9 de jun de 2008

"A regularidade é a virtude dos medíocres"... Será?

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Pena que o Tostão escreva apenas sobre futebol. É um craque também, na crônica. Como médico que foi, tem cultura privilegiada em relação ao meio que o tornou famoso, o mundo dos atletas de futebol. Coloquei propositadamente duas imagens dele. Uma do jogador fantástico que foi campeão do mundo em 1970 e outra, atual, já com o peso dos anos sobre ombros, mas fazendo sucesso como comentarista do esporte que ama.
Porque trago o Tostão ao blog, neste post? Para destacar um trecho da coluna que ele escreveu, ontem, na Folha de São Paulo (cuja imagem está reproduzida). O teor inteiro do artigo está colocado abaixo para quem se interessar.
Apenas para contextualizar os leitores, Tostão discorre entre outros tópicos sobre os fatores que levaram o Fluminense a desclassificar o "imbatível" Boca Juniors, da Argentina, na Taça Libertadores da América contrariando todas as previsões dos experts.
Deixo para cada um, que ler o post, a faculdade de criar as metáforas em relação ao mundo dos negócios. Existem alguns tópicos interessantes - destacados - que podem ser perfeitamente transpostos para o cotidiano dos ambientes corporativos. Afirmar que a "regularidade é a virtude dos medíocres" é um conceito, no mínimo, polêmico. Dentro de um grupo de atletas de qualquer esporte pode ser, mas numa empresa ou num projeto, será? Resposta com cada um. Particularmente confesso que nunca havia pensado por este lado.
Vejamos o que escreveu e que resolvi destacar:
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"Além disso, os craques não são craques porque são regulares. São craques porque, quando brilham, brilham com muito mais intensidade. Alguém já disse, com razão e exagero, que a regularidade é virtude dos medíocres.
O Fluminense venceu o Boca porque tem vários excelentes jogadores, teve ajuda do acaso nos dois jogos e também contra o São Paulo, porque buscou forças no fundo da alma e porque existe uma grande cumplicidade dos atletas e da comissão técnica com seus trabalhos e com o clube.
Cada dia mais torcedores se queixam, muitas vezes com razão, que atletas e treinadores não estão nem aí e que só pensam em um melhor contrato com outro clube. A cumplicidade vai muito além de cumprir obrigações e reclamar direitos. Profissionais precisam ter prazer e se envolver afetivamente com as pessoas e com o ambiente onde trabalham. Assim, vão ser mais eficientes.
Assim como podemos nos apaixonar várias vezes, atletas e treinadores podem gostar e serem cúmplices de vários clubes em suas carreiras, um de cada vez." [...]
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Mil razões para vencer e perder
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"O resultado de uma partida e a conquista de um campeonato dependem da qualidade dos jogadores, da organização e da disciplina tática, do comprometimento profissional e afetivo dos atletas e das comissões técnicas e de outros fatores previsíveis e imprevisíveis.
O talento individual é o fator mais importante. Repito que nem sempre um elenco com excelentes jogadores forma um ótimo time, mas é impossível formar uma grande equipe sem excelentes jogadores.
O Corinthians possui um time organizado, guerreiro e com bons jogadores. É uma ótima equipe para a Série B e para a Copa do Brasil. Méritos para Mano Menezes.
Nos dois campeonatos, o Corinthians não enfrentou um único adversário com mais talento individual. Portanto não será surpresa a conquista do título. Se isso não acontecer, o que é pouco provável pela vantagem obtida, não mudam, por causa de um jogo, os meus conceitos sobre o técnico e o time.
Nem sempre um time mais organizado e, mais ou menos, com o mesmo talento individual vence, como ocorreu com o Boca Juniors contra o Fluminense. O time argentino dominou as duas partidas, teve mais chances de gol e foi eliminado, mas não foi injusto.
Renato, que faz bom trabalho, errou na organização da equipe. Igor jogou de zagueiro, e Cícero, de atacante. Arouca ficou sozinho no meio-campo. Marcava Riquelme e os outros armadores ficavam livres. Thiago Neves e Conca não sabiam se jogavam perto de Washington ou se recuavam para marcar no próprio campo. Com a entrada de Dodô, Cícero preencheu o vazio no meio-campo.O grave erro na marcação não impediu a vitória tricolor. O time não poderia decepcionar Chico Buarque, presente no estádio.
Poucas equipes no mundo possuem um reserva como Dodô. Alguns jornalistas implicam com o jogador, porque ele não comemora gols como os outros e é irregular. Realmente é. Mesmo assim, é um excepcional atacante. Se fosse menos irregular, mais marqueteiro e mais simulador, Dodô seria mais festejado.
Além disso, os craques não são craques porque são regulares. São craques porque, quando brilham, brilham com muito mais intensidade. Alguém já disse, com razão e exagero, que a regularidade é virtude dos medíocres.
O Fluminense venceu o Boca porque tem vários excelentes jogadores, teve ajuda do acaso nos dois jogos e também contra o São Paulo, porque buscou forças no fundo da alma e porque existe uma grande cumplicidade dos atletas e da comissão técnica com seus trabalhos e com o clube.
Cada dia mais torcedores se queixam, muitas vezes com razão, que atletas e treinadores não estão nem aí e que só pensam em um melhor contrato com outro clube. A cumplicidade vai muito além de cumprir obrigações e reclamar direitos. Profissionais precisam ter prazer e se envolver afetivamente com as pessoas e com o ambiente onde trabalham. Assim, vão ser mais eficientes.
Assim como podemos nos apaixonar várias vezes, atletas e treinadores podem gostar e serem cúmplices de vários clubes em suas carreiras, um de cada vez. "
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Um comentário:

  1. É amigo Herbert... Olhando por este ângulo eu concordo com ele. Apesar de termos a obrigatoriedade de sermos regulares com nossas prestações de serviços, cumprimento de prazos, entre outros; ser regular é ser eficaz... É ficar no feijão com arroz, na obrigação de só cumprir o estabelecido. Quando se tem paixão sim, alcançamos as metas e as ultrapassamos. Nos tornamos maníacos por aperfeiçoamento constante pois esta paixão nos move. Saimos da mesmice e estamos sempre reinvientado modos novos de fazer as tarefas diárias.
    Excelente paralelo feito com um texto esportivo. Adorei seu artigo!

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