27 de abr. de 2020

Mercedes Sosa (La Negra) encanta com Gracias a La Vida

Violeta Parra pode ser considerada a mãe da canção comprometida com a luta dos oprimidos e explorados, tendo sido autora de páginas inapagáveis, como a canção "Volver a los 17", que mereceu uma antológica gravação de Milton Nascimento e Mercedes Sosa. Outra de suas canções, "La Carta", cantada em momentos de enorme comoção revolucionária, nas barricadas e nas ocupações, tem entre os seus versos o que diz "Os famintos pedem pão; chumbo lhes dá a polícia". 

Mas suas canções não apenas são marcadas por versos demolidores contra toda a injustiça social. O lirismo dos versos de canções como "Gracias a la vida" (gravada também por Elis Regina) embalou o ânimo de gerações de revolucionários latino-americanos em momentos em que a vida era questionada nos seus limites mais básicos, assim como a letra comovedora de "Rin de Angelito", quando descreve a morte de um bebê pobre: "No seu bercinho de terra um sino vai te embalar, enquanto a chuva te limpará a carinha na manhã". [texto extraído da Wikipédia na página dedicada a Violeta Parra]



<![endif]-->Uma das canções mais famosas da lendária artista chilena - Gracias a La Vida - foi, ainda é e o será por muitos anos um dos maiores sucessos de outra intérprete não menos famosa da música engajada nos movimentos políticos da América do Sul. Falo de Mercedes Sosa, "La Negra". Extraordinária artista argentina que ganhou a cidadania latino-americana pelo seu carisma e seu canto que expressava o sofrimento de todas as minorias oprimidas.
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Confesso sem constrangimento que simplesmente não consigo dominar a emoção ao ouvi-la cantando Gracias a La Vida

Coloquei dois vídeos no post. Ambos com ela cantando a mesma canção em dois períodos de sua vida. O primeiro vídeo foi gravado no melhor momento (1973) de La Negra ao interpretar essa canção que gravou em 1970 e popularizou a arte de Violeta Parra. Ali, como fica claro no vídeo, Mercedes Sosa estava no auge de sua energia e de seu prestígio e ainda longe dos últimos dias quando se apresentava - e cantou até a sua morte - já visivelmente consumida pela enfermidade que a atingiu duramente.  

No segundo vídeo, já no final de sua trajetória, ela canta com Joan Baez. Ainda com a voz firme, mas naturalmente já sentindo o peso da idade e da precária saúde. Coloquei também logo abaixo dos vídeos as letras em espanhol e a tradução em português. 

Ouçam e revivam a arte dessa cantante extraordinária que continua - mesmo após sua morte em 2009 - encantando e emocionando a todos com suas memoráveis interpretações.



Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me dio dos luceros,
Que cuando los abro,
Perfecto distingo
Lo negro del blanco,
Y en el alto cielo,
Su fondo estrellado.
Y en las multitudes,
El hombre que amo.

Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido,
Y el abecedario,
Con el las palabras,
Que pienso y declaro,
Madre, amigo, hermano,
Y luz alumbrando,
La ruta del alma,
De que estoy amando.

Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me ha dado la marcha,
De mis pies cansados,
Con ellos anduve,
Ciudades y charcos,
Playas y desiertos,
Montañas y llanos,
Y la casa tuya,
Tu calle y tu patio.

Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me dio el corazón,
Que agita su marco,
Cuando miro el fruto,
Del cerebro humano,
Cuando miro al bueno,
Tan lejos del malo,
Cuando miro el fondo,
De tus ojos claros.

Gracias a la vida,
Que me ha dado tanto,
Me ha dado la risa,
Y me ha dado el llanto,
Así yo distingo,
Dicha de quebranto,
Los dos materiales,
Que forman mi canto,
Y el canto de ustedes,
Que es el mismo canto.
Y el canto de todos,

Que es mi propio canto

Gracias a la vida,
Gracias a la vida.
Gracias a la vida,
Gracias a la vida.

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Graças À Vida

Graças à vida que me deu tanto
Me deu dois olhos que quando os abro
Distingo perfeitamente o preto do branco
E no alto céu seu fundo estrelado
E nas multidões o homem que eu amo
Graças à vida que me deu tanto
Me deu o som do alfabeto
E com ele as palavras que eu penso e declaro
Mãe amigo irmão
E luz iluminando, o caminho da alma de quem estou amando
Graças à vida que me deu tanto
Me deu a marcha de meus pés cansados
Com eles andei cidades e charcos
Praias e desertos, montanhas e planícies
E a casa sua, sua rua e seu pátio
Graças à vida que me deu tanto
Me deu o coração, que agita seu corpo
Quando olho o fruto do cérebro humano
Quando olho o bom tão longe do mal
Quando olho o fundo de seus olhos claros
Graças à vida que me deu tanto
Me deu o riso e me deu o pranto
Assim eu distingo fortuna de falência
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto
Graças à vida, graças à vida
Graças à vida, graças à vida


22 de abr. de 2020

O caça e o porta-aviões


http://www.aereo.jor.br/wp-content/uploads/2009/01/f-22-vem-foto-usaf.jpg

É comum, aos profissionais bem sucedidos e vivendo um momento de alta em suas carreiras, receberem propostas de empresas, normalmente concorrentes, à que esteja vinculado. Aconteceu comigo em certa ocasião mais especial (outras ocorreram também, mas não me atraíram). Esta, a que me refiro, pelo contrário era uma proposta daquelas chamadas "irrecusáveis".

Estava no auge da minha posição dentro do órgão público onde trabalhava; era gerente e tinha sob meu controle várias obras e contratos em andamento e tudo estava correndo bem, sob controle. Estava no topo. Vivendo um momento de sucesso. A remuneração, dentro da realidade da Administração Pública, era muito mais baixa do que a oferecida na iniciativa privada, mas isso não me limitava.

Uma determinada empresa de engenharia - porte médio - que conhecia e admirava o meu trabalho fez uma oferta para me contratar oferecendo mundos e fundos para que a aceitasse. Conversei muito com minha mulher, com vários amigos do trabalho, colegas e pessoas mais experientes (eu ainda era um "jovem executivo" na ocasião e não tinha ainda vivido experiência semelhante). Pensei seriamente e tomei a decisão de sair. Não estava seguro, mas a proposta era para mais que dobrar minha renda.

Após ter decidido, mas ainda sem haver comunicado formalmente aos meus superiores hierárquicos, conversei com um antigo conhecido que apenas passou na minha sala para "jogar conversa fora". Nem era um amigo. Apenas um colega engenheiro mais experiente e "rodado" no mundo corporativo.
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Depois de lhe falar sobre o assunto e dizer que estava de saída ele olhou para mim pensativo e disse-me uma frase que ele próprio ouvira de um ex-chefe, diante de situação semelhante que ele próprio vivera. Foi mais ou menos a seguinte:
  • "Você pode ser um caça de último modelo voando e disparando seus mísseis certeiros nas guerras, mas se não existir um grande porta-aviões para pousar após as missões vai seguramente ficar sem combustível e cair no mar apesar de todo o poderio bélico."
E mais não disse. Naquele momento mudei minha decisão e não sai mais da empresa onde estava. Desisti dos ganhos imediatos e objetivos e assumi as vantagens subjetivas. Fiz minha escolha, minha aposta no futuro. Entendi o recado e aprendi. Deu certo. Na sequência dos anos cheguei ao topo da carreira como diretor da empresa e durante muitos anos. Realmente a firma que me convidara não era um "porta aviões" e eu percebi que de "caça" poderia passar a "avião cargueiro", isso se não caísse no oceano antes... apesar da proposta ser - como disse antes – da proposta ser - como disse antes - irrecusável.
Como decidir se devo empreender ou seguir em um emprego? | EXAMEDirijo-me agora – principalmente - aos jovens profissionais e executivos que tenham tido a paciência de ler estas linhas até aqui. Transfiram tudo isso para suas próprias vidas. Saibam pesar, muito bem, quando as chamadas “oportunidades irrecusáveis” surgirem. Obviamente isto não é uma regra geral, mas também não é exceção..

Já vi, conheci alguns e soube de outros cases onde profissionais brilhantes e promissores se perderam no mar das nulidades por abandonarem a garantia de um "porta-aviões para pousar e reabastecer seu "caça" quando mudaram ("vantajosamente") de emprego. Enferrujaram, tornaram-se infelizes e passaram o resto da vida arrependidos por não terem tido a coragem (ou oportunidade?) da recusa; de terem dito NÃO! Pensem nisto.

21 de abr. de 2020

Na vida o "Ctrl + Z" e o "Backup" não existem, infelizmente.


O artigo abaixo é uma breve e interessante reflexão sobre as coisas que gostaríamos que existissem em nossas vidas a partir de uma analogia com as funcionalidades dos computadores e da informática. O autor, José Luis Bueno Blanco, é um empresário espanhol e autor de muitos e ótimos textos no blog do Grupo Finsi, já velho conhecido dos leitores da Oficina de Gerência. Clique aqui e conheça outros posts do grupo que transcrevi aqui no blog.

Clique no banner e conheça  excelente blog FINSI

https://www.linkedin.com/in/joseluisbueno
José Luis Blanco
Na vida não existe o Ctrl+Z

O autor o texto é o espanhol José Luis Blanco que vem a ser um dos criadores do Grupo Finsi. 
  
As pessoas são criaturas de costumes. Vamos lá! Nos acostumamos muito rapidamente a novas situações, especialmente se elas nos são favoráveis. E tem mais. Em seguida, perde-se a noção de que anteriormente as coisas aconteciam de outra forma. Inclusive chegamos a nos surpreender de "como pudemos viver sendo as coisas tão diferente das atuais", que uma vez tornadas costumes transformam-se em algo consuetudinário.


Isso é algo que nós que desenvolvemos aplicações, ferramentas ou software em geral vivemos no dia a dia. Aqui podemos usar o ditado "quando você vê o vizinho cortar as barbas coloque as suas de molho". Por exemplo, se o Facebook ou o Google utilizam uma forma fazer as coisas (inserir informações, visualizar conteúdos, etc.), é certo que os usuários vão começar a dizer "que o aplicativo deveria fazer tais e quais coisas em função do do que está sendo visto ...."

Dentro de todas estas características e "coisas a fazer", eu quero destacar o famoso "Ctrl + Z", ou seja, "desfazer" a ação anterior. Esta função nos dá a vida!. Cometo um erro, apago o meu erro e volto para o início. Existem ainda programas que permitem que você vá desfazendo os erros quase infinitamente para trás para chegar a um ponto distante, praticamente de onde você começou

Isso sim é uma ótima solução! Melhor que o arrependimento! Com o arrependimento só lamentamos o que aconteceu no passado, mas você não pode retornar ao ponto de partida. Ainda bem existem, felizmente, em certas relações e alguns erros situações em que um  pedido de desculpas serve como um Ctrl + Z, e as coisas ficam praticamente como eram antes de realizar a ação de "desfazer".

Similar à opção de desfazer, temos, entre os novos recursos que nos foram ensinadas pela informática, a opção para "restaurar arquivos a partir dos backups". "Olha, me confundi e deletei certos dados inadvertidamente e quero ver se é possível recuperá-los a partir do backup". Ah! O backup. Nem todas as ações que praticamos em nossas vidas são armazenadas em uma  cópia de segurança, um backup e no entanto, isso é algo que começa a se estabelecer como expectativa na sociedade humana.

Então que entre ser capaz de desfazer o que fazemos e além disso deixarmos tudo armazenado para recuperação quando quisermos, poderemos também caminhar bastante tranquilos pela vida. Ah! Se alguém tivesse inventado algo assim para a vida em geral quase se poderia dizer que estaríamos vivendo na sociedade como em Matrix?

 Hum! Eu começo a pensar que a não existência de um "Ctrl + Z" ou de um "Back-Up" para recuperar qualquer coisa do passado" também tem suas vantagens. Pelo menos assim fará sentido para a palavra "compromisso".