19 de jan de 2009

Kaká não quer e nem deveria sair do Milan!

Vou aproveitar o assunto da provável transferência de Kaká para o Manchester United da Inglaterra por mais de uma centena de milhões de euros para fazer um comentário sobre algumas experiências que vi e vivenciei na minha carreira profissional e que podem ser conectadas ao case.

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http://www.bobnews.com.br/images/3d55a33beadfab6bd7ebd2ff0da5e135.jpg

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É comum, aos profissionais bem sucedidos e vivendo um momento de alta em suas carreiras, receberem propostas de empresas, normalmente concorrentes, à que esteja vinculado. Aconteceu comigo em certa ocasião mais especial (outras ocorreram também, mas não me atraíram). Esta, a que me refiro, pelo contrário era uma proposta daquelas chamadas "irrecusáveis".

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Estava no auge da minha posição dentro do órgão público onde trabalhava; era gerente e tinha sob meu controle várias obras e contratos em andamento e tudo estava correndo bem, sob controle. Estava no topo. Vivendo um momento de sucesso. A remuneração, dentro da realidade da Administração Pública, era muito mais baixa do que a oferecida na iniciativa privada, mas isso não me limitava.

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Uma determinada empresa de engenharia - porte médio - que conhecia e admirava o meu trabalho fez uma oferta para me contratar oferecendo mundos e fundos para que a aceitasse. Conversei muito com minha mulher, com vários amigos do trabalho, colegas e pessoas mais experientes (eu ainda era um "jovem executivo" na ocasião e não tinha ainda vivido experiência semelhante). Pensei seriamente e tomei a decisão de sair. Não estava seguro, mas a proposta era para mais que dobrar minha renda.

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Após ter decidido, mas ainda sem haver comunicado formalmente aos meus superiores hierárquicos, conversei com um antigo conhecido que apenas passou na minha sala para "jogar conversa fora". Nem era um amigo. Apenas um colega engenheiro mais experiente e "rodado" no mundo corporativo.

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Depois de lhe falar sobre o assunto e dizer que estava de saída ele olhou para mim pensativo e disse-me uma frase que ele próprio ouvira de um ex-chefe, diante de situação semelhante que ele próprio vivera. Foi mais ou menos a seguinte:

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  • "Você pode ser um caça de último modelo voando e disparando seus mísseis certeiros numa guerra, mas se não tiver um porta-aviões para pousar após as missões vai seguramente ficar sem combustível e cair no mar apesar de todo o poderio bélico."

E mais não disse. Naquele momento mudei minha decisão e não sai mais da empresa onde estava. Desisti dos ganhos imediatos e objetivos e assumi as vantagens subjetivas. Fiz minha escolha, minha aposta no futuro. Entendi o recado e aprendi. Deu certo. Na seqüência dos anos cheguei ao topo da carreira como diretor da empresa e durante muitos anos.

Realmente a firma que me convidara não era um "porta aviões" e eu percebi que de "caça" poderia passar a "avião cargueiro", isso se não caísse no oceano antes... apesar da proposta ser - como disse antes - irrecusável.


Fãs rubro-negros foram para a frente do hotel onde houve a reunião entre o pai e agente de Kaká, Bosco Leite, e o vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, nesta segunda-feira, a fim de protestar contra uma possível transferência do jogador para o Manchester City, da Inglaterra (Reuters)

É o que está prestes a acontecer com Kaká. Ele sabe disso. Por alguma razão (provavelmente em função do seu nível intelectual, acima da média no seu meio) Kaká percebeu que indo para o clube inglês – que na verdade não tem tradição corporativa. E um mero "capricho", um brinquedo caro mantido por um bilionário príncipe árabe – estará dando um passo atrás na sua brilhante carreira.

Kaká já disse e deu todas as demonstrações de que não quer ir. Aceitando ele se verá obrigado a sair da cidade de Milão onde está, pessoalmente, feliz e do Milan onde é um caça daqueles tipo F-22 (que é um dos mais modernos disponíveis - veja foto) com um enorme porta-aviões para lhe dar retaguarda.

http://www.aereo.jor.br/wp-content/uploads/2009/01/f-22-vem-foto-usaf.jpg

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Todavia por trás da proposta do Manchester United estão interesses do mesmo porte. Milhões de euros. Irá para um clube (empresa concorrente de porte pequeno) que no máximo é um "projeto" de porta-aviões cuja “pista de pouso” nem está construída para receber um “caça” como ele. Vai ganhar muito dinheiro, certamente, mas vai perder qualidade. e prestígio.Deixará de ser caça para se transformar - não direi em um cargueiro, por respeito ao seu enorme talento – mas em , digamos, um “Lear-Jet”.
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Só para constar faço uma provocação aos incrédulos. Kaká teria chegado aonde chegou (mesmo com toda sua arte) se jogasse, por exemplo, em clubes de menor expressão que o Milan? Digamos a Fiorentina ou mesmo a Roma? A Resposta é NÃO! Zico, que era um jogador superior ao Kaká (e eu sou vascaíno...) foi para a Udinese, na mesma Itália e nunca foi considerado o melhor do mundo. Falcão na Roma e até Maradona no Nápoli (apesar do prêmio como é hoje só ter-se iniciado em 1991). Foram destaques mas nunca tiveram o suporte de clubes como um Milan, um Real Madri, Barcelona, Internazionale e outros grandes “porta-aviões”. Exemplos não faltam no mundo do futebol. Todos os "melhores do mundo" pertenceram aos grandes e tradicionais clubes europeus. No mundo das corporações também é assim.

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Sinto pena do que o Kaká está passando. Ele sabe disso tudo. A sua recusa inicial aos primeiros milhões de euros do clube inglês provam isto. Mas a aposta foi aumentada e é tanto dinheiro que os interesses do seu clube, dos seus empresários, "padrinhos" e dependentes (o pai dele é o seu empresário) podem falar mais alto. Muita gente deixará de ganhar milhões – a partir do Milan - se ele não for e estão "forçando a barra" sobre o ídolo do Milan e do Brasil. Além disso, tem o velho ditado, um daqueles "mentirosos" que estão sempre sendo sacados nestas ocasiões:

  • "Cavalo selado não passa duas vezes na vida de cada um. Se não montar na hora nunca mais..."

É MENTIRA! Passa sim. Oportunidades não faltam na vida profissional de que é competente e talentoso. Felicidade, entretanto pode ser perdida e dificilmente reposta. É o que temo, vai acontecer com Kaká se ele aceitar a mudança.

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Dirijo-me aos jovens profissionais e executivos que tenham tido a paciência de ler estas linhas até aqui. Transfiram tudo isso para suas próprias vidas. Saibam pesar, muito bem, quando as chamadas “oportunidades irrecusáveis” surgirem. Obviamente isto não é uma regra geral, mas também não é exceção.

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Já vi, conheci alguns e soube de outros cases onde profissionais brilhantes e promissores se perderem no mar das nulidades por abandonarem a garantia de um "porta-aviões para pousar e reabastecer seus caças" quando mudaram ("vantajosamente") de emprego. Enferrujaram, tornaram-se infelizes e passaram o resto da vida arrependidos por não terem tido a coragem (ou oportunidade?) da recusa; de terem dito NÃO! Pensem nisto.


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