||| 19 de setembro DE 2026 ||| SÁBADO ||| DIA NACIONAL DO TEATRO ||| *Reflexão: “No teatro da vida quem tem o papel de sinceridade é quem, geralmente, mais bem vai no seu papel.” ― Fernando Pessoa . |||

 

Bem vindo

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O Dia Nacional do Teatro é comemorado em 19 de setembro. A data é dedicada a homenagear uma das manifestações artísticas mais antigas da humanidade e, especialmente, os profissionais brasileiros que fazem do palco um espaço de criação, reflexão, emoção e encontro com o público. O teatro pode divertir, provocar perguntas, retratar problemas da sociedade e apresentar diferentes maneiras de enxergar o mundo. O nascimento do teatro no Brasil As primeiras manifestações teatrais no Brasil foram introduzidas pelos portugueses durante o século XVI, especialmente pelos padres jesuítas. Nesse período, os chamados autos eram utilizados principalmente como instrumentos de catequese. As apresentações combinavam encenação, música e diálogo para transmitir ensinamentos religiosos às populações indígenas. Um dos nomes mais conhecidos dessa fase é o do padre José de Anchieta, que escreveu e organizou peças com finalidade religiosa e educativa. Assim, nos primeiros tempos do Brasil colonial, o teatro estava muito ligado à religião e à catequização, e não ao entretenimento como conhecemos hoje. O teatro ganha espaço como entretenimento A relação do teatro com o entretenimento se fortaleceu principalmente a partir da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, em 1808. Com a instalação da corte no Rio de Janeiro, aumentou a demanda por atividades culturais destinadas à elite. Companhias estrangeiras passaram a se apresentar e novos espaços foram construídos ou adaptados para receber espetáculos. Nesse período, o teatro começou a ganhar importância como forma de diversão, convivência social e manifestação cultural. comemoração do dia nacional do teatro O surgimento do teatro brasileiro Durante o século XIX, começaram a surgir grupos e companhias nacionais, contribuindo para a formação de uma identidade teatral brasileira. A comédia teve grande destaque nesse processo, especialmente as peças que retratavam costumes, situações do cotidiano e tipos sociais reconhecidos pelo público. Um dos grandes nomes da história do teatro brasileiro é Martins Pena, considerado um dos principais responsáveis pela consolidação da comédia de costumes no país. Suas peças utilizavam humor para apresentar aspectos da sociedade brasileira. O teatro e a cultura brasileira Com o passar do tempo, o teatro brasileiro deixou de se limitar à comédia e passou a explorar diferentes estilos, temas e linguagens. No século XX, surgiram grupos, companhias e movimentos que renovaram a dramaturgia e a encenação. O teatro passou a abordar questões como política, desigualdade social, relações familiares, identidade, comportamento e cultura. Entre os nomes importantes desse período estão autores como Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna e Augusto Boal, além de inúmeros atores, diretores, cenógrafos e outros profissionais. Dia Nacional do Teatro Acessível O dia 19 de setembro também está relacionado ao Dia Nacional do Teatro Acessível, iniciativa voltada à ampliação do acesso das pessoas com deficiência às artes cênicas. A acessibilidade pode envolver diferentes recursos, como Libras, audiodescrição, legendas e adaptações físicas dos espaços, permitindo que mais pessoas possam participar da experiência teatral. A proposta reforça a ideia de que a cultura deve ser acessível ao maior número possível de pessoas. [https://www.calendarr.com/brasil/dia-nacional-do-teatro/]

pensamento dia

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Frase

Frase
Sófocles (497 ou 496 a.C.- inverno de 406 ou 405 a.C ) foi um dramaturgo grego, um dos mais importantes escritores de tragédia ao lado de Ésquilo e Eurípedes, dentre aqueles cujo trabalho sobreviveu. Suas peças retratam personagens nobres e da realeza. Filho de um rico mercador, nasceu em Colono, perto de Atenas, na época do governo de Péricles, o apogeu da cultura helênica. Suas primeiras peças foram escritas depois que as de Ésquilo e antes que as de Eurípedes. De acordo com a Suda, uma enciclopédia do século X, Sófocles escreveu 123 peças durante sua vida, mas apenas sete sobreviveram em uma forma completa. Por quase 50 anos, Sófocles foi o mais celebrado dos dramaturgos nos concursos dramáticos da cidade-estado de Atenas, que aconteciam durante as festas religiosas Leneana e Dionísia. Sófocles competiu em cerca de 30 concursos, venceu 24 e, talvez, nunca ficou abaixo do segundo lugar; em comparação, Ésquilo venceu 14 concursos e foi derrotado por Sófocles várias vezes, enquanto Eurípides ganhou apenas quatro competições. Suas peças "sobreviventes" são: Ájax - Antígona - As Traquínias - Édipo Rei - Electra - Filoctetes - Édipo em Colono. (https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3focles)

 

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Oliver Twist de Charles Dickens - mudou a crítica social


N
avego na Internet e dou de cara com o Obvious (clique no link abaixo) que se apresenta como "O maior site de cultura colaborativa em lingua portuguesa. Tudo sobre cultura, criatividade, artes, letras, design, fotografia, cinema, arquitetura, música, humor, ...". Concordo plenamente. O Obvious é especial. Eu o acompanho há uns 9 anos.
Como disse, deparei-me com um artigo sobre Charles Dickens (também tem link para ele logo abaixo) que me chamou a atenção porque tocou no assunto "crianças". E logo na primeira frase do texto eu já "comprei" a leitura e não me arrependi. O que li?
  • "Dickens levou toda uma sociedade à reflexão por meio de estórias de simples garotos, carentes no sistema, carentes de relações. Com sua literatura, ele não somente abriu caminhos para a crítica social – por meio de seus próprios traumas – como reencontrou sua infância perdida, criando a partir dela muitas outras infâncias com as quais pôde expressar seus medos, segredos e esperanças de garoto.
Conheço de Charles Dickens o que todos os curiosos por cultura conhecem. De livros só li o "Oliver Twist" e vi o filme; mas não estou aqui para falar de Charles Dickens.

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O que me despertou a atenção no texto do Obvious, foi a informação que o autor inglês da era vitoriana (meados do século XIX, de junho de 1837 a janeiro de 1901) contribuiu fortemente para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa despertando e provocando a conscientização da influente sociedade britânica na Europa e no mundo. E isto ultrapassou as fronteiras da Grã-Bretanha e ganhou o mundo também inspirando intensamente as culturas dos países de língua inglesa.
A pergunta que deixo no ar, para reflexão, é porque em nosso país, onde as mais diversas formas de mazelas sociais batem à porta todos os dias, não conseguimos produzir autores, artistas e figuras públicas com a força de um Dickens para desenvolver um processo de "crítica social" principalmente em relação à proteção da infância? 
Falta-nos essa energia, que deveria vir da cultura em geral e da literatura em particular, que consiga - pelo menos - sensibilizar nossa sociedade mais favorecida a prestar atenção ao que está acontecendo com a infância e a juventude do Brasil. Jogamos tudo nas costas dos governos e fingimos que não estamos enxergando os horrores que vemos, ouvimos e lemos nas mídias diuturnamente. 
Convido-os a ler o artigo abaixo, para conhecer o que Charles Dickens fez para modificar comportamentos sociais na sua época.


Clique na figura e conheça o Obvious (vale a curiosidade )

Os Garotos de Charles Dickens

Dickens levou toda uma sociedade à reflexão por meio de estórias de simples garotos, carentes no sistema, carentes de relações. Com sua literatura, ele não somente abriu caminhos para a crítica social – por meio de seus próprios traumas – como reencontrou sua infância perdida, criando a partir dela muitas outras infâncias com as quais pôde expressar seus medos, segredos e esperanças de garoto.


Quão extraordinário e poderoso é o dia em que a infância se vai? O dia em que o menino dá boas-vindas ao homem? Para Charles Dickens esse dia foi tão determinante que o levou a criar grande parte de suas personagens como sendo verdadeiras personificações deste sentimento. E quase toda a sua obra faz referência a essa circunstância que se relaciona com todas as outras variadas conjunturas da juventude dramática do escritor.

Oliver Twist, David Copperfield, Nicholas Nickleby, Philip Pirrip – o que estes personagens de Charles Dickens têm em comum? São jovens que passam por adversidades, sendo obrigados a, precocemente, ir ao encontro dos encargos da difícil e impiedosa vida adulta. Eles são os alteregos de Dickens, uma expressão da personalidade do autor.


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Dickens é considerado, ao mesmo tempo, realista e romântico. Realista porque tratava de fatos da época e da sociedade em que viveu, de maneira incisiva. Teve uma infância violada. Sua família era economicamente estável, o que lhe proporcionou um excelente nível de educação. Mas seu pai perdeu o controle das dívidas e foi preso, obrigando sua família a mudar-se para a periferia de Londres. Coube ao pequeno Charles sustentá-la aos dez anos, trabalhando em uma fábrica de graxa para sapatos. 

Precocemente, Charles Dickens viu sua infância se esvair como névoa para dar lugar às responsabilidades adultas. Mas Dickens também é romântico, pois apesar de ressaltar tantas dificuldades, suas personagens sempre tinham um encontro feliz com o destino que os redimia das maneiras mais improváveis. 

Assim como na própria vida de Dickens aconteceu que, anos após a prisão de seu pai, sua família herdou uma herança – possibilitando o pagamento das dívidas – o que trouxe novamente uma vida financeiramente estável. Porém, a mãe de Charles Dickens recusou-se a tirá-lo do emprego na fábrica. Este fato amputou, definitivamente, a infância do escritor que, anos mais tarde, afirmaria jamais perdoar sua mãe.

Sendo obrigado a trabalhar, Dickens viu de perto uma sociedade inglesa sádica e corrupta, falha em todas as assistências ao trabalho operário. Juntou a isso o sofrimento de sua família, endividada, presa e humilhada por um sistema carcerário injusto. Dickens começa a escrever, criando personagens que passaram por tais situações - personagens jovens, fortes, que falariam em seu lugar. 

Temas como a pobreza, um sistema educacional deficiente, um sistema jurídico corrompido, a falta de auxílio à orfandade de uma Londres arbitrária, com leis débeis, que fechavam os olhos à exploração infantil e às más condições de trabalho, fazem da obra de Dickens uma das mais ácidas em criticar a sociedade da era vitoriana, apoiando-se em sua própria realidade. 

Suas personagens são formas e vozes dessas suas críticas. Dickens revelou-se um inconformista que conquistou o público burguês – o que conseguiu apenas porque foi inteligente e dominou seu ímpeto revolucionário. Sabia que não era função dele incitar um sentimento de frustração, e sim de suas personagens. Foi o caso de sua primeira obra crítica, The Pickwick Papers, e depois de Oliver Twist, Nicholas Nickleby, A Christmas Carol, David Copperfield, Black House ou Great Expectations, entre outros.


Charles Dickens, nascido em 1812, fica atrás apenas de Shakespeare em número de obras reproduzidas, seja para teatro, cinema ou televisão. É considerado por muitos o maior romancista da língua inglesa de todos os tempos. Suas novelas foram marcantes para uma época que não formou apenas opiniões, mas acrescentou à língua palavras e à sociedade formas de pensar o mundo. A delicadeza de sua pena romântica contrastou com a fúria de uma alma inconformada, resultando em uma das obras mais aclamadas da literatura mundial.

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