Mas quando ajustamos essa mesma lente para o ambiente organizacional, como devemos decifrá-la?
Em qualquer ambiente de trabalho sempre teremos pessoas jovens, gente madura e outras mais velhas. Contudo, o que antes era exceção tornou-se uma realidade consolidada: homens e mulheres acima dos 65 anos estão cada vez mais presentes e ativos nas instituições —
São profissionais de grande vivência que permanecem no mercado por diferentes razões:
O desejo genuíno de continuar produzindo e gerando valor;
A necessidade financeira de complementar renda;
A demanda estratégica das próprias empresas, que buscam essa bagagem para assegurar a gestão do conhecimento e a transição geracional.
Estou nesse grupo. Conheci e conheço vários exemplos desses senhores e senhoras que se mantêm plenamente produtivos e — apesar de suas limitações naturais do tempo — atuam lado a lado com os demais colegas, dividindo espaços, responsabilidades e desafios.
No entanto, em companhias de maior porte e com equipes numerosas, ainda é comum observar — salvo as honrosas exceções — um preconceito velado, o chamado etarismo. Ele se manifesta em atitudes sutis (às vezes ostensivas), principalmente vindo de colegas mais jovens ou lideranças despreparadas, que não cansam de criticar, diminuir ou desfavorecer os profissionais mais velhos.
Eles, exatamente como no exemplo do avô da parábola, acabam sendo colocados à margem dos ambientes de trabalho.
Fisicamente: em mesinhas discretas nos cantos das salas, cubículos isolados ou postos sem boa luminosidade e ventilação;
Culturalmente: sofrendo piadas inadequadas, falta de acolhimento pelas chefias e exclusão das decisões e dos projetos mais relevantes.
A fábula da “tigela de madeira” serve como um espelho incômodo para esses casos.
O debate sobre diversidade e inclusão nas empresas não pode se limitar apenas a discursos. A integração intergeracional é uma necessidade humana, social e de negócios.
Por isso, faça o exercício de olhar ao seu redor hoje: onde estão os colegas mais velhos no seu ambiente de trabalho?
Se perceber que eles estão sendo tratados como o vovô da fábula, não se omita. Aja para que eles venham sentar-se à mesa principal, com a mesma dignidade e protagonismo dos demais. Não aceite o isolamento como se nada tivesse a ver com você.
Lembre-se: amanhã, se tivermos o privilégio do tempo, seremos nós a estar na situação deles.
O que acha de levarmos essa reflexão adiante? Na sua empresa, os profissionais maduros têm assento à mesa ou continuam sendo isolados no canto da sala? Tornados irrelevantes?
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Excelente reflexão. Valorizar a experiência não é apenas uma questão de respeito, mas também de inteligência organizacional. Empresas que promovem a troca entre gerações preservam conhecimento, fortalecem sua cultura e tomam decisões melhores. Até o Vasco entendeu a lição: ontem, com média de quase 28 anos entre os titulares, mostrou que experiência bem aproveitada ainda ganha clássico.
ResponderExcluirObrigado pela visita e pelo comentário, "anônimo" (acho que o conheço). Sendo vascaíno, é sempre bem vindo. Volte sempre.
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