Setembro Amarelo

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quinta-feira, junho 24, 2021

Famoso discurso de Henrique V, antes da da Batalha de Azincourt (William Shakespeare)

À direita, a imagem do verdadeiro Rei Henrique V - À esquerda, o ator Keneth Branagh que interpretou o rei Henrique V, no filme de mesmo nome



Confesso minha paixão pela história antiga e suas grandes batalhas. Algumas delas são tão famosas  que vão além das crônicas e se transformam em livros, filmes e estudos acadêmicos (clique aqui e conheça algumas delas).

Existe uma, pela qual sou particularmente fascinado. É a "Batalha de Azincourt". (coloquei o link da Wikipédia em espanhol porquanto é mais completo que o link em português)
  • ''A Batalha de Azincourt (em inglêsAgincourt) foi uma batalha decisiva ocorrida na Guerra dos Cem Anos em 25 de outubro de 1415 (Dia de São Crispim), no norte da França. Resultou em uma das maiores vitórias inglesas durante a guerra. O local onde a luta aconteceu foi perto de Artois, em torno de 40 km ao sul de Calais (em Azincourt, no norte da França).''(Wikipédia)
A história da batalha destaca uma absoluta improbabilidade da vitória das forças inglesas, comandadas pelo próprio Rei Henrique V, sobre o exército francês comandado por Charles I D'Albret (condestável, em nome do Rei da França, que morreu na batalha). A diferença de forças era uma enormidade: 6 mil ingleses contra entre 20 mil e 30 mil franceses,

Não me atrevo a escrever sobre os muitos detalhes da batalha. Há um vasto material sobre ela no Google (70.700 links - clique aqui se tiver interesse). 

O meu interesse, trazido ao blog da Oficina de Gerência, está contido na famosa obra de William Shakespeare, sob o título Henrique V e no filme de mesmo nome, estrelado pelo magnifico ator inglês Kenneth Branagh

A fala de Henrique V ("Discurso do Dia de São Crispim") antes da batalha, para motivar seu exército - que estava em absurda minoria, exausto, faminto e maltrapilho - é um texto criado por Shakespeare em 1599, que se eternizou e passou para a história.

O "Discurso" é utilizado modernamente em cursos, estudos e similares que tratam de liderança motivacional; e o será "per omnia saeculo saeculorum" como exemplo perfeito e acabado da atitude de um líder forte e respeitado por seus comandados para motivá-los aos desafios impossíveis. E foi isso que certamente aconteceu, para que seis mil ingleses vencessem cerca de trinta mil franceses, num confronto direto, a céu aberto.

A apresentação do discurso traduzido foi extraída do blog da Professora Beatriz Becker . Ela publicou seu post no dia 25 de outubro de 2020, aniversário de seis séculos da Batalha de Azincourt.

Clique aqui e visite a home page do blog.

"Hoje é o dia de São Crispim e São Crispiniano. É também o aniversário da Batalha de Azincourt, a grande e milagrosa vitória dos britânicos liderados pelo Rei Henrique V contra os franceses, em 1415.

Na peça que Shakespeare escreveu sobre essa batalha, o ponto alto é o discurso que o rei faz logo antes da luta começar, e que é provavelmente o discurso mais famoso já escrito em inglês.

Em honra ao dia, compartilho com vocês a tradução que fiz desse discurso. (Não é o texto integral — segui o corte feito por Kenneth Branagh para seu filme Henrique V.)"

Contexto: o exército britânico está em solo francês. Depois de uma campanha malsucedida, estão tentando voltar para a Inglaterra, doentes e exaustos. Porém, são alcançados pelos franceses. Logo antes de começar a batalha, os nobres ingleses discutem entre si, comentando que o inimigo está descansado e bem, e em esmagadora superioridade numérica. E o primo do rei suspira que gostaria de ter ali nesse momento os homens que ficaram na Inglaterra fazendo nada. Mas o rei ouve e responde:

Encontrei este vídeo com a cena do filme Henrique V, quando 
o rei profere seu famoso discurso, na fantástica interpretação
de Kennet Branag, e em seguida parte para a batalha.

(Abaixo, a tradução do discurso, na peça de Shakespeare)

"Quem é que assim deseja?
Meu primo Westmoreland? Não, meu bom primo:
Se marcados p’ra morrer, bastamos nós
De perda à nossa pátria; se p’ra viver
Quão menos homens, maior quinhão de honra.
Por Deus! Não queiras, peço, mais um homem!
 
Antes proclama, Westmoreland, por minha hoste:
Quem não tem ânimo p’ra esta luta,
Pode partir; terá seu passaporte
E na bolsa moedas p’ra viagem:
Não queremos morrer na companhia
De quem tem medo de morrer conosco.
 
Este é o dia de São Crispiniano:
Quem sobrevivê-lo e voltar a casa salvo
Se erguerá bem alto ao ouvi-lo mencionado
Inflamado pelo nome Crispiniano.
Quem viver este dia e vir a sua velhice
Na véspera, a cada ano, dará festa a seus vizinhos
Dizendo: “Amanhã é São Crispiniano.”
Então erguendo a manga, mostrará suas cicatrizes
Dizendo: “Estas feridas recebi na São Crispim.”
 
Os velhos esquecem; mas tudo já esquecido
Ele lembrará sempre e muito bem,
Seus feitos neste dia; e então os nossos nomes,
Palavras em sua boca familiares,
Harry o Rei, Bedford e Exeter,
Warwick e Talbot, Salisbury e Gloucester
Serão lembrados em copas espumantes.
 
Esta história o pai contará a seu filho;
E Crispim e Crispiniano não há de passar,
Desde este dia até o fim do mundo,
Sem que nele sejamos nós lembrados;
Nós poucos, felizes poucos, bando de irmãos;
Pois quem verter o sangue hoje comigo
É meu irmão; e por plebeu que fôra
Este dia o há de enobrecer:
E os nobres na Inglaterra, que agora estão na cama —
Julgar-se-ão malditos que aqui não estiveram —
Sentindo-se menos homens do que o homem que disser
Que lutou conosco no dia de São Crispim."



Para quem tenha interesse em sobre liderança,
é imperdível clicar aqui e conhecer
a entrevista que o professor Jim Fisher, vice-diretor da
Rotman School of Management, de Toronto, Canadá concedeu
para Karen Christensen, da Rotman Magazine. partir
da Batalha de Azincourt e na peça de Shakespeare,
Henrique V, Há anos Jim Fisher utiliza a obra
Henrique V em suas aulas de Gestão. Recomendo.

Se clicar aqui vai conhecer o texto original
e completo, em inglês, da peça Henry V de Shakespeare,
exatamente no ponto onde o Rei faz o famoso discurso.










Quanto ganha o Elon Musk, da Tesla? E os outros 9 mais bem pagos da América? Veja aqui.

 


Navegando na Internet me deparei com uma informação que sempre despertou a minha curiosidade e acredito, também a de todos que, de uma forma ou de outra, têm interesse nas indiscrições, extravagâncias e notícias do mundo corporativo.

Quem não tem curiosidade de saber quanto ganha o Elon Musk (Tesla) e o Tim Cook (Apple)? Pois bem, vai saber agora. 

Além dos dois citados a informação abrange mais 8 dos CEOs com a maior remuneração da América, no ano passado (2020). Tudo isso está no post da AAAInovação, transcrito abaixo.

E para melhor ilustrar a matéria, há uma brevíssima biografia dos CEOs que estão nas 5 primeiras posições desse ranking. 

É muito dinheiro que essa turma ganha! Uau!


Conheça a home page do AAAInovação. Clique aqui

Conheça quem são os CEOs e Executivos mais bem pagos de 2020

Um levantamento feita pela Bloomberg Pay Index revela os CEOs e executivos mais bem pagos em empresas que enviam detalhes de remuneração como salário, bônus e benefícios aos reguladores dos EUA ano após ano. E também, incluem o valor das opções de ações concedidas e restritas que podem render recompensas no futuro. Os salários representam uma parcela da economia dos EUA, que estão perto de seu nível mais baixo desde que o Federal Reserve começou a coletar esses dados na década de 1940. Enquanto isso, o Economic Policy Institute estima que a remuneração cresceu mais de 900% nas últimas quatro décadas. Confira abaixo os 10 CEOs e executivos mais bem pagos da América em 2020:

segunda-feira, junho 21, 2021

A arte da execução (Oscar Motomura)

.


Mais uma vez Oscar Motomura vem ao blog para nos trazer um dos seus artigos plenos de inteligência e provocação intelectual. É esse estilo único que aprecio em Motomura. Ele não se contenta em escrever e passar suas experiências e impressões. Não! Ele instiga o leitor a pensar, a formular linhas de pensamento e decifrar enigmas.

Neste texto, a abordagem dele diz respeito ao sempre desafiante problema da execução dos projetos e das estratégias criadas nas empresas. Comenta sobre as equipes formadas ou contratadas para desenvolver estes planos e coloca uma série de questões para a reflexão dos gerentes e comandantes de equipes em processo executivo. 

O título do artigo já imprime o espírito do texto, "A Arte da Execução".  Só quem tem a competência e o espírito de ser um pleno executor (não confundir com executivo; há uma sutil diferença...) consegue sentir na alma a sensação da realização plena.  É sobre isso que Motomura escreve em seu artigo.

É o tipo de tema que deve ser objeto de profunda reflexão; copiado, relido e distribuído entre os chefes de equipe e os executivos - em qualquer nível - que estejam comprometidos com o crescimento da empresa acoplado ao seu próprio. Confiram.


Clique aqui e conheça o excepcional site da Amana-Key

Oscar Motomura em um dos seus cursos

A arte da execução

Boas ideias não geram resultados. É sua implementação com excelência que define a alta performance.
  • "Estratégias brilhantes que falham porque são mal executadas. Outras, nem tão originais, que têm sucesso porque são implantadas com excelência e velocidade.
  • Leis essenciais à sociedade, muito bem concebidas, mas que chegam à fase de execução completamente esvaziadas por centenas de emendas motivadas por todo tipo de interesse. Outras, que seguem o caminho inverso, chegam ao final bastante melhoradas.
  • Planos sofisticadamente detalhados, com grande investimento de energia dos principais executivos e técnicos da organização, mas que fracassam porque têm sua execução "delegada" a equipes despreparadas e pouco sintonizadas. Por outro lado, vemos líderes-empreendedores que geram "rascunhos" de planos feitos em guardanapos durante o almoço e, já à tarde, começam a implantá-los com excepcional atenção a sutilezas e grande velocidade.
Suponha que o presidente de uma organização complexa e de grande porte tivesse recursos e autonomia para montar seu "dream team". Qual seria a composição ideal dessa equipe? Quantos presidentes incluiriam uma porcentagem significativa de "fazedores"? Quantos pensariam em assegurar que todos da equipe fossem "faixas pretas" na arte da execução?

Como está sua organização na arte da execução? Reflita sobre as questões abaixo…
  • A cultura vigente é de planos e apresentações bem elaborados, mas de execução pobre?
  • A organização valoriza mais quem planeja ou quem executa com excelência?
  • Há muita participação, diálogo e ideias, mas poucas decisões e ações?
  • Os sistemas de avaliação e reconhecimento atribuem mais valor a quem gera ideias? Ou valorizam a energia e o entusiasmo no fazer acontecer?
  • A preparação de talentos está focada no conceitual? Ou contempla a competência em execução?
  • Chegam à liderança apenas os bons "vendedores de ideias"? Ou, predominantemente, os bons em implantação?
  • Há planos que fracassam porque são executados por equipes despreparadas e com pouca sintonia.
  • Líderes decidem e mandam fazer, sem se preocupar com a excelência dos "meios e modos" de execução? Ou buscam assegurar as melhores condições para uma implantação com excelência?
  • Empresa dominada por mantenedores e administradores do que existe? Ou por empreendedores pesos pesados?
  • Empresa delegando todo tipo de execução para empresas terceirizadas? Ou assegurando massa crítica de implantadores excepcionais dentro de casa?
  • Decisões tomadas com grande dificuldade, e frequentemente questionadas, alteradas e até abandonadas durante a execução? Ou isso seria falta grave na cultura vigente?
  • Projetos atacados durante a execução que não resistem e são descontinuados? Ou há a devida proteção aos projetos em andamento?
  • Empresa na situação crônica de começar muitos projetos e não terminá-los? Ou existe processo que a "vacine" contra isso?
E aí…? Qual a sua ideia de "dream team" após essas reflexões? E sua ideia de diversidade ideal da equipe dos seus sonhos?


Esse post foi originalmente publicado em 2011, aqui mesmo na Oficina de Gerencia. Obteve mais de 400 visualizações. Pela qualidade e atualidade estou, depois de breve edição, compartilhando-o novamente com os leitores mais recentes do blog. Eles merecem.



Vícios e virtudes, interligados em nosso cérebro? É a ciência quem o diz. Será mesmo?



Há tempos, conheci uma matéria da Folha de São Paulo das mais interessantes para o nosso conhecimento como seres humanos. Sou daqueles que guardam as coisas que me interessam, principalmente textos de revistas e jornais; e em algum momento futuro vou dar buscas nos meus arquivos e gosto de reler o que guardei para ver se continuam tão atuais quanto na origem. O material(abaixo) é um deles.

Logo que li essa matéria me veio à mente a ideia de publicá-la aqui no blog o que efetivamente fiz, à época. O tema É  tipicamente um assunto que desperta a curiosidade das mentes inteligentes pelo aparente conflito que o seu título sugere. Virtudes e Vícios, andando - como irmãos siameses - nas mesmas vias em nossos circuitos cerebrais? Isso não deixa de ser uma imagem da antítese do pouco que sabe nossa vã filosofia (de leigos) a respeito do nosso cérebro, não é mesmo?

O que a reportagem da Folha nos apresenta é uma entrevista com o neurocientista David Linden,  um brilhante professor americano de neurociência na Universidade John Hopkins, em Baltimore, Maryland e  também autor de dois livros de sucesso que procuram explicar o funcionamento do cérebro humano em linguagem para o entendimento dos seres humanos leigos (e inteligentes).

No seu livro mais recente, "The Compass of Pleasure" (traduzido no Brasil como "A Origem do Prazer") Linden procura mostrar como as manifestações de prazer agem em nossos circuitos cerebrais independentemente de suas origens boas ou más. Ou seja, o prazer de uma boa ação ou o prazer de um vício trilham as mesmas vias em nosso cérebro.
Uau! É uma tese e tanto!

Só pelo título vê-se que o assunto tem uma complexidade que para nós, leigos na neurociência, é de alta complexidade; mas também é inegável que nos leva a uma enorme vontade de saber mais. Leiam o que disse o professor Linden em uma das suas respostas:
  • [...] "hoje sabemos que, do ponto de vista fisiológico e químico, o prazer que sentimos em atividades como correr ou fazer um trabalho filantrópico é o mesmo dos vícios. Há uma unidade neural de virtude e vício. E o prazer é a nossa bússola, não importa o caminho que tomamos" [...].  
 Que tal? Deu para despertar a curiosidade de conhecer um pouco mais do assunto? Então leiam a matéria que é excelente e muito instrutiva.
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Árvore das Virtudes

Virtudes e vícios dividem os mesmos circuitos no cérebro
Neurocientista mostra em livro que cérebro não discrimina prazer de jogo e bebida de atividades como filantropia (Entrevista David J. Linden)

CLÁUDIA COLLUCCI
EM WASHINGTON

O que o orgasmo, a comida gordurosa, o jogo, a bebida, a filantropia, os exercícios físicos e as drogas têm em comum? Sob o ponto de vista químico e fisiológico do cérebro, muita coisa.

Em seu recente livro, "The Compass of Pleasure" ("A origem do prazer"), o neurocientista David Linden, professor na Universidade Johns Hopkins, revela como agem os diferentes tipos de prazer nos circuitos cerebrais e como eles podem se tornar vícios.

"Há uma unidade neural de virtude e vício. E o prazer é a nossa bússola, não importa o caminho que tomamos", diz Linden, 50.

Ele afirma que há estudos experimentais para o desenvolvimento de uma vacina capaz de prevenir dependências em pessoas com predisposição genética. Os genes respondem por até 60% da vulnerabilidade ao vício.

Em um futuro distante, Linden aposta que haverá meios artificiais de ativar os mecanismos de prazer. "Talvez teremos algo como um capacete que ativará os circuitos cerebrais do prazer na intensidade que você desejar." 


Folha - Por que o sr. escreveu um livro sobre prazer?
David Linden - Todo mundo está interessado em prazer. As pessoas amam comida, sexo, jogos, drogas, exercícios. E o prazer é uma questão central no nosso sistema legal e governamental. Várias leis falam de prazer, quando regulam atividades sexuais, drogas ou jogos.
No entanto, hoje sabemos que, do ponto de vista fisiológico e químico, o prazer que sentimos em atividades como correr ou fazer um trabalho filantrópico é o mesmo dos vícios. Há uma unidade neural de virtude e vício. E o prazer é a nossa bússola, não importa o caminho que tomamos. 

Quando o prazer vira vício?
O prazer está associado à liberação de dopamina no cérebro. Esse neurotransmissor dispara quando ingerimos uma comida deliciosa, durante o orgasmo ou quando praticamos um ato generoso. A dopamina integra o sistema de prazer e recompensa.

Os genes respondem por até 60% da vulnerabilidade à dependência. Se você herda variantes desse gene que levam a baixos níveis de receptores de dopamina, isso o fará mais suscetível ao vício. É como se as pessoas ficassem doentes de prazer. 

O que acontece com o cérebro de uma pessoa dependente?
Se eu pedir para três pessoas com vícios diferentes escreverem sobre os sentimentos associados a essas experiências, você verá que são os mesmos.
Começam porque se sentem bem e, depois, vão precisando de mais e mais. Todo o desejo se transforma em necessidade.

A dependência gera mudanças estruturais, químicas e elétricas dos neurônios. Vamos dizer que você é alcoólatra e está "limpo" há três anos. Se você toma um drinque que seja, a sensação de prazer será muito maior para você do que para alguém que nunca foi dependente. 

Por que é tão difícil o tratamento do dependente?
O dependente costuma recair em períodos de muito estresse. Sabemos hoje que existem muitas atividades prazerosas, como a prática de exercícios físicos, de meditação, de rezas ou mesmo brincadeiras com os filhos, que podem ajudar a aliviar o estresse e as recaídas. 

O sr. acredita na possibilidade de terapias que evitariam a dependência?
Há pesquisas com animais para desenvolver uma vacina para pessoas com predisposição genética ao vício. Mas há muita polêmica, especialmente pelas questões éticas [de se medicar antes de o problema se manifestar].

No momento, não há muitas drogas eficazes para tratar as dependências. Mas acho que nos próximos 15 anos teremos remédios eficazes para as crises de abstinência. 

Mas chegaremos a ter uma droga capaz de curar uma dependência?
Não acredito que exista ou vá existir uma cura fácil. As pessoas fazem terapias em clínicas de reabilitação, mas estudos já mostraram que elas não são muito eficazes.
Psicoterapia e drogas podem ajudar. Mas internar a pessoa, deixá-la anestesiada por três dias e dizer que está curada, para mim, é mentira. Eles só querem seu dinheiro. 
 
O sr. acredita que a obesidade seja consequência de um vício em comida?
Sim. Nós gostamos de pensar em "metabolismos" para explicar por que ganhamos peso. Na verdade, 90% das pessoas que estão severamente obesas o são porque comem demais, não porque têm desordens metabólicas. Isso acontece porque seus cérebros são diferentes.

Nossos corpos estão adaptados para aquelas situações de milhares de anos atrás em que você precisava de muita gordura e açúcar porque você não sabia se teria comida na semana seguinte. Só assim você sobrevivia, tinha filhos e passava seus genes adiante. 

E a indústria aprendeu rápido como manipular nossos cérebros para comer mais alimentos que engordam...
É verdade. Nos EUA, a média de peso da população hoje está 11 quilos acima do que era na década de 1960. E não é porque nossos genes mudaram. Quando eu era criança, a garrafa de Coca-Cola era pequena, agora veja o tamanho dela! Quanto maior o tamanho das porções, mais você tende a comer e a beber.

As corporações aprenderam que certos sabores ajudam as pessoas a comer em excesso. Comer muitos alimentos gordurosos e doces, por muito tempo tempo, muda os circuitos do prazer do seu cérebro. Então você quer comer mais e mais. É parecido com heroína. 

A luta eterna do bem contra o mal
E as paixões, o orgasmo, também podem viciar?
Sim, o processo é bem parecido. A Universidade Albert Einstein, em Nova York, comparou o funcionamento dos cérebros de pessoas em novos relacionamentos quando elas olham para fotos do parceiro e para fotos de amigos. Não foi surpresa ver que há um disparo de dopamina ao olhar para a foto do amado.

Interessante também é que partes do cérebro têm funções desligadas nesses estados de paixão ou durante o orgasmo, especialmente aquelas áreas relacionadas à cognição e lógica. Quando estamos muito apaixonados não conseguimos fazer uma boa avaliação da pessoa. 

Qual será o futuro do prazer, especialmente na nossa atual sociedade em que é tão fácil encontrá-lo?
O acesso facilitado a coisas prazerosas, sem dúvida, aumenta o seu uso. Se você gostava de jogar, tinha que ir ao cassino. Agora, qualquer um entra na internet e pode jogar o tempo que quiser.

Em um futuro distante, penso que teremos meios de ativar nossos mecanismos de prazer de forma não invasiva, talvez algo como um capacete de beisebol que, colocado na cabeça, ativará seus circuitos cerebrais do prazer na intensidade que você deseja