4 de set de 2008

Não foi bem assim que planejei...

Este é um artigo de leitura necessária para a cultura geral dos candidatos ao podium do sucesso, no mundo corporativo.
Saber administrar as frustrações - eternas companheiras de quem está nas olimpíadas corporativas - é o primeiro dos grandes desafios dos jovens executivos e dos calouros nesse game.
Lucas Toyama - excelente articulista do site Canal RH - nos apresenta o artigo abaixo (publicado no dia 25 de junho de 2008) onde examina, com excelente approach e exemplos bem colocados, estes momentos de pressão que todos os profissionais (em qualquer carreira) são submetidos.
Se você, alguma vez, viu seus planos malograrem ou se permitiu vestir o manto do desalento por ter sido preterido em alguma oportunidade, recomendo conhecer o texto. Não vai se arrepender.
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(clique aqui para ver a imagem original)
Não foi bem assim que planejei.
por Lucas Toyama
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..... Frustração é o estado daquele que, pela ausência de um objeto ou por um obstáculo externo ou interno, é privado da satisfação de um desejo ou de uma necessidade. No ambiente profissional, divergências com o chefe, promoções não realizadas, padrões organizacionais a serem seguidos. O fato é que esse sentimento, definido como "frustração" pelo dicionário Aurélio, tem tomado diversas proporções no mercado de trabalho. E, não raro, as conseqüências passam por sentimentos como agressividade, tristeza, desânimo, introversão. Mas, como lidar com essas situações de modo que os profissionais não percam o interesse pela empresa?
.....Quem passou por experiências como essas foi Fábio Steinberg, formado em Administração e Jornalismo, que hoje comanda sua própria consultoria de comunicação empresarial. Sua carreira profissional coleciona empresas de grande porte como IBM, Rede Globo, AT&T e Hill & Knowlton, ocupando cargos de gerência e diretoria na área de Comunicação. Antes de abrir seu próprio negócio, há dez anos, o executivo passou por uma série de frustrações que hoje ele considera o trampolim de uma nova fase. Sua missão era recuperar uma empresa de pequeno porte. Após ter dedicado todos seus esforços durante dois anos como presidente para cumprir as expectativas, ao invés de ser convidado para ser sócio da empresa, os donos ofereceram a sociedade para uma outra pessoa. “Eu tinha recuperado a empresa e, quando menos esperei, eles ofereceram a sociedade para alguém que nem se esforçado tinha”, questiona-se.
..... Frustrado, a saída encontrada por Steinberg foi deixar a empresa. “Passei depois por outra empresa, mas como eu já tinha a experiência de presidente, não conseguia mais me adaptar à estrutura sem autonomia”, revela Steiberg sobre sua experiência de um ano em uma empresa de comunicação de grande porte. “A solução foi abrir meu próprio negócio”, conta.
..... Para Tácito Pinto, professor do Programa de Pós-Graduação em Recursos Humanos da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faao), o primeiro passo para lidar com a frustração é aparentemente simples, mas geralmente difícil de ser alcançado: identificar sua razão e se ela é real ou se as expectativas é que eram irreais. Em seguida, deve-se encará-la em todas as suas faces. Nas relações de trabalho, um gestor, por exemplo, deve “chamar as pessoas e perguntar como estão se sentindo e ouvi-las”, aconselha o consultor.

Expectativas x frustração
..... Exemplo de situação passível de causar frustração na equipe de trabalho é o momento de promover um funcionário. E o processo é delicado para todos, subordinados e líderes. De um lado estão os primeiros que, certos de terem atendido às expectativas da empresa, aguardam ansiosos pela promoção. Do outro, há o gestor que, com o desafio de não ferir os egos que compõem a equipe, deve escolher um profissional para promovê-lo.
..... “O que ocorre é que nem sempre o processo de recrutamento e promoção interna é conduzido da melhor maneira e então corre-se o risco de se perder a equipe ou sua pessoa-chave”, constata Tácito. Para conduzir esse processo, valem transparência, justiça e critérios, assim “a comunicação fica mais fácil, ainda que o sentimento dos preteridos seja ruim”, alega Tácito. E se a empresa cometeu algum erro, o aconselhável é admitir a falha, mostrando transparência, honestidade e franqueza. Mas e na prática? “Isso não elimina o problema dos preteridos e frustrados, mas abrevia o período necessário para que o time volte ao seu equilíbrio”, avalia Tácito.
..... No caso dos profissionais, é preciso avaliar se já estão maduros o suficiente para serem promovidos. Sim, auto-análise sincera e honesta é o único caminho possível. Uma questão de auto-conhecimento. “Em uma sociedade tecnológica na qual o ritmo da vida é muito rápido, há profissionais que esperam que as realidades das organizações acompanhem o mesmo ritmo, isto traz frustração”, afirma Tácito. Uma saída para as empresas seria dar feedbacks mais constantes para seus funcionários, para que eles saibam em quais caminhos estão trilhando e consigam, assim, ter uma visão mais apurada e menos míope de sua realidade.
..... E, para a reconquista do equilíbrio, uma dose de confiança entre ambas as partes pode ser o fator-chave, de modo que o profissional possa se abrir e repensar suas reações e expectativas. “Qualquer que seja a origem da frustração, ela pode ser tratada com o chefe desde que haja entre eles bom nível de confiança”, ressalta Tácito.
..... Outra maneira eficaz de se evitar frustrações é por meio da clareza, da transparência e da objetividade. Afinal, não cumprir com o que foi acordado, ser incoerente ou estipular metas pouco claras ou inatingíveis são sementes para plantar a discórdia. “Nesses casos, é preciso criar parâmetro e referência do que se deseja e do que realmente pode ser feito”, defende Tácito.

Atitude
..... Steinberg confessa que mesmo não tendo chefe hoje, o estresse ainda marca presença em sua vida profissional, como a pressão de seus clientes para o cumprimento de prazos. “São situações que passo para não perder os clientes, mas que não se configuram como frustrações para mim”, revela. O motivo? A realização de sonhos e uma vida mais equilibrada por aproveitar melhor o tempo. “Comecei a me dedicar ao jornalismo, aproveitando o tempo, antes perdido nas empresas com reuniões desnecessárias e deslocamentos no trânsito, para escrever”, afirma.
..... A vida familiar também teve reflexos da atitude tomada. “As pessoas me vêem mais em casa, eu não sou um ser estranho que acorda de manhã, sai e só retorna à noite”, conta. O retorno financeiro, admite Steinberg, diminuiu, mas “prefiro ganhar menos e ter qualidade de vida”. No hall de opções a serem deixadas de lado, estão as mordomias corporativas antes oferecidas pelas empresas. “Deixei de ter carro e de freqüentar bons hotéis e restaurantes quando em viagens de trabalho, pois agora o dinheiro gasto sai do meu bolso”, confessa, satisfeito com a nova situação.
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