||| 28 de maio DE 2026 ||| 5ª feira ||| dia internacional do brincar ||| “A ingratidão é o mais horrendo de todos os pecados.” ― Alexandre Herculano |||

Bem vindo

Bem vindo

pensamento dia

pensamento dia

Frase

Frase
Karl Groos (10 de dezembro de 1861, em Heidelberg – 27 de março de 1946, em Tübingen ) foi um filósofo e psicólogo alemão que propôs uma teoria instrumentalista evolucionista do brincar. Seu livro de 1898, " O Brincar dos Animais", sugeriu que o brincar é uma preparação para a vida adulta. Groos foi professor titular de filosofia em Gießen , Basileia e de 1911 a 1929 em Tübingen . Sua ideia principal era que o brincar é fundamentalmente útil e, portanto, pode ser explicado pelo processo normal de evolução por seleção natural . Quando os animais "brincam", estão praticando instintos básicos, como lutar, para sobreviver. Isso é traduzido do original como "pré-ajuste". Apesar dessa percepção, a obra de Groos raramente é lida hoje em dia, e sua conexão entre brincar e estética foi considerada "equivocada". Outra área de estudo foi a psicologia da literatura, incluindo análise estatística. Entre seus discípulos está o filósofo alemão Willy Moog (1888–1935) (doutorado sobre Goethe supervisionado por Karl Groos em Gießen, 1909). {https://en.wikipedia.org/wiki/Karl_Groos}

 

imagem

imagem

sábado, 3 de outubro de 2009

Marcelo Gleiser - A primeira causa (Folha de São Paulo)

         Os artigos de Marcelo Gleiser são antes de tudo pinceladas de erudição, saber e principalmente de cultura inteligente. Gleiser dispensa apresentação. Coletei mais este artigo na Folha de São Paulo onde ele discorre sobre o velho e nunca esgotado debate entre a ciência e a religião sobre o inicio dos mundos.
Leiam abaixo um breve trecho:
  • [...]"Sempre existirão questões não perguntadas e não respondidas; e mesmo questões que nada têm a ver com a ciência. A escolha do que fazemos com essa nossa ignorância perene é pessoal: existem aqueles que preferem optar por ter fé em entidades sobrenaturais e existem aqueles que, como eu, preferem aceitar a simplicidade do não-saber."[...]
             É um belo artigo que você, leitor deste blog, não deve deixar de ler.


    São Paulo, domingo, 27 de setembro de 2009



    http://www.domtotal.com/img/entrevistas/44_47.jpg 
    Marcelo Gleiser

    A primeira causa

    O propósito da ciência não é responder a todas as perguntas; sua missão é outra

             Hoje, retorno a uma questão que parece boba, de tão simples. Mas talvez seja a mais complexa que podemos tentar responder. Tanto que, no meu livro "A Dança do Universo", chamei-a de "A Pergunta". Aí vai: como tudo começou?
             O que complica as coisas é que pensamos sobre tudo como um encadeamento simples de causa e efeito: cada efeito tem uma causa que o precede.
             Quando vemos uma bola de futebol voando, é porque alguém a chutou; se um carro passa na rua, é porque alguém está dirigindo; se a planta cresce, é porque consegue extrair nutrientes do solo e usar a luz solar como fonte de energia; se o Sol brilha, é porque em seu centro hidrogênio está sendo fundido em hélio, liberando quantidades enormes de energia; se o Sol existe, é porque uma nuvem de hidrogênio entrou em colapso há cerca de 4,6 bilhões de anos, atraída pela própria gravidade...
    Se continuarmos nessa linha, terminamos, paradoxalmente, no começo de tudo, a origem do Universo. Se o Universo existe, "algo" o fez existir.
    A primeira causa é o impulso inicial da criação. Assim ela tem sido vista desde que religiões começaram a tentar explicar o enigma da origem de tudo. No caso da religião, a estratégia funcionou bem: dado que deuses são entidades sobrenaturais, eles não vivem no tempo, tendo uma existência atemporal, eterna. Assim sendo, regras de causa e efeito, ou mesmo a mera aplicação do bom senso, não valem para divindades.
             Uma vez que se aceita que algo pode existir fora do tempo e pode ter poderes absolutos que transcendem as leis da natureza, tudo é possível. Até a criação a partir do nada. No Gênese, Deus criou a luz e separou as águas da terra através do verbo. Segundo Santo Agostinho, que muito se preocupou com esse assunto, o tempo e o espaço surgiram com o mundo. Antes da criação, não havia o "antes", pois o tempo não existia. Outras narrativas de criação do mundo resolvem a questão da primeira causa de forma semelhante, postulando a existência de entidades divinas e, portanto, alheias aos vínculos temporais que tanto nos limitam.
             E a ciência? Será que é possível resolver a questão da primeira causa de modo científico? Esse é um debate ferrenho que, infelizmente, entrava o progresso cultural da humanidade. Remete-nos a "guerras" inúteis contrapondo ciência e religião, como se a ciência tivesse como função substituir a fé religiosa, uma grande distorção.
             Se as pessoas acreditam que a ciência é capaz de responder a todas as perguntas, incluindo a questão da primeira causa, elas se sentem justamente ameaçadas: parece que a ciência tem como missão "roubar" Deus das pessoas. De forma alguma: ao contrário do que muitos dizem, não é essa a missão da ciência. A ciência não se propõe a responder a todas as perguntas. E por um motivo simples: nós nem sabemos que perguntas são essas. Dado que jamais teremos um conhecimento completo da realidade, jamais poderemos construir uma narrativa científica completa.
             Sempre existirão questões não perguntadas e não respondidas; e mesmo questões que nada têm a ver com a ciência. A escolha do que fazemos com essa nossa ignorância perene é pessoal: existem aqueles que preferem optar por ter fé em entidades sobrenaturais e existem aqueles que, como eu, preferem aceitar a simplicidade do não-saber. Não ter todas as respostas é a pré-condição para o nosso crescimento. Nesse sentido, mesmo se a ciência não resolver o enigma da primeira causa -e existem obstáculos complicados que ficam para outro dia-, prefiro continuar tentando e aceitar que, por ser humano, minha visão de mundo tem limites.

    MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo"

    http://www.masterdiz.com/web01/bars/li013.gif

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário

    Convido você, caro leitor, a se manifestar sobre os assuntos postados na Oficina de Gerência. Sua participação me incentiva e provoca. Obrigado.