15 de fev de 2009

Mensurações das competências e habilidades profissionais experimentam novos paradigmas.




Este artigo é um dos mais interessantes que li nos últimos meses. Trata de um tema que é muito discutido no meio corporativo, mas aborda-o sob um prisma novo e diferenciado. Refiro-me aos "testes psicométricos" que começam a ganhar corpo nas avaliações de candidatos a postos de trabalho nas corporações.

Primeiramente quero situar o leitor que ainda não teve oportunidade saber do que se trata. Para melhor introdução ao assunto vamos relembrar o que é psicometria (no campo da psicologia). Segundo a Wikipédia:

  • Psicometria (do grego psyké, alma e metron, medida, medição) é uma área da Psicologia que faz a ponte entre as ciências exatas, principalmente a matemática aplicada - a Estatística e a Psicologia. Sua definição consiste no conjunto de técnicas utilizadas para mensurar, de forma adequada e comprovada experimentalmente, um conjunto ou uma gama de comportamentos que se deseja conhecer melhor.
  • Se tiver interesse em aprofundar um pouco mais o conhecimento clique aqui e aqui

Os testes psicométricos são uma novidade nas empresas brasileiras, mas já são utilizados no exterior com alguma regularidade. Obviamente (pelos custos mais altos) suas aplicações são mais dirigidas para as contratações de executivos nos níveis mais elevados das organizações. É ali, naqueles patamares onde as diversas competências - objetivas e subjetivas - precisam ser vasculhadas nos comportamentos, atitudes e valores de cada candidato.

O texto que a excelente repórter da revista Você SA, Fernanda Bottoni, nos apresenta é uma ótima introdução ao contexto dos testes psicométricos.

Pelo que pude pesquisar são vários tipos de testes. Cito alguns:

  • Teste psicométrico de Atenção Concentrada (AC e D2) e
  • Teste psicométrico de Raciocínio Lógico, verbal e matemático H.T.M.

Na matéria, a jornalista faz uma pequena entrevista com Paul Englert - psicólogo especialista em psicometria na OPRA (Occupational Psychology Research Associates) - na qual, depois de perguntado sobre "como as empresas brasileiras contratam e promovem" deu uma resposta que vale a pena conhecer. Leiam um pequeno trecho.



  • [...] "A impressão é de que o mercado brasileiro se baseia muito nos relacionamentos. Isso significa que várias vezes uma pessoa é contratada por causa dos contatos que tem, e não pelo valor que pode entregar à empresa." [...]

Nada mais verdadeiro, hein? Recomendo fortemente que os "habitantes" do mundo corporativo leiam o artigo. O mesmo vale para os candidatos a ultrapassar o umbral das funções de confiança.

Não vai demorar muito para que a competência e o preparo profissionais prevaleçam nas contratações para os mercados de trabalho e para as promoções internas de cada corporação. Os paradigmas estão mudando rapidamente (por exemplo, pensem nessa crise econômica como um Big Bang dos paradigmas que presidiram o sistema internacional de relacionamentos entre as sociedades) e as escolhas e promoções, por conta dos relacionamentos pessoais, serão radicalmente reduzidas sob pena das empresas que teimarem em mante-las não sobreviverem nos seus mercados.

Nossa! Escrevi demais e peço desculpas, mas o assunto é fascinante. Insisto para que não deixem de ler o artigo. Se não puderem faze-lo agora imprimam, guardem em arquivo, mas não deixem de conhecer o seu conteúdo. Bom proveito.



Você S/A

Teste de competências

As empresas estão mais rígidas ao contratar profissionais. Conheça a avaliação que mistura psicologia e estatística e está se tornando mais popular entre os RHs

Por FERNANDA BOTTONI

"Para contratar novos profissionais ou selecionar sucessores, a fabricante de calçados Grendene utiliza um método de avaliação de competências chamado psicometria. Trata-se de uma técnica que emprega ferramentas estatísticas para eliminar o alto grau de subjetividade das avaliações comportamentais. A bateria de testes dura até oito horas e inclui um questionário, com mais de cem perguntas, simulação individual ou em grupo e até exercícios de interpretação, para medir a capacidade de raciocínio lógico do profissional. O objetivo é mapear matematicamente as competências do candidato para ocupar um determinado cargo. No fim, o profissional recebe uma nota para cada item avaliado e a empresa define com clareza quem é o mais apto para exercer a função. “O acerto na escolha de profissionais para contratação ou sucessão chega bem perto de 100%”, diz Jaime Bellicanta, gerente de recursos humanos da Grendene. Por essa razão, a psicometria está ganhando mais adeptos entre os profissionais de RH.

O caso da Grendene revela a preocupação das organizações em reduzir ao máximo a margem de erro na escolha de seus funcionários — uma forma de minimizar os riscos de que uma determinada área tenha resultados ruins por causa de um baixo desempenho individual ou pela má gestão da equipe. O método utilizado pela Grendene também é adotado por outras grandes companhias, como Volvo e Contax. A forma de avaliar varia de acordo com o que se deseja medir. Para avaliar a capacidade de liderança, são utilizados exercícios coletivos, como simulação em dupla ou em grupo. Para avaliar a capacidade analítica, emprega-se estudos de casos ou testes de aptidão. “A regra básica é usar, no mínimo, dois exercícios para medir cada competência”, diz Barbara Demange, psicóloga organizacional pós-graduada pela Universidade Sorbonne, na França, que aplica o teste em companhias no Brasil. Durante o processo, os profissionais são observados por mais de um avaliador. Tudo para alcançar mais objetividade no resultado. Os especialistas no método afirmam que em 70% dos casos é possível prever com precisão o desempenho profissional que uma pessoa pode alcançar. “Nos processos seletivos, o objetivo é fazer um ranking dos candidatos. Nos processos de desenvolvimento, o que se deseja é identificar os dos gaps participantes”, diz Barbara.

TESTE NA PRÁTICA
O curitibano Fabiano Todeschini, de 34 anos, gerente da divisão responsável pela logística de pós-venda da Volvo do Brasil, passou por uma avaliação psicométrica no ano passado. O objetivo era medir seis competências necessárias para exercer cargos de liderança. Na véspera do processo, Fabiano preencheu um questionário online com 104 perguntas sobre estilos comportamentais. Na prova, a pessoa deve escolher, entre quatro afirmações, qual combina mais com ela e qual combina menos. Esse teste fornece ao avaliador informações sobre o estilo de uma pessoa no trabalho. No dia da avaliação propriamente dita, Fabiano passou por uma entrevista de uma hora e meia com um consultor. Em seguida, o gerente foi submetido a um novo teste, dessa vez de interpretação de texto. “Após a leitura de alguns impressos, precisei demonstrar o que havia compreendido e dizer se era possível ou não, com base na minha leitura, tirar determinadas conclusões”, diz. Esse teste leva cerca de uma hora e avalia a capacidade de raciocínio crítico verbal. Depois, Fabiano vestiu a camisa de um executivo para dar feedback a um funcionário. O exercício levou cerca de uma hora e foi observado por um avaliador, que assumiu o papel do funcionário de Fabiano. Ele julga o comportamento do profissional para, por exemplo, resolver problemas interpessoais ou dar coaching.


Na sequência, o candidato foi submetido a um exercício em que precisava demonstrar sua capacidade de priorização, organização e tomada de decisão. “Eu era um profissional que acabara de assumir uma nova função e tinha três dias para resolver uma infinidade de pendências”, diz. A capacidade de uma pessoa de resolver problemas determina a agilidade que ela tem para aprender. “Tive alguns minutos para ler as instruções e, munido de caneta e papel, disparar e-mails delegando tarefas, tomando decisões. A mensagem, os destinatários e os assuntos tinham de ser escritos à mão”, conta ele. Esse exercício leva até duas horas e meia. Por fim, Fabiano juntou-se a outros cinco profissionais da Volvo que simulavam uma reunião em que era preciso decidir sobre o lançamento de um produto de beleza. A reunião leva cerca de uma hora e o comportamento de cada participante é observado por pelo menos dois avaliadores.

O resultado, segundo Fabiano, foi o melhor feedback da sua carreira. “Recebi um retorno de duas horas. Os consultores realmente abriram minha ‘alma corporativa’ e apontaram claramente meus pontos fortes e meus pontos a desenvolver, de acordo com as competências consideradas essenciais pela Volvo”, diz.

Fabiano concordou com a maior parte do resultado de sua avaliação e se surpreendeu com a objetividade do feedback. Cada conclusão vinha acompanhada de exemplos do seu comportamento nos exercícios. “Na hora do feedback, por exemplo, eu não fui tão assertivo. A consultora pontuou que eu não disse que o funcionário tinha errado”, conta. “Esses testes não são manipuláveis, não dá para você se ‘ajeitar’ de acordo com a vaga que está em jogo. É muito difícil se esconder quando você é analisado em situações práticas”, afirma. Com o resultado de seu teste em mãos, Fabiano montou — e colocou em prática — um plano detalhado para desenvolver seus pontos fracos. E você, já está preparado para essa avaliação?

Mais amizade que mérito

Consultor neozelandês critica maneira brasileira de contratar pessoas e desafia empresas a mudar critérios para atingir níveis mundiais

O psicólogo neozelandês PAUL ENGLERT, mestre em estatística aplicada e PhD em psicologia, é um dos principais especialistas em psicometria. Ocupa o cargo de diretor de desenvolvimento de negócios da Occupational Psychology Research Associates (Opra), fundada em 1997 na Nova Zelândia. Ele é responsável pela criação de softwares de avaliação, que são distribuídos para vários países do mundo, inclusive para o Brasil. Em setembro do ano passado, Paul visitou diversas empresas e universidades brasileiras e estranhou o modo como se contrata pessoas no país. Segundo ele, as organizações levam mais em conta a rede de relacionamentos de um profissional do que o valor que ele pode agregar a elas. Como consequência, o profissional brasileiro investe muito mais na construção de um círculo de contatos do que no desenvolvimento de competências. Paul falou a você s/a.

Que impressões o senhor teve da maneira como as empresas brasileiras contratam e promovem?
A impressão de que o mercado brasileiro se baseia muito nos relacionamentos. Isso significa que várias vezes uma pessoa é contratada por causa dos contatos que tem, e não pelo valor que pode entregar à empresa. Como consequência, as pessoas trabalham mais na construção de relacionamentos do que no desenvolvimento de competências de nível internacional. Isso terá de mudar se as empresas do país quiserem atingir níveis internacionais. O Brasil tem enormes vantagens em recursos naturais e tamanho, o que poderia ser capitalizado com a criação de sistemas baseados em mérito e competências.



Como métodos de avaliação de competência, como a psicometria, podem ajudar a consertar essa distorção?
As coisas levam tempo. A economia brasileira está se transformando tão rapidamente que é difícil criar um argumento para soluções mais robustas, enquanto há cada vez mais preocupações urgentes. O tamanho do Brasil também faz com que as informações e as melhores práticas sejam disseminadas mais lentamente. Porém, as organizações comprometidas comas melhores práticas terão de olhar para seus processos de avaliação de pessoas em relação ao modo com que eles se vinculam aos treinamentos e às avaliações de desempenho. O método por si só não resolve nada. É preciso mudar a cultura empresarial também.

O que é e de que forma a psicometria pode ser utilizada nas empresas?
A psicometria é uma técnica padronizada de medição para analisar fenômenos psicológicos. Ela é amplamente utilizada pelas organizações para identificar e desenvolver gestores. Ela pode medir, por exemplo, a capacidade cognitiva, que tem se mostrado o melhor indicador do desempenho profissional pela maioria dos estudos. A capacidade de uma pessoa de resolver problemas determina a agilidade que ela tem para aprender.


Para os profissionais avaliados, que recebem feedback, quais os principais resultados da avaliação psicométrica?
A chave é ensinar as pessoas a se entenderem melhor. Gestores, e pessoas em geral, precisam de feedback sobre seu comportamento. Muitos simplesmente não têm consciência de suas características, da forma como elas impactam as outras pessoas e do quanto seu comportamento pode limitar sua carreira.


O que é o teste
A avaliação psicométrica dura 8 horas e possui:
• Questionário com mais de 100 perguntas
• Simulações de situações de trabalho
• Exercícios de interpretação de texto
• Feedback de 2 hora"

NOTA: Clique no logotipo abaixo e visite o site do Instituto INSIGHT, na página onde existe uma mais detalhada descrição de um determinado tipo de teste psicométrico que ele chamam de "DISCus". É muito interessante e vale como excelente complemento do artigo da VOCÊ SA.


* Todas as imagens foram "capturadas" no site da



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