3 de out de 2009

Nelsinho Piquet. Aprenda com este episódio o valor de dizer NÃO!


http://resources.sportingo.com/gallery/Getty-Images/Nelson-Piquet-Jr.jpg
[clique e conheça o site oficial do piloto]

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         Deixei passar um bom tempo para escrever sobre o episódio do Nelsinho Piquet na Fórmula 1. Agora que baixou a temperatura a mídia já jogou a noticia para o cantinho da ultima página e vida que segue...
         O que me atraiu o desejo de escrever sobre este badalado acontecimento é que nele há uma grande lição a ser extraída. Lição para os mais jovens - como o piloto brasileiro - que estão no limiar de suas carreiras. E que preceito é este? Falo (ou melhor, escrevo) sobre a coragem de dizer não. E pergunto logo de cara: 
- Haveria atitude (aparentemente) mais fácil do que abrir a boca e pronunciar esta palavra de uma sílaba apenas? Simplesmente dizer NÃO!
         Pois é, mas foi exatamente o que o Nelsinho Piquet não fez e  pela falta desta "palavrinha" encerrou - talvez fosse melhor escrever "enterrou" - sua carreira na Formula 1. Por que é tão dificil dizer não?
         Não serei cruel com o jovem Piquet. Deve estar vivendo, internamente, momentos terríveis . Não é fácil aguentar o que está passando sem a experiencia dos anos para lhe dar suporte. No entanto é, profissionalmente falando, o preço menor que pagará pelo enorme erro que cometeu. O erro de haver desprezado as regras da ética; de haver optado pelo despropósito e ter sido instrumento da ambição sem medidas. Direi que, na sua decisão, sobrou a arrogância comum dos jovens e faltou a humildade dos que sabem esperar pelas oportunidades. Agiu sem consultar os mais experientes (sequer avisou ao pai, velho conhecedor das manhas da corporação da F1) e cometeu o pecado mortal de ter sido instrumento do gangsterismo de seus patrões.

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 http://www.encontracarros.com/upload/f1-2009/nelsinho-piquet-singapura-2008.jpg
       Não quero julgar, nestas pobres linhas de blogueiro, e não vou julgar este jovem. Nelsinho Piquet tem a idade de um dos meus filhos (24 anos) e posso dizer que entendo como um jovem desta faixa etária pensa, age e reage às pressões que se lhe apresentam.
         O meu objetivo neste post é chamar a atenção dos outros rapazes que estão iniciando suas carreiras em outras profissões menos arriscadas, mas não menos competitivas que a Formula 1. Já disse antes e digo novamente que ao circo da Formula 1 é um ótimo ambiente para criar metáforas que servem na medida para o mundo corporativo das empresas.
         Recomendo aos leitores que estudem profundamente este case. Ele é muito valioso. Está na medida para quem quer aprender sobre analise comportamental dos individuos colocados sob pressão para crescer rapidamente em suas carreiras (os famosos carreiristas); idem para aqueles que não conseguem gerenciar suas ambições pessoais e se perdem na fronteira entre a ética e o desregramento. Por fim e principalmente  o epísódio do Nelsinho Piquet e Flávio Briatore contribui para o estudo e o aprendizado daqueles que não sabem ou não conseguem dizer o NÃO no momento fatal! Costumo dizer que este é o ponto que separa os homens dos meninos...
         Estas reflexões, com certeza, irão ajudar os profissionais que se derem ao trabalho de faze-las para que confrontem as permanentes e sedutoras oportunidades de usar atalhos fáceis para "subir" mais rápido na carreira, ocupar espaços profissionais e angariar prestigio com os superiores.
         Foi exatamente isso que levou Nelsinho Piquet a cometer  o desvario e a loucura de provocar o acidente na corrida de Cingapura com seu próprio carro. E não estou interpretando. Ele mesmo disse que aceitou cometer aquele desatino porque estava inseguro quanto à renovação do seu contrato com a empresa que o empregava (Renault). Quis agradar o seu chefe que planejou o ato criminoso e o envolveu. Este sim,  Flávio Briatore, um malfeitor, um tumor maligno na corporação da F1. Com o agravante de que era o "mentoring" do piloto brasileiro. Vejam só! Era tão ligado ao Nelson Piquet (pai) que este havia entregado aos seus cuidados a carreira do filho . Briatore, o chefe, além de enterrar a carreira do seu pupilo traiu miseravelmente a confiança do pai dele.
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http://1.bp.blogspot.com/_O8y4_GPsReM/SreCyPMnzvI/AAAAAAAAALU/Z98fSjT2_Ds/s400/briatore+e+nelsinho.jpg
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          Ótimo que foi banido da Formula 1 e espero que do mundo esportivo também. Como pai, não sei o que eu faria se estivesse no lugar do Nelson Piquet... Mas enfim, apesar da minha indignação não é esse o foco do post. E vou encerrá-lo.
         Registro que não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto. Em julho de 2008 escrevi um artigo que intitulei "O choro do tenente". Trata exatamente deste tema. Um jovem militar que apenas iniciava sua carreira não soube dizer o NÃO no momento exato e cometeu a insensatez fatal. Também enterrou sua carreira. Recomendo que cliquem no link  e leiam o post também.
         Sobre o caso Nelsinho Piquet (apesar de tudo lamento muito pelo jovem piloto brasileiro que está - como é de se esperar - com as portas fechadas na Formula 1) leiam o artigo abaixo escrito pela excelente jornalista Ruth de Aquino da revista Época. Foi o melhor que li a respeito deste triste episodio.


Bullets gif file

Revista Época
RUTH DE AQUINO
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br

O circo de horror da Fórmula 1


"O que leva um jovem talentoso de 24 anos, filho de tricampeão mundial de F-1, a arriscar a própria vida e a de outros batendo de propósito num muro durante uma corrida? Medo de perder o emprego. Insegurança. Até a confissão de Nelsinho Piquet, esperava-se que tudo não passasse de cortina de fumaça num circo alimentado de muita grana, fofocas, traições e espionagens. Sob pressão da Renault, “em estado mental frágil”, Nelsinho arriscou tudo e perdeu tudo no GP de Cingapura de 2008.
É coisa de bandido. História de máfia. Tanto que o depoimento de Nelsinho foi chamado de “delação premiada”. Ao denunciar a Renault, Nelsinho em tese não pode ser punido. Estaria jogando a última cartada para não perder sua licença. Seu argumento é que estaria tentando “assegurar a justiça e legalidade do campeonato”.
Se for verdade o juramento oficial de Nelsinho Piquet – e, hoje, é difícil colocar sua versão em dúvida – , o piloto brasileiro derrapou e bateu sob orientação de seu “manager” e diretor da Renault, Flavio Briatore, e do diretor técnico, Pat Symonds. O objetivo era favorecer o bicampeão mundial Fernando Alonso, seu colega de escuderia. Com a obstrução na pista e a entrada do carro de segurança, Alonso pulou do 19o lugar para o quinto e acabou vencendo a corrida. Incidentes assim beneficiam quem acaba de parar nos boxes para reabastecer. Alonso tinha enchido o tanque duas voltas antes.
“O senhor Symonds me puxou para um canto tranquilo e, usando um mapa, apontou-me para a curva exata onde eu deveria bater”, disse Nelsinho no depoimento para a Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Tudo teria sido planejado de forma meticulosa, como um crime quase perfeito. A reunião com Briatore, antes da corrida, teria acontecido num momento em que ele cozinhava Nelsinho, não garantia a renovação de seu contrato com a Renault nem o autorizava a negociar com outras equipes.
Então, Nelsinho, nascido em julho de 1985 na romântica Heidelberg, Alemanha, fez o impensável. Imaturidade? Irresponsabilidade? Espírito de equipe? Ambição? Por que simplesmente não se recusou a fazer o que lhe pediam? Poderia ter se ferido ou ferido outros. Será que consultou o pai? Piquet não teria permitido. Soube depois.
Imaturo? Irresponsável? Ambicioso? Por que Nelsinho Piquet não se recusou a bater o carro?
Foi o pai quem convenceu o filho a contar toda a história. Nelsinho Piquet foi demitido pela Renault em julho. Teria denunciado Briatore, a quem considera seu “carrasco”, se tivesse continuado na Renault? A cadeia de erros de Nelsinho não torna menos criminoso o pedido do grisalho Briatore, hoje uma celebridade do jet set internacional que se esbalda em iates, cercado de beldades como a atual mulher, Elisabetta. Nelsinho fez sua “declaração de verdade” à FIA no dia 30 de julho. Faltam as provas irrefutáveis. A Renault está processando Nelsinho.
As reações de outros pilotos também dizem muito sobre eles. Fernando Alonso, o beneficiado: “Estou muito surpreso com tudo isso (será?) . Mas essa investigação não afeta o sabor daquela vitória (deveria afetar...) . É um sabor muito bom, dos melhores”. E Rubinho Barrichello? “Vejo como uma falta de esportividade muito grande. Alguém que tenha a capacidade de fazer isso não merece estar no esporte.” Uhmmm... Não foi Rubinho quem tirou o pé do acelerador de sua Ferrari e freou vergonhosamente, a metros da bandeirada final do GP da Áustria, em 2002, para o alemão Michael Schumacher ultrapassar e ganhar a corrida, por ordem do chefão da escuderia? É isso que Rubinho chama de esportividade?
Não tem santo ali. O maior campeão de todos os tempos (Schumacher) foi acusado de jogar seu carro contra Damon Hill, em 1994, e Jacques Villeneuve, em 1997. Na primeira, apesar da revolta de muitos, comemorou o título pela Benetton. Em 1997, na Ferrari, foi punido pela FIA com a perda do título de vice-campeão.
O circo de horrores da F-1 serve de alerta a quem faz tramoias em nome da empresa, do chefe, do partido, do poder ou de si mesmo. Para não perder a boquinha, perde o juízo. Um dia acaba expulso do picadeiro. Quando colocamos a dignidade pessoal em jogo, os palhaços somos nós."



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