O que nos falta? A lição argentina de faca nos dentes
A histórica virada da Argentina sobre o Egito nesta Copa do Mundo não foi apenas um espetáculo de futebol; foi uma lição de caráter esportivo. Mais do que tática ou estratégia, o que se viu em campo foi aquilo que o torcedor brasileiro implorou para ver no jogo contra a Noruega: atitude, compromisso com a profissão e respeito absoluto por quem veste a camisa de seu país. Independente de técnico, de estratégias e táticas, o onze argentino foi lá e resolveu a parada na garra, com a faca nos dentes e no melhor estilo da raça portenha. Buscar um resultado com dois gols de desvantagem e 23 minutos para terminar a partida exige mais do que talento, exige uma crença inabalável na própria força, respeito por si próprio, coesão e destemor da equipe e, principalmente, o espírito de guerreiros travando sua decisiva batalha.
E no centro dessa epopeia estava Lionel Messi. Aos quase 40 anos, no limite da exaustão física, o veterano capitão não se escondeu. Enquanto o corpo cobrava o preço de uma carreira inteira, ele agigantou-se na liderança, chamou a responsabilidade para si e, no puro oxigênio da genialidade e da raça, comandou a virada. Uma vitória com a assinatura moral e o brilho de quem é, de fato, um campeão do mundo que se recusa a aceitar a derrota.
Enquanto nossos atletas, contra a Noruega, pareciam por vezes anestesiados, jogando sob a blindagem de suas desculpas táticas, os vizinhos nos mostram o óbvio: na caça ao tesouro, no topo do mundo, ganha quem tem fome. Um campeão não espera acontecer, vai à luta e resolve. O time brasileiro, definitivamente, não tinha espírito de campeão.
Após um ganho moral desse tamanho, será difícil segurar a Argentina, mesmo com potências como França, Espanha e a intensidade de Marrocos pelo caminho.
Fica o espelho para a Seleção Brasileira. O talento resolve muita coisa, mas sem o compromisso de veteranos como Messi, e demais companheiros dispostos a suar sangue pelas vitórias, dando a vida em campo até o último minuto, o futebol cobra o preço. Está na hora de o nosso time e suas estrelas pararem de dar explicações e começarem a mostrar o mesmo apetite dos argentinos. Se vamos para um novo ciclo, vamos recomeçar a partir daí.
O torcedor brasileiro não exige a perfeição; exige a entrega que a Argentina acabou de desenhar no gramado.

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