26 de jun. de 2020

Percepção de clima na empresa é habilidade gerencial.

  

Clima Organizacional é fator de risco para o sucesso  gerencial.
(por Herbert Drummond)


Está tudo "andando muito bem" em determinado setor da empresa e de repente... KABUM! Estoura o maior conflito.

Pode ter sido um desentendimento turbulento entre dois subordinados ou um problema disciplinar com um dos mais importantes colaboradores ou qualquer outro fato que provoque um desequilíbrio flagrante nas relações interpessoais. Ou seja, o chefe, gerente ou líder foi surpreendido com um distúrbio de grandes proporções e bem debaixo do seu nariz.

O que aconteceu que a chefia não percebeu ou não foi informada antes? A assessoria falhou? Onde estava o “sistema de comunicações” que não alertou antes? Como isto foi acontecer? Onde estavam os sistemas de alarme contra desarmonias interpessoais? A famosa "Rádio Corredor"  não noticiou nada?

Estas crises podem acontecer em qualquer ambiente corporativo, mas não são comuns ou melhor, não podem ser consideradas comuns. Seja no gabinete do presidente ou diretor de uma grande indústria, de um ministro de estado ou governador ou mesmo no pequeno departamento ou divisão de uma empresa qualquer elas podem acontecer de uma hora para outra.

Onde existirem pessoas trabalhando lado a lado, em conjunto e sob uma mesma chefia o risco dos conflitos interpessoais ou entre departamentos ou  áreas direcionais estará sempre latente. Não vamos nos deter nas razões dessas crises internas. A bibliografia é densa a esse respeito. Vamos, entretanto nos fixar no aspecto prático da questão que é a prevenção.

A maneira mais eficaz de se prevenir os conflitos ou pelo menos amenizá-los é se montar um eficaz esquema de... "vigilância". Parece óbvio e é, mas são poucos os gerentes que se estruturam e conseguem montar e principalmente liderar esses "radares". 

É aqui que se torna fundamental que uma estrutura de comando possa contar - formal ou informalmente - com um "chefe de gabinete", um "imediato". Essa figura, que deve ser reconhecido como sendo da total e irrestrita confiança do comandante, para a ser o responsável pelas "coisas" do gabinete, aí incluída a manutenção do clima organizacional. Ele é o operador do sistema.

Para início de conversa, tal sistema terá um componente significativo de êxito se for apoiado na hierarquia informal e invisível. E não se assustem os menos iniciados nas feitiçarias do mundo corporativo. Toda e qualquer organização com hierarquia formal, terá, necessariamente, uma "hierarquia informal" em plena atividade intramuros. 

É da informação “dos corredores“ que surgem os primeiros sinais de fumaça sobre a crise que está se formando no sistema. Um conflito dessa natureza dificilmente surge sem aviso prévio. Não é uma granada que explode de repente, mas uma bomba-relógio que foi instalada em certo momento e fica ali no seu tic-tac só esperando o momento de explodir. O medidor para prever a tempestade e evitá-la é a habilidade do gerente para “sentir” o clima de tensão.
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Não é necessária uma dissertação para entender que esta aptidão, essa competência  para perceber as crises deve ser desenvolvida pelo sexto sentido dos gerentes que ambicionem uma carreira ascendente. 

Não se constrói uma camada espessa de experiência nesse nível se - primordialmente - dois fatores não estiverem conectados à atenção de quem comanda:

1. A preocupação permanente com a estabilidade e a harmonia do ambiente de trabalho: sim, porque existem chefes (propositadamente não os chamo de gerentes) que não se ligam “nessas coisas” de ambiente organizacional. Simplesmente “tocam“ seus departamentos e esse negócio de conflitos de interesses ou fofocas não faz parte de suas obrigações. Colocam em suas cabeças que "não são pagos para estar cuidando de marmanjos".

2. A manutenção obsessiva do foco de trabalho nas atividades do setor: um conflito normalmente nasce dentro do próprio ambiente de trabalho e é fruto de diferenças internas por favorecimentos, disputas de méritos, confronto de egos inflados ou simplesmente por rixas pessoais. Se o gerente conseguir manter sua equipe motivada e direcionada para as atividades e objetivos do departamento ou da seção muito raramente haverá espaços para os desentendimentos negativos que ameacem a estabilidade do grupo. É simplesmente a chamada prioridade para a tarefa sem dar tempo para a ociosidade corporativa.

Por este motivo o talento que deve ser estudado e aprimorado, por quem se  projeta ser gerente ou líder e não meramente um chefe comum, deve ser aquele que o faça desenvolver a “percepção extra-sensorial”  para  pressagiar, pressentir, prever, profetizar e prognosticar o clima organizacional diuturnamente.

Chegou a hora de procurar uma definição para esse negócio de Clima Organizacional. No Google são inúmeras, escolhi uma delas que considerei a mais técnica:

  • "Clima Organizacional é o indicador de satisfação dos membros de uma empresa, em relação a diferentes aspectos da cultura ou realidade aparente da organização, tais como: políticas de RH, modelo de gestão, processo de comunicação, valorização profissional e identificação com a empresa"
Não há descanso ou folga nessa competência gerencial porque as crises e os conflitos são feras que estão à solta e sempre prontas para atacar. Não existe metodologia para isto. Cada gerente terá seu estilo, seus mecanismos, suas ferramentas e sua maneira para ajustar as defesas contra as diferenças ameaçadoras na sua equipe.
O que se deve ter em mente é que um motim, uma subversão ou uma desordem no ambiente de trabalho só acontecerá com a responsabilidade (ou por irresponsabilidade) do chefe, seja por omissão, falta de habilidade ou simples incompetência. 




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