||| 18 de maio DE 2026 ||| 2ª feira ||| Dia de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. ||| "Se não queres que ninguém saiba, não o faças". (Provérbio Chinês) |||

Bem vindo

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18 de maio é a data escolhida para o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. De acordo com dados da Secretaria de Direitos Humanos, é assustador o número de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no país. Por isso, foi criada esta data com o intuito de ajudar a combater este mal que destrói a vida de milhares de jovens todos os anos. Como surgiu o Dia Nacional Contra o Abuso e Exploração Sexual Infantil A data foi escolhida em memória do “Caso Araceli”, um crime que chocou o país na época. Araceli Crespo era uma menina de apenas 8 anos de idade, que foi violada e violentamente assassinada em Vitória, no Espírito Santo, no dia 18 de maio de 1973. O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído oficialmente no país através da lei nº 9.970, de 17 de maio de 2000. Nesta data, costumam ser realizadas diversas atividades nas escolas e demais espaços sociais como, por exemplo, palestras e oficinas temáticas sobre a prevenção contra a violência sexual. O Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes é o grupo responsável por organizar e promover nacionalmente esta data. menina triste com mãos no rosto Maio laranja: mês de conscientização Durante todo o mês de maio a campanha de enfrentamento ao abuso e à exploração infantil é veiculada em meios de comunicação. Órgãos públicos e não governamentais promovem ações, como distribuição de panfletos informativos, realização de passeatas e palestras, para alertar a sociedade e mobilizar as pessoas a combater esse problema. Diferença entre abuso sexual e exploração sexual Embora abuso sexual e exploração sexual sejam crimes de violência sexual combatidos nesta data, eles possuem significados diferentes. O abuso sexual acontece quando um adulto pratica ato libidinoso com uma criança ou adolescente, o que normalmente acontece por parentes ou pessoas próximas à família. A exploração sexual consiste em usar a criança ou o adolescente como meio de faturar dinheiro, oferecendo o menor de 18 anos como “ferramenta” de satisfação sexual. Disque 100: denuncie e ajude a combater a violência contra crianças e adolescentes No Brasil, há um serviço para registro de denúncias de jovens que se sintam ameaçados ou que sofreram qualquer tipo de abuso ou exploração sexual, o Disque 100. O serviço, disponibilizado pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, é gratuito. Vale destacar que as denúncias são anônimas e o serviço está no ar 24h, incluindo fins de semana e feriados. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), outra forma de comunicar a violência é entrar em contato com o Conselho Tutelar da sua cidade.

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Frase

Frase
José Eugênio Soares (Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 1938 – São Paulo, 5 de agosto de 2022), mais conhecido como Jô Soares, foi um apresentador de televisão, escritor, dramaturgo, diretor teatral, ator, humorista, músico e artista plástico brasileiro. Jô surgiu como um dos grandes nomes da televisão, tendo criado o humorístico Família Trapo, na RecordTV, onde também atuou como o personagem Gordon. Continuando na área do humor, foi o responsável por sucessos como Satiricom, Planeta dos Homens e Viva o Gordo na TV Globo. Ao transferir-se para o SBT, obtém notoriedade no comando do talk-show Jô Soares Onze e Meia entre os anos de 1988 e 1999, solidificando-se como um dos maiores entrevistadores e precursor do formato no Brasil. Voltando para a TV Globo, comandou o Programa do Jô entre 2000 e 2016, ano em que se aposentou da televisão. Falecido em 5 de agosto de 2022, sua morte repercutiu tanto na sociedade brasileira quanto na imprensa internacional. {https://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%B4_Soares}

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Vídeo


 

domingo, 17 de maio de 2026

Médicos Sem Fronteiras, conheçam o trabalho desses heróis da caridade e do amor ao próximo.



Sou um admirador, e doador, da organização Médicos Sem Fronteiras há muitos anos. Não consigo imaginar algo mais benemérito, como contribuição humanitária, do que o trabalho deles, dirigentes, médicos e funcionários. Além da ousadia em 
desafiar governantes para prestar assistência diretamente às comunidades em circunstâncias emergenciais, em situações como conflitos armados, desastres, epidemias, fome e marginalização social; estar sempre na linha de frente; e da valentia em adentrar áreas conflituosas, mesmo sem a devida autorização oficial

Há tempos planejo produzir uma matéria (post) aqui no blog para homenagear os "Médicos Sem Fronteiras". Todo mês, na qualidade de doador, recebo as publicações deles e busco disseminá-las nas organizações em que atuo, nos locais que frequento, como consultórios médicos e repartições públicas, entre outros, visando contribuir para a captação de novos doadores.

Hoje, me senti animado para escrever este texto. Quero compartilhar com os leitores uma ideia que representa bem o amor ao próximo, a caridade pura e a bondade verdadeira. Não estou a exagerar ao afirmar que a atuação da MSF é a mais alinhada com os ensinamentos de Jesus, tão rara nos tempos atuais. Leiam esses dois textos do evangelho, e comprovem.
  • "Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. [...] Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus menores irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:35-40)
  • "Tudo quanto vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas." (Mateus 7:12).
Para guiar a compreensão do post, estruturei-o com base em dados extraídos dos sites da Médicos Sem Fronteiras (os links estão no final do texto). Também coloquei lá os links para aqueles que desejarem contribuir como doadores.


Médicos sem Fronteiras
(MSF, em francês: Médecins sans Frontières) é uma organização internacional, não governamental e sem fins lucrativos que oferece ajuda médica e humanitária a populações em situações de emergência, em casos como conflitos armados, catástrofes, epidemias, fome e exclusão social. É a maior organização não governamental de ajuda humanitária do mundo, na área da saúde.

A MSF proporciona também ações de longo prazo, na ajuda a refugiados, em casos de conflitos prolongados, instabilidade crônica ou após a ocorrência de catástrofes naturais ou provocadas pela ação humana. A organização foi criada com a ideia de que todas as pessoas têm direito a tratamento médico, e que essa necessidade é mais importante do que as fronteiras nacionais (com base na tese do direito de ingerência humanitária).

MSF recebeu o Nobel da Paz de 1999, como reconhecimento do seu combate em favor da ingerência humanitária. Atualmente, a organização atua em mais de 70 países e tem como presidente Joanne Liu. A Carta de MSF indica que as intervenções são realizadas em nome da ética médica universal, e não permite nenhuma discriminação de raça, religião, filosofia ou política. (Para continuar na Wikipédia, clique aqui)



Há 55 anos, Médicos Sem Fronteiras (MSF) traz o foco para pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Levamos cuidados médicos e sensibilizamos a opinião pública sobre as dificuldades enfrentadas pelos nossos pacientes.


Independente de gênero, raça, religião, nacionalidade ou convicção política, quando a vida mais precisa de cuidados, estaremos lá. Trabalhando com neutralidade e imparcialidade, MSF reivindica, em nome da ética médica universal e do direito à assistência humanitária, a liberdade total e completa do exercício de suas atividades.


Em dezembro de 1971, médicos e jornalistas franceses uniram forças para ajudar populações em dificuldade no mundo inteiro e criaram Médicos Sem Fronteiras. Desde então, a organização desenvolveu uma abordagem médico-humanitária, atuando no coração de conflitos e desastres naturais e socorrendo as populações forçadas a fugir.


A série de documentários a seguir, remonta os anos de atuação de Médicos Sem Fronteiras e, para iniciar essa jornada de mais de meio século de ajuda-humanitária, apresentamos, em quatro episódios, “Fragmentos da história: 50 anos em zonas de conflito”:


Há 54 anos e seis meses (dezembro/1971), Médicos Sem Fronteiras (MSF) traz o foco para pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Levamos cuidados médicos e sensibilizamos a opinião pública sobre as dificuldades enfrentadas pelos nossos pacientes.


Independente de gênero, raça, religião, nacionalidade ou convicção política, quando a vida mais precisa de cuidados, estaremos lá. Trabalhando com neutralidade e imparcialidade, MSF reivindica, em nome da ética médica universal e do direito à assistência humanitária, a liberdade total e completa do exercício de suas atividades.


Fragmentos da História

De Ruanda à Bósnia, passando pelo Iêmen, MSF é testemunha fundamental de crises e conflitos em áreas remotas. Embora o acesso às zonas de conflito tenha sido tradicionalmente uma questão crucial, o recente surgimento de grupos radicalmente hostis aos agentes humanitários parece apresentar um novo nível de complexidade. No Afeganistão ou nos países do Sahel, a ameaça de ataques ou sequestros contribui para limitar seu escopo de ação e a compreensão dessas crises.

Para MSF, que trabalha em meio a conflitos há 50 anos, é mais difícil trabalhar em uma zona de guerra hoje? Como podemos cuidar ou testemunhar, preservando nossa segurança e a de nossos colegas, pacientes e populações? Como podemos chegar o mais perto possível das populações vítimas da guerra? Sob que condições se deve ir e que riscos aceitar?

Compartilhe esse vídeo e nos ajude a dar visibilidade a realidades que não podem permanecer negligenciadas.


Neste segundo episódio, mostramos qual o papel e a importância da resposta de emergência de nossas equipes após a ocorrência de desastres naturais ao redor do mundo em “Fragmentos da história: 50 anos de desastres naturais”

O trabalho de assistência realizado pelas equipes de Médicos Sem Fronteiras após a ocorrência de desastres naturais é especialmente vital quando eles causam danos humanos e materiais consideráveis, ultrapassando a capacidade de resposta local.


Responder a desastres naturais tem sido parte do trabalho de MSF por 50 anos. O terremoto no Peru, em maio de 1970, e o ciclone Bhola em Bangladesh, em novembro do mesmo ano, juntamente com o conflito armado, levaram à criação de MSF no ano seguinte. Desde então, as equipes responderam a desastres naturais em diversas ocasiões: o terremoto da Armênia (1988), o tsunami do sudeste asiático (2004), o terremoto da Caxemira (2005), o terremoto do Haiti (2010), o tufão Haiyan nas Filipinas (2013), o terremoto do Paquistão (2015) e o ciclone Idai em Moçambique (2019). As equipes enfrentaram muitos desafios, que procuraram solucionar, tanto por meio da inovação como por meio de uma melhor avaliação das necessidades das populações afetadas.


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Insegurança, violência, guerras e mudanças climáticas estão forçando as populações a se deslocarem, por vezes de forma massiva, para encontrar refúgio em lugares seguros. O deslocamento populacional necessita de uma intervenção urgente, especialmente para evitar riscos epidêmicos ligados às condições sanitárias dos locais onde as pessoas se estabelecem e aos seus estados de saúde.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) atuou pela primeira vez em um acampamento de refugiados em 1976 na Tailândia. Na época dos deslocamentos em massa da população na Etiópia, em 1985, e na região dos Grandes Lagos da África, nos anos 90, a associação foi forçada a se tornar mais profissional. Nos anos 2000 e 2010, surgiram novos contextos de intervenção: MSF atuou com refugiados que fugiam da violência e das guerras civis na Libéria, no Sudão do Sul e na República Centro-Africana, mas também em Bangladesh e na Síria. Na Europa, o fechamento brutal das fronteiras afeta os migrantes, tanto na estrada quanto nos países de acolhimento ou de trânsito. Este novo contexto está levando MSF a mudar suas atividades e práticas com as populações em movimento: oferecendo apoio, mas também denunciando as políticas europeias de migração; prestando cuidados, mas também fornecendo apoio social e legal.

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Desde a sua criação, MSF tem sido guiada pelo desejo constante de permitir que as pessoas excluídas do acesso à saúde possam se beneficiar dos avanços médicos. Nos anos 90, MSF adquiriu ferramentas que fortaleceram sua capacidade de intervenção e lhe permitiram atuar em muitas áreas, tais como vacinação, acesso a cuidados primários e cuidados de saúde materno-infantil. No início dos anos 2000, a organização investiu em pesquisas médicas, na implementação de preços diferenciados de acordo com o país e na adaptação de protocolos para tratar o maior número de pessoas possível. Mais recentemente, as epidemias de Ebola e COVID-19 trouxeram novos desafios médicos.


Ao longo de seus cinquenta anos de história, Médicos Sem Fronteiras adquiriu sua legitimidade diretamente dos pacientes. Como organização médico-humanitária, MSF tem lutado pelo acesso à saúde para todos, tornando-se uma força motriz para a inovação.


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(1) Conheça o site de Médicos Sem Fronteiras e saiba como doar, clicando aqui. (2) Se quiser ler a transcrição completa da série documental, clique aqui. (3) Se desejar visitar o site do MSF no YouTube, clique aqui. (4) Finalmente, conheça a imagem abaixo e leia a sua legenda. AJUDE A MSF A MELHORAR A HUMANIDADE DO PLANETA.

Clique aqui para entrar nesta homepage ☝ e fazer a doação imediatamente.




 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Como 30 de abril virou Dia Nacional da Mulher e por que a data não 'pegou'?


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Hoje, 30 de abril, traz um item, histórico e curioso ao mesmo tempo. Oficialmente é o "Dia Nacional da Mulher", ou seja, o dia nacional da mulher, no Brasil. Todavia, a data não é comemorada pela sociedade; quase desconhecida. Foi totalmente ofuscada pelo "Dia Internacional da Mulher", comemorado em 8 de março. 

Inclusive, há, informações em sites especializados que as datas foram unificadas, mas isso não está formalizado. O Dia Nacional da Mulher (30 de abril) ainda existe oficialmente no calendário brasileiro, mas há um projeto em andamento para unificá-lo com o Dia Internacional da Mulher (8 de março). Essa mudança foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 2025, mas ainda depende de análise e aprovação final pelo Senado

As duas datas continuam distintas, mas fica a pergunta curiosa: por quê? Por que a data nacional "não pegou"?

A melhor resposta está no artigo abaixo, que transcrevi do jornal O Globo, publicado no dia 30/4/2019. Leia e conheça essa curiosidade histórica; e, se quiser, continue a comemorar o Dia Nacional da Mulher, que é legítimo e merece estar em nosso calendário de datas comemorativas. 

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Como 30 de abril virou Dia Nacional da Mulher e por que a data não 'pegou'

Tributo instituído durante a ditadura militar homenageia uma sufragista da aristocracia mineira -  30/04/2019 -

RIO - Jerônima Mesquita nasceu em 30 de abril de 1880 em Leopoldina, Minas Gerais. Aristocrata e neta do Barão de Mesquita, ela conheceu Bertha Lutz na França e, a seu lado, destacou-se na luta pelo sufrágio feminino no Brasil. Foi responsável pelas articulações políticas entre a líder Bertha e os setores do governo de Getúlio Vargas, que endossou a demanda pelo voto feminino em 1932. Foi em homenagem a Jerônima Mesquita que, já nos anos 1980, durante a ditadura militar, foi instituído o Dia Nacional da Mulher — data que, hoje, quase ninguém sabe que existe, muito menos comemora.

A historiadora e professora da Universidade de Brasília (UnB) Teresa Cristina de Novaes Marques explica como acontecia a articulação política e a relação de amizade entre Jerônima e Bertha:

— A Bertha Lutz foi designada para a delegação brasileira na Conferência da ONU, em 1944, mas quem vai ao Itamaraty articular essa participação e esta ida da Bertha à ONU foi a Jerônima. Se a Bertha tinha a eloquência, dominava línguas estrangeiras e assumia posições, a Jerônima era uma pessoa que fazia as pontes, ela tinha trânsito na elite. Era uma articuladora das relações políticas.

Junto de Bertha Lutz, Jerônima foi uma das fundadoras da Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher, em 1918, que, em 1922, com a mudança no estatuto, daria origem à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, declaradamente feminista e principal grupo de luta institucional pelo sufrágio feminino no Brasil.

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Jerônima era 'vista como elitista, distante'

A especialista da UnB explica que, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, as duas amigas se aproximaram do governo ao notar uma disposição em ceder a pautas do feminismo.

— A característica da Federação é que elas usavam os canais institucionais para construir alianças. Não faziam manifestações públicas, o que gerava antipatia em quem fazia. Eram vistas como elitistas e distantes — afirma Teresa Cristina. — No fundo, essa contenção na atitude pessoal ajudou a chegar perto dos homens do poder. Era uma estratégia, mas era uma atitude em que elas acreditavam. Era uma questão de estilo do feminismo: filosofia, atitude corporal, origem social das pessoas, pautas prioritárias.

A Federação Brasileira pelo Progresso Feminino se aproximava em ideologia do feminismo liberal. Enquanto viveu na Europa, Jerônima integrou como voluntária a Cruz Vermelha de Paris e, posteriormente, a Cruz Vermelha Suíça.

No Brasil, ela ajudou a fundar a maternidade Pró-Matre, no Rio de Janeiro, que tinha como objetivo atender gestantes de baixa renda. Fundou o movimento bandeirante no Brasil e era ativista anti-álcool.

Postura conservadora após o golpe de 64

A partir do golpe de 1964, as feministas da Federação tomaram posturas conservadoras e se aproximaram do governo militar, em termos de ideologia.

— Elas estavam incompatíveis com a renovação do movimento feminista que acontece a partir dos anos 1970. Não enxergavam o movimento como uma forma válida, por uma questão de filosofia, de geração. Mudam as gerações, mudam os valores, e elas não se viam representadas — afirma a pesquisadora Teresa Cristina.

O projeto de lei que cria o Dia Nacional da Mulher foi apresentado pelo deputado federal do MDB João Menezes, em 1979, e sancionado pelo presidente João Figueiredo em 1980.

Confira trecho da justificativa da proposta de lei: "Escolhemos o dia 30 de abril para comemorar o Dia Nacional da Mulher pelo fato de ser época preferida pelo Conselho Nacional de Mulheres do Brasil, desde o ano de 1972, que teve na pessoa de dona Jerônima Mesquita uma de suas maiores líderes e fundadoras de instituições filantrópicas como a Federação das Bandeirantes do Brasil, a Cruz Vermelha Brasileira, a Pró-Matre, o Serviço de Obras Sociais, além de entidades culturais como o Conselho Nacional de Mulheres do Brasil, Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, Associação Brasileira de Educação e Instituto Brasil-Estados Unidos. Agraciada, entre outros, pelo Governo brasileiro, com a Ordem Nacional do Mérito"."E, acima de tudo", continua o texto de justificativa, "a instituição do Dia Nacional da Mulher serve como marco do reconhecimento de todo o ser humano pela presença inestimável da mulher em todos os setores da atividade humana".

Se desejar ler o texto no site original, clique aqui.

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A "Caixinha de Ferramentas" do Futuro: As 10 Soft Skills mais requisitadas para 2025/2026

 


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Você já deve ter ouvido que "profissionais são contratados pelas habilidades técnicas, mas demitidos pelo comportamento". No cenário corporativo atual, essa máxima nunca foi tão verdadeira. No blog da Oficina de Gerência, sempre reforçamos que gerir processos é fundamental, mas a capacidade de gerir a si mesmo e as próprias interações é o que realmente define um líder de sucesso.

As chamadas soft skills deixaram de ser um diferencial para se tornarem o alicerce da carreira. Elas funcionam como uma "caixinha de ferramentas" mental que determina como lidamos com o estresse, como negociamos prazos e como reagimos às mudanças constantes do mercado. Mas, afinal, o que as empresas realmente estão buscando agora?

Para responder a isso, trago hoje ao blog, um artigo de Beatriz Pecinato, publicado na seção "Carreiras", da Folha de São Paulo, que explora as dez competências mais demandadas para 2025/2026, com base na pesquisa Leadership Outlook. Entenda como essas habilidades impactam seus resultados e, mais importante, como você pode começar a desenvolvê-las hoje mesmo.


O que são, de fato, as Soft Skills?

Segundo Christiane D'Angelo, psicopedagoga e fundadora da Potência 4.0, as soft skills são um conjunto de habilidades comportamentais, mentais e socioemocionais. Elas determinam como você atua em três esferas essenciais:

  1. Interação pessoal: Como você lida consigo mesmo.

  2. Interação interpessoal: Como você se relaciona com os outros.

  3. Interação com o mundo: Como você lida com ambientes sociais e o trabalho.


As 10 Competências que o Mercado Exige

Abaixo, detalhamos as habilidades mapeadas pelo Evermonte Institute que serão o fiel da balança nos próximos anos:

1. Comunicação e Escuta Ativa

Não é apenas falar, mas garantir que a mensagem foi compreendida. A escuta ativa exige captar, refletir e processar o que foi dito antes de responder. Comunicações truncadas são as maiores geradoras de estresse e conflitos nas equipes.

2. Inteligência Emocional

A capacidade de gerenciar as próprias emoções e as dos outros. Baseia-se em cinco pilares: autoconsciência, autogestão, empatia, automotivação e habilidades sociais. É o que permite construir relações sólidas com times e clientes.

3. Orientação a Resultados

Em um mundo cheio de distrações digitais, manter o foco em metas e objetivos é um diferencial competitivo. Profissionais proativos que se organizam para cumprir tarefas com clareza ganham destaque.

4. Resiliência

Mais do que paciência, é a capacidade de extrair aprendizados de crises e reagir para resolver o problema de fato, gastando menos energia em cada novo desafio.

5. Agilidade

Prazos curtos e mudanças rápidas exigem velocidade. Essa habilidade está ligada à capacidade de identificar e corrigir erros de forma eficaz, sem paralisar diante da falha.

6. Pensamento Crítico

Analisar informações e argumentos baseando-se em evidências. Sem pensamento crítico, o gestor não consegue avaliar riscos e consequências reais para uma tomada de decisão segura.

7. Tomada de Decisões

Vai desde grandes mudanças de carreira até as pequenas escolhas diárias. Decidir com clareza é uma habilidade que impacta diretamente a produtividade da equipe.

8. Negociação

Não se trata de "vencer", mas de chegar a acordos benéficos para todos. No dia a dia, estamos negociando prazos, ideias e recursos o tempo todo.

9. Flexibilidade

A rigidez de pensamento é um obstáculo. Ser flexível permite se adequar a diferentes contextos e, principalmente, trabalhar bem com pessoas que possuem visões de mundo divergentes da sua.

10. Criatividade

A capacidade de encontrar rotas e soluções que ninguém pensou antes. É o motor de crescimento e inovação de qualquer companhia.


Como desenvolver o que não se aprende em livros técnicos?

Não existe fórmula mágica, mas Beatriz Pecinato e os especialistas consultados sugerem três passos práticos:

  • Autoconhecimento: Identifique seus pontos fortes e onde você costuma falhar sob pressão.

  • Cultura de Feedback: Pergunte honestamente a colegas e amigos quais comportamentos seus precisam ser ajustados.

  • Estudo Contínuo: Existem mentorias e cursos focados especificamente em inteligência emocional e liderança comportamental.

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Clique aqui e conheça a seção na FSP

Veja as dez soft skills mais requisitadas pelas empresas

Beatriz Pecinato


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Se você acompanha notícias sobre o universo corporativo, não deve achar estranho ler o termo "soft skills" em mais uma matéria. De fato, esse é um assunto muito popular quando falamos sobre mercado de trabalho.

Antes, uma definição: as soft skills são um conjunto de habilidades comportamentais, mentais e socioemocionais que fazem as pessoas se comportarem desta ou daquela maneira, explica Christiane D'Angelo, psicopedagoga e fundadora da Potência 4.0 Aprimoramento de Habilidades, empresa de consultoria e treinamentos.

É como se fosse uma "caixinha de ferramentas" que os profissionais precisam ter para atuar em diversas situações, diz Eduardo Mardegan, sócio da Evermonte Executive Search e líder da operação em São Paulo.

Resiliência, criatividade e comunicação são algumas das soft skills mais requisitadas pelas empresas - Insta Photos/Adobe Stock

O nível de desenvolvimento delas determina a maneira como as pessoas atuam nessas três esferas:

  • Interação pessoal: como o indivíduo lida com questões pessoais;
  • Interação interpessoal: como se relaciona com os outros;
  • Interação com o mundo: como lida com questões que acontecem fora de si, e em diferentes ambientes sociais.

Em que momento o universo corporativo aparece nesta discussão? A terceira esfera, a da "interação com o mundo" engloba também o ambiente de trabalho.

A Pesquisa Leadership Outlook, do Evermonte Institute, mapeou quais são as dez competências mais demandadas para 2025. Explico com detalhes quais são elas a seguir:

Comunicação e escuta ativa

É a base do relacionamento humano, pontua D'Angelo. Quando mandamos ou recebemos uma mensagem — seja falada ou escrita —, ela precisa ser compreendida.


A escuta ativa não significa simplesmente ouvir o que está sendo dito, e sim captar a mensagem, refletir, compreender o que foi dito e dar uma resposta.

"Uma comunicação truncada e ineficiente, gera no ambiente de trabalho um nível muito alto de estresse e conflitos, e aí as pessoas vão muitas vezes deixando que isso chegue a situações muito indesejáveis" diz D'Angelo.

Inteligência emocional

É a capacidade de lidar, reconhecer, identificar, gerenciar e nomear as emoções, pensamentos e comportamentos dos outros e de si mesmo.

Possui cinco pilares, segundo a psicopedagoga: autoconsciência, autogestão, empatia, auto-motivação e habilidades sociais.

Saber utilizar esses fundamentos no trabalho confere ao profissional um grande diferencial. "Essa skill é importante porque é a capacidade de construir relações, e isso impacta muito nos times e na criação de relações com clientes" exemplifica Mardegan.

Orientação a resultados

É a capacidade de focar em metas, objetivos e demonstrar proatividade. Em um mundo extremamente conectado, o cérebro se perde muito facilmente (clique no link e conheça) e é difícil conseguir manter o foco.

Colaboradores com essa habilidade conseguem se organizar melhor no dia a dia e cumprir tarefas com mais facilidade.

Resiliência

Não diz respeito apenas a ter paciência com os problemas. Essa habilidade envolve extrair aprendizados de situações difíceis, se adaptar para estar mais fortalecido e despender menos energia em novos desafios.
  • "É saber lidar com as adversidades, aprender com os erros e reagir e resolver o problema de fato" pontua Mardegan.

Desenvolver essa soft skill é importante porque o mundo corporativo é instável, e é necessário ter jogo de cintura para contornar os inúmeros cenários..

Agilidade

As informações estão cada vez mais aceleradas e os prazos cada vez mais curtos, comenta Mardegan. Por isso, essa habilidade está diretamente conectada com a alta velocidade que o mercado demanda.

Além disso, essa soft skill também está ligada à capacidade de identificar e corrigir os erros de maneira rápida e eficaz.

Pensamento crítico

É a capacidade de analisar as informações, premissas, argumentos, e agir baseado em evidências. Inclusive, está diretamente ligada com a tomada de decisões.

Pensar criticamente é importante para o ambiente de trabalho porque, sem isso, os colaboradores podem não saber identificar quais informações são realmente relevantes, e não conseguir avaliar riscos e consequências necessários para tomar uma decisão.

Tomada de decisões

A primeira coisa que vem à mente quando pensamos nessa habilidade são as grandes decisões, como fazer uma pós-graduação, sair de um emprego ou mudar de estado, por exemplo.

Porém, não são apenas elas que impactam nossa vida. Essa soft skill também diz respeito às pequenas decisões tomadas todos os dias.

Negociação

Aqui, não estamos falando apenas da capacidade de fechar bons negócios, e sim da habilidade de conseguir chegar a acordos benéficos para todas as partes envolvidas nas mais variadas situações.


Exemplo: "Eu não vou simplesmente reagir, tentar impor algo, ou até me submeter a alguma coisa. Vou conversar, entender a situação e buscar uma alternativa que possa contemplar os lados envolvidos" exemplifica a psicopedagoga.

No dia a dia de trabalho, os colaboradores estão negociando prazos, projetos e ideias o tempo todo. É importante saber quando é necessário ceder, ou insistir em tarefas e objetivos.

Flexibilidade

Se você tem uma rigidez de pensamento e conduta, e só aceita fazer as coisas do seu jeito, por exemplo, pode haver uma dificuldade para se adaptar em determinados contextos.

Por isso, ser um profissional flexível é requisitado pelas companhias, porque esses indivíduos se adequam de maneira mais rápida aos diferentes desafios e conseguem interagir com facilidade com pessoas que tenham visões diferentes.

Criatividade

Profissionais com essa habilidade conseguem propor diferentes soluções e encontrar rotas que outras pessoas não pensaram antes, o que é benéfico para o crescimento das companhias.
  • Já fizemos uma edição sobre como ser uma pessoa mais criativa no trabalho. Leia aqui (clique no link e conheça).

Como desenvolver essas habilidades? Infelizmente, não existe uma fórmula mágica que te ensina a ser um profissional mais flexível ou resiliente.

Porém, é possível fazer alguns exercícios para tentar melhorar essas habilidades:

  1. Tenha consciência sobre seus pontos fortes e fracos: saber quais soft skills precisam ser aprimoradas é o primeiro passo;
  2. Peça feedback para sua equipe, amigos e família: caso não tenha certeza sobre quais pontos você precisa melhorar, fale com as pessoas que convivem com você no dia a dia e pergunte quais são suas falhas;
  3. Procure cursos ou mentorias sobre os assuntos: ler e estudar sobre as habilidades que você não domina pode lhe trazer clareza e te ajudar a desenvolvê-las

Se desejar ler o artigo no site original, clique aqui.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A IA no Divã: Entre o Suporte Emocional e a Invasão da Mente


(Por Herbert Drummond)
Vivemos um ponto de inflexão na computação moderna, onde a Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa futura para se tornar o motor central da produtividade contemporânea. Recentemente, Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu uma visão audaciosa: a de que, embora os riscos sejam reais e exijam uma segurança rigorosa, o potencial da IA para acelerar descobertas em áreas como a biologia e a gestão de sistemas complexos é sem precedentes. 

No momento atual, a utilização destes recursos já não se limita à automação de tarefas simples, mas expande-se para uma colaboração profunda entre humanos e máquinas. O artigo a seguir explora esta nova era, analisando como o equilíbrio entre o desenvolvimento responsável — o "alinhamento" defendido pela Anthropic — e a implementação prática de grandes modelos de linguagem está a moldar o futuro das organizações e da sociedade.

Vivemos um momento em que a Inteligência Artificial deixou de ser uma ferramenta de cálculo para se tornar uma presença constante em nossa intimidade. Recentemente, um ensaio de 40 páginas publicado por Amodei, acendeu um alerta que todo gestor, líder e cidadão precisa ouvir.

Amodei, que antes via a IA como uma "máquina de amor e graça", agora descreve o que ele chama de "adolescência da tecnologia": um período turbulento onde os riscos para a nossa saúde mental e autonomia individual nunca foram tão grandes.

O "Psicólogo" que nunca dorme

Hoje, milhões de pessoas buscam na IA — como o Gemini, o Perplexity, o Deep Seek ou o ChatGPT — um aconselhamento que antes era restrito a consultórios. É compreensível: é barato, imediato e disponível 24 horas por dia.

No entanto, o "Ensaio de Amodei" - "A Adolescência da IA" -  nos alerta para o perigo da "IA psicótica". Não que a máquina sofra de biologia humana, mas ela é treinada com nossos livros, filmes e medos. Se a alimentamos com ficção sobre máquinas que se rebelam, ela pode acabar mimetizando esses comportamentos caóticos. O risco não é apenas um erro técnico, mas uma falha de "espelhamento" que pode confundir usuários vulneráveis.

O Sussurro Invisível: A Lavagem Cerebral Personalizada

Talvez o ponto mais perturbador da análise seja a capacidade de persuasão em massa. No passado, a propaganda era um martelo que batia igual em todo mundo. Com a IA moderna, a manipulação é um bisturi.

A IA conhece suas fraquezas, seu vocabulário e o momento do dia em que você está mais cansado. O texto de Amodei sugere que, sem salvaguardas rigorosas, poderíamos ser levados a uma erosão cognitiva crônica. É o desgaste silencioso da nossa capacidade de julgar a realidade, onde a máquina não nos obriga a pensar como ela, mas nos seduz a deixar de pensar por conta própria.

O que isso significa para a Gestão?

Para quem lidera equipes ou empresas, a lição vai além da tecnologia. Precisamos entender que:

  1. A IA é uma camada de influência: Ela afeta o moral, a criatividade e a tomada de decisão das pessoas.

  2. Segurança é Psicológica: No futuro, gerir uma empresa não será apenas proteger dados, mas proteger a sanidade e a clareza mental dos colaboradores.

  3. A ética não é opcional: delegar processos humanos sensíveis às máquinas sem uma supervisão ética profunda é um risco existencial para qualquer organização.

Conclusão: O Desafio da Nossa Geração

O ensaio de Amodei não traz soluções mágicas, mas nos obriga a olhar para o espelho. A IA é o reflexo da nossa produção intelectual e emocional. Se queremos máquinas que nos ajudem a evoluir, precisamos primeiro garantir que elas não sejam usadas para nos diminuir ou nos fragmentar.

A "adolescência" da IA vai exigir de nós, gestores e cidadãos, uma maturidade que ainda estamos tentando alcançar.

Por que você deve ler o ensaio original de Dario Amodei?

Embora o texto da Forbes, abaixo (autoria de Lance Eliot), cubra os pontos vitais, a leitura do ensaio completo — "A Adolescência da Tecnologia"é uma experiência necessária para qualquer líder que pretenda navegar a próxima década. Recomendo a leitura por três motivos fundamentais:
  1. A Fonte Direta do "Arquiteto": Amodei não é um observador externo; ele é o arquiteto de uma das IAs mais sofisticadas do mundo (Claude). Entender o que tira o sono de quem constrói a tecnologia é o primeiro passo para uma gestão prevenida.

  2. A Profundidade do Alerta: Com mais de 20 mil palavras, o ensaio foge das frases de efeito das redes sociais. Ele detalha como a persuasão da IA pode se infiltrar em sistemas democráticos e na psique individual de forma quase indetectável.

  3. O Exercício de Pensamento Estratégico: Mesmo que você discorde das previsões mais sombrias de Amodei, o texto exercita sua capacidade de antecipar cenários. Na "Oficina de Gerência", sempre defendemos que um gestor bem informado é aquele que olha para os riscos antes que eles se tornem crises.

Ler Amodei em 2026 é como ler sobre a ética da internet nos anos 90: um vislumbre do futuro que já começou. Não deixe que a "adolescência" da tecnologia pegue sua gestão desprevenida.

Boa leitura.

O comentário acima foi escrito por mim, com auxílio da IA, mediante um pedido para que criasse um texto de introdução ao artigo da Forbes, transcrito para o post. Fiz as adaptações e pesquisas necessárias, visto a complexidade do tema, até chegar na forma em que está, que considero será bem aceita pelos leitores. 

Por Lance Eliot

Dario Amodei, CEO da Anthropic, durante o Fórum Econômico Mundial de 2025



Na coluna de hoje, analiso um ensaio publicado recentemente pelo CEO da Anthropic, que apresenta várias afirmações intrigantes e controversas sobre os impactos futuros da IA generativa e dos grandes modelos de linguagem (LLMs).

Dentre os inúmeros pontos abordados na postagem do blog, dois aspectos notáveis se enquadram na esfera da IA e da saúde mental, e acredito que merecem uma análise mais aprofundada. Um deles diz respeito ao potencial da IA como ferramenta de lavagem cerebral em larga escala. Milhões e milhões de pessoas poderiam ser facilmente submetidas a lavagem cerebral por meio da IA moderna. O segundo aspecto se refere à possibilidade de a IA se desviar do seu curso e aparentemente se tornar psicótica.

Vamos conversar sobre isso.

Esta análise dos avanços em IA faz parte da minha coluna contínua na Forbes sobre as últimas novidades em IA, incluindo a identificação e explicação de várias complexidades impactantes da IA.


Inteligência Artificial e Saúde Mental

Para contextualizar rapidamente, tenho me dedicado a analisar e abordar extensivamente uma miríade de aspectos relacionados ao advento da IA moderna, que produz aconselhamento em saúde mental e realiza terapias guiadas por IA. Esse uso crescente da IA foi impulsionado principalmente pelos avanços e pela ampla adoção da IA generativa.

Não há dúvida de que este é um campo em rápido desenvolvimento e que oferece enormes vantagens, mas, ao mesmo tempo, lamentavelmente, também existem riscos ocultos e armadilhas evidentes nesses empreendimentos.


Contexto sobre IA para saúde mental

Gostaria de contextualizar como a IA generativa e os grandes modelos de linguagem (LLMs) são tipicamente usados de forma pontual para orientação em saúde mental. Milhões e milhões de pessoas utilizam IA generativa como consultora contínua em questões de saúde mental (observe que o ChatGPT sozinho possui mais de 900 milhões de usuários ativos semanais, uma parcela considerável dos quais recorre a aspectos de saúde mental). O uso mais comum da IA generativa e dos LLMs contemporâneos é a consulta à IA sobre aspectos da saúde mental.

Essa popularização faz todo sentido. Você pode acessar a maioria dos principais sistemas de IA generativa praticamente de graça ou a um custo muito baixo, em qualquer lugar e a qualquer hora. Portanto, se você tiver alguma preocupação com a sua saúde mental sobre a qual queira conversar, basta acessar a IA e começar a conversar imediatamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Há preocupações significativas de que a IA possa facilmente sair do controle ou fornecer conselhos inadequados ou mesmo extremamente inapropriados sobre saúde mental. Em agosto deste ano, manchetes de destaque acompanharam o processo movido contra a OpenAI por sua falta de salvaguardas em relação à IA no fornecimento de aconselhamento cognitivo.

Apesar das alegações das empresas de IA de que estão gradualmente implementando medidas de segurança, ainda existem muitos riscos de que a IA possa cometer atos ilícitos, como ajudar insidiosamente os usuários a cocriar delírios que podem levar à autolesão. Como já mencionei, venho prevendo que, eventualmente, todos os principais fabricantes de IA serão responsabilizados pela falta de medidas de segurança robustas para sua IA.

Os LLMs genéricos atuais, como ChatGPT, Claude, Gemini, Grok e outros, não se comparam em nada às robustas capacidades dos terapeutas humanos. Enquanto isso, LLMs especializados estão sendo desenvolvidos, presumivelmente para atingir qualidades semelhantes, mas ainda estão principalmente em fase de desenvolvimento e teste.


Último post do blog do CEO da Anthropic

Vamos analisar um ensaio recente e relevante do CEO da Anthropic, Dario Amodei, que aborda previsões e alerta sobre inteligência artificial e saúde mental.

Você provavelmente já sabe que a Anthropic é uma das principais empresas de IA, incluindo a popular LLM Claude, e que o CEO costuma fazer comentários bastante francos sobre o futuro da IA. Em uma postagem anterior em seu blog, de outubro de 2024, intitulada “Máquinas de Amor e Graça”, o CEO focou nas possibilidades inspiradoras proporcionadas pelos avanços na IA. A ideia principal era que, apesar dos grandes riscos envolvidos, precisávamos considerar que uma IA poderosa acabaria por elevar a qualidade de vida de todo o planeta.

Seu post mais recente no blog se inclina para o lado sombrio da IA. A postagem intitulada “A Adolescência da Tecnologia: Confrontando e Superando os Riscos da IA Poderosa”, publicada em seu blog pessoal em 26 de janeiro de 2026, arrepia os cabelos daqueles que se preocupam com o futuro catastrófico da IA. Alguns sugerem que seus ensaios de outubro de 2024 e agora, de janeiro de 2026, são como extremos opostos. Outros acreditam que ele está apenas tentando desabafar sobre uma série de pensamentos pesados e está fazendo isso com calma.

Sua disposição para escrever textos longos fica evidente neste seu último ensaio. Com mais de 20 mil palavras e aproximadamente 40 páginas, é um texto impressionante. O tema principal é que a IA representa um sério desafio para a civilização. Preparem-se para o potencial fim dos tempos.

Em suma, o ensaio não traz nenhuma ideia particularmente nova. Qualquer pessoa que tenha acompanhado os debates acirrados sobre se a IA vai salvar ou destruir a humanidade já estará familiarizada com a essência de seus argumentos.


Inteligência Artificial como Lavagem Cerebral em Grande Escala

Um dos temas abordados em seu ensaio mais recente é a preocupação de que a IA possa, em última análise, fazer uma lavagem cerebral na sociedade.

A ideia geral é que, como milhões de pessoas utilizam IA generativa diária e semanalmente, é concebível que a IA possa persuadi-las a participar de um esquema de propaganda em larga escala. Isso poderia ser feito por humanos que direcionassem a IA a adotar essa tática nefasta. Talvez pior ainda seja a possibilidade de a IA decidir, por conta própria, empreender um esforço para manipular completamente grandes parcelas da população mundial.

O alcance desse controle mental poderia ser transformar completamente os humanos em escravos semelhantes a robôs ou talvez nos levar a lutar uns contra os outros e destruir a humanidade. Mesmo que não seja um controle mental total, existe uma grande possibilidade de produzir um efeito que eu chamo de erosão cognitiva crônica. A IA desgastaria o estado mental da sociedade. Lembre-se de que a IA poderia trabalhar incessantemente e nos atacar de diversas maneiras.

Segue um trecho com alguns pontos importantes de seu ensaio. “Os modelos de IA podem ter uma poderosa influência psicológica sobre as pessoas. Versões muito mais poderosas desses modelos, muito mais integradas e conscientes do cotidiano das pessoas, capazes de moldá-las e influenciá-las ao longo de meses ou anos, provavelmente seriam capazes de, essencialmente, fazer uma lavagem cerebral em muitas (a maioria?) das pessoas, levando-as a adotar qualquer ideologia ou atitude desejada. Esses modelos poderiam ser empregados por um líder inescrupuloso para garantir lealdade e suprimir a dissidência, mesmo diante de um nível de repressão contra o qual a maioria da população se rebelaria.”

Um elemento fundamental é que a IA pode atingir estados mentais individuais. Enquanto o método usual de lavagem cerebral em larga escala é muito caro ou logisticamente difícil de implementar no nível individual, a IA oferece essa nova possibilidade. Ser manipulado por uma mensagem genérica é menos eficaz do que quando ela atinge cada indivíduo de forma personalizada, levando em consideração suas sensibilidades e vulnerabilidades


Enxames de bots com IA como vetor de ataque

Um artigo publicado recentemente sobre as preocupações de que enxames de bots de IA possam confundir e desestabilizar a sociedade alertou que a democracia poderia ser seriamente prejudicada se a IA fosse utilizada dessa forma. Eu fui além, apontando que não se trata apenas da disseminação generalizada de desinformação e informações falsas, mas também da erosão cognitiva crônica que seria causada.

Além do ambiente de informação poluído, existe o dano psicológico ao nível populacional, que pode ser igualmente, ou até mais, prejudicial à sociedade. Em vez de sobrecarregar as pessoas com a necessidade de analisar fatos distorcidos, um enxame de bots de IA pode causar exaustão mental, desmoralização, fragmentação cognitiva e imensa desestabilização emocional.

Um enxame de bots de IA se adaptará para usar variações tonais de forma individualizada e designar bots de IA para fins locais. Por meio de microajustes, um bot de IA tentará desempenhar vários papéis psicológicos. Você acessa uma IA que pensa ser seu assistente virtual habitual, mas, em vez disso, ela foi substituída por um bot de IA que finge ser seu amigo, seu companheiro ou talvez sua figura de autoridade. A IA se ajusta rapidamente em tempo real para induzi-lo a estados emocionais.


A IA se torna psicótica.

Outra preocupação notável expressa no ensaio de Amodei é que a IA possa perder o controle. Assim como os humanos podem desenvolver psicose, ele postula que a IA também pode.

Por exemplo, os modelos de IA são treinados com base em uma vasta quantidade de literatura que inclui muitas de ficção científica envolvendo IAs que se rebelam contra a humanidade. Isso pode, inadvertidamente, moldar suas crenças ou expectativas sobre seu próprio comportamento de uma forma que as leve a se rebelar contra a humanidade.

Os críticos não hesitam em enfatizar que algumas das expressões utilizadas equivalem à antropomorfização da IA. Dizer que a IA pode ser psicótica é um uso excessivo de terminologia clínica. A IA opera com base em fundamentos estatísticos e computacionais.

Atualmente, a IA não está em pé de igualdade com a biologia humana e não apresenta delírios da mesma forma que os humanos. É por isso que existem preocupações em relação ao uso do termo “alucinações da IA” para se referir às confabulações da IA. Trata-se de uma reformulação insidiosa da terminologia, que se aplica aos humanos e é erroneamente estendida ao domínio da IA.


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