18 de ago. de 2012

Ministério da Psicanálise para nossos atletas olímpicos...

Nem vou me meter a apresentar o Antonio Prata  nesse espaço. Ele já um cara superconhecido no mercado editorial e como cronista e blogueiro da Folha de São Paulo.
Nas olimpíadas de Londres a Folha deu-lhe um espaço na cobertura jornalística onde ele escreveu textos de primeira qualidade com sua pena recheada de criatividade.
Relutei em publicar essa coluna dele aqui na Oficina de Gerência tendo vista que estou "desviando" os temas do esporte para meu novo blog "Os Deuses do Futebol" que ainda está engatinhando. Entretanto resolvi trazer as palavras do jovem Prata para aqui mesmo, pois o tema abordado tem muito a ver com administração e gerência.
Dentro do seu estilo bem humorado Antonio Prata propõe a criação do "Ministério da Psicanálise" para acabar com a "Síndrome do Complexo dos Vira-Latas" que se apossa da turma de grandes atletas brasileiros nas Olimpíadas que se perdem nas suas apresentações e não conseguem repetir seus próprios feitos nas competições internacionais.
Tomei emprestado do artigo um pequeno trecho (abaixo) para dar uma idéia aos leitores mais resistentes  sobre o assunto abordado:

  • [...]"Foi um tal de ouro virando prata, prata virando bronze e bronze virando nada, na última hora, que é o caso de nos perguntarmos se não há, por trás de todas essas frustrações, um traço comum. Seria apenas azar ou sadismo dos deuses a queda de Diego Hypólito, o vento de Fabiana Murer, o bronze do Cielo, o "apagón" diante do México e a perestroikada que os russos nos deram no vôlei, quando ganhávamos por dois a zero e já tinha brasileiro (eu) gritando "é glas'nós't na fita!"? [...]

São Paulo, segunda-feira, 13 de agosto de 2012Esporte
Esporte



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Antonio Prata
antonioprata.folha@uol.com.br

Pras cabeças

Não adianta gastar bilhões em infraestrutura sem sanear os subterrâneos de nossa alma

"Nunca tantos deveram tanto a tão poucos", disse Winston Churchill sobre os pilotos ingleses, na Segunda Guerra Mundial. "Nunca tantos perderam tanto por tão pouco", digo eu, sobre os bravos guerreiros brasileiros que nos representaram nesta Olimpíada.
Foi um tal de ouro virando prata, prata virando bronze e bronze virando nada, na última hora, que é o caso de nos perguntarmos se não há, por trás de todas essas frustrações, um traço comum. Seria apenas azar ou sadismo dos deuses a queda de Diego Hypólito, o vento de Fabiana Murer, o bronze do Cielo, o "apagón" diante do México e a perestroikada que os russos nos deram no vôlei, quando ganhávamos por dois a zero e já tinha brasileiro (eu) gritando "é glas'nós't na fita!"?
Só Nelson explica, meus caros, Nelson Rodrigues e seu imorredouro diagnóstico do nosso complexo de vira-lata.
O patrício pode ser alto, forte, rico, talentoso, pode ter treinado como um chinês e ter médias de americano, mas na hora do vamos ver, quando o juiz apita, quando corre em direção à linha, quando flexiona as pernas para dar o salto, ele se enxerga banguela, desnutrido, desassistido; ele fraqueja.
É por isso que, pensando na Copa de 2014, na Olimpíada de 2016 e no futuro da nação, venho aqui propor ao governo a criação do Ministério da Psicanálise: pois de nada adianta gastarmos bilhões em infraestrutura se não sanearmos os subterrâneos da alma nacional.
O leitor consciente e politizado dirá que não faz sentido abrir mais um ministério, aumentar o funcionalismo e a burocracia, dar mais cargos ao PMDB etc. Concordo. Peguemos então um ministério que já exista e troquemos sua função. O Ministério da Pesca, por exemplo. A Dilma assina um decreto e os funcionários daquela pasta passam, como Simão, depois de encontrar Jesus, a ser "pescadores de homens".
Na chefia, sugiro uma mulher, porque elas não são frouxas, como nós -basta ver de que maneira o time de Neymar digeriu o gol do México e de que forma a equipe de Jaqueline reagiu ao set perdido pros Estados Unidos. Indico, como ministra, a psicanalista e colunista deste jornal, Ana Verônica Mautner, que além de mulher é húngara, povo que pode ser acusado de muitas coisas (não sei quais, essa é só uma frase de efeito), menos de refugar na hora do salto.
O Ministério da Psicanálise vai descobrir as raízes profundas de nossa viralatência. Vai fazer com que o brasileiro e, mais ainda, o atleta brasileiro, que é antes de tudo um forte, enxergue no espelho uma imagem digna de sua grandeza.
Ele merece, nós também. Afinal, pode ser doce morrer no mar, Caymmi, mas morrer na praia é amargo pra caramba.


http://www.old-picture.com/images/next.gif Caso seja do seu interesse ler a crônica tal como foi publicada no jornal clique sobre a imagem abaixo.



15 de ago. de 2012

Como estará o Brasil Olímpico na Rio 2016? Espera ou ação?

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  Este post está também publicado no blog "Os Deuses do Futebol" (clique no link abaixo).

E agora? Vamos esquecer os esportes olímpicos até 2016?

Já estamos com o cronômetro ligado para as Olimpíadas de 2016. Será a Rio-2016. Se há temores de que o Brasil não consiga manter o mesmo padrão dos Jogos Olímpicos em Londres - coisa na qual não acredito, pois o país vai estar ao lado do Rio de Janeiro para produzir um "olympic games" de sucesso histórico - existe um verdadeiro pavor de que o desempenho atlético dos brasileiros fique próximo aos resultados que vem mantendo nas últimas olimpíadas.
No quadro acima estão as 17 medalhas que a nossa enorme delegação de 257 atletas trouxe de Londres. Isso mesmo! Eu escrevi 257 atletas - 135 homens e 122 mulheres - que levaram muitos sonhos e esperanças de aumentar o nível de participação no quadro de medalhas em relação aos Jogos de Pequim (2008). "Matematicamente" conseguimos. Se em Pequim foram 15 medalhas agora em Londres foram 17. Ufa! De ouro mesmo mantivemos as mesmas três de Pequim, só ganhamos mais uma de prata e outra de bronze.
No quadro geral de medalhas passamos da posição 23 para a colocação 22 (veja o quadro abaixo):

A Folha de São Paulo, assim como os outros jornais de grande circulação no Brasil, montaram seus gráficos, infográficos e reportagens sobre o Brasil e as olimpíadas. Desde os primeiros jogos em 1920 foram 22 as edições dos Jogos (incluindo Londres) e o Brasil só não participou em 1928. Pois bem, em todas essas 21 presenças nas disputas o Brasil só alcançou conquistar 23 medalhas de ouro, 30 de prata e 55 de bronze (108 no total). Só a Inglaterra, nesta ultima olimpíada ganhou mais ouro (29) do que o Brasil nas suas 21 participações.
Um detalhe importante para ficarmos só no exemplo da Inglaterra é que nos jogos de 1996 a Inglaterra só conquistou uma medalha de ouro, oito de prata e seis de bronze (15 medalhas) e ficou na posição 36 abaixo do Brasil que estava lá, firme na posição 25. O que aconteceu de lá para cá que impulsionou os esportes olímpicos no Reino Unido a ponto de conquistar agora a terceira posição entre as potências olímpicas desbancando a Rússia que ficou em quarto?
É isso que o Brasil (leia-se instituições e organismos esportivos) deve buscar com as olimpíadas em seu quintal se não quiser passar pelo mesmo constrangimento de agora.
Uma análise das mais superficiais sobre o tema chegará à conclusão que os esportes olímpicos no Brasil são um grande fracasso internacional e não custam barato. Pelo que li foram em torno de dois bilhões de reais o investimento feito pelo COB para que o Brasil conquistasse as 17 medalhas em Londres. Leia excelente matéria da BBC-Brasil sobre o tema clicando no link "Após investimento, Brasil avançou em medalhas, mas 'perdeu bonde para 2016".
Por modalidade (veja quadro ao lado), com exceção do voleibol que devido ao sucesso das suas seleções com sucessivas conquistas pelo mundo incluindo as quatro medalhas de ouro, a Vela é o esporte com maior numero de conquistas no Brasil olímpico (seis) Mas... Vela? Perguntarão os mais céticos. Sim, vela e as medalhas ficam mais por conta dos talentos individuais de heróis como Robert Scheidt, Torben Grael e Marcelo Ferreira.
Depois vem o atletismo  com quatro medalhas de ouro sendo duas com o magnífico Adhemar Ferreira da Silva o primeiro legítimo bicampeão olímpico brasileiro de salto triplo (1952/1956). Joaquim Cruz ganhou a terceira medalha nos 800 metros (1984) e Maurren Maggi a quarta em Pequim com o seu fantástico salto em distância. E mais nada.
Vamos e convenhamos... É muito pouco, muito pouco, muito pouco mesmo!
Abaixo uma sumária análise da Folha sobre todos os esportes olímpicos que levou atletas para Londres e as perspectivas para a Rio-2016. O panorama é cinzento. O que estamos presenciando e o Dèjá Vu de sempre. Daqui a um mês ninguém fala mais de olimpíadas, exceto pelas obras e investimentos e as modalidades esportivas voltarão ao ostracismo de sempre. O que fazer? Todos que vivem no mundo esportivo sabem muito bem o que deve ser feito.  A questão é de prioridade, de planejamento e organização de governos, clubes, confederações, federações, universidades e escolas, mas nesse particular o nosso Brasil não costuma ganhar nem medalha de bronze.
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5 de ago. de 2012

Os superiores e os colaboradores subordinados

Q

uem acompanha a Oficina de Gerência sabe que não escrevo sobre política ou religião objetivando adotar qualquer posicionamento. É cláusula pétrea da "linha editorial" no blog. Porque estou dizendo isso? Porque o texto abaixo foi extraído do famoso livro "O evangelho segundo o espiritismo" de Allan Kardec. E por que o estou colocando aqui? Respondo: porque muito mais do que uma escrita de conteúdo espírita o texto aborda uma questão que tem tudo a ver com o mundo corporativo e obviamente com a vida propriamente dita. É muito sábio e foi escrito, ou melhor, psicografado em 1863 cuja autoria é atribuída ao espírito do Cardeal Morlot.
Ao conhecer o texto não pude resistir em trazê-lo para o blog uma vez que trata das  relações entre superiores e subordinados (que são chamados de inferiores no texto sem que haja qualquer preconceito, apenas uma questão de linguagem na época em que foi escrito).
Destaquei para ilustrar essa breve apresentação do artigo o seguinte trecho:
  • [...] "Quem quer que seja depositário de autoridade, seja qual for a sua extensão, desde a do senhor sobre o seu servo, até a do soberano sobre o seu povo, não deve olvidar que tem almas a seu cargo; que responderá pela boa ou má diretriz que dê aos seus subordinados e que sobre ele recairão as faltas que estes cometam, os vícios a que sejam arrastados em consequência dessa diretriz ou dos maus exemplos, do mesmo modo que colherá os frutos da solicitude que empregar para os conduzir ao bem." [...]
Posso me posicionar a esse respeito com o crédito que tenho junto àqueles que trabalharam comigo e sob meu comando. Sempre foi princípio maior de minha conduta o respeito absoluto aos colaboradores e subordinados. 
Sempre considerei que ao assumir funções de chefia fazia parte dela a responsabilidade inerente de ensinar, apoiar, fazer crescer, orientar, descobrir e despertar competências e tudo que pudesse para transformar os componentes das minhas equipes em seres melhores e em todos os níveis possíveis.
Também como subordinado procurei manter o mesmo nível de procedimentos primando até com certo excesso pela lealdade aos meus iguais e superiores da mesma forma que a exigia dos subordinados. Para mim é na conceituação da lealdade que está centrada toda a riqueza de uma relação de trabalho, de amizade, de amor, de vida.
Por isso recomendo aos amigos leitores que não percam a oportunidade de ler o que está escrito abaixo e refletir muito para aplicar permanentemente os ensinamentos nele contidos adaptando-os às próprias crenças.
Da mesma forma os oriento a copiá-lo para guardar em local onde o possam consultar regularmente e transmiti-lo aos que fazem parte de suas vidas, sejam seus iguais, superiores ou subordinados. 


Os Superiores e os Inferiores

A autoridade, tanto quanto a riqueza, é uma delegação de que terá de prestar contas aquele que se ache dela investido. Não julgueis que lhe seja ela conferida para lhe proporcionar o vão prazer de mandar; nem, conforme o supõe a maioria dos potentados da Terra, como um direito, uma propriedade. Deus, aliás, lhes prova constantemente que não é nem uma nem outra coisa, pois que deles a retira quando lhe apraz. Se fosse um privilégio inerente às suas personalidades, seria inalienável. A ninguém cabe dizer que uma coisa lhe pertence, quando lhe pode ser tirada sem seu consentimento. Deus confere a autoridade a título de missão, ou de prova, quando o entende, e a retira quando julga conveniente.

Quem quer que seja depositário de autoridade, seja qual for a sua extensão, desde a do senhor sobre o seu servo, até a do soberano sobre o seu povo, não deve olvidar que tem almas a seu cargo; que responderá pela boa ou má diretriz que dê aos seus subordinados e que sobre ele recairão as faltas que estes cometam, os vícios a que sejam arrastados em consequência dessa diretriz ou dos maus exemplos, do mesmo modo que colherá os frutos da solicitude que empregar para os conduzir ao bem. Todo homem tem na Terra uma missão, grande ou pequena; qualquer que ela seja, sempre lhe é dada para o bem; falseá-la em seu princípio é, pois, falir ao seu desempenho.


Assim como pergunta ao rico: "Que fizeste da riqueza que nas tuas mãos devera ser um manancial a espalhar a fecundidade ao teu derredor", também Deus inquirirá daquele que disponha de alguma autoridade: "Que uso fizeste dessa autoridade? Que males evitaste? Que progresso facultaste? Se te dei subordinados, não foi para que os fizesses escravos da tua vontade, nem instrumentos dóceis aos teus caprichos ou à tua cupidez; fiz-te forte e confiei-te os que eram fracos, para que os amparasses e ajudasses a subir ao meu seio."


O superior, que se ache compenetrado das palavras do Cristo, a nenhum despreza dos que lhe estejam submetidos, porque sabe que as distinções sociais não prevalecem às vistas de Deus. Ensina-lhe o Espiritismo que, se eles hoje lhe obedecem, talvez já lhe tenham dado ordens, ou poderão dar-lhas mais tarde, e que ele então será tratado conforme os haja tratado, quando sobre eles exercia autoridade.


Mas, se o superior tem deveres a cumprir, o inferior, de seu lado, também os tem e não menos sagrados. Se for espírita, sua consciência ainda mais imperiosamente lhe dirá que não pode considerar-se dispensado de cumpri-los, nem mesmo quando o seu chefe deixe de dar cumprimento aos que lhe correm, porquanto sabe muito bem não ser lícito retribuir o mal com o mal e que as faltas de uns não justificam as de outrem. Se a sua posição lhe acarreta sofrimentos, reconhecerá que sem dúvida os mereceu, porque, provavelmente, abusou outrora da autoridade que tinha, cabendo-lhe, portanto, experimentar a seu turno o que fizera sofressem os outros. Se se vê forçado a suportar essa posição, por não encontrar outra melhor, o Espiritismo lhe ensina a resignar-se, como constituindo isso uma prova para a sua humildade, necessária ao seu adiantamento. Sua crença lhe orienta a conduta e o induz a proceder como quereria que seus subordinados procedessem para com ele, caso fosse o chefe. Por isso mesmo, mais escrupuloso se mostra no cumprimento de suas obrigações, pois compreende que toda negligência no trabalho que lhe está determinado redunda em prejuízo para aquele que o remunera e a quem deve ele o seu tempo e os seus esforços. Numa palavra: solicita-o o sentimento do dever, oriundo da sua fé, e a certeza de que todo afastamento do caminho reto implica uma dívida que, cedo ou tarde, terá de pagar. -
François-Nicolas-Madeleine, Cardeal Morlot. (Paris, 1863.)