Vou iniciar uma série de artigos sobre eleições na Oficina de Gerência. É uma decisão que amadureci depois de muito refletir e que modifica uma orientação estabelecida por mim: manter o blog à distância dos debates políticos, sobretudo dos embates partidários.
Ao longo destes dezenove anos, de 2007 a 2026, preferi compartilhar experiências, cultura, valores e reflexões sobre a arte de conduzir a vida. Agora, como cidadão comum, vejo riscos para o futuro do Brasil que, em consciência, considero necessário abordar. Não quero me omitir.
Inquieta-me perceber como as paixões de uma eleição podem conduzir multidões e comprometer escolhas cujas consequências atravessam gerações. É uma preocupação que pretendo desenvolver nos próximos artigos desta série, expondo os fatos e os argumentos que sustentam minha posição.
Recordo aqui a conhecida reflexão do pastor luterano alemão Martin Niemöller sobre o silêncio diante da perseguição nazista. É em sua advertência sobre a omissão que encontro uma razão para examinar minha própria responsabilidade de falar.
Minha visão pode ser contestada; ainda assim, meus 80 anos de vida, vivência e experiência me levam a considerar que devo participar desse debate com os recursos de que disponho. Essa experiência ajuda a formar meu julgamento; não me torna imune ao erro.
Durante a série, não pretendo transformar a Oficina em um espaço de campanha nem dizer ao leitor em quem deve votar. Mas deixarei clara minha posição e apresentarei as razões que orientam a escolha que farei nas urnas, no dia 25 de outubro.
Tomo essa decisão por responsabilidade com minha terra, minha família, minha crença e os valores que orientam minha caminhada neste plano. Quero contribuir para o futuro que desejo legar aos meus filhos e netos, sem perder de vista que esse futuro será compartilhado com toda a sociedade brasileira. Considero essa participação a coisa certa a fazer.
Não reivindico o monopólio da razão. Respeito quem discorda e pretendo que a Oficina de Gerência continue sendo um espaço onde posições diferentes possam conviver e ser discutidas com argumentos. A firmeza de uma convicção não dispensa a disposição para ouvir, reconsiderar e corrigir.
Os artigos estarão sempre identificados pelo selo “Eleições — Opinião do editor” (apresentado na abertura do post). Assumirei a responsabilidade pelo que escrever, com o compromisso de conferir os fatos, indicar fontes e distinguir informação de opinião.
Sei que essa decisão poderá provocar discordâncias. Espero enfrentá-las com o mesmo respeito que peço aos leitores. Nesta quadra da minha vida, considero importante usar este espaço para dizer o que penso e explicar por quê.
É por isso que decidi falar sobre eleições.
Herbert Drummond


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