OFICINA NA COPA

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||| 29 de junho DE 2026 ||| 2ª feira ||| Dia do papa ||| *Reflexão: "Você nunca é tão velho para ter uma nova meta ou para sonhar um novo sonho." {Les Brown} |||

Bem vindo

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O Dia do Papa celebra-se anualmente a 29 de junho e é uma data dedicada a homenagear o líder máximo da Igreja Católica Apostólica Romana. A celebração destaca a missão espiritual do Papa, o seu papel na orientação dos católicos de todo o mundo e o seu compromisso com a promoção da paz, da solidariedade, da fraternidade e do diálogo entre os povos. O que significa ser Papa? A palavra Papa tem origem no latim papa e no grego pappas, termos que significam “pai”. Esta designação está relacionada com a missão pastoral do Bispo de Roma, considerado o sucessor de São Pedro e a principal autoridade espiritual da Igreja Católica. O Papa é eleito pelo Colégio dos Cardeais através de um conclave realizado no Vaticano. O cargo é tradicionalmente exercido até à morte, embora exista a possibilidade de renúncia, como aconteceu com o Papa Bento XVI em 2013. Entre as principais funções do Papa estão: orientar a Igreja Católica em questões de fé e moral; promover a unidade dos fiéis; nomear bispos e cardeais; incentivar ações de caridade e apoio aos mais necessitados; representar a Santa Sé nas relações internacionais; defender valores como a paz, a dignidade humana e a justiça social. O Vaticano: a casa do Papa A sede do Papado encontra-se na Cidade do Vaticano, um Estado independente situado dentro da cidade de Roma, em Itália. O Vaticano é o centro administrativo da Igreja Católica e guarda alguns dos maiores tesouros religiosos e artísticos do mundo, incluindo a Basílica de São Pedro, construída sobre o local tradicionalmente associado ao túmulo do apóstolo São Pedro. A relação com São Pedro A escolha do dia 29 de junho está ligada à celebração de São Pedro e São Paulo, dois dos principais apóstolos do cristianismo. Segundo a tradição cristã, São Pedro foi escolhido por Jesus Cristo para liderar os primeiros seguidores da fé cristã, sendo considerado o primeiro Papa da história. São Pedro terá sido martirizado em Roma durante as perseguições aos cristãos no século I, tornando-se uma das figuras mais importantes da Igreja Católica. A missão do Papa no mundo Além da liderança religiosa, o Papa tem também um papel de grande influência social e cultural. Ao longo da história, os Papas têm participado em debates sobre temas como a paz mundial, a pobreza, os direitos humanos, a proteção do ambiente e a cooperação entre diferentes religiões. As mensagens papais são acompanhadas por milhões de pessoas em todo o mundo, independentemente da sua nacionalidade ou cultura. O Papa na atualidade Papa Leão Papa Leão XVI após sua eleição como sumo pontífice em maio de 2025 Atualmente, o Papa é Leão XIV, nascido Robert Francis Prevost, eleito em maio de 2025 após a morte do Papa Francisco. Como chefe da Igreja Católica e soberano da Cidade do Vaticano, o Papa Leão XIV continua a missão de liderar a comunidade católica, promovendo a fé, o diálogo entre culturas e religiões e a defesa da dignidade de cada pessoa.

pensamento dia

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Frase

Frase
Erich Fromm (Francoforte, 23 de março de 1900 — Muralto, 18 de março de 1980) foi um psicanalista, filósofo humanista e sociólogo alemão. A partir do final da década de 1920, representou um socialismo democrático e humanista. Suas contribuições para a psicanálise, para a psicologia da religião e para a crítica social o estabeleceram como um pensador influente do século XX, embora muitas vezes tenha sido subestimado no mundo acadêmico. Muitos de seus livros entraram para a lista dos mais vendidos, notavelmente A Arte de Amar (1956) e Ter ou Ser (1976). Seus pensamentos também foram amplamente discutidos fora do mundo profissional.

 

domingo, 28 de junho de 2026

As safadezas da memória

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Falar sobre memória no âmbito de um blog sobre gerência é pertinente. Alguém imagina um executivo - seja ao nível for - que não tenha uma boa memória? Pense numa catástrofe administrativa. Pois é isso que ocorrerá se alguém numa função de comando de repente começar a ratear o motor do seu sistema de memória. 
Agendas, ordens verbais, compromissos pessoais e corporativos são itens que estão obrigatória e permanentemente nas memórias dos executivos. Sem que esse mecanismo funcione e muito bem, as carreiras dos "esquecidos" irão pelo ralo nas primeiras demonstrações de "memória fraca". Já vi isso acontecer mais de uma vez.
É interessante como esse tema não é colocado em discussão e debatido entre os muitos tópicos que povoam o universo corporativo dos livros e das palestras. 
Na busca que fiz no Google, não se pode dizer que existam muitos links disponíveis, mesmo porque se deve procurar por "memória humana". Se colocarmos simplesmente "memória" os links predominantes serão aqueles referidos às memórias de computadores. 
Assim sendo, quando li esse artigo que vi no caderno do New York Times que a Folha de São Paulo publica nas segundas-feiras, não hesitei em copiá-lo para reprodução aqui no blog. Hoje surgiu a oportunidade. 
O autor é um respeitado jornalista do NYT - Kevin Delaney - que consegue uma ótima abordagem do assunto em seu artigo. Recomendo a leitura para aqueles que pretendem seguir a "doce" carreira de gerente/executivo. Os links e imagens que estão ilustrando o texto não fazem parte do original. Foram colocados pelo autor desse blog.

Este post foi publicado originalmente em março de 2011 (há 15 anos, portanto). Por que republicá-lo agora? Acontece que o post voltou a ser redescoberto pelos leitores e, de repente, cresceu no escore dos mais lidos que o Blogger disponibiliza para os seus blogueiros. Releio o artigo da Folha, e concluo que merece ser conhecido novamente por uma nova geração. Vale a releitura, pois o texto e o tema continuam atualizados. Confirmem, e comentem.



São Paulo, segunda-feira, 21 de março de 2011




As safadezas da memória

Autor - Kevin Delaney
Lembrar onde encontrar comida no meio da floresta, evitando o tigre dente de sabre que vive no local, já foi uma questão de sobrevivência. Por isso, o cérebro humano evoluiu para armazenar informações necessárias. Mas, nos séculos mais recentes, a tecnologia - da prensa de Gutenberg ao iPad de Steve Jobs - tem feito esse trabalho por nós.

Isso pode explicar por que muita gente não consegue se lembrar de senhas, telefones ou de onde deixou a chave do carro. E por que os chimpanzés ganham dos humanos em alguns tipos de teste de memória. Felizmente, alguns especialistas estão buscando formas de aperfeiçoar a memória - com uma ajudinha de uma supermodelo alemã.

Em seu livro "Moonwalking With Einstein: The Art and Science of Remembering Everything" [Andando na lua com Einstein: a arte e a ciência de lembrar tudo], Joshua Foer escreve que "a evolução programou o cérebro para encontrar duas coisas particularmente interessantes e, portanto, memoráveis: piadas e sexo -e sobretudo, ao que parece, piadas sobre sexo".

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No caso de Foer, ele aprendeu a se lembrar de fatos e detalhes obscuros associando-os a um lugar familiar ou, melhor ainda, a alguma imagem bem-humorada e excitante - como, por exemplo, Claudia Schiffer nadando em um tanque de queijo cottage.

Com só um ano de treino, esse sujeito, antes incapaz de lembrar o aniversário da namorada, chegou à final do Campeonato Americano de Memória de 2006. Bastaram "alguns truques e uma boa imaginação erótica", como notou Maureen Dowd no "New York Times".

Só que a técnica não é nova. Os treinamentos de memória de Foer se inspiram nos antigos romanos e em Pedro de Ravena, um jurista italiano que escreveu no século 15 que "se você quer se lembrar rapidamente, disponha as imagens das mais belas virgens nos lugares das lembranças".

Quem tem problemas de memória ou mentes irremediavelmente castas possui outros recursos, especialmente num momento em que a geração do "baby boom" envelhece e se dispõe a gastar dinheiro para preservar suas lembranças. Um "pró-memória" do Google e várias dicas, técnicas, seminários e suplementos de ervas vão surgir.

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Uma técnica, chamada "retroalimentação neurológica", propõe usar a informática para reprogramar ondas cerebrais. É caro e polêmico, mas defensores prometem "mudanças duradouras na atenção, na memória, no humor, no controle da dor, no sono e em muito mais", relatou o "Times". Para William Pelham Jr., diretor do Centro para Crianças e Famílias da Universidade Internacional da Flórida, isso não passa de "charlatanismo maluco".

Outro auxílio à memória pode ser mais promissor. Pesquisadores em Israel e Nova York relataram neste mês que a memória dos ratos melhorava com injeções da enzima chamada PKM-zeta. Mas os cientistas salientam que uma droga totalmente aprovada para aperfeiçoar a memória ainda pode estar distante.
Enquanto isso, existe uma maneira de ajudar os cérebros mais velhos a não esquecerem as coisas; continuar trabalhando. Como noticiou o "Times" no ano passado, um estudo com idosos nos EUA e em 12 países europeus sugeriu que a aposentadoria precoce acelera o declínio da memória.

Ou, como declarou, certa vez, Pablo Casals, o virtuoso violoncelista que, já nonagenário, conseguia recordar partituras: "Aposentar-se é morrer".

👉Clique aqui, para ler um outro excelente artigo sobre o tema


“Este artigo foi publicado originalmente em 2011. Resolvi republicá-lo pela surpreendente procura que teve nas últimas semanas, pelos leitores. Entretanto, de 2011 para cá, a tecnologia saltou dos iPads para a Inteligência Artificial, e a ciência da mente descobriu que a busca por uma 'pílula da memória' (como as pesquisas da época com a PKM-zeta) era mais complexa do que parecia. No entanto, a lição central, expressada pelo texto, permanece idêntica: nossa imaginação e o trabalho contínuo continuam sendo os melhores remédios contra os esquecimentos.” Peço comentários.




segunda-feira, 15 de junho de 2026

Ainda a "Crise Coletiva de Ansiedade" da seleção, na estréia.

Cartaz oficial com fundo azul e amarelo anuncia a convocação da psicóloga Marisa Santiago para acompanhar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. Marisa aparece sorrindo, de braços cruzados, vestindo camiseta azul. Texto destaca sua formação e função junto à equipe.
A psicóloga Marisa Santiago, que presta serviços à seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 - marisasantiagopsi no Instagram/Reprodução - Esta "convocação" está no instagram da psicóloga.



Não iria mais abordar a "crise de identidade da seleção" contra o Marrocos. Mas mudei de ideia ao ler um artigo na Folha de S.Paulo que toca exatamente na mesma ferida. Como ainda não tinha visto a grande mídia analisar o jogo sob essa ótica, não quis perder a chance de mostrar que a Oficina de Gerência está tocando bola em sintonia com os "profissionais". Minha tese não está isolada.

Sejamos francos: uma derrota do Brasil, para Marrocos, por uns 2 a 0, no primeiro tempo, não teria sido surpresa pelo futebol apresentado pela seleção. Para um grupo de estrelas milionárias, acostumadas a decidir finais nos maiores clubes do mundo, chega a ser patético alegar "ansiedade" para justificar uma atuação tão bisonha.

Confesso que a mim não surpreendeu. Acompanho futebol desde 1958. Cheguei a trabalhar na imprensa esportiva (rádio, jornal e TV, em Recife) por 7 anos. Exponho isso, não por vaidade, mas levei em conta que trazer minha vivência pessoal ao texto é o que, considero, confere certa autoridade ao meu argumento. Gosto de me ver, como "torcedor profissional" e me manter na ativa; ainda não me aposentei (😊). Traduzindo: Já esperava a dificuldade contra o Marrocos.

A grande surpresa foi descobrir que, duas Copas após 2014 (12 anos), a seleção brasileira atual continua refém do "complexo dos 7 a 1". São atletas que se mostraram psicologicamente instáveis, na seleção, ao contrário do que se apresentam em seus clubes. Não todos, mas no coletivo.

Só os mais jovens e recentes na seleção — Endrick e Rayan (principalmente); e ainda o Igor Thiago, Matheus Cunha, Luiz Henrique, Danilo Santos, Gabriel Magalhães e Ibañez — estes últimos, talvez, e repito, talvez não estejam tão contaminados por esse trauma. É minha tese.

Acrescente-se a isso a pressão, o drama pessoal e o medo de encerrar a carreira numa má atuação na seleção, como tantas vezes vista; todo esse conjunto geral produz falta de autoconfiança, baixa inteligência emocional e coisas assim, psicologicamente complexas, notadamente em atletas jovens e emocionalmente vulneráveis.

As seleções de 2018 e 2022, foram profundamente impactadas pelos 7 a 1 e lá estavam Neymar (jogou na copa de 2014, embora não tenha participado da fatídica partida), Marquinhos e Casemiro, hoje líderes do atual grupo sob o comando de Ancelotti. Reconheço que posso estar exagerando, mas pessoalmente tenho receio que, os três (apesar de Neymar não ter jogado) possam ser lideranças, inconscientemente, marcadas pelo complexo da derrota para a Alemanha.

Agora, caberá a Carlo Ancelotti e à sua assessoria psicológica entender que a raiz do problema é essa instabilidade oculta. Consertar o mental do elenco é o verdadeiro desafio de gestão para os próximos jogos da Copa.



Clique aqui e visite a Folha


Depois do empate por 1 a 1 com Marrocos no sábado (13), primeira partida da seleção brasileira nesta Copa do Mundo, jogadores da equipe consideraram que a ansiedade da estreia foi responsável pelo péssimo desempenho no começo da partida.

Nos primeiros 30 minutos, os marroquinos dominaram por completo o Brasil, com amplo controle da posse de bola. Os brasileiros mal conseguiam pegar na redonda, ficavam "na roda" – parecia até aquela brincadeira, chamada popularmente de "bobinho"– e, quando o faziam, a perdiam com rapidez, errando passes constantemente.

Jogadores como Lucas Paquetá, Douglas Santos, Igor Thiago e Vinicius Junior, todos titulares na partida, além do treinador Carlo Ancelotti, afirmaram, citando diretamente a palavra "ansiedade" ou não, que a parte mental afetou o funcionamento corporal.

Felizmente para o Brasil, apesar do começo sofrível e do gol sofrido, este em falhas seguidas da seleção (primeiro, Paquetá perdeu a bola; depois, a marcação no meio não conseguiu bloquear lançamento de Brahim Díaz; por fim, Marquinhos e Gabriel Magalhães, mal posicionados, permitiram Saibari receber livre para encobrir Alisson), Vini Jr., em jogada individual, empatou em um belo gol.

A partir daí, com mais de meia hora do primeiro tempo, a ansiedade diminuiu um pouco, passando ao nível de controle. Ancelotti mexeu no time no intervalo, sacando Casemiro e Ibañez, ambos muito mal no jogo e "amarelados", e a equipe, com nervos menos desequilibrados, portou-se melhor – não muito, mas melhor.

O que faltou, depois de a tecla da ansiedade ter sido tão batida, foi alguém ir atrás de Marisa Santiago e perguntar a ela o que aconteceu. Ainda falta.

Marisa Santiago é a psicóloga que acompanha a delegação do Brasil nesta Copa do Mundo. A CBF incluiu a profissional no grupo, penso que para, entre outras coisas, agir para que a ansiedade não se mostrasse tamanha no jogo inicial.

Que é normal ficar ansioso antes de um acontecimento relevante – a Copa do Mundo é, e a partida de estreia é, isso desde sempre –, não é novidade. Por isso mesmo espanta, havendo uma psicóloga a serviço dos atletas, eles terem tido essa dificuldade.

Afinal, a ansiedade supostamente existe dos dois lados, e os marroquinos não sentiram nada. Caso tenha havido apreensão antes de encarar o pentacampeão Brasil, eles deixaram-na no vestiário do estádio MetLife, em East Rutherford, palco do duelo. Estavam livres, leves e soltos.

A experiência internacional dos jogadores da seleção brasileira, que atuam ou atuaram em grandes ligas da Europa (Inglaterra e Espanha, primordialmente), deveria ser suficiente para reduzir o nervosismo. Evidentemente, para alguns, não foi.

Copa do Mundo é diferente, dirão. É mesmo. Mas por que algumas seleções, e alguns atletas, sentem mais, bem mais, que outros?

Sabe-se que a ansiedade pode até ter um lado positivo, tornando a pessoa (neste caso, o jogador) mais alerta e focada antes de um desafio, porém, em dose excessiva, é prejudicial.

Se Marisa Santiago realizou alguma atividade individual ou em grupo, "sessões de terapia", para controlar a ansiedade da equipe, não funcionou. Se não fez, é necessário explicar o motivo.

Com todo o declaratório apontando esse problema, ela tem trabalho considerável nesta semana para deixar o time com a cabeça no lugar. Se não houve ainda intervenção dela, e se não houver, não sei o que está fazendo lá.


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domingo, 14 de junho de 2026

"Ancelotti, coloca o Endrick". (Tostão)



O 'Oficina na Copa' abre um parêntese hoje para dar voz a quem entende do jogo como poucos. Transcrevemos abaixo o artigo de Tostão na Folha de S.Paulo, de hoje, dia seguinte ao da estreia do Brasil na Copa, sob o título "Ancelotti, coloca o Endrick".

Justificamos a escolha pela essência do estilo do autor: frases curtas, pensamento afiado e uma recusa categórica ao espetáculo vazio. Trata-se do futebol examinado com a autoridade, equilíbrio, isenção e seriedade de quem o aprecia e respeita.

Se publico o artigo, é porque concordo com ele, óbvio. Acho que o Ancelotti terá o bom senso de  acatar a pressão (torcida e mídia) e colocar o Endrick nos onze que entrarão em campo contra o Haiti. O Tostão escreve sobre isso.

Tenho cisma de uma coisa. No Real Madrid, ele barrou o Endrick, sistematicamente, contra a mídia e a torcida também. O ex-palmeirense teve que sair para o Lyon (França) e mostrar seu futebol. Agora volta ao clube espanhol, sem o Ancelotti; mas o encontra na seleção; lembremo-nos de que ele não o chamou na primeira convocação...

No jogo amistoso, com o gol da vitória por 2 a 1, do Endrick, contra o Egito, o Ancelotti até o abraçou e deu-lhe uma significativa beijoca na bochecha. Vamos ver agora, depois do arrocho que levou do Marrocos, se o respeitado italiano vence suas reservas e confia no Endrick*, que todos nós queremos ver nos onze do Brasil. Ah! A propósito, compará-lo com o Igor Thiago, cá pra nós, é brincadeira...

* É a hora da CBF, e Carlo Ancelotti encerrar, de vez, essa "teoria da conspiração" de que a Nike atua nos bastidores, desde o Real Madrid, para boicotar a carreira do Endrick. Indícios, sem evidências, desses bastidores estão voltando fortemente nas redes sociais. E não seria o único caso desse tipo de interferência da Nike no  futebol brasileiro, quiçá do mundial.


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No empate por 1 a 1, resultado justo, Marrocos, coletivamente, foi melhor, mas o Brasil possui mais excepcionais jogadores.

As chances de gols foram iguais. O Brasil começou a partida com um quarteto pelo centro (Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha), além dos atacantes Vini e Igor Thiago. Durante a partida, houve, progressivamente, várias mudanças individuais e de posicionamento. Vini fez um belíssimo gol, mas errou muitos lances. Faltou, principalmente, mais talento no meio-campo, troca de passes e domínio da bola e do jogo. Igor Thiago foi mal, sendo substituído.

Ancelotti, coloca o Endrick!

Espanha, Portugal e Argentina, por terem excepcionais meio-campistas e por filosofia, preenchem mais o meio-campo, têm mais domínio da bola e alternam a troca de passes com as jogadas rápidas. Já a França, por ter excelentes atacantes, prioriza a velocidade em direção ao gol. A Alemanha avança com muitos jogadores, porém deixa enormes espaços na defesa. A Inglaterra busca o equilíbrio entre os setores.

Nossa seleção tem sido criticada por não ter, próximo ao Mundial, uma definição da escalação e da estratégia. Esta justificativa, quase sempre usada, é que Ancelotti só teve um ano no cargo. Não vejo isso como problema. Vários grandes times e seleções que ficaram na história foram formados em pouco tempo. Mais importante é unir as características e qualidades dos jogadores do que o tempo.

Zagallo assumiu o comando da seleção de 1970 poucos meses antes da estreia. A escalação e a estratégia foram definidas perto do Mundial, com a troca de um ponta-esquerda (Edu) por um terceiro jogador no meio-campo (Rivellino), a escolha do volante Piazza como zagueiro, além da definição de que eu seria o centroavante. A Argentina, dirigida por Scaloni, mudava a equipe a cada partida, tornando-se campeã mundial de 2022.

Cruyff dizia que, na Copa de 1974, a Holanda de Rínus Michels definiu duas semanas antes da estreia a maneira revolucionária de jogar que encantou o mundo.

Diferentemente das outras seleções, Ancelotti, nas últimas semanas, mudou várias vezes a escalação e o posicionamento de alguns jogadores. O técnico não é refém de nenhum dogma, de nenhuma estratégia. Define a maneira de jogar e a escalação de acordo com o momento, a qualidade e as características dos jogadores do time brasileiro e do adversário.

Ancelotti é flexível, capaz de, diante de circunstâncias inesperadas e negativas, tomar decisões corretas. Ele não tem filosofia, sua grande qualidade, o que não significa que não cometa erros.

Assim é a vida. Vivemos de acertos, erros e incertezas. Os treinadores mais vitoriosos são os que fazem as melhores escolhas. Nada é definitivo. "As coisas vão e voltam, a vida nem é da gente" (João Guimarães Rosa).

As imagens e o negrito, não constam do artigo original, foram colocados pelo blog a título de ilustrações ao texto.

sábado, 13 de junho de 2026

O Peso da Camisa ou do Nervosismo? O Diagnóstico Comportamental da Estreia da Seleção

 


Além da Tática: A Ansiedade como Freio na Estreia do Brasil

Enquanto a mídia esportiva tradicional se apressa em destrinchar pranchetas, calcular porcentagens de posse de bola ou caçar polêmicas vazias em coletivas de imprensa — em busca do clichê perfeito que renda as manchetes bombásticas do dia —, o verdadeiro diagnóstico da estreia do Brasil na Copa do Mundo passa por uma camada muito mais profunda e menos óbvia: a comportamental.

O empate em 1 a 1 contra o preparado time de Marrocos, no MetLife Stadium, não foi um acidente de percurso tático. Foi o reflexo consolidado de um sintoma que já vinha se desenhando nos amistosos pré-Copa: um grupo de atletas talentosos cujo ímpeto natural foi visivelmente sufocado pelo peso do ambiente e da responsabilidade com a fama de pentacampeão mundial, acrescida de ser a primeira Copa, como titulares, de pelo menos seis atletas que eram reservas ou sequer integravam o elenco em 2022.

O Diagnóstico: O Impacto Fisiológico da Pressão

No futebol de alto rendimento, a linha que separa o ápice técnico do erro crasso é medida em milésimos de segundo. Ficou visível, principalmente no primeiro tempo, que o tempo de reação dos jogadores brasileiros estava uma fração de segundo atrás do ritmo dos marroquinos. Isso não é falta de capacidade física; é pura psicologia aplicada à fisiologia. Sabe-se que a ansiedade e o nervosismo provocam uma tensão que trava as reações musculares, gerando imprecisão e lentidão na tomada de decisão.

O resultado em campo foi um festival de passes errados em demasia, perdas constantes nos duelos individuais de corpo a corpo e chegadas atrasadas nas disputas de espaço. No segundo tempo, com a poeira emocional minimamente assentada, o time conseguiu esboçar uma melhora, mas ainda assim ficou muito aquém do nível desejável para o potencial que esse grupo possui e que todos sabemos que eles podem entregar.


O Contraste Coletivo: A Cumplicidade de Marrocos

Enquanto o Brasil sofria isolado em suas individualidades travadas pela tensão, Marrocos entregava um show de espírito coletivo, precisão de passes e determinação nas disputas individuais. Um padrão tático e comportamental chamou a atenção principalmente no primeiro tempo e no terço final da partida: cada vez que um jogador marroquino recebia a bola, imediatamente pelo menos dois companheiros se aproximavam em condições reais de recebê-la.

Essa dinâmica de apoio constante, que lembrou o famoso "tiki-taka" do Barcelona de Guardiola (2008–2012), oferece saídas rápidas e esvazia a pressão adversária. O Brasil, preso em seu próprio travamento dinâmico, não conseguiu ler ou marcar essa movimentação elementar durante todo o jogo. Como consequência, Marrocos ditou o ritmo e manteve-se como o verdadeiro "dono da bola".

A bagagem de Ancelotti para curar o "Fator Subjetivo"

É justamente nesse cenário midiático de "terra arrasada" que a figura de Carlo Ancelotti se impõe. A aparente falta de paciência do treinador na coletiva pós-jogo — confrontada por perguntas plenas de clichês e algumas até patéticas, que buscavam apenas a provocação para gerar manchetes — diz muito sobre o tamanho do desafio. Ancelotti sabe que o problema que tem em mãos não é apenas técnico; é eminentemente subjetivo.

Se existe um técnico no futebol mundial com estofo, inteligência emocional e liderança para corrigir essa deficiência comportamental e, consequentemente, os encaixes técnicos, é Don Carlo. Sua irritação não é soberba; é o incômodo de um gestor que identifica onde o nó está atado e se depara com um debate externo raso e caça-cliques.

O Caminho à Frente

A Copa do Mundo é um torneio de tiro curto que não perdoa lamentações, mas que também premia a evolução gradual. O ponto somado contra o adversário mais difícil do grupo precisa ser valorizado.

O confronto contra o Haiti, na Filadélfia, surge como o cenário ideal não apenas para buscar a vitória, mas para destravar a mente dos atletas. É hora de, além de fazer gols para ocupar a posição de primeiro do Grupo C, recuperar a velocidade de reação e devolver a este grupo o ímpeto natural que o trouxe até aqui.

Para isso, ouvir a psicóloga da comissão técnica, Marisa Santiago, será um passo fundamental. Junto à consagrada bagagem de gestão humana de Carlo Ancelotti, o papel de Marisa nesta Copa será crucial para desenvolver a inteligência emocional do grupo, ajudando a "soltar" a mente dos atletas para evitar que "ansiedade" seja desculpa - normalizada - num grupo de atletas milionários e de alta performance e para que o tempo de reação e a precisão de profissionais voltem a fluir já na próxima partida. Aparentemente, se foi feito, esse trabalho da psicóloga não teve resultado. A CT deve explicações à torcida.  Vamos para a próxima.