22 de jul de 2008

Um líder deve assumir riscos ou não sobrevirá como tal.

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Vou iniciar pela "apresentação" do autor, C.K. Prahalad.
Coloquei entre aspas porque é muita pretensão querer apresentar "a maior estrela da americana Michigan Business School." Me louvo no próprio texto do artigo (publicado no ano de 2000) quando faz a tradicional mini-biografia do autor:
....... "Por causa da longa lista de candidatos, seus alunos são escolhidos por sorteio. A revista Business Week o descreveu como "o mais influente pensador sobre estratégias corporativas dos dias atuais". Apesar do risco de perder fama e dinheiro, Prahalad vai parar de ensinar por dois anos. Ele já assumiu, em San Diego, na Califórnia, o cargo de chairman da Praja, empresa de software que co-fundou em 1996. Esse não é o primeiro grande desafio que Prahalad assume em sua carreira: há 22 anos ele chegou a Michigan com o cargo de professor assistente e 25 dólares no bolso. "Estou me sentindo 20 anos mais jovem, de tão animado", diz ele.
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Obviamente hoje, em 2008 o Dr. Prahalad não deve estar mais à frente da Praja. Aliás, no próximo mês, agosto, estará em São Paulo, como conferencista do Fórum Mundial de Estratégia, promovido pela HSM nos dias 5 e 6.
Este artigo, escrito há 8 anos é, simplesmente, maravilhoso e continua atualíssimo.
Abordar, como faz o autor, o desgastadíssimo tema da liderança de uma forma inovadora, trazendo conceitos diferenciados e nos motivando a refletir sobre eles, só pode ser produto de uma pessoa especial, que sabe pensar e vê a vida um andar acima dos seres humanos comuns. Leia um breve trecho:
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[...] "Um líder precisa de grandeza. Essa é uma qualidade que pode ser conquistada e preservada. Basta que você encoraje a desobediência, descubra o que outros não sabem, expanda seu conceito de negócios, crie um novo capital estratégico, cace as vacas sagradas das organizações, redefina os seus interesses e balanceie a autoconfiança com a humildade. Muitos líderes escapam da grandeza porque incorrem em patologias comuns." [...]
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Acho que posso parar de escrever por aqui e convidá-los a ler o artigo (recomendo copiar para colocar naquela sua pasta dos "arquivos implacáveis" para leituras futuras).

Assuma o risco
(Por C.K. Prahalad )

"Os executivos de sucesso da nova era serão os que souberem esquecer o passado, gerenciar o presente e criar o futuro. Se você quer ser um deles, aprenda a fazer perguntas."
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. ......."Em cinco anos, 50% de tudo o que sabemos hoje será tóxico. A questão é saber qual metade devemos esquecer. O papel fundamental dos líderes do futuro será gerenciar o presente, esquecer seletivamente o passado e dar combustível para o futuro. Não poderão simplesmente deixar de fazer o que fazem hoje e começar algo 100% novo. Terão de proteger o negócio atual e, ao mesmo tempo, conduzir a empresa para uma nova fronteira. Por que empresas fabulosas perdem a liderança do mercado? Porque não conseguem escapar do passado ou porque não conseguem criar o futuro. O mesmo vale para os profissionais.
.........Se você quiser ser um líder dessa nova era precisará criar o futuro desde já. Aprenda com o passado, mas saiba qual parte dele deve esquecer. Assim, o futuro será conhecido e você poderá se planejar para 90% das contingências. Só planeja o futuro, porém, quem consegue ser flexível. Eu comparo o presente a uma orquestra sinfônica e o futuro, a uma orquestra de jazz. A orquestra de jazz improvisa. Há um entendimento mútuo de cada um dos músicos, sem necessidade de partitura. A administração do futuro vai sair do estilo do maestro de uma sinfônica para o do maestro de uma banda de jazz. O executivo da nova era terá de ter mais flexibilidade para mudar e maior tolerância com as diferenças.
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SEJA UM PENSADOR SOLITARIO
Aprenda a importância do não-conformismo. Pergunte-se sempre "por que não?" diante de verdades preestabelecidas. Esqueça que você é um adulto. Apenas faça perguntas. Por que o céu é azul? Por que os supermercados têm caixa especial para quem gasta 15 dólares e me deixam numa fila de meia hora quando gasto 300 dólares? Questione-se a respeito de como transformar desvantagens em vantagens. Foi com uma pergunta desse tipo que nasceu a foto com revelação instantânea da Polaroid. O filho de um executivo da empresa perguntou por que não podia ver a foto na hora em vez de esperar a revelação. Uma pergunta simples, não é? E foi ela que deu a idéia que revolucionou a Polaroid.
Uma das conclusões fundamentais a que todas as multinacionais chegaram é que os pobres não são consumidores. Mas, se você olhar para uma empresa como a Gessy Lever, verá que ela está ganhando dinheiro com um detergente vendido no Nordeste do Brasil, a região mais pobre do país. Alguém na empresa algum dia teve a coragem de perguntar: "Por que não desenvolvemos um produto com custo baixo o suficiente para ser comprado pela população pobre?"
Liderança é pensar diferente. De outra maneira, seria "seguirança". Se você quer ser um líder, precisa encontrar um caminho único para si mesmo. Isso significa ter imaginação, curiosidade, coragem, compromisso com as pessoas e profunda paixão pelo que faz. Habilidades analíticas são importantes, mas se você não souber que caminho seguir, como poderá fazer uma boa análise? Criar seu próprio caminho é como fazer um passeio pela Floresta Amazônica. Não existem trilhas nem mapas. Você precisa criá-los, aprender a sobreviver sozinho. A isso eu chamo "pensador solitário". Você não pode temer a crítica de outras pessoas. Não pode ter medo do desconhecido.
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VÁ PARA A ZONA DE DESCONFORTO
Para aprender a pensar por si mesmo, é necessário ser intelectualmente curioso. Isso é muito mais fácil dizer do que fazer. Veja o meu caso. Eu costumo falar para os meus alunos que eles devem experimentar. Mas como vou ter credibilidade se eu não experimentar na minha própria vida? Por isso, estou saindo de licença da universidade para tocar a minha empresa. Até agora, eu ia lá uma vez por mês. No começo deste ano, porém, decidi que quero ter responsabilidades pela operação. Você não pode ser intelectualmente curioso se não se submete ao que eu chamo "zona de desconforto". A troca que estou fazendo não representa um risco financeiro. Estou arriscando minha reputação. Isso é desconforto.
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INSPIRE OS OUTROS
Muitas pessoas têm ambição. Tudo o que um líder pode fazer é mostrar as oportunidades e encorajar as pessoas a perseguir sua ambição. Uma maneira de encorajar é contar histórias sobre outras pessoas que realizaram seu sonho. Recentemente, convidei uma ex-aluna para contar à minha nova turma o que ela tinha feito desde que se formara no MBA, dois anos antes. Ela trabalha no departamento de pesquisas da Ford, num cargo de iniciante. Sua tarefa: estudar o mercado de carros para jovens entre 18 e 30 anos. Quando começou a pesquisa, minha ex-aluna ousou fazer uma pergunta: por que nosso marketing só foca as pessoas com mais de 18 anos de idade? Por que não planejar o marketing da Ford para conquistar crianças a partir dos 5 anos?
Com uma simples pergunta, ela provocou um grande impacto numa empresa monstruosa. As crianças não podem comprar nem dirigir um carro, mas nessa idade elas decidem de que modelo gostam. O resultado é que todo mundo sabe o nome da minha ex-aluna e o que ela faz na Ford, incluindo o presidente mundial Jack Nasser, com quem ela já teve várias reuniões. A vida era fácil para minha ex-aluna? Não. Durante o MBA, ela estava grávida do primeiro bebê. Quando ela retornou para contar sua história, dois anos depois, ela havia tido outro bebê três dias antes. Essa jovem mulher de 28 anos é uma inspiração para todo mundo que quer fazer diferença. Se ela fez isso, por que você não pode?
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DÊ ENFASE À MUDANÇA
Transformação requer inovação. Mas sem o engajamento de toda a organização, sem negociação de valores, crenças e habilidades não acontece a mudança. Oitenta por cento das oportunidades nas grandes empresas estão engavetadas porque as pessoas não compartilham a mesma visão. Assim, ninguém consegue realizar as mudanças.
Nenhuma empresa vence somente com a superioridade tecnológica. Estamos evoluindo para um cenário de ficção científica. Num futuro muito próximo teremos câmeras por todos os lados, no celular, no PC e até na própria TV. Um dos grandes impactos que sofreremos será provocado pelas chamadas ciências da vida, como a biotecnologia, a genética e os estudos do cérebro. O homem viverá 120 anos sem precisar tomar medicamento algum. Poderemos implantar câmeras no coração das pessoas e dizer como elas andam. Isso irá acontecer dentro de 5, 10, 20 anos. Você consegue imaginar o impacto que isso terá na maneira como fazemos negócios?
A qualidade é importante, mas não faz mais a diferença. Lançar produtos também é importante, mas não essencial. Afinal, cedo ou tarde todos os seus concorrentes irão fazer igual. O diferencial competitivo será a velocidade de reação da empresa e de seus executivos. Não há desculpa para um executivo que não reage até dois dias depois de um fato ter ocorrido. Ele tem de ter a capacidade de mudar as relações e o que está acontecendo dentro da organização, além de traçar novas estratégias. Não importa se você é de uma empresa pequena. O que importa é você ser rápido, esperto e ágil.
As pessoas não se preocupam com mudanças. Elas se preocupam com as conseqüências econômicas delas. Temos de garantir que as mudanças não terão resultados ruins. As mudanças criam problemas também porque exigem que as pessoas aprendam coisas novas. E sem conhecimento fica difícil mudar. Por isso, as empresas têm de investir em treinamento de cima para baixo. Eu conheço muitos presidentes de empresa que não sabem navegar na Internet. Como eles vão entender como a Web vai mudar seu negócio? Para dar ênfase na mudança você precisa mudar primeiro. Deve partir da simples análise para adquirir a capacidade de sintetizar dados; ir da defesa do mercado para a criação de mercados; da eficiência para a inovação; da formulação de estratégias para as respostas rápidas; sair do pedestal reservado aos executivos e implantar a descentralização.
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ALIMENTE A IMAGINAÇÃO
Force-se a realizar coisas que você não sabe como fazer e para as quais não tem recursos suficientes. Prefira sempre aumentar a aspiração em vez de os recursos. Siga o exemplo de Sam Walton, Larry Allison e Bill Gates. Todos começaram com baixos recursos, mas com altas aspirações. E o mais importante: souberam compartilhar suas aspirações. Eis aí a essência do empreendedor. Quando você tem mais aspirações que recursos, o resultado é a inovação. Mas, se tem mais recursos que aspirações, vai estagnar.
Você não terá seguidores se não tiver aspirações, foco no negócio, cultura com princípios elevados, estilo de confrontação intelectual (debate aberto), objetivos compartilhados e gerenciamento da crise e do sucesso. As pessoas com altas aspirações conseguem causar impacto no sistema. Não se deixam impactar.

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TORNE-SE UM ATIVISTA
Um ativista é uma pessoa que quebra barreiras. Todas as empresas falam, por exemplo, sobre diversidade. Mas o que elas fazem quando colocam pessoas diferentes juntas? Transformam-nas em iguais. Fazem-nas seguir os mesmos padrões de comportamento, chegar na mesma hora, orientar-se pelas vontades dos chefes. Não há algo errado aí? Outra coisa: a maioria das pessoas usa as técnicas de networking para a promoção pessoal. Isso é terrível, porque 90% das pessoas não são estúpidas. Você deve usar os seus amigos para promover os objetivos da companhia. Meu ponto é: quanto mais estiver focado em você mesmo, mais longe você estará do sucesso. Um ativista não se deixa levar pela cartilha fácil da diversidade e do networking. Ao contrário. Compartilha objetivos e tem obsessão por vencer. Você pode ser um ativista:
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Se tiver capacidade de analisar os dados disponíveis, fará melhor que os outros. Mas se for capaz de enxergar o que vai acontecer no futuro, será um ativista.
Se você enxergar uma oportunidade e usar os recursos disponíveis, será melhor do que os outros. Mas, se não se constranger com a falta de recursos e usar a imaginação, será um ativista.
Se souber avaliar as ferramentas disponíveis, será melhor que os outros. Se souber usá-las para criar novos horizontes, será um ativista.• Se ampliar um negócio já existente, será melhor que os outros. Se criar um novo negócio, será um ativista.
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EVITE A TENTAÇÃO DE SER DEUS
Um líder precisa de grandeza. Essa é uma qualidade que pode ser conquistada e preservada. Basta que você encoraje a desobediência, descubra o que outros não sabem, expanda seu conceito de negócios, crie um novo capital estratégico, cace as vacas sagradas das organizações, redefina os seus interesses e balanceie a autoconfiança com a humildade. Muitos líderes escapam da grandeza porque incorrem em patologias comuns:
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1. Mensageiros sem cabeça.
Problema: o sucesso imuniza os líderes contra as notícias ruins.
Solução: honestidade e humildade dos altos executivos.
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2. Clones e clãs.
Problema: falta de diversidade nas experiências.
Solução: socialização.
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3. Liderança arrogante.
Problema: falta de habilidade de aprender com os outros.
Solução: humildade.
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Lembre-se de que o processo que nos leva à ação, à mudança e à liderança implica em acreditar no que se está fazendo. É claro que você também precisa da capacidade de realizar, de mostrar resultados. Sem fé, porém, você não vai adiante. Vai viver do passado. Não vai construir o futuro
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NOTA: Leia o artigo original no site: VOCÊ S.A. - Artigos - Assuma o Risco
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