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François Rabelais (nascido entre 1483 e 1494; falecido em 1553) foi um escritor francês que foi chamado de o primeiro grande autor de prosa francesa. Humanista do Renascimento francês e estudioso de grego, ele atraiu oposição tanto do teólogo protestante João Calvino quanto da hierarquia da Igreja Católica. Embora em sua época fosse mais conhecido como médico, estudioso, diplomata e padre católico, posteriormente tornou-se mais conhecido como satirista por suas representações do grotesco e por suas personagens grandiosas. Vivendo na turbulência religiosa e política da Reforma, Rabelais tratou das grandes questões de seu tempo em seus romances. Rabelais admirava Erasmo e, como ele, é considerado um humanista cristão. Ele foi crítico da escolástica medieval e satirizou os abusos de príncipes e papas poderosos. Rabelais é amplamente conhecido pelos dois primeiros volumes que relatam a infância dos gigantes Gargântua e Pantagruel, escritos no estilo do bildungsroman; suas obras posteriores — o Terceiro Livro (que prefigura o romance filosófico) e o Quarto Livro — são consideravelmente mais eruditas em tom. Seu legado literário deu origem à palavra rabelaisiano, um adjetivo que significa "marcado por um humor grosseiro e robusto, extravagância de caricatura ou naturalismo ousado". { https://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Rabelais }

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

O fenômeno Cazé TV, nos bastidores da copa. Inevitável não falar dele.

 

O Pecado de Enxergar Primeiro

Por Herbert Drummond

Tem um fantasma assombrando os bastidores desta Copa de 2026. Ele não entra em campo, não calça chuteira e não bate falta. Ele veste terno, fala com aquele tom professoral de quem é dono da verdade e está sofrendo de uma dor terrível: a dor de ter perdido o monopólio da relevância.

Antes de iniciar, quero dizer que não tenho "procuração" para falar em defesa da CazéTV e nem é esse o propósito. Meu objetivo com este post é defender o direito do torcedor — e me incluo nesse grupo — de acompanhar os jogos da Copa sem censura e se divertindo, exatamente como são as transmissões da turma do Casimiro.

Estou falando dessa campanha barulhenta e visivelmente orquestrada que resolveram levantar contra a CazéTV. De repente, os barões da mídia tradicional (notadamente a esportiva) viraram paladinos da moralidade e descobriram uma súbita preocupação social com os anúncios de apostas esportivas no streaming, as chamadas bets. Apontam o dedo para a internet como se a tela da TV aberta e os intervalos do horário nobre não estivessem igualmente entupidos, dia e noite, pelo mesmíssimo dinheiro dessas plataformas.

Vamos deixar o verniz de lado? Não se trata de uma cruzada em defesa do cidadão ou contra os malefícios que o vício em jogos traz; é o clássico linchamento do pioneiro, a mera negação do novo. É inveja comercial pura e simples, briga por dinheiro. O "crime" da CazéTV não foi colocar patrocinador na tela; foi ter a audácia de quebrar a banca e mudar a fórmula do espetáculo.

O mercado tradicional cometeu o erro fatal de ignorar a história. O mundo dos negócios está cheio de cadáveres corporativos de gigantes que achavam que eram eternos. Vejamos, para ilustrar o argumento, alguns exemplos clássicos: a Kodak jurou que as câmeras digitais eram um brinquedo passageiro; a Nokia olhou para o primeiro smartphone e não levou a sério; a Enciclopédia Britannica achou que a internet jamais substituiria seus pesados volumes na estante; e as cooperativas de táxi riram do primeiro protótipo do Uber. O final dessa história a gente já conhece.

A mídia tradicional é a nova Kodak do futebol. Tiveram o mesmo tempo, as mesmas pistas de que o público telespectador queria outra coisa — queria diferença, novidades. Preferiram sentar na própria arrogância e agora tentam recuperar espaço detonando quem apostou nos novos tempos.

Vivi, como profissional, os bastidores da mídia esportiva entre 1963 e 1971 e continuei acompanhando este universo de perto. Posso atestar: o que mudou de lá para cá foi apenas a tecnologia de transmissão — o satélite, o cabo, o HD. Mas a alma, os métodos e os jargões da TV clássica e do rádio continuaram exatamente os mesmos, presos num purismo estéril de estúdio plastificado.

O público simplesmente cansou desse engessamento, e já faz tempo. Ninguém quer mais ser um mero joguete em duelos repetitivos de audiência, um número frio de IBOPE, obrigado a ouvir analistas que usam suas pranchetas para ditar regras e teorizar sobre esquemas e estratégias pouco inteligentes e quase ininteligíveis.

A grande mídia tenta rotular quem migrou para o streaming como uma massa de "jovens alienados". Erro crasso. Esse grupo crescente só quer resgatar o prazer da transmissão viva, divertida e moderna na sua essência. No fundo, são os legítimos herdeiros do radinho de pilha que ressurgem.

Toda aquela resenha, a piada interna, a corneta e a cumplicidade que a turma do Casimiro entrega hoje no YouTube é a evolução direta da atmosfera que grandes narradores do rádio, como Oduvaldo Cozzi, Fiori Gigliotti, Valdir Amaral, Jorge Cury, José Carlos Araújo e, mais recentemente, Osmar Santos, criavam antigamente. 

O rádio falava ao pé do ouvido do torcedor, era visceral, humano e vivo. A TV engessou o futebol com transmissões frias, assépticas e "bem-educadas". Quis imitar o rádio, mas nunca conseguiu. A CazéTV trouxe de volta a conversa de bar, incluindo alguns palavrões inofensivos que fazem parte do verdadeiro clima dos estádios.

Podem continuar chiando e inflando discursos moralistas de conveniência. Os herdeiros do radinho de pilha já decidiram onde estão a emoção e a autenticidade. O caminho de volta para a caverna do formato antigo não existe. A grande parcela que realmente ama a emoção do futebol quer estar com o Cazé, com a turma dele e com o futebol de verdade.

Que venham (e virão...) mais Cazés no universo das transmissões esportivas, é isso que o público quer. A questão das Bets, é outro assunto.

Este artigo contou com o suporte da Inteligência Artificial (Gemini) na estruturação e revisão textual, mantendo a essência e as memórias do autor.

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