sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Você é uma guerreira? Muita atenção com isso!

 



Sinceramente, nem sei como iniciar a apresentação desse artigo. Conheci o texto na edição de 20 de outubro passado no Estadão e logo me chamou a atenção as aspas e a exclamação no título: Te chamam de "guerreira"? Cuidado!... Cuidado com o quê? 


De forma geral e recorrente dizer que uma mulher é "guerreira" é um elogio não é mesmo? E então o que seriam aquelas aspas e a  exclamação? Pronto! Estava despertada a minha curiosidade. Precisava ler o artigo e foi o que fiz. Não na mesma hora, um pouco depois para bem entender o enigma do título. 


Começo pela autora do artigo. Luciana Garbin (clique no link e leia outros artigos dela), jornalista, professora, autora de livros e colunista do Estadão e Rádio Eldorado. Fiquei fã imediatamente. Já me inscrevi no seu Twiter e LinkedIn e assisti vídeos dela no YouTube (clique aqui). Ela é jornalista com jota maiúsculo. 


Vamos ao artigo que me intrigou. Vocês vão lê-lo abaixo, mas quero dizer que concordo com o texto na íntegra e vou reproduzi-lo para a mulher da minha família - todas "guerreiras" - e nas minhas humildes redes sociais.  


Gosto de conteúdos inteligentes, diferentes e objetivos. Por isso recomendo conhecer o artigo e curtir as reflexões que, inevitavelmente, vão se impor após conhecê-lo. 


Boa leitura. 




– Você é guerreira. Com certeza vai tirar isso de letra. 

Oi? Como assim tirar de letra com todo o resto de tarefas diárias?

 Antigamente ser chamada de guerreira me soava como elogio. Hoje me cansa. 

Não que a vida tenha deixado de às vezes parecer uma guerra, sobretudo em tempos eleitorais. Mas agora vejo no termo guerreira uma arapuca, um disfarce dourado para uma vida de demandas incessantes. E, ainda que o interlocutor seja bem-intencionado, acabo mais me irritando do que me alegrando. 

Não se trata de maneira nenhuma de questionar conquistas femininas, principalmente no mercado de trabalho e nos costumes. O ponto aqui é o quanto vestir a couraça do “dou conta de tudo” pode nos adoecer. 

Mulher geralmente é vista como guerreira quando consegue cuidar de casa, trabalho, filhos, família, amigos, vizinhos, cachorro, papagaio – e ainda aguentar dissabores da vida. Foto: Stephanie Ghesquier/ Pixabay 

A mulher geralmente é vista como guerreira quando consegue cuidar de casa, trabalho, filhos, família, amigos, vizinhos, cachorro, papagaio – e ainda aguentar dissabores da vida. A maioria vive, claro, exausta por tantas atribuições, mas, como é guerreira e forte, muitas vezes não é vista como alguém que precisa de apoio, empatia, acolhimento, colo. 

Ao contrário: no fim das contas, da guerreira se espera que apoie e acolha os outros – e seja grata pela oportunidade de vencer mais uma batalha. Mesmo que para isso tenha de novamente deixar de cuidar de si mesma.

Guerreira desabafar e ficar chorando por aí também não dá. Porque, como ela foi forjada para a luta, sempre consegue aguentar. E partir para outra – de preferência rápido e com um lindo sentimento de gratidão. 

Só que não. 

“A sociedade costuma naturalizar mulheres sobrecarregadas, carinhosamente batizadas de ‘guerreiras’ – como se o adjetivo fosse um troféu simbólico que automaticamente dá direito a uma massagem nas costas”, diz um post da revista TPM no Instagram.

Mais certeiro que isso só o alerta que vem em seguida: “Pode ter certeza: quando a panela de pressão das demandas estourar e você não der conta de tudo, sempre vai ter alguém pra te chamar de surtada”. 

Parênteses: louca, doida, descontrolada, estressada e fraca também são xingamentos comuns contra mulheres. 

“Mas aqui vai outra certeza”, continua o post. “Você não é louca. Quantas vezes você já foi chamada de guerreira, mas na verdade estava sobrecarregada?” 

Equidade, respeito, acolhimento, apoio e uma vida mais leve e saudável. É disso – e não de mais batalhas e elogios-armadilha – que as “guerreiras” precisam


https://www.estadao.com.br/cultura/te-chamam-de-guerreira-cuidado/



quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Você sabe como "regular" seu pessoal?




Convocar um subordinado direto para lhe dar uma "chamada" é um dos piores momentos que o gerente enfrenta. São poucos aqueles que conseguem o resultado esperado. 

Existem certas regras básicas que devem ser seguidas. Algumas são conhecidas e até óbvias como aquela de não chamar a atenção de ninguém em público. 


Antes, é preciso salientar que ao escolher o método "cara-a-cara" para corrigir erros, falhas ou deficiências gerenciais de alguém, o gerente deve ter em mente, no conteúdo, na forma e no momento, a exata mensagem que ele quer passar. Errar na dose é um erro comum que os chefes cometem; e às vezes pode dar o efeito inverso do objetivo.


Vamos abaixo mostrar uma lista prática que poderá ajudar quem estiver comandando pessoas e precisar corrigir erros por meio do contato direto.
  • A regra número um é a de não chamar a atenção de ninguém se um dos dois - principalmente o chefe - estiver de "cabeça quente". É uma insensatez de consequências imprevisíveis.
  • Não faça comício. Se tiver que chamar a atenção de mais de uma pessoa pelo mesmo erro fale com uma de cada vez. Jamais as chame em conjunto.
  • Falar grosso só porque é o chefe, não vai corrigir nada. A mensagem não será passada porque os empregados vão se sentir constrangidos e prestar mais atenção na raiva do chefe do que na correção do erro.  O erro tenderá a se repetir. Por isso é fundamental que as palavras sejam bem escolhidas e medidas, e nem de longe possa haver qualquer sintoma de "chefismo" ou tentativa de constrangimento que poderá redundar numa denúncia de assédio moral.
  • O respeito à pessoa humana, que está ali à sua frente, muito antes do empregado ou subordinado, deve prevalecer acima de tudo. Assim, nada de palavrões, murros na mesa, voz alterada ou atitudes similares. Quem é o chefe não precisa estar demonstrando isso a todo instante. O "esporro" só servirá para aquecer as fofocas de corredor.
  • Uma "chamada" é um monólogo e por isto cabe ao gerente administrar o encontro para que não se transforme em um diálogo. A tendência de quem recebe o pito é reagir. Por isto uma atitude firme é essencial, mas sem grosseria. Se o gerente mostrar hesitação, haverá réplica e sua mensagem se perderá.
  • Escolha o momento certo. Por exemplo, nunca dê o pito na hora em que o erro ocorre. O subordinado se sentirá duplamente constrangido e não assimilará a mensagem do gerente. Também não escolha momentos de lazer, como um almoço ou um bate papo no fim do expediente, para fazê-lo.
  • Não é hora de defesas. Lembre-se, é um monólogo... Só permita justificativas do subordinado em casos excepcionais e se você estiver seguro que a sua mensagem já foi absorvida por ele. Se deixá-lo falar antes a conversa será inócua.
  • Não estique a corda e nem passe do ponto. Muitos gerentes se perdem no objetivo da reprimenda porque ultrapassam o limite da admoestação e a transformam numa demonstração de força ou autoridade humilhando o interlocutor. Se fizer isto esqueça o resultado que queria alcançar. O subordinado perceberá e vai reagir. No mínimo jogará no lixo tudo que você falou. 
  • Acabou a "regulagem"? Siga em frente sem tocar mais no assunto. Confie em você mesmo, mas fique de olho para perceber se a mensagem foi recebida e... absorvida. Fiscalização nunca é demais.
A lista pode ser longa, mas o importante é que, tanto o gerente quanto o subordinado conheçam as regras básicas de um momento sempre desagradável como este. É a experiência - principalmente do chefe -  quem vai determinar o melhor (ou pior) resultado do encontro. 

Buscando minha experiência pessoal, muitas vezes, no exercício da função executiva, nem precisei falar para passar a mensagem que queria. Uma pergunta do tipo: - Você sabe por que errou? já é suficiente, dependendo do nível de relacionamento entre o gerente e seu subordinado.

Um último conselho, não fuja dessas situações. Se você, gerente, tiver que chamar alguém para uma "conversa séria e a sós", não hesite. Se abdicar dessa ferramenta o seu grupo vai perceber e a sua autoridade ficará contaminada.