25 de nov de 2007

O estresse no ambiente de trabalho

Agitação, correria, trânsito. Problemas no trabalho, contas a pagar e negócios para administrar. Rotina da maioria dos brasileiros e - por que não dizer? - da maioria das pessoas de todo o mundo. Com uma vida nesse ritmo, o que causa espanto é não ser estressado em pelo menos um dos 365 dias do ano. Assim, foi reservado um dia especial para eles: os estressados! Dia 3 de agosto, dia de aproximadamente 70% dos profissionais ativos no mercado de trabalho - um número muito alto e que merece ser discutido. Ana Maria Rossi, psicóloga especializada em estresse e presidente da ISMA Brasil (International Stress Management Association), afirma que, segundo pesquisa da entidade, cerca de 30% dos profissionais estressados sofrem do nível mais elevado de estresse, também chamado de burn-out. Trata-se de um nível mais sério, que pode ser observado por três reações principais:

  • Ceticismo – falta de esperança, de crença em algo.

  • Exaustão física, mental e emocional – o profissional sai de férias, tem um feriado prolongado, mas não consegue se desligar e não descansa.

  • Ineficiência – o profissional tem uma produção marginal, ele se torna incapaz de produzir com qualidade.

Para Ana Maria, a sobrecarga no trabalho é uma das principais causas do estresse e o posicionamento do mercado vem colaborando muito para isso. "O mercado de trabalho está cada vez mais hostil, competitivo e, na maioria das vezes, a falta de segurança, que é cada vez mais freqüente, ajuda muito nesse acúmulo de estresse no profissional", explica.


A EMPRESA PERDE

Não é apenas o funcionário que perde e é prejudicado com o estresse. A empresa é uma das primeiras atingidas com esse problema. Profissional estressado é sinal de prejuízo, e não apenas em termos de queda na produtividade. O problema vai além e pode mexer no caixa da empresa. "Estudos indicam que, nos Estados Unidos, as empresas chegam a gastar US$ 300 bilhões [cerca de R$ 600 bilhões] anualmente com problemas relacionados ao estresse. Aqui no Brasil, o valor equivale a 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) anual nacional", afirma Ana Maria. Apesar do grande prejuízo que as empresas têm, anualmente, por causa do estresse, a maioria delas não está focada no problema e ainda não tomou as providências necessárias. "Menos de 5% das empresas brasileiras têm um programa regular de qualidade de vida para seus funcionários", alerta a psicóloga.


SENTINDO NA PELE

Renata Agostine se considera uma pessoa estressada. Ela é estilista, trabalha de seis a oito horas diariamente e o seu dia-a-dia no ambiente de trabalho, às vezes, a estressa bastante. Apesar de enumerar diversas situações que a deixam irritada e que fazem seu nível de estresse subir, existe algo que ela considera como fator crítico de estresse: "O cumprimento de prazo! A falta de responsabilidade com prazo é uma coisa que me irrita bastante", enfatiza. Renata diz não ter a qualidade de seu trabalho afetada pelo estresse. Muito pelo contrário: ela se estressa quando coisas externas interferem nessa qualidade. "O que me irrita é atrasar o meu trabalho.Ter de fazer o trabalho de outra pessoa e interferir no meu, que poderia ter ficado muito melhor, se eu não tivesse parado para fazer outra coisa", conta Renata. Bem-humorada e comunicativa, ela faz cair todas as afirmações de que pessoas estressadas são mal-humoradas e bravas. Ela ri de seu próprio estresse e diz que a maioria das pessoas ao seu redor faz o mesmo: "As pessoas acham graça. Eu busco não passar isso para os outros, por esse motivo que eu me considero muito mais estressada do que a maioria das pessoas pensa que eu sou", brinca.

CONVERSANDO COM O ESPECIALISTA

Danielli Haddad, cardiologista e coordenadora do Centro de Acompanhamento da Saúde e Check-Up do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, é especialista quando o assunto é estresse. Ela listou as mais freqüentes e principais conseqüências do problema:

Infarto;

Alterações de sono;

Alterações de memória;

Acidentes no transito – devido à irritabilidade causada pelo estresse;

Distúrbios intestinais;

Queda de cabelo;

Alterações de peso – ou emagrece ou engorda demais;

Possibilidade de desencadear pânico.

LIDANDO COM O ESTRESSE

Para a cardiologista, ser maduro profissionalmente é fator de extrema importância para conseguir lidar melhor com o estresse no ambiente de trabalho. "O profissional precisa entender que as relações interpessoais acabam a partir do momento em que se começa um compromisso profissional", explica. Com o intuito de ajudar todos os profissionais, especialmente na semana do dia dos estressados, Danielli dá dicas de como conseguir lidar da melhor forma com um ambiente de trabalho estressante:

  • Não seja agressivo: "Agressividade em momentos de conflitos não cai bem. Então, o melhor é sempre sentar e negociar."

  • Organize-se: "Separe o que é urgente e o que é emergente. Tem coisas que podem ser delegadas para a equipe mas, se não tiver essa opção, enumere a ordem de necessidades."
  • Almoce! "Tenha, pelo menos, uma hora de almoço. Essa história de comer sanduíche na frente do computador deve ser eliminada."

  • Divida as coisas: "Divida a vida pessoal da vida profissional. Não leve problemas de casa para a empresa e nem da empresa para casa. Do contrário, você vai detonar as duas partes da sua vida."
(Viviane Macedo é autora do texto e faz parte da equipe da Catho. Veja o artigo no contexto do site original acessando o link http://www.catho.com.br/estilorh/?secao=251)

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Um comentário:

  1. Rocha Maia apenas um artista23/12/2007 22:18

    Estresse no ambiente de trabalho? Ainda hoje, em meio ao bate-papo do café matinal, eu trocava idéias com uma cunhada que nos visita, sobre a questão do estresse que minha mulher e a empregada sofrem, sempre que é encontrado um prato ou outra vasilha lascada por descuido no manejo. Copos! Sim, é isso! Falávamos de copos quebrados. Ocorreu-me então o seguinte raciocínio apagógico: quebrar copos de boa qualidade gera estresse, mas quebrar copos de requeijão parece que não! Por qual razão?
    Ficamos, eu e minha cunhada, discutindo sobre as razões e chegamos a alguns resultados interessantes de nossas considerações. Copos de boa qualidade são caros e foram adquiridos com a finalidade específica de servir como copos; copos de requeijão são apenas embalagens recicladas, portanto, além de praticamente nada terem custado, serviram a um bom propósito de economia doméstica, ainda que sirvam pessimamente para a etiqueta social.
    Eu nunca ouviria minha esposa falar de forma estressada, para a doméstica, algo assim: "... e se você quebrar outro copo desses vou descontar do seu salário!" Nunca! Não há estresse quando ela calmamente comenta: "..., minha filha, tenha cuidado para não se cortar quando recolher os caquinhos de vidro (do copo de requeijão), viu?"
    Mas se o copo não é apenas o de vidro, é de cristal, então a "coisa fica feia"; ela (a patroa), a empregada e quem mais estiver por perto acaba muito estressado.
    Numa empresa, acredito, a coisa não é diferente. Podemos aplicar aqui o instrumento metafórico: o gerente é "a patroa"; o empregado é "a doméstica"; e os demais circunstantes são "quem mais estiver por perto".
    Vamos imaginar a seguinte situação: sem avisar, um gerente resolve dar uma olhada no andamento do serviço. Resultado: encontra um montão de evidências de coisas “lascadas”. Caso ele não executasse o controle por amostragem, o processo de monitoria seria impossível, em razão do afrouxamento da fiscalização. Sabendo que não seria fiscalizado, o empregado tenderia a relaxar. Também não funcionaria algo como: marcar dia e hora para realizar a inspeção. Seria fácil para o empregado relaxado "varrer para baixo do tapete" os erros cometidos. Deve ser por tal razão que as auditorias preferem (infelizmente) trabalhar por amostragem punitiva. Mas, em qualquer das metodologias escolhidas, há muito estresse para todos.
    Seria então uma boa solução trocarmos todos os "copos de cristal"? Passaríamos a usar apenas "copos de requeijão" e pronto! Certamente que não, especialmente se a função de satisfizer o cliente estivesse em jogo. Afinal, quem se sente elogiado quando, em visita a um amigo, lhe é servido numa bandeja de prata, por James, o mordomo, um copo d'água, de uma típica embalagem reciclada? Em certos casos, é melhor que o copo seja descartável!
    Retornando ao "estresse"!
    Nos verdadeiros programas de qualidade total, não desses de efeitos meramente pirotécnicos, amplamente divulgados por muitas empresas, mas daqueles genuínos, "com cara de japonês", uma das grandes funções é a redução do estresse no ambiente de trabalho. São programas preventivos, participativos, de gestão pela qualidade, onde supervisores e empregados formam equipes, times vencedores. As pessoas não competem entre si, não necessitam de auditoria punitiva, não desenvolvem síndromes de tensão pré-fiscalização ou pós-relatório de auditoria. E, o que é interessante notar, onde os verdadeiros programas de qualidade funcionam perfeitamente, não há qualquer tipo de temor em trocar os copos de vidro pelos mais caros, que sejam até os de cristal, posto que a idéia é fazer acontecer a qualidade total. Algumas empresas preferem quebrar milhares de "copos de requeijão" por ano, do que tentar o desafio de quebrar alguns poucos "copos de cristal". Estatisticamente está provado, certamente, mais dia menos dia, o micro estresse da quebradeira geral de "copos" de baixo custo acaba aparecendo no mercado, uma vez que é o somatório dos pequenos grãos de sílica, aparentemente sem valor, que acabam por formar os bancos de areia que fazem muitos barcos naufragar.
    Para concluir, visando promover a paz em meu lar, eu e minha cunhada, concluímos por recomendar à minha esposa um melhor destino aos copos reciclados de requeijão. Acreditamos que a presença deles, no posto de trabalho da nossa empregada doméstica, tem sido a razão de tantos copos de cristal e demais vasilhas quebradas.

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