Para alguns, é uma obrigação cumprida. Para outros, um momento de emoções: esperança ou desilusão, preocupação ou tranquilidade, entusiasmo ou desânimo. Contudo, aquela breve passagem pela cabine merece mais do que a pressa de encerrar uma tarefa.
É ali, a sós na cabine, que cada um de nós participa da escolha de quem receberá poder para tomar decisões que alcançarão milhões de brasileiros, inclusive nós mesmos. Decisões cujos efeitos poderão permanecer muito além de uma campanha ou de um mandato.
“Sempre que eu voto, fico muito emocionada”, diz Sandra Annenberg. Ao recordar sua primeira eleição e destacar a igualdade no peso dos votos, ela nos convida a perceber o significado daquele instante na cabine.
Talvez seja essa a emoção que a rotina às vezes encobre. Por alguns minutos, estamos diante de uma escolha individual que se somará às de milhões de brasileiros. O gesto é simples; a responsabilidade que ele carrega é enorme.
Foi essa dimensão do voto que o vídeo me fez recordar.
Às vésperas de uma nova votação, considero oportuno fazer essa pausa. Não vou dizer a quem lê estas linhas que deve votar assim ou assado. Defendo, sim, que a escolha seja feita com consciência, pensada com calma e, tanto quanto possível, livre das pressões e dos exageros das campanhas.
Isso exige algum trabalho: examinar propostas, observar trajetórias, avaliar preparo e distinguir promessas de possibilidades reais. Exige também disposição para questionar informações que parecem convincentes apenas porque confirmam aquilo em que já acreditamos. É uma pedreira, reconheço, sobretudo quando precisamos colocar nossas próprias certezas à prova.
Não precisamos abandonar nossos sentimentos para votar. Precisamos evitar que eles decidam tudo sozinhos. A simpatia por um candidato não dispensa a avaliação de sua capacidade; a rejeição a outro não garante a qualidade da alternativa.
Também não podemos exigir de nós mesmos a certeza de que jamais nos arrependeremos. Nenhum eleitor controla o futuro ou a conduta de quem elege. Podemos, porém, buscar informações confiáveis para conhecer melhor aqueles a quem pretendemos entregar essa responsabilidade.
Podemos chegar à cabine sabendo que procuramos compreender as opções disponíveis e fizemos uma escolha ponderada. Seria pedir demais a cada um de nós? Diante da importância do voto, não creio.
Que o voto expresse aquilo que consideramos melhor para nós e nossas famílias, mas que nosso olhar alcance também quem vive em condições diferentes das nossas. Afinal, o país que ajudamos a construir será compartilhado com todos.
E que, depois da eleição, continuemos atentos. A responsabilidade do cidadão permanece: acompanhar, cobrar e reconhecer os acertos e os erros de quem recebeu o nosso voto, além de reavaliar nossas próprias escolhas.
Afinal, a consciência que levamos à cabine precisa voltar para casa conosco.
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