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Bem vindo

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O dia 14 de agosto é marcado historicamente por protestos e mobilizações nacionais liderados por movimentos estudantis e sindicais no Brasil.As principais pautas que costumam mobilizar atos nessa data incluem:Defesa da Educação Pública: Organizações como a UNE, UBES e a UMES utilizam a semana do Dia do Estudante (comemorado em 11 de agosto) para levar milhares de jovens às ruas. Os protestos frequentemente criticam cortes de verbas na educação e o sucateamento de instituições de ensino.Contra a Militarização das Escolas: O dia 14 de agosto consolidou-se como um "Dia de Luta" contra a implementação e expansão do modelo de escolas cívico-militares.Críticas a Políticas de Privatização: Atos liderados por professores secundaristas e sindicatos de classe costumam focar na oposição a projetos governamentais que envolvem a privatização e a digitalização excessiva no ambiente escolar.Tradicionalmente, um dos pontos de maior concentração do país ocorre na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, reunindo manifestantes logo no início do dia em frente ao MASP. (IA)

pensamento dia

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Frase

Frase
François Rabelais (nascido entre 1483 e 1494; falecido em 1553) foi um escritor francês que foi chamado de o primeiro grande autor de prosa francesa. Humanista do Renascimento francês e estudioso de grego, ele atraiu oposição tanto do teólogo protestante João Calvino quanto da hierarquia da Igreja Católica. Embora em sua época fosse mais conhecido como médico, estudioso, diplomata e padre católico, posteriormente tornou-se mais conhecido como satirista por suas representações do grotesco e por suas personagens grandiosas. Vivendo na turbulência religiosa e política da Reforma, Rabelais tratou das grandes questões de seu tempo em seus romances. Rabelais admirava Erasmo e, como ele, é considerado um humanista cristão. Ele foi crítico da escolástica medieval e satirizou os abusos de príncipes e papas poderosos. Rabelais é amplamente conhecido pelos dois primeiros volumes que relatam a infância dos gigantes Gargântua e Pantagruel, escritos no estilo do bildungsroman; suas obras posteriores — o Terceiro Livro (que prefigura o romance filosófico) e o Quarto Livro — são consideravelmente mais eruditas em tom. Seu legado literário deu origem à palavra rabelaisiano, um adjetivo que significa "marcado por um humor grosseiro e robusto, extravagância de caricatura ou naturalismo ousado". { https://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Rabelais }

 

sábado, 3 de outubro de 2009

Marcelo Gleiser - A primeira causa (Folha de São Paulo)

         Os artigos de Marcelo Gleiser são antes de tudo pinceladas de erudição, saber e principalmente de cultura inteligente. Gleiser dispensa apresentação. Coletei mais este artigo na Folha de São Paulo onde ele discorre sobre o velho e nunca esgotado debate entre a ciência e a religião sobre o inicio dos mundos.
Leiam abaixo um breve trecho:
  • [...]"Sempre existirão questões não perguntadas e não respondidas; e mesmo questões que nada têm a ver com a ciência. A escolha do que fazemos com essa nossa ignorância perene é pessoal: existem aqueles que preferem optar por ter fé em entidades sobrenaturais e existem aqueles que, como eu, preferem aceitar a simplicidade do não-saber."[...]
             É um belo artigo que você, leitor deste blog, não deve deixar de ler.


    São Paulo, domingo, 27 de setembro de 2009



    http://www.domtotal.com/img/entrevistas/44_47.jpg 
    Marcelo Gleiser

    A primeira causa

    O propósito da ciência não é responder a todas as perguntas; sua missão é outra

             Hoje, retorno a uma questão que parece boba, de tão simples. Mas talvez seja a mais complexa que podemos tentar responder. Tanto que, no meu livro "A Dança do Universo", chamei-a de "A Pergunta". Aí vai: como tudo começou?
             O que complica as coisas é que pensamos sobre tudo como um encadeamento simples de causa e efeito: cada efeito tem uma causa que o precede.
             Quando vemos uma bola de futebol voando, é porque alguém a chutou; se um carro passa na rua, é porque alguém está dirigindo; se a planta cresce, é porque consegue extrair nutrientes do solo e usar a luz solar como fonte de energia; se o Sol brilha, é porque em seu centro hidrogênio está sendo fundido em hélio, liberando quantidades enormes de energia; se o Sol existe, é porque uma nuvem de hidrogênio entrou em colapso há cerca de 4,6 bilhões de anos, atraída pela própria gravidade...
    Se continuarmos nessa linha, terminamos, paradoxalmente, no começo de tudo, a origem do Universo. Se o Universo existe, "algo" o fez existir.
    A primeira causa é o impulso inicial da criação. Assim ela tem sido vista desde que religiões começaram a tentar explicar o enigma da origem de tudo. No caso da religião, a estratégia funcionou bem: dado que deuses são entidades sobrenaturais, eles não vivem no tempo, tendo uma existência atemporal, eterna. Assim sendo, regras de causa e efeito, ou mesmo a mera aplicação do bom senso, não valem para divindades.
             Uma vez que se aceita que algo pode existir fora do tempo e pode ter poderes absolutos que transcendem as leis da natureza, tudo é possível. Até a criação a partir do nada. No Gênese, Deus criou a luz e separou as águas da terra através do verbo. Segundo Santo Agostinho, que muito se preocupou com esse assunto, o tempo e o espaço surgiram com o mundo. Antes da criação, não havia o "antes", pois o tempo não existia. Outras narrativas de criação do mundo resolvem a questão da primeira causa de forma semelhante, postulando a existência de entidades divinas e, portanto, alheias aos vínculos temporais que tanto nos limitam.
             E a ciência? Será que é possível resolver a questão da primeira causa de modo científico? Esse é um debate ferrenho que, infelizmente, entrava o progresso cultural da humanidade. Remete-nos a "guerras" inúteis contrapondo ciência e religião, como se a ciência tivesse como função substituir a fé religiosa, uma grande distorção.
             Se as pessoas acreditam que a ciência é capaz de responder a todas as perguntas, incluindo a questão da primeira causa, elas se sentem justamente ameaçadas: parece que a ciência tem como missão "roubar" Deus das pessoas. De forma alguma: ao contrário do que muitos dizem, não é essa a missão da ciência. A ciência não se propõe a responder a todas as perguntas. E por um motivo simples: nós nem sabemos que perguntas são essas. Dado que jamais teremos um conhecimento completo da realidade, jamais poderemos construir uma narrativa científica completa.
             Sempre existirão questões não perguntadas e não respondidas; e mesmo questões que nada têm a ver com a ciência. A escolha do que fazemos com essa nossa ignorância perene é pessoal: existem aqueles que preferem optar por ter fé em entidades sobrenaturais e existem aqueles que, como eu, preferem aceitar a simplicidade do não-saber. Não ter todas as respostas é a pré-condição para o nosso crescimento. Nesse sentido, mesmo se a ciência não resolver o enigma da primeira causa -e existem obstáculos complicados que ficam para outro dia-, prefiro continuar tentando e aceitar que, por ser humano, minha visão de mundo tem limites.

    MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo"

    http://www.masterdiz.com/web01/bars/li013.gif

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