11 de abr de 2010

Como você vota? Com razão ou com emoção? (Folha de São Paulo)


        Quando vi este artigo na Folha de São Paulo no dia 22 de março p.p. não tive duvidas em guardá-lo para publicação oportuna no blog. 

Alias, adoro fazer isto. Recortar artigos de jornais e revistas, além de sites e blogs, para publicar na Oficina de Gerencia. É tanta informação perdida que fico imaginando se todos os leitores do blog têm tempo e preocupação para estar lendo tudo que lhes caia nas mãos.  É mais ou menos o que faço. Procuro não perder oportunidades de ler sobre todos os assuntos e temas. Faço as escolhas e trago-os para o blog.
        Vamos voltar ao artigo deste post. Vi, guardei e agora é hora de publicar. Achei oportuno porque estamos nos aproximando celeremente das eleições de 2010. Como já sabem os que frequentam o blog da Oficina de Gerencia eu não escrevo sobre politica e religião. Credos, de uma forma geral. Digo isto para adiantar aos leitores que o artigo não trata de politica apesar de abordar o tema dos votos e eleições.
        Na verdade é uma matéria sobre pesquisa feita nos EUA (só podia ser de lá...) sobre a relação entre as escolhas que os eleitores fazem com seus votos e o que está registrado em seus cerebros nas zonas da emoção e da razão. Interessante não é mesmo? Antes de continuar dê uma paradinha e responda: você vota mais com a razão ou com a emoção?
        Muito bem, a pesquisa concluiu que a emoção pesa mais do que a razão (algo que nem seria preciso de pesquisa para saber) e a partir dai os pesquisadores levantam algumas questões decorrentes dessa constatação. Algo como, por exemplo, o que está colocado neste pequeno trecho que pincei do artigo:
  • [...] "A questão que fica é: a democracia ainda para em pé? Num quadro em que as decisões dos eleitores são principalmente fruto de uma combinação de propaganda subliminar com estímulos consolidados ao longo dos primeiros anos de vida, faz sentido determinar o destino da nação através do voto?" [...]
        A resposta está lá na sequencia da inquirição do autor. Espero que apreciem, pois como escrevi acima as eleições estão se aproximando e o que todos nós queremos é que com emoção ou com razão o nosso eleitorado faça suas escolhas conscientes e pensando coletivamente na nação.
São Paulo, segunda-feira, 22 de março de 2010



O
 cerebro politico

Ciência explica por que, no voto, emoção pesa mais que razão  
Descoberta de pesquisas nos EUA de que escolha do candidato não é racional impõe questionamento sobre sentido da ideia de democracia representativa

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Como o eleitor escolhe seus candidatos? A resposta, já há tempos intuída por políticos e marqueteiros e que agora ganha apoio da neurociência, é que, na definição do voto, emoções são significativamente mais importantes que a razão.
Experimentos conduzidos nos EUA pelo psicólogo Drew Westen mostram que, com base apenas em questionários de cinco minutos sobre os sentimentos das pessoas em relação a certos temas, é possível prever com 80% de acuidade a resposta que elas darão a perguntas bastante precisas, como "o presidente mentiu ou disse a verdade?", "a Constituição autoriza ou não a adoção da medida proposta pelo governo?".
Enriquecer esse modelo com conteúdos mais propriamente racionais, considerando também informações sobre a situação em que o presidente teria mentido, por exemplo, tem impacto negligenciável nas previsões, que ganham apenas entre 0,5 e 3 pontos percentuais de precisão. Em outras palavras, a realidade é só um detalhe para o eleitor, que raramente muda sua opinião em virtude de fatos que lhe sejam apresentados.
As implicações dessas descobertas, que vão ganhando atenção crescente dos departamentos de psicologia e ciência política nos Estados Unidos, não são triviais. Se o voto não é o resultado de uma escolha racional e ponderada do cidadão -e poderia, em princípio, ser substituído por um teste de personalidade-, a ideia da democracia representativa continua a fazer sentido?

Livros
Questões como essa estão bem sistematizadas em dois livros lançados nos EUA. Em "The Political Brain" (o cérebro político), de 2007, Westen, hoje na Universidade Emory, dedica 500 páginas a recapitular experimentos que esmiúçam o comportamento do eleitorado e a mostrar as estratégias que costuma dar certo em campanhas.
No outro, "The Political Mind" (a mente política), o linguista e cientista cognitivo George Lakoff usa 300 páginas para explicar por que os cérebros de conservadores e progressistas funcionam de forma diferente (e inconciliável).
Mirando alto, Lakoff, hoje na Universidade da Califórnia em Berkeley, aproveita o livro para advogar pela fundação de um "novo iluminismo", no qual a razão deixaria de ser idealizada como uma máquina de calcular objetiva e desapaixonada e passaria a ser considerada como o que de fato é: um processo bem menos razoável, no qual 98% das "decisões" ocorrem inconscientemente e sob influência de emoções que nem sequer desconfiamos possuir.

"Frames"
O cérebro político pensa em termos de "frames" (enquadramentos) e metáforas. Podemos chamar um grupo armado que lute por uma causa determinada de "terroristas" ou de "combatentes da liberdade". E isso faz toda a diferença.
"Frames" são mais que etiquetas ideológicas que pregamos a objetos. A capacidade dos neurônios de se conectar em redes que podem ser ativadas por contiguidade semântica faz com que as palavras escolhidas tenham o dom de comunicar sentimentos. Sem nos dar conta, sempre que lemos a palavra "terror", sensações de angústia e medo são acionadas. De modo análogo, a palavra "liberdade" dispara estímulos positivos.
Experimentos de Westen mostraram que a ativação dessas redes, embora inconsciente, influencia fortemente as nossas decisões.
Assim, os embates políticos não se resolvem tanto no plano das propostas, mas principalmente das narrativas que partidos e postulantes escolhem para contar suas histórias e transmitir seus valores. Devem constituir uma história fácil de contar e que fale ao cérebro emocional do eleitor.
Especialmente para Lakoff, metáforas são muito mais que um recurso linguístico para explicar ideias. Elas são a matéria-prima do pensamento e têm existência física no cérebro. Pares de ideias frequentemente disparadas juntas acabam se consolidando numa rede neuronal que se torna mais forte à medida em que vai sendo mais utilizada.
Sempre que uma conexão é ativada, ela inibe o acionamento de redes alternativas que possam existir. O viés do militante em favor de seu partido não é necessariamente mau-caratismo (veja quadro). Ele de fato percebe o mundo de forma menos objetiva.

Moderação
A questão que fica é: a democracia ainda para em pé? Num quadro em que as decisões dos eleitores são principalmente fruto de uma combinação de propaganda subliminar com estímulos consolidados ao longo dos primeiros anos de vida, faz sentido determinar o destino da nação através do voto?
A resposta é afirmativa. Antes de mais nada, nem todo mundo é um militante radical e nem todas as questões debatidas são politicamente explosivas. Um número significativo de pessoas não é tão veemente em suas convicções políticas e adota visões de mundo ora conservadoras, ora progressistas dependendo do assunto. É em geral esse contingente que acaba definindo o resultado de eleições. Não deixa de ser uma virtude da democracia que os destinos de um país sejam definidos pelos mais moderados.
Outro ponto é que, embora seja difícil contornar conexões neuronais já consolidadas, não é impossível. Discursos que ofereçam "frames" alternativos e explicitem os processos mentais em operação podem levar o eleitor a mudar de ideia, constituindo uma forma legítima de persuasão política.
Apesar de as democracias modernas terem sido concebidas por filósofos iluministas que as moldaram segundo uma concepção de razão que hoje sabemos falsa, o fato é que há mais de 200 anos elas vêm se mostrando um sistema bastante funcional, capaz na maioria das vezes de autocorrigir-se.

3 comentários:

  1. Caro amigo Herbert, espero não parecer pernóstico, mas o que direi a seguir é expressão da mais pura verdade.

    Sucede que desde cedo vivi premido entre a crença luterana da predestinação do meu pai e a crença católica do livre-arbítrio.

    A questão é que oscilei como pêndulo entre as duas possibilidades.

    Só que há um detalhe significativo que se faz presente na matéria deste post: racionalmente dou o braço a torcer e concordo que a existência pende mais para o determinismo do que eu gostaria de admitir. Emocionalmente..., bom pelo coração sou todo livre-arbítrio.

    É uma encrenca filosófico-existencial das boas. Só que ultimamente as evidências compiladas pelas neurociências confirmam o pior dos meus temores: somos menos livres do que imagina a nossa vã filosofia.

    Eis um assunto para futuros, acalorados, apaixonados e substanciados debates. A sorte está lançada. Abraços, Eugen.

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  2. Caro Professor,
    Concordo que é uma baita "encrenca filosofica-existencial". Ainda não havia colocado as coisas desta maneira. Me fez pensar (e ainda continuo...).
    Sou muito pelo lado da paixão também. Na verdade não consigo me lançar em uma escolha ou um projeto qualquer sem que a componente da emoção seja prevalecente. Para quem acredita em horoscopos (já passei da idade) dizem eles que é coisa de escorpião. Será?
    O fato é que somos efetivamente menos livres do que imaginamos. E para reforçar suas atrozes duvidas convido-o a ler o post (se já não o fez) "Da Servidão Humana". Ai mesmo é que você vai sair convencido das suas duvidas ou será das certezas? Enfim, chegamos ao velho impasse do vice-versa ou versa-vice.
    De tudo que você escreveu (e aviso que vou colocar o seu comentário no post) o que eu mais gostei foi a "proposta" dos acalorados debates. Eu, mais que depressa já os imaginei à beira de uma lareira ou numa bela varanda ao "som" de um bom vinho. Um sonho? Quem sabe se breve não será?
    Grande abraço e mais uma vez grato pela visita, sempre honrosa para este "pobre visconde".

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  3. Caro amigo, como vinho e verdade andam juntos há muito tempo, com certeza chegaremos ao amago da questão e descobriremos quem está com a razão: Darwin ou Santo Tomás de Aquino? Freud ou Chopra?

    Abraços, Eugen

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