge da minha posição dentro do órgão público onde trabalhava; era gerente e tinha sob meu controle várias obras e contratos em andamento e tudo estava correndo bem, sob controle. Estava no topo. Vivendo um momento de sucesso. A remuneração, dentro da realidade da Administração Pública, era muito mais baixa do que a oferecida na iniciativa privada, mas isso não me limitava.

Uma determinada empresa de engenharia - porte médio - que conhecia e admirava o meu trabalho fez uma oferta para me contratar oferecendo mundos e fundos para que a aceitasse. Conversei muito com minha mulher, com vários amigos do trabalho, colegas e pessoas mais experientes (eu ainda era um "jovem executivo" na ocasião e não tinha ainda vivido experiência semelhante). Pensei seriamente e tomei a decisão de sair. Não estava seguro, mas a proposta era para mais que dobrar minha renda.

Após ter decidido, mas ainda sem haver comunicado formalmente aos meus superiores hierárquicos, conversei com um antigo conhecido que apenas passou na minha sala para "jogar conversa fora". Nem era um amigo. Apenas um colega engenheiro mais experiente e "rodado" no mundo corporativo.
.
Depois de lhe falar sobre o assunto e dizer que estava de saída ele olhou para mim pensativo e disse-me uma frase que ele próprio ouvira de um ex-chefe, diante de situação semelhante que ele próprio vivera. Foi mais ou menos a seguinte:
  • "Você pode ser um caça de último modelo voando e disparando seus mísseis certeiros nas guerras, mas se não existir um grande porta-aviões para pousar após as missões vai seguramente ficar sem combustível e cair no mar apesar de todo o poderio bélico."
E mais não disse. Naquele momento mudei minha decisão e não sai mais da empresa onde estava. Desisti dos ganhos imediatos e objetivos e assumi as vantagens subjetivas. Fiz minha escolha, minha aposta no futuro. Entendi o recado e aprendi. Deu certo. Na sequência dos anos cheguei ao topo da carreira como diretor da empresa e durante muitos anos. Realmente a firma que me convidara não era um "porta aviões" e eu percebi que de "caça" poderia passar a "avião cargueiro", isso se não caísse no oceano antes... apesar da proposta ser - como disse antes – da proposta ser - como disse antes - irrecusável.
Como decidir se devo empreender ou seguir em um emprego? | EXAMEDirijo-me agora – principalmente - aos jovens profissionais e executivos que tenham tido a paciência de ler estas linhas até aqui. Transfiram tudo isso para suas próprias vidas. Saibam pesar, muito bem, quando as chamadas “oportunidades irrecusáveis” surgirem. Obviamente isto não é uma regra geral, mas também não é exceção..

Já vi, conheci alguns e soube de outros cases onde profissionais brilhantes e promissores se perderam no mar das nulidades por abandonarem a garantia de um "porta-aviões para pousar e reabastecer seu "caça" quando mudaram ("vantajosamente") de emprego. Enferrujaram, tornaram-se infelizes e passaram o resto da vida arrependidos por não terem tido a coragem (ou oportunidade?) da recusa; de terem dito NÃO! Pensem nisto.

21 de abr. de 2020

Na vida o "Ctrl + Z" e o "Backup" não existem, infelizmente.


O artigo abaixo é uma breve e interessante reflexão sobre as coisas que gostaríamos que existissem em nossas vidas a partir de uma analogia com as funcionalidades dos computadores e da informática. O autor, José Luis Bueno Blanco, é um empresário espanhol e autor de muitos e ótimos textos no blog do Grupo Finsi, já velho conhecido dos leitores da Oficina de Gerência. Clique aqui e conheça outros posts do grupo que transcrevi aqui no blog.

Clique no banner e conheça  excelente blog FINSI

https://www.linkedin.com/in/joseluisbueno
José Luis Blanco
Na vida não existe o Ctrl+Z

O autor o texto é o espanhol José Luis Blanco que vem a ser um dos criadores do Grupo Finsi. 
  
As pessoas são criaturas de costumes. Vamos lá! Nos acostumamos muito rapidamente a novas situações, especialmente se elas nos são favoráveis. E tem mais. Em seguida, perde-se a noção de que anteriormente as coisas aconteciam de outra forma. Inclusive chegamos a nos surpreender de "como pudemos viver sendo as coisas tão diferente das atuais", que uma vez tornadas costumes transformam-se em algo consuetudinário.


Isso é algo que nós que desenvolvemos aplicações, ferramentas ou software em geral vivemos no dia a dia. Aqui podemos usar o ditado "quando você vê o vizinho cortar as barbas coloque as suas de molho". Por exemplo, se o Facebook ou o Google utilizam uma forma fazer as coisas (inserir informações, visualizar conteúdos, etc.), é certo que os usuários vão começar a dizer "que o aplicativo deveria fazer tais e quais coisas em função do do que está sendo visto ...."

Dentro de todas estas características e "coisas a fazer", eu quero destacar o famoso "Ctrl + Z", ou seja, "desfazer" a ação anterior. Esta função nos dá a vida!. Cometo um erro, apago o meu erro e volto para o início. Existem ainda programas que permitem que você vá desfazendo os erros quase infinitamente para trás para chegar a um ponto distante, praticamente de onde você começou

Isso sim é uma ótima solução! Melhor que o arrependimento! Com o arrependimento só lamentamos o que aconteceu no passado, mas você não pode retornar ao ponto de partida. Ainda bem existem, felizmente, em certas relações e alguns erros situações em que um  pedido de desculpas serve como um Ctrl + Z, e as coisas ficam praticamente como eram antes de realizar a ação de "desfazer".

Similar à opção de desfazer, temos, entre os novos recursos que nos foram ensinadas pela informática, a opção para "restaurar arquivos a partir dos backups". "Olha, me confundi e deletei certos dados inadvertidamente e quero ver se é possível recuperá-los a partir do backup". Ah! O backup. Nem todas as ações que praticamos em nossas vidas são armazenadas em uma  cópia de segurança, um backup e no entanto, isso é algo que começa a se estabelecer como expectativa na sociedade humana.

Então que entre ser capaz de desfazer o que fazemos e além disso deixarmos tudo armazenado para recuperação quando quisermos, poderemos também caminhar bastante tranquilos pela vida. Ah! Se alguém tivesse inventado algo assim para a vida em geral quase se poderia dizer que estaríamos vivendo na sociedade como em Matrix?

 Hum! Eu começo a pensar que a não existência de um "Ctrl + Z" ou de um "Back-Up" para recuperar qualquer coisa do passado" também tem suas vantagens. Pelo menos assim fará sentido para a palavra "compromisso".



14 de abr. de 2020

Ciência e Temperança pelo espírito Emmanuel

Gosto das leituras espíritas de autores consagrados pela doutrina. Chico Xavier (que psicografou) e o espírito Emmanuel estão nesse panteão. O livro referido no texto abaixo tem o título de "Vinha de Luz". 
Leio-o com frequência e gosto de abrir as páginas ao léu e nesta semana o texto "escolhido" foi o que está abaixo. Comecei a ler e imediatamente identifiquei que poderia ser referido a essa divergência - apaixonada - que predomina entre a ciência e a economia na forma de administrar os efeitos da pandemia. Isolamento social total ou controlado? Vertical ou horizontal? Economia ou Ciência? Medicina ou políticas?
Sem entrar nos méritos das posições divergentes - ferreamente abraçadas  por seus defensores - é minha opinião que não está correto se colocar nos termos de uma "Escolha de Sofia" a questão vital quanto o é a estratégia para enfrentar essa pandemia, tão perigosa quanto letal, que assola o nosso planeta. 
No meu modo de ver, o texto, sempre sábio, do espírito Emmanuel (de 1996) parece ter sido escrito sob medida para o tempo atual e chama à razão os envolvidos, seja no Brasil, seja nos outros países do mundo, onde ocorre o mesmíssimo dilema.  
Espero que no meio das paixões - que tiram o foco do que é necessário para combater a pandemia - surja a luz da temperança para iluminar as sombras das vaidades.

Ciência e Temperança

"E à ciência, a temperança; à temperança, a paciência; à paciência, a piedade." - (II PEDRO, 1:6.)
Quem sabe precisa ser sóbrio.
Não vale saber para destruir.
Muita gente, aos primeiros contactos com a fonte do conhecimento, assume atitudes contraditórias. Impondo idéias, golpeando aqui e acolá, semelhantes expositores do saber nada mais realizam que a perturbação.
É por isso que a ciência, em suas expressões diversas, dá mão forte a conflitos ruinosos ou inúteis em política, filosofia e religião.
Quase todos os desequilíbrios do mundo se originam da intemperança naqueles que aprenderam alguma coisa.
Não esqueçamos. Toda ciência, desde o recanto mais humilde ao mais elevado da Terra, exige ponderação. O homem do serviço de higiene precisa temperança, a fim de que a sua vassoura não constitua objeto de tropeço, tanto quanto o homem de governo necessita sobriedade no lançamento das leis, para não conturbar o espírito da multidão. E não olvidemos que a temperança, para surtir o êxito desejado, não pode eximir-se à paciência, como a paciência, para bem demonstrar-se, não pode fugir à piedade, que é sempre compreensão e concurso fraternal.
Se algo sabes na vida, não te precipites a ensinar como quem tiraniza, menosprezando conquistas alheias. Examina as situações características de cada um e procura, primeiramente, entender o irmão de luta.
Saber não é tudo. É necessário fazer. E para bem fazer, homem algum dispensará a calma e a serenidade, imprescindíveis ao êxito, nem desdenhará a cooperação, que é a companheira dileta do amor.
Autor - Espírito Emmanuel - Psicografado por Chico Xavier - Livro Vinha de Luz. - Editora FEB, 1996. Capítulo 112.

24 de mar. de 2020

Impasse tremendo na gestão da crise do Corona Vírus.





Estou começando a observar, no noticiário e nas redes sociais, uma mudança no comportamento do governo e das elites, em conjunto com o setor produtivo, sobre o que está sendo chamado de "travamento" do país.

Várias manifestações desse agrupamento estão defendendo que as medidas protetivas da população contra o Corona Vírus, tipo fechamento de shoppings, restaurantes, academias, cinemas e outras que tais, vai "matar" mais gente do que deixar o Corona "andar livremente" nas aglomerações de pessoas que naturalmente se formarão nos pontos comerciais e nos terminais rodoviários. 

Duro dilema. Ou se deixa o vírus contaminar  (quase) à vontade a população ou se deixa a economia mais livre para se movimentar e garante-se o emprego sob o risco do que uma pandemia dessas causa nas pessoas. O que você, leitor, faria?

Particularmente sou pela quarentena e pelo confinamento das famílias. Alega-se risco de saques e tumultos sociais, mas não há sinalização comprovada disso, no momento. são avaliações. Não seria um argumento desses que me faria mudar de posição.

Sou favorável, em certa medida e com gerenciamento, ver um período suportável de recessão e de desemprego (que já às portas), do que ver pessoas morrerem porque lojas, restaurantes, shoppings e estádios precisam ficar abertos e liberados para seus negócios. É duro dizer isto, mas sou pela preservação de vidas em qualquer circunstâncias.

É dificil, reconheço, para os empresários, principalmente os pequenos, ver seus negócios derreterem literalmente. Todavia trata-se de uma escolha; e escolha de governos, de lideranças. Espera-se que estes mesmos governos e líderes,  consigam encontrar soluções criativas para apoiar o sistema produtivo sem deixar a população simplesmente à mercê do COVID-19.

Não entendo por que os institutos especializados não promoveram pesquisas para perguntar ao povo o que ele conhece dos efeitos e consequencias de ser contaminado pelo Corona Vírus e qual a escolha que faria. O que percebo é que grande parte da população não está plenamente informada das suas opções se houver contaminação em massa.

Há um outro viés que cabe nesse contexto. Até aqui (24 de março) nos (ainda) poucos debates sobre o assunto, percebe-se que os "empresários" não apresentaram soluções. Jogam tudo no colo do governo. Esse importante segmento ainda está tímido, embora e felizmente, crescendo. É fundamental que os grandes grupos economicos entrem com tudo nesse "esforço de guerra" que o país enfrenta. Ainda não vi nada significativo. Se existir ainda não foi notado pela população.

Essa discussão, quarentena x economia, começa a tomar corpo e vai pontuar o noticiário daqui a muito pouco tempo. Vamos ver como a sociedade e o governo se comportam. Vai ser uma luta renhida. Espero que consigam o meio termo. Já dizia Aristóteles que "A virtude está no meio".