||| 17 de julho DE 2026 ||| 6ª feira ||| dia mundial do emoji ||| *Reflexão: "E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." -- Friedrich Nietzsche" |||

 

Bem vindo

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O Dia Mundial do Emoji é comemorado anualmente em 17 de julho. Essa data foi escolhida por uma razão muito simples: é o dia que aparece no emoji de calendário 📅 em grande parte dos celulares e computadores.A figura 📅 mostra o "17 de julho" porque foi nessa data, no ano de 2002, que a Apple lançou seu aplicativo de calendário iCal para o sistema Mac. A celebração foi criada em 2014 por Jeremy Burge, o fundador da Emojipedia.

pensamento dia

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Frase

Frase
Gustave Le Bon (Nogent-le-Rotrou, 7 de maio de 1841 – Marnes-la-Coquette, 13 de dezembro de 1931) foi um polímata francês cujas áreas de interesse incluíam antropologia, psicologia, sociologia, medicina, e física. Ele é mais conhecido por seu trabalho em 1895, A Multidão: Um Estudo da Mente Popular, considerado um dos trabalhos seminais da psicologia das multidões.[https://pt.wikipedia.org/wiki/Gustave_Le_Bon]

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A cruzada dos ressentidos: quem tem medo de Carlo Ancelotti?

 



O Corporativismo do Fracasso: Ciúme que atrasa o futebol brasileiro.

(autor: Herbert Drummond)


A resistência de setores do futebol brasileiro à mera possibilidade de ver Carlo Ancelotti — ou qualquer estrangeiro de primeira linha — comandar a Seleção Brasileira, revela muito mais sobre as nossas próprias fraturas do que sobre a competência do italiano. O que assistimos atualmente, nos microfones e painéis esportivos, após a participação brasileira na Copa, não é um debate tático ou um questionamento técnico legítimo. É uma carnificina movida pelo corporativismo, pelo ciúme profissional e por um nacionalismo de conveniência que insiste em manter o Brasil de joelhos, refém do passado.

A ironia atinge o ápice quando Vanderlei Luxemburgo surge como porta-voz da resistência. Ele, que de fato teve seu momento de brilho no plano doméstico nos anos 1990, representa justamente o marco inicial do descompasso do futebol brasileiro com a modernidade europeia. Sua passagem pela Seleção, na virada do milênio, foi abreviada não apenas pela perda de rendimento em campo, mas por turbulências extra-campo que arranharam a liturgia do cargo. Ver alguém que foi superado pelo tempo e cujas últimas passagens por grandes clubes foram melancólicas, questionar a estatura de um tetracampeão da Champions League é, no mínimo, um atrevimento histórico. O que fala ali não é o analista que presume ser; é a dor de cotovelo de quem viu o bonde da história passar e hoje precisa gritar para ser lembrado.

Na mesma trincheira, temos Romário. Como jogador, o "Baixinho" foi um gênio indiscutível, uma lenda que brilhou no tetracampeonato de 1994. No entanto, o gigantismo do Romário atleta nunca se traduziu em profundidade intelectual ou capacidade de análise esportiva fora das quatro linhas. Romário julga o futebol sob a ótica do talento pessoal e do individualismo — justamente a mentalidade que faliu o futebol coletivo do Brasil nas últimas duas décadas. Suas declarações ácidas contra técnicos estrangeiros, especialmente o italiano, agora, não carregam nenhum embasamento técnico; carregam apenas a marra de quem acredita que o futebol moderno pode ser gerido com a mesma informalidade e o mesmo improviso de trinta anos atrás. Spoiler: não pode. Não merece comentários sérios.

Essa ofensiva conjunta não é uma coincidência; é uma reação coordenada de uma "reserva de mercado" assustada. Trazer Ancelotti significa expor a nudez do nosso mercado de treinadores e analistas. Significa admitir que o "país do futebol" parou no tempo em 2002. Enquanto nossos técnicos locais e, consequentemente, as novas gerações de jogadores profissionais, se mantêm em uma espiral descendente de atualização, andando de marcha a ré, eles assistem, impotentes, à invasão de profissionais estrangeiros, técnicos e jogadores — vindos da Europa e da América do Sul — que hoje dominam os principais clubes do nosso próprio campeonato nacional. O pânico de perder o último feudo, a Seleção Brasileira, é o que move essa cruzada do ressentimento.

O boicote a Ancelotti é o sintoma de um futebol que prefere morrer abraçado ao seu orgulho ferido a aprender com quem está no topo. Se o Brasil continuar ouvindo o coro dos ressentidos e dos ultrapassados, a Copa de 2002 deixará de ser o nosso último título para se tornar uma peça de museu de um tempo que não volta mais. É hora de decidir se queremos continuar sendo o país do "já ganhou" nostálgico ou se queremos, finalmente, voltar a ser o país do futebol de ponta.

O Abismo Estatístico

Para ilustrar o tamanho do descompasso histórico e técnico entre Ancelotti e Luxemburgo, e poderia ser qualquer outro,  vale a pena confrontar a linha do tempo e as prateleiras de troféus:


Período / Critério

Carlo Ancelotti

Vanderlei Luxemburgo (últimos 20 anos)

Século XXI (2001 - Presente)

Multicampeão Europeu: o único treinador a vencer as 5 grandes ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e França) e o maior vencedor da história da Champions League (5 títulos).

Espiral Decadente: Acumulou passagens rápidas por clubes médios e grandes do Brasil, sem relevância internacional e com demissões frequentes por falta de resultados e defasagem tática.

Última Conquista Relevante

Champions League e La Liga recentes, mantendo-se no topo absoluto do futebol mundial.

Estaduais esporádicos e campanhas de meio de tabela. Seu último título nacional expressivo foi há mais de duas décadas.

Domínio do Espaço Doméstico

Respeitado globalmente pelas maiores estrelas do futebol mundial (incluindo os próprios craques brasileiros).

Perdeu espaço no próprio futebol brasileiro para a comissão técnica estrangeira (portugueses e argentinos) que hoje ditam as táticas no país.

 O embate de dois modelos: o que está em jogo?

A rigor, esta discussão há muito deixou de ser apenas sobre o nome de Carlo Ancelotti. O italiano virou o para-raios de um embate civilizatório dentro do nosso esporte. O que está em votação, silenciosamente, é a escolha entre dois modelos irreconciliáveis de gestão: de um lado, o planejamento de ciclos longos, ancorado na estabilidade, no processo científico e na blindagem de um projeto de trabalho; do outro, a velha ciranda do imediatismo histérico, que exige resultados ontem e resolve crises promovendo demissões sumárias e trocas de comando ao sabor do vento. Sabotar a vinda de uma grife internacional é a garantia de que continuaremos operando na lógica do remendo de curto prazo.

A Mobilização dos Progressistas: Pelo Futuro do Futebol

Para romper essa barreira do atraso, é urgente que a ala progressista do nosso futebol — composta por torcedores cansados do mesmo roteiro, dirigentes com visão de futuro, jogadores conscientes e profissionais de imprensa sérios — se mobilize. E essa mobilização precisa se encorpar ao redor de vozes que carregam autoridade moral, técnica e histórica indiscutíveis.

Precisamos do farol de lucidez de um Tostão, que une a genialidade de quem já foi dono do mundo em campo à precisão cirúrgica de suas crônicas; da sabedoria pragmática de um Luiz Felipe Scolari, que conhece como poucos o peso real da camisa amarela e a importância da hierarquia de um projeto; e do rigor analítico de jornalistas como PVC e André Rizek, que se recusam a trocar o debate tático e estrutural pelo ruído barato do corporativismo de cabine.

Conclusão: A Escolha Entre o Futuro e o Museu

O boicote à modernidade que Ancelotti representa é o último suspiro de uma elite e de uma crônica decadentes que preferem ver a Seleção Brasileira morrer abraçada ao seu orgulho ferido a admitir que precisa aprender com quem está no topo.

E, para que esse pacto da mediocridade funcione, o corporativismo dos ex-profissionais encontra eco perfeito em uma parcela da imprensa que vive do fomento ao caos. É o caso de Mauro Cezar Pereira, cujo conhecido bairrismo e o hábito de criticar eternamente tudo e todos funcionam como uma espécie de profissão de fé no mau humor; ou de Juca Kfouri, um analista visivelmente fora do seu tempo e espaço, cuja acidez contumaz contra qualquer novidade nos faz perguntar: quando foi a última vez que o vimos elogiar sinceramente alguma coisa ou alguém? Juntando-se ao coro, temos ainda Walter Casagrande — cuja relevância na análise esportiva evoca a clássica pergunta: "quem é?" Respondo: alguém que construiu sua carreira midiática à sombra do brilho eterno de Sócrates e do romantismo da "Democracia Corintiana", mas cuja opinião técnica, hoje, goza de pouquíssimo respeito em seu próprio meio profissional.

Se as forças verdadeiramente progressistas do nosso esporte — inspiradas pela lucidez de figuras respeitadas — não assumirem o protagonismo dessa narrativa contra essa barreira de ressentidos e profetas do apocalipse, a Copa de 2002 deixará definitivamente de ser o nosso último grande título para se tornar uma melancólica peça de museu de um tempo que não volta mais. Torço para que o jovem presidente da CBF resista a esse "canto da sereia".

É hora de decidir se queremos continuar reféns do "já ganhou" nostálgico e do rancor de cabine, ou se temos a coragem de, finalmente, desenhar o futuro.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Ah! Que inveja dos hermanos argentinos!

 

O que nos falta? A lição argentina de faca nos dentes

A histórica virada da Argentina sobre o Egito nesta Copa do Mundo não foi apenas um espetáculo de futebol; foi uma lição de caráter esportivo. Mais do que tática ou estratégia, o que se viu em campo foi aquilo que o torcedor brasileiro implorou para ver no jogo contra a Noruega: atitude, compromisso com a profissão e respeito absoluto por quem veste a camisa de seu país. Independente de técnico, de estratégias e táticas, o onze argentino foi lá e resolveu a parada na garra, com a faca nos dentes e no melhor estilo da raça portenha. Buscar um resultado com dois gols de desvantagem e 23 minutos para terminar a partida exige mais do que talento, exige uma crença inabalável na própria força, respeito por si próprio, coesão e destemor da equipe e, principalmente, o espírito de guerreiros travando sua decisiva batalha.

E no centro dessa epopeia estava Lionel Messi. Aos quase 40 anos, no limite da exaustão física, o veterano capitão não se escondeu. Enquanto o corpo cobrava o preço de uma carreira inteira, ele agigantou-se na liderança, chamou a responsabilidade para si e, no puro oxigênio da genialidade e da raça, comandou a virada. Uma vitória com a assinatura moral e o brilho de quem é, de fato, um campeão do mundo que se recusa a aceitar a derrota.

Enquanto nossos atletas, contra a Noruega, pareciam por vezes anestesiados, jogando sob a blindagem de suas desculpas táticas, os vizinhos nos mostram o óbvio: na caça ao tesouro, no topo do mundo, ganha quem tem fome. Um campeão não espera acontecer, vai à luta e resolve. O time brasileiro, definitivamente, não tinha espírito de campeão.

Após um ganho moral desse tamanho, será difícil segurar a Argentina, mesmo com potências como França, Espanha e a intensidade de Marrocos pelo caminho.

Fica o espelho para a Seleção Brasileira. O talento resolve muita coisa, mas sem o compromisso de veteranos como Messi, e demais companheiros dispostos a suar sangue pelas vitórias, dando a vida em campo até o último minuto, o futebol cobra o preço. Está na hora de o nosso time e suas estrelas pararem de dar explicações e começarem a mostrar o mesmo apetite dos argentinos.  Se vamos para um novo ciclo, vamos recomeçar a partir daí. 

O torcedor brasileiro não exige a perfeição; exige a entrega que a Argentina acabou de desenhar no gramado.


domingo, 5 de julho de 2026

Copa do Mundo: O Fim da Ilusão e a Realidade do Ciclo

 

Eliminação na Copa: Uma Surpresa Apenas para os Distraídos  

(por Herbert Drummond)

A eliminação da Seleção Brasileira costuma acionar um protocolo previsível: caça às bruxas, distribuição de culpas e a proliferação dos "engenheiros de obras prontas". A discussão, ridícula, sobre "porque o Vini não bateu o pênalti virou meme".  É um bom exemplo desse "protocolo".

Para quem analisa o futebol com frieza, o resultado passa longe de ser uma surpresa. Olhar para o placar como um "vexame isolado" é ignorar o contexto macro de todo o ciclo de 4 anos a que foi submetida a instituição "Seleção Brasileira", desde a última copa (2022-2026)    

A verdade, é que, por motivos de marketing, dinheiro das Bets e a torcida vulnerável na vontade de se apaixonar por sua seleção, a mídia em peso vendeu a promessa de um milagre de realidade insustentável. Se compararmos a seleção do Brasil com as favoritas, o desnível salta aos olhos e desde antes da era Ancelotti.

Enquanto os rivais consolidavam suas estruturas ao longo desse mesmo ciclo, nós enfrentávamos um período caótico, marcado por crises em série. A torcida, na sua paixão, preferiu esquecer e acreditar que, no fim, tudo daria certo. Não deu.

Nas simulações dos caminhos da Copa, o teto do Brasil (se tivesse avançado contra a Noruega), já se limitaria  às quartas de final (Inglaterra ou México), diante da nossa fragilidade coletiva. O entusiasmo nas vitórias contra Haiti e Escócia, mascararam as deficiências de nossa seleção. A torcida foi na onda do hexa e hoje sofre uma decepção.

No jogo de hoje, com a Noruega, o Brasil, em tempo nenhum, foi uma equipe. Na fase de grupos e da de "16 avos", evoluímos para o status de um "grupo" (clique aqui). Todavia, as seleções que marcham firmes rumo às fases finais estão degraus acima desse nível. A Noruega estava e está, claramente, acima do Brasil nessa escala. Mostrou isso no campo de jogo. Exemplos de equipes? França e Argentina.

Não comentarei coisas técnicas ou táticas do jogo. Já tem muitos "especialistas" teorizando sobre o fato consumado; por que o Brasil perdeu para a Noruega? Perdemos porque o adversário foi melhor. Simples assim.

A frustração de milhões de torcedores é legítima, mas o fanatismo não pode cegar a análise. Não podemos, na insana busca de culpados, crucificar o técnico ou qualquer outro jogador. 

O foco, agora, precisa estar no futuro. A manutenção do contrato com o técnico Ancelotti até 2030 é a garantia de continuidade para a montagem de um trabalho sólido e verdadeiro. 

É hora de aceitar a verdade para, finalmente, podermos evoluir. Vamos passar pelas fases do luto (clique aqui) e temos que cuidar para não nos afundarmos em nenhuma delas. Não se deve execrar nenhum personagem desse drama, nem o técnico, nem jogadores. 

Aqui, vale um famoso verso de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

"Não peçam muito a ninguém,

Ninguém tem muito pra dar"

Vou publicar, ainda esta semana, um novo artigo, dando continuidade a este, onde pretendo trazer análises sobre o novo ciclo da seleção e quais os pontos chaves que a alta direção da CBF deve cobrar e a comissão técnica de Ancelloti deverá entregar para chegarmos prontos em 2030. 


terça-feira, 30 de junho de 2026

O fenômeno Cazé TV, nos bastidores da copa. Inevitável não falar dele.

 

O Pecado de Enxergar Primeiro

Por Herbert Drummond

Tem um fantasma assombrando os bastidores desta Copa de 2026. Ele não entra em campo, não calça chuteira e não bate falta. Ele veste terno, fala com aquele tom professoral de quem é dono da verdade e está sofrendo de uma dor terrível: a dor de ter perdido o monopólio da relevância.

Antes de iniciar, quero dizer que não tenho "procuração" para falar em defesa da CazéTV e nem é esse o propósito. Meu objetivo com este post é defender o direito do torcedor — e me incluo nesse grupo — de acompanhar os jogos da Copa sem censura e se divertindo, exatamente como são as transmissões da turma do Casimiro.

Estou falando dessa campanha barulhenta e visivelmente orquestrada que resolveram levantar contra a CazéTV. De repente, os barões da mídia tradicional (notadamente a esportiva) viraram paladinos da moralidade e descobriram uma súbita preocupação social com os anúncios de apostas esportivas no streaming, as chamadas bets. Apontam o dedo para a internet como se a tela da TV aberta e os intervalos do horário nobre não estivessem igualmente entupidos, dia e noite, pelo mesmíssimo dinheiro dessas plataformas.

Vamos deixar o verniz de lado? Não se trata de uma cruzada em defesa do cidadão ou contra os malefícios que o vício em jogos traz; é o clássico linchamento do pioneiro, a mera negação do novo. É inveja comercial pura e simples, briga por dinheiro. O "crime" da CazéTV não foi colocar patrocinador na tela; foi ter a audácia de quebrar a banca e mudar a fórmula do espetáculo.

O mercado tradicional cometeu o erro fatal de ignorar a história. O mundo dos negócios está cheio de cadáveres corporativos de gigantes que achavam que eram eternos. Vejamos, para ilustrar o argumento, alguns exemplos clássicos: a Kodak jurou que as câmeras digitais eram um brinquedo passageiro; a Nokia olhou para o primeiro smartphone e não levou a sério; a Enciclopédia Britannica achou que a internet jamais substituiria seus pesados volumes na estante; e as cooperativas de táxi riram do primeiro protótipo do Uber. O final dessa história a gente já conhece.

A mídia tradicional é a nova Kodak do futebol. Tiveram o mesmo tempo, as mesmas pistas de que o público telespectador queria outra coisa — queria diferença, novidades. Preferiram sentar na própria arrogância e agora tentam recuperar espaço detonando quem apostou nos novos tempos.

Vivi, como profissional, os bastidores da mídia esportiva entre 1963 e 1971 e continuei acompanhando este universo de perto. Posso atestar: o que mudou de lá para cá foi apenas a tecnologia de transmissão — o satélite, o cabo, o HD. Mas a alma, os métodos e os jargões da TV clássica e do rádio continuaram exatamente os mesmos, presos num purismo estéril de estúdio plastificado.

O público simplesmente cansou desse engessamento, e já faz tempo. Ninguém quer mais ser um mero joguete em duelos repetitivos de audiência, um número frio de IBOPE, obrigado a ouvir analistas que usam suas pranchetas para ditar regras e teorizar sobre esquemas e estratégias pouco inteligentes e quase ininteligíveis.

A grande mídia tenta rotular quem migrou para o streaming como uma massa de "jovens alienados". Erro crasso. Esse grupo crescente só quer resgatar o prazer da transmissão viva, divertida e moderna na sua essência. No fundo, são os legítimos herdeiros do radinho de pilha que ressurgem.

Toda aquela resenha, a piada interna, a corneta e a cumplicidade que a turma do Casimiro entrega hoje no YouTube é a evolução direta da atmosfera que grandes narradores do rádio, como Oduvaldo Cozzi, Fiori Gigliotti, Valdir Amaral, Jorge Cury, José Carlos Araújo e, mais recentemente, Osmar Santos, criavam antigamente. 

O rádio falava ao pé do ouvido do torcedor, era visceral, humano e vivo. A TV engessou o futebol com transmissões frias, assépticas e "bem-educadas". Quis imitar o rádio, mas nunca conseguiu. A CazéTV trouxe de volta a conversa de bar, incluindo alguns palavrões inofensivos que fazem parte do verdadeiro clima dos estádios.

Podem continuar chiando e inflando discursos moralistas de conveniência. Os herdeiros do radinho de pilha já decidiram onde estão a emoção e a autenticidade. O caminho de volta para a caverna do formato antigo não existe. A grande parcela que realmente ama a emoção do futebol quer estar com o Cazé, com a turma dele e com o futebol de verdade.

Que venham (e virão...) mais Cazés no universo das transmissões esportivas, é isso que o público quer. A questão das Bets, é outro assunto.

Este artigo contou com o suporte da Inteligência Artificial (Gemini) na estruturação e revisão textual, mantendo a essência e as memórias do autor.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

O Efeito Ancelotti: Como a Liderança de Vestiário Mudou o Jogo no 2º Tempo

 



No intervalo, frustração a caminho do vestiário.

Quem assistia ao primeiro tempo da seleção viu um roteiro que se tornou comum no futebol moderno: um time talentoso, mas engessado, batendo de frente contra uma marcação forte e sofrendo com o peso da pressão. O clima que se desenhava para o intervalo era de frustração. Ficava claro que o plano inicial não tinha funcionado e que o time precisava de um rumo.

Mas o futebol, assim como o ambiente corporativo, não é feito apenas de planejamento inicial. É, acima de tudo, sobre a capacidade de recalibrar a rota sob pressão. E foi exatamente nos 15 minutos de intervalo que o jogo começou a ser ganho.

A Autoridade Silenciosa no Vestiário

Em momentos de crise, a reação natural de muitos líderes é elevar o tom de voz, ditar regras com urgência ou transferir a tensão para a equipe. Com Carlo Ancelotti, o processo é o oposto. O vestiário da seleção não encontrou desespero; encontrou a famosa "calmaria cirúrgica" de um técnico que já viu de tudo no futebol.

A liderança inconteste de Ancelotti não se impõe pelo grito, mas pela autoridade de seu histórico e pela clareza de suas ideias. Quando ele fala, o elenco não apenas escuta — ele compra a ideia. Há uma confiança cega dos jogadores no seu comandante. Essa segurança psicológica foi o primeiro e mais importante elemento restabelecido no intervalo: antes de mudar a tática, foi preciso desarmar o nervosismo e devolver a estabilidade ao grupo.

O Tabuleiro do Segundo Tempo: Da Estratégia à Execução

Com os ânimos alinhados, veio a leitura de jogo. O que se viu, claramente, foi o "dedo do "Ancelotti:

1) Mexeu onde doía no adversário, sua fragilidade nas bolas paradas, nos cruzamentos sobre a grande área. 

2) Ajustou o posicionamento dos pontas para alargar o campo, 

3) Compactou as linhas de marcação,

4) Promoveu aquela substituição cirúrgica, de Paquetá (machucado) por Martinelli, o que redesenhou o meio-campo.

A execução foi imediata e precisa.

5) A "cereja do bolo" no vestiário: não substituiu o Casemiro, que cá para nós estava "enterrando" o time no 1º tempo. Todos nós, incluo-me, pedimos a sua saída. Mas não aconteceria com um líder como Ancelotti. 

Casemiro é seu "homem de confiança", todos sabem. Deve tê-lo chamado  e falado baixinho, no seu ouvido, levantando sua autoestima e chamando-o aos brios. Mais do que todos, ele conhece o atleta e sabe o seu valor. E o que vimos foi um novo Casemiro no 2º tempo. Até achou o caminho para o esperado gol de empate.

O que vimos no segundo tempo foi uma metamorfose. A seleção voltou com outra postura: mais agressiva, mais consciente e, fundamentalmente, mais organizada. O gol de Martinelli, coroou o esforço de todos. Valeu!

A estratégia desenhada no vestiário transformou-se em domínio (quase) absoluto dentro das quatro linhas. O time jogou com a certeza de quem sabia exatamente o que estava fazendo e, mais importante, por quem estava fazendo.

A Grande Lição de Gestão

O desfecho da partida nos deixa uma lição clara que ultrapassa as quatro linhas: grandes líderes não se desesperam na crise. Eles acalmam o ambiente, reorganizam as peças com precisão e dão a direção exata de que a equipe precisa para virar o jogo.

A vitória no segundo tempo não foi um mero acaso físico ou técnico. Foi o resultado prático de uma liderança de vestiário que sabe a hora de acolher, a hora de cobrar e a forma exata de extrair o potencial máximo de um elenco que joga por ele. É o peso do fator humano mudando os rumos da história.

👉Autor: Herbert Drummond (com ajuda parceira da IA do Gemini)

domingo, 28 de junho de 2026

As safadezas da memória

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Falar sobre memória no âmbito de um blog sobre gerência é pertinente. Alguém imagina um executivo - seja ao nível for - que não tenha uma boa memória? Pense numa catástrofe administrativa. Pois é isso que ocorrerá se alguém numa função de comando de repente começar a ratear o motor do seu sistema de memória. 
Agendas, ordens verbais, compromissos pessoais e corporativos são itens que estão obrigatória e permanentemente nas memórias dos executivos. Sem que esse mecanismo funcione e muito bem, as carreiras dos "esquecidos" irão pelo ralo nas primeiras demonstrações de "memória fraca". Já vi isso acontecer mais de uma vez.
É interessante como esse tema não é colocado em discussão e debatido entre os muitos tópicos que povoam o universo corporativo dos livros e das palestras. 
Na busca que fiz no Google, não se pode dizer que existam muitos links disponíveis, mesmo porque se deve procurar por "memória humana". Se colocarmos simplesmente "memória" os links predominantes serão aqueles referidos às memórias de computadores. 
Assim sendo, quando li esse artigo que vi no caderno do New York Times que a Folha de São Paulo publica nas segundas-feiras, não hesitei em copiá-lo para reprodução aqui no blog. Hoje surgiu a oportunidade. 
O autor é um respeitado jornalista do NYT - Kevin Delaney - que consegue uma ótima abordagem do assunto em seu artigo. Recomendo a leitura para aqueles que pretendem seguir a "doce" carreira de gerente/executivo. Os links e imagens que estão ilustrando o texto não fazem parte do original. Foram colocados pelo autor desse blog.

Este post foi publicado originalmente em março de 2011 (há 15 anos, portanto). Por que republicá-lo agora? Acontece que o post voltou a ser redescoberto pelos leitores e, de repente, cresceu no escore dos mais lidos que o Blogger disponibiliza para os seus blogueiros. Releio o artigo da Folha, e concluo que merece ser conhecido novamente por uma nova geração. Vale a releitura, pois o texto e o tema continuam atualizados. Confirmem, e comentem.



São Paulo, segunda-feira, 21 de março de 2011




As safadezas da memória

Autor - Kevin Delaney
Lembrar onde encontrar comida no meio da floresta, evitando o tigre dente de sabre que vive no local, já foi uma questão de sobrevivência. Por isso, o cérebro humano evoluiu para armazenar informações necessárias. Mas, nos séculos mais recentes, a tecnologia - da prensa de Gutenberg ao iPad de Steve Jobs - tem feito esse trabalho por nós.

Isso pode explicar por que muita gente não consegue se lembrar de senhas, telefones ou de onde deixou a chave do carro. E por que os chimpanzés ganham dos humanos em alguns tipos de teste de memória. Felizmente, alguns especialistas estão buscando formas de aperfeiçoar a memória - com uma ajudinha de uma supermodelo alemã.

Em seu livro "Moonwalking With Einstein: The Art and Science of Remembering Everything" [Andando na lua com Einstein: a arte e a ciência de lembrar tudo], Joshua Foer escreve que "a evolução programou o cérebro para encontrar duas coisas particularmente interessantes e, portanto, memoráveis: piadas e sexo -e sobretudo, ao que parece, piadas sobre sexo".

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No caso de Foer, ele aprendeu a se lembrar de fatos e detalhes obscuros associando-os a um lugar familiar ou, melhor ainda, a alguma imagem bem-humorada e excitante - como, por exemplo, Claudia Schiffer nadando em um tanque de queijo cottage.

Com só um ano de treino, esse sujeito, antes incapaz de lembrar o aniversário da namorada, chegou à final do Campeonato Americano de Memória de 2006. Bastaram "alguns truques e uma boa imaginação erótica", como notou Maureen Dowd no "New York Times".

Só que a técnica não é nova. Os treinamentos de memória de Foer se inspiram nos antigos romanos e em Pedro de Ravena, um jurista italiano que escreveu no século 15 que "se você quer se lembrar rapidamente, disponha as imagens das mais belas virgens nos lugares das lembranças".

Quem tem problemas de memória ou mentes irremediavelmente castas possui outros recursos, especialmente num momento em que a geração do "baby boom" envelhece e se dispõe a gastar dinheiro para preservar suas lembranças. Um "pró-memória" do Google e várias dicas, técnicas, seminários e suplementos de ervas vão surgir.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg11xaSqUtdaxMUBUtdIrg6vs9HAmZedMDzIIeY00IcWotdNCO8C6NlBUBIAccs4PV8UXaYis4oOVyj619d91l72dhGUZ57MD7R1rQ2Vz8ZcuEFkIvMj4eM-WlLTbKOH7IFdy-301ll3jM/s320/memoria_humana.jpg

Uma técnica, chamada "retroalimentação neurológica", propõe usar a informática para reprogramar ondas cerebrais. É caro e polêmico, mas defensores prometem "mudanças duradouras na atenção, na memória, no humor, no controle da dor, no sono e em muito mais", relatou o "Times". Para William Pelham Jr., diretor do Centro para Crianças e Famílias da Universidade Internacional da Flórida, isso não passa de "charlatanismo maluco".

Outro auxílio à memória pode ser mais promissor. Pesquisadores em Israel e Nova York relataram neste mês que a memória dos ratos melhorava com injeções da enzima chamada PKM-zeta. Mas os cientistas salientam que uma droga totalmente aprovada para aperfeiçoar a memória ainda pode estar distante.
Enquanto isso, existe uma maneira de ajudar os cérebros mais velhos a não esquecerem as coisas; continuar trabalhando. Como noticiou o "Times" no ano passado, um estudo com idosos nos EUA e em 12 países europeus sugeriu que a aposentadoria precoce acelera o declínio da memória.

Ou, como declarou, certa vez, Pablo Casals, o virtuoso violoncelista que, já nonagenário, conseguia recordar partituras: "Aposentar-se é morrer".

👉Clique aqui, para ler um outro excelente artigo sobre o tema


“Este artigo foi publicado originalmente em 2011. Resolvi republicá-lo pela surpreendente procura que teve nas últimas semanas, pelos leitores. Entretanto, de 2011 para cá, a tecnologia saltou dos iPads para a Inteligência Artificial, e a ciência da mente descobriu que a busca por uma 'pílula da memória' (como as pesquisas da época com a PKM-zeta) era mais complexa do que parecia. No entanto, a lição central, expressada pelo texto, permanece idêntica: nossa imaginação e o trabalho contínuo continuam sendo os melhores remédios contra os esquecimentos.” Peço comentários.