4 de dez de 2008

São Paulo e Vasco da Gama: O triunfo da boa gestão versus O preço das desordens e dos desmandos..


É desolador que os consultores e palestrantes mais afamados no circuito das apresentações corporativas utilizem pouco as metáforas que fazem analogias entre o mundo empresarial e o universo dos desportos, principalmente do futebol.

Creio que é puro preconceito.

Usar comparações de assuntos "sofisticados" como comportamento, liderança e motivação com as circunstâncias, fatos e exemplos do futebol "não parece, para aqueles "doutos", ser muito... inteligente e criativo. Com isto, creio, se perdem incontáveis oportunidades de transmitir conceitos, experiências e ensinamentos, que eles - os consultores - dominam com maestria, para o conhecimento (e entendimento) das classes sociais mais populares e distantes desse saber. Lá, naqueles estratos sociais, o futebol e outros esportes são realidades cotidianas.
Veja-se o exemplo do presidente Lula. Ele usa e abusa de comparações com o futebol e outros temas populares. Será de graça que sua popularidade seja tão expressiva? Notadamente nestas camadas mais populares? No entanto os espertos estão sempre criticando-o por usar "figuras de linguagem tão pobres". Mas que Sua Excelência se comunica com o povão é inegável.

Os "especialistas" preferem se utilizar, por exemplo, das alegorias com as orquestras sinfônicas, os laboratórios das grandes e sofisticadas pesquisas, os ambientes de projetos científicos avançados e outros segmentos que estão, todos, longe da compreensão da maioria de seus alunos e audiências; mas são "adequados" à cultura e brilho dos palestrantes e consultores.

É ou não é preconceito?
Eu não! Uso e muito as metáforas e simbologias entre as reações corporativas e aquelas - que nos chegam, facilmente, pelos noticiários de esportes (futebol principalmente, repito) - que são muito mais conhecidas e fáceis de compreender.

É que quero fazer neste post entre as situações de duas grandes e gloriosas agremiações esportivas do Brasil e do planeta. Falo - como vocês já devem ter visto pelos emblemas - de Vasco da Gama e São Paulo.


...X...


O São Paulo está prestes a conquistar um título inédito no campeonato brasileiro da série A. Um feito fantástico para a história daquela corporação. São três anos consecutivos de sucesso no seu negócio.
Do outro lado o Vasco da Gama. Agremiação com história e tradições tão ou mais gloriosas que o São Paulo e a maioria dos seus concorrentes. No entanto, está praticamente rebaixado para a divisão B do futebol brasileiro. Equivale, por exemplo, à Coca Cola perder seu mercado e passar a disputar seus clientes entre os consumidores das tubaínas (desculpem o exagero...).
Por que estas duas grandes corporações estão em situações tão diversas?

No ano passado foi outro grande clube brasileiro. O Corinthians, titã do futebol brasileiro. Dono da torcida mais fanática e fiel de todo o universo do mundo do futebol brasileiro (me descumpem os flamenguistas, mas é minha opinião) e quiçá do planeta.
Já que citei o "Coringão da Fiel" devo "empatar" esse placar entre os gloriosos e os abatidos. Cito - apenas de passagem - o caso do Internacional de Porto Alegre. Ontem o clube gaúcho conquistou a última taça que lhe faltava para completar a coleção, inédita, de ter sido campeão de todas as competições existentes e disponíveis para um clube brasileiro disputar. Eu disse todas. É um grande feito. Mas sobre o grande colorado dos pampas eu fico por aqui, neste texto, porque ele merece um post inteiro. Volto à comparação São Paulo e Vasco da Gama.
Quero provocar os leitores e curiosos sobre questões corporativas importantes que podem ser refletidas nesse case.
Alerto para a percepção dos danos e prejuízos, concretos e em longo prazo, que as administrações centralizadas, autocráticas e despóticas - como foi a do Vasco da Gama nos últimos anos - podem levar as corporações à falência. Inversamente, o São Paulo, que há muito tempo vem aplicando os preceitos modernos da gerência na sua administração, colhe em três anos consecutivos os maiores e espetaculares resultados entre todos os seus concorrentes.
No próximo final de semana enquanto um vai viver o pesadelo dos pesadelos, ameaçado em ter sua bandeira manchada pelo resto da vida, o outro deverá chegar ao topo da alegria de seus associados e torcedores se vier a conquistar um tri-campeonato, verdadeiro (porque consecutivo) e inédito, na rica história do futebol brasileiro.

Ambos terão merecidos seus destinos.

Administração não tem milagres, tem resultados. Serão positivos se ela for correta e eficaz e desastrosos se ferir os princípios universais da gerência, da liderança, da motivação e da sensatez.
Duvido que alguém, que não esteja ligado ao futebol, saiba o nome do atual e dos últimos presidentes do São Paulo. Por outro lado, o nome e a péssima imagem do (ex-eterno) presidente do Vasco da Gama são conhecidos de todos - dentro ou fora da corporação do futebol - pelos seus desmandos, truculências e atitudes indignas. Alguma surpresa ao se procurar entender as posições em que cada um dos dois clubes se encontra?
Pensem nisso quando estiverem empregados em empresas ou corporações que tenham em suas direções e nas suas histórias as mesmas trajetórias e principalmente os personagens como os aqui citados, sejam do Vasco da Gama ou do São Paulo. Nos últimos anos situações semelhantes e pelos mesmo motivos ocorreram com outros gloriosos clube brasileiros. Cito o mais recente - Corinthians - que amargou uma temporada na segunda divisão.
No universo das corporações empresariais e das administrações públicas também, os exemplos são muitos e conhecidos; principalmente quando as instituições são grandes e percebidas. Ocorrem-me os cases do Banco Santos, da Varig, da Transbrasil e do Banco Nacional, que era o patrocinador de Ayrton Senna, vejam só!

Contudo o número de fracassos por má administração no "clube" das pequenas e médias corporações é muito mais numeroso. O inverso também é verdadeiro. Empresas de sucesso são sempre bem administradas - sejam grandes, medianas ou pequenas - e para não deixá-las sem exemplos cito os mais recentes: Banco Itaú e Magazine Luisa.
Só para ilustrar, apresento abaixo a tabela de classificação do "Brasileirão". Destaquei em azul e vermelho as colocações e números das campanhas do São Paulo e do Vasco da Gama.

  • PS - Quero dizer aos leitores - os amigos já o sabem - que o Vasco da Gama é o meu time de coração. Sou vascaíno hereditário. Verdade! Vocês bem podem imaginar o sofrimento desse meu coração cruzmaltino.
  • Aproveito para dizer que se o Vasco se livrar da segunda divisão será uma demonstração de que milagres existem e nós, "sofredores à beira do desvario" teremos que colocar uma cruz de malta "nos altares de nossas orações". As minhas esperanças estão reduzidas a isto, um puro, simples e misterioso... milagre. Só Isto!


Classificação - .

Pos.

Time

PG

J

V

E

D

GP

GC

SG

1

São Paulo

72

37

20

12

5

65

36

29

2

Grêmio

69

37

20

9

8

57

35

22

3

Palmeiras

65

37

19

8

10

55

44

11

4

Cruzeiro

64

37

20

4

13

55

43

12

5

Flamengo

64

37

18

10

9

64

43

21

6

Internacional

54

37

15

9

13

47

44

3

7

Goiás

53

37

14

11

12

57

46

11

8

Coritiba

53

37

14

11

12

52

44

8

9

Botafogo

50

37

14

8

15

50

44

6

10

Vitória (BA)

49

37

14

7

16

46

44

2

11

Sport

49

37

13

10

14

44

42

2

12

Atlético-MG

48

37

12

12

13

50

59

-9

13

Fluminense

44

37

11

11

15

48

47

1

14

Santos

44

37

11

11

15

44

53

-9

15

Náutico

43

37

11

10

16

44

54

-10

16

Atlético-PR

42

37

11

9

17

40

51

-11

17

Figueirense

41

37

10

11

16

46

72

-26

18

Vasco

40

37

11

7

19

56

70

-14

19

Portuguesa

38

37

9

11

17

47

66

-19

20

Ipatinga (MG)

34

37

9

7

21

36

66

-30

PGJVEDGPGCSG
Pontos GanhosJogosVitóriasEmpatesDerrotasGols PróGols ContraSaldo de Gols

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