11 de nov de 2008

Criatividade e simplicidade


Excelente artigo do professor Horácio Soares (leia sobre ele ao final do post). Parece coincidência, mas postei um pequeno vídeo que traz à luz, exatamente, a questão da criatividade em meio a um mundo "ordeiro" e acomodado. Quem opera, efetivamente, no mundo corporativo sabe que criatividade é uma característica muito rara entre os grupos de pessoas componentes de qualquer grupo ou equipe.

Embora a grande maioria das pessoas se veja como criativa e se identifique com todos os itens que são exibidos nas famigeradas, listas dos "livros" do tipo "Seja Criativo" a verdade é outra. Eu arriscaria dizer que a verdade é o inverso, ou seja, a maioria das pessoas não é criativa - pelo menos nos ambientes de trabalho - e pior, têm medo ou preguiça de explorar essa, digamos, habilidade.

Passei grande parte de minha carreira como executivo procurando sintomas de criatividade entre meus inúmeros colaboradores. Encontrei poucos e todos eles foram destacados e deram respostas positivas às expectativas que geraram. Por estas "passagens" que tive oportunidade de vivenciar tenho como princípio de liderança apostar "pesado" na criatividade. Tenho como certo que um colaborador criativo é aposta certa para o "hall da fama" entre os futuros executivos de sucesso. Se você, na sua equipe, tiver um subordinado no qual identifique características de criatividade não hesite em apostar nele e instigá-lo a colocar suas idéias em prática. É aposta ganha, pode acreditar.

Leiam o artigo do professor Horácio que enfoca, com rara objetividade, este tema tão relevante.


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Criatividade e simplicidade. (Horácio Soares *)

(clique sobre a imagem para saber sua origem)
No dicionário criatividade é a qualidade do criativo; capacidade criadora; inventividade.

Segundo uma das maiores autoridades no mundo em Pesquisa da Criatividade, Edward de Bono: “criatividade não é simplesmente uma maneira de fazer melhor as coisas. Sem ela, somos incapazes de fazer pleno uso das informações e experiências que já estão disponíveis e estão presas a antigas estruturas, padrões, conceitos e percepções."

Para Maslow, criador da famosa pirâmide que levou seu nome é: “atividade mental organizada, visando obter soluções originais para satisfação de necessidades e desejos".

Eu gosto de pensar que é a criação de soluções simples e originais para problemas complexos e aparentemente sem solução. Por isto, a frase que mais gosto é do músico Charles Mingos: “complicar o simples é fácil. Criatividade é tornar o complicado em simples".

Infelizmente o que acontece na maior parte das vezes é exatamente o oposto, soluções complexas que ao invés de simplificar nossas vidas, trazem mais problemas, burocracias e dificuldades.

Edward de Bono, em uma de suas últimas obras "Simplicity", fala da simplicidade como uma questão estratégica. Diz que "sem simplicidade, acontecem pelo menos duas coisas: Primeiro, a vida se torna mais complexa e as pessoas mais ansiosas. Segundo, não estaremos em condições de tirar vantagem de tudo o que o desenvolvimento tecnológico oferece. Portanto, a simplicidade se transformará num valor-chave ou central, ou seja, como projetar alguma coisa para que seja simples" (Entrevista para a revista HSM Management em abril de 2001).

Ainda nesta entrevista perguntou: “De que adianta uma super filmadora com milhares de funções se apenas 5% das pessoas conseguem usar mais de 10%?

Tudo deveria ser mais simples, as empresas, instituições, processos, equipamentos eletrônicos, Web Sites, Softwares, governos e principalmente as pessoas.

Idéias criativas podem resolver problemas com simplicidade.

Vejam um exemplo do que acabo de falar:

vaso sanitárioEu não gosto dos desodorizadores que ficam pendurados nas privadas dos banheiros e que servem para deixá-las limpas e com bom cheiro. Além de estética discutível, às vezes se soltam e ainda tem o contato físico para troca do refil.

Na casa da minha cunhada todas as descargas são do tipo que, após o uso, temos que aguardar alguns instantes até que o nível de água se encha, para só então, voltarem a ser utilizadas. Exatamente como na minha e em muitas outras casas no Brasil.

Muito bem, após usar o banheiro utilizei a descarga e reparei que a água tinha ficado azul e perfumada. Não entendi, procurei o desodorizador e nada? Ainda demorei alguns instantes até compreender o havia acontecido.

Ela teve o “insight” de colocá-lo dentro do recipiente onde a água da descarga é armazenada. Assim, toda vez que a descarga é acionada, a água fica perfumada.

Esta idéia me lembrou mais uma das célebres frases de Einstein: "Se no início a idéia não parecer absurda, não há esperanças para ela.”

Achei genial a solução e me perguntei: por que não pensei nisto antes?

Normalmente as idéias criativas são tão simples e obvias que ficamos com essa estranha sensação.

Bastou apenas um olhar diferente para o "problema", sobre um outro ponto de vista e pronto, surgiu uma solução simples e original. Não era perfeita e muito menos a mais econômica, na verdade foi uma improvisação, mas enfim, resolveu o problema dela e o meu por tabela.

Ela pensou diferente, fora dos padrões normais e solucionou criativamente o seu problema. O professor Edward de Bono chama este raciocínio de: “pensamento lateral”.

Para explicar, diz que podemos raciocinar de duas maneiras diferentes:

Verticalmente: “cavando cada vez mais fundo sempre no mesmo lugar". É quando insistimos em resolver problemas utilizando apenas com nossos conhecimentos e experiências.

Lateralmente: "cavando em outros lugares quando não achamos o que estamos procurando". Ou seja, é quando diante de um problema novo, desconhecido ou aparentemente impossível, damos asas à imaginação nos libertando das regras e amarras da nossa educação e sociedade.

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Horácio Soares é professor universitário e trabalha como Analista de Sistemas e Webdesigner de uma multinacional. horacio.soares@internativa.com.br

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2 comentários:

  1. Desculpe,

    vim ler sua postagem sobre adoção.

    Abraços.

    Eliana

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  2. Eugen Pfister12/11/2008 15:59

    Simpatizo com toda e qualquer campanha em prol da simplicidade. Mas sou suspeito, pois faço parte dos 90% da humanidade que só utiliza 10% dos botões e funcionalidades embutidas nos aparelhos eletrônicos.

    Jack Trout e Steve Rivkin no excelente O Poder da Simplicidade, enumeram as razões pelas quais as pessoas confundem complexidade com profundidade e simplicidade com ignorância. Um dos muitos exemplos citados é Shakespeare que quando escreveu Hamlet tinha 20 mil palavras com as quais trabalhar. Hoje há mais de 600 palavras do Webster’s Dicionary.

    Então pergunto: onde será que anda o novo Shakespeare nesse mundo de abundância semântica?

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