31 de out. de 2020

Sir Sean Connery (Edimburgo, 25 de agosto de 1930 — Bahamas, 31 de outubro de 2020)

 


Quando uma grande estrela como Sir Sean Connery nos deixa e faz sua passagem para o plano espiritual, uma porção de nós, que fomos parte da geração que aprendeu a admirá-lo, também morre. 

Penso que uma fração de nossas vidas é composta dos ídolos que admiramos em todos os campos da arte. Literatura, poesia, canto, esportes, artes plásticas, televisão, rádio e todos mais que em um ou outro tempo preencheram os momentos que vivemos embalados por suas artes e talentos. Gente que admiramos de forma muito especial.

Quem não sentiu um vazio com a morte do Ayrton Senna? Do Vinicius de Morais? Hebe Camargo? Bibi Ferreira, Kobe Bryant... Uma lista interminável. Algumas mortes de famosos nos tocam mais profundamente que outras, mas todas compõem aquele mosaico de momentos felizes que complementam nossas vidas cotidianas.

Sean Connery sem dúvida, para minhas memórias e mais as de milhões de pessoas comuns ao redor do planeta é uma dessas personalidades. Vou sentir um grande vazio dos momentos que tanto o admirei nos seus filmes desde “007 Contra o Satânico Dr. No" em 1962 e tantos outros filmes ao longo de sua extensa carreira..

Fica aqui o meu registro como seu admirador desde a década de 60. Acho que vi quase todos os seus filmes mais famosos desde o primeiro 007 e prevejo que vou assisti-los novamente. O mundo inteiro presta hoje a sua homenagem a esse ator extraordinário que soube como ninguém cumprir sua missão nessa passagem pelo planeta Terra.

Que Deus e os bons espíritos o recebam com o mesmo carinho com que nós mortais lhe dedicamos.

27 de out. de 2020

Você é "Aguia" ou "Coitadinho". Qual o seu perfil no trabalho?



Cada vez que faço uma reflexão sobre minha carreira como líder e gerente percebo que o entre os talentos que desenvolvi e cultivei um dos mais importantes para meu sucesso foi e é o de saber como dirigir, administrar, controlar, manejar e orientar as pessoas que trabalharam sob minha gerência e liderança.

Quando tenho oportunidade de fazer uma palestra ou participar de uma consultoria para jovens executivos estou sempre destacando essa habilidade. É um axioma da administração - aliás, sempre foi - que um gerente realiza suas tarefas por meio de pessoas e por consequência deve ter acurada desenvoltura, esmerada destreza, refinada habilidade e porque não incluir nessa lista certa manha sutil .

Um gerente deve reconhecer os tipos e personalidades das pessoas que trabalham sob seu comando e é nesse ponto onde está a engrenagem mais poderosa de sua liderança. Se este gerente não conseguir desenvolver este talento ou não atingirá o nível do sucesso que pretende ou vai demorar mais tempo que seu concorrente para chegar ao topo.

É principalmente a experiência, mas com um grande recheio de inteligência e cultura geral e específica que os grandes comandantes conseguem administrar uma variedade e abundante galeria de tipos e indivíduos cada qual com suas idiossincrasias, melindres, manias e suscetibilidades.
Ninguém imagine que seja algo a ser aprendido nos livros, universidades ou em cursos de final de semana. Antes de tudo é a vivência com situações corporativas em grupos, a observação repetida de seus hábitos e valores e principalmente o gostar destas pessoas, de estar com elas, ouvi-las pacientemente contar seus casos e problemas... Em suma estar conectado com seus liderados, com seu time. 

É assim que funciona e leva tempo para cada gerente montar seu catálogo de tipos e situações aonde irá sempre consultar a coletânea de suas experiências, sua coleção de atitudes e seu repertório de truques gerenciais e manhas para lidar com os mistérios e complexidades dos seres humanos sob seu comando.

O artigo abaixo fala desses tipos. Transcrevi-o para o post por ser didático e produto da experiência prática de dois executivos em plena atividade. Leiam com atenção e aproveitem.

Que tipo de funcionário é você 

Por Viviane Macedo
30/06/2011
Em São Paulo

Lidar bem com diferenças é a premissa número um para manter qualquer tipo de relacionamento. No ambiente de trabalho isso não muda. Para conviver oito ou mais horas do dia com pessoas de perfis, às vezes, completamente distintos é preciso um bom grau de tolerância e disposição para aprender a respeitar possíveis divergências de postura e opinião.

Na visão dos especialistas ouvidos pelo UOL Empregos, a melhor forma de lidar com os colegas no ambiente de trabalho é conhecer as características de cada um e respeitá-las, independentemente de quais sejam elas. “A riqueza do ambiente de trabalho é a diversidade, e com ela você chega muito mais longe do que chegaria com pessoas de características homogêneas”, diz Luiz Edmundo, diretor de educação da ABRH-Nacional (Associação Brasileira de Recursos Humanos).

Luiz Pagnez, diretor do Emprego Certo, e Regiane Lucas, gerente de seleção da Luandre, listaram alguns tipos de funcionários. Veja esses perfis e descubra qual deles mais se parece com você.





Para Ricardo Haag, sócio-gerente da consultoria de recrutamento e seleção Asap, independentemente do perfil pessoal de cada um, todos podem ter algo a ensinar aos demais. “O Sabe-Tudo vai ter coisa pra ensinar para o Guerreiro Solitário, que vai ter algo para o Fofoqueiro, que pode aprender com o Águia”, afirma.

Segundo ele, essas características não determinam se o profissional é bom ou não, mas alguns desses perfis podem ser barrados dependendo da empresa. “O fofoqueiro, por exemplo, é uma pessoa desagregadora, por isso, mesmo com um excelente desempenho, se a empresa percebe essa característica pode preferir desligá-lo a continuar com um perfil desses no quadro”, aponta Haag.

Papel de líder
Segundo Edmundo, é papel do líder extrair o melhor de cada perfil profissional. Não adianta colocar um bom atacante para jogar na defesa. “O grande desafio do líder é fazer sua equipe ter sucesso, é ajudar as pessoas a demonstrarem suas melhores qualidades”, afirma.

“O líder precisa zelar pelas posições ocupadas por sua equipe. Ele tem de ser capaz de perceber se o profissional está atuando na posição certa, fazendo o jogo que a empresa precisa e onde ele vai se sair melhor”, finaliza Edmundo.



26 de out. de 2020

Colegas irritantes no seu trabalho. Quem são eles?



 
Não dá evitar
 a convivência com pessoas irritantes em nossas vidas. Elas e nós (sim senhor, nós também podemos ser irritantes! Somos humanos...) fazemos parte dessa tribo planetária que é a humanidade e toda sua vasta coleção de personalidades, tipos, características, perfis... 

As pessoas, em geral, podem ser eventualmente enervantes; circunstancialmente exasperantes; esporadicamente insuportáveis ou casualmente azucrinantes. Em qualquer caso podemos reunir todo esse conjunto em comportamentos irritantes.

A questão que estamos focando neste post é o caso das pessoas que, no trabalho, tenham um comportamento irritante como característica pessoal. Sempre irritantes.

Com certeza você já terá cruzado seu caminho com um ou mais desses desagradáveis companheiros. Na pior situação terá sido (ou será que ainda é?) um colega de sala, de empresa, de diretoria ou ainda de Conselho? Não é nada fácil ter uma figura dessas ali, ao lado, coexistindo e confraternizando com a gente no dia a dia, ombro a ombro.

Normalmente procuramos fugir desse convívio, todavia nem sempre é possível encontrar estratégias para estarmos a salvo de dessa turma. Mas não é para buscar essas habilidades que trouxemos ao blog o artigo abaixo da excelente e experiente jornalista Camila Pati (quando escreveu o presente artigo trabalhava para a revista Exame, mas hoje está na Você S.A.).

No seu texto a Camila busca identificar os tipos irritantes que circulam nos ambientes de trabalho. E ela fez uma coleção de tipos com suas características e deliciosos comentários.

Minha sugestão é você procure reconhecê-los nas oportunidades de sua convivência. Eles são irritantes esporádicos ou são permanentes? Faz parte do DNA? E atenção, aproveite e faça uma autoanálise para saber se você se inclui em algum dos 15 modelos que a Camila Pati listou.

Eu mesmo identifiquei uns dois tipos onde me identifico com comportamento irritante ocasional. E vou me entregar: são os tipos 3 e 14. Já fui pior, mas ao longo do tempo consegui me corrigir e atualmente quando percebo que estou com os sinais imediatamente me corrijo.

Qual ou quais são os seus?




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Os 15 comportamentos mais irritantes para se ter no trabalho

Confira as atitudes e os comportamentos que mais incomodam o expediente dos profissionais, segundo especialista em etiqueta



Confira as atitudes e os comportamentos que mais incomodam o expediente dos profissionais, segundo especialista em etiqueta


1 Atrasar (sempre)
É difícil manter uma pontualidade britânica com engarrafamentos bem brasileiros para enfrentar todos os dias nos grandes centros urbanos. Mas, fazer do atraso a regra pode ser bem irritante para quem precisa ficar esperando.
“A noção de tempo, no Brasil, de maneira geral, não é muito rígida. É mais flexível”, diz a especialista em etiqueta profissional. Mas fazer do atraso a regra pode ser bem irritante para quem precisa ficar esperando.
2 
Os indiscretos e os fofoqueiros
“Apesar de já ter ouvido pseudo-consultores dizerem que fofoca é saudável no
ambiente de trabalho, porque permite que as novidades corram, geralmente só coisas depreciativas são propagadas”, diz Maria Aparecida.
Divulgar assuntos sigilosos e fazer perguntas deselegantes ou indiscretas também são fonte de desconforto no escritório, de acordo com ela.
3 Falar demais
Nada mais irritante do que estar concentrado em uma atividade e ser interrompido
a todo o momento pelo colega que deseja contar os seus feitos e suas histórias deste  e de outros carnavais.
“Há pessoas que falam demais, sem se tocar que estão sendo desagradáveis”, diz Maria Aparecida.
E quando a sua mesa é de frente para o cantinho do café, obrigando-o a conviver com as rodinhas e os animados grupos de bate papo que se formam por ali?
Depois da quarta rodinha em menos de 2 horas, a irritação começa a dar sinais mais claros.
4 Conquistadores de plantão
Roupas insinuantes, atitudes provocantes. Este tipo de comportamento, de apostar na sedução para chegar onde se quer, também é observado pela especialista como um dos que mais incomodam.
5 Bajuladores, oportunistas, falsos e carreiristas
Alguns apostam na bajulação como meio de subir mais rápido na carreira. Nada mais irritante do que conviver com um colega de trabalho assim.
Outros lançam mão de estratégias oportunistas que muitas vezes acabam em homéricas “puxadas de tapete”. “E há os vulgos traíras”, acrescenta Maria Aparecida.
Uma atitude bastante comum do oportunista é manter o radar ligado para os erros, dos outros, é claro. “São pessoas que ficam atentas a qualquer falha e tiram partido disso para se promover”, explica. No mundo corporativo, também não faltam histórias de apropriação indébita de ideias e iniciativas.
E, por fim, os carreiristas, que identificam relações internas de poder e sabem muito bem tirar proveito delas.“Sob o lema ‘os fins justificam os meios’, são pessoas que se valem de expedientes escusos para subir na carreira”, explica Maria Aparecida.
6 Os piadistas
Senso de humor é uma virtude celebrável, mas há sempre aqueles que “perdem a mão” e partem para brincadeiras de mau gosto ou apostam em piadas que ofendem.
Escatologia e preconceito lideram a lista de temas que mais incomodam. “É preciso pensar que o senso de humor varia de pessoa para pessoa”, diz Maria Aparecida. O que faz um amigo “rolar de rir no chão” pode ofender um colega de trabalho.
7 Encher a caixa de e-mails com mensagens desnecessárias
Ainda há quem considere o e-mail corporativo uma espécie de WhatsApp do escritório. Sobrecarregar a caixa de entrada dos colegas com mensagens desnecessárias dentro e fora do expediente tira muita gente do sério.
“Muitas vezes pessoas que não fazem parte do contexto são incluídas nos destinatários”, diz Maria Aparecida.
8 Sobrecarregar o olfato alheio
Incenso, plantas aromáticas, perfumes e odores corporais acentuados incomodam o nariz alheio.
Alimentos com cheio forte também deveriam ser banidos da mesa de trabalho. “Cabe também às empresas prover um local adequado especificamente para refeições dos funcionários”, diz Maria Aparecida.
9 Os barulhentos
Ninguém quer um clima de silêncio sepulcral no escritório. Mas muito barulho por
nada é irritante. 
Em tempos de espaços amplos e coletivos de trabalho, celulares de tocam alto e insistentemente, conversas no modo viva-voz e gritaria são grandes vilões da concentração.
O mesmo ocorre com aqueles barulhinhos obsessivos. “Tamborilar os dedos, bater a caneta, amassar embalagens e cantar alto”, cita a especialista.
10 Os pegajosos
Tem gente que adora encurtar a distância física. Abraçar, beijar, apostar na proximidade ao falar são hábitos que podem ser aceitáveis para uns e desagradáveis para outros, diz a especialista.
Tapinha nas costas, mão ao redor do pescoço e outros tipos de toques, comuns na cultura brasileira, podem incomodar quem não está acostumado ao “calor humano”.
11 Pegar o que é dos outros e não devolver
Voltar de férias pode ser um pesadelo para quem convive com pessoas deste tipo. É a sua cadeira que sumiu, as canetas que desapareceram, o mouse e o teclado que foram trocados na sua ausência.
Pedir dinheiro emprestado e nunca devolver também é um hábito irritante. “Estar sempre sem dinheiro no happy hour, mas comer e beber deixando que os outros paguem, por exemplo”, cita a especialista.
12 Quando adiar é o lema
A reunião que era para hoje, mas foi ficando para amanhã e que vai ser remarcada, depois de amanhã, para a próxima semana.
O projeto que não sai nunca no prazo, o relatório que era para a semana passada, mas será entregue na próxima.
Não é só no que diz respeito aos compromissos e reuniões que o atraso incomoda. Postergar a entrega de tarefa pode prejudicar uma equipe inteira, diz Maria Aparecida, assim como fazer tudo de última hora.
13 O sempre ausente
Quando a ausência não justificada é um hábito, o incômodo fica evidente. Afinal, para que não haja prejuízo nos processos alguém tem que trabalhar mais para que a falta do colega não prejudique a produtividade do setor ou do departamento.
14 O arrogante e/ou dono da verdade
Aquele profissional que se acha o máximo e conta vantagem o tempo inteiro não passa despercebido.
Seu comportamento irrita a todos os que percebem os contornos da sua arrogância. “São pessoas que querem se sobressair a qualquer preço”
Quem insiste em ser o dono da verdade também é notado pela chatice desse comportamento, logo de cara.
“Interrompem as pessoas, geralmente para contradizê-las. Criticam muito, e, na maior parte das vezes, quando têm plateia”, explica Maria Aparecida.
Um comportamento recorrente em pessoas deste tipo é humilhar as outras pessoas, diz a especialista. “Nas reuniões multinível, humilham os colaboradores de escalão mais baixo”, diz ela.
15 Os “caixas de Pandora” e os “profetas do Apocalipse”
Falar apenas coisas negativas, semear discórdia, jogar uns contra os outros. Estes são as principais “atribuições” dos profissionais classificados por Maria Aparecida como “caixas de Pandora” do escritório. “São pessoas muito nocivas e que acabam com o clima interno de qualquer empresa”, explica.
E quem se lembra da hiena Hardy, o símbolo máximo do pessimismo imortalizado nos desenhos Hanna Barbera ? “Ó vida, ó azar” é o seu bordão mais famoso. “Os Hardys do escritório são aqueles que só chegam dando notícia ruim e reclamam de tudo”, diz Maria Aparecida.
Demissões em massa, o novo chefe que é um monstro e a iminência de falência da empresa são algumas de suas notícias preferidas. 

25 de out. de 2020

"Gatos Corporativos", conheçam estes "amorosos" bichanos...

  

Lealdade de Gato

(por Herbert Drummond - Autor do Blog)

 Quem tem ou já teve gatos em casa?

É uma "experiência inesquecível” não é mesmo? E coloco entre aspas porque é algo que realmente você não esquece; tenha sido boa ou não. De qualquer forma os bichanos sempre deixam lembranças. Boas e más, mas deixam!

Quem tem experiência com eles deve ter prestado atenção ou lido a respeito do estranho comportamento dos gatos. Livros, artigos, palestras, vídeos e mais se tem publicado sobre esses misteriosos e milenares seres da natureza.

Quem for curioso deve ter observado que os felinos – por mais domesticados que sejam não têm aquela lealdade, digamos... canina, aos seus donos. Devo, antes de qualquer coisa, desculpar-me com os amantes e defensores dos gatos por qualquer falsa impressão preconceituosa (já passei pela experiência, quando garoto e como adulto, de criar gatos). Muito bem, com este pedido de habeas corpus preventivo, vamos em frente.

O gato, segundo as lendas abandonará ou trocará seu dono – não importam os carinhos, o amor, e a boa vida que tenham recebido – quando estas mordomias lhes faltarem. Trocarão, sem pestanejar, o antigo lar – por mais amoroso e leal que tenha sido o ex-dono - por outra casa e uma nova paixão que lhes proporcione o conforto e as regalias que tenham perdido na anterior. É a “imagem” que temos dos gatos. E as histórias que conhecemos – salvo aquelas fora de série – indicam que é assim mesmo.

Gatos Corporativos


Traçando linhas paralelas entre a conduta padrão dos bichanos e minhas vivências no mundo corporativo, cunhei a expressão “Lealdade de Gato” e uso-a, há muitos anos, como metáfora. Caracterizo com ela, o comportamento daqueles companheiros de jornada que, juntos e absolutamente leais e verdadeiros quando os ventos estão favoráveis, abandonam o barco e correm lépidos e fagueiros, a procurar novos lares tão logo as ventanias começam a agitar o barco

Costumo dizer que, tal como os gatos, esses "companheiros", sentem com antecedência as circunstâncias desfavoráveis e começam, desde então, a pesquisar novos lares com um novo dono e o conforto daquelas regalias que os gatos adoram. Esse é um comportamento humano que – tal como nos gatos - simplesmente está no DNA de alguns da nossa espécie.

Estes personagens são mais numerosos do que imaginam os futuros e recentes gerentes ou chefes que estejam iniciando suas trajetórias como líderes corporativos. Um aspecto cruel dessa convivência é que os gatos (todos nós temos ou teremos os nossos) só serão pilhados à medida que seus donos, após galgarem os degraus do sucesso com eles - os gatos ali, juntos e “fieis” - por esta ou aquela razão tropeçam na carreira e deixam de exercer funções de relevância. Falta-lhes o “leitinho no pires”... E este é o sinal de que as coisas não estão bem para o lado deles. É a hora, pois, de procurar um novo ”dono”.

Característico é que o mesmo gato irá procurar, sem constrangimentos, voltar ao antigo dono no caso da situação se reverter novamente. E quantas vezes isso aconteça! É fato mais do que recorrente no mundo corporativo, mas sempre surpreendente para quem tenha confiado neles, os “gatos de carreira”.

Os gerentes veteranos e mais experientes que já foram “donos” de gatos estão vacinados. Sabem identificá-los antes que comecem aqueles miados pungentes e carinhosos acompanhados pela dança do roçar entre suas pernas e pular no seu colo”. Este, aliás, um procedimento inerente à personalidade dos gatos corporativos.

Gatolândia: Gatos Profissionais


Poderia ficar aqui discorrendo sobre a “Gatolândia” por muito tempo. Tenho experiência. Já passaram muitos gatos por minha trajetória profissional. Amigos e companheiros leais, presentes e prestativos enquanto eu estava em ascensão na carreira e ocupava funções de destaque, rapidamente eles, os meus gatos mais queridos, davam as costas tão logo percebiam que o “barco estava fazendo água”. Antes mesmo de ocorrer a “queda” eles já estavam aninhados em outros colos. E eles, os gatos, fazem isso com maestria e com raro timing.

Na Administração Pública a prática é mais comum do que na iniciativa privada. Naquelas organizações (empresas públicas, autarquias, ministérios, agencias) a meritocracia é menos praticada do que na atividade privada. Lá, os gatos são mais numerosos, agitados e saltam sem o menor acanhamento para os braços e colos de quem esteja no poder. 

Existem, como me referi acima, os “gatos profissionais”. São “gordos, maliciosos e insinuantes” como aqueles gatões que nos acostumamos a ver nos desenhos da Disney. Passam a vida profissional inteira trocando de “donos” e realizam-se com esta... carreira.

Aqueles com o DNA mais refinado conhecem e dominam todas as manhas e técnicas para serem reconhecidos e até aceitos como “Gatos de Respeito”. Também existem os “gatinhos”. São os jovens que se iniciam no mundo corporativo e com pouco brilho próprio começam a observar, manhosos e com miados sedutores, os “futuros donos” até escolher aquele que imaginam, será um futuro dirigente da corporação onde tenham seus cantos e lhes assegurem o conforto que projetam para si. Quem sabe conseguem um CEO, um Presidente ou até um Ministro ou mais ainda...

Pensam que estou brincando? Pois não estou! Os gatos estão bem aí, nas mesas ao lado, nos corredores do ambiente de trabalho ou até na sua assessoria. Se você não tiver vocação para ser “dono de gatos” comece desde já a prestar atenção a quem vive se enroscando em você ou pulando no seu colo. Eu mesmo conheço - em épocas e organizações diversas -  dois gatos que chegaram a exercer funções de destaque na administração pública.

Ops! Já estava esquecendo um detalhe importante. Gato ou gata? Tanto faz. O DNA é unissex. A carreira de um habitante da Gatolândia é ampla, geral e irrestrita. Não tem sexo, cor, idade ou qualquer outra limitação. Diria que é... Ecumênica. 

Conselhos úteis para os "donos" de gatos corporativos.


Importante dizer que os gatos e gatinhos são muito úteis para quem sabe lidar com eles. Ajudam muito, contribuem - às vezes decisivamente - para as carreiras dos seus (vários) donos desde que recebam a sua dose diária de comida, carinhos e afagos; e não devem ser dispensados só porque são gatos corporativos. Apenas não se deixem enganar pelo ronronar dos bichanos. Mantenha-os na linha.

Que os donos de gatos não esperem gestos de lealdade e muito menos atitudes de fidelidade em momentos difíceis e de confrontos corporativos onde suas posições de poder estejam ameaçadas. Nestes casos os gatos se escondem, tiram férias, licenças médicas e procuram com menos avidez desfrutar das regalias. Imediatamente começam a percorrer os telhados e quintais vizinhos até que as “coisas" fiquem calmas e eles possam, novamente, escolher se ficam onde estavam ou vão escolher novas moradas. Eles têm um radar fantástico para reconhecer ameaças e novos donos.

Outro conselho: não dê segunda chance aos gatos que tenham lhe abandonado antes. Eles não têm constrangimento em “voltar para casa” quando estão em apuros. Já aconteceu comigo. Antes de ser exonerado de uma das funções de destaque que exerci, um dos meus mais próximos assessores – era um gato profissional e eu ainda não tinha a experiência para identificar – pulou fora do barco e foi garantir seu leitinho em outras plagas. Tempos depois voltei a ocupar uma função de relevo e ele veio ronronar perto de mim... Não deu certo para ele.

Para finalizar, deixo recomendações valiosas, simples e diretas, para os futuros líderes e gerentes:

  1. Aprendam urgentemente a reconhecer os gatos corporativos no seu time. Não os revele para ninguém.  Conviva com eles, trabalhe normalmente com seus talentos, mas nunca esqueça quem eles são. 
  2. Estejam sempre vigilantes para seus movimentos. Por óbvio os gatos corporativos têm uma forte tendência a serem desleais. Estão sempre “investindo” em futuros novos donos e estes são, naturalmente, os seus concorrentes.
  3. Finalmente, o conselho mais importante:
Não criem e nem queiram ser "donos de gatos”!

  http://www.gifandgif.eu/animated_gif/Arrows/Animated%20Gif%20Arrows%20%28123%29.GIF Herbert Drummond é engenheiro civil aposentado. Foi, durante trinta e cinco anos, dirigente de empresas e organizações na Atividade Privada, na Administração Pública e no Ministério Público do Distrito Federal. É autor do blog Oficina de Gerência (mais de 1.000.000 de acessos) onde publica e comenta seus artigos e de terceiros.