Para contextualizar o significado dessa “descoberta”
pessoal, preciso descrever um pouco de mim.
Sempre me reconheci, com liberdade de
expressão, como alguém de “centro-direita-esquerda”.
Nunca vi ninguém se definir assim, mas essa é a maneira que encontrei de
explicar minha resistência às camisas de força das classificações ideológicas.
Tenho convicções que poderiam ser classificadas em diferentes pontos do
espectro político. Prefiro examiná-las pelo que significam, sem a obrigação de
acomodá-las num mesmo rótulo.
Nunca me filiei a partido algum. Tive simpatia pelo PFL, sobretudo pela admiração que nutria por homens públicos como Antônio Carlos
Magalhães e Marco Maciel. Contudo, também admirei Mário Covas, Pedro Simon e
Paulo Brossard. Reconhecia nessas figuras qualidades que me chamavam a atenção,
sem precisar concordar com tudo o que defendiam ou faziam.
Com o desaparecimento do PFL da minha paisagem
política, senti uma espécie de vazio de representação. Outros partidos, herdeiros do PFL, ditos de direita, não me satisfizeram. Fiquei esse tempo todo vagando, na expectativa de me localizar.
Há, entretanto, um fundamento do qual não abro
mão: a democracia. Seus princípios, seus valores e suas instituições constituem a referência central da minha maneira de compreender tanto a vida pública quanto a pessoal. É por esse critério que avalio aqueles que poderiam
estar próximos de algumas das minhas convicções.
Não me reconheço nas extremidades do leque ideológico. Tampouco aceito que partidos esgotem ou representem toda a diversidade do espectro político-ideológico. Entendo que todos, apesar das diferenças, precisam saber conviver com as divergências e as inovações, respeitar as instituições e reconhecer a legitimidade de quem pensa de outra maneira. É nesse sentido que uso a expressão “direita livre”: livre para pensar, para discordar e para renovar suas propostas, sem submissão a personalidades ou concessões ao autoritarismo.
Há nele um “fogo selvagem”, para usar uma
imagem que me ocorreu: a inquietação de quem deseja ocupar seu lugar e imprimir
uma marca própria. Torço para que essa energia encontre direção no compromisso
democrático e na responsabilidade que a vida pública exige.
Não lhe atribuo um certificado antecipado de
virtudes. Minha expectativa terá de encontrar correspondência em suas atitudes,
em suas escolhas e na maneira como enfrentará as contradições do caminho.
Vou prestar atenção nele. Torço para que não
se perca na caminhada, não se transforme em mais do mesmo e saiba corresponder
à confiança daqueles que começam a enxergar nele uma possibilidade de
renovação.
O Brasil precisa de novas lideranças, com
entusiasmo, ideias e disposição para assumir responsabilidades. Neste momento,
vejo em Renan Santos alguém que merece ser acompanhado sob essa expectativa.
Aos 80 anos, considero uma boa notícia ainda
encontrar motivos para olhar o futuro político com curiosidade e esperança.
Continuo disposto a reconhecer o novo — e preservo a liberdade de avaliar o que
ele fará com a confiança que desperta.







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