1 de mar de 2009

Novos paradigmas para o emprego. (Emílio Odebrecht - Folha de São Paulo)

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Este é um artigo importante que deve ser lido.

Emílio Odebrecht, que escreve esta coluna aos domingos para a Folha de São Paulo, desta vez traz para o seus leitores - visitantes da Oficina de Gerencia incluidos - um texto diferenciado.


A começar pelo título, que embora já seja quase um chavão, ao ser defendido por um empresário do porte de Odebrecht pode causar estranheza. Afinal de contas ele que é um dos maiores empregadores do Brasil. Sabe o que está dizendo.


Leiam um trechinho do artigo:

  • (...) "Isso significa que as oportunidades de trabalho estarão reservadas para quem tenha sido preparado não para obedecer ordens, mas para conquistar e satisfazer clientes e, como autêntico parceiro, se autorremunerar por meio de parte dos resultados que produzir." (...)

A idéia que ele defende é, atualmente, uma bandeira de campanha para educadores e empresários de vanguarda. É exatamente o que eu (e tantos outros brasileiros preocupados com o tema) defendo. O fim do "assalariadismo" (será que existe esta expressão? Acho que não, mas serve no momento. Licença poética...) é o eldorado que empresas e dirigentes mais modernos da área de RH buscam na mentalidade e no comportamento dos nossos jovens candidatos aos primeiros empregos.

Não conheço nenhum caso, em meus mais de 35 anos de estrada, de empregados que tenha trabalhado “pelo salário” que chegasse àquele ponto sem volta da carreira e ao olhar para trás se dissesse satisfeito com o que conquistou. São todos frustrados e achando que “vida ficou lhes devendo”. Certamente vocês também conhecem pessoas deste agrupamento.


Leiam o artigo com atenção, pois ele traz bom ensinamentos e pontos para discussão. É o melhor texto que Emílio Odebrecht escreveu desde que fez sua estreia na Folha.




São Paulo, domingo, 01 de março de 2009





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EMÍLIO ODEBRECHT

O fim do emprego
NOSSOS JOVENS universitários estão voltando às aulas. Isso me lembra que o principal desafio das instituições educacionais no mundo atual é oferecer aos estudantes a base que lhes permita transformar cada instante da vida profissional futura em uma oportunidade de aprendizado, de participação e de autodesenvolvimento, que é uma condição para o crescimento de cada um e das empresas às quais servirão.

Nesse sentido, as universidades precisam formar indivíduos críticos, capazes de conferirem riqueza, inovação e versatilidades às organizações que os atraiam, enquanto, simultaneamente, concretizam os planos de vida e de carreira que formularam para si próprios. Indivíduos que não tenham uma atitude passiva perante a própria história, porque o emprego e o salário cada vez mais deixarão de existir.

A nova economia não admite nem assalariados nem patrões. As empresas estão em busca de empresários dos conhecimentos, das habilidades e das competências que dominam, capazes de fazer acontecer, exercendo a liberdade com responsabilidade.

Isso significa que as oportunidades de trabalho estarão reservadas para quem tenha sido preparado não para obedecer ordens, mas para conquistar e satisfazer clientes e, como autêntico parceiro, se autorremunerar por meio de parte dos resultados que produzir.

Os resultados gerados têm que ser maiores do que as necessidades de sobrevivência da empresa e de quem os gerou, de modo que o excedente possa servir ao crescimento de ambos e à criação de novas oportunidades de trabalho, sedimentando ciclos de crescimento orgânico que se traduzam em processos contínuos de renovação de lideranças e de sucessão de gerações.

O que as organizações que atuam em ambientes negociais cada vez mais complexos e competitivos esperam é que seus futuros integrantes sejam preparados para ser protagonistas de atos e fatos que façam diferença, impulsionados pelas próprias forças e pela força das circunstâncias, com pensamento global e ação local, decidindo com eficácia e fazendo com eficiência, dotados de criatividade embasada no conhecimento e na intuição e de uma visão otimista do futuro.

Ao formar essa nova geração, nossas universidades atuarão como agentes de emancipação pessoal, estimuladoras da autonomia produtiva e vetores de uma nova consciência que refuta o tradicional conceito de emprego, altera o padrão de dependência do trabalhador perante o mercado e transcende as visões estreitas que preferem apostar no anacrônico conflito entre o capital e o trabalho.

EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingo nesta coluna.

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