||| 28 de outubro DE 2026 ||| 4ª FEIRA ||| Campanhas de outubro em cores: 🌸 Rosa - Conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama e de colo do útero. 🍏 Verde - Combate e prevenção à sífilis e à sífilis congênita (transmitida de mãe para filho). 🟤 Marrom - Alerta sobre a saúde ocular e a prevenção de doenças que podem levar à cegueira (como a retinopatia diabética). 🔮 Roxo - Conscientização sobre a Síndrome de Rett, uma condição genética rara que afeta o desenvolvimento neurológico. 🪙 Prata - Valorização do envelhecimento saudável e proteção aos direitos e à saúde da pessoa idosa. || Reflexão: "Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam". ---Clarice Lispector . |||

 

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Frase

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Charles Spencer Chaplin, Jr. (Londres, 16 de abril de 1889 – Corsier-sur-Vevey,[1] 25 de dezembro de 1977), mais conhecido como Charlie Chaplin, foi um ator, comediante, diretor, compositor, roteirista, produtor, editor e músico britânico. É considerado um ícone do cinema mundial, sendo conhecido como um dos maiores nomes do cinema mudo e notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão, bem como por seu personagem mais famoso O Vagabundo (em inglês: The Tramp), conhecido como Charlot na Europa e Carlitos no Brasil. Durante uma carreira que abrangeu 75 anos, Chaplin apareceu em mais de 80 filmes. Sua vida pública e privada, bem como suas posições políticas, também foram alvo de admiração e controvérsia ao longo das décadas. É considerado por alguns críticos o maior artista cinematográfico de todos os tempos e um dos "pais do cinema", junto com os Irmãos Lumière, Georges Méliès e D.W. Griffith. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Charlie_Chaplin)

 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Aos 80 anos, ainda há espaço para a esperança política - Renan Santos

 



Em meio à barafunda destas eleições, dei comigo refletindo sobre o que poderia reconhecer de novo e promissor no cenário político. Aos 80 anos, após acompanhar tantas eleições, cultivar expectativas e testemunhar decepções, uma jovem liderança despertou minha atenção: Renan Santos.

Para contextualizar o significado dessa “descoberta” pessoal, preciso descrever um pouco de mim.

Sempre me reconheci, com liberdade de expressão, como alguém de “centro-direita-esquerda”. Nunca vi ninguém se definir assim, mas essa é a maneira que encontrei de explicar minha resistência às camisas de força das classificações ideológicas. Tenho convicções que poderiam ser classificadas em diferentes pontos do espectro político. Prefiro examiná-las pelo que significam, sem a obrigação de acomodá-las num mesmo rótulo.

Nunca me filiei a partido algum. Tive simpatia pelo PFL, sobretudo pela admiração que nutria por homens públicos como Antônio Carlos Magalhães e Marco Maciel. Contudo, também admirei Mário Covas, Pedro Simon e Paulo Brossard. Reconhecia nessas figuras qualidades que me chamavam a atenção, sem precisar concordar com tudo o que defendiam ou faziam. 

Com o desaparecimento do PFL da minha paisagem política, senti uma espécie de vazio de representação. Outros partidos, herdeiros do PFL, ditos de direita, não me satisfizeram. Fiquei esse tempo todo vagando, na expectativa de me localizar.

Há, entretanto, um fundamento do qual não abro mão: a democracia. Seus princípios, seus valores e suas instituições constituem a referência central da minha maneira de compreender tanto a vida pública quanto a pessoal. É por esse critério que avalio aqueles que poderiam estar próximos de algumas das minhas convicções.

Não me reconheço nas extremidades do leque ideológico. Tampouco aceito que partidos esgotem ou representem toda a diversidade do espectro político-ideológico. Entendo que todos, apesar das diferenças, precisam saber conviver com as divergências e as inovações, respeitar as instituições e reconhecer a legitimidade de quem pensa de outra maneira. É nesse sentido que uso a expressão “direita livre”: livre para pensar, para discordar e para renovar suas propostas, sem submissão a personalidades ou concessões ao autoritarismo.

Foi nesse espaço de expectativas que Renan Santos despertou minha atenção.

Renan Santos - Congresso do partido Missão.

Ao acompanhá-lo durante estas eleições, desenvolvi uma espécie de empatia política. Encontrei em suas manifestações uma energia e uma bravura genuínas, que me parecem fazer falta num ambiente de lideranças amorfas, apáticas e sem inspiração. Chamaram-me a atenção sua desenvoltura, sua disposição para o confronto de ideias e a capacidade que percebo nele de dialogar com os jovens.

Há nele um “fogo selvagem”, para usar uma imagem que me ocorreu: a inquietação de quem deseja ocupar seu lugar e imprimir uma marca própria. Torço para que essa energia encontre direção no compromisso democrático e na responsabilidade que a vida pública exige.

Não lhe atribuo um certificado antecipado de virtudes. Minha expectativa terá de encontrar correspondência em suas atitudes, em suas escolhas e na maneira como enfrentará as contradições do caminho.

Vou prestar atenção nele. Torço para que não se perca na caminhada, não se transforme em mais do mesmo e saiba corresponder à confiança daqueles que começam a enxergar nele uma possibilidade de renovação.

O Brasil precisa de novas lideranças, com entusiasmo, ideias e disposição para assumir responsabilidades. Neste momento, vejo em Renan Santos alguém que merece ser acompanhado sob essa expectativa.

Aos 80 anos, considero uma boa notícia ainda encontrar motivos para olhar o futuro político com curiosidade e esperança. Continuo disposto a reconhecer o novo — e preservo a liberdade de avaliar o que ele fará com a confiança que desperta.

sábado, 24 de outubro de 2026

Minha escolha é pela Democracia


Tenho, continuamente, refletido sobre as próximas eleições e sobre o que gostaria de compartilhar com os leitores e amigos da Oficina de Gerência. Acho que devo isto ao blog.

Em meus círculos sociais e profissionais e até familiares, sempre fui discreto quanto às minhas preferências eleitorais. Há, porém, uma convicção que desejo tornar pública: meu compromisso com a democracia.

É ela que permite escolher governantes, cobrar resultados, denunciar injustiças e substituir, pelo voto, aqueles que perderam nossa confiança. Sua preservação é o fundamento que dá sentido às demais escolhas políticas e cobranças aos eleitos.

Nenhum candidato está acima da crítica e do julgamento dos cidadãos; nenhum partido merece fidelidade incondicional. Quem governa, quem legisla e quem julga, deve prestar contas, respeitar as liberdades e reconhecer os limites de seu poder. Quem perde uma eleição deve respeitar o resultado legítimo das urnas. Esses compromissos são sagrados e valem para todos.

Também considero essencial preservar o direito à divergência. Familiares, amigos e conhecidos não precisam votar como alguém, para merecer o seu respeito. A convivência democrática exige que reconheçamos, no outro, a mesma liberdade de consciência que reivindicamos para nós.

Minha escolha eleitoral será feita à luz desses princípios, com atenção à capacidade de governar, às condições de vida da população e à responsabilidade com o futuro do país. 

Preservo, neste momento, a discrição sobre meu voto. Deixo explícito, contudo, o critério que mais pesa na minha decisão: o respeito e a preservação da democracia.

É com essa convicção que irei às urnas e, com ela, continuarei a avaliar quem receber a responsabilidade de governar.


quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Eleições e saúde mental: como você está se sentindo?

 

Uma eleição não movimenta apenas as urnas: mexe com nossas emoções, nossos receios e nossas relações. Muitos de nós saem do eixo.

Nesta reta final da disputa, tenho ouvido e percebido, entre amigos e familiares, relatos de ansiedade e angústia que merecem ser ouvidos com respeito. 

Acredito nesse sofrimento e penso que ele não deve ser tratado como exagero ou fraqueza. As "vítimas"  desses “sintomas de ansiedade e estresse associados ao contexto eleitoral” sentem, verdadeiramente, algo diferente nos seus comportamentos corriqueiros sem conseguir explicar-se: um certo desânimo incompreensível, insônia sem motivo, obsessão em acompanhar o noticiário eleitoral...

A reportagem da Folha de S. Paulo, que compartilho a seguir, aborda esse lado humano do acirramento eleitoral. É uma leitura oportuna para refletirmos sobre os limites entre o envolvimento político e o desgaste que compromete o descanso, a convivência e a vida cotidiana. 

Defender nossas convicções é parte da democracia. Cuidar de nós mesmos e respeitar o sofrimento do outro também precisa fazer parte dessa experiência.

Visite o site da Folha



São Paulo - Vitor Hugo Batista

A poucos dias do segundo turno das eleições, a estagiária de psicologia Larissa Santos, 29, quase não pegou no sono. "Fui dormir às 2h30. Meu marido disse que eu ia surtar", conta. O motivo? Imaginar o que poderia acontecer se o candidato do campo político oposto ao seu vencesse a disputa presidencial.

"Eu estou mais ansiosa, minha produtividade no trabalho caiu drasticamente e todo esse contexto tem afetado minhas relações pessoais", afirma.

É a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) que aparece no centro das preocupações de muitos eleitores. Após o primeiro turno, Flávio saiu à frente com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,16% — diferença de apenas 1,87 ponto percentual.

A decisão será tomada neste domingo (25), quando os brasileiros vão às urnas escolher o presidente da República para os próximos quatro anos. Em seis estados — Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins — e no Distrito Federal, a população também vai definir seus governadores.

Dois homens em terno conversam de forma intensa em palco escuro com gráfico de linhas azuis projetado ao fundo. Homem à esquerda gesticula com as mãos no peito, enquanto o da direita fala com as mãos levantadas.
Flávio Bolsonaro e Lula durante o debate no estúdio da Band (Grupo Bandeirantes de Comunicação), em São Paulo - Eduardo Knapp - 18.out.26/Folhapress

Nas redes sociais, o debate sobre propostas e programas de governo se mistura a previsões de catástrofes, ataques a adversários e mensagens que apresentam a vitória de um candidato como uma ameaça à própria vida cotidiana. E ganhou até nome entre os internautas: psicose política — termo que não existe no léxico clínico.

A preocupação com o resultado eleitoral, por si só, não representa um problema de saúde mental, segundo especialistas ouvidos pela Folha. O sinal de alerta aparece quando o assunto passa a dominar os pensamentos, provoca sofrimento intenso e persistente e prejudica atividades cotidianas.

"Na psicologia, chamamos de ruminação mental. O indivíduo permanece mentalmente ocupado com o mesmo assunto, mesmo quando gostaria de se concentrar em outras atividades", explica o psiquiatra Arthur Danila, coordenador do programa de mudança de hábito e estilo de vida do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).

Os sinais de alerta podem aparecer em diferentes áreas da vida. Dificuldade para adormecer, despertar durante a madrugada para consultar notícias, irritabilidade, tensão muscular, dores de cabeça, desconfortos gastrointestinais, palpitações, fadiga e alterações do apetite são algumas das manifestações que podem acompanhar o estresse.

"Um sinal de alerta é quando a pessoa já não consegue escolher quando se envolver com a política e quando se desligar dela. O assunto passa a dominar seus pensamentos, suas emoções e seu comportamento, mesmo nos momentos destinados ao trabalho, à convivência e ao descanso", diz Danila.

Esses sintomas não são exclusivos da ansiedade eleitoral e não permitem, isoladamente, concluir que alguém tenha um transtorno mental. Além de intensidade, duração e impacto, é necessário observar fatores pessoais, familiares, profissionais e sociais, além de quadros psicológicos pré-existentes.

"Se houver prejuízo importante no cotidiano ou agravamento de uma condição psiquiátrica, é recomendável procurar avaliação profissional", afirma Danila. Segundo ele, a indicação de medicamentos depende de uma avaliação clínica individualizada.

O tratamento começa com uma avaliação. O profissional investiga os sintomas, histórico de saúde mental e estratégias que a pessoa utiliza para lidar com o estresse.

Conheça o artigo no formato original (clique aqui)




sexta-feira, 16 de outubro de 2026

A emoção e a responsabilidade de votar



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Abro este comentário na série, sob o selo “Eleições”, com um vídeo curto da apresentadora Sandra Annenberg, publicado no YouTube. Identifiquei-me com o sentimento que ela expressa diante do ato de votar. Seu depoimento me levou a olhar esse momento com mais atenção. 

A rotina de um dia de votação pode nos fazer esquecer o significado do que estamos fazendo. Chega o dia, saímos de casa, vamos à seção eleitoral, cumprimos os procedimentos e entramos na cabine. Alguns minutos depois, está feito. Voltamos aos nossos compromissos e, mais tarde, acompanhamos a apuração.

Para alguns, é uma obrigação cumprida. Para outros, um momento de emoções: esperança ou desilusão, preocupação ou tranquilidade, entusiasmo ou desânimo. Contudo, aquela breve passagem pela cabine merece mais do que a pressa de encerrar uma tarefa.

É ali, a sós na cabine, que cada um de nós participa da escolha de quem receberá poder para tomar decisões que alcançarão milhões de brasileiros, inclusive nós mesmos. Decisões cujos efeitos poderão permanecer muito além de uma campanha ou de um mandato.

“Sempre que eu voto, fico muito emocionada”, diz Sandra Annenberg. Ao recordar sua primeira eleição e destacar a igualdade no peso dos votos, ela nos convida a perceber o significado daquele instante na cabine.


Essa igualdade merece uma pausa: pessoas com vidas, rendas, escolaridades e posições sociais muito diferentes têm, na urna, o mesmo peso na escolha. Nenhum cargo, fortuna ou prestígio faz um voto valer mais que outro.

Talvez seja essa a emoção que a rotina às vezes encobre. Por alguns minutos, estamos diante de uma escolha individual que se somará às de milhões de brasileiros. O gesto é simples; a responsabilidade que ele carrega é enorme.

Foi essa dimensão do voto que o vídeo me fez recordar.

Às vésperas de uma nova votação, considero oportuno fazer essa pausa. Não vou dizer a quem lê estas linhas que deve votar assim ou assado. Defendo, sim, que a escolha seja feita com consciência, pensada com calma e, tanto quanto possível, livre das pressões e dos exageros das campanhas.

Isso exige algum trabalho: examinar propostas, observar trajetórias, avaliar preparo e distinguir promessas de possibilidades reais. Exige também disposição para questionar informações que parecem convincentes apenas porque confirmam aquilo em que já acreditamos. É uma pedreira, reconheço, sobretudo quando precisamos colocar nossas próprias certezas à prova.

Não precisamos abandonar nossos sentimentos para votar. Precisamos evitar que eles decidam tudo sozinhos. A simpatia por um candidato não dispensa a avaliação de sua capacidade; a rejeição a outro não garante a qualidade da alternativa.

Também não podemos exigir de nós mesmos a certeza de que jamais nos arrependeremos. Nenhum eleitor controla o futuro ou a conduta de quem elege. Podemos, porém, buscar informações confiáveis para conhecer melhor aqueles a quem pretendemos entregar essa responsabilidade.

Podemos chegar à cabine sabendo que procuramos compreender as opções disponíveis e fizemos uma escolha ponderada. Seria pedir demais a cada um de nós? Diante da importância do voto, não creio.

Que o voto expresse aquilo que consideramos melhor para nós e nossas famílias, mas que nosso olhar alcance também quem vive em condições diferentes das nossas. Afinal, o país que ajudamos a construir será compartilhado com todos.

E que, depois da eleição, continuemos atentos. A responsabilidade do cidadão permanece: acompanhar, cobrar e reconhecer os acertos e os erros de quem recebeu o nosso voto, além de reavaliar nossas próprias escolhas.

Afinal, a consciência que levamos à cabine precisa voltar para casa conosco.

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Como Votar? Tire todas as suas dúvidas - Justiça Eleitoral

 
O link abaixo é da Justiça Eleitoral. Trata-se de uma série de dezenove vídeos curtos, com menos de 60 segundos, cada um, com esclarecimentos oficiais para tirar dúvidas sobre como votar, no dia da eleição. É uma playlist, ou seja, se clicar no primeiro, os seguintes vão se sucedendo automaticamente.

Resolvi trazê-los, como parte dessa série aqui no blog, visto que o noticiário após o primeiro turno deu conta de muitos eleitores que deixaram de votar, erraram endereços das suas seções e até mesmo erraram no ato de votar, por falta de melhores informações. Os vídeos têm títulos como: 

  • Pode celular dentro da cabine? 
  • Posso votar sem biometria? 
  • Como saber o meu local de votação? 
  • Preciso levar o título eleitoral para votar? 
  • Quem tem preferência na fila para votar? 
  • Posso ter ajuda de outra pessoa na hora de votar? 
  • Posso usar camiseta de campanha na hora de votar? 
  • Campanha no dia da eleição pode? 
  • Pode entrar com o celular na cabine de votar? 
  • Posso votar sem biometria?
  • Outros

Clique aqui para iniciar




Clique aqui e visite o site original da Justiça Eleitoral

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Por que decidi falar sobre eleições


Vou iniciar uma série de artigos sobre eleições na Oficina de Gerência. É uma decisão que amadureci depois de muito refletir e que modifica uma orientação estabelecida por mim: manter o blog à distância dos debates políticos, sobretudo dos embates partidários.

Ao longo destes dezenove anos, de 2007 a 2026, preferi compartilhar experiências, cultura, valores e reflexões sobre a arte de conduzir a vida. Agora, como cidadão comum, vejo riscos para o futuro do Brasil que, em consciência, considero necessário abordar. Não quero me omitir.

Inquieta-me perceber como as paixões de uma eleição podem conduzir multidões e comprometer escolhas cujas consequências atravessam gerações. É uma preocupação que pretendo desenvolver nos próximos artigos desta série, expondo os fatos e os argumentos que sustentam minha posição.

Recordo aqui a conhecida reflexão do pastor luterano alemão Martin Niemöller sobre o silêncio diante da perseguição nazista. É em sua advertência sobre a omissão que encontro a motivação para a responsabilidade de me manifestar.

Minha visão pode ser contestada; ainda assim, meus 80 anos de vida, vivência e experiência me levam a considerar que devo participar desse debate com os recursos de que disponho. Essa experiência ajuda a formar meu julgamento; não me torna imune ao erro.

Durante a série, não pretendo transformar a Oficina em um espaço de campanha nem dizer ao leitor em quem deve votar. Mas deixarei clara minha posição e apresentarei as razões que orientam a escolha que farei nas urnas, no dia 25 de outubro.

Tomo essa decisão por responsabilidade com minha terra, minha família, minha crença e os valores que orientam minha caminhada neste plano. Quero contribuir para o futuro que desejo legar aos meus filhos e netos, sem perder de vista que esse futuro será compartilhado com toda a sociedade brasileira. Considero essa participação a coisa certa a fazer.

Não reivindico o monopólio da razão. Respeito quem discorda e pretendo que a Oficina de Gerência continue sendo um espaço onde posições diferentes possam conviver e ser discutidas com argumentos. A firmeza de uma convicção não dispensa a disposição para ouvir, reconsiderar e corrigir.

Os artigos estarão sempre identificados pelo selo “Eleições — Opinião do editor”(apresentado na abertura do post). Assumirei a responsabilidade pelo que escrever, com o compromisso de conferir os fatos, indicar fontes e distinguir informação de opinião.

Sei que essa decisão poderá provocar discordâncias. Espero enfrentá-las com o mesmo respeito que peço aos leitores. Nesta quadra da minha vida, considero importante usar este espaço para dizer o que penso e explicar por quê.

É por isso que decidi falar sobre eleições.

Herbert Drummond

sábado, 3 de outubro de 2026

As urnas encerram a eleição. Quem encerra a crise?


O poder posto à prova

Ao longo de seus 19 anos, de 2007 a 2026, a Oficina de Gerência tem preservado uma linha editorial que evita a política partidária e procura tratar temas controversos com espaço para reflexão e diálogo.

Entendo a Oficina como um lugar de reflexão sobre a arte de conduzir — o trabalho, as relações e a própria vida. A gerência é sua porta de entrada, mas seu olhar alcança muito além dela: experiência, cultura e reflexão para conduzir melhor a vida.

Por que faço essa apresentação? Porque este comentário poderá provocar reações de um lado, do outro ou de ambos. Entretanto, sinto-me no dever de não me omitir diante das falhas na condução da vida pública que, a meu ver, vêm marcando este processo eleitoral e repercutindo em todas as camadas da sociedade.

Escrevo como cidadão que procura compreender o exercício da autoridade e suas consequências. 

Quando a autoridade perde o rumo

Acompanhar a vida pública tem exigido resistência ao espanto. Minha inquietação cresce quando o debate sobre propostas cede espaço aos confrontos pessoais e às disputas entre autoridades. Decisões e resoluções passam a ser recebidas como ataques, vitórias ou retaliações. A pergunta sobre quem venceu sufoca outra: o que isso representa para o país?

Na minha experiência de gestão, aprendi que ocupar um cargo não assegura capacidade de liderança. Liderar exige discernimento, responsabilidade e disposição para aceitar limites, corrigir erros e responder pelas próprias escolhas.

Se cada recuo é humilhação e cada crítica é afronta, a instituição corre o risco de ficar subordinada ao orgulho de quem a representa.

A política mobiliza esperança, medo e indignação. O problema começa quando essas emoções determinam quais regras merecem respeito. Aceitamos dos aliados aquilo que condenamos nos adversários? Defendemos a autonomia institucional somente quando suas decisões nos favorecem?

Nesse uso conveniente dos princípios, reconheço o vale-tudo. Autoridades têm deveres que ultrapassam preferências e ressentimentos. Quando empregam o poder para alimentar disputas, desgastam também as instituições pelas quais deveriam responder.

A democracia exige respeito às regras, fiscalização do poder, possibilidade de alternância e reconhecimento da legitimidade dos adversários. Esses compromissos são postos à prova justamente quando nos contrariam.

A polarização exacerbada leva esse conflito para dentro de casa e dos círculos de amizade. Quando a discordância política se transforma em hostilidade e ódio, familiares se afastam, amizades se rompem e conversar passa a significar confrontar. Podemos sustentar convicções firmes sem reduzir uma pessoa ao voto que ela declara. Preservar essa capacidade de convivência também é uma responsabilidade democrática.

A informação como campo de batalha

O cidadão tenta compreender os acontecimentos em meio à competição por sua atenção e adesão. Essa disputa atravessa grandes veículos, mídias progressistas ou conservadoras, influenciadores e campanhas. Nenhuma dessas identidades assegura compromisso com a verdade.

A desinformação inclui mentiras, mas também omissões decisivas, imagens fora de contexto e manchetes que sugerem conclusões não sustentadas pela reportagem.

Quando um veículo exalta determinada conduta e condena outra semelhante conforme seu protagonista, precisa explicar a diferença de critérios. Sem isso, compromete sua credibilidade.

Campanhas que exploram falsidades, acontecimentos fabricados, medos e convicções religiosas merecem a mesma fiscalização. A fé participa legitimamente da vida pública; sua exploração para tornar um candidato imune à crítica precisa ser questionada.

Essa vulnerabilidade não se limita à falta de instrução. Pessoas escolarizadas também acreditam em versões convenientes. Todos precisamos verificar aquilo que confirma nossas preferências.

Um pacto necessário — mas conduzido por quem?


As urnas produzirão um resultado. Não resolverão automaticamente os conflitos, as dúvidas sobre condutas públicas ou o desgaste da confiança.

Considero necessário um debate nacional sobre esta experiência eleitoral: um esforço de concertação que estabeleça compromissos sobre limites da autoridade, transparência e responsabilidade na comunicação.

Mas conheço a facilidade de propor soluções ideais e inviáveis. Quem convocará esse pacto? Quem aceitará ceder? Como acompanhar seu cumprimento?

Seriam necessárias lideranças públicas e privadas e organizações de alcance nacional capazes de reunir pessoas que discordam profundamente. Tenho dificuldade em identificar lideranças com credibilidade entre campos diferentes para essa tarefa.

Um começo verificável seria cobrar compromissos específicos: corrigir informações falsas, explicar decisões, prestar contas e aplicar aos aliados os critérios exigidos dos adversários.

Procuro transformar minha indignação em reflexão sobre os graves sinais de má administração, má gestão e má gerência na vida pública. Essa discussão precisa alcançar também nossas próprias convicções.

As urnas encerrarão a eleição. Superar a crise exigirá lideranças que demonstrem, em falas, atos, capacidade de exercer autoridade com responsabilidade e de governar, com inteligência emocional, um país dividido.

Este artigo contou com apoio do ChatGPT na elaboração e revisão do texto e na criação das ilustrações.

domingo, 27 de setembro de 2026

Entre o fascínio e a confiança: até onde entregar nossa vida à IA?

 

Imagem criada com apoio do Nano Banana (ChatGPT)


A cada grande invenção impactante, a humanidade repete um ritual: primeiro se espanta, depois imagina os perigos e, aos poucos, aprende a conviver com a novidade. Não foi diferente com o avião de Santos Dumont; mais recentemente, vimos algo semelhante com os drones. Os russos já criaram os drones a jato!

A inteligência artificial, porém, nos coloca diante de uma pergunta particularmente íntima: 

  • Até onde estamos dispostos a entregar a uma tecnologia a condução de tarefas da nossa própria vida?

A reportagem (New York Times/Folha de São Paulo) que compartilho a seguir oferece um retrato intrigante dessa pergunta. Durante duas semanas, o jornalista Eli Tan experimentou um agente de IA da Meta capaz de fazer ligações, organizar informações e tomar providências a seu pedido. O resultado o impressionou. Mas, para obter tamanha ajuda, precisou abrir ao agente as portas de seu e-mail, de suas contas e de parte de sua rotina. 

Leio essa experiência sem vontade de anunciar uma catástrofe nem de aplaudir a novidade de olhos fechados. Sinto curiosidade, fascínio e orgulho do que a inteligência humana consegue criar; sinto também o peso das perguntas que vêm com essa criação. Talvez este seja o verdadeiro desafio do nosso tempo: aprender a usar instrumentos cada vez mais poderosos e surpreendentes sem abrir mão do nosso discernimento sobre o que podemos confiar a eles?

O futuro da IA ainda guarda mistérios, mas não precisamos esperar por todas as respostas para começar a fazer boas perguntas. Que tarefas queremos confiar a esses agentes? Que informações estamos dispostos a compartilhar? E, sobretudo, como garantir que a decisão final continue sendo nossa? É com esse espírito — aberto às possibilidades e atento às consequências — que convido você a ler a experiência relatada a seguir.

O vídeo abaixo está integrado à matéria, na Folha. É uma entrevista interessantíssima, com o colunista da FSP, Ronaldo Lemos, especialista em IA.  É longa — 53:23 — mas vale a pena. Um aprendizado.


Como é que é? | Quais são os limites para o uso da inteligência artificial?



São Francisco (Califórnia)|The New York TimesNa semana passada, atendi a uma ligação de um número desconhecido. "Consegui falar com a Anthem Dental e estou prestes a transferir a ligação para você", anunciou uma voz.

A chamada vinha de um "agente" de inteligência artificial criado pela Meta, dona do Facebook e do Instagram. Dez minutos antes, o agente de IA havia ligado para a minha operadora de plano odontológico, informado meu número de beneficiário, respondido a uma pergunta de segurança e aguardado na linha antes de me transferir para o atendente — exatamente como eu havia pedido.

Fiquei surpreso com o quanto o agente havia facilitado a interação com a seguradora. Essa foi uma das muitas tarefas que realizei com o Muse, o aplicativo de agente de IA que a Meta apresentou neste mês.

Mão robótica metálica pressiona tecla de símbolo '&' em teclado preto. Ao fundo, logo azul e preto da plataforma Muse em fundo branco.
Ilustração que mostra o logotipo da Meta Muse, um teclado e uma mão robótica - Dado Ruvic - 23.set.2026/Reuters

O Muse é o primeiro agente de IA voltado ao consumidor, desenvolvido por uma grande empresa de tecnologia, a se tornar disponível ao público. O setor de tecnologia vê os agentes como a próxima fronteira, muito mais capazes do que os chatbots. Eles podem navegar pela internet, entrar em sites, preencher planilhas e fazer ligações em nome das pessoas — e isso é apenas o começo...

Clique neste ponto  e continue a leitura na FSP, se for assinante. Caso não o seja, pode acionar esse link e lerá a mesma matéria, no Infomoney  É um texto longo, mas, para quem tenha interesse em conhecer o mundo das IAs, vale o esforço.