11 de out. de 2020

Oito exercícios simples para treinar os neurônios (El Pais)


Quem nunca experimentou aquela sensação horrorosa de estar no meio da melhor discussão e debate na vida, ganhando a argumentação, totalmente na ofensiva e de repente, sem nenhum aviso prévio - aparece aquele branco total nas ideias e a palavra ou expressão que estava pronta para ser encaixada na frase some, desparecer, se esfumaça...E então, naquela fração de segundos, quando você, aflito e já começando a suar, percebe que a palavrinha não vai aparecer; a danada está ali, na ponta da língua, mas nada... Resultado, você parte rápido para o plano B, mas já é tarde; o seu interlocutor percebeu o hiato e se apressou em substituir a "sua" palavra. Consequência, você foi colocado no canto do ring. Perdeu a ofensiva.

E quando o episódio é numa apresentação pública? Todo mundo percebe que seus neurônios negaram-se a trabalhar. Fizeram greve. Um horror! 

Se isso acontecer ocasionalmente é considerado... normal. Todavia, se houver algum padrão de repetição a coisa é grave. Seu cérebro pode estar cansado, os neurônios estão preguiçosos, acomodados e você deve, urgentemente, partir para um programa de "training". Isso mesmo! Treinamento de neurônios. Já ouviu falar?


É disso que trata o excelente artigo que descobri no "El Pais", escrito pela consagrada jornalista espanhola Pilar Jericó (clique no link), que coordena o blog Laboratório de Felicidad do El País.

Texto levíssimo e de fácil compreensão (já traduzido) deve ser lido e relido para tornar-se comum para quem deseja praticar os exercícios neuronais. Alguns deles já são praticados por muitas pessoas sem saber que são importantes para a "musculação dos neurônios". Eu mesmo faço alguns, mas sem nenhuma preocupação maior de treinar o cérebro. 

Agora não, estou fazendo com regularidade e posso dizer que diminuíram os lapsos nas frases. Um exemplo: tinha (e ainda tenho) muita dificuldade de lembrar nomes de filmes ou novelas e seus atores/atrizes. Era alguma coisa que me incomoda muito. Parece algo proposital entre meu cérebro e eu.  Uma marcação cerrada. Era eu querer lembrar e simplesmente não conseguia. Lembrava de tudo; das cenas, das figuras dos artistas, mas os nomes... nada. 

Agora já estou percebendo que essa briga está mudando de placar. Se antes eu perdia de uns dez para um a um, após um mês e pouco de "treinamento" acho que o placar está de 10 para 4. Continuo treinando intensivamente.

Experimentem. Não custa nada e tenho certeza de que vão perceber uma melhora inequívoca no funcionamento dos neurônios e do cérebro em geral. Boa leitura e bom proveito.

Oito exercícios simples para treinar os neurônios

Oito atividades simples para treinar e manter a massa cinzenta em boa forma. Porque alguns minutos diários de dedicação são suficientes para ativar os neurônios. A chave é decidir fazê-los.

Se queremos ter uma vida saudável, precisamos de um cérebro ativo. Fazer aniversário significa ir perdendo algumas faculdades. À medida que envelhecemos, fica mais difícil memorizar números de telefone e, às vezes, não vem à cabeça aquela palavra exata que queremos dizer. 

A memória, a atenção e a capacidade de concentração e expressão são algumas das habilidades afetadas com o passar do tempo. No entanto, existem boas notícias. Nas últimas décadas, a neurociência está demonstrando que nós todos, em qualquer idade, podemos realizar um treinamento cognitivo que nos ajude a manter nossa massa cinzenta mais jovem. Este é um bom momento para começar, principalmente em uma época tão dura como a que vivemos. É recomendável um bom treinamento para recuperar a energia mental e, ainda mais importante, para reforçar nossas habilidades cognitivas.

Antes de propor uma agenda de exercícios, façamos uma pequena diferenciação. A terapeuta Catalina Hoffmann, grande especialista em desenvolvimento cognitivo e autora do método que leva seu nome, sustenta que treinar é diferente de realizar uma manutenção mental. Se fizermos diariamente atividades que nos agradam, como sudoku ou caça- palavras, por exemplo, estaremos promovendo uma manutenção das áreas do cérebro que estão saudáveis e ativas. Equivaleria ao exercício de correr todos os dias para alguém que gosta do exercício físico. Já treinar é desenvolver áreas cerebrais que estão saudáveis, mas não ativas, e que deixamos de lado por diversos motivos: porque não prestamos muita atenção nelas, porque nos frustravam ou porque as atividades de que necessitavam não nos motivavam.

Hoffmann assinala que treinar envolve “acordar nossos neurônios Netflix”, que estão confortavelmente sentados no sofá e não têm nenhuma necessidade de sair dele. É aí que começa nosso desafio. Quando treinadores mentais são consultados a respeito de seus truques, enumeram atividades simples, que podem ser praticadas diariamente e não requerem mais de 10 minutos por dia. Vejamos oito delas, que surgem das recomendações que a própria Hoffmann reúne em seu método, mas também de livros como "Entrena tu Cerebro" (“treine seu cérebro”), de Marta Romo; "Superpoderes del Éxito para Gente Normal" (“superpoderes do sucesso para pessoas normais”), de Mago More, e "Supertrucos Mentales para la Vida Diaria" (“super truques mentais para a vida diária”), de Jorge Luengo. Estas são suas propostas.

Ouvir música 8D com fones de ouvido. Esse tipo de música costuma ser utilizado em filmes ou games e é especialmente envolvente porque ativa o cérebro como um todo, segundo Hoffmann. Está disponível na Internet e é recomendável ouvir com os olhos fechados, prestando atenção nos instrumentos, na voz, no ritmo...

Dia da mão não dominante. Um dia por semana, devemos fazer tudo com a mão que não utilizamos habitualmente. Se somos destros, viramos canhotos, ou vice-versa. Essa atividade facilita a conexão dos hemisférios cerebrais e aumenta a reserva cognitiva.

Ler em voz alta. Quando lemos em voz alta, abrimos novas rotas neuronais, por isso é recomendável fazer isso uma vez por semana, mesmo que estejamos sozinhos.

Fazer algo que nos incomode. Temos de evitar cair na zona de conforto. Mago More sugere fazer coisas que nos custe fazer, mesmo que sejam pequenos atos, como não comer uma sobremesa de que gostemos muito ou seguir um caminho diferente do habitual.

Trabalhar com os aromas. Hoffmann sugere colocar, em recipientes, aromas que sejam familiares, como um sabonete da infância, um perfume antigo... O exercício consiste em vendar os olhos e se deixar surpreender pelo olfato. Desse modo, ativamos um dos sentidos menos desenvolvidos e abrimos novas conexões neurais. Essa dinâmica também pode ser feita com sabores, se alguém tiver dificuldades com o olfato.

Praticar esporte ou jogar. Como Marta Romo reconhece, o esporte também ativa nosso cérebro e nos ajuda até a desenvolver novos neurônios. Além disso, quando o corpo se movimenta, a mente relaxa e cria um espaço ideal para a aprendizagem.

Coordenação óculo-manual. Uma das chaves do treinamento cognitivo é conectar diferentes áreas cerebrais. Neste caso, Hoffmann sugere usar massa de modelar, ou qualquer outro material que possa ser moldado, para criar formas diferentes. O objetivo é conectar os olhos com as atividades das mãos.

Desafiar a atenção. Existem livros e dinâmicas para encontrar diferenças entre duas imagens ou encontrar uma que esteja oculta. Este exercício ajuda a treinar a atenção. Jorge Luengo, um ilusionista famoso, sugere praticá-lo dia após dia, quando estamos na rua sentados ou esperando em uma fila. O desafio é muito fácil: observamos as pessoas ao nosso redor, fechamos os olhos e tentamos lembrar detalhes de seus sapatos, sua roupa...

Treinar nosso cérebro para criar hábitos diferentes e desenvolver todo o nosso potencial cognitivo está em nossas mãos. Basta decidir fazer isso.

Pilar Jericó é coordenadora do blog Laboratório de Felicidad do EL PAÍS.


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