25 de jun de 2008

D. Ruth Cardoso era uma unanimidade.



Em qualquer nação do mundo as unanimidades são raras. Importantes personalidades, em seus paises, não atingiram o patamar do reconhecimento de todos os seus concidadãos.
No Basil, temos algumas unanimidades, é claro. D. Ruth Cardoso era uma delas. Principalmente nos mundos político e acadêmico, por onde circulava - com a discrição dos sábios - não havia opinião desfavorável à suas atitudes, seu comportamento e sua ética. Poder-se-ia discordar de conceitos que defendia. Afinal de contas era uma intelectual, uma pesquisadora; jamais de sua imagem, de sua personalidade.
Sua morte, de certa forma repentina, deixa dois grandes vazios. Um, no espaço da ciência e da pesquisa. D. Ruth era uma antropóloga respeitadíssima e atuante. O outro, no mundo da política e da vida pública. É la que sua falta se fará maior. Paradoxalmente nunca exerceu cargo público, mas foi como "primeira-dama" (título que rejeitava) que se fez respeitar. Em um país onde as esposas dos presidentes (governadores e prefeitos idem) ficam relegadas ao terceiro plano e são pouco mais que figuras decorativas para os cerimoniais, D. Ruth foi diferente. Não aceitou este papel e não cumpriu o script. E fez isso com elegância e reserva. De forma quase imperceptível.
Diz o ditado popular (machista por sinal) que "à sombra de todo grande homem existe sempre uma grande mulher". É minha opiniãoo que com D. Ruth o dito se se inverteu. Ela foi a grande mulher na história do casal Cardoso.
Eu admirava muito D. Ruth. Fiquei muito triste e indignado - como de resto as pessoas que conheciam sua história - com o recente envolvimento do seu honrado nome no chamado "escândalo do dossiê", tratado com (justificado) sensacionalismo pela mídia. Foi uma violência gratuita esta ofensa. Fico mito inclinado e pensar se o stress que isto deve ter provocado nela não resultou na crise de saúde - inesperada -que provocou sua morte.
Enfim, fica a memória de uma mulher notável que soube, como ninguém antes na história recente do país - dar realces morais e éticos ao se tornar uma figura pública neste mundo tão pobre destes valores que é a política. D. Ruth, antes de tudo, valorizou a mulher brasileira e lutou por todas, nos diversos foruns internacionais por onde passou.
Leia mais sobre D.Ruth e a repercussão de sua morte nos links abaixo:

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