||| 17 de julho DE 2026 ||| 6ª feira ||| dia mundial do emoji ||| *Reflexão: "E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." -- Friedrich Nietzsche" |||

 

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O Dia Mundial do Emoji é comemorado anualmente em 17 de julho. Essa data foi escolhida por uma razão muito simples: é o dia que aparece no emoji de calendário 📅 em grande parte dos celulares e computadores.A figura 📅 mostra o "17 de julho" porque foi nessa data, no ano de 2002, que a Apple lançou seu aplicativo de calendário iCal para o sistema Mac. A celebração foi criada em 2014 por Jeremy Burge, o fundador da Emojipedia.

pensamento dia

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Frase

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Gustave Le Bon (Nogent-le-Rotrou, 7 de maio de 1841 – Marnes-la-Coquette, 13 de dezembro de 1931) foi um polímata francês cujas áreas de interesse incluíam antropologia, psicologia, sociologia, medicina, e física. Ele é mais conhecido por seu trabalho em 1895, A Multidão: Um Estudo da Mente Popular, considerado um dos trabalhos seminais da psicologia das multidões.[https://pt.wikipedia.org/wiki/Gustave_Le_Bon]

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A cruzada dos ressentidos: quem tem medo de Carlo Ancelotti?

 



O Corporativismo do Fracasso: Ciúme que atrasa o futebol brasileiro.

(autor: Herbert Drummond)


A resistência de setores do futebol brasileiro à mera possibilidade de ver Carlo Ancelotti — ou qualquer estrangeiro de primeira linha — comandar a Seleção Brasileira, revela muito mais sobre as nossas próprias fraturas do que sobre a competência do italiano. O que assistimos atualmente, nos microfones e painéis esportivos, após a participação brasileira na Copa, não é um debate tático ou um questionamento técnico legítimo. É uma carnificina movida pelo corporativismo, pelo ciúme profissional e por um nacionalismo de conveniência que insiste em manter o Brasil de joelhos, refém do passado.

A ironia atinge o ápice quando Vanderlei Luxemburgo surge como porta-voz da resistência. Ele, que de fato teve seu momento de brilho no plano doméstico nos anos 1990, representa justamente o marco inicial do descompasso do futebol brasileiro com a modernidade europeia. Sua passagem pela Seleção, na virada do milênio, foi abreviada não apenas pela perda de rendimento em campo, mas por turbulências extra-campo que arranharam a liturgia do cargo. Ver alguém que foi superado pelo tempo e cujas últimas passagens por grandes clubes foram melancólicas, questionar a estatura de um tetracampeão da Champions League é, no mínimo, um atrevimento histórico. O que fala ali não é o analista que presume ser; é a dor de cotovelo de quem viu o bonde da história passar e hoje precisa gritar para ser lembrado.

Na mesma trincheira, temos Romário. Como jogador, o "Baixinho" foi um gênio indiscutível, uma lenda que brilhou no tetracampeonato de 1994. No entanto, o gigantismo do Romário atleta nunca se traduziu em profundidade intelectual ou capacidade de análise esportiva fora das quatro linhas. Romário julga o futebol sob a ótica do talento pessoal e do individualismo — justamente a mentalidade que faliu o futebol coletivo do Brasil nas últimas duas décadas. Suas declarações ácidas contra técnicos estrangeiros, especialmente o italiano, agora, não carregam nenhum embasamento técnico; carregam apenas a marra de quem acredita que o futebol moderno pode ser gerido com a mesma informalidade e o mesmo improviso de trinta anos atrás. Spoiler: não pode. Não merece comentários sérios.

Essa ofensiva conjunta não é uma coincidência; é uma reação coordenada de uma "reserva de mercado" assustada. Trazer Ancelotti significa expor a nudez do nosso mercado de treinadores e analistas. Significa admitir que o "país do futebol" parou no tempo em 2002. Enquanto nossos técnicos locais e, consequentemente, as novas gerações de jogadores profissionais, se mantêm em uma espiral descendente de atualização, andando de marcha a ré, eles assistem, impotentes, à invasão de profissionais estrangeiros, técnicos e jogadores — vindos da Europa e da América do Sul — que hoje dominam os principais clubes do nosso próprio campeonato nacional. O pânico de perder o último feudo, a Seleção Brasileira, é o que move essa cruzada do ressentimento.

O boicote a Ancelotti é o sintoma de um futebol que prefere morrer abraçado ao seu orgulho ferido a aprender com quem está no topo. Se o Brasil continuar ouvindo o coro dos ressentidos e dos ultrapassados, a Copa de 2002 deixará de ser o nosso último título para se tornar uma peça de museu de um tempo que não volta mais. É hora de decidir se queremos continuar sendo o país do "já ganhou" nostálgico ou se queremos, finalmente, voltar a ser o país do futebol de ponta.

O Abismo Estatístico

Para ilustrar o tamanho do descompasso histórico e técnico entre Ancelotti e Luxemburgo, e poderia ser qualquer outro,  vale a pena confrontar a linha do tempo e as prateleiras de troféus:


Período / Critério

Carlo Ancelotti

Vanderlei Luxemburgo (últimos 20 anos)

Século XXI (2001 - Presente)

Multicampeão Europeu: o único treinador a vencer as 5 grandes ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e França) e o maior vencedor da história da Champions League (5 títulos).

Espiral Decadente: Acumulou passagens rápidas por clubes médios e grandes do Brasil, sem relevância internacional e com demissões frequentes por falta de resultados e defasagem tática.

Última Conquista Relevante

Champions League e La Liga recentes, mantendo-se no topo absoluto do futebol mundial.

Estaduais esporádicos e campanhas de meio de tabela. Seu último título nacional expressivo foi há mais de duas décadas.

Domínio do Espaço Doméstico

Respeitado globalmente pelas maiores estrelas do futebol mundial (incluindo os próprios craques brasileiros).

Perdeu espaço no próprio futebol brasileiro para a comissão técnica estrangeira (portugueses e argentinos) que hoje ditam as táticas no país.

 O embate de dois modelos: o que está em jogo?

A rigor, esta discussão há muito deixou de ser apenas sobre o nome de Carlo Ancelotti. O italiano virou o para-raios de um embate civilizatório dentro do nosso esporte. O que está em votação, silenciosamente, é a escolha entre dois modelos irreconciliáveis de gestão: de um lado, o planejamento de ciclos longos, ancorado na estabilidade, no processo científico e na blindagem de um projeto de trabalho; do outro, a velha ciranda do imediatismo histérico, que exige resultados ontem e resolve crises promovendo demissões sumárias e trocas de comando ao sabor do vento. Sabotar a vinda de uma grife internacional é a garantia de que continuaremos operando na lógica do remendo de curto prazo.

A Mobilização dos Progressistas: Pelo Futuro do Futebol

Para romper essa barreira do atraso, é urgente que a ala progressista do nosso futebol — composta por torcedores cansados do mesmo roteiro, dirigentes com visão de futuro, jogadores conscientes e profissionais de imprensa sérios — se mobilize. E essa mobilização precisa se encorpar ao redor de vozes que carregam autoridade moral, técnica e histórica indiscutíveis.

Precisamos do farol de lucidez de um Tostão, que une a genialidade de quem já foi dono do mundo em campo à precisão cirúrgica de suas crônicas; da sabedoria pragmática de um Luiz Felipe Scolari, que conhece como poucos o peso real da camisa amarela e a importância da hierarquia de um projeto; e do rigor analítico de jornalistas como PVC e André Rizek, que se recusam a trocar o debate tático e estrutural pelo ruído barato do corporativismo de cabine.

Conclusão: A Escolha Entre o Futuro e o Museu


O boicote à modernidade que Ancelotti representa é o último suspiro de uma elite e de uma crônica decadentes que preferem ver a Seleção Brasileira morrer abraçada ao seu orgulho ferido a admitir que precisa aprender com quem está no topo.

E, para que esse pacto da mediocridade funcione, o corporativismo dos ex-profissionais encontra eco perfeito em uma parcela da imprensa que vive do fomento ao caos. É o caso de Mauro Cezar Pereira, cujo conhecido bairrismo e o hábito de criticar eternamente tudo e todos funcionam como uma espécie de profissão de fé no mau humor; ou de Juca Kfouri, um analista visivelmente ultrapassado no tempo e no espaço, cuja acidez contumaz contra qualquer novidade nos faz perguntar: quando foi a última vez que o vimos elogiar sinceramente alguma coisa ou alguém? Juntando-se ao coro, temos ainda Walter Casagrande — cuja relevância intelectual na análise esportiva evoca a clássica pergunta: "quem é?" Respondo: alguém que construiu sua carreira midiática à sombra do brilho eterno de Sócrates e do romantismo da "Democracia Corintiana", mas cuja opinião técnica, hoje, goza de pouquíssimo ou nenhum respeito em seu próprio meio profissional.

Se as forças verdadeiramente progressistas do nosso esporte — inspiradas pela lucidez de figuras respeitadas — não assumirem o protagonismo dessa narrativa contra essa barreira de ressentidos e profetas do apocalipse, a Copa de 2002 deixará definitivamente de ser o nosso último grande título para se tornar uma melancólica peça de museu de um tempo que não volta mais. 

É hora de decidir se queremos continuar reféns do "já ganhou" nostálgico e do rancor de cabine, ou se temos a coragem de, finalmente, desenhar o futuro.

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