30 de ago de 2009

Demissão. Não é necessario ser gerente para fazer isto...

http://www.blogdemocrata.com.br/download/imagens/858717415677333.jpg
  •  
 A decisão de demitir é ônus da gerencia.
(por Herbert Drummond)
            Sempre "preguei nas "preleções" aos meus colaboradores e ouvintes (e agora os leitores) que o ato de demissão não deve ser solução para qualquer problema que um gerente enfrente com “players” do seu time.  Demitir é um ato de poder brutal e primitivo que se exerce sem nenhuma necessidade de cursos, estudos, MBA ou coisa parecida. Jamais tive oportunidade de conhecer um "Curso sobre como demitir empregados". Alguém que esteja lendo este texto pode me dizer se conhece algum?
            Qual a ciência para se promover demissões? Quais as habilidades? Quais tipos de experiências um gerente necessita adquirir para ser competente em demitir? É até estranho fazer estas perguntas não é mesmo? Soa mal e causa constrangimento...
            Aprendi este principio no inicio da minha carreira e gosto de contar o episódio. Era um engenheiro recem formado e estava (por circunstancias fortuitas) chefiando uma obra com mais de 400 homens no interior da Bahia. Tinha lá os meus 26 anos e me sentia "o rei da cocada preta" como o chefão daquela estrutura de homens e máquinas. Por qualquer coisinha demitia um peão da obra. Havia uma fartura de mão de obra e na região, inicio da década de 70, os direitos trabalhistas eram recusados pelos proprios empregados.
            Os encarregados da obra (que deveriam assessorar-me com suas experiências) eram os primeiros a me induzir para demitir os empregados. Eram tão ignorantes quanto eu. Se eu falava “mata” os encarregados aconselhavam “esfola” (lembram do adágio popular?).
            Diga-se de passagem, que a peãozada era barra pesada. Interiorzão da Bahia - cidade de Guanambi - onde a maior autoridade era um cabo da PM (chefe do destacamento de 6 policiais) e um juiz de paz.
            Pois bem, acho que a minha “performance” chegou ao conhecimento dos chefes e o supervisor da obra apareceu por lá, fora de hora, e chamou-me para uma "conversa particular". Perguntou por que tantas demissões e eu - na minha enorme inexperiência - disse-lhe apenas que "os caras fizeram por merecer".
            Chico Viana, era esse o nome do supervisor. Um cara rodado no trecho e conhecedor profundo de todas as manhas de um canteiro de obras. Tinha a grande vantagem de não ser engenheiro e haver aprendido tudo de engenharia na vivência direta com os peões, fiscais e... engenheiros. Todos os tratavam de forma reverencial por Dr. Chico Viana. Ensinou-me muito e devo muito da minha base de experiência a ele. Nesta reunião, o Dr. Chico disse-me, lá pelos idos de 1972, uma frase que não esqueci jamais:
  • "Para demitir os empregados a empresa não precisava manter um engenheiro na obra. Qualquer encarregado ou feitor pode fazer isto... A empresa necessita de um chefe, de um gerente e de um lider. A firma assinou contrato para produzir e obter resultados e lucros.”
            Foi um "soco no estomago". Entendi o recado e foi então que comecei a ver por outro prisma o trato com os subordinados e principalmente com os mais humildes. Compreendi o conceito e passei a aplica-lo desde então.  

http://pro.corbis.com/images/42-17462390.jpg?size=67&uid=629188ea-4291-4bc3-9738-9c7939169c7b&uniqID=d3fc97d5-1e9d-4352-8377-d645a4d1b00c

            Criei, a partir de vivências e experiencias, alguns outros critérios para ajudar-me a decidir pelo ato de demitir. Entre eles sempre elegi como o mais importante aquele que passei a adotar desde então:
  • "Os maus empregados não são demitidos, eles provocam suas demissões. São demissionários por seus proprios comportamentos, atitudes e desinteresses pela preservação dos seus empregos."
            Só os gerentes (e não os enquadro como lideres) despreparados, inexperientes ou despidos de humanidade praticam - e alguns até cultivam - o hábito da demissão imotivada e irresolúvel.  Um bom gerente fará sempre a opção inicial pela recuperação do "candidato à demissão”. Ele utilizará a destituição ou a exoneração como último recurso em relação ao problema criado por um colaborador.
            Tenho na minha "carteira" muitos casos de demissões. Muitos mesmo e não me orgulho de nenhum deles (quem já trabalhou ou conhece o trabalho de  um  chefe de obras sabe o que estou dizendo).
            Por outro lado posso dizer assim, publicamente, que não tenho, antes da minha já relatada conscientização, um registro sequer de alguém que tenha sido demitido sob minha direção e do qual possa me envergonhar. E digo-lhes que fiz essa varredura em minha história profissional (35 anos) muitas vezes.  
            Considero que isto ocorreu por muitos motivos, mas o principal deles foi presumir que a necessidade de demitir alguém é um ato profissional, nunca pessoal, no sentido de melhorar o desempenho e os resultados do time que dirigia na oportunidade.  
            Pode parecer desumano, mas existem momentos que um líder deve decidir pela substituição de um profissional que não esteja, não queira ou não consiga se ajustar aos projetos que estejam sendo desenvolvidos pelo grupo que lidera ou gerencie, naquele momento. Costumo dizer que são as ocasiões onde "os homens se diferenciam dos meninos".
http://pro.corbis.com/images/42-18669919.jpg?size=572&uid=173133f0-b5c2-4776-b3f7-d9a910b1b497&uniqID=66516413-bf90-446e-b433-af82bf0c13df

            Para aqueles que pretendem seguir a trilha áspera e rugosa do comando e da gerencia, principalmente se querem ser apontados como executivos em suas empresas, recomendo que se preparem para enfrentar muitas e muitas situações de demitir alguém. Passo-lhes quatro conselhos:
  1. Não permitam que o lado emocional prevaleça na decisão. Se estiverem sob o calor do momento, do arrebatamento e da paixão não deliberem, não exerçam seus poderes, não baixem seu decreto.
  2. Procurem, com a maior frieza de sentimentos e a maior amplitude profissional ajuizarem sobre todas as consequencias da demissão pretendida. Avaliem os impactos sobre a equipe, (no coletivo e sobre os individuos); ajuizem a importancia sobre determinadas tarefas que estejam sob responsabilidade do "futuro demitido" e tudo o mais que possa ser alterado pela ausencia dele.
  3. Não permitam que antipatias pessoais o impeçam de dar novas oportunidades ao "candidato". Usem todos os recursos para estabelecer contato com  ele (amigos, companheiros de trabalho, parceiros e colegas) no sentido de fazê-lo modificar-se em relação aos aspectos que estão contribuindo para coloca-lo na "lista negra".
  4. E finalmente promovam a conversa direta, olho no olho. Mostrem ao "potencial demitido" quais as razões que estão concorrendo para que vocês, como chefes, estejam projetando sua demissão.
            Se nada disso der certo não hesitem. Tomem a decisão e demitam sem outras considerações. Se cumprirem este checklist a demora em demitir se voltará contra vocês como executivos. É o tributo que qualquer um tem que pagar para exercer a função. Serão vocês os irresponsáveis e os incompetentes se não o fizerem
http://rainbowdivider.com/images/dividers/rainbow1.gif

3 comentários:

  1. Caro Herbert,

    Gostei. Você abordou um tema espinhoso de forma assertiva, realista e corajosa. Essa é o tipo da questão em que muitos preferem fazer demagogia, no lugar de colocar a cara para bater.

    Aliás, enquanto lia, lembrei de um ditado Sufi que as vezes "a culpa é do morto e não do assassino". Sabe como é, a vida e seus paradoxos.

    Agora quanto a pergunta se alguém conhece um curso que ensine a como demitir um funcionário condignamente, só posso dizer que você acaba de criar um. Congratulations.

    Eugen Pfister

    ResponderExcluir
  2. Carissimo professor Pfister,

    Melhor que suas palavras é ve-lo novamente comentando meus posts. Você não imagina minha alegria.
    Aliás, já viu o novo artigo de sua lavra que postei no blog?
    Sobre o tema deste post, concordo com você. São poucos os executivos que conseguem o equilibro para a decisão de demitir. Uns pendem para o exagero e exacerbam nos sentimentos. Agem mais com o coração e perdem excelentes oportunidades de recuperar talentos desviados. Outros pecam pela falta de coragem de enfrentar as consequencias (horríveis) de ser o "carrasco" de uma demissão.
    Sobre o curso acho que você me deu uma boa ideia. Vou pensar no assunto...
    Um grande e fraternalissimo abraço. Não desapareça.

    ResponderExcluir
  3. Caro Herebert,

    Não poderia deixar de ler e comentar um texto com a sua assinatura. O que eu mais gosto é que você mantém os pés no chão. Por exemplo, confessa a fase de "El Exterminador", porém, se recusa a incluir a demissão na lista dos pecados mortais.

    Quanto ao curso, conte com o meu incentivo, e um par de sugestões de outras questões indigestas (porém, reais) que a pedagogia gerencial faz o possível e o impossível para manter distante da sala de aula.

    Um forte abraço,Eugen

    ResponderExcluir

Blogs que me encantam!


..saia justa......† Trilha do Medo ♪....Blogueiros na Web - Ensinando o Sucesso no Blogger e Wordpress!..Emprego Virtual..Blog Ebooks Grátis....http://3.bp.blogspot.com/_vsVXJhAtvc8/ShLcueg5n2I/AAAAAAAACqo/sOQqVTcnVrc/S1600-R/blog.jpg..http://lh6.ggpht.com/_vc1VEWPuSmU/TN8mZZDF9tI/AAAAAAAAIJY/GWQU-iIvToI/banner-1.jpg....Divulgar textos | Publicar artigo....tirinhas do Zé........

Estatística deste blog: Comentários em Postagens Widget by Mundo Blogger

Safernet



FinderFox

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin