14 de mar de 2009

Emprego informal, como promover a sua inclusão social?

Recomendo a todos os "habitantes do mundo corporativo" (ativos e inativos) que leiam o artigo deste sábado de César Maia.
Ele faz uma abordagem bastante informativa sobre uma preocupação que está presente nas mentes de todos nós que vivemos nestes tempos dificeis de crise economica mundial e muitos desempregos pipocando por todo o planeta.
Leiam dois pequenos trechos do artigo:
  • (...) "Que impacto terá a recessão de 2009/2010 na informalidade? Comparem-se os números de 2002/03/04 com 2007/08. No Rio, ela deve passar dos 22% para algo como 28%. Esses 6% significam um retorno à informalidade/subemprego de 180 mil pessoas. O saldo da informalidade voltará a ser de 840 mil pessoas." (...)
  • (...) "Num período de crescimento, a repressão à informalidade urbana induz à busca de emprego formal. Num período de recessão, estressa, alimenta os conflitos nas ruas, criminaliza. " (...)
Poucos economistas preocupam-se com a questão dos empregos informais em nossa sociedade. Até pela dificuldade de mensuração deve ser complicado definir politicas para os empregos informais.
Normalmente são apresentados em numeros e indices estimados e não passam disso. Todas as estrategias de governo - e é natural que assim seja - são dirigidas para os empregos formais. Para a corporação dos informais a politica unica é torna-la parte do agrupamento dos formais.
É desta questão, árida para ser mencionada e analisada pelos jornalistas especializados, que César Maia nos apresenta com sua experiência de economista e politico. Vale a leitura.



São Paulo, sábado, 14 de março de 2009




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(clique na imagem)
CESAR MAIA

O informal e o social!

A PARTICIPAÇÃO do trabalho informal não é simples de mensurar. Mesmo o IBGE não consegue precisá-lo. A diversidade do trabalho informal é muito grande. Uma coisa é fato: é parte integrante, substantiva e permanente do mercado de trabalho brasileiro.

Nesse sentido, as políticas de governo não podem ignorar o trabalhador informal/subempregado, especialmente numa época de crise. E não se trata de pensar em formalizar apenas, mas de saber como conviver minimizando a ilegalidade. Em 2005, o IBGE afirmou que a menor taxa de desemprego aberto do Rio não o diferenciava de outras capitais quanto à informalidade. Tomaremos essa como referência para essa análise.

O Instituto GPP, em pesquisas no Rio nestes dez anos, ao traçar o perfil dos eleitores, abre os dados além da amostragem tradicional (gênero, idade, instrução, renda).

Busca identificar a ocupação do entrevistado. Aqueles que se dizem desempregados ou que dizem viver "de bico", somados, são incluídos, com certeza, no campo da ocupação informal/subemprego, embora os que digam que "trabalham por conta própria", em parte, também sejam informais.

A população economicamente ativa (PEA) medida por pesquisa de opinião no Rio é pouco menor que 50% da população, o equivalente a três milhões de pessoas. O campo da informalidade (desempregado e bico) oscila com a conjuntura econômica.

Entre novembro de 2007 e de 2008, eram, em média, 22% da PEA - 660 mil pessoas. Entre 2002 e 2003 -anos recessivos-, esse número oscilou próximo a 30% e avançou assim até 2004. Mesmo com o crescimento econômico de 2005 e 2006, o declínio da informalidade foi menor do que o esperado, ficando na média de 27%. Somente a partir do segundo semestre de 2007 o crescimento econômico impactou a informalidade, reduzindo-a para 22% da PEA, chegando em novembro a 20%.

Que impacto terá a recessão de 2009/2010 na informalidade? Comparem-se os números de 2002/03/04 com 2007/08. No Rio, ela deve passar dos 22% para algo como 28%. Esses 6% significam um retorno à informalidade/subemprego de 180 mil pessoas. O saldo da informalidade voltará a ser de 840 mil pessoas.

Num período de crescimento, a repressão à informalidade urbana induz à busca de emprego formal. Num período de recessão, estressa, alimenta os conflitos nas ruas, criminaliza. As políticas públicas devem abordar esta disjuntiva e apontar caminhos de integração, neste período.

Se a informalidade no Rio não difere das demais capitais, apliquem-se às capitais, por regra de três, os números do Rio e avaliem-se os desafios de hoje dos governos, todos.

cesar.maia@uol.com.br

CESAR MAIA escreve aos sábados nesta coluna.


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