segunda-feira, 27 de junho de 2022

Impresso ou Imprimido... Qual a forma correta?





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Impresso x Imprimido – qual a forma correta?

Tanto impresso quanto imprimido são termos que existem na língua portuguesa. As duas palavras são formas possíveis do particípio do verbo imprimir. Neste artigo, vou explicar melhor essa situação e mostrar quando usar cada uma das grafias. Vejamos!

Verbos abundantes

Imprimir é um verbo abundante. Os gramáticos Celso Cunha e Lindley Cintra detalham melhor essa classificação:

São chamados de abundantes os verbos que possuem duas ou mais formas equivalentes. […] Na quase totalidade dos casos, essa abundância ocorre apenas no particípio.

 

Os professores explicam que, nesses casos, o verbo apresenta dois particípios: um regular (em geral, mais comprido) e outro irregular (mais curto). Veja alguns exemplos:

·         Imprimir – Imprimido (regular) x Impresso (irregular);

·         Expulsar – Expulsado (regular) x Expulso (irregular);

·         Eleger – Elegido (regular) x Eleito (irregular);

·         Benzer – Benzido (regular) x Bento (irregular);

·         Exprimir – Exprimido (regular) x Expresso (irregular).

Quando usar imprimido?

Cunha e Cintra ensinam que devemos usar o particípio regular na constituição de tempos compostos da voz ativa acompanhados dos verbos ter e haver.

Ex: Eu tinha imprimido meu trabalho hoje pela manhã.

Ex: Marta havia imprimido todas as páginas do livro.

Quando usar impresso?

Já o particípio irregular, segundo os gramáticos citados, deve ser utilizado, de preferência, na voz passiva com o verbo ser.

Ex: O livro foi impresso em páginas envelhecidas.

Observação

Cintra e Cunha destacam que, quando usamos o verbo imprimir no sentido de “produzir movimento” ou “infundir”, somente é permitido o uso do particípio regular (imprimido), independentemente de a frase estar na voz ativa ou passiva.

Ex: Foi imprimida enorme velocidade no carro.

Ex: Com a crise, foi imprimido um movimento de mudança na sociedade

Substantivo e adjetivo

Segundo as gramáticas Pilar Vázquez Cuesta e Maria Albertina Mendes da Luz, os particípios irregulares podem ser usados como adjetivo e substantivo. É o que ocorre com o termo impresso.

Nesses casos, é possível haver variação de gênero e de número. Veja:

Ex: Aquilo estava escrito em papeis impressos. (adjetivo)

Ex: O texto estava escrito em folhas impressas. (adjetivo)

Ex: Os impressos foram enviados para a editora. (substantivo)








domingo, 19 de junho de 2022

Você não vai morar em Marte... cuide da Terra!

 



Trago ao blog o luxo de um artigo de Hélio Schwartsman. Por que digo isso? Porque o colunista - na minha opinião - é o mais culto e completo que conheço, atualmente, na imprensa escrita brasileira.

Seus artigos, na Folha de São Paulo, são todos de altíssimo nível, seja no estilo, seja na diversidade de temas. Cada texto é uma dose de conhecimento e de cultura. Admiro muito o trabalho dele.

Nem sempre seus artigos cabem no blog. Diria que na maioria são textos fora do "core business" da Oficina de Gerência. Quando encontro algum logo aproveito a oportunidade. É caso deste.

Com uma abordagem diferente, o texto nos direciona ver a questão da sobrevivência do planeta terra fora dos parâmetros tradicionais de proteção ao meio ambiente (clima, poluição, explorações predatórias...).

Com base em um livro recente de Vaclav Smil, Schwartsman chama a atenção para um tema mais relevante ainda e que na opinião do autor será muito mais perigoso para a população do planeta Terra.

É um texto curtinho, mas que levará o leitor a pensar diferente sobre o que nos espera no futuro da humanidade.

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"How the World Really Works" ("Como o mundo realmente funciona), de Vaclav Smil, pode ser descrito como um destruidor de mitos. Valendo-se da boa e velha aritmética e de valiosos esclarecimentos sobre como suprimos nossas necessidades básicas, o autor traça um panorama realista dos desafios que temos pela frente.

Mudança climática, poluição e superexploração de recursos naturais são problemas graves, que cobram ações de todos nós, mas é precipitado afirmar que o fim do planeta ou da civilização esteja próximo. Não há risco, por exemplo, de o oxigênio da Terra acabar, como já sugeriu um presidente. Já água e comida são uma preocupação, mas não em relação à produção e sim à distribuição. Temos esses dois recursos em quantidades suficientes, mas os gerenciamos muito mal. Um terço dos alimentos produzidos estraga sem ser consumido.

A ilustração de Annette Schwartsman, publicada na Folha de São Paulo no dia 12 de junho de 2022, mostra um par de mãos semifechadas, uma diante da outra, que formam, com os dedos, um coração; no meio deste coração, em segundo plano, se vê o planeta Terra.
Ilustração de Annette Schwartsman para a coluna de Hélio Schwartsman, publicada na Folha neste domingo (12 de junho) - Annette Schwartsman

O aquecimento global é uma realidade e vai ser difícil limitá-lo aos 2°C. O problema é que somos uma civilização de combustíveis fósseis e livrar-nos deles é uma tarefa de séculos, não de anos nem de décadas. Nós provavelmente avançaremos de forma rápida para tecnologias sustentáveis na produção de eletricidade e transportes, mas isso é só parte da conta.

Os fertilizantes, indispensáveis para alimentar os 8 bilhões de humanos que habitam o planeta, e aço, cimento e plásticos, que dão a base material para nossa civilização, encapsulam enormes quantidades de carbono. E, se quisermos ser minimamente justos, isto é, estender aos bilhões de terrestres que ainda vivem na pobreza níveis de conforto semelhantes aos experimentados pelos habitantes de países ricos, então precisaremos produzir muito mais. Ao contrário da eletricidade, não há à vista nenhuma tecnologia sustentável para substituí-los.

E, como lembra Smil, contrapondo-se aos defensores de soluções mirabolantes, é da Terra que precisamos cuidar; nenhuma das pessoas que está lendo estas linhas vai se mudar para Marte.


sábado, 4 de junho de 2022

Sucesso nos negócios - quer algumas dicas? (revista Exame)

Bill Gates

 

Confesso que um dos meus "tocs" preferidos (e tenho alguns) é descobrir - onde quer que estejam - bons artigos, de revistas e publicações especializadas, sobre assuntos que possam interessar aos leitores da "Oficina de Gerência". Tenho uma expressiva coleção deles, aguardando oportunidades de publicação.

Este é um deles. O artigo, da jornalista Isabel Rocha (Exame) foi publicado recentemente pela revista e traz alguns conselhos de empreendedores de sucesso sobre como fizeram para seus negócios darem certo. 

Pessoalmente não gosto muito desses textos tipo "receita de bolo" com dicas óbvias para isso ou aquilo dar certo. Todavia essa matéria, além de ter sido produzida por uma jornalista especializada (clique aqui) está muito bem escrito e ilustrado. 

Para quem seja empreendedor ou pretende sê-lo ou mesmo os apaixonados e interessados nos temas de liderança e gestão, recomendo que usem esses poucos minutos de seu tempo e conheçam o texto. Boa leitura.



Os segredos de grandes empreendedores para ter sucesso nos negócios (por Isabel Rocha)

Busca por autonomia, ideias inovadoras, desejo de contribuir com a sociedade ou pura necessidade: seja qual for o motivo, o fato é que os brasileiros estão empreendendo mais.

De acordo com a última edição do boletim Mapa das Empresas do Ministério da Economia, embora mais de 484 mil empresas tenham fechado as portas no segundo quadrimestre do ano passado, outras 1.420.782 foram abertas — o que representa um saldo positivo de 936.229 durante o período. O número também é o maior da série histórica, iniciada em 2011, e 26,5% maior do que o observado no mesmo período de 2020. Veja no gráfico abaixo.

Histórico de abertura e fechamento de empresas no segundo quadrimestre (de 2011 a 2021) (Boletim Mapa das Empresas - 2º quadrimestre de 2021/Reprodução)

 

Os números são animadores e ajudam a comprovar a escalada do empreendedorismo no Brasil. Mas, ainda assim, não há como negar que abrir e gerenciar sua própria empresa pode ser um processo bastante desafiador.

Para quem está começando, olhar para os erros e acertos de outros empreendedores é uma maneira de aperfeiçoar estratégias, evitar erros e adquirir conhecimentos importantes.

“Costumo dizer que o empreendedorismo pode ser um caminho asfaltado e com luz. Alguém que já passou por esse caminho, que antes era cheio de pedras e escuro, pode te ajudar compartilhando a experiência para que você adote soluções mais simples”, afirmou Carol Paiffer, CEO da Atom (ATOM3) e jurada do Shark Tank Brasil em entrevista à EXAME.

Pensando nisso, separamos, abaixo, algumas dicas de grandes nomes do empreendedorismo para ter sucesso nessa trajetória. Confira.

1. Seja flexível

A biografia de grandes empreendedores prova que adversidades fazem parte do caminho e que muito de seu sucesso está relacionado justamente à capacidade de contornar os obstáculos.

Não à toa, a capacidade de se adaptar e estar disposto a testar novas possibilidades já foi citada como uma das habilidades imprescindíveis para quem deseja empreender por ninguém menos que Jeff Bezos.

“Se você não for flexível, você vai bater sua cabeça contra a parede e não vai ver uma solução diferente para um problema que você está tentando resolver", afirmou o fundador da Amazon.

2. Fique de olho nas finanças

Em uma coluna publicada na EXAME, a empreendedora e especialista em finanças Nathália Arcuri discorreu sobre a importância de um bom planejamento financeiro para que sua empresa possa enfrentar períodos de crise.

“Se nós, empreendedoras e empreendedores, vivemos em um mundo incerto, volátil e caótico, que tal preparar nosso barquinho para pescar na próxima tormenta em vez de sermos engolidos por ela? Ela vai vir, pode ter certeza. E é por isso que, como dona ou dono do seu negócio, você precisa estar de olho no caixa”, escreveu.

De fato, fazer um bom acompanhamento das finanças empresariais é indispensável para manter a operação em tempos de dificuldades — e também para identificar os momentos que favorecem a realização de novos investimentos no negócio. Nesse sentido, ferramentas que auxiliam na gestão financeira podem ser grandes aliadas dos empreendedores.

3. Mantenha-se curioso

Em um mundo em constante transformação, a habilidade de continuar aprendendo é outro diferencial importante para quem busca o sucesso no mundo dos negócios.

“Para o estudante curioso, essa é a melhor época, pois sua capacidade de constantemente refrescar seu conhecimento com podcasts ou aulas online é melhor do que nunca”, disse Bill Gates em 2019. Para o cofundador da Microsoft, aqueles que estão em constante processo de aprendizado, também estão caminhando para transformar seus sonhos em realidade.

4. Preste atenção nos clientes

Outro aprendizado trazido por Gates tem a ver com a experiência do cliente. “Seus clientes mais insatisfeitos são sua maior fonte de aprendizado”, disse o empresário certa vez.

Incentivo ao engajamento nas redes sociais, pesquisas de NPS (sigla em inglês para Net Promoter Score) e um SAC 2.0 bem realizado são apenas algumas das ferramentas que as empresas podem utilizar para se aproximar do público, entender seus feedbacks e aprimorar produtos e serviços. 

  • Para ler a matéria no formato original da revista Exame clique aqui