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Gerentes de Projetos não são “Heróis da Marvel”
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omecemos por adotar uma definição do que seja um Gerente de Projeto. Escolhi, entre muitas, uma que me parece bem aplicada ao que conheço de minha própria experiência como gestor, inclusive de projetos:
- “Gerentes de projetos são agentes de mudança: eles próprios estabelecem os objetivos de um projeto e usam suas habilidades e competências para inspirar um sentimento de propósito compartilhado dentro da equipe do projeto.”
Nos tempos atuais, em que se exige cada vez mais dos profissionais que habitam a selva corporativa a competência da Gestão de Projetos, o artigo que reproduzo abaixo continua bastante oportuno. Sua autora, a espanhola Camino Santiago Mellado (ver link ao final do post), faz um pequeno ensaio sobre os “poderes” que um Gerente de Projeto (Project Manager) deve manejar no decorrer de sua missão.
Ao ler algumas das descrições desses imaginários “super-homens” encontradas na bibliografia sobre gestão de projetos, tem-se por vezes a impressão de estar diante de personagens saídos das páginas dos quadrinhos da Marvel, dos Contos de Grimm ou da famosa Escola de Hogwarts. Seres quase extraterrestres, tamanha a gama de habilidades que deveriam dominar e de poderes que precisariam exercer no desempenho de suas funções.
Cada artigo parece apresentar alguma “novidade” em relação aos demais — normalmente no conhecido estilo “receita de bolo”. Uns relacionam sete competências; outros, nove; outros ainda chegam a quinze ou vinte “habilidades”: construção de equipes, liderança, visão holística, organização, atenção aos detalhes... Algumas tão óbvias que chegam a ser risíveis.
Essas listas têm ainda o condão de mexer com a vaidade dos leitores que nelas buscam uma espécie de confirmação pessoal. Nada mais agradável ao ego do que descobrir “coincidências” entre nossas próprias qualidades e as habilidades enumeradas por determinado autor ou palestrante — principalmente se ele for famoso. Creio que aí esteja uma das razões do sucesso dessas incontáveis listagens.
Durante meus anos dirigindo organizações e pessoas, acabei elegendo duas competências fundamentais. Não pretendo dizer que dispensem conhecimento, experiência ou outras habilidades necessárias à gestão. Digo algo diferente: sem elas, dificilmente alguém se tornará um grande gestor — e muito menos um gerente de projetos de sucesso.
1. Gostar de gente
Significa saber ouvir as pessoas com interesse e paciência; desenvolver empatia; procurar compreender os problemas daqueles que nos cercam; perceber as angústias de quem convive conosco, principalmente no trabalho.
Não considero isso propriamente um dom. É uma capacidade que o ser humano desenvolve ao longo da vida, influenciado por seus valores, sua educação, seus princípios e suas experiências.
2. Gostar de resolver problemas
Não é comum alguém admitir que gosta de problemas no trabalho. Direi até que é raro.
Pois conheço algumas pessoas — poucas, é verdade, e me incluo entre elas — que se sentem estimuladas quando estão às voltas com problemas. Refiro-me, obviamente, àqueles que exercem alguma função de gestão, mesmo nos níveis iniciais da hierarquia.
Problemas, para essas pessoas, não são apenas obstáculos. São desafios a compreender, desmontar e resolver. Talvez por isso faça tanto sentido a ideia de que:
“As melhores oportunidades se escondem nas dobras dos grandes problemas.”
Procurem ao seu redor e provavelmente perceberão que muitos dos líderes e chefes de maior sucesso reúnem essas duas características. Gostam de pessoas — e as pessoas tendem a gostar deles. Gostam de problemas — e, na maioria das vezes, conseguem resolvê-los.
Há ainda um fenômeno curioso: os problemas parecem “procurar” essa gente.
Mesmo líderes bem-sucedidos com fama de durões podem estar nessa categoria. Quando vejo jovens executivos, em início de carreira, dizerem que “não gostam de problemas” ou demonstrarem incapacidade para lidar com “pessoas difíceis”, costumo pensar que terão dificuldades para avançar em funções de liderança. O inverso também é verdadeiro.
Assim, o texto que apresento abaixo, a título de ilustração, foi escolhido por sua simplicidade e pela listagem que oferece, apesar do inevitável estilo “receita de bolo”. A autora demonstra experiência e conhecimento do assunto. Concordo com boa parte do que apresenta, embora algumas das obviedades continuem por lá. Paciência...
De qualquer forma, por mais que se espere que os gerentes de projetos sejam verdadeiros “Heróis da Marvel”, capazes de reunir uma coleção interminável de competências, continuo convencido de que, sem aquelas duas qualidades fundamentais — gostar de gente e gostar de resolver problemas —, poderão dominar todas as demais técnicas e habilidades e, ainda assim, dificilmente alcançarão plenamente o sucesso que procuram.
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Para-Raios
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| Camino Santiago Mellado |
Camino S. Mellado, foto ao lado, é a autora deste artigo para o Grupo Finsi. Clique sobre o nome sob a foto para entrar na sua página, no blog do Finsi, e conhecer outros artigos de sua lavra.







