||| 06 de outubro DE 2026 ||| 3ª feira ||| Campanha das cores de outubro: * Rosa: conscientização e prevenção do câncer de mama e do colo do útero * Verde: prevenção da sífilis e da sífilis congênita. * Marrom: Conscientização sobre a saúde ocular e prevenção de doenças que causam cegueira * Roxo: Conscientização sobre a síndrome de Rett (ou dislexia em algumas regiões) * Prata: Conscientização sobre o envelhecimento saudável e valorização da pessoa idosa. ||| # Reflexão: "A força mais potente do universo é a fé". -- Madre Teresa de Calcutá . |||

 

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José Saramago foi um escritor, poeta, contista, dramaturgo e jornalista português. É considerado a maior expressão da literatura portuguesa contemporânea. Foi o primeiro escritor em língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, na aldeia de Azinhaga. A aldeia é localizada na província portuguesa do Ribatejo. O escritor morreu em 18 de junho de 2010, em Lazaronte, na Espanha, na presença da esposa, a jornalista espanhola Pilar Del Rio, e da família. Em 1976, tomou a decisão de viver exclusivamente da literatura. Começou como tradutor antes de chegar à fase autoral. Recebeu o Prêmio Camões em 1995. Principais obras de José Saramago: Terra do Pecado (1947) # Levantado do Chão (1980) # Memorial do Convento (1982) # O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) # A Jangada de Pedra (1986) # História do Cerco de Lisboa (1989) # O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991). {https://www.todamateria.com.br/jose-saramago/}

 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ser profissional! O que significa isso?

Trecho da infeliz entrevista de Felipe Massa à Folha de São Paulo
L
i neste fim de semana na Folha de São Paulo - Caderno de Esportes - uma entrevista do piloto Felipe Massa da equipe Ferrari na Fórmula Um. Em outras circunstâncias nem perderia tempo em conhecer a matéria. O que pensa Felipe Massa deixou de me interessar desde quando ele também "deixou passar" o carro do espanhol Fernando Alonso (companheiro de Ferrari)  atendendo a uma "ordem" do seu chefe de equipe.  Isto ocorreu no Grande Prêmio da Alemanha no ano passado.
Na ocasião manifestei-me no blog com o post "Ferrari cometeu, mais uma vez, crime contra o automobilismo" demonstrando minha indignação - como aficcionado da Fórmula  Um - contra o ato "ordenado" pela Ferrari e a atitude de Felipe Massa. A partir dali o piloto brasileiro deixou de merecer minha atenção e a de muitos brasileiros. E também entrou em decadência na Fórmula Um. 
Volto agora ao episódio. Me reporto a duas frases que o piloto brasileiro disse na entrevista citada. Ambas as frases estão destacadas abaixo:
  1. "Quando te dão uma ordem você tem de seguir. Acho que qualquer piloto profissional faria a mesma coisa que eu (...) Vou continuar sendo um profissional”.
  2. "Se essa situação acontecer de novo, vou ser profissional”.
http://ultrapassagem.org/wp-content/uploads/2011/08/Ferrari-Alemanha-2010.png
Pódio no dia da "ultrapassagem". Constrangimento de ambos.
Com certeza o Massa perdeu uma daquelas raras ocasiões em que ficar de boca fechada traz enormes resultados. Nem vou perder meu tempo (e o dos leitores) interpretando essas tolices que o piloto falou na entrevista à Folha. Prefiro tecer considerações sobre o conceito que ele expressa quanto a "ser profissional". E faço isso em favor dos verdadeiros profissionais  que acessam a Oficina de Gerência e que podem achar que exista alguma verdade nessa  aleivosia dita pelo Massa.
Senhores do Conselho, apaguem o que o Felipe Massa disse. Ser profissional está longe da caracterização e dos critérios que ele usou para justificar a sua covardia – sim, covardia – ao não enfrentar uma ordem errada dos seus superiores e se sujeitar ao rebaixamento dos seus próprios valores morais e profissionais.
Massa não foi e não está sendo sincero quando diz que “quando te dão uma ordem você tem que atender”. Isso não é verdade porquanto há uma enorme gama de situações e circunstâncias que podem fazer um subordinado não acatar determinadas ordens superiores.
Também não é correto ele dizer que “qualquer piloto profissional faria a mesma coisa que eu”. Pelo histórico poderia citar vários pilotos que não fariam o que Massa fez, mas fico com três. Dois brasileiros geniais, Nelson Piquet e Ayrton Senna e mais um inglês arretado que foi o Nigel Mansell.
http://www.vooz.com.br/imagem/noticias/nel_eee591f890a8ee06d306fa79e9f0d6c0.jpg
Falso Acidente de Nelsinho Piquet. "Ordens do Chefe"
Lembram-se de quem fez a mesma coisa? Imaginem! Rubens Barrichello no Grande Prêmio da Áustria em 2002, a poucos metros da linha de chegada e da vitória do GP da Áustria, desacelerou seu carro e deixou o alemão Michael Schumacher, ganhar a corrida. A mesma Ferrari deu a “ordem” e o piloto brasileiro aceitou. Dai em diante Barrichello perdeu o respeito na Fórmula Um e virou 2º piloto, assim como Massa. Outro caso mais recente foi o de Nelsinho Piquet. Cumpriu uma "ordem" desonesta do seu chefe e deu no deu...
Ser profissional é muito diferente do que o Massa falou. Ser profissional é sim, claro, obedecer às ordens superiores, porém (e aqui reside o “xis” da questão) essas ordens têm que respeitar uma escala de valores e critérios para poder ser cumpridas.
Qualquer empregado tem o dever de questionar e não acatar as ordens que firam os seus valores morais e éticos. Toda ordem tem que ser legítima na sua amplitude e especificidade.  Não podem elas confrontar os interesse corporativos da empresa onde o subordinado preste serviço. E poderia ficar aqui desfiando incansavelmente definições e considerações sobre que condicionantes devem cercar uma ordem para que ela seja aceita e cumprida.
A responsabilidade de uma ordem é de quem a dá. Aos subordinados cabe a avaliação da sua retidão e licitude sob o ponto de vista dos valores universais que regem a moral e os bons costumes. E, por óbvio, também responderá pela sua recusa. E é exatamente nesse ponto onde reside todo o peso das avaliações de quem se recusa a cumprir uma decisão superior que julgue desarrazoada, espúria ou injusta.
http://saidoinferno.zip.net/Image11.gifCertamente não estou “pregando” o motim ou a desobediência. Seria um tolo que assim procedesse. O que defendo é faculdade e a prerrogativa de um subordinado negar-se a cumprir uma determinação superior se a julgar fora dos limites de sua aceitação consciente. Isso sim, no meu conceito é ser profissional.
Claro que o tema merece uma ampla discussão, todavia pouco se lê a respeito. É um privilégio dos ordenadores. As ordens – como disse o Massa – são dadas para ser obedecidas e quem não as cumpre estará sob a ameaça de ser condenado ao banimento, ao degredo e à proscrição corporativa com o estigma de rebelde.  Entra na “lista negra” e vai para a margem do campo de jogo das corporações. Vide os exemplos de Barrichello e Massa. Eles falam por si mesmos.
Quem já passou por essas circunstâncias sabe como é duro enfrentar o ostracismo e o exílio como profissional. Entretanto quem teve a coragem de enfrentar o não cumprimento das ordens suspeitas e ilícitas, mesmo pagando alto preço, não se arrepende. Como diriam nossos avós o sono dos justos não tem preço.

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