Copiado do Twitter de Ricardo Noblat (veja.abril.com.br/blog/noblat/)

15 de dez. de 2019

Sabe aquele botãozinho do "On"/"Off" ? Você sabe usar o seu?


Páginas e páginas de estudos, pesquisas e livros são escritas todos os anos  sobre a síndrome dos "workaholics". Em algum momento dos períodos mais badalados da ciência da administração e gerência ser "qualificado" como um "viciado em trabalho" era considerado como mérito no currículo. 

http://3.bp.blogspot.com/_qM3u7js14uI/SKGqxyC87FI/AAAAAAAAAPE/-hVEmEvRc6c/s400/ampulheta.jpgEu mesmo conheci um médico que fazia parte da equipe de recrutamento de uma corporação multinacional que tinha a orientação superior de "descobrir" entre os candidatos aqueles que apresentavam características de ansiedade, perfeccionismo e outras semelhantes àquelas dos trabalhadores compulsivos. A estes era concedido uma espécie de bônus que aumentava suas chances de contratação. Isso foi lá pelos idos de 1975 de acordo com minha memória. Olha o absurdo! Não diria que atualmente essas coisas ainda aconteçam, mas não ficaria surpreendido se, aqui e ali, ainda existirem algumas empresas "sobreviventes" e adeptas dessa cultura e metodologia.

O fato é que ainda existem incontáveis seres humanos que simplesmente não conseguem desligar-se do seu universo de trabalho, mesmo nos finais de semana ou quando tiram férias. Pior, não sabem o que fazer quando são "obrigados" a gozar seu período de férias. Fazem de tudo para não abandonar o ambiente do trabalho. E o pior é que se são gerentes impõem essa crueldade aos subordinados. Há toda uma ciência que trata - inclusive - clinicamente desses casos.

Conheço bem o assunto. Durante muitos anos, no início da minha trajetória profissional, fui o que pode ser considerado um perfeito workaholic. Todas as características que identificam uma compulsão eu as possuía. Havia, entretanto um atenuante. Eu era solteiro  e ocupava a função de engenheiro-chefe de uma obra grande (400 empregados) em uma cidade que não possuía nem energia elétrica. Dá para entender um pouco dessa  obsessão de primeiro emprego, de só pensar em trabalho e mais nada. Além do mais eu adorava estar ali, naquele momento, realizando o meu sonho que era chefiar uma expressiva obra de engenharia.
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Força que impulsiona 
Acho que essa é uma das forças impulsionadoras do workaholic. Gostar muito do que faz, ter um enorme prazer em realizar suas tarefas a cada dia, desfrutar do sucesso que o êxito traz em seu bojo... Sim, acho que uma das causas mais frequentes dessa compulsão é o gosto pelo êxito, pelos resultados alcançados. Na verdade, para não dizer nunca, pouco ouvi falar de um workaholic perdedor. Você já ouviu? 

http://4.bp.blogspot.com/_RFj5KnF6sl0/SlJB7vVpD3I/AAAAAAAABnw/9jec7Bkt7gE/s320/Result_of_STRESS_by_CLEMZ.jpg
A questão é que com o passar dos tempos a compulsão leva  celeremente ao stress e às síndromes decorrentes. Livrar-se ou controlar este "vício" é hoje uma das maiores preocupações da medicina do trabalho aí incluindo a psicologia, a psiquiatria e todas as "trias" que se puder imaginar. 

Atualmente um trabalhador consciente, esclarecido e informado - seja o operário comum ou o chefão -  não se deixa mais dominar pela dopamina que está por trás de todas essas sensações de prazer que os viciados em trabalho sentem. Até as corporações estão contribuindo para orientar os potenciais workaholics de seus quadros a procurar terapias de ajuda ou  oferecer alternativas para "desligá-los" da empresa nos seus períodos de férias, fins de semana e feriados.

Volto ao meu caso pessoal para encerrar o post. Hoje - e já faz muito tempo - não sou mais um "viciado em trabalho". Minha "cura" se deu a partir do momento em que consegui perceber que o mais importante da vida é o tempo que dedicamos à família, aos amigos e aos afazeres fora do trabalho; hobbies, leituras, passeios...

Uma das coisas que mais me ajudou foi quando ao ser exonerado da minha primeira grande função de direção percebi que nada daquele dia-a-dia tão estressante, daquele cotidiano - de tantas disputas, intrigas e egolatrias - tinha valor quando se ficava "desempregado".
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Falso brilho 
As "missões", os sucessos, os "amigos" e colegas, os projetos, os chefes e subordinados, as histórias e fofocas do trabalho, os aborrecimentos e mesmo as alegrias, nada disso tem valor quando simplesmente abandonamos, de forma definitiva, o foco de nossa compulsão pelo trabalho. O valor do trabalho está exatamente no que existe lá, no ambiente corporativo. Fora dali a vida é outra e nada do que venha de lá é valioso do lado de cá, do lado da vida normal.

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Pirita, o "Ouro dos Trouxas"
Acho que é por conta desse processo que a compulsão se instala nos workaholics. Eles não vislumbram que o brilho da vida dedicada exclusivamente ao trabalho é falso. Parece-se com o brilho do que os garimpeiros chamam de “ouro dos tolos”. Perdem aquilo que é mais valioso na vida de qualquer um. Família, filhos, netos, amigos, lazer, hobbies...

Essa é a verdade incontestável que, ao fim e ao cabo das jornadas dos viciados em trabalho, aparece com todas as suas tenebrosas cores. E não adianta dizer que o processo é temporário, pois quando se instala em nossas vidas é difícil de extrair. Lembrem-se que está diretamente ligado ao sucesso, ao status profissional, aos melhores ganhos financeiros e à melhoria da (falsa) qualidade de vida. Como largar tudo isso?

O artigo abaixo, que utilizo como ilustrativo do post , é um bom texto para que cada leitor – workaholic ou não – possa refletir sobre tudo isso e identificar para onde está caminhando sua vida.

Clique no logotipo e conheça o artigo no original, se tiver interesse.

Profissionais que não desligam

(por Wellington Moreira*) 


A maior parte das pessoas sabe a quantidade de horas diárias que permanece em seu local de trabalho, no entanto você já parou pra  contabilizar o quanto do restante do dia fica pensando nele mesmo distante da empresa?
Resultado de imagem para Profissionais que não desligamÉ que muita gente não termina o expediente quando o expediente termina. Pessoas que têm dificuldades para aproveitarem o tempo disponível ao convívio familiar e ao merecido descanso porque vão para suas casas com a mente focada nos relatórios inacabados e nos e-mails que precisarão responder na manhã seguinte.
As exigências do mercado de trabalho atual têm consumido o tempo psíquico de muitos profissionais, especialmente daqueles que precisam cumprir prazos exíguos e alcançar metas desafiadoras em seu dia a dia. Ou seja, há uma boa parcela de pessoas que não consegue se desligar do trabalho de jeito nenhum, ainda que estejam operacionalmente longe dele.
Trabalhadores que vivem numa espécie de “prisão psicológica” que influencia as demais esferas da sua existência e os impede de  desfrutarem momentos com a família e amigos ou mesmo de fazerem aquilo que apreciam por causa das preocupações relacionadas com os deveres profissionais. E que erroneamente racionalizam: “Como aproveitar o domingo quando sei que o bicho vai pegar na segunda-feira e ainda não estou pronto?”.
Resultado de imagem para workaholicSe esta é a sua história de vida, é bem provável que apresente dois comportamentos: o hábito de procrastinar as coisas e um míope senso de responsabilidade. Aquela velha história de valorizar o trabalho duro, mas também de adiar alguns afazeres para a próxima segunda-feira e então passar o final de semana inteiro preocupado com a tarefa que poderia ter feito antes se tivesse administrado melhor o tempo.
Desligar-se do trabalho fora do expediente é fundamental para conservar uma vida saudável e equilibrada, porém este intento talvez seja incompatível com o seu projeto de carreira. Caso tenha a pretensão de chegar à presidência de uma grande companhia durante os próximos anos, por exemplo, terá de renunciar a uma série de coisas ou não atingirá seus objetivos. Por isto, avalie bem se está  disposto a pagar o preço.
Vários daqueles que chegaram lá têm dúvidas se valeu a pena, mesmo que financeiramente estejam bem. Foi o que apontou uma recente pesquisa da consultora Betania Tanure com mais de mil executivos das maiores companhias do país na qual 75% deles afirmaram estar insatisfeitos com o seu trabalho. Dois dos motivos: 85% dos presidentes e diretores trabalham todos os finais de semana e suas férias não superam, em média,  dez dias.
De forma geral, cada vez mais a divisão entre vida pessoal e profissional vai perdendo sua força e os próprios trabalhadores têm  uma grande parcela de responsabilidade. Quando você aceita que a empresa  aonde atua lhe pague a conta do aparelho celular pessoal e conceda acesso remoto à internet em sua casa, também está permitindo que ela o contate a qualquer hora, mesmo nas mais indesejadas.
Imagem relacionadaMas, discussões à parte, qual a estratégia para se desligar do trabalho quando estamos distante dele? Parece-me que a mais eficaz é  encontrarmos formas de realização pessoal nas demais dimensões da vida. Se você prestar atenção nas pessoas que se dedicam a uma causa ou investem tempo num hobby verá que elas geralmente não têm este tipo de problema e que, em vários casos, ainda conservam carreiras bem-sucedidas.
Por isto, não se sinta mal quando perceber que ficou o final de semana inteiro sem pensar em trabalho nem tampouco se martirize só porque aproveitou o último feriado prolongado fazendo outras coisas de que gosta. Com um pouco de organização pessoal e ciência daquilo que realmente importa na vida esta pode ser a sua rotina daqui pra frente.


Minha foto*Autor: Wellington Moreira – Palestrante e consultor empresarial nas áreas de Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Carreiras, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é especialista em Comunicação Empresaria. wellington@caputconsultoria.com.br.
Fonte: http://www.caputconsultoria.com.br

 


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