12 de mai de 2008

Vida Executiva: Relações Perigosas: Assédio Moral

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Mais um artigo que extraio da ótima revista Vida Executiva (imagem da capa, acima). Trata de um tema que me é muito caro pois tive algumas experiências pessoais muito dolorosas enquanto subordinado e o combati ferozmente, enquanto dirigente: o assédio moral.
Muito já falamos, aqui no blog, desse flagelo que devasta os ambientes corporativos e continuaremos focando o tema. Estou convicto que não existem fórmulas mágicas para exorcisar esta assombração, mas também estou certo que ações firmes e determinadas das chefias dos assediadores (inclusive se forem eles próprios,chefes) pode minimizar o problema quase a ponto dele desaparecer ou, no mínimo, ficar bem "escondido nos baús de segredos" das empresas. Este experiência eu tenho.
Nas estruturas que tive a oportunidade de chefiar uma das primeiras providências que eu fazia era reunir o "staff" e dizer que não tolerava nem assédio moral e muito menos assédio sexual. Ao primeiro caso que tinha conhecimento, punia sem misericórdia. Pronto, era tiro e queda.Os assediadores são, todos, covardes quando confrontados com seus crimes. Os casos - pelo menos aqueles do conhecimento geral - deixavam de ocorrer e a equipe tinha tempo de "educar" os potenciais assediadores.
Vamos ao artigo. É um pouco extenso, mas vale a pena ler. Espero que tenham a mesma opinião, principalmente as mulheres, como sempre as maiores vítimas de todos os tipos de assédios.
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Assédio moral. Guarde bem essas palavras cada vez mais comuns do ambiente corporativo, ele compromete o resultado do trabalho e transforma a vida das vítimas num inferno. (Texto de Sucena Shkrada Resk)
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"Dia após você vê sua energia se esvaindo. Não sente mais prazer em ir ao escritório - principalmente quando pensa nas humilhações e no isolamento ao qual tem sido submetido - nem se interessa mais pela rotina da companhia ou das atividades diárias. Para piorar, a falta de ânimo é acompanhada de depressão e insegurança com relação à própria competência. Calma lá! Antes de se considerar o pior profissional do mundo, veja se você não está sendo vítima de assédio moral - um fenômeno cruel e, infelizmente, cada vez mais comum no mundo corporativo. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 42% dos empregados no mundo são vítimas desse problema - e a maioria pertence ao sexo feminino. Como ainda é um tema pouco comentado nas empresas e para o qual a legislação está apenas engatinhando (não é regulamentado em Lei Federal, mas está sujeito à indenização por danos morais e psicológicos), torna-se difícil até mesmo identificá-lo. Por conta disso, a OIT estabeleceu em 2002 algumas normas de conduta que marcam esse tipo de comportamento, como: atitudes de exclusão, opressão e ridicularização do funcionário.

O psicólogo e advogado José Roberto Heloani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), estuda o tema há mais de sete anos, mas concorda que há muito que discutir sobre esse comportamento agressivo, que atinge profissionais de todos os escalões.

A MULHER É A VÍTIMA

"Em 90% dos casos, os agressores são superiores hierárquicos", conta. "As mulheres representam 60% das vítimas, sendo que a negra é a mais agredida", diz o especialista que, junto com a psicóloga do Trabalho Margarida Barreto, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), vai lançar um livro até o fim deste ano sobre o tema. De acordo com ele, as executivas são mais assediadas com relação aos homens, num percentual de 10%. "Mulheres acima de 35 anos e com filhos são mais pressionadas que as jovens", confirma. Os motivos que estimulam esse comportamento podem ser salariais, desentendimento com os superiores ou, no pior dos casos, interesse sexual. "Nas pesquisas que realizamos para o livro, constatamos que 12% dos episódios de assédio sexual acabam se transformando em assédio moral", afirma.

A advogada Sônia Mascaro Nascimento, presidente da Comissão de Estudos em Direito e Processo do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção de São Paulo (OAB/SP), explica que é muito comum o assediador ser autoritário, arrogante, egocêntrico. Esse comportamento é motivado pelo medo de perder seu emprego.
A INVEJA MOTIVA
Aí está implícito, segundo a advogada, um dos sentimentos mais primários que existem: "a inveja", fala. Às vezes, mesmo sem perceber, a empresa estimula esse comportamento – principalmente quando aceita a hipercompetição na equipe. "Com freqüência, o assédio é intencional", afirma Heloani. A professora Yvette Piha Lehman, do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), confirma, dizendo que as vítimas ao assumirem esse papel facilitam a ação dos assediadores. "Elas perdem a consciência de que têm liberdade e de que não podem se submeter ou mesmo fortalecer esse comportamento no outro". Também há ocasiões em que a companhia é omissa.
Esse foi o caso do estudante de jornalismo T.L., do interior de São Paulo. Ele foi submetido a humilhações sucessivas no antigo emprego, sem que a alta direção desse um basta à situação, mesmo com os freqüentes comentários dos demais funcionários pelos corredores. "Eu me tornei uma pessoa insegura. Hoje, quando vou fazer uma entrevista de emprego, me acho incapaz de assumir desafios", conta.
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NO RIGOR DA LEI
Embora não haja uma lei federal específica, casos de assédio moral podem, sim, ser punidos. "O assediador corre o risco de ser acusado de dano moral", explica a advogada. "Como as empresas são juridicamente responsáveis por seus funcionários no ambiente corporativo, podem ser afetadas".
Prova disso é que os casos na Justiça estão se multiplicando desde 2006 - principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país. Nas ações individuais, há indenizações entre R$ 10 mil e R$30 mil, mas podem chegar a R$ 2 milhões. Para defini-las, são usados critérios como tempo de serviço do empregado, gravidade da ofensa e a capacidade econômica dos envolvidos. Num episódio recente, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª em Campinas, interior de São Paulo, condenou duas empresas. A primeira manteve a colaboradora isolada em uma sala, sem ter o que fazer. A outra pôs uma cadeira no meio do corredor e condenou o funcionário a permanecer sentado durante todo o dia - numa espécie de castigo corporativo.
Não pense que esse tipo de ocorrência se limita às empresas menores. Heloani afirma que é necessário coibir essa atitude - independentemente do porte da companhia. "Uma iniciativa pode ser a abertura de espaço para as queixas dos assediados", explica. "Se forem comprovadas, cabe punir o assediador e, em paralelo, elaborar programas para evitar novos casos."
ESCOLHA O DIÁLOGO
Segundo a advogada, o assediado deve tentar o entendimento com o assediador e até com a área de Recursos Humanos antes de partir para uma medida mais drástica. No entanto, precisa deixar claro que o problema existe e não quer que seja perpetuado. "Se não houver solução conciliatória, o ideal é buscar a orientação de um advogado, pois o lado emocional das pessoas tem limites e não pode ser abalada", alerta a advogada Sônia Mascaro Nascimento.
Decisões precipitadas são desaconselhadas por ela. "Antes de pedir demissão, experimente buscar a orientação de um profissional para conhecer todos os seus direitos", fala. Se não encontrar outra saída que não seja o afastamento, há um dispositivo na lei ao qual se pode recorrer nesses casos. É a rescisão indireta.
O advogado ingressa com uma ação trabalhista e o juiz decide se houve assédio. "Se julgar a ação procedente, a demissão ocorre sem justa causa". Assim, o funcionário não é punido duplamente: pelo assédio do qual foi vítima nem por se afastar de um ambiente que não o respeita. ...
SERÁ QUE É?
Não é difícil reconhecer o assédio moral, que pode ser praticado de forma individual ou coletiva contra uma ou mais pessoas. Os motivos são os mais variados e vão da inveja ao medo da concorrência, passando pelo preconceito de gênero, cor e sexo. A conseqüência mais comum é a perda da auto-estima. A pessoa não suporta os comentários maliciosos que desqualificam seu trabalho e sua competência nem as humilhações recorrentes, vindas do assediador. Em geral, a vítima fica triste, perde o sono e pode desenvolver um quadro de depressão profunda, chegando à síndrome do pânico. Não são raros os casos de suicídio – pois o assediado acaba acreditando que fez, de fato, algo errado ou que é incompetente.
SE FOR VÍTIMA, AJA:
º Monte um dossiê com datas, ações de assédio e possíveis testemunhas.
º Se possível guarde documentos que comprovam o assédio (e-mails e gravações, por exemplo)
º Ao se sentir ofendido e humilhado deixe claro para o assediador que tem consciência que essa postura é errada e não quer ser submetido a agressões.
º Se perceber que esse tipo de abordagem não é eficaz, recorras ao superior hierárquico do assediador ou ao departamento de RH da empresa.
º Tendo em vista que o assédio moral pode comprometer seriamente sua saúde, recorra à ajuda de psicólogo ou outros especialistas para não adoecer e nem prejudicar sua carreira.

DEBATE ACIRRADO
o tema assédio moral está literalmente na boca do povo. Tanto que a InterNews, empresa que organiza seminários para o mercado corporativo desde 1993, realizou, no fim de outubro, o terceiro encontro para discutir o assunto. O tema foi escolhido justamente em razão do aumento de ações em todo o Brasil na Justiça do Trabalho. "Pedidos de elevadas indenizações têm despertado o interesse das pessoas - do público, que deseja ter mais informações sobre o assunto, e dos gestores que querem evitar essa prática em suas corporações", explicou Armando Ourique, diretor da empresa, na abertura do evento. Na terceira edição, executivos de empresas como o HSBC e Zanzini explicaram como suas organizações lidam com esse tema delicado. Aspectos jurídicos também foram debatidos, como a tendência dos juízes em aceitar vários tipos de prova - até as obtidas sem o conhecimento do assediador.
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6 comentários:

  1. Minha esposa foi vitima de assedio sexual. O cara se chama "Andre Ricardo Lima" (alima01@lear.com) da empresa LEAR DO BRASIL. Ele utiliza o MSN da empresa e tambem o celular da empresa para se comunicar com a minha esposa. Tenho tudo gravado no meu micro por um spy e a conta de celular da minha esposa. Incrivel como a empresa disse que isso é normal e esta dentro de seus padroes. Isso por que tem um estatuto da empresa na internet que condena qualquer empregado que agir desta forma. Fica aqui a minha indignação contra a empresa LEAR DO BRASIL, que pelo que eu andei pesquisando tem muitos problemas com seus empregados, será isso também padrão LEAR?

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  2. Sou solidário a você. Minha esposa sofreu assédio moral durante 01 ano na última empresa privada onde trabalhou. Tinha um chefe idiota que pagava mais salário para homem do que para mulher. Todo mundo sabia e ninguém fazia nada. Quando ela pediu demissão por não tolerar mais essas diferenças e as conseqüências trazidas para a vida pessoal ingressamos com uma ação na Justiça. Quase 02 anos se passaram ganhamos em tods as instâncias, mas ainda não vimos a cor do dinheiro. Problemas da nossa Justiça. A recomendação que te faço é simples. Procure um excelente advogado, ingresse na Justiça, sem pressa.

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  3. Se eciste o nr. deste Andre na conta de celular de sua esposa ... é sinal que ela ligou para ele também!

    Cuidado ... ela pode ter dado trela também!

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  4. Estes tipos de assedios não são caracteristicas exclusivas de supervissores e lideres dentro da Lear do Brasil, é também causadas por mecânicos, que se beneficiam por serem de areas distintas as das operadoras e fazem suas investidas constantes, até conceguirem o que querem, e como podem opinar a favor ou contra esta mesma junto a liderança, se tem executado bem a operação, quando recebem NÃO, fazem sugestões maldosas para coagir a mesma e estas cederem pelo medo, isto é tipico principalmente de um que se chama Gilmar, foi lider por 4 anos 1/2 fazendo as mesmas coisa, e agora como mecanico, sabe de todas as artimanhas para conceguir, assedia não só sexualmente (com grosserias), como também moralmente depois, pelos resultados que levaram denuncias, a Lear o protege, e ele continua trabalhando. Eu posso dizer, pois assisti varios casos e fui uma de suas vitimas, e o final dos resultados, sobra a sensação de culpa e a vontade de suicidio...

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  5. E bom o mercado (Fornecedores e Clientes) da LEAR do Brasil ficarem sabendo de todos esses detalhes de ASSÉDIO de seus "Funcionários" com outras pessoas. Pois digo que eles me conhecem muito bem, principalmente o "André R. Lima", ele e a Empresa LEAR não tem CORAGEM de agirem contra a minha pessoa, porque sabem que eu tenho PROVAS e muito mais sobre o declínio que é essa empresa e seus digníssimos funcionários. Queria ter um gostinho de um processo pra mostrar pra TODOS o que realmente acontece lá dentro... fora o acobertamento da empresa sobre os funcionários essa eu acho a pior parte.
    Agora LEAR dê a sua resposta de uma verdadeira empresa. Lembrando q são várias pessoas q participaram deste blog.

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  6. roselisilva28@bol.com.br28/08/2009 22:31

    tb endosso as opiniões aqui descritas sobre tal sr.André Ricardo Lima. Ele assedia incan savelmente tb fora da Lear e não perde a esportiva qdo. é rejeitado. Mas com certeza td isso tem origem paleozóica, o rapaz precisa de carinhooo gente!!!! Prestem atenção ao corte de cabelo do rapaz, aquilo diz td! É pura autoafirmação!

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