29 de jul de 2008

Ambição, até onde vai a sua?

....................................................................

Quem me acompanha já sabe que sou um leitor assíduo do site e da revista "Vida Executiva" . Na minha opinião é a melhor revista com foco em assuntos do interesse das mulheres, no mundo corporativo.
Tenho uma coleção de artigos, da revista, selecionados para publicar no blog, atendendo à corporação feminina que, cada vez mais, demanda por conhecimento gerencial e liderança.
Este artigo trata de um tema poucas vezes abordado. A ambição das mulheres como seres vivos e atuantes do mundo corporativo.
Aos homens é permitido e mais que isso, é exigido que tenham ambição, que lutem por posições, que tenham aspirações cada vez mais crescentes nas carreiras. E das mulheres? O que se exige delas como players do jogo corporativo do poder? Ou seria mais correto dizer, o que se permite a elas? É disso que a autora do texto, Margareth Boarini (jornalista que escreve para diversas revistas femininas) procura desvendar. Eu achei o artigo ótimo e espero que vocês - principalmente a ala feminina da Oficina de Gerência (alô, alô Jaqueline, Ethel, New e Georgia?) - gostem também.
.
°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°

Ambição, até onde vai a sua?
(texto: Margareth Boarini) .
.
Reflita sobre sua trajetória profissional, o caminho que trilhou até aqui e o cargo que ocupa hoje. Pense e responda: essa posição é fruto de um processo natural ou resultado de uma programação organizada?
.
.......... "Você diria que tem consciência de ser uma profissional ambiciosa e que planeja cada degrau de sua carreira? Não tenha medo de responder. Ambição, palavra que vem do latim, expressa, segundo o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, o desejo veemente de alcançar aquilo que valoriza os bens materiais ou o amor-próprio; desejo de alcançar um objetivo. Embora muitas pessoas hesitem em usar o vocábulo por considerá-lo pejorativo, ter ambição é fundamental para fazer os sonhos se tornarem realidade. E, acredite, é também uma palavra positiva.
(clique na imagem para ver os créditos à Gettyimages)...........
"Ambição é fruto do ego, faz parte do querer algo mais e é isso que faz as pessoas viverem. Por isso mesmo, todo mundo tem", enfatiza o consultor Robert Wong, sócio-diretor da P and L (Partnership and Learning), de São Paulo, e membro do conselho consultivo da Korn Ferry, multinacional de recursos humanos. "A ambição se torna ruim quando vira exagero, como tudo na vida", sentencia o especialista Wong.
.......... Uma discussão, entretanto, desponta hoje no universo corporativo e questiona se a ambição profissional feminina, de fato, existe na mesma proporção que a masculina e se realmente há alguma diferença entre elas.
.......... Na avaliação da professora Ana Ikeda, coordenadora do MBA de Marketing da FEA/USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo), não restam dúvidas de que a mulher tem, sim, ambição profissional. O fato de ela ter de lutar para conquistar seu espaço e ganhar respeitabilidade num mercado de trabalho, que historicamente sempre foi masculino, atesta isso. "Dez anos atrás, a figura masculina era predominante no mundo corporativo, hoje a proporção está quase meio a meio, com tendências de crescimento para o lado feminino", diz ela.
.......... A afirmação da acadêmica da USP sobre a existência da ambição feminina encontra eco junto a Adriana Tieppo, recém-nomeada diretora de recursos humanos da Boehringer Ingelheim, para quem "a mulher é ambiciosa". Como esse é um assunto que passa longe de encontrar consenso, profissionais do mercado divergem sobre as eventuais divergências entre ambição feminina e masculina. "Para mim, não há diferenças. A ambição profissional não é uma questão de sexo, mas depende de cada um. Acredito que tudo é conseqüência do empenho empregado ao longo de uma carreira", afirma de forma enfática Adriana Tieppo.

"Se a mulher for suficientemente ambiciosa e, ao mesmo tempo, determinada e talentosa, não há praticamente nada que não possa realizar" Helen Sawrenson (Escritora Americana, 1904-1982)
.
.......... Também taxativa, mas no time contrário, Maria Cecília Antunes de Souza, diretora da Impacta Tecnologia, de São Paulo, com forte atuação na área de treinamento, acredita que as distinções existem. "Para a maioria dos homens (ou quase), a ambição é racional, voltada para a obtenção de cargos e poder, enquanto (quase) a maioria das mulheres ambiciona o bem-estar, o ambiente que também atende ao outro, sem desprezar, claro, as metas da empresa", afirma.
.......... As duas executivas, no entanto, concordam que o processo que vivemos atualmente está em mutação. Segundo Adriana, esse período atual é de aprendizado. Sinaliza uma transição na sociedade marcada por um conflito saudável. "Assim como a mulher foi forçada a adquirir determinadas características masculinas no ambiente empresarial, como a racionalidade, os homens também têm aprendido a exercitar a emoção." O ideal, acredita Maria Cecília, é sempre manter um equilíbrio na administração, com homens e mulheres.
.......... No Hospital e Maternidade São Luiz, onde dois terços dos cargos de chefia são ocupados por mulheres, as variações entre objetivos femininos e masculinos também são notadas. Nelson Alvarez, gerente de recursos humanos, acredita que o ingresso e a crescente participação da mulher no mercado de trabalho vêm forçando as empresas a gerenciar essas diferenças para incrementar a produtividade. "A cada dia mais mulheres assumem postos estratégicos dentro das companhias e isso possibilita mudar sua concepção estrutural e cultural", garante Alvarez. Ele cita algumas características femininas, que torna sua ambição diferente da masculina:
  • flexibilidade
  • sensibilidade;
  • tato na negociação.
.......... "O homem, culturalmente, teve sua formação direcionada para ser o provedor e é da sua natureza não medir esforços para conseguir seus objetivos. A mulher contorna e negocia a situação, porque foi formada para cuidar do outro." Por isso, no Hospital São Luiz, as mulheres respondem, ao contrário da maioria das empresas, por dois terços das chefias. "Somos uma empresa dedicada a cuidar", justifica Alvarez.
.
Pagar um alto preço
.......... Direcionar a carreira para alcançar altos postos, porém, tem seu preço. "Sabiamente, nem todas as mulheres querem pagar este preço para ter uma jornada de longas horas sob pressão, distante dos filhos e da família. Os homens dizem que querem mas, ao final, percebem quanto custou ter estado longe dos filhos e com pouca qualidade de vida. É o exagero. Acredito que a geração mais jovem busca um equilíbrio e tende a rejeitar comportamentos extorsivos", afirma Robert Wong.
......... Quando está inserida no mundo corporativo, ambicionar ora um cargo melhor ora respeitabilidade e reconhecimento, muitas vezes, leva a mulher a transformar sua postura e até "restringir" a feminilidade. "Depois que a mulher entra no cenário empresarial, parece ser contagiada pelos mesmos 'bichinhos dos homens'", afirma o gerente de RH do Hospital São Luiz. Para a professora Ana Ikeda, da USP, a explicação é simples: ainda existe preconceito e, às vezes, a mulher precisa agir até de forma mais agressiva para se impor e conseguir administrar melhor seu extenso leque de tarefas, de profissional, mãe e dona de casa. "A mulher precisa saber acomodar a vida pessoal com a de trabalho e aprender a nunca abordar os problemas pessoais no ambiente corporativo para não ser mal interpretada", explica Ana. Para Maria Cecília Antunes de Souza, na maioria das vezes, não resta mesmo outra saída se não a de agir firmemente, reservando o lado feminino apenas para a vida pessoal. "É necessário um certo grau de imposição, mesmo", acredita.
.......... Para a diretora da Boehringer Ingelheim, porém, a imagem de uma executiva agressiva e austera apenas para se impor perante a equipe não combina com a mulher. "O lado feminino é importante. É bem-vinda uma postura séria, por exemplo, para vestir-se. Adotar um estilo que imite o masculino, porém, não é bom", afirma Adriana. Conclusão: viva a diferença!
.
Elas têm vergonha de externar sua ambição. Por quê?
.......... Em algum momento, você se verá impostando a voz, reforçando certos músculos do rosto e vestindo um terninho. Mas não há como negar que você é mulher. Anna Fels, psiquiatra norte-americana, desenvolveu um estudo sobre a ambição feminina e lançou o livro Necessary Dreams: Ambition in Women´s Changing Lives. As afirmações da médica não se adequam a todas as mulheres: você poderá dizer que, no Brasil, é diferente. A leitura porém, levanta questões inerentes ao universo feminino mundial. Por exemplo:
  • "...Logo percebi que, embora o grupo articulado e educado de mulheres que entrevistei pudesse discorrer de forma calma e convincente sobre tópicos que iam de dinheiro a sexo, quando o assunto era ambição, o nível de intensidade dava um salto quântico. Elas abominavam aquela palavra. Para elas,'ambição' implicava vaidade, egoísmo, autopromoção ou a defesa de interesses próprios. Nenhuma delas admitia ser ambiciosa. O refrão constante era do gênero: 'Não sou eu, é o trabalho'. 'Faço isso para ajudar crianças'. 'Odeio me promover, preferia estar sozinha no meu estúdio'."
  • "...Seria fácil considerar tais comentários como mero jogo de cena, não fosse por dois fatos. Primeiro, homens não falam dessa forma (os que entrevistei consideravam a ambição uma parte desejável de suas vidas). Segundo, essas declarações não foram casuais. Era patente que aquelas mulheres, todas bem-sucedidas, tinham medo. Mas medo de quê?"
  • "...Não há evidência de que o desejo de adquirir habilidades e receber afirmação por realizações seja menos presente na mulher do que no homem. Por que, então, encontramos entre os sexos diferenças tão drásticas quanto ao modo como cada um cria, e realiza (ou abandona), suas metas?"
  • "...Hoje, elas têm mais oportunidades de buscar suas metas. Mas isso só é socialmente tolerado se tiverem primeiro satisfeito as necessidades da família."
.
Depoimento de Elaine Ferreira
(diretora-geral para a América Latina, da Altitude Software)
.
Sonhos: a hora da renúncia.

........... "Tudo na minha vida aconteceu muito cedo. Eu me formei na FGV (Faculdade Getúlio Vargas, São Paulo) e logo comecei a trabalhar no Banco Santander. Foi uma experiência muito rica, onde tive a oportunidade de me relacionar com muitas empresas. Um dos clientes, a Americel, operadora de telefonia, me fez um convite para trabalhar em Brasília. Não pensei duas vezes: deixei para trás minha família, o namorado, o apartamento que eu tinha acabado de comprar e estava montando. Se a gente muda para outra cidade e não consegue deixar, de verdade, a vida para trás, não se adapta nunca.
.......... Em 2002, a empresa foi comprada e queria que eu mudasse para o Rio de Janeiro. A oportunidade de trabalho era excelente, mas resolvi que era hora de voltar para São Paulo. Recebi uma proposta da Altitude Software, empresa especializada em desenvolvimento de soluções para callcenter. No ano seguinte, fui promovida a CEO e, pouco depois, recebi um convite para trabalhar na sede, em Portugal. Embora fosse um desafio, não topei. Achei que poderia contribuir mais se continuasse no Brasil. A matriz concordou e logo depois recebi outra promoção: agora controlo as operações em toda a América Latina.
.......... Acredito que a decisão de abdicar de minha vida pessoal por um tempo tenha agilizado minha carreira. A maioria de meus colegas de turma está em nível de gerência. Eu sou diretora de uma empresa importante. Hoje, mesmo que o convite fosse sedutor, imagino que não abandonaria mais minha vida pessoal para aceitar. Tive a sorte de encarar esses momentos de decisão quando eu era muito jovem e as renúncias não eram tão sérias. Hoje sou mais pé no chão. Estou quase casada e penso, breve, em ter filhos."
.
Nota Técnica: leia o artigo no contexto dá página onde está publicado, clicando no link Vida Executiva -Ambição, até onde vai a sua?
.
==================================================

2 comentários:

  1. Muito bom, bom mesmo o post. Ambição e equilíbrio, eis a receita, né?
    Beijos doces em vc.

    ResponderExcluir
  2. Olá New,

    Que bom vê-la comentando no galpão da Oficina. Ele fica mais iluminado quando a vejo navegando aqui.
    Também gostei muito do artigo. Não existem - apesar da forte presença da mulher - muitos artigos dirigidos às suas presenças no mundo empresarial. É por isto que promovo muito a revista "Vida Executiva" de onde retirei o texto.
    Adoro visitar o Estúrdio Blog's New (que está sempre em grau de excelência) e ver aquela linda joaninha (que aliás já "raptei" para minha coleção de imagens) e as borboletas. Seu blog é um luxo!
    Grato pela sua visita e pelo comentários.

    ResponderExcluir