4 de mai de 2014

Ser ou não ser... “Maquiavélico”.

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Nicolau Maquiavel, pintura de Santi di Tito

Ser ou não ser... “Maquiavélico”.
 (autor Herbert Drummond)

Poucos líderes e gerentes têm a coragem de assumir em público que agem ou em algum momento atuaram segundo os princípios conhecidos de Nicolau Maquiavel . Muitos, na realidade sequer leram qualquer das obras do famoso florentino. Outros, mal e mal passaram os olhos na mais famosa delas, O Príncipe”. 
Todavia, em algum momento, aqueles que desempenham ou já exercitaram os papeis de líderes ou gestores praticaram, em oportunidades diversas, algum ato que poderia ser classificado como “maquiavélico” (de forma depreciativa ou inteligente). Se ainda não o cometeram, o que é uma mera aleivosia, certamente ainda irão fazê-lo.
Diz-se que o melhor resumo da obra e do pensamento de Maquiavel está contido numa frase que lhe é atribuída, mas ele - na verdade - nunca chegou a escrever: “os fins justificam os meios”. Leia um trecho do verbete que está na Wikipédia sobre o tema: 
  • "Em sua principal obra, "O Príncipe", Nicolau Maquiavel, cria um verdadeiro "Manual de Política", sendo interpretado de várias formas, principalmente de maneira injusta e pejorativa; o autor e suas obras passaram a ser vistos como perniciosos, sendo forjada a expressão "os fins justificam os meios", não encontrada em sua obra"
Nessa linha de pensamento quem nunca consumou um "ato maquiavélico" que atire a primeira pedra.
Por isto mesmo (e de forma distorcida) ser apontado como maquiavélico tornou-se uma pecha, um defeito, algo temível em um comportamento, uma imperfeição de caráter. Virou sinônimo de má índole, de falta de escrúpulos, de impiedade ou dirigida aos "praticantes da magia negra corporativa”  dentro das empresas. Entretanto tal reputação não corresponde (inteiramente) à verdade!
Para quem buscar conhecer melhor a história e o pensamento de Maquiavel irá perceber outros sofisticados aspectos além deste revestimento de pretensa apologia à crueldade corporativa que está – é verdade - estampada em algumas das suas idéias. Não nos esqueçamos que o contexto da sua obra está situado na realidade dos séculos 15 e 16.

Vejamos alguns dos muitos conceitos que deixou como legado:
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  • Nenhum indício melhor se pode ter a respeito de um homem do que a companhia que frequenta: o que tem companheiros decentes e honestos adquire, merecidamente, bom nome, porque é impossível que não tenha alguma semelhança com ele.
  • Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição
  • Pode-se dizer dos homens, de modo geral, que são ingratos, volúveis, dissimulados; procuram se esquivar dos perigos e são gananciosos.
  • Não é de pequena importância para um príncipe a escolha dos seus ministros. É a primeira conjetura que se faz, a respeito das qualidades de inteligência de um príncipe. Quando estes são competentes e fiéis, pode-se reputá-lo sábio, porque soube reconhecer as qualidades daqueles e mantê-los fiéis... Mas quando não são assim, pode-se ajuizar sempre mal do senhor, porque o primeiro erro que cometeu está nessa escolha.
  • Os homens mudam de governantes com grande facilidade, esperando sempre uma melhoria. Essa esperança os leva a se levantar em armas contra os atuais. E isto é um engano, pois a experiência demonstra mais tarde que a mudança foi para pior.
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Sem qualquer pretensão de fazer análise literária, o que eu quero repassar da minha experiência pessoal - como ávido leitor de suas obras e observador das suas aplicações na prática da gestão - é que o pensamento de Maquiavel deve, sim, ser melhor conhecido, depurado e bem aplicado por quem quer que esteja exercendo chefia ou pretende seguir a carreira da liderança. São ensinamentos notáveis e sempre atuais.
Um gerente que queira diferenciar-se no seu preparo técnico e intelectual deve ler não só “O Príncipe” (leitura fundamental) como também as outras obras do genial florentino que são “A Arte da Guerra” (não é o livro de Sun Tzu) e “Mandrágora” (peça de teatro). Todos eles expressam os princípios de Maquiavel que formam a base de suas avaliações, seus conceitos, concepções, conhecimentos; seus critérios, discernimentos, suas idéias, juízos e pensamentos.
O que eu quero salvaguardar é que não se deve compreender a designação de “maquiavélico” no sentido puramente maniqueísta e pejorativo. Os ensinamentos contidos nos livros do genieal florentino e notadamente em  “O Príncipe”, quando adaptados para a atualidade são além de eternos, pragmáticos e inteligentes.
A escalada do sucesso no mundo corporativo não é um passeio num parque de diversões. Antes, é um campo de contínuas batalhas onde com muitas conquistas e algumas derrotas, sobrevivem os mais preparados e determinados. Uma corrida de obstáculos incessante. Não há zona de conforto.
Portanto, não se acanhe de ser apontado como... Maquiavélico, desde que você, stricto sensu, realmente o seja.

Este post foi originalmente publicado no blog em setembro de 2011. Fiz uma edição mais atualizada e pela sua qualidade e centenas de acessos resolvi postá-lo de novo.

Um comentário:

  1. Rocha Maia apenas um artista09/12/2007 20:36

    Parabéns Drummond, pela coragem da abordagem e pela correção de interpretação das idéias de Maquiavel, especialmente em "O Príncipe", certamente, o mais lido de seus livros e infelizmente o mais aplicado de forma equivocada, donde o sentido conhecido do adjetivo "maquiavélico" ser tão negativo. O comportamento de muitas pessoas que desejam o poder é sempre o mesmo, isto é, pegam idéias e palavras ditas por algum grande pensador e partem para uma adaptação conveniente aos seus objetivos mesquinhos; que o diga se é verdade ou mentira o próprio Cristo (?), quando ouvimos alguns pregadores de púlpitos não tão santificados a propalar as verdades da Palavra! Assim são também muitos gerentes e chefes; capazes de forjar ou distorcer as palavras para sentidos jamais indicados pelos grandes gurus da administração moderna, só para fazer valer seus objetivos mesquinhos.

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