28 de ago de 2008

Olimpíadas no Brasil? Sem investimento no planejamento, pode esquecer.



Fiquei sem ter certeza se, ainda, valia a pena escrever sobre as olimpíadas. Afinal de contas, pela velocidade dos fatos globais, o grande evento que predominou por duas semanas na mídia mundial, já é página (quase) virada. Todavia o artigo da revista Época desta semana - clique no logotipo, abaixo - é uma lição de planejamento estratégico, tático e aplicado. Não dá para deixar passar em branco.
Por favor, quem não tem a revista, leia a mátéria (extensa) com "olhos de gerente". O que está colocado é o que se fala nas rodas de conversa entre os amantes dos esportes, entretanto, no frigir dos ovos, a mensagem é uma só. Aquela, definitiva: 'Resultado só se consegue com planejamento e execução na mesma sintonia.' O Brasil, será capaz de conseguir algo semelhante?
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As lições dos Jogos para o Brasil
O que o país precisa fazer para se transformar numa potência olímpica como China, Rússia, Grã-Bretanha – ou Jamaica
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..... Na pista, a Grã-Bretanha ganhou 12 medalhas no ciclismo. Chris Hoy levou três de ouro.
.....Ganhar mais de 40 medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos é fácil. Determine que todas as escolas de seu país descubram os alunos de 8 a 13 anos que mais se destacam nas aulas de Educação Física. Separe-os da família e interne-os em escolas de esportes até que atinjam a idade adulta. Distribua-os entre os esportes olímpicos em que têm mais chances de medalha olímpica.
.....Esse é, pelo menos, o modelo que funcionou para a China nos Jogos de Pequim. O Projeto 119, como foi batizado o programa que visava transformar o país na maior potência olímpica do planeta, se referia a 119 provas em que os chineses consideravam possível treinar campeões. O resultado foi visto nas últimas duas semanas. Em Atenas, 2004, a China ganhou 32 medalhas de ouro, em comparação a 36 dos Estados Unidos. Neste ano, o placar foi de 51 para os chineses, 36 para os americanos. A revista americana Sports Illustrated previra 49 ouros para o país-sede e 45 para os EUA.
..... O projeto chinês se concentrou em modalidades como ginástica artística, levantamento de peso, tae kwon do, tênis de mesa, badminton e vôlei de praia. Escolas como a Shichahai, de Pequim, onde treinam 600 jovens revelações do esporte chinês, se tornaram conhecidas no mundo inteiro. Segundo uma estimativa americana, há mais de 185 mil jovens chineses treinando em 1.800 centros esportivos. Desses viveiros saem, calcula-se, 20 mil atletas com potencial para se tornarem olímpicos. Antes mesmo dos Jogos, Jim Scherr, dirigente do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, já afirmava, com base nos resultados das competições internacionais que antecederam as Olimpíadas de 2008: “Os chineses estão nos varrendo da corrida pelas medalhas de ouro”.
..... Há quem tenha visto no exemplo chinês um modelo que poderia, ao menos em parte, ser aplicado no Brasil. É verdade que alguns aspectos – como a detecção de talentos nas escolas – poderiam ser adotados, bastando alguma organização e boa vontade. O problema do modelo chinês é que vários detalhes – como a necessidade de tirar as crianças do convívio dos pais para treiná-las em tempo integral – são inaplicáveis em outras culturas. Regimes totalitários têm mais facilidade para transformar seus povos em supercampeões olímpicos – tome os casos da Alemanha de Hitler, em 1936, da União Soviética, entre os anos 50 e 80 do século passado, e de Cuba. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, o esporte compete pela ajuda governamental com outras necessidades mais urgentes, como saneamento, educação e saúde.
..... Mesmo dentro da China, o rigor do programa de busca de medalhas não está isento de críticas. O caso do ídolo local Liu Xiang foi exemplar. Inesperado campeão dos 110 metros com barreiras nos Jogos de Atenas, em 2004, Liu sofreu com a esmagadora pressão do governo chinês para que repetisse o feito em Pequim. Tinha uma lesão na perna direita. O problema foi escondido do público, que chegou ao Estádio Nacional achando que veria seu herói conquistar a medalha de ouro e chorou ao vê-lo desistir da competição mancando e se contorcendo em dores. Entrevistado pelo jornal britânico Daily Telegraph, o primeiro treinador de Liu atribuiu o problema à pressão excessiva. “Ele se machucou devido à intensidade de seus treinos”, disse Gu Baogang.
..... Em vez da China, talvez o Brasil pudesse se espelhar no exemplo de outros países que tiveram bom desempenho nos Jogos de Pequim. A Grã-Bretanha, sobretudo. Em 1996, ela terminou os Jogos Olímpicos de Atlanta numa vexaminosa 36a posição no quadro de medalhas. Com apenas uma medalha de ouro, oito de prata e seis de bronze, ficou atrás de países como Brasil (três de ouro, três de prata e nove de bronze) ou Bulgária (três de ouro, sete de prata e cinco de bronze). Esse resultado, considerado escandaloso pela imprensa britânica, levou o governo John Major a mudar a legislação. Ele passou a destinar aos esportes olímpicos uma pequena parcela da arrecadação das loterias federais.
..... Em 2000, o Brasil terminou os Jogos Olímpicos de Sydney na não menos vexaminosa 52a posição no quadro de medalhas. Sem medalha de ouro e apenas seis de prata e seis de bronze, ficou atrás de países como Grã-Bretanha (11 de ouro, dez de prata e sete de bronze) e Bulgária (cinco de ouro, seis de prata e duas de bronze). Esse resultado, considerado escandaloso pela imprensa brasileira, levou o governo Fernando Henrique Cardoso a mudar a legislação. Ele passou a destinar aos esportes olímpicos uma pequena parcela da arrecadação das loterias federais.
..... Mais oito anos se passaram. Hoje a Grã-Bretanha é uma potência olímpica. Podia encerrar os Jogos de 2008 em terceiro lugar no quadro de medalhas. Ficou em quarto, com 19 medalhas de ouro (quatro a menos que a Rússia), 13 de prata e 15 de bronze. Em 11 anos desde o início do financiamento lotérico, o esporte britânico recebeu uma injeção de cerca de R$ 1,3 bilhão. Em sete anos desde o início do financiamento lotérico, o esporte brasileiro recebeu uma injeção de cerca de R$ 450 milhões. A Grã-Bretanha passou de 15 medalhas em Atlanta para mais de 40 neste ano. O Brasil continua o que sempre foi, um coadjuvante em Olimpíadas. Ganhou 15 medalhas em Atlanta, 12 em Sydney e dez em Atenas. Em Pequim, o Brasil ficou em 23a lugar, com três medalhas de ouro e 15 no total. Um avanço pífio num período de 12 anos.
..... “O esporte brasileiro vem evoluindo a cada ciclo olímpico, e aqui em Pequim esse crescimento está se confirmando. E essa avaliação não se faz apenas pelo número de medalhas”, afirma Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). A entidade adotou como critério de avaliação o número de participações de atletas brasileiros em finais olímpicas. Até o fechamento desta edição, a equipe nacional já fizera parte de 37 finais em Pequim, em comparação a 30 em Atenas 2004, 22 em Sydney 2000 e 20 em Atlanta 1996. O COB também cita “conquistas inéditas na história da participação brasileira em Jogos Olímpicos”. É o caso das primeiras medalhas de ouro na natação e no atletismo feminino, das primeiras medalhas de bronze no judô feminino e na vela feminina e da primeira participação do Brasil nas finais da ginástica artística feminina por equipes e individual por aparelhos.
(continua no próximo post)

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