13 de jan de 2011

O Guardião do Castelo

H
á muitos anos recebi de um amigo dileto, bem mais velho que eu, esse texto maravilhoso. Lembro-me que fiquei tão fascinado que a todo o momento referia-me a ele para citar exemplos de comportamento e de atitudes. Acho que exagerei tanto que alguns companheiros passaram a me apelidar de "O Guardião do Castelo".
Quando comecei o meu projeto de blog foi quase automático que um dos primeiros textos que postei foi o próprio. Isso aconteceu em final de novembro de 2007. 
Recentemente, navegando pelos meus antigos posts (coisa que faço frequentemente e com enorme prazer) deparei-me novamente com o Guardião do Castelo. Não tive duvidas.
Agora, mais experiente como blogueiro, tive oportunidade de melhorar o texto dando-lhe um toque mais descritivo e ilustrando com duas imagens lindas e apropriadas. Gostei muito do resultado.
A mensagem é simples e direta. O escrito está fartamente exposto em vários links da internet (Google), mas com uma apresentação única, copiada ipsis literis uns dos outros, pobre e sem a imaginação da cena e do movimento que procurei colocar aqui. 
Para quem já conhece a metáfora, por favor, releia-a e quem ainda não a leu posso apostar que irá gostar tanto quanto eu imagino. Vai dar muito que pensar em quantas vezes você deixou de assumir a atitude o que o discípulo tomou.  

http://www.reocities.com/CapeCanaveral/4484/gift/tocha.gifO Guardião do Castelo
http://paizo.com/image/content/LegacyOfFire/PZO9021-ScholarRayhan.jpg 
"Num castelo longínquo e isolado nas montanhas que abrigava um mosteiro  a manhã foi interrompida com a noticia da morte do seu Guardião.  Tão repentina quanto inesperada a morte daquele monge guerreiro pegou o mosteiro de surpresa. Era urgente que um substituo fosse rapidamente encontrado. 
O Mestre do Castelo , muito apreensivo, fez tocar o sino sagrado e convocou, então, todos os seus discípulos ao salão principal do castelo para escolher quem seria o novo guardião. Com a tranquilidade inerente aos velhos mestres reuniu o Conselho de Anciãos e sentenciou: 

- Assumirá o posto aquele que resolver mais rapidamente  o problema que irei lhes apresentar. 
Era um honra suprema ser o Guardião do Castelo. Ele seria o segundo homem na hierarquia da comunidade. A segurança do castelo e do mosteiro dependiam diretamente do Guardião. Teria de ser alguém dotado das melhores qualidades.  Decisão, coragem e destreza eram essenciais. 
O mestre pensou, enquanto fazia os preparativos, que os discipulos não estavam preparados ainda. Como então descobrir entre eles o escolhido?
Mandou então colocar  uma magnífica mesa no centro do enorme salão em que iriam reunir-se, forrou com a  toalha de linho mais branca  e sobre ela pousou delicadamente um enorme e lindo vaso da mais fina  porcelana, muito raro, com uma enormes rosas amarelas de extraordinária beleza a enfeitá-lo. Esperou todos os discipulos chegarem e após um prolongado silencio  e disse apontando para a mesa, o vaso e as flores: 
- Aqui está o problema. 
Enquanto todos, como que pegos de surpresa, ficaram olhando a cena sem compreender direito o que estavam vendo o mestre pensou: 
-Será que vou encontrar o Guardião em meio a esses discípulos tão jovens? 
Ali estava o  vaso belíssimo, de valor inestimável, com as maravilhosas flores ao centro. Solitário sobre a mesa. Tão inofensivo quanto belo. Como poderia ser um problema? Pareciam pensar todos. O que representaria?! O que fazer?! Qual o enigma que o mestre estava lhes propondo?!  O que fazer?!
No instante seguinte com a velocidade de um felino e a determinação de um guerreiro um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, encarou os companheiros, dirigiu-se a passos firmes para o centro da sala. Parou diante da mesa e a  lamina brilhou no espaço faiscante . Um relampago em direção ao vaso. Destruiu tudo, o vaso maravilhoso e as lindas rosas amarelas.  Com um só golpe certeiro  e preciso transformou o cenário em pedaços de porcelana e pétalas das rosas no piso do salão.
http://www.reocities.com/CapeCanaveral/4484/gift/tocha.gif Embainhou  calmamente a espada em seguida. Com a mesma determinação  o discípulo, em silencio, voltou ao seu lugar sob os olhares estupefatos de seus companheiros.http://1.bp.blogspot.com/_QevdxMSwJoU/TB4d881R-GI/AAAAAAAAAB4/eYtBW87tnok/s1600/monge+para+anime+spellsinger.jpg
O  Mestre dirigiu-se ao centro do salão com um brilho de satisfação nos olhos e disse orgulhoso dirigindo-se ao discípulo.
- “Você será o novo Guardião do Castelo.”
  •  

Este é um antigo texto, sem autor conhecido, muito utilizado como metáfora por consultores e palestrantes sobre liderança e atitude. Existem várias mensagens que podem ser dele extraídas e uma delas pode ser considerada a principal: 
  •  "Não importa qual a estrutura ou a circunstância do problema, mesmo que seja algo de alto valor material ou sentimental, se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema seja de que tipo for será sempre um problema".  
Ocorre que a maioria das pessoas carrega durante a vida inteira o peso das coisas que foram  importantes nas suas experiencias passadas, mas que hoje ocupam um espaço inútil em seus  corações e mentes. Espaço que é indispensável para recriar a vida.

 Limpe a sua vida, comece pelos espaços físicos à sua volta (caixas, gavetas, armários...). Continue ceifando os problemas  até chegar às pessoas do  passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em seu coração  neste momento. O passado deve servir de lição, como experiência, como referência  para ser lembrado, mas nunca para ser revivido. 
Use as “experiências do passado no presente, para reconstruir o seu futuro.”

[Esta é uma edição mais aprimorada do post que publiquei originalmente no blog em 24/11/07]
 

5 comentários:

  1. Rocha Maia apenas um artista25/11/2007 20:19

    "Não importa qual a estrutura ou a circunstância do problema, mesmo que seja algo de alto valor material ou sentimental, se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema seja de que tipo for será sempre um problema".

    Longe de mim a pretensão de ser o dono da verdade, mas, se olharmos por outros ângulos, a metáfora lembra algo maquiavélico também: os fins justificam os meios. Especialmente, quando podemos entender que, por exemplo, no lugar de um vaso com a flor poderia estar aquilo que vou chamar de pressuposto legal, moral ou ético, isto é, o interesse da coletividade. Por não terem limites internos no exercício do poder decisório, muitos gestores entendem a metáfora apresentada como indutora de soluções cirúrgicas para todos os problemas. Se a cada “vaso raro com bela flor” que se apresente como sendo o problema, formos tomar a decisão da solução radical e pronta do espadachim, por certo nossos gestores futuros estarão fadados a administrar organizações tão obsoletas e simplistas como os mosteiros. O primeiro engano da metáfora está no seguinte ponto: "...se for um problema, precisa ser eliminado." Quer dizer, não pode ser transformado? Pergunto-lhes, por qual razão um problema deve ser solucionado pelo processo da eliminação, no sentido da destruição total da causa? Certamente, uma resposta que pode parecer verdadeira é: por ser a única maneira de se ter a garantia de que a causa não reaparecerá e, portanto, o problema não mais poderá se repetir. Certo? Respondo: errado! Quantas vezes cada um de nós sujou as fraldas até aprender a usar a privada? Quantas vezes cada um de nós urinou na cama até aprender a controlar a bexiga? Quantas e quantas vezes aprendemos a fazer algo certo usando o caminho pedagógico da "tentativa e erro"? Assim acontece igualmente nas organizações, quando os processos novos surgem em substituição aos antigos. Nem tudo é possível dominar 100% nos sistemas complexos e probabilísticos, como o são as empresas. As variáveis são assim chamadas, justamente por serem inconstantes, mormente as externas. O segundo erro da metáfora está na situação que foi apresentado pelo Mestre, como sendo algo sem qualquer possibilidade de discussão. Ele foi dogmático. Mas como não colocar em discussão, se a decisão de solução caberá a quem não participou do processo de análise da relação causa & efeito. Não há, portanto, como desconhecer a importância das causas relacionadas aos efeitos, quando estamos buscando uma solução pelo caminho da analise de um problema. A experiência dos mais importantes pesquisadores aponta que não há uma relação direta entre a complexidade ou simplicidade de um problema, com a simplicidade ou complexidade de solução para o mesmo problema. Antes e muito antes de se pensar em adotar uma solução rápida, radical e cruenta, como sugere a reengenharia da espada sobre o vaso, devemos caminhar entre as alternativas mais sábias, igualmente curativas, porém amplamente discutidas e analisadas por todos, até mesmo porque as responsabilidades social, ambiental e cultural, amparam essas medidas cautelares. Nossas empresas não são como velhos mosteiros encarapitados nos distantes montes, a sugerir um sistema fechado e autônomo. Muito ao contrário, cada vez mais, nossas organizações são abertas e transparentes. Não sei por qual motivo me invade a mente, neste momento, a história do julgamento de Salomão, aquele da criança disputada por duas mulheres que se diziam ser a verdadeira mãe. Lá também, se não me falha a memória, é chamado um espadachim para cortar a criança ao meio, como sentenciava o grande rei. Daria metade da criança para cada uma das mulheres e..., pronto, teria sido "eliminado" o objeto da disputa, "Não importa qual a estrutura ou a circunstância do problema, mesmo que seja algo de alto valor material ou sentimental". Sabemos todos que a sabedoria de Salomão era maior do que a do noviço Guardião do Castelo. Depois dessa, fico a imaginar se algum dia tal espadachim teria chegado a ser um Rei, como Salomão.

    ResponderExcluir
  2. Vou ter que ler com calma tudo isso...

    JB

    ResponderExcluir
  3. Agora li com mais calma.
    O lugar comum é conviver com um problema, protelando decisões e ações. Nosso país está aí como prova cabal do que aqui afirmo.
    O texto não pode ser interpretado literalmente. Radicalizar é uma das opções que geralmente não é adotada. Mas deveria ser.
    Tem a velha expressão que diz "matar o mal pela raiz".
    É a expressão, em uma única frase, do resumo da mensagem do texto do Guardião do Castelo.
    Quanto a "Muito ao contrário, cada vez mais, nossas organizações são abertas e transparentes." não sei em que mundo vive o missivista.
    Transparente ???
    Sei, mo meu é que não é.

    Saudações tardias,

    JB

    ResponderExcluir
  4. Caro Brain
    Grato, mais uma vez, pela presença e riqueza do comentário. O "Guardião do Castelo" é assim mesmo. Provoca discussões e polêmicas. Utilizo-me muito do texto em minhas preleções e sempre tem alguém que interpreta de uma maneira diferente de outro.
    Gosto muito da interpretação que você deu, ou seja, não literalmente.
    O discipulo ao quebrar o vaso cometeu um ato radical? Como diria aquele famoso personagem da Escolinha do Prof. Raimundo: - Há controvérsias...
    E fico por aqui deixando um abraço. Volte sempre.

    ResponderExcluir
  5. Pedro Pereira, Seu Saraiva...
    Francisco Milani deixou saudades.

    JB

    ResponderExcluir

Blogs que me encantam!


..saia justa......† Trilha do Medo ♪....Blogueiros na Web - Ensinando o Sucesso no Blogger e Wordpress!..Emprego Virtual..Blog Ebooks Grátis....http://3.bp.blogspot.com/_vsVXJhAtvc8/ShLcueg5n2I/AAAAAAAACqo/sOQqVTcnVrc/S1600-R/blog.jpg..http://lh6.ggpht.com/_vc1VEWPuSmU/TN8mZZDF9tI/AAAAAAAAIJY/GWQU-iIvToI/banner-1.jpg....Divulgar textos | Publicar artigo....tirinhas do Zé........

Estatística deste blog: Comentários em Postagens Widget by Mundo Blogger

Safernet



FinderFox

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin