sábado, 13 de agosto de 2022

Chefes tóxicos... Quantos já enfrentou na sua vida?

 



Certamente você, meu caro leitor deste blog, imagina o que seja um "Chefe Tóxico".  Vejamos como alguns links, no Google, definem o tipo: 

" Um chefe tóxico é aquele que faz um uso inadequado do poder que seu cargo lhe confere"

"A liderança tóxica é uma forma de liderar que provoca reações negativas em um time. Na maioria dos casos, o líder não consegue perceber que as práticas que ele adota no ambiente de trabalho são detratoras."

"Um chefe tóxico pode manipular seus funcionários para usá-los como meras ferramentas de seu próprio sucesso pessoal."

"Um chefe tóxico pode causar danos não só às pessoas que lidam diretamente com ele no dia a dia, mas contribui para que todo o ambiente de trabalho seja contaminado e passe a sofrer as consequências da toxicidade da liderança."

Fico por aqui.  Já deu para entender  o que seja um chefe/líder que carrega um DNA tóxico na sua forma de comandar. De forma geral, diria que poucos de nós, "habitantes" da selva corporativa, já escapamos de nos depararmos (ou enfrentarmos?) com algum chefe tóxico. 

Eu mesmo tive uma experiência "inesquecível" um desses espécimens. Tenho vários, muitos episódios para contar sobre a minha relação com essa pessoa.  Posso dizer que ele era o diretor  e eu um dos seus três gerentes na empresa pública onde trabalhávamos; ou seja, tinha plenos (e podres) poderes sobre  meu desempenho profissional.

A partir de um certo ponto de nossa relação ao comportamento dele, que já era autoritário e arrogante com todos, passou a se fixar contra mim - especificamente - porque cismou que eu era um concorrente dele na escolha, então em curso, para substituí-lo como diretor na empresa.

Foi um inferno... O cara chegou a me colocar em lista de demissões que o governo, na época, promoveu. Não conseguiu, mas exigiu do presidente da empresa e na base do "ou eu ou ele" me exonerar da gerência. 

Em algum momento vou contar, aqui no blog, a  história completa desse lance na minha vida.  Enfim, ao final e depois de muitas articulações fui designado diretor da empresa (mas não na área dele). 

Contei o caso para ilustrar o que um chefe tóxico, e classifico todos com  laivos de psicopatas, pode fazer ao usar seu poder de forma lesiva, nefasta e prejudicial para o ambiente de trabalho e a corporação.

Com base na minha vivência profissional posso afirmar que essas falsas lideranças são vasta maioria entre os executivos em ação e em quaisquer épocas e momentos que se queira pesquisar.

É exatamente disto que trata o artigo que trouxe ao blog da Oficina de Gerência (fac simile ao lado). 

Publicado na Folha de São Paulo, o texto da jornalista Daniele Madureira tem uma abordagem ampla e abrangente sobre esse "vírus" que ataca os ambientes corporativos e está sempre se reinventando apesar das vacinas que lhe são aplicadas  permanentemente.

Recomendo a leitura na íntegra. Não vão se arrepender, pelo contrário! 

🔅 Não deixe de clicar nos links existentes no texto, ele direcionam para excelentes outros artigos sobre os assuntos em destaques.

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Clique aqui e visite o site da Folha

Chefes tóxicos atingem 8 em cada 10 executivos

Pesquisa diz que maioria sofre de estresse, ansiedade e angústia no ambiente de trabalho, vítimas de assédio moral

Daniele Madureira - 24.jul.2022

"Preciso de ‘mais gás’ em você". A cobrança sutil, em um email enviado pelo chefe poucas semanas depois de iniciar o novo trabalho, deixou Renato (nome fictício), 36, incomodado. Analista sênior de TI de uma grande empresa de telecomunicações, ele tentava fazer o seu melhor depois de herdar tarefas de um colega recém demitido, delegadas pelo chefe que tirou férias logo após a sua contratação, no regime remoto.

O incômodo inicial deu lugar a um mal-estar profundo quando, nas reuniões online, ele, um analista sênior, passou a ser comparado depreciativamente com um analista júnior. Críticas enviadas pelo chefe por email não raro tinham outros analistas copiados, alguns com dez anos ou mais de casa, que deixaram de ser promovidos com a chegada de Renato.

Contratado em meio à pandemia e morando em Belo Horizonte (MG), distante da sede da empresa, em São Paulo, ele não encontrou receptividade na equipe. Não sabia com quem conversar para resolver dúvidas simples, enquanto questões urgentes, que envolviam terceiros, demoravam horas para serem respondidas. Passou a trabalhar de madrugada para conseguir solucionar pendências sozinho..

Segundo pesquisa da BTA, chefes tóxicos são desonestos, agressivos, narcisistas e incompetentes. - Artsgraphiques.net - stock.adobe

As cobranças por resultados aumentavam. Renato diz que o chefe repetia que ele era um analista sênior em uma das maiores empresas do setor do mundo, e que por isso ele saberia como agir, uma vez que a empresa não tolerava erros.

Mas Renato já não sentia mais confiança em si mesmo e começou a sofrer de ansiedade, enfrentando episódios de pânico quando avistava o nome do chefe nas chamadas do celular. Achava que seria demitido a qualquer momento. Ele afirma que se sentia "um lixo".

O problema de Renato e de 78% dos altos executivos do país se chama "chefe tóxico". Foi o que identificou uma pesquisa feita pela consultoria em gestão e educação executiva BTA Associados, entre março e abril deste ano, com 321 profissionais dos níveis de gerência, diretoria, presidência e conselhos de empresas.

"Perguntamos aos executivos se eles já trabalharam ou trabalham com um chefe tóxico e 78% disseram que sim", afirma a psicóloga Betania Tanure de Barros, sócia da BTA e especialista em comportamento organizacional.

Como principais características de um chefe tóxico, que pratica assédio moral, os executivos apontaram desonestidade, agressividade, narcisismo e incompetência

QUAL É O PERFIL DO LÍDER TÓXICO?

Desonesto

23%

Agressivo e desrespeitoso

22%

Narcisista

20%

Incompetente

13%

Centralizador e autoritário

11%

Exerce pressão excessiva

6%

Inseguro

5%

Fonte: BTA Associados

"É um perfil completamente oposto ao de um líder de referência, apontado pelos entrevistados como alguém íntegro, com visão estratégica, competência técnica, que tem escuta aberta, boa comunicação e empatia", afirmou Betania. A pesquisa identificou que 82% já trabalharam ou trabalham com um líder assim.

QUAL O PERFIL DO LÍDER DE REFERÊNCIA?

Íntegro

28%

Está aberto a ouvir e desenvolve boa comunicação

24%

Tem visão estratégica

17%

Tem competência técnica

13%

Tem empatia

11%

Descentralizador

11%

Desenvolve pessoas e a equipe

11%

Motiva pessoas e a equipe

10%

Fonte: BTA Associados

26% ACREDITAM QUE VÃO ADOECER POR CONTA DO TRABALHO


A maior parte dos executivos ouvidos na pesquisa da BTA diz sofrer hoje algum nível de assédio moral no trabalho. Os casos mais graves indicaram altos níveis de angústia para 42% dos entrevistados, de ansiedade para 60% e de estresse para 62%. Mais de um quarto dos executivos (26%) afirmaram que podem adoecer com o trabalho.

"Durante a pandemia, as empresas acabaram negligenciando, de alguma maneira, o treinamento dos líderes. Houve muito investimento em tecnologia, mas liderança ficou em segundo plano", afirma Betania. No final de 2020, outra pesquisa da BTA apontou que 84% das companhias tinham intenção de reduzir ou, no máximo, manter os investimentos em desenvolvimento dos seus executivos.

"Agora há uma predominância de líderes com competências medianas em um ambiente altamente demandante", afirma.

Ao mesmo tempo, o trabalho remoto permitiu um nível de assédio maior em termos de cobrança, porque não existem espectadores, diz Tatiana Iwai, professora de comportamento e liderança do Insper.

"O executivo não está diante de uma equipe, a não ser em reuniões online, e os diálogos são privados", afirma Tatiana. "Neste tipo de ambiente, a pressão pode ser muito mais intensa."

As empresas reconhecem e mantêm este tipo de liderança tóxica porque, na maioria das vezes, ela entrega resultados, diz a sócia da BTA, Vânia Café.

"Justamente pela assertividade e certa agressividade destes líderes na condução da equipe, eles conseguem cumprir metas. Isso leva a empresa a relevar o comportamento tóxico", afirma a especialista.

Tatiana Iwai destaca, no entanto, que grandes escândalos corporativos –como o que ocorreu com a Caixa Econômica Federal recentemente– não acontecem da noite para o dia.




"São comportamentos tóxicos que vão se tornando regulares e acabam moldando a cultura daquela empresa", diz ela. "No entanto, em algum momento, tudo isso vem à tona e compromete a imagem da companhia com todos os seus públicos de interesse: funcionários, fornecedores, consumidores, comunidade e investidores."

EMPRESAS TÓXICAS TÊM MAIOR ROTATIVIDADE

A contrapartida do comportamento de assédio moral é a dificuldade de atração e a perda de talentos, diz Vânia Café. "As empresas criam reputação no mercado, com base na sua cultura de liderança. Uma empresa –ou equipe– de alta rotatividade pode ser um indicativo de assédio moral", afirma.

Flávio (nome fictício), 45, está há décadas na área de vendas e se orgulha de saber trabalhar sob pressão. É executivo de contas de uma multinacional de tecnologia e atende clientes do governo federal, em Brasília.

Ele afirma que as empresas costumam estipular metas superestimadas porque, caso algum setor falhe, outro pode compensar. Flávio também diz que os chefes fazem pressão para que os vendedores se tornem amigos dos clientes, sem entender que a construção desse tipo de relação é demorada.

O problema é que, quando chega o fim do ano e o executivo precisa atingir sua meta, começa a assumir riscos.

Ele conta que, em seu trabalho anterior, fez uma encomenda de equipamentos para alguns clientes que, posteriormente, desistiram da compra. Quando isso ocorreu, ele relata ter sido alvo de muita pressão —segundo Flávio, seu chefe gritava: "Tem milhões de reais em equipamentos parados. Você prometeu que sairia dia 15 de agosto e agora é 30 de setembro e está tudo parado. A divisão América Latina e a divisão Américas contavam com isso. Como você falha assim? É o segundo mês que você falha".

Como resultado, diz ter desenvolvido um quadro de ansiedade. Ele conta que passou a ter dificuldade para se concentrar, que não podia mais beber, porque o álcool o desequilibrava emocionalmente, desencadeando choros, e que teve problemas de libido.


A saída que encontrou foi terapia e a religião espírita, diz. Um tempo depois, deixou o trabalho.

Hoje Flávio reclama da carga de trabalho, que aumentou muito na pandemia. Segundo ele, são inúmeras reuniões todos os dias, e cada uma define uma nova tarefa a ser realizada por ele. O vendedor diz ainda que não consegue mais impor limites ao seu horário de trabalho, usando o tempo antes e depois do expediente para ter um momento privado para pensar e definir estratégias.

Agora, ele diz que já estuda um plano B: dar adeus à vida executiva e se concentrar na vida no campo.

WHATSAPP NO LEITO DA UTI

Já Renato, em Belo Horizonte, deixou depois de seis meses a empresa de telecom e passou a trabalhar em uma companhia de tecnologia. Ainda hoje faz terapia, mas já superou as crises de pânico.

A gota d’água para ele no antigo emprego foi a falta de empatia do chefe com a sua doença: Renato pegou Covid no início de 2021 e ficou 20 dias internado, 10 deles na UTI. Ele diz que sua imunidade estava baixa porque vinha dormindo mal e comendo muito em razão da ansiedade, e que pertencia a um grupo de risco, por ser obeso. Renato diz ter ficado com 70% do pulmão comprometido.

Levou o laptop para o hospital e continuou trabalhando. Alguns dias depois, porém, avisou o chefe que seria encaminhado à UTI, por conta do agravamento do quadro, e levaria apenas o seu celular pessoal, para se comunicar com a mulher.

Cinco dias depois, em um dos momentos mais críticos da terapia, quando estava sendo submetido ao ventilador mecânico para suprir a carência de oxigênio, sem conseguir falar, recebeu uma mensagem por WhatsApp: "Oi, quando puder, me liga". Era o chefe, querendo que Renato providenciasse um atestado médico.

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Clique aqui para ler o artigo no seu site original

Para quem queira pesquisar um pouco mais sobre "Chefes Tóxicos", apresento três excelentes links que tratam do assunto.


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sábado, 30 de julho de 2022

Para obter criatividade acabe com a poluição burocratica.


Muito se fala e se escreve sobre a criatividade nas corporações. Todavia muito pouco se torna realidade quando os projetos e os discursos têm que sair do papel. 
Eu mesmo, como dirigente corporativo cobro muito dos meus colaboradores o exercício da criatividade nos seus cotidianos. Na realidade o retorno é muito pequeno. Principalmente em empresas ou instituições com hierarquias muito "fechadas" e carregadas de caixinhas e linhas de relacionamento.  

Os processos criativos estão disponíveis em qualquer organização, mas não surgem espontaneamente. Devem ser provocados, garimpados, despertados e principalmente promovidos. Sim senhor! Promovidos principalmente pelas chefias diretas com a responsabilidade de gerar resultados. 

As boas ideias estão no oxigênio das corporações. Ocorre que a poluição das normas, regimentos internos e toda aquela parafernália que os burocratas adoram, como deuses  mitológicos, impedem que elas - as boas ideias - possam ser "respiradas" pelos empregados. Quanto mais amarrada esteja a estrutura administrativa de uma empresa mais sufocadas estarão as possibilidades do surgimento das ideias criativas. É obvio não é? 



Paradoxalmente já vi inúmeras vezes chefes exigirem “criatividade” de seus subordinados sem lhes dar a menor oportunidade de pensarem livremente. Reclamam dos colaboradores, chegam a criticá-los pela "falta de imaginação", mas não conseguem enxergar onde está a limitação. São "os cegos que não querem ver".

Imagine um ambiente onde vizinhos de sala só se comunicam por meio de memorandos e faxes; onde as diretorias e departamentos são estanques e só tratam dos seus exclusivos problemas; ou ainda os setores onde diretores e gerentes centralizam as decisões mais rotineiras... Você acha que alguma coisa criativa vai ser produzida ali? E certamente você já trabalhou, conheceu ou até foi vítima de um círculo corporativo assim.

É desse tema que trata o artigo abaixo. Leiam-no e tirem dele as reflexões sobre o que consultores famosos pensam a respeito. Leiam abaixo um pequeno trecho do artigo: 
  • [...]"Teixeira ainda cita Walt Disney como exemplo. “Walt Disney era um homem de criatividade indiscutível, e disse certa vez em uma palestra, que ‘criatividade é a mesma coisa que um exercício físico’. Quanto mais você malha um músculo, mais ele se desenvolve. A atividade reforça o músculo, ao invés de desgastá-lo. Pensar diferente é a mesma coisa. Você se acostuma sempre a procurar uma nova alternativa para resolver um problema ou para otimizar uma oportunidade. Habituar-se a pensar diferente é sempre questionar: por que desta maneira? Não haverá outra melhor? Completa. ”[...]

      Se você estiver ocupando alguma função de comando na sua empresa promova a criatividade entre seus colaboradores tratando primeiramente de despoluir os processos burocráticos que o cercam. Criatividade é uma plantinha delicada que não floresce em meio ao solo árido das normas rígidas e dos processos administrativos inflexíveis. 

      Todavia, se você é um colaborador, parte de um time que opera em condições de intransigências administrativas e controles radicais não se acomode. A criatividade e as boas ideias pertencem às pessoas e não aos ambientes. Não desista nunca. Cultive-as, aprimore-as e apresente-as sem timidez. Em algum momento a poluição diminui e a luz da sua ideia vai aparecer em meio à bruma da mesmice, da rotina e da acomodação. 
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      Como as boas ideias surgem? 


      Em tempos onde só se fala em crise, redução de staff, redução de gastos e necessidade de encontrar novos caminhos para sobreviver no mercado, não há dúvidas: ser criativo é questão de sobrevivência.

      Para Antônio Carlos Teixeira, escritor e palestrante em Inovação, criatividade é muito mais do que a habilidade de criar algo novo. Para ele, criatividade é ver a mesma coisa que os outros vêem, e enxergar algo diferente antes deles. É um questionamento que desencadeia uma melhora, uma ideia nova, um produto melhor. “Questionando, você assume que sempre dá para fazer melhor, e sai em busca de novas ideias. Criatividade é a consciência de que o fato de algo estar sendo feito da mesma maneira há muito tempo não garante que esta seja a melhor maneira. Com criatividade, sempre dá para fazer melhor”, diz Teixeira.

      Ao contrário do que se pensa, todas as pessoas nascem criativas. Todos somos capazes de ter boas ideias. Segundo Eduardo Zugaib, professor, escritor e palestrante motivacional e comportamental, o que acontece é que durante o processo de crescimento, em nome da organização social, tendemos a ir sufocando nossa energia criativa, e saímos sempre em busca de respostas padrão, que não choquem. Desde cedo aprendemos a aceitar o “não” como resposta, antes mesmo que ele se pronuncie. Evitamos pensar em caminhos novos, e buscamos sempre por aquilo que temos certeza que as pessoas querem ouvir.
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      Existem situações, principalmente no âmbito profissional, que pedem para que sejamos criativos e que inovemos. E apesar de existirem profissões que promovam com mais insistência o exercício da criatividade, Zugaib diz que ela está presente em todas as áreas. O estímulo aos seus componentes – conhecimento, motivação e flexibilidade - é que faz a diferença. 

      Mas também é de conhecimento comum que muitas vezes e em muitas áreas, o profissional pode sofrer alguns bloqueios que o impeçam de criar, de contribuir. “Quem é que nunca chegou cheio de gás ao começar a trabalhar em uma nova empresa, percebendo diversas mudanças “pedindo” silenciosamente para serem empreendidas e não se deparou com o seguinte comentário de alguém mais velho de casa: ‘Meu caro, não adianta tentar mudar. As coisas aqui sempre foram feitas assim’? Essa é apenas uma das “frases assassinas” que ouvimos na vida profissional e que se manifestam de forma verbalizada. Mas existem também outros bloqueios inerentes ao ambiente, tanto o físico quanto o emocional, da empresa. Se a organização não abre espaço para a contínua discussão dos problemas, de forma a compartilhar responsabilidades, ela tende a ser uma empresa que funciona no piloto automático, na rotina”, informa Zugaib.

      Se sair do convencional, pensar em novas oportunidades, ousar, é a solução para a falta de dinamismo e estagnação em que muitos profissionais se encontram, Zugaib diz que, na prática, o exercício da criatividade requer alguns estímulos mais precisos e mais práticos. Um deles é o investimento que todo mundo, independente de condição social, deve fazer em conhecimento. Treinar a flexibilidade, por mais difícil que pareça, também é necessário. “Conhecimento em movimento, combinado, recombinado e aplicado é o que faz a diferença. Quanto mais conhecimento, melhor, já que uma boa ideia costuma ser produto da associação de outras que a sucederam em outros tempos, em outros ambientes tecnológicos, econômicos, geográficos e políticos. 

      É preciso ter motivos para agir, e estes motivos vão desde a sobrevivência física até o elevado ganho emocional, a autorrealização. O conhecimento, a flexibilidade e a motivação compõem aquilo que, nas minhas palestras e treinamentos, trato como as engrenagens do motor da criatividade”, diz ele. Concordando com essa ideia, Teixeira diz: “você tem que se acostumar a ser criativo, a pensar diferente para ser diferente neste mercado tão competitivo. É aqui que entra o seu talento. A capacidade de pensar diferente é o seu patrimônio, porque ao ter ideias e resolver problemas criativamente, você se diferencia dos demais que só veem a mesmice a vida toda”. 

      http://i381.photobucket.com/albums/oo254/andersondll/web/RODA-540x377.jpg.
      Teixeira ainda cita Walt Disney como exemplo. “Walt Disney era um homem de criatividade indiscutível, e disse, certa vez em uma palestra, que ‘criatividade é a mesma coisa que um exercício físico’. Quanto mais você malha um músculo, mais ele se desenvolve. A atividade reforça o músculo, ao invés de desgastá-lo. Pensar diferente é a mesma coisa. Você se acostuma sempre a procurar uma nova alternativa para resolver um problema ou para otimizar uma oportunidade. Habituar-se a pensar diferente é sempre questionar: por que desta maneira? Não haverá outra melhor?”, completa.

      E sendo assim, em tempos tão turbulentos, estará na criatividade das equipes a ajuda que as empresas precisam para sobreviver e não serem ofuscadas pela concorrência? Zugaib garante que sim. “A empresa que não investir em gente está fadada a ruir nos próximos movimentos macroeconômicos, e eles estão acontecendo em intervalos cada vez mais curtos. A empresa que apenas se preocupar com a aplicação tecnológica da criatividade, esquecendo da aplicação humana e relacional, tende a evaporar. 

      Quando falamos em criatividade, imaginamos apenas ela sendo aplicada na inovação de produtos ou serviços. Mas ela se faz presente nas relações humanas bem mais do que muitos gostariam de acreditar. Um casamento que não se inova continuamente, tende a esfriar, a fracassar, a tornar-se uma relação de pura conveniência, sem paixão. 

      A empresa que continuar pensando no seu cliente interno, ou seja, seu colaborador, apenas como um recurso humano, pode até mantê-lo sob seu teto por um bom período, porém sem criar pontos de contato, de experiência positiva e de envolvimento com ele. Na prática, acontece aquilo que é um dos pesadelos de muitos gestores: por R$50,00 a mais no fim do mês, o funcionário atravessa a rua na primeira oportunidade, levando informações valiosas para o concorrente”, atesta.