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sábado, 28 de outubro de 2023

Burnout... CEOs foram vítimas e contam

 


Não vou aqui explicar o que seja o Burnout. Está tudo e muito mais no Google (clique aqui). Todo mundo trabalha além da conta e do dever sofre ou já "apanhou" do Burnout. Já falei sobre esta síndrome em algum post deste meu blog, mas vou repetir o assunto. 

A matéria que trago à Oficina de Gerência é uma das mais completas que conheço sobre o assunto. Principalmente porque trata do Burnout nos seus efeitos sobre um dos grupos que são suas vítimas preferidas, os CEOs.

As jornalistas do Estadão  Bruna Klingspiegel e Jayanne Rodrigues - colheram os depoimentos de CEOs brasileiros que contam suas mazelas por conta da síndrome.

As experiências deles são importantes para aqueles que, também, convivem  com o Burnout ou estão se candidatando a abraçá-lo; Contam seus sofrimentos apontam as razões de os terem colocado na mira da síndrome e informam sobre as consequências em suas vidas profissional, social e familiar. 

É um artigo longo para os padrões da turma que quer tudo curto e rapidinho, todavia insisto para uma leitura dedicada; principalmente para a turma das galeras mais recentes na cronologia das gerações (conheça-as clicando aqui). 

Boa leitura e muita atenção. Nós, habitantes da selva corporativa - normalmente - não acreditamos que estamos nos braços ou enamorados do Burnout. Sei por experiência própria. É muito ruim. Leiam o artigo.


Por Bruna Klingspiegel e Jayanne Rodrigues


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Agendas lotadas, demandas intermináveis e expectativa de liderar equipes bem-sucedidas são alguns dos desafios que os CEOs enfrentam diariamente. O problema surge quando a sobrecarga se intensifica e resta pouco espaço para o cuidado com a saúde mental e física.

Em algum momento, o sucesso profissional pode cobrar seu preço, e foi exatamente isso o que aconteceu com a conselheira Deborah Wright. Aos 53 anos, após 20 anos ocupando os cargos mais altos de diversas empresas como Kibon, Parmalat e Tintas Coral, um episódio dissociativo, com alterações de sono e perda de consciência, a levou ao hospital em 2010. Após o burnout, foram dez dias para a medicação fazer efeito e normalizar o seu comportamento.

“Eu não prestei atenção aos sintomas. Fui ficando muito cansada. Deitava e não conseguia dormir, não conseguia desligar. De repente, você fica fora do eixo”, relembra a executiva que ocupava o cargo de CEO da empresa de pesquisa Ipsos na época.

Wright relembra a rotina corrida pré-burnout. “Quem disser que faz isso com tranquilidade está se iludindo”, conta. Ela enfrentava uma sequência interminável de compromissos diários, tomando decisões cruciais a cada passo. Após anos, ocupava uma posição de grande responsabilidade, onde todos os olhos estavam voltados para ela.

Cada compromisso não era apenas uma entrega de resultados, mas também um peso tanto para seu sucesso pessoal quanto para o de sua equipe. “Quanto mais você ascende na carreira, mais solitário fica”, diz a conselheira.

Desde 2021, o burnout é considerado uma doença ocupacional, caracterizada pelo esgotamento mental e físico associado ao trabalho. O Brasil é o segundo país com mais casos da síndrome no mundo, segundo levantamento da International Stress Management Association (ISMA) de 2022.

Nos bastidores, os CEOs travam uma batalha silenciosa para manter a saúde mental em meio a pressão constante. De acordo com pesquisa da consultoria americana Mind Share Partners, os entrevistados C-level (78%) e executivos (82%) da pesquisa tinham mais probabilidade do que outros (71%) a relatar ao menos um sintoma relacionado a saúde mental.

No mundo corporativo, explica Wright, existe um mito de que o líder é forte e que não pode mostrar vulnerabilidade. Não pode ter dúvidas nem fraquezas. “Somos todos humanos, e um dia você acorda e não está muito bem. Em certos momentos, tenho dúvidas sobre algumas coisas e sinto a necessidade de conversar com alguém.”

Após a recuperação, a executiva permaneceu 30 dias trabalhando no mesmo cargo. No entanto, a preocupação crescente com sua saúde física e mental fez com que sua família a encorajasse a pedir demissão. Atualmente ela atua como conselheira do banco Santander.

‘Perfeccionismo me fez presidente e me levou ao hospital’

Palpitações fortes e aceleradas, falta de ar e tontura. O executivo Laércio Albuquerque demorou para acreditar, mas estava enfrentando um quadro de arritmia. Recusava-se a ficar no hospital porque não queria cancelar os compromissos que lotavam a agenda. Levou tempo para reconhecer que precisava desacelerar.

Na época, em 2020, no cargo de presidente da empresa de tecnologia Cisco no Brasil, o foco na vida profissional não parecia ser um problema. No entanto, o corpo já estava emitindo sinais, mas Albuquerque não deu importância. A duração do sono caiu drasticamente. De seis da manhã passou a acordar três horas antes. A partir dali, já disparava e-mails ao longo da madrugada.

No dia a dia, não era só o jantar em família que era interrompido por bips do celular. Também era comum ter o momento de pausa nas férias suspenso para fazer alguma ligação ou para conferir a caixa de entrada.

“Quando você é apaixonado pelo que faz, não mede nada. Minha empresa não estava me cobrando demais, o maior cobrador era eu mesmo. Estava em um ritmo alucinante. Participando de muitos eventos, reuniões, viagens, dizendo sim para tudo porque era minha paixão”, relata.

O trabalho por propósito sem limites combinado com outras equações da rotina o levou à beira de um colapso mental e físico. “O ponto alto foi arritmia. Depois, ia para o hospital todo dia achando que estava morrendo. Não estava tendo nada, mas comecei a sentir pânico por algumas situações que me deixavam no estágio de perder a respiração”, relembra.

1. "O perfeccionismo que me fez chegar a presidente no Brasil na maior empresa de tecnologia de conectividade do mundo é o mesmo perfeccionismo que me levou ao hospital várias vezes". Laércio Albuquerque, vice-presidente da Cisco na América Latina

Foi quando decidiu abrir o jogo para a Cisco, onde trabalha até hoje. Atualmente, ocupa a cadeira de vice-presidente da América Latina. De imediato, a companhia orientou que ele se afastasse por 30 dias. “Tive uma equipe e uma chefia que me sustentaram. Antes, era presidente da empresa no Brasil, depois disso fui promovido (para o cargo atual).”

Lado pessoal de líderes é negligenciado

Para Luckas Reis, consultor em saúde mental para empresas e head de Psicologia na Vittude, as pessoas em altos cargos de liderança vêm de um contexto e de uma forma de trabalhar que as levaram até essas posições.

Geralmente, elas começaram há 20 anos, quando a maneira como olhávamos para o trabalho ainda não era tão consciente como é hoje.

Naquela época, as hiperperformances e os feitos de maior impacto eram o critério para promoções, o que naturalmente fazia com que o lado pessoal da vida fosse negligenciado.

“Hoje, por outro lado, as empresas com os melhores índices de saúde mental são aquelas onde as lideranças de alto escalão percebem que não podem simplesmente reproduzir o que as levou até ali”, destaca.

Lideranças sentem medo de expor esgotamento mental

Ambos os executivos, que enfrentaram episódios de adoecimento mental antes mesmo da crise de saúde mental acelerada durante a pandemia, compartilharam sentimentos parecidos.

O medo é um deles. Alcançar um cargo de alta gerência não é o mais difícil, avalia Simone Nascimento, especialista em saúde mental nas organizações. “Manter-se é ainda pior. E o que acontece quando você se vulnerabiliza? Os ambientes de trabalho não estão preparados para lidar com o adoecimento de alguém sem encarar isso como uma fraqueza”, pontua.

Outro fator que impede lideranças de pedirem ajuda é o temor de não serem realocadas no mercado em um cargo equiparável.

“Considerando que as vagas para essas posições são poucas e que vivemos em um país extremamente etarista, o medo também vem dessa falta de espaço para estar vulnerável. Então, a pessoa se recusa a sair antes porque tem medo de não voltar”, afirma a especialista.

Você acha que é super-herói, mas descobre que não

Embora Albuquerque tenha recebido apoio na Cisco durante todo o processo, ele diz que o ego e o medo andam juntos no campo de batalha do escritório e fazem um líder esconder que também tem falhas.

“Enquanto você acha que é super-herói, está uma beleza. Trabalha 24 por 7, estufa o peito, responde mensagens toda hora, faz coisas ao mesmo tempo, acha que pode tudo. Mas na hora em que os pratos começam a cair, principalmente o prato da saúde, descobre que a capa de super-herói não existe”, diz o executivo, ao relembrar o diagnóstico de burnout.

“É duro demais. Quando você descobre que é tão falível quanto qualquer outro, não quer contar para ninguém. É a fase mais difícil. Não quer contar para seus pais porque te viram crescer e ser bem-sucedido, para os colegas de trabalho, para o chefe e para a empresa. O ego começa a falar muito alto e não quer deixar que os outros saibam que você tem um ponto falho”, desabafa Albuquerque.

Agora, após lidar com o período de negação e passar por todas as outras etapas que envolvem situações de esgotamento mental e físico, o líder vive em estado de vigilância para evitar possíveis recaídas. O esforço inclui dedicar o início das manhãs para si próprio e deixar de lado o celular no período da noite.

Seja o dono da sua manhã

A rotina de Laércio Albuquerque, quase três anos depois do burnout, começa com meditação, alongamentos e exercícios de corrida ou de bicicleta. Ter tempo para levar os filhos na escola também virou prioridade.

“Tornaram-se hábitos que não perdi mais, eu sou o dono da minha manhã. Antes saía de férias e ficava 100% online. Hoje não vanglorio isso, porque uma cultura que premia quem faz isso está errada em relação aos demais colaboradores. Pode existir uma exceção, claro, mas o duro é quando a exceção vira regra”, sugere o executivo.

Para encarar com êxito o desafio de equilibrar vida pessoal e profissional, a especialista Simone Nascimento orienta a prática do ‘não’.

“Aprender a delegar funções e ter uma agenda muito clara do que é o seu trabalho e do que é o trabalho das outras pessoas, além de aprender a dizer não para aquilo que não é essencial. Não adianta ficar absorvendo um monte de coisa. O corpo, o nosso tempo e a nossa energia, são limitados”, alerta.  

Clique aqui para, se desejar, ler a matéria no site do Estadão.












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