25 de fev. de 2021

Ladrões de Tempo roubam sua produtividade.


Conheci poucos executivos que se preocupavam com a produtividade de suas equipes, assessores e auxiliares. Estranho isso, não é? Mas é verdade. Ouso dizer, meramente baseado na minha vivência corporativa, que poucos gerentes sequer sabem identificar - dentro de seu time de funcionários - se a produtividade da equipe ou de alguns colaboradores está acima ou abaixo do nível ideal. Vou mais além, sabem muito menos que nível é esse. E pior que tudo isso é que essa turma não sabe nem conceituar direito o que é produtividade. Não sabem calculá-la. Pronto, disse!

Muito bem. Para quem não sabe ou não se preocupa tecnicamente em medi-la e antes de qualquer coisa, vamos procurar entender o que se entende por produtividade. Pesquisei pra lá, pesquisei pra cá e gostei muito da definição de  Paulo Nunes (Economista, Professor e Consultor de Empresas). O que diz, de forma muito clara o professor citado no verbete produtividade?

  • «A Produtividade é um indicador de eficiência de uma organização ou de um país muito utilizado em análises econômicas e financeiras e em comparações internacionais. É calculado pela comparação entre a quantidade ou valor de output e a quantidade ou valor do input necessário para a produção desse mesmo output. Apesar de poder ser utilizado para medir a eficiência na utilização de qualquer input, o conceito de produtividade é mais frequentemente utilizado para medir a eficiência na utilização do fator trabalho. Neste caso, a produtividade é calculada pela divisão da quantidade produzida pelo número de horas (ou pelo número de trabalhadores) necessárias para conseguir essa produção.

Produtividade = Produção / Trabalho

É isso! Mas não pensem que a coisa é tão simples assim. Não é mesmo! É comum encontrar gerentes e até mesmo diretores que, sem o devido embasamento técnico-acadêmico, confundem produtividade com produção. Se vocês se derem ao trabalho de fazer uma breve pesquisa vão descobrir que mesmo autores importantes ainda não esclareceram completamente a relação entre os dois conceitos (clique aqui para saber um pouco mais).

Se os chefes não sabem, imaginem os auxiliares! 

Entretanto o foco do post não é ensinar como manejar esses dois conceitos tão citados quanto pouco conhecidos. O propósito é informar que existem nos ambientes de trabalho e nos comportamentos corporativos o que chamamos de "Ladrões de Tempo" ou "Ladrões de Produtividade". 

A fórmula acima indica que « Índice de Produtividade = Quantidade Produzida x Horas dos Empregados Dedicados à Produção». Logo, se os empregados estão pouco voltados para o foco de seu trabalho obviamente a produtividade vai cair e a quantidade (produção) do que se produz irá baixar. Isso serve tanto para uma linha de produção quanto para serviços burocráticos quaisquer. Percebem?

Por isso a importância de se estar atento ao combate contra os "ladrões" acima referidos. É disso que trata o artigo abaixo que fui buscar no site da HSM assinado pelo especialista em administração de tempo Christian Barbosa*.

Recomendo sua leitura e principalmente - para os gerentes e chefes - sua aplicação. E não pensem que será moleza tirar de circulação esses "bandidos". Eles são insistentes, agradáveis, insidiosos e ocultos. São especialistas em "brincar de esconde-esconde" com os responsáveis pela produtividade nos ambientes corporativos. Aprenda mais sobre eles, sejam vocês os chefes ou auxiliares.


10 itens que matam a produtividade diária


Reuniões, e-mails para responder, acúmulo de tarefas, cansaço. Tudo isso pode fazer com que você gaste mais tempo do que deveria em suas atividades. Um planejamento semanal bem elaborado pode cair por terra quando as atividades diárias pré-estabelecidas são deixadas de lado por motivos circunstanciais ou urgentes, que atrapalham a produtividade. Será que você tem passado por isso? Confira a lista abaixo e veja com quais itens você se identifica.
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1 – E-mail – Ficar com o e-mail aberto faz o nível de interrupções ficar intolerável, aumenta a ansiedade e a sensação de atividades por fazer. Recomendo definir períodos  para lidar com as suas mensagens sendo que no resto do tempo o caixa deve ficar fechada. 
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2 – Não ter clareza sobre o que fazer – O que você precisa fazer primeiro? Você sabe pelo menos 80% do que deve ser feito hoje? Se não souber responder a essas perguntas, com certeza vai se perder em tarefas circunstanciais.
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3 – Estou em Reunião – Uma pesquisa feita pela Triad Consulting, empresa dá qual sou diretor, demonstra que 1/3 das reuniões podem ser canceladas. Então: dieta de reuniões já! Quanto menos, melhor. Se tiver de fazer, seja objetivo, defina pontos de discussão e faça durar no máximo 2 horas.
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http://arvoresearbustos.files.wordpress.com/2010/12/2136953861_1b91ecbba2_b.jpg?w=150&h=1504 – Redes Sociais – Você usa twitter, facebook, orkut, etc? Controle a ansiedade de ficar conectado a essas redes. Utilize eventuais intervalos no dia ou o horário de almoço para se atualizar.
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5 – Falta de energia – Você está cansado, sem pique e não consegue se concentrar? A falta de “energia” rouba muitas horas do dia e faz a pessoa “surfar” em atividades circunstanciais. Tenha hobbies, procure um médico, tome um multi-vitamínico, alimente-se em horários regulares, faça sexo (com frequência).
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6 – Falta de foco – Começa uma atividade e em pouco tempo salta para outra tarefas? Se a atividade for grande, quebre em pequenas atividades, feche qualquer outro software que não esteja usando, coloque o celular no silencioso e, se funcionar para você, ouça música.
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7 – Navegador cheio de favoritos – Você abre seu browser para ir em um site, esbarra na lista de favoritos e começa a surfar por outros portais? Instale um novo navegador (sugiro o Safari) e não importe os seus favoritos. No novo browser, com a lista de favoritos zerada, você perde a tentação de ficar navegando à toa.
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8 – Messenger, Wave, GTalk, etc – A regra é simples: está ocupado? Fique com status invisível ou offline. Está tranquilo? Fique ausente ou ocupado. Está com tempo para conversar? Fique disponível.
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9 – Interrupções – Se muita gente interrompe você, pode ser porque sua comunicação não anda muito adequada. Faça uma revisão de como redige os emails, concede informações e delega atividades. 
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10 – Tarefas imprevistas, Convites Inesperados e Favores – Que tal falar NÃO de forma concreta (baseado em planejamento X disponibilidade)? Se muitas tarefas imprevistas surgem na sua rotina, é possível que o nível de planejamento não esteja adequado. Repare em quais dias da semana você tem mais imprevistos e utilize isso a seu favor.




23 de fev. de 2021

Karol Conká eliminada do BBB. Há uma lição a aprender...



ATUALIZAÇÃO DO POST - Como previsto, a rapper foi eliminada hoje do BBB com um índice de rejeição acima dos 99%, ou seja, uma unanimidade.
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Não sou muito de assistir o BBB nos últimos anos. Nada contra. Já acompanhei o programa nas primeiras temporadas, mas depois de um tempo ficou muito repetitivo e previsível. Perdeu a graça para mim.

Hoje - terça feira dia 22 - está no "Paredão" a rapper Karol Conká que é a grande atração entre as celebridades do programa. Ocorre que os milhões de espectadores e fãs do BBB não perdoaram o comportamento que a Karol apresentou, interagindo com os demais companheiros no ambiente confinado e isolado do BBB.

Transcrevi a matéria do Correio Braziliense, abaixo, que retrata bem as razões pelas quais se espera que a rapper saia hoje do programa com um índice de rejeição enorme. Nada demais, se fosse uma pessoa comum. Acontece que ela é uma pessoa pública, uma artista cuja imagem faz parte do seu trabalho.

A rejeição do público (milhões de pessoas) que assiste o reality show, fruto de seus modos e maneiras reprováveis (chegando a ponto de humilhar um dos "brothers" que resolveu sair do programa alegando não suportar mais o "bullyng" da artista e seu grupo contra ele), deve, segundo especialistas do show business, causar um irremediável prejuízo na carreira da artista.

Trago o assunto à Oficina de Gerência para analisar a péssima administração do maior ativo que ela possui que é a sua figura pública. É quase inacreditável que uma artista de carreira em ascensão possa ter ido tão despreparada para se revelar, da forma que o fez, no programa de maior exposição da televisão brasileira. 

O exemplo também serve para as pessoas comuns como nós. Todos temos uma imagem a zelar. Qualquer pessoa em sua atividade - profissional ou pessoal - constrói uma reputação durante toda a sua vida. Essa "composição" tem infindáveis desdobramentos, mas faz parte da essência, da existência e da biografia de cada um de nós. 

Temos que cuidar muito bem da nossa imagem, pois é ela quem nos projeta nos círculos sociais em que vivemos. Hoje, está instalada a dúvida. Quem é a verdadeira Karol Conká?

Ela se descuidou e projetou uma figura negativa de si mesma. Sendo uma pessoa pública, vai enfrentar um longo e caro processo para se livrar dessa personificação. 

Ficou a dúvida, quem ela é? A de antes do BBB ou aquela que o confinamento da casa revelou? O mesmo acontecerá com qualquer um de nós que por isso ou aquilo não se mantiver coerente com a imagem que projetamos para os outros. Quem a falsifica, será devorado cedo ou tarde.

Leia, abaixo, a matéria do Correio, principalmente aqueles não tão afeitos às artimanhas do BBB e seus brothers.



O 'tombo' de Karol Conká: artistas pedem apoio à rapper no pós-BBB

Quando a rapper curitibana Karol Conká foi anunciada como uma das participantes do Camarote da 21ª edição do Big brother Brasil, a primeira reação foi positiva. O público gostou da presença da dona do hit Tombei dentro da casa mais vigiada do Brasil. Na época, ela teve até um aumento no índice de audições do trabalho nas plataformas digitais, crescendo 42%, segundo dados do Deezer. O problema é que, com o passar dos dias no reality show, a artista foi mostrando uma faceta pouco conhecida pelos fãs. Agora, o desejo de quem assiste ao programa é ver Karol sendo eliminada no paredão de hoje, quando enfrenta Gilberto e Arthur, batendo o recorde de rejeição atingido nesta temporada por Nego Di, que saiu com 98,76% dos votos do público.

A mudança da percepção do público em relação a rapper começou com as polêmicas em que ela se envolveu. A primeira foi após um comentário sobre Juliette, dando a entender que a paraibana não tinha educação por ser do Nordeste. O público também não gostou da forma cruel como ela tratou Lucas Penteado, impedindo o ator de comer na mesma mesa que ela. Depois, foi a vez de Karol encrencar com Carla Diaz, acusando a atriz de dar em cima de Bill, com quem ela teve um breve relacionamento. Karol ainda criou problemas com Gilberto e Camilla.

Todas essas atitudes levaram a participante a se tornar uma espécie de vilã da temporada. Com sorte dentro do jogo, a rapper conseguiu escapar do paredão duas vezes. Uma delas vencendo a prova Bate e Volta e se livrando da indicação de Gilberto feita pelo Big fone. Em seguida, ao conquistar o líder da semana. No atual paredão, Karol quase poderia ter ficado de fora. Não havia uma intenção inicial da brasiliense Sarah, líder no momento, de indicar a rapper. Porém, uma confusão no fim de semana mudou tudo e Karol acabou no paredão sem poder escapar numa prova.

Vida pós-BBB

Tudo indica que a participante será a eliminada de hoje. Segundo a enquete do site Uol, a expectativa é de eliminação com 97% dos votos. Já o Votalhada, blog que reúne os percentuais de sites e redes sociais, aponta para 96,76%. Atingindo o recorde de rejeição ou não, Karol Conká sairá acumulando prejuízos. Teve o programa virtual que seria exibido no GNT cancelado, foi retirada do festival Rec-Beat, de Recife, viu contratos serem encerrados e até as audições no streaming amargaram queda de 45%.

A própria participante tentou, ainda dentro da casa, mudar de postura. Do lado de fora, já há quem se preocupe com a vida pós-BBB da rapper. O cantor Rico Dalasam, que perdeu fãs após se envolver numa polêmica com Pabllo Vittar por causa da autoria de uma música, escreveu nas redes sociais que deseja que Karol Conká tenha força. “Se eu fui linchado na internet por ir atrás de um direito trabalhista, fiquei anos triste, sem vontade de fazer nada... Pensa o que pode acontecer com essa menina... Que seja leve para ela”, escreveu o artista.

A funkeira Anitta, que é constantemente “cancelada” na internet, também comentou o fato no Twitter. “Amei Karol no paredão igual todo mundo. Não concordo com nada que ela fez e faz no jogo... Mas, ainda assim, temo pelo que pode acontecer com ela quando sair. Espero que ela possa andar na rua e tenha ajuda psicológica quando sair”, disse a cantora.

Clique aqui se desejar ler a matéria no site original.


22 de fev. de 2021

Emoção e Sentimento. Aprenda diferença e administre-os


Vocês já cogitaram, alguma vez nas suas vidas, separar os sentimentos das emoções? Qual o significado de um? Qual o do outro? Aposto que não, isto é, salvo as exceções de praxe.

A pergunta é: qual a importância disso? Se numa relação qualquer - de ordem social, familiar ou de trabalho que suscite emoções ou sentimentos - repito, qual a importância de saber se estamos tratando de sentimentos ou emoções? São capazes de fazer esse exercício? Certamente chegarão à mesma conclusão que eu. Vamos ter que pensar e pesquisar muito para responder.

Esta foi a minha conclusão quando me propus a escrever esse post. Mas vamos à pergunta: qual a importância de saber essa diferença?

Na minha convicção acho que é algo de muita importância para quem como nós, membros da humanidade urbana, temos que nos haver com os conflitos que os relacionamentos e a convivência entre nós, os seres viventes, são tão comuns que fazem parte de nossas vidas cotidianas.


Quer saber o que dizem os entendidos sobre a diferença técnica entre emoção e sentimento? Muito fácil! É só procurar no Google. Coloquei lá "sentimentos e emoções" e sabem quantos resultados apareceram em menos de um segundo? Respondo 16.500.000. Se chegar a uma conclusão você tem o QI acima da média.

Lá estão, sob a forma de diversos títulos, as explicações sobre o que são sentimentos, o que são emoções e quais as diferenças entre ambos. Só para não deixar o post vazio dessa distinção transcrevo uma delas, do insuspeito site do CVV, que achei bastante didática:

  • "Geralmente, as pessoas acreditam que emoção e sentimento são a mesma coisa. Uma espécie de sinônimos. No dicionário, as duas palavras até encontram significados muito próximos. Mas, na realidade, são as emoções que dão origem aos sentimentos. Enquanto as primeiras se referem a uma reação instintiva, uma resposta neural para os estímulos externos, tal como o choro ou o riso, os sentimentos, em geral, refletem como a gente se sente frente a uma emoção. São duradouros e muitas vezes fáceis de esconder. Se um está ligado ao corpo, ao exterior, o outro faz parte do universo da mente, do interior."

Da minha parte, quando conheci as discrepâncias entre ambos os conceitos, confesso que tinha imaginado, como diz o texto, que eram sinônimos. Todavia repito que essa é uma das infindáveis definições existentes na Internet (Google). Existem outras...

Mas, volto à questão, por que é importante saber disso? Justifico, na medida em que nos nossos cotidianos estamos, costumeiramente, lidando com as emoções das pessoas e gerando ou recebendo as respostas em forma de sentimentos ou mesmo de outras emoções. Esta realidade sugere que influenciamos, inspiramos, motivamos outras pessoas; ou somos igualmente sugestionados, induzidos, instigados.

Vejam as duas frases abaixo:

  • Não conseguindo conter o sentimento, chorou as mais verdadeiras lágrimas. 
  • A última derrota mexeu com o emocional da equipe.

Vamos interpretá-las?

As duas frases poderiam estar interligadas? Sim e não. Na primeira o sentimento (choro) foi provocado por uma forte emoção - raiva ou alegria por uma vitória ou derrota numa disputa, por exemplo.

Na segunda frase, certamente alguma emoção pela derrota da equipe (medo de perder a competição, por exemplo) desestabilizou o equilíbrio do grupo gerando um conjunto de sentimentos negativos e outras emoções, que usualmente são identificados como “o emocional das pessoas”.  

Na verdade, de tudo que pesquisei posso concluir que, no geral, os sentimentos são frutos das emoções. Embora diferentes "tecnicamente" eles estão tão intrinsecamente ligados que um não vive sem o outro. Um provoca o outro...

Veja o quadro abaixo que transcrevi de um excelente artigo no site "diferença.com":


Enfim, há tanto para se falar sobre o tema que eu ficaria aqui nesse post durante um tempo enorme e não chegaria a um bom termo de informação para o leitor.

Fato é que o tema merece uma atenção especial de todos, no caso do blog, preocupação e diligência no trato com as pessoas do mundo corporativo e pessoal de cada um. 

É importante no mundo atual aprender a administrar as suas emoções e das pessoas com as quais convite. Não é à toa que o estudo da I.E (Inteligência Emocional) toma corpo nos meios das organizações, já sendo considerada uma vantajosa habilidade e competência buscada naqueles que desejam subir na escala das hierarquias

Para ilustrar o meu comentário, como é costume no blog, agrego um excelente texto do Blog Finsi (espanhol)

O artigo abaixo demonstra as diferenças entre os dois conceitos e passa informações muito úteis para compreensão das relações humanas..




Clique aqui e visite o blog

A confusão entre sentimento e emoção

As emoções são respostas automáticas e os sentimentos são o rótulo de reação emocional.

Sentimento e emoção são dois termos que muitas vezes nos levam à confusão. Em muitas ocasiões, emoção e sentimento são utilizados como sinônimos, ainda que sejam conceitos qualitativamente diferentes.

Certamente esta confusão entre os dois termos vem de longo tempo porque ao longo da história a utilização dos diversos termos emocionais não tem sido clara, precisa e limitada.

  • O sentimento surge de uma expressão originária do latim "sentire", que significa pensar, opinar, ou dar-se conta de algo.
  • O conceito de emoção vem do  latim "emotio" que significa "movimento ou impulso."

As emoções são um conjunto complexo de respostas químicas e neurais que formam um padrão. São respostas produzidas pelo cérebro provocadas por estímulos.

Os sentimentos, ao contrário, surgem da avaliação consciente que fazemos da percepção de nosso estado corporal durante uma resposta emocional. Os sentimentos são conscientes e as emoções são inconscientes tanto que são reações automáticas a estímulos. Emoções são produzidas, em linhas gerais, por estímulos exteriores e interiores (recordações, memórias, pensamentos, lembranças). Elas geralmente aparecem de repente, inesperadamente, bruscamente, manifestando-se na expressão  corporal. 

Assim que tomamos conhecimento das sensações (alterações) de nosso corpo ao receber esse estímulo, a emoção se converte em sentimento. Isto é, quando percebemos que o nosso corpo sofre uma mudança (por exemplo: lindas borboletas voando e nos tocando) e estamos conscientes disso, rotulamos o que estamos sentindo (a emoção), neste caso, teríamos um sentimento de surpresa, alegria, prazer, satisfação...

Alguns estudiosos das emoções centram a diferenciação entre sentimento e emoção na duração de cada uma, a emoção tem um tempo menor de registro do que o sentimento.


As emoções, portanto, seriam um estado de excitação ou perturbação mais ou menos espontânea e pode durar desde segundos até algumas horas. As emoções são curtas, mas o sentimento é longo. Poderíamos dizer que um sentimento é como uma corrente e cada um dos seus elos são as emoções. As emoções necessitam de um evento que as dispare, o qual pode ser interno ou externo; se este evento desaparece, normalmente as emoções que o acompanham também deixam de existir.

As emoções são específicas e reativas, são respostas automáticas. O sentimento  por outro lado é um componente subjetivo das emoções, é a etiqueta que uma pessoa coloca em uma emoção.

Os sentimentos também têm uma duração que é proporcional ao tempo  em que nossa consciência pensa deles. Podemos sentir tristeza, mas somente quando a nossa mente se concentra em um episódio triste, podemos sentir medo, mas só quando nos sentimos ameaçados, quando paramos de focar a consciência no tema a sensação desaparece. É por isso que algumas técnicas de controle de pensamento em diferentes situações, por exemplo, estresse, ansiedade nos levam a focar o nosso pensamento a diferentes estímulos para provocar sentimentos diferentes.

Um dos grandes estudiosos de emoções Richard. S. Lazarus (1991) considera sentimento e emoção como conceitos inter-relacionados, onde a emoção englobaria o sentimento de forma que o sentimento seria o componente subjetivo ou cognitivo das emoções, ou seja, a etiqueta que a pessoa coloca na emoção.

Outro conceito que também podemos incluir próximo da emoção e do sentimento é o estado de ânimo. Os estados de ânimo (bravura, coragem, destemor, ousadia) não são emoções, mas estados psicológicos mais ou menos duráveis ​​e a partir dos valores que emprestamos e interpretamos os acontecimentos.

São sentimentos a alegria, a felicidade, a raiva, o enfado, a preocupação, etc., e são estados de ânimo a euforia, a depressão, a ansiedade, a angústia, a apatia, etc.


A autora é Nuria Fernández López (Facebook). Para procurar seus artigos basta clicar aqui (em espanhol). 

21 de fev. de 2021

Conquista de Monte Castello 76 anos atrás em 21 de fevereiro de 1945 - O destaque do Brasil na 2ª Guerra Mundial -




“São duas horas da madrugada do dia 22. O dia 21 já acabou, e foi um grande dia. Vencemos os prussianos e tomamos conta desta grande elevação dos Apeninos. O combate de Monte Castello ficará na História Militar do Brasil como um grande feito d’armas de seus Soldados.”

Passados 75 anos, o pequeno trecho da carta escrita à sua esposa pelo então Tenente-Coronel Castello Branco, Chefe da Seção de Operações da Força Expedicionária Brasileira (FEB), profetizava a envergadura do feito militar empreendido em solo italiano pelos nossos inesquecíveis pracinhas. (Extraído da página do Exército Brasileiro na Internet)

Hoje, 21 de fevereiro de 2021, comemora-se na História do Brasil os 76 anos uma das intervenções mais destacadas dos feitos militares de nosso país: A Tomada de Monte Castelo na 2ª Guerra Mundial pela Força Expedicionária Brasileira (FEB).

Não vou, nem de longe, contar as histórias sobre Monte Castello. Há uma farta bibliografia e muitos links no Google  sobre o assunto (clique aqui). Quero, tão somente, registrar a data, parte da nossa História e buscar que as gerações que não conhecem, possam se informar um pouco sobre essa corajosa e importante participação dos soldados e oficiais brasileiros na luta contra o nazismo alemão na 2ª Guerra Mundial em terras da Itália ocupada pelos alemães.

Reproduzo abaixo o início da página da Wikipedia sobre a "Batalha de Monte Castello":

  • "A Batalha de Monte Castello foi travada ao final da Segunda Guerra Mundial, entre as tropas aliadas e as forças do Exército Alemão, que tentavam conter o seu avanço no Norte da Itália. A batalha marcou a presença da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no conflito. A batalha arrastou-se por três meses, de 24 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945, durante os quais se efetuaram seis ataques, com grande número de baixas brasileiras devido a vários fatores. Quatro dos ataques não tiveram êxito, por falhas de estratégia, mas a batalha chegou a seu fim em 21 de fevereiro de 1945 com a vitória dos aliados, a derrota dos alemães e a tomada de Monte Castello por tropas brasileiras"
Anexei dois excelentes vídeos ao post (um deles, inclusive é de origem espanhola) sobre a presença e os duros combates que os pracinhas brasileiros travaram com os alemães, durante quatro dias, até tomar a estratégica posição em Monte Castello.


A conquista do Monte Castello



BRASILEIROS NA 2ª GUERRA 🇧🇷 A FEB NA ITÁLIA 🐍[Legendas em português]



17 de fev. de 2021

“O Poder do Porteiro” – Já foi vítima ou a mosca azul lhe visitou?



“O Poder do Porteiro” 

Ao tempo da minha trajetória de gerente tive a oportunidade de, por diversas ocasiões, observar - no mundo das corporações - o (falso) poder das posições de comando, aplicado com atitudes pequenas, injustiças e ações pouco dignas, por parte de quem os exercia.

Ao longo da carreira  - não sem ser tocado também - fui tomando consciência de como era comum a existência, nas corporações, de presidentes, gerentes, diretores, chefes de setores e até de funções menores, que não estavam preparados para exerce-las e mesmo assim estavam lá, sentados nas mesas de direção ou atrás de um guichê. Inevitavelmente, essas pessoas praticavam - umas eventualmente, outras habitualmente - o que resolvi chamar de “Poder do Porteiro”. 

Utilizo a expressão como ilustração, obviamente sem nenhum demérito ou preconceito em relação aos porteiros, mas para caracterizar a utilização de um cargo – seja em que nível for – para barrar, sem justificativas plausíveis as demandas legítimas e triviais de subordinados ou dependentes.

Já vi acontecer negativas “gratuitas" a pedidos legítimos – realização de um mestrado, por exemplo; ou impedindo uma viagem ao exterior para participar de cursos ou eventos técnicos – simplesmente para demonstrar poder ou porque “não estava no dia de aprovar nada”. Isso mesmo! Já vi essa versão do “poder do porteiro”.

A figura da metáfora que visualizo é a daquele porteiro que, no tumulto da entrada de um evento, onde não se exigem convites, utiliza seu poder exclusivo e naquele momento único, para barrar quem quer e “escolher” quem entra no recinto do qual ele está encarregado de cuidar do acesso. Faz suas escolhas pela sua falta de empatia com o barrado, pela fisionomia, pela roupa... e não tem conversa, não tem argumento que o convença. Naquele momento  glorioso, ele é o todo poderoso e sua palavra é definitiva e sumária. Quem nunca viu isto ocorrer?

No casos das organizações - administração pública principalmente - esse "porteiro",  que tem um dever a cumprir considerando mérito,  imparcialidade e circunstância e é pago para isso, denigre seu trabalho deixa-se corromper às vezes pelos simples deleite de exercer o "prazer de mandar". 

O “poder do porteiro” fica caracterizado pela sua irrelevância e pelo mero uso da faculdade de decidir contra quando todas as regras e circunstâncias indicam que poderia  simplesmente decidir a favor.

Fui buscar algo sobre o tema no Google e descobri que a ciência da psicologia trata dessa questão sob a denominação de “Síndrome do Pequeno Poder”. Existem diversos outros links no Google sobre o tema.

Quem não terá sido vítima deste mau comportamento corporativo? Ou quem não terá aplicado, no exercício de uma função de mando, o “poder do porteiro”? A utilização repetida dessa atitude indica que a pessoa tem sérios problemas psicológicos e ,provavelmente, sofre da síndrome. O famoso “tapa na mesa” em reuniões, como hábito, é uma ótima ilustração, exemplar, dos executivos que precisam demonstrar seu poder de porteiro em situações banais e corriqueiras.

Particularmente utilizo a expressão “uso dos pequenos e podres poderes” quando essa é uma conduta habitual e se refere a casos de pequena expressão. A caracterização do Poder do Porteiro, na essência, será sempre a de uma decisão contra algo - de qualquer importância - que poderia, sem prejuízo para ninguém, ter sido favorável. 

Ninguém está livre de ser  "contaminado"  pelo Poder do Porteiro.  Eu mesmo já estive nesse grupo, mas consegui sair muito cedo e passei a  identificar casos e  procurar ajudar amigos e colegas que estavam sendo  afetados. Não foram poucos...

Clique aqui  para ter acesso a um excelente artigo sobre a síndrome do pequeno poder. 


13 de fev. de 2021

Empregados reconhecidos como "talentos" nas empresas, o que fazer com eles?


Interessante o artigo abaixo que transcrevi do site da HSM Recursos Humanos. Ele aborda um assunto que é pouco explorado entre os escritores e articulistas de temas corporativos. Refiro-me à existência das chamadas “estrelas” da corporação, os executivos com talentos especiais e específicos. Aqueles profissionais com currículos muito valorizados, que fazem a diferença e conseguem efetivos resultados nas empresas onde se desenvolveram e em dado momento são procurados e contratados por empresas maiores.

O exemplo que me surge na memória é algo assim como quando o Faustão que trabalhava na TV Bandeirantes foi contratado para trabalhar na Rede Globo. Um upgrade e tanto na carreira do então apresentador de um programa meio anárquico na Band a quem foi entregue o "Domingão do Faustão" que é um dos mais rentáveis da Rede Globo e há muitos anos!

O artigo discorre sobre a palestra que Boris Groysberg apresentou no HSM Management de anos atrás (e se mantém atual) quando falou sobre o que chama de “talentos nas empresas”. Como e quando contratá-los? Como retê-los? Como integrá-los nas novas estruturas? 

Ele é um especialista nessa temática. Na sua página mantida na HarvardBusiness School é dito sobre ele:
  • Em particular, seu trabalho investiga como uma empresa pode ser sistemática na obtenção de uma vantagem competitiva sustentável, aproveitando os seus empregados. Em uma série de artigos relacionados, ele examina como as empresas se desenvolvem, contratam, conseguem reter e utilizar os conhecimentos dos seus empregados tidos como “estrelas”. Centrando-se sobre o desempenho desses profissionais altamente qualificados, a pesquisa contribuiu para a teoria do capital humano, a teoria da alocação de talentos, a teoria da concorrência no mercado de trabalho e estudos de gestão de pesquisa humanos.”
Vejam algumas frases e pensamentos de Groysberg expressados em  seu livro "Perseguindo Estrelas":

  • Somos fascinados por talentos e em qualquer tempo eles serão cada vez mais escassos.
  • O Brasil está exportando gerentes para outros países. Há muito mais empresas aqui pensando em contratar estrelas do que em qualquer outro lugar do mundo.
  • Algumas das melhores pessoas que trabalham para você são alvo para seus concorrentes.
  • A integração natural é aquela em que naturalmente ninguém faz nada. As estrelas precisam de assessoria para se integrar aos sistemas.


  • Você precisa desenvolver as pessoas de maneira estratégica na empresa.
  • Será que uma estrela que trabalha na GE continua sendo uma estrela trabalhando na Siemens?
  • Temos dois tipos de capital humano: o transferível e o não transferível, que são a maioria, e a maior parte de nós superestima este capital humano.
  • Não tenha medo de arriscar com os talentos de empresas que considera piores que as suas.
  • Para ter sucesso, você precisa se basear muito mais nos relacionamentos fora da empresa do que dentro dela.
  • Não sobrecarregue o seu pessoal. É tênue a linha que separa uma missão desafiante de uma missão que esmaga o indivíduo.”
  • Um estudo feito com mais de mil estrelas revelou que aquelas que mudam de empresa sofrem uma grande queda de desempenho e levam cerca de cinco anos para se reajustar. “Por que isso acontece? Porque tomamos decisões muito rápidas na troca de empresa. Precisamos passar mais tempo analisando uma empresa antes de abandonar a outra”, conclui.
Recomendo a leitura do artigo e principalmente uma discussão em grupo sobre o assunto. Vocês não vão encontrar muita bibliografia (ainda) focada sobre a existência e as relações das empresas com seus talentos e vice-versa.


Clique aqui e visite o portal

O mito do talento


Boris Groysberg chamou a atenção para a seleção de talentos para a empresa; candidatos que vêm de empresas piores têm mais chances de surpreender positivamente

“Não tenha medo de arriscar com os talentos de empresas que considera piores que as suas”.
Sob essa afirmação, Boris Groysberg explica que uma das razões é a grande capacidade de relacionamento e normalmente o fato de levarem suas equipes junto.

“Quando você muda, você desloca pessoas, altera relacionamentos e ameaça a confiança. Essas estrelas que levam capital intelectual junto têm mais possibilidades de se sair bem do que as estrelas solo”, pondera.
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Concorrência
Para Groysberg, quando se contrata uma estrela da concorrência, em muitos casos a empresa não permite que ela tenha sucesso na sua função, o que significa que nem sempre alguém que foi sucesso em outra empresa pode apresentar alto desempenho na sua.
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“Muitas empresas não fazem nada para integrar suas mentes mais brilhantes”, chama a atenção. “Existe uma grande empresa que cada vez que contrata alguém, marca um almoço mensal durante 12 meses com o presidente. Neste período, essas pessoas têm dificuldades e precisam ser ouvidas”.
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Para o especialista, a integração não é um evento único, é um conjunto de processos. “É preciso pensar com estratégia para isso. Nós recrutamos e selecionamos mal, mas a grande e maior falha está no processo de integração”.
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Dinâmicas de Gênero
E por que as estrelas mulheres têm melhores resultados com as mudanças? Groysberg explica que há dois motivos para isso: “se você é uma mulher de sucesso, você é uma sobrevivente e já é muito boa”.
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“Para ter sucesso, você precisa se basear muito mais nos relacionamentos fora da empresa do que dentro dela”. A segunda razão é que as mulheres pensam muito mais no próximo empregador do que os homens.
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“Os homens pensam mais no salário, enquanto as mulheres pensam mais a fundo na outra empresa, como cultura organizacional, equipe, entre outros”. Ele ressalta que as mulheres pensam mais em garantir que as empresa se encaixem nas suas aspirações, e é por isso que são mais assertivas.
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De dentro ou de fora?
Groysberg chama atenção para cargos mais transferíveis, o que pode facilitar as contratações das empresas. “Cargos com portabilidade, como diretoria financeira, podem ser contratados de fora, e cargos sem portabilidade não. É preciso ter muito cuidado ao contratar pessoas de fora”.
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Para ele, 66% das estrelas que são contratadas já estarão em outras empresas.
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“Não é uma estratégia de longo prazo. Por isso, não subestime ainda o alto custo de só contratar pessoas de fora. É preciso desenvolver internamente e é muito difícil ter uma cultura unificada só contratando gente de fora”.
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Groysberg finaliza deixando uma lista com os principais erros cometidos na busca e na contratação de novos desafios:
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Para as estrelas: 5 maneiras de pôr a perder uma mudança de emprego
• Não pesquisar o suficiente;
• Partir por causa de dinheiro;
• Mudar-se “de” em vez de “para”;
• Superestimar-se;
• Pensar só no curto prazo.
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Empresas: Um processo completo de ponta a ponta
• Anteveja suas necessidades;
• Especifique o cargo;
• Forme o pool;
• Avalie os candidatos;
• Sele o acordo;
• Integre o novato;
• Realize auditorias e revisões.


9 de fev. de 2021

Mémória, não descuide dela. É uma ferramenta poderosa no mundo corporativo.

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Quem nunca teve aqueles pequenos lapsos de memória que nos traem de vez em quando e nas piores horas? Esses, se é que existem que atirem a primeira pedra. Por isso mesmo quando bati o olho nessa reportagem da revista Saúde não tive dúvidas em compartilhá-la com os amigos e visitantes do blog.

Nas funções que exercemos ao longo da vida, principalmente em posições de gerência, a memória é uma ferramenta  importante, magnífica e notável. Com certeza é um instrumento que apoia o exercício da autoridade por quem a tem e usa de forma eficiente e eficaz.

Homens e mulheres com o "dom da memória" são mais respeitados, reconhecidos e principalmente requisitados. E quanto mais memória têm mais poder exercem. Dai a importância de saber tudo que for possível sobre ela. Embora não seja um tópico dos mais conhecidos na medicina e na ciência sabe-se o bastante para que todos procurem preservá-la como um tesouro da saúde. 

Alguém sem memória respeitável é um marginal na sociedade. Passa a ser desconsiderado e desvalorizado no mundo corporativo. E por favor, não me venham dizer que estou exagerando ou sendo rigoroso nessas afirmações.

O artigo da revista Saúde, traz sete dicas valiosas sobre o assunto e principalmente uma série de informações colaterais que todos devemos conhecer.

Dois pequenos trechos para despertar a curiosidade da leitura:
  • [...] "Um dos caminhos mais indiscutíveis para manter as recordações intactas é ler e estudar. "A memória mantém-se graças ao uso. E a leitura é uma forma de exercitá-la. Quem não tem esse hábito apresenta maior probabilidade de desenvolver problemas cognitivos no futuro" [...]
  • [...] "A tristeza que não tem hora nem dia para chegar ao fim acelera o apagão mental. "O indivíduo deprimido começa a dar ênfase às recordações ruins", explica Ivan Izquierdo. Além disso, hormônios como serotonina e noradrelina, envolvidos na química do lembrar, deixam de atuar como deveriam." [...]

7 atitudes para não perder a memória
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Telefones, endereços, datas de aniversário, senhas... Somos obrigados a registrar um número cada vez maior de dados. Confira como algumas ações podem turbinar nossa capacidade de recordar os fatos. (por Manoel Gomes) • (design e ilustração Ana Paula Megda)

A americana Jill Price, 45 anos, não é uma pessoa comum. Assim como um super-herói, ela nasceu com uma habilidade mais do que especial: a de se lembrar de tudo que acontece na sua vida desde que tinha 14 anos. E, quando diz que se recorda de todos os fatos, ela está falando desde o que comeu durante o café da manhã, passando pelas principais manchetes do dia, até chegar às pessoas com quem conversou antes de dormir.

Quem pensa que Jill gosta desse seu poder fora do normal está redondamente enganado: ela nunca teve o direito de se esquecer das brigas e dos erros que cometeu. Depois de algum tempo convivendo com esse problema, resolveu procurar especialistas da Universidade da Califórnia, que, deparando-se com uma doença totalmente inédita, começaram a estudá-la e batizaram- na de síndrome hipertiméstica.

Esse é um lado muito raro da moeda. A outra face, essa sim bem conhecida, são as falhas na memória, ou aqueles momentos em que você simplesmente não se lembra mais de uma informação que procura em seu arquivo cerebral. E, quando a idade avança, esses brancos se tornam mais frequentes. Porém, pesquisas recentes conseguem encontrar maneiras de proteger as recordações e atrasar os famosos lapsos que acontecem vez ou outra — ou até mesmo acabar com eles. Para preveni-los, é preciso começar bem cedo: quanto antes a gente adotar esse manual, maiores são as chances de escapar desse perrengue.

Um estudo da Universidade da Califórnia, a mesma que acompanha a trajetória de Jill, constata que mais da metade dos casos de Alzheimer, doença que apaga as lembranças, poderia ser evitada com atitudes simples. Além disso, deletar um desses sete fatores do dia a dia já seria capaz de diminuir em 25% o risco de desenvolver o mal dos anos grisalhos. Veja a seguir nossas recomendações.

1. Exercitar o cérebro

http://3.bp.blogspot.com/-CeNc8TYTyDw/TvN7LG11ELI/AAAAAAAAAcI/UPnLMCoqW6g/s1600/gin%25C3%25A1stica%2Bcerebral.pngUm dos caminhos mais indiscutíveis para manter as recordações intactas é ler e estudar. "A memória mantém-se graças ao uso. E a leitura é uma forma de exercitá-la. Quem não tem esse hábito apresenta maior probabilidade de desenvolver problemas cognitivos no futuro", garante o neurocientista Ivan Izquierdo, diretor do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Indivíduos que passam mais tempo na escola ficam com a mente blindada. Nessa gente, o cérebro guarda mais informações e consegue lidar melhor com uma eventual perda de neurônios, o que é bastante natural com o passar do tempo. De acordo com a pesquisa da Universidade da Califórnia, 19% dos casos de Alzheimer acontecem em razão do combo pouca leitura e aprendizado escasso. "Ler massageia a memória e é um grande exercício intelectual", completa Izquierdo.

2. Malhar

O exercício tem um impacto positivo incontestável no nosso organismo. E, para nossa capacidade de recordar continuar a toda, ele é mais do que um aliado. Principalmente porque tem uma ação direta no nosso grande HD. "Fazer algum esporte aumenta o número de neurônios no hipocampo, região responsável por armazenar a memória", atesta a neurologista Sônia Brucki, do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia, em São Paulo. Andar, correr, pedalar ou nadar também contribui para diminuir riscos cardiovasculares e faz com que o praticante adote um estilo de vida mais saudável. Além disso, a atividade física catapulta os níveis de uma substância conhecida como neurotrofina. "Ela é produzida pelo sistema nervoso central e reduz a morte programada de neurônios", explica o neurologista Mauro Muszkat, coordenador do Núcleo de Atendimento de Neuropsicologia Infantil Interdisciplinar da Universidade Federal de São Paulo. Esse protetor natural também estende a longevidade das células nervosas, um ponto positivo para salvar nossos arquivos mais do que pessoais.

3. Domar o diabete

Prevenir a doença do sangue doce pode trazer benefícios que vão além de preservar a memória. É sabido que pessoas com sobrepeso correm mais risco de desenvolver o tipo 2 do mal, que gera resistência à insulina, o hormônio responsável por colocar a glicose para dentro das células. Sem ela, o corpo acaba sem energia para trabalhar e se manter ativo. Daí, com a ausência de combustível para a labuta, os neurônios ficam fracos, fracos, o que pode resultar em lembranças deletadas. Por isso a necessidade de manter a glicemia dentro dos conformes.

4. Parar de fumar

Entre outros distúrbios, o tabaco também pode afetar a forma como guardamos os fatos. Quem fuma fica mais suscetível a desenvolver problemas no sistema circulatório, como a aterosclerose. Nessa doença, as artérias sofrem uma inflamação e, com isso, placas de gordura grudam em suas paredes. Com o andar da carruagem, elas se calcificam, diminuindo o calibre dos vasos. Dessa forma, o cérebro recebe menos sangue e uma menor quantidade de oxigênio e nutrientes. O coitado, então, pena para desempenhar suas funções, como a de lembrar. "O cigarro também é produtor de neurotoxinas e radicais livres que causam danos aos neurônios", acrescenta o gerontólogo Ivan Aprahamian, pesquisador do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

5. Perder ou manter o peso
Para aqueles que estão com as medidas ideais, ficar de bem com a balança é a pedida certa. Já para as pessoas que estão exagerando à mesa, maneirar na comida também pode melhorar, em longo prazo, a sua capacidade de não esquecer. Para ajudar nesse processo, alguns pratos são indicados pelos especialistas. "Alimentos ricos em vitaminas e compostos antioxidantes são importantes para preservar a memória", garante Ivan Aprahamian. Entre as mais indicadas estão verduras, frutas e legumes. A carne de peixe, as frutas secas, o azeite de oliva e o vinho tinto também são uma boa opção. Além disso, comidas saudáveis são importantes no controle do colesterol e, claro, para o funcionamento de nosso coração. Indivíduos com quilos a mais desenvolvem resistência à leptina, uma substância que é fabricada no tecido adiposo e que tem como principal função informar ao nosso organismo se precisamos comer mais. Essa substância tem outra incumbência: proteger os neurônios e processar as lembranças no hipocampo. Se esse hormônio não trabalha direito, o esquecimento passa a ser uma palavra constante no linguajar dos sedentários.

6. Controlar a pressão

A hipertensão não só fustiga o peito: ela, mesmo que indiretamente, passa a borracha nas rememorações mais íntimas. O estrago se assemelha ao do cigarro. "As alterações vasculares diminuem o fluxo sanguíneo, o que acarreta menos oxigênio e nutrientes para as células responsáveis pela memorização", explica Sônia Brucki. Por isso, monitorar e sempre manter a pressão arterial no patamar de 12 por 8, recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia, também auxilia a resguardar a massa cinzenta.

7. Fugir da depressão

http://eduardocarvalho.net/wp-content/uploads/2011/10/depressao-quadrinho.gifA tristeza que não tem hora nem dia para chegar ao fim acelera o apagão mental. "O indivíduo deprimido começa a dar ênfase às recordações ruins", explica Ivan Izquierdo. Além disso, hormônios como serotonina e noradrelina, envolvidos na química do lembrar, deixam de atuar como deveriam. "Pode acontecer uma queda de estimuladores da memória no cérebro e, em algumas pessoas, o encolhimento do hipocampo, local onde ela se concentra", avalia Ivan Aprahamian. Também ocorre uma diminuição da neurogênese, quando surgem células nervosas zero-quilômetro. Por fim, a importância que o depressivo dá ao esquecimento pode piorar ainda mais o panorama. "Muitas vezes, há supervalorização de uma reles falha de memória", diz Sônia Brucki. E, como em um efeito cascata, isso só fomenta mais e mais lapsos.

O Google e nossas lembranças

O acesso à internet mudou a forma como armazenamos informações, segundo um estudo da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. É que a facilidade de pescar qualquer tipo de dado na rede de bits e bytes faz com que nosso cérebro se torne mais preguiçoso. Em vez de reter o nome de um artista, por exemplo, a massa cinzenta tende a memorizar o endereço do popular site de busca onde é possível fisgar essa e outros milhares de curiosidades.

Não se esqueça!

- As estimativas sugerem que o número de casos de Alzheimer triplicará nos próximos 40 anos — hoje, 33,9 milhões de pessoas no mundo têm o problema, uma das formas mais comuns de perda de memória
- Adultos com sobrepeso tendem a desenvolver, na maturidade, problemas cognitivos com maior frequência


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